Open-access NECESSIDADES DE APRENDIZAGEM EM PRIMEIROS SOCORROS DE PROFESSORES E FUNCIONÁRIO QUE ATUAM NA EDUCAÇÃO INFANTIL

RESUMO

Objetivo:   descrever as necessidades de aprendizagem de primeiros socorros de professores e funcionários da educação infantil.

Método:  estudo qualitativo, descritivo, realizado em instituição de educação infantil localizada em Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. Participaram 13 profissionais de educação infantil. Coleta de dados com entrevistas semiestruturadas. Foi utilizado o software Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires, como ferramenta para o processamento dos dados, por meio da Classificação Hierárquica Descendente”.

Resultados:  entre as quatro classes encontradas, destacam-se as experiências de cuidado e necessidades de aprendizagem de primeiros socorros relacionadas a quedas com foco em fraturas e traumas na cabeça, queimaduras, ferimentos e cortes, convulsões, engasgos, traumas dentais, e paradas cardiorrespiratórias.

Conclusão:  compreender as necessidades de aprendizagem permite a implementação de ações fundamentadas nas reais demandas do contexto dos profissionais de educação infantil e, assim, colaborar com a equipe escolar na prestação de primeiros socorros no cotidiano escolar.

DESCRITORES:
Primeiros socorros; Educação em saúde; Professores escolares; Emergências; Enfermagem pediátrica

ABSTRACT

Objective:   to outline the first aid learning needs of teachers and staff working in early childhood education settings.

Method:  this is a qualitative, descriptive study conducted at an early childhood education institution in the city of Niterói, Rio de Janeiro, Brazil. A total of 13 early childhood education professionals participated in the study. Data collection was conducted through semi-structured interviews. The software Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires was used for data processing, employing Descending Hierarchical Classification (DHC).

Results:  among the four classes identified in this study, the key first aid experiences and needs to be addressed include falls, with a focus on fractures and head trauma, burns, wounds and cuts, seizures, choking, dental trauma, and cardiopulmonary arrest.

Conclusion:  understanding these learning needs allows for the implementation of actions that are tailored to the actual demands of early childhood education professionals, ultimately enabling the school team to provide effective first aid in everyday school situations.

DESCRIPTORS:
First aid; Education in health; School teachers; Emergencies; Pediatric nursing

RESUMEN

Objetivo:   describir las necesidades de aprendizaje en primeros auxilios de profesores y personal de educación infantil.

Método:  estudio cualitativo y descriptivo realizado en una institución de educación infantil situada en Niterói, Río de Janeiro (Brasil). Participaron trece profesionales de educación infantil. Los datos se recogieron mediante entrevistas semiestructuradas. Se utilizó el software Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires como herramienta para el procesamiento datos, mediante Clasificación Jerárquica Descendente.

Resultados:  entre las cuatro clases encontradas, destacamos las experiencias asistenciales y las necesidades de aprendizaje en primeros auxilios relacionadas con las caídas, con especial atención a las fracturas y traumatismos craneoencefálicos, quemaduras, heridas y cortes, convulsiones, atragantamientos, traumatismos dentales y paradas cardiopulmonares.

Conclusión:  comprender las necesidades de aprendizaje permite implementar acciones basadas en las demandas reales del contexto de los profesionales de educación infantil y así colaborar con el personal escolar en la prestación de primeros auxilios en la vida cotidiana escolar.

DESCRIPTORES:
Primeros auxilios; Educación para la salud; Maestros de escuela; Emergencias; Enfermería pediátrica

INTRODUÇÃO

A população infantil apresenta propensão maior à ocorrência de acidentes devido a características anatômicas e de desenvolvimento específicas. Quanto aos aspectos anatômicos, o corpo pequeno da criança facilita sua inserção em locais inseguros, como colocar os dedos em tomadas, e a cabeça desproporcional ao restante do corpo altera o centro de gravidade, favorecendo quedas. Já o desenvolvimento ocorre por meio de descobertas, fantasias e interesse em explorar o ambiente, o que aumenta a probabilidade de acidentes1.

Os acidentes, também denominados de “injúria não intencional”, são eventos imprevisíveis2, e embora não seja possível saber quando ocorrerão, é fundamental adotar mecanismos preventivos para minimizar tais ocorrências3. No Brasil, em 2022, foi registrado um total de 1.919 óbitos na faixa etária de 1a 9 anos pelas chamadas causas externas (acidentes e violência). A faixa etária entre 1 e 4 anos na região Sudeste teve o maior índice, enquanto, entre 5 e 9 anos, o maior índice foi na região Nordeste. Quanto ao sexo, os meninos são os mais acometidos possivelmente por se envolverem com brincadeiras mais agressivas e até mesmo questões culturais, pois eles são menos vigiados que as meninas2.

Essa temática tem sido uma prioridade para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com empenho para realização de políticas e estratégias que venham minimizar esses agravos, pois há impactos nos âmbitos sociais e econômicos4.

Observa-se que esses acidentes podem acontecer no ambiente doméstico, na rua e na escola, local onde a criança passa grande parte do dia. Ao acontecer na escola, professores e funcionários, muitas vezes, são responsáveis por prestar os primeiros socorros às crianças, o que torna imprescindível ter o conhecimento necessário para atuar nessas situações5.

A educação infantil, primeira etapa da educação básica, composta por creches e pré-escolas, tem como objetivo promover o desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social da criança até 5 anos incompletos. Nesse processo, a família e a comunidade colaboram em conjunto com a escola. Um dos eixos estruturantes do referencial curricular é o brincar, por meio do qual as crianças acessam repertórios culturais, conhecimento, criatividade e imaginação6.

Apesar da frequência com que professores e funcionários vivenciam emergências, em seu cotidiano, muitos não estão preparados para prestar o cuidado adequado. Revisão sistemática realizada na Arábia Saudita identificou que a maioria possui conhecimentos inadequados, mas, ainda assim, oferece apoio aos estudantes, demonstrando desejo de aprender sobre a assistência em primeiros socorros7.

Outra investigação que avaliou o nível de conhecimento dos professores quanto a traumas dentais, um tipo comum de acidente nas escolas, revelou um déficit global no conhecimento sobre o tema, indicando a presença de lacunas significativas no preparo para lidar com emergências. Muitas escolas brasileiras não dispõem de profissionais de saúde, e acionar o serviço de emergência é necessário, porém o tempo de deslocamento desse serviço pode ser longo, tornando crucial a iniciação imediata dos primeiros socorros8.

Os primeiros socorros são definidos como a assistência inicial prestada de forma imediata e segura a uma pessoa que sofre um agravo à saúde, podendo ser realizada por leigos. O objetivo é prevenir possíveis agravos, incapacidades e até mesmo a morte, requerendo que o socorrista reconheça prontamente a situação e saiba realizar as manobras necessárias9-10.

No Brasil, a formação de professores não inclui o ensino de primeiros socorros em suas grades curriculares, exceto para cursos de licenciatura em educação física. Assim, professores de educação infantil que desejam essa formação precisam buscar cursos extracurriculares11.

Entretanto, a Lei no 13.722/2018, conhecida como Lei Lucas, sancionada no Brasil em 2018, determina a obrigatoriedade de capacitação em primeiros socorros para professores e funcionários de educação básica12. Nessa vertente, estudo realizado na Bélgica sugere a obrigatoriedade de cursos de primeiros socorros na formação de professores, visando à manutenção do conhecimento ao longo do tempo5.

Quando a equipe escolar está preparada para realizar os primeiros socorros, há um aumento significativo nas chances de recuperação e no prognóstico das crianças, impactando positivamente o atendimento realizado pelo serviço especializado. Estudos indicam que os professores têm interesse em aprender sobre primeiros socorros e consideram esse conhecimento relevante para agir adequadamente em emergências. No entanto, é fundamental compreender as necessidades específicas desse grupo e o que consideram fundamental para a formação contínua5:13.

A temática “necessidades de aprendizagem” encontra ancoragem nas concepções teóricas de Paulo Freire, pois, no processo educativo, é crucial considerar os saberes do educando para construir o conhecimento de forma coletiva. A relação horizontal entre educador e educando, baseada no respeito e na humildade, promove o empoderamento do indivíduo e o desenvolvimento do pensamento crítico. Freire critica o modelo bancário de educação, onde há apenas transferência de conhecimento, e defende a importância do compartilhamento dos saberes prévios dos educandos para uma transformação efetiva14.

Sobre os primeiros socorros no espaço escolar, apesar da legislação vigente e do interesse dos professores em aprender sobre o assunto, é necessário compreender as necessidades de aprendizagem específicas de professores e funcionários da educação infantil nesse tema. Logo, a questão norteadora deste estudo é: quais são as necessidades de aprendizagem de primeiros socorros de professores e funcionários da educação infantil?

Portanto, tem-se como objetivo descrever as necessidades de aprendizagem de primeiros socorros de professores e funcionários da educação infantil.

MÉTODO

Estudo de abordagem qualitativa, descritivo e exploratório, que seguiu os preceitos estabelecidos pelo COnsolidated criteria for REporting Qualitative research (COREQ)15. Foi realizado em instituição de educação infantil localizada em Niterói, estado do Rio de Janeiro, Brasil, que atende 57 crianças com idades entre 2 e 5 anos, 11 meses e 29 dias, em modelo de ensino integral, das 08h às 15h30min.

A instituição oferece diversas atividades educativas, incluindo capoeira, música, educação física, biblioteca e artes. Juntamente com ações de ensino, pesquisa e extensão promovidos por diferentes áreas como pedagogia, enfermagem, nutrição e entre outras.

No início da pesquisa, em 2021, a escola contava com 33 profissionais, incluindo pedagogos, mediadores de alunos, professores de capoeira, artes e música, auxiliares administrativos, enfermeira, porteiro, zelador, nutricionista, bibliotecário, agente educacional, assistente social e psicólogo.

Neste estudo foram incluídos funcionários efetivos e contratados que atuavam na educação infantil da instituição em estudo. Foram excluídos aqueles que estavam afastados por licenças ou férias, no período da coleta dos dados.

Dos 33 profissionais, foram convidados 16 que atendiam os critérios de inclusão e tinham disponibilidade de participar da pesquisa, no período de coleta de dados, que ocorreu entre agosto e setembro de 2021.

Cada participante recebeu, por e-mail, uma carta-convite explicando a proposta e o objetivo do estudo enviado pela primeira autora, enfermeira que atuava na instituição, além do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O prazo para responder foi 15 dias e 13 confirmaram a participação na pesquisa respondendo o e-mail. As entrevistas foram agendadas considerando a disponibilidade de horário de cada participante.

As entrevistas foram conduzidas online, uma única vez por participante, via plataforma Google Meet ®, devido à necessidade de isolamento social imposta pela pandemia de Covid-19. Todas as entrevistas foram gravadas, com prévia autorização dos participantes, e conduzidas pela primeira autora, segundo roteiro semiestruturado, cujas perguntas fechadas visavam caracterizar os participantes (idade, sexo, estado civil, etnia, nível de escolaridade, profissão, tempo de trabalho na escola, experiência prévia com cursos de primeiros socorros e detalhes sobre esses cursos). As perguntas abertas focaram diretamente no objetivo do estudo: relato de acidentes presenciados na escola, conhecimento sobre primeiros socorros, ações tomadas em emergências, e quais temas e conteúdos gostariam de aprender sobre o assunto.

O roteiro foi avaliado previamente pela equipe de pesquisa, composta pela primeira autora e duas doutoras com expertise na área de saúde da criança. Foram realizados ajustes visando atender o objetivo do estudo.

As entrevistas foram realizadas individualmente com cada participante. Incialmente a pesquisadora explicava os objetivos do estudo e ficava à disposição para esclarecer dúvidas relacionadas com a entrevista e a pesquisa. Cada entrevista durou em média 42 minutos, e foi transcrita na íntegra para posterior processamento no IRAMUTEQ, versão 0.7, alpha2 2020, e R versão 4.1.1. Este software, desenvolvido sob a lógica open source, permite análises quantitativas de dados qualitativos, proporcionando maior rigor analítico16.

A análise de dados seguiu três etapas. A primeira etapa envolveu a preparação do corpus textual. A segunda etapa consistiu no processamento do corpus textual, no software IRAMUTEQ, utilizando a Classificação Hierárquica Descendente (CHD), que classifica os segmentos de texto (STs) com base em seus léxicos16. Durante a análise, as formas ativas (adjetivos, advérbios, substantivos, verbos e formas não reconhecidas) e os segmentos de texto com significância estatística (valor de p ≥3,84 e valor de p <0,05 no teste qui-quadrado) foram considerados para garantir rigor no processamento dos dados16. O processamento na CHD necessitava alcançar um percentual superior a 75%, e, neste estudo, atingiu 86,7%17. A terceira etapa referiu-se à análise e interpretação dos dados segundo o referencial teórico de Paulo Freire14.

Assim por meio da junção de dois fatores sucedeu-se o encerramento da coleta de dados, a saber: saturação teórica dos dados e aproveitamento da análise do corpus textual realizada pelo software IRAMUTEQ que nesse estudo alcançou valor de 86,7%, superior ao recomendado de 75%18-20. Sendo que o quantitativo de participantes proporcionou o abarcamento e reincidência de informações, não sendo preciso continuar a coleta de dados, o que culminou na saturação teórica dos dados18-20.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, em conformidade com as Resoluções no 466/2012 e no 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Os dados foram coletados após a obtenção da concordância pelo TCLE. Para garantir o sigilo e o anonimato dos participantes, eles foram identificados pela letra “P”, de participante, seguida de número arábico, para identificar a ordem de participação.

RESULTADOS

Participaram 13 profissionais que compunham a equipe de educação infantil. Desses, 11 eram mulheres (84,6%) e dois eram homens (15,4%). A média de idade foi de 33 anos, variando de 24 a 58 anos, indicando um grupo predominantemente composto por adultos jovens. Em relação à etnia, nove participantes se autodeclararam brancos (69,2%) e, quatro, pardos (30,8%). A categoria profissional mais representativa foi a de professores, totalizando sete participantes (53,8%), seguida pelos mediadores de alunos, com quatro participantes (30,8%), uma bibliotecária (7,7%) e uma nutricionista (7,7%).

Quanto ao estado civil, nove eram solteiros (69,2%) e quatro eram casados (30,8%). No que diz respeito à escolaridade, observou-se um alto nível de instrução, com três (23,1%) participantes com ensino superior incompleto, quatro (30,8%), com ensino superior completo e especialização, e um (7,7%), com doutorado e pós-doutorado. O tempo do vínculo de trabalho na instituição foi em média quatro anos, sendo no mínimo cinco meses e no máximo de sete anos.

Em relação à realização de cursos de primeiros socorros, cinco (38,5%) relataram ter feito algum curso; destes, três (23,1%) participantes mencionaram ter realizado um curso na autoescola, descrevendo-o como superficial e com foco apenas em algumas temáticas relacionadas a acidentes de trânsito. Apenas um (7,7%) participante afirmou ter concluído um curso completo de primeiros socorros durante sua formação como professora de lutas. Outro participante (7,7%) fez um curso focado em afogamento em projeto do corpo de bombeiros quando tinha 14 anos, descrevendo-o como pontual.

O processamento dos dados no software IRAMUTEQ ocorreu em 1 minuto e 19 segundos, resultando em 13 textos, 826 segmentos de textos (ST), 2.835 formas, 2.9383 ocorrências, 1.724 lemas, 1.511 formas ativas, 203 formas suplementares (hápax), e uma média de 35,6 formas por segmento, agrupados em quatro classes. O dendrograma (Figura 1) foi dividido em duas partes do corpus textual, representadas pelas classes 2 (verde) e 1 (vermelho). Houve uma subdivisão, originando as classes 3 (azul) e 4 (roxo), com aproveitamento de 86,7%, resultando em 713 ST.

Figura 1 -
Dendrograma da Classificação Hierárquica Descendente dos segmentos de textos relacionados às necessidades de aprendizagem de primeiros socorros de professores e funcionários de educação infantil. Niterói, RJ, Brasil, 2024.

As classes 1, 3 e 4 apresentaram associação semântica entre si, enquanto a classe 2 apresentou distanciamento em termos semânticos. No dendrograma (Figura 1), as palavras mais significantes foram expressas de forma decrescente, sendo analisado o contexto em que essas palavras estavam inseridas através do resgate de seus segmentos de texto. Os dados foram então analisados à luz do referencial teórico do estudo, visando compreender o significado atribuído pelos participantes em suas vidas e ações.

A minuciosa análise dos segmentos de texto, de cada classe, permitiu a identificação das necessidades de aprendizagem dos professores e funcionários. Assim, as classes foram nominadas a partir dos seus conteúdos semânticos da seguinte forma: Experiência de acidentes na escola por professores e funcionários; Cuidados à criança em situações de acidente na escola; Gestão na atuação dos professores e funcionários diante do acidente no contexto escolar; Desafios de atuação dos professores e funcionários diante do acidente no contexto escolar.

Classe 1: Experiência de acidentes na escola por professores e funcionários

Os relatos da equipe refletiram as experiências cotidianas na educação infantil, permeadas por acidentes típicos dessa faixa etária, envolvendo quedas, mordidas, convulsão, pequenos cortes e escoriações. Nesta classe, as palavras mais recorrentes foram “presenciar”, “acidente”, “queda”, “galo”, “grave”, “bater”, “cabeça”, “convulsão”, “criança”, “identificar”, “olho”, “joelho” e “ralar”.

[...] quedas é uma coisa que acontece e mordidas também, mas muita queda eu já presenciei. Essas situações das crianças estarem correndo no gramado e cair. Já presenciei várias vezes (P1). [...] ralar quando cai também é bem corriqueiro (P2).

Os profissionais buscaram distinguir entre acidentes leves e graves, observando sinais e sintomas nas crianças, e reconhecendo a necessidade de hospitalização em alguns casos. Essas situações foram identificadas como comuns nesse ambiente e faixa etária.

[...] eu me lembro de ter presenciado um acidente na escola com uma criança que pulou da casinha no parque e fraturou o braço; essa criança precisou realizar uma cirurgia depois do acidente. O outro foi quando uma criança teve convulsão. Tirando esses dois episódios, não presenciei nenhum acidente grave, a não ser pequenos cortes, uma coisa ou outra, porém leves. Os ferimentos leves na educação infantil acontecem constantemente; é bem comum mesmo (P3).

[...] a criança na hora ficou com um galo (trauma na cabeça) enorme, ficou bem feio, na hora eu me assustei, porque inchou muito rápido e ficou muito grande (P4).

Classe 2: Cuidados à criança em situações de acidente na escola

Esta classe reflete os cuidados necessários percebidos pelos profissionais diante de acidentes. As palavras mais comuns foram “dente”, “água”, “botar”, “leite”, “lavar”, “dentista”, “sangue”, “gelo”, “queimadura”, “trauma dental”, “guardar”, “deitado” e “queimar”.

No trauma dental, os profissionais dispõem de cuidados que envolvem higiene, colocar gelo e armazenamento do dente.

[...] em uma situação de trauma dental, é colocar o dente no leite e gelo na boca da criança até conseguir ter assistência do profissional (P2). [...] no trauma dental, é botar o gelo na boca da criança para ver se dá uma diminuída no sangramento e guardaria o dente em um papel desses que seca a mão e colocaria no saquinho. (P4).

Em casos de queimadura, observa-se uma variedade de abordagens entre os profissionais. Alguns optariam por reduzir a temperatura do local afetado usando água fria, enquanto outros prefeririam encaminhar a criança à enfermeira da escola para os devidos cuidados. Essa divergência reflete o conhecimento, influenciado pelas mudanças nos estudos e práticas relacionadas ao tratamento de queimaduras segundo a participante.

[...] na queimadura, acho que é levar direto para a enfermeira. Acho complicado porque os estudos vão se modificando. Tem horas que dizem que é para colocar água. Tem horas que dizem que não é para colocar água (P5). [...] meu instinto sempre é higienizar como primeira ação, até para tentar acalmar um pouco a dor, porque a água gelada às vezes dá um alívio, mas, dependendo do que for, não sei o que fazer depois (P3).

Durante uma convulsão, os membros da equipe têm o cuidado de posicionar e proteger a cabeça da criança, além de afastar objetos próximos que possam representar perigo. No entanto, há divergência de opiniões em relação à necessidade de colocar algo na boca da criança durante o episódio.

[...] tem que segurar a cabeça, não é para botar a mão dentro da boca porque ela pode morder. Sei que precisa segurar a cabeça para não bater, não sei se tem que fazer algo mais (P2). [...] durante a convulsão, eu botaria alguma coisa na boca para a pessoa não morder a língua e afastaria as coisas de perto (P3).

Os professores e funcionários também expressam preocupação com sua própria segurança ao lidar com fluidos corporais, reconhecendo as precauções necessárias nesses casos.

[...] também acho que um cuidado que devemos ter é o de higienizar a nossa própria mão (P6). [...] sempre que acontecia de eu ver que está com sangue por conta de ralar, eu lavava as mãos e lavava o local com bastante água e sabão (P4).

[...] não tem na testa quem é HIV quem não é. Quando você vai socorrer uma criança, tem que botar luva. E a criança está tossindo em cima de você, e quando a criança precisa de uma ajuda para ir ao banheiro porque está com diarreia, quando ela vomita, tem que trocar a roupa da criança quando ela vem com catarro e que às vezes ela não sabe lavar (P7).

Classe 3: Gestão na atuação dos professores e funcionários diante do acidente no contexto escolar

Na gestão de casos de acidentes no contexto escolar, são evidenciados aspectos que vão desde contatar a família, administrar medicamentos até transportar a criança em carro próprio para o hospital. As palavras que tiveram mais destaque foram “escola”, “trabalhar”, “colégio de aplicação”, “pensar”, “chegar”, “remédio”, “rede”, “contato”, “entrar”, “família”, “saúde”, “atender”, “enfermeiro”, “hospital”, “profissional” e “ajudar”.

[...] o que fizemos foi ligar para a ambulância, porque os pais estavam longe. É um procedimento que nós não podemos levar a criança em carro particular nosso. Devido ao nosso desespero, tentamos as duas alternativas (P3). [...] lá na escola, tinha toda uma questão de não poder dar medicamento. Entramos em contato com a família para avisar, mas também já teve caso da família não conseguir chegar a tempo e falar para dar o remédio. Com a autorização da família, dávamos (P8).[...] a professora, no fim do seu turno, socorreu a criança e foi para o hospital. Sabe o que a família fez? Foi para a delegacia acusar a professora de ter quebrado a perna do filho dela, e a professora teve que responder por processo de lesão corporal (P9).

A equipe relata que a assistência necessária à criança varia dependendo do contexto. Por exemplo, se a escola dispõe de seguro saúde e tem um profissional de saúde na equipe. Dessa forma, os diferentes contextos destacam a importância do conhecimento em primeiros socorros.

[...] e como lá tinha o seguro da escola, quando esse menino do braço caiu, a própria escola que fez o contato e levou ele. Os pais estavam trabalhando e longe, e elas mesmos que levaram pelo convênio que tinha lá na escola (P8). [...] o que acontece na rede municipal, a criança caía e a gente socorria, e tinha em frente da escola um posto de saúde que fornecia o material (P9).

Classe 4: Desafios de atuação dos professores e funcionários diante do acidente no contexto escolar

Na classe 4, os acidentes foram percebidos com certa apreensão pelos profissionais, em função de pontuarem a necessidade de medidas específicas que precisam ser realizadas. As palavras mais recorrentes foram “cuidado”, “manobra”, “conhecimento”, “engasgar”, “adulto”, “atendimento”, “trazer”, “engasgo”, “sentir”, “costa”, “achar”, “confiança” e “olhar”.

O engasgo foi considerado o acidente que demanda atendimento rápido, com a realização de manobras que podem não ser do conhecimento da equipe, somadas às singularidades da criança, como o tamanho do corpo e a pressão adequada que necessita ser realizado na manobra, o que ocasiona dúvidas aos profissionais. A equipe pontua que os cuidados nesses acidentes têm caráter específico, devendo ser realizados de modo hábil, visto que há o risco iminente de morte.

[...] sei que tem a manobra para desengasgar a criança, sei que existe esse procedimento, mas não sei como executar, então não vou fazer por não saber executar, porque fazer algo que eu não sei se posso machucar a criança ou só piorar a situação (P4).

[...] a situação do engasgo é a mais tensa para mim. Eu sei que tem a técnica de apertar a barriga por trás, mas eu não saberia executar (P10). [...] não me sinto segura em fazer a manobra, principalmente em uma criança, não sei se eu colocaria a pressão adequada (P2).

A equipe compreende a necessidade de promover à criança cuidados que envolvem escuta, acolhimento e conforto.

[...] eu levo a entender, acolho se necessário, colocando no colo e acalmo a criança. Primeiro mostrar confiança na situação e ser tranquilo, e tudo vai ser encaminhado. Acho que essa palavra, primeiros socorros, traz a ideia de um primeiro atendimento, primeiro olhar e primeiro acolhimento. Então, eu acho que é isso que eu tenho a oferecer seria a parte da humanização no atendimento à criança como primeiros atendimentos (P5).

[...] é uma criança pequena do ponto de vista da humanidade. Não sei, a gente tem essa iniciativa de socorrer de pegar no colo (P7).

O conhecimento em primeiros socorros é considerado algo que compõe o trabalho dos profissionais, além de ser crucial para a promoção e prevenção da saúde das crianças.

[...] a gente precisa se precaver, o que puder aprender, para que, num momento desse, possa dar o suporte necessário. É um momento que um conhecimento é muito importante (P5).

[...] a todo o momento, coloca sua própria vida em risco justamente por desconhecer os riscos. Elas dependem da gente e do nosso conhecimento para poder continuar bem (P2).

Uma gama de sentimentos é destacada pela equipe concernente à assistência necessária à criança que precisa de primeiros socorros, como insegurança, incerteza e percepção de responsabilidade legal e ética.

[...] a outra professora ficou muito nervosa com a situação, porque ninguém gosta que aconteça uma coisa dessa (P5). [...] geralmente, nessas situações mais estressantes, minha reação costuma ser ficar calma e, depois que passa, eu choro (P7).

[...] a gente acaba se culpando mesmo sabendo que não tem culpa… pessoas que lidam com o cuidado do ser humano teriam que ter esse tipo de conhecimento (P4).

DISCUSSÃO

As necessidades de aprendizagem de primeiros socorros para professores e funcionários de educação infantil refletem as experiências vivenciadas e as situações que podem ocorrer no ambiente escolar21.

Isso se deve à percepção de que certos acidentes são recorrentes nesse grupo populacional, como as quedas, que realmente representam uma parcela significativa dos incidentes, especialmente entre crianças de 0 e 5 anos22, assim como à compreensão da relevância vital de conhecimentos apropriados para preservar a vida das crianças.

Os achados apontaram para uma variedade de aspectos, desde a identificação e gestão de situações de emergência até a oferta de um cuidado que seja não apenas eficaz, mas também empático e seguro, visando assegurar o bem-estar e a proteção das crianças no contexto escolar23.

É importante notar que, muitos desses profissionais, em sua maioria, mulheres na estrutura da equipe não possuem formação específica em primeiros socorros, o que evidencia uma lacuna preocupante em relação ao preparo para lidar com essas situações, o que corrobora a literatura científica1.

Os resultados da pesquisa destacaram temas específicos de acidentes frequentemente enfrentados por esses profissionais, incluindo quedas, fraturas, trauma na cabeça, queimaduras, ferimentos e cortes, convulsões, engasgo, trauma dental e parada cardiorrespiratória. Esses achados ressaltam a importância de um treinamento abrangente em primeiros socorros para lidar com uma variedade de situações21:23 que podem surgir no ambiente educacional.

A asfixia por corpo estranho pode levar à parada cardiorrespiratória, exigindo uma resposta rápida e eficaz, no entanto muitos profissionais relatam não se sentir preparados para lidar com essas situações. Quanto a esse aspecto, identificar corretamente os sinais e sintomas para determinar o cuidado adequado em casos, como a asfixia por obstrução de vias aéreas, é uma preocupação legítima com a segurança das crianças24.

Outro estudo, porém, revelou que os professores possuíam um bom conhecimento sobre os sinais e sintomas de asfixia por obstrução das vias aéreas por corpo estranho (OVACE), o que é fundamental para identificar e agir rapidamente diante dessa emergência24.

Cabe ressaltar a gravidade da OVACE, que é uma das principais causas de mortalidade e morbidade, podendo levar à parada cardiorrespiratória se não for prontamente tratada, sendo fundamental identificar e agir rapidamente diante dessa emergência24.

A abordagem para o tratamento da OVACE varia de acordo com a idade da criança. Em crianças menores de 1 ano, recomenda-se a realização de compressões torácicas e tapas entre as escápulas; se a criança estiver inconsciente e não apresentar pulso, isso sugere uma parada cardiorrespiratória25.

Essa diferenciação de abordagens ressalta a importância do conhecimento específico para lidar com diferentes situações de emergência em crianças de diferentes faixas etárias, sendo uma importante necessidade de aprendizagem21:23-25.

No caso de crianças maiores, a abordagem para lidar com a obstrução das vias aéreas por corpo estranho envolve a realização das compressões abdominais, conhecida como manobra de Heimlich. Essa técnica requer o reconhecimento dos sinais e sintomas apresentados pela criança, começando com o estímulo para tosse. À medida que o quadro progride, as compressões abdominais devem ser iniciadas, aplicando uma pressão adequada para deslocar o objeto que está causando a obstrução24.

A equipe expressa preocupação com a temática supracitada, reconhecendo a necessidade de conhecimento preciso para o manejo adequado da situação. A ausência desse cuidado pode resultar em prejuízos para a criança24-25, destacando a importância do treinamento em primeiros socorros21,23 para garantir uma resposta assertiva diante de emergências como essa.

Essa preocupação é corroborada por investigações anteriores, que demonstraram a compreensão dos professores sobre a necessidade de realizar os primeiros socorros, porém ressaltaram a impossibilidade de fornecer assistência adequada sem o conhecimento prévio em primeiros socorros21,24.

A resposta rápida a esse tipo de agravo é crucial, uma vez que quatro minutos ou menos são considerados o tempo alvo para a remoção de corpos estranhos, visando evitar danos graves, como o estado vegetativo ou até mesmo a morte26. No entanto, é importante notar que o tempo que o socorro leva para chegar muitas vezes pode exceder esse limite, havendo um período significativo entre o acionamento do socorro e sua chegada ao local da intercorrência23.

Outro ponto de preocupação para a equipe é a parada cardiorrespiratória, uma condição de alto risco que frequentemente ocorre fora do ambiente hospitalar, resultando em altas taxas de morbidade e mortalidade. As manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) desempenham um papel crucial na sobrevida do paciente, porém o número de pessoas que recebem RCP no cenário extra-hospitalar ainda é relativamente baixo. É fundamental garantir que as compressões sejam realizadas com a profundidade adequada e o mínimo de interrupções para aumentar as chances de sobrevivência da criança27.

Na análise das diversas temáticas em primeiros socorros, torna-se evidente a heterogeneidade nos conhecimentos dos profissionais, com alguns demonstrando familiaridade com determinadas práticas, enquanto outros revelam lacunas em áreas específicas.

No contexto do trauma dental, por exemplo, os cuidados essenciais incluem a higienização do fragmento dentário e seu armazenamento, em um meio adequado, como leite ou água, para preservar a viabilidade das células. Além disso, é crucial higienizar a boca da criança e encaminhá-la para avaliação odontológica. Vale ressaltar que o armazenamento do dente em sacos não oferece as condições necessárias para viabilizar o reimplante28.

Esses achados destacam a necessidade de um treinamento abrangente em primeiros socorros que englobe uma variedade de situações que são próprias do contexto analisado. No entanto, a falta de confiança para realizar esses cuidados muitas vezes está relacionada à ausência de conhecimento. Portanto, é fundamental promover a construção coletiva desse conhecimento, reconhecendo as lacunas e os receios da equipe22.

Obter essa compreensão só foi factível mediante a escuta aos participantes que puderam expor vivências e necessidades que atravessam o seu cotidiano. De acordo com Paulo Freire a educação transformadora se constrói quando ambos educando e educador atuam nesse processo14.

A questão da assistência em primeiros socorros com recursos limitados emerge como um aspecto crítico a ser abordado, especialmente em contextos escolares brasileiros, onde a disponibilidade de materiais pode ser escassa.

Nesse sentido, é essencial priorizar orientações que enfatizem a utilização de recursos mínimos de forma eficaz, que inclui práticas simples, como a higienização das mãos com água e sabão ao lidar com fluidos corporais, ou até mesmo o uso improvisado de sacolas como dispositivo de biossegurança29.

A conscientização sobre essas práticas é fundamental, pois garante que os socorristas estejam protegidos enquanto prestam o devido cuidado29. No entanto, é preocupante observar que alguns profissionais ainda negligenciam essas precauções, optando por não utilizar equipamentos de proteção individual, expondo-os diretamente aos fluidos corporais, colocando sua própria segurança em risco30.

A tensão enfrentada pela equipe ao lidar com essas situações no ambiente escolar é agravada pela necessidade de interação com as famílias e cuidadores das crianças. Em alguns casos, esses indivíduos podem não compreender plenamente o ocorrido e acabar culpando os profissionais, mesmo diante do entendimento de que acidentes são passíveis de ocorrer em qualquer ambiente31.

A atribuição de responsabilidade aos professores e funcionários por parte dos pais destaca a importância de um processo educacional mais amplo, que também envolva os pais na compreensão dos riscos e desafios enfrentados no ambiente escolar31. Essa abordagem educativa é essencial para promover uma cultura de segurança e colaboração entre todos os envolvidos na proteção e cuidado das crianças.

O estudo apresenta algumas limitações que merecem ser consideradas ao interpretar os resultados, pois as condições e recursos disponíveis podem variar significativamente entre diferentes escolas, o que limita a aplicabilidade dos achados a diversos contextos educacionais.

Adicionalmente, o estudo foi realizado durante o período da pandemia ocasionada pela Covid-19, e alguns profissionais podem não ter feito parte da equipe ou foram dispensados do trabalho, o que impossibilitou a compreensão das necessidades de aprendizagem desses.

No entanto, apesar dessas limitações, o estudo oferece implicações importantes para a prática da enfermagem, diante da necessidade premente de capacitação em primeiros socorros para os profissionais de educação infantil, abrangendo uma variedade de emergências que podem surgir no ambiente escolar.

Isso sugere a necessidade de programas de treinamento23 específicos, com foco em habilidades práticas e cenários realistas, para garantir que os profissionais estejam preparados para lidar efetivamente com emergências.

CONCLUSÃO

Distintas necessidades de aprendizagem de primeiros socorros foram identificadas cujos principais temas foram quedas com foco em fraturas e traumas na cabeça, queimaduras, ferimentos e cortes, convulsões, engasgos, traumas dentais e paradas cardiorrespiratórias, além de orientações sobre biossegurança e o uso de recursos mínimos durante a assistência.

Compreender essas necessidades permite direcionar ações educativas mais eficazes, proporcionando maior segurança durante a atuação da equipe diante das intercorrências vivenciadas no ambiente escolar.

Assim, este estudo poderá subsidiar o planejamento de ações voltadas a melhoria do atendimento de primeiros socorros iniciais às crianças em ambiente escolar, realizados por professores e funcionários de educação infantil. Uma vez que a compreensão das necessidades específicas do contexto em estudo possibilita o desenvolvimento de estratégias educativas voltadas para as demandas específicas dos participantes da pesquisa. O que poderá contribuir para promoção de ambiente mais seguro e protegido para as crianças, no contexto da educação infantil.

AGRADECIMENTO

Agradeço aos participantes da pesquisa que disponibilizaram seu tempo, um recurso tão valioso, para realização desse estudo.

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NOTAS

  • ORIGEM DO ARTIGO
    Extraído da dissertação - Elaboração e Validação de vídeos educativos sobre primeiros socorros: produção baseada na demanda de saber de professores e funcionários da educação infantil, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências do Cuidado em Saúde, da Universidade Federal Fluminense, 2022.
  • FINANCIAMENTO
    Não houve financiamento no presente estudo.
  • APROVAÇÃO DE COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA
    Aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense, parecer n. 4.856.704, Certificado de Apresentação para Apreciação Ética 47530021.7.0000.5243.
  • DISPONIBILIDADE DE DADOS
    O conjunto de dados que dá suporte aos resultados desse estudo não estão disponíveis publicamente.

Editado por

  • EDITORES
    Editores Associados: Sandra Maria Cezar Leal, Ana Izabel Jatobá de Souza.
    Editor-chefe: Elisiane Lorenzini.

Disponibilidade de dados

O conjunto de dados que dá suporte aos resultados desse estudo não estão disponíveis publicamente.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    15 Ago 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    23 Ago 2024
  • Aceito
    05 Mar 2025
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