Open-access Revisão de Literatura Hermenêutica: Possibilidade Metodológica para o Campo dos Estudos Organizacionais

Resumo

Em um contexto de dinâmicas organizacionais cada vez mais complexas, nota-se a necessidade de aprofundamento dos métodos de investigação. No campo dos estudos de revisão de literatura, a hermenêutica é um processo iterativo, dinâmico, interpretativo e crítico. Este trabalho visa apresentar um panorama sobre essa possibilidade de revisão nos estudos organizacionais. Inicia-se apresentando os principais conceitos relacionados ao método, segue com um protocolo de aplicação e um apanhado dos principais estudos que utilizaram o método. Foi possível perceber que o método hermenêutico oferece um procedimento singular para compreensão da literatura, pois se propõe a ser dinâmico, compreensivo e crítico, tendo como foco a interpretação dos significados e sua evolução temporal. No entanto, o método ainda é pouco utilizado no campo organizacional. O estudo revelou a viabilidade da metodologia e incentiva sua exploração nos estudos organizacionais. Como agenda de pesquisa, propõe-se ampliar a busca realizada para o campo da administração como um todo, incluindo a ampliação de bases de dados acadêmicos.

revisão de literatura hermenêutica; metodologia; hermenêutica; círculo hermenêutico; epistemologia

Abstract

In the context of increasingly complex organizational dynamics, there is a growing need to deepen and refine research methods. Hermeneutics provides an iterative, dynamic, interpretive, and critical framework for conducting literature reviews. This paper offers an overview of how this method is applied in organizational studies. It starts by introducing the main concepts related to the method, followed by an application protocol and a summary of key studies that have used it. The analysis highlighted that the hermeneutic method provides a unique approach to understanding literature, as it is dynamic, comprehensive, and critical, with a specific focus on interpreting meanings and their temporal evolution. However, the method is still underused in the organizational field. The study demonstrated the feasibility of applying this methodology and encourages further exploration within organizational studies. As a research agenda, it is recommended to expand the search to encompass the broader field of administration and incorporate additional academic databases.

hermeneutic literature review; methodology; hermeneutics; hermeneutic circle; epistemology

Introdução

Ao olhar para a prática organizacional, é latente que a administração dos diversos tipos e modalidades de organizações é feita por pessoas e, consequentemente, é influenciada por bases epistemológicas distintas. Contudo, observando o modelo predominante das revisões de literatura sobre o tema, nota-se que prevalece uma base epistemológica tradicional, vinculada a uma forma de busca mais “dura” e, consequentemente, menos interpretativa e crítica dos trabalhos. Tais revisões são compostas, em sua grande maioria, por um protocolo de busca único, cujo aprofundamento encontra seu fim quando se chega ao término de um protocolo fixo e imutável.

No entanto, caso o pesquisador adote uma postura mais interpretativa e crítica, tanto de busca quanto de seleção e de interpretação, os dados podem ser ampliados, de acordo com a ontologia do pesquisador – que pode influenciar a ampliação das buscas, permitindo um detalhamento sobre o conteúdo alinhado a sua abordagem epistemológica e da pesquisa em si, o que pode possibilitar ganhos únicos para o campo organizacional. Em termos práticos, podem emergir visões e propostas distintas relacionadas ao tema, enquadrando a revisão de literatura ao contexto específico no qual está inserida.

Este trabalho busca destacar a importância da revisão de literatura hermenêutica no campo organizacional, seu uso, características e possibilidades, uma vez que é um tipo de revisão que pode trazer benefícios para a análise da literatura, trazendo aspectos teórico-filosóficos oriundos dos estudos hermenêuticos para a composição de um quadro teórico mais consistente, interpretativo e crítico (Gadamer, 2013; Van Manen, 1990). Embora nesse campo já se encontrem alguns estudos que utilizaram a revisão hermenêutica, ainda há espaço para essa discussão, sobretudo pelas possibilidades que essa revisão pode possibilitar na exploração de teorias de análise para fenômenos organizacionais.

O que se observa na ampla maioria de estudos de revisão de literatura é o uso da revisão sistemática tradicional, tanto em trabalhos quantitativos quanto qualitativos. Neste trabalho, pretende-se demonstrar que a revisão de literatura hermenêutica pode trazer – para determinados tipos de trabalho e para determinadas posturas epistemológicas – contribuições mais relevantes e posturas mais abertas, interpretativas e críticas.

A proposta do método hermenêutico é gerar uma compreensão do mundo a partir dos olhares ontológicos que permeiam os pesquisadores e seus objetivos de pesquisa, com consciência dos conhecimentos existentes, o que pode ser feito através de pesquisas sistemáticas de conhecimentos registrados anteriormente. Assim, o objetivo principal deste trabalho é apresentar um panorama sobre a revisão de literatura hermenêutica como possibilidade de método no campo dos estudos organizacionais. Ainda, é relevante colocar que essa proposta pode se mostrar uma alternativa em potencial a metodologias cartesianas e positivistas que hoje dominam as revisões de literatura e ser um caminho para gerar reflexão epistemológica sobre as formas de revisar o conhecimento científico, de modo a mobilizá-lo como ferramenta para o debate (Vizeu, Torres, & Kolachnek, 2022). Para tanto, elenca-se os seguintes objetivos específicos: apresentar um protocolo de aplicação do método e, através de sua aplicação, apresentar os principais estudos que utilizaram a revisão de literatura hermenêutica no campo dos estudos organizacionais, e como isso foi feito, bem como quais autores foram utilizados, sempre partindo da hermenêutica como um método distinto em relação às revisões tradicionais, por proporcionar uma abordagem que pode seguir tanto por um caminho interpretativo quanto crítico.

Para aprofundar o entendimento sobre a revisão de literatura hermenêutica, num primeiro momento, são apresentadas suas bases fundantes. Após, busca-se fazer uma pesquisa nas três grandes bases de publicações científicas: Scopus, Web of Science e Google Scholar, por serem bases importantes para os estudos no campo da administração. Importante sublinhar que, se o método está sendo usado nesses estudos, ele igualmente deve e pode ser testado e avaliado. Do mesmo modo, é importante destacar que, na busca realizada, adotou-se a perspectiva hermenêutica de revisão.

Filosofia hermenêutica: origens, conceitos e principais autores

A palavra hermenêutica tem origem no Deus grego Hermes e tem como principal intuito interpretar o que é simbólico. Trata-se, portanto, de revelar o sentido oculto do objeto de pesquisa (Espósito, 2001), o que não pode ser buscado a partir dos métodos científicos tradicionais, como acontece nas ciências naturais, mas a partir da abertura em relação ao que está sendo investigado, o que emerge na investigação dos fenômenos analisados.

Considerando que, a todo momento, ao se referir à ciência, ao conhecimento, à epistemologia e ao método, fala-se em ruptura com o positivismo (Santos, 2004), nessa esteira, a hermenêutica é um campo da filosofia da ciência que tem ganhado espaço mais recentemente, e que parte de questões ontológicas, ou seja, da origem metafísica do ser, dentro de uma ideia do ser enquanto ele mesmo, de sua natureza. Dois são os autores seminais em estudos hermenêuticos: Martin Heidegger e Hans-Georg Gadamer. Também cabe destacar o trabalho de Schleiermacher, que criou o círculo hermenêutico, uma forma de aplicação do método, aprimorado por Heidegger e Gadamer, e que será apresentado posteriormente.

Para Schleiermacher (2005), a hermenêutica consiste na arte da compreensão e posterior interpretação, constantemente, cujo fim não é conhecido ou não existe. Por esse motivo, esquematizado através de um círculo, visto o processo de constante interpretação e reinterpretação. Portanto, tal abordagem busca aproximar o pesquisador ou leitor, cada vez mais, da compreensão do que se analisa, sem, contudo, finalizar o processo. A hermenêutica é, portanto, um processo que sempre pode ser aprimorado. Quanto mais se avança, mais se conhece sobre o que está sendo investigado, e mais ainda se mostra a possibilidade de avançar em direção ao novo.

Heidegger trabalha com a ideia de “facticidade”, sendo o responsável pelo que, no mundo filosófico, se chama “virada ontológica”, momento em que passa a propor uma interpretação que vai além do significado, uma visão mais ampla, que considera um conjunto de práticas que embasam os significados, que são construídos discursivamente. A grande contribuição de Heidegger foi mudar o que é a compreensão do significado, registrando que o significado não é algo estático, é algo prático (Heidegger, 2014). Para o autor:

Chamamos interpretação o desenvolvimento do entender. Na interpretação, o entender, entendendo, apropria-se do seu entendido. Na interpretação, o entender não se torna algo diverso, mas torna-se ele mesmo. A interpretação se funda existencialmente no entender e este não surge dela. A interpretação não consiste em tomar conhecimento do entendido, mas em elaborar possibilidades projetadas no entender (Heidegger, 2014, p. 421).

É por esse motivo que a hermenêutica, frequentemente, vem associada à fenomenologia, que visa captar o significado, o sentido. A hermenêutica também tem esse papel, mas, indo além, ela busca realizar uma interpretação do significado, e não apenas captá-lo. A grande contribuição heideggeriana para a ciência é o movimento que ficou conhecido como a “virada ontológica”, gerando uma interpretação que vai além de somente entender, buscando as bases fundantes dos seres envolvidos. Heidegger concebeu as bases fundantes da hermenêutica, mas afirmava que se tratava do campo de Gadamer, que foi seu aluno (Heidegger, 2014).

Merleau-Ponty (1990) pode ser tomado como exemplo quando se relaciona hermenêutica e fenomenologia. Para o autor, mesmo que em uma abordagem fenomenológica o intuito seja observar o que é percebido, não se pode renunciar à reflexão. Isso porque, ao analisar a descrição da experiência vivida, que está sendo investigada, está sendo realizada uma interpretação. É, portanto, a hermenêutica uma abordagem que pode ser muito recomendada em trabalhos que adotem posturas fenomenológicas, interpretativas e críticas.

Hans-Georg Gadamer (2013, p. 393), ao argumentar sobre a hermenêutica em sua obra O problema da consciência histórica, observa o registro de um ponto histórico de pensar a verdade como parte de uma ontologia proposta por Heidegger: “[...] a partir da mudança de rumo ontológico que Heidegger deu à compreensão como um ‘existencial’ e a partir da interpretação temporal que aplicou ao modo de ser da presença”. Sua visão sobre a hermenêutica filosófica é expressa na obra Verdade e método, na qual defende a necessidade de uma outra compreensão, que não considera apenas a destreza em entender e usar métodos, mas também a sensibilidade do pesquisador (Gadamer, 2013).

Gadamer destaca a importância do aspecto subjetivo da interpretação. Para isso, usa o conceito de “jogo” como algo diferente do subjetivo. Ele explica o jogo por si só como um fato que se traduz não pela percepção dos jogadores, pois estes, ao entrarem no jogo, passam a agir dentro do contexto do jogo: “o sujeito do jogo não são os jogadores. Ele simplesmente ganha representação através dos que jogam o jogo” (Gadamer, 2013, p. 155). Pensando amplamente, o jogo tem certa independência própria, que muda conforme os jogadores. Nesse sentido, a subjetividade está presente, só é reduzida pelo próprio jogador que se deixa levar.

Fica claro que o jogo representa uma ordem na qual o vaivém do movimento do jogo se produz como que por si mesmo. Faz parte do jogo o fato de que o movimento não somente não tem finalidade nem intenção, mas também não exige esforço (Gadamer, 2013, p. 158).

Gadamer (2013) propõe pensar o pesquisador em analogia ao jogador, pois o pesquisador não sobrepõe sua subjetividade sobre as outras subjetividades na pesquisa, mas também não se reduz a um ser neutro, que somente olha, sem interpretação subjetiva. Como elementos para Gadamer no desenvolvimento da sua hermenêutica filosófica aplicável às ciências humanas, cabe destacar: a consciência histórica, a linguagem e o círculo hermenêutico, conceitos que precisam ser vistos de forma inter-relacionada.

O autor ressignificou a hermenêutica ao invés de criar um método novo, questão esclarecida em Verdade e método, livro no qual coloca que a lógica das ciências humanas estava muito relacionada às ciências naturais e ao método indutivo e suas origens em Francis Bacon (1979). Ao se opor a essa lógica, Gadamer, em meados do século XX, adotou uma abordagem crítica, que buscava entender e explicar a ação humana ao longo da história, visando encontrar uniformidade, regularidade e legalidade:

Por mais que a experiência geral possa operar aqui, o objetivo não é confirmar nem ampliar essas experiências gerais, para se chegar ao conhecimento de uma lei – por exemplo, como se desenvolvem os homens, os povos, os estados -, mas compreender como este homem, este povo, este estado é que veio a ser; dito genericamente, como pode acontecer que agora é assim (Gadamer, 2013, pp. 38-39).

Dilthey (1991), criticando a lógica positivista e empirista, argumentava a respeito da hermenêutica na tentativa de diferenciar as abordagens das ciências naturais das ciências humanas. O autor defende que, no campo das ciências humanas, não podemos falar em leis gerais porque a compreensão dos significados é subjetiva.

Gadamer, do mesmo modo, busca entender as bases ontológicas do ser e qual seu enquadramento histórico. Sua abordagem interpretativa e crítica visa abandonar as concepções hegemônicas do método como construtor das verdades, defendendo a validação da epistemologia da ciência como um valor para o saber junto ao ser que o funda, impedindo que a verdade seja uma apropriação metodológica (Gadamer, 2013). Ricoeur também argumenta que a hermenêutica não é apenas um instrumento de análise, mas de compreensão e de interpretação (Ricoeur, 1989).

Ricoeur (1989) traz questões complexas entre a hermenêutica e a teoria crítica, especialmente o diálogo entre Hans-Georg Gadamer e Jürgen Habermas, pois os autores representam dois polos de um pensamento. Segundo Ricoeur (1989) Gadamer, em sua obra Verdade e método, argumenta que a compreensão e a interpretação são inevitavelmente influenciadas pela história e pela tradição, as quais determinam nossos horizontes de entendimento. A compreensão é vista como um processo dialógico que envolve a fusão de horizontes. Jürgen Habermas, por outro lado, advoga por uma abordagem mais crítica, enfatizando a necessidade de uma reflexão e análise crítica para emancipar os indivíduos de preconceitos e de ideologias que podem distorcer a comunicação e o entendimento. Habermas desenvolve a teoria da ação comunicativa, que se concentra em como o consenso e o entendimento podem ser alcançados através de uma interação livre de dominação.

Ao entrar nesse debate, Ricoeur não se alinha completamente a nenhum dos dois campos, mas oferece uma síntese que reconhece tanto a validade da tradição, conforme argumentado por Gadamer, quanto a necessidade de crítica e distanciamento, como defendido por Habermas. A abordagem de Ricoeur (1989) para o debate entre Gadamer e Habermas oferece uma rica interação entre compreensão e crítica, enfatizando a importância da reflexão sobre nossos próprios processos interpretativos. O autor reconhece a importância das condições sociais e históricas na formação do entendimento, mas também insiste que a interpretação pode ser um ato de liberdade e de renovação. Assim, adiciona uma dimensão ao debate hermenêutico, defendendo um equilíbrio entre a aceitação da influência da tradição e a necessidade de uma constante vigilância crítica, facilitando uma forma mais completa e emancipada de compreensão.

A Revisão de Literatura Hermenêutica

A compreensão da “revisão de literatura hermenêutica” não pode ser atribuída a uma origem singular, pois ela emerge dos princípios fundamentais da hermenêutica aplicados à revisão de literatura. A hermenêutica, enquanto abordagem interpretativa, revela-se como a essência da relação entre o ser humano e os textos, uma relação que transcende os limites disciplinares e se estende pelas ciências sociais e humanas. Assim, a noção de aplicar princípios hermenêuticos à revisão de literatura surge como uma manifestação gradual da busca pelo sentido do ser no mundo, à medida que os pensadores exploram caminhos mais autênticos e reflexivos para a interpretação da literatura em suas respectivas áreas de investigação. Nessa jornada, os estudiosos buscam uma compreensão mais aprofundada e significativa, na qual a própria essência do ser se revela através da análise e da interpretação dos textos literários. Portanto, a origem da revisão de literatura hermenêutica reside na própria essência da existência, numa busca incessante pela verdade do ser (Heidegger, 2014; Gadamer, 2013 Van Manen, 1990).

A título exemplificativo, ao pesquisar no Google Scholar sobre o termo “revisão de literatura hermenêutica”, a busca não revela nenhum resultado. Os pesquisadores têm seguido abordagens distintas em seus estudos ao utilizar os termos “hermenêutica” and “revisão” em seus estudos. Nos achados, observa-se que, os pesquisadores buscam realizar o que chamam de “revisão”, de forma ampla, frequentemente aplicando a ela um pano epistemológico, associado a formas de coleta de dados fundamentadas na hermenêutica.

O método hermenêutico propõe um ciclo contínuo de revisão, sendo composto pelas etapas de pesquisa bibliográfica, classificação e mapeamento, avaliação crítica e desenvolvimento do argumento, sendo contínuo e iterativo, cujas ações podem se repetir, contribuindo para a melhoria progressiva dos resultados. Portanto, trata-se de um processo de interação constante entre o pesquisador e a literatura pesquisada (Gadamer, 2013).

A interpretação de uma parte do todo e, consequentemente, de sua relação com cada parte e, posteriormente, a soma de todo o processo gera uma nova interpretação, com o surgimento de novas questões que podem ser detalhadas avançando, mais uma vez, em cada parte, sua relação com a outra parte e o todo. O andamento de cada um desses processos gera uma nova interpretação, formando um círculo contínuo. Existe, portanto, uma interação entre entendimento e interpretação (Allen & Jensen, 1990).

O pesquisador, ao buscar um sentido para o que lê e pesquisa, está oferecendo uma interpretação própria para aquilo que é seu objeto de pesquisa. Diferente da revisão de literatura que aparece em quase todos os trabalhos científicos publicados, a revisão de literatura hermenêutica assume que há um interesse do pesquisador na literatura escolhida e isso dá um viés específico para os trabalhos, o viés do autor. Logo, a revisão de literatura faz parte do trabalho de pesquisa que envolve a delimitação da pesquisa, a questão norteadora e o próprio projeto, ou seja, ela tem uma importância muito maior do que ser somente uma parte do trabalho (Gadamer, 2013).

Dessa forma, o processo de pesquisa não é fragmentado em etapas, ele é dinâmico e os diferentes momentos se intercalam. Não há uma ordem, como leitura, sistematização e escrita. Essas três, ou ainda outras etapas, ocorrem simultaneamente e em paralelo. A literatura deixa de ser vista como um processo de rotina para incorporar o processo da pesquisa (Gadamer, 2013).

Para entender a revisão de literatura hermenêutica, é importante destacar que, desde a sua criação, seus idealizadores nunca a apresentaram com o objetivo de que ela fosse um método (Boell & Cecez-Kecmanovic, 2010). Neste trabalho, ela será colocada como uma abordagem interpretativa e crítica, dado que sua contribuição para as ciências sociais tem origem em Habermas e, sobretudo, na crítica que o autor realiza à hermenêutica de Gadamer, que a opõe ao conhecimento metódico. Para Habermas (2009), a hermenêutica não diz respeito ao método, mas ao debate e à interpretação. É por esse motivo que o autor propõe a hermenêutica como uma abordagem crítico-dialética.

Além da influência de Habermas, a revisão de literatura hermenêutica também pode proporcionar uma abordagem interpretativa. Husserl (2008), em sua fenomenologia, ressalta a importância da suspensão das interpretações prévias e do retorno ao fenômeno, possibilitando uma apreensão mais autêntica dos seres em sua totalidade. Merleau-Ponty (1996), por sua vez, destaca a centralidade da experiência vivida na interpretação dos significados. Gadamer (2013), em sua hermenêutica filosófica, enfatiza o papel dos horizontes interpretativos na compreensão dos textos e na construção do conhecimento, ressaltando a fusão de horizontes entre o intérprete e o texto. Assim, uma análise interpretativa profunda e reflexiva pode ser conduzida considerando não apenas o conteúdo dos textos, mas também o contexto cultural, histórico e existencial que os permeia.

A forma de entender como a estrutura proposta pela revisão de literatura hermenêutica se organiza é através do círculo hermenêutico, criado por Schleiermacher e incrementado por Heidegger e Gadamer. Como já mencionado, o processo de revisão de literatura hermenêutica é contínuo e, portanto, o círculo hermenêutico é um caminho filosoficamente inesgotável, que está em constante giro e aprimoramento. Na visão inicial, pode-se dizer que ele pode ser representado pela seguinte imagem, livremente adaptada e traduzida de Boell e Cecez-Kecmanovic (2010):

Figura 1
O ciclo hermenêutico de revisão de literatura

O círculo tem sete diferentes etapas, e estas possuem técnicas específicas. A primeira etapa é a de pesquisa, destacada por Heidegger como o ponto de entrada no ciclo hermenêutico. Nesse momento, é feito o levantamento da literatura existente nas bases que o pesquisador se propõe a pesquisar ou nos documentos que parecem ser úteis para a pesquisa desenvolvida. Esse ainda não é o momento de realizar a leitura desse material, que, se não for bem selecionado, pode vir a se tornar um tempo despendido de forma equivocada. Boell e Cecez-Kecmanovic (2010) recomendam que o ideal é começar pelos artigos de revisão. Assim, é possível ter uma visão ampla da área de pesquisa. Ainda conforme os autores:

Além disso, eles [os artigos de revisão] apresentam o vocabulário específico usado para discutir esses conceitos. As resenhas geralmente se baseiam em uma ampla variedade de materiais, apresentando pesquisas importantes publicações e suas relações entre si. Resenhas são, portanto, ideais para imersão em um campo. Ler artigos de revisão no início da pesquisa é útil, mesmo que apenas algumas seções de uma revisão sejam relevantes para um determinado projeto de pesquisa (Boell & Cecez-Kecmanovic, 2010, p. 135).

A segunda etapa é o ordenamento dessa busca, na qual serão estabelecidos os critérios adotados na revisão de literatura, que pode ser por período temporal, relevância, citações, dentre outros critérios estipulados para ordenar a literatura existente. Por exemplo, usando as citações como critérios, teremos trabalhos mais antigos, que favorecem e oportunizam um maior número de citações. Se o objetivo for pesquisar as últimas pesquisas sobre aquele assunto, provavelmente esse critério não é o melhor e se torna mais interessante usar um critério de tempo ou ano (Boell & Cecez-Kecmanovic, 2010).

Na terceira etapa, indica-se de onde serão retirados os termos,, por exemplo: no título, no resumo, nas palavras-chave, no texto, somente em um ou outro desses locais. Nessa etapa, costuma-se olhar o título e os resumos dos documentos selecionados para estabelecer qual é a relevância para a pesquisa (Boell & Cecez-Kecmanovic, 2010).

Em seguida, no quarto passo do ciclo, ocorre a aquisição do material selecionado para leitura. A aquisição desses materiais nem sempre é fácil, mas se deve buscar por todos os selecionados. Podem ser obtidos em formato eletrônico, mas alguns documentos mais antigos talvez sejam localizados apenas em bibliotecas. Aqui, a língua estrangeira também pode se apresentar como uma barreira (Boell & Cecez-Kecmanovic, 2010).

No quinto item do ciclo, é realizada a leitura das publicações identificadas. É nesse momento que os principais conceitos são extraídos e o vocabulário é identificado, também são realizadas as anotações por parte do pesquisador e seleciona-se referências adicionais, pois é através da leitura que se obtém uma visão geral da literatura e do campo (Boell & Cecez-Kecmanovic, 2010).

Na sexta fase, ocorre a identificação da literatura adicional e dos termos de pesquisa. Aqui, é realizado o rastreamento de referências, que pode ser útil para encontrar mais literatura relevante ou estudos seminais. Esse método também é chamado de “bola de neve”, pois, a partir da leitura, é possível compreender qual é a literatura relevante para esses autores e, assim, ampliar o arcabouço teórico (Boell & Cecez-Kecmanovic, 2010).

No sétimo caminho a ser percorrido, é feito o refinamento da pesquisa, selecionando publicações em determinadas revistas básicas para a área, escolhendo autores centrais para o trabalho e buscando publicações que citem outros trabalhos importantes (Boell & Cecez-Kecmanovic, 2010).

Boell e Cecez-Kecmanovic (2010, p. 139) recomendam que sejam adotados blocos de construção ou frações sucessivas como estratégias de pesquisa. Os blocos de construção iniciam com uma pesquisa simples e vão se combinando para construir uma pesquisa complexa, o que é muito bom para a identificação e a ampliação de termos de pesquisa. Já em relação às frações sucessivas, trata-se de uma estratégia em que se reduz os itens pesquisados numa abordagem de afunilamento. Cumpridos os itens mencionados acima e feitos os aperfeiçoamentos e a identificação contínua de literatura, visa-se chegar num ponto de saturação, quando começam a ser encontradas somente contribuições pequenas e sem grande centralidade. Quando já foram identificadas as ideias-chave e os resultados lidos, pode ser um indicativo que o ponto de saturação foi atingido (Boell & Cecez-Kecmanovic, 2010).

Importante destacar que esses processos vão ocorrendo de forma interligada o tempo todo. Percorrendo esse caminho, é possível a sistematização de pesquisas complexas, que podem auxiliar o pesquisador. A abordagem hermenêutica é também utilizada para entender controvérsias públicas nas quais questões persistem, nesses casos, a hermenêutica, por respeitar a plurivocidade e a intertextualidade das narrativas, oferece novas possibilidades de análise de questões públicas controversas (Lejano & Leong, 2012). Na mesma linha, o uso da abordagem hermenêutica centrada no significado também é relevante para a administração educacional, pois considera a produção de significados acima da produção técnica, trazendo como relevante uma dimensão interpretativa das práticas (Mackler & Mulryan, 2010). O uso da abordagem hermenêutica também é utilizado na abordagem organizacional como ferramenta para analisar os processos de comunicação dos distintos atores, os quais podem ter divergentes visões de mundo para buscar criar ou manter padrões de relações sociais e de cultura dentro da organização (Phillips & Brown, 2017).

Metodologia

A escolha metodológica para a condução desta revisão da literatura se baseia na abordagem hermenêutica, a qual se fundamenta na interpretação crítica e iterativa da literatura existente. A hermenêutica, enquanto método, destaca-se por sua capacidade de extrair significados profundos e dinâmicos dos textos, adequando-se intrinsecamente aos estudos organizacionais que estão imersos em realidades complexas e em constante transformação. Esta metodologia permite uma compreensão holística que contempla não somente o conteúdo explícito dos documentos científicos, mas também suas inter-relações e o contexto subjacente que influencia sua evolução ao longo do tempo. Para tal, na seção seguinte buscamos mapear o uso da revisão hermenêutica em bases cientificas.

Usando a revisão sistemática hermenêutica

Com o objetivo de mapear o uso e a produção de trabalhos relativos à revisão hermenêutica, realizamos um mapeamento dos artigos de maior relevância com citações. Para tanto, as bases escolhidas foram Scopus, Web of Science e o Google Scholar. A seleção das bases de dados Scopus e Web of Science foi intencional e fundamentada na ampla cobertura e relevância destas para o campo da administração. Foi incluída a base Google Scholar considerando que tem uma cobertura maior e abarca periódicos brasileiros e latino-americanos que muitas vezes não estão indexados em grandes bases internacionais.

A pesquisa de artigos nas bases de dados não limitou anos de busca, abrangendo todos os artigos publicados e disponíveis on-line nas três bases, e seguiu o seguinte sequenciamento de termos em cada base:

Na base Scopus, foram pesquisados os termos “hermeneutic”, “literature” e “review” na opção “article title, abstract, keywords”, e optado pela classificação por maior número de citações, tendo sido selecionado seis artigos. Foi adicionado mais um artigo, que foi encontrado no referencial teórico de um dos trabalhos e considerado relevante por ser empírico e, portanto, fazer parte do recorte da busca, fechando em sete artigos.

Na base de dados Web of Science, foram pesquisados os termos “hermeneutic”, “literature” e “review” na opção “topic”, que busca no título, no resumo e nas palavras-chave, e escolhido pela classificação “times cited”. Foram encontrados dez papers, mas cinco foram removidos por já terem aparecido na busca anterior.

No Google Scholar, foram pesquisados os termos “hermeneutic”, “literature” e “review”, e foi optada a classificação por relevância. Foram obtidos sete resultados, mas dois foram removidos por já terem aparecido nas buscas anteriores. Mudando os termos da busca somente para “literature” e “hermeneutic”, ampliamos em mais dois artigos e, por fim, buscando por “hermeneutic” e “rewiew” somente, ampliamos em mais um artigo, finalizando com oito artigos.

Após as buscas realizadas, chegou-se à amostra final de vinte artigos. Os artigos foram organizados e apresentados no quadro a seguir:

Tabela 1
Síntese da revisão de literatura hermenêutica

Analisando os dados coletados nas três bases de dados, encontramos sete trabalhos com destaque entre os dez mais relevantes de cada base, que se repetem. Porém, nenhum deles com destaque nas três plataformas, conforme pode-se observar no quadro apresentado. A busca no Google Scholar nos mostra que a metodologia ainda não é muito utilizada por pesquisadores, mas vem ganhando relevância em algumas áreas.

A partir da observação do quadro, na qual são cruzados os dados obtidos na pesquisa de literatura dos três bancos de dados, é possível encontrar os estudos que são referência na utilização do método da revisão de literatura hermenêutica.

Importante destacar que nenhum artigo foi encontrado de forma mais relevante nas três bases de dados. Todos os que tiveram sobreposição foi apenas em duas bases. Isso demonstra que a revisão de literatura hermenêutica ainda não é um dos métodos mais usados, tampouco seus estudos são citados pelos pesquisadores.

Ainda, cumpre destacar que, dos sete trabalhos com sobreposição nas bases de dados, quatro são da área de saúde, uma das áreas que está aderindo com maior destaque a essa metodologia. Em relação aos outros três trabalhos, um é da área de sistemas de informação, um corresponde a área de sociologia e um pertence à área de metodologia. Os trabalhos anteriormente selecionados serão os trabalhos lidos para dar continuidade a esta pesquisa num estudo futuro. A seguir serão apresentadas as contribuições da revisão de literatura hermenêutica para o campo da administração.

Contribuições do método para o campo da administração

O método da revisão de literatura hermenêutica tem muito a contribuir com estudos de diversas áreas e, para a administração, ele ganha ainda mais ênfase por trazer a importância da consciência histórica, que aparece na prática dialógica e na compreensão da historicidade dos fenômenos em análise, fundamentalmente, porque o campo da administração sofreu mudanças profundas com o passar dos anos. A hermenêutica incentiva uma análise interpretativa e crítica da literatura, permitindo questionar pressupostos subjacentes, valores implícitos e perspectivas dominantes. Isso promove uma reflexão mais profunda sobre as teorias e as práticas organizacionais, bem como suas implicações sociais.

Nesse ínterim, o avanço tecnológico, que proporciona uma complexidade organizacional cada vez maior, requer formas mais complexas de análise da realidade, entendendo como o conhecimento é gerado, como ele é compartilhado e dentro de qual contexto ele é aplicado. Assim, é necessário explorar os limites das formas dominantes de conhecimento, sobretudo em estudos organizacionais, sendo possível entender a complexidade organizacional, conforme já observado na literatura (Demo, 1995; Tsoukas, 2005).

Por se tratar de um campo multidisciplinar e interdisciplinar, a administração tem muito a ganhar com a revisão de literatura hermenêutica, sobretudo porque se trata de um método iterativo e complexo, que pode observar as peculiaridades dos diferentes objetos de pesquisa que estão presentes no campo dos estudos organizacionais. Os pesquisadores podem compreender as teorias, os conceitos e as práticas organizacionais dentro de seus contextos culturais, históricos e sociais. Isso permite uma compreensão mais profunda e significativa das dinâmicas organizacionais e de como elas são influenciadas por diferentes fatores.

De outra banda, o campo organizacional é composto por pessoas que realizam a gestão de acordo com determinadas bases epistemológicas. Numa revisão sistemática mais rígida, com um protocolo de busca único, o aprofundamento finda na finalização do protocolo. Já na utilização do círculo hermenêutico, a epistemologia do campo é constantemente influenciada pela ontologia do pesquisador, permitindo um aprofundamento alinhado às crenças do pesquisador, gerando uma contribuição única para o campo organizacional. Como contribuição prática, diferentes propostas podem emergir para a solução de uma mesma questão, permitindo aos profissionais que utilizem o que se enquadra à demanda do contexto em que estão inseridos. Adicionalmente, reconhece a subjetividade do processo de interpretação e explora como as experiências, os valores e as crenças dos pesquisadores influenciam suas interpretações. Tais pressupostos possibilitam uma análise mais reflexiva e autoconsciente das abordagens metodológicas e dos resultados da pesquisa em estudos organizacionais.

A reorientação do sentido hermenêutico permite o desdobramento da literatura em análise, com critérios definidos, de modo a quase exaurir as buscas, gerando a ampliação das bases de pesquisa. Exaurir, aqui, significa aprofundar a compreensão do fenômeno com base na base epistemológica do pesquisador.

Além disso, como área do conhecimento, a administração possui um campo de linguagem própria, no qual, usando a revisão de literatura hermenêutica, é possível identificar os principais termos e as contribuições teóricas. Portanto, a hermenêutica, ao possibilitar diferentes significações para um mesmo fenômeno, não só contribui no sentido de ampliar a revisão de literatura orientada a determinada base epistemológica, como também possibilita gerar contribuições significativas para a ampliação do pensamento organizacional, agregando diferentes significantes. Assim, os pesquisadores podem identificar diferentes interpretações e perspectivas sobre um determinado tema, facilitando a construção de um entendimento mais abrangente e inclusivo dentro do campo dos estudos organizacionais.

Conclusões

Este trabalho se propôs a fazer uma síntese da aplicação do método revisão de literatura hermenêutica em áreas distintas, com o objetivo de contribuir nos futuros trabalhos do campo da administração, mais especificamente dos estudos organizacionais, usando essa metodologia.

A principal contribuição do trabalho foi a constatação de que a revisão de literatura hermenêutica oferece uma técnica singular de compreensão de outros estudos, vistos historicamente, com um viés crítico e orientado em todas as etapas da construção do trabalho científico, de modo a fornecer um olhar interpretativo para os significados. Por isso, este trabalho pretende estimular futuros estudos usando a revisão de literatura hermenêutica e espera ter contribuído para o estímulo do uso desta metodologia.

O método se mostrou extremamente relevante para gerar uma compreensão do mundo a partir dos olhares ontológicos que constituem os pesquisadores e seus objetivos de pesquisa, com consciência dos conhecimentos existentes, uma consciência histórica.

A revisão de literatura hermenêutica emerge como uma contribuição essencial para os estudos organizacionais ao possibilitar uma análise reflexiva e crítica da história e das práticas organizacionais. Por meio da interpretação dos textos e da compreensão dos valores subjacentes, essa abordagem revela a essência dos fenômenos organizacionais e sua relação com o contexto histórico e social. Ao reconhecer a subjetividade inerente ao processo interpretativo e explorar as experiências e crenças dos pesquisadores, a hermenêutica abre caminho para uma compreensão mais autêntica e significativa das dinâmicas organizacionais.

A aplicação do método para encontrar as principais publicações utilizando a revisão de literatura hermenêutica mostrou que ele ainda não é muito utilizado na literatura. Os artigos encontrados nas três grandes bases de dados científicos, Scopus, Web of Science e Google Scholar, não mostraram uniformidade, sendo que nenhum dos artigos encontrados foi encontrado nas três bases. Todos os artigos achados e selecionados, no máximo, apareceram em duas bases de dados. Isso nos mostra que o caminho para a consolidação da revisão de literatura hermenêutica como método de pesquisa ainda está sendo construído. Entretanto, constatou-se a aplicabilidade do método no campo organizacional.

Nesse sentido, como limitação da pesquisa, destaca-se o uso de apenas três bases de dados. Como agenda de pesquisa futura, sugere-se a ampliação das buscas incluindo as bases EBSCO, Redalyc, Science Direct e Scielo, uma vez que a primeira agrega o campo das ciências econômicas e administrativas; a segunda agrega estudos no campo das ciências sociais, do qual os estudos organizacionais fazem parte; a terceira, por sua vez, é de relevância internacional; e, por fim, a quarta inclui estudos realizados na América Latina e no Brasil.

Como agenda de pesquisa, sugere-se o acompanhamento da adoção da hermenêutica no campo dos estudos organizacionais, considerando que somente a maior utilização da abordagem trará mais clareza sobre como avançar na construção de uma metodologia hermenêutica alinhada aos estudos organizacionais.

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  • Linguagem inclusiva:
    Os autores usam linguagem inclusiva que reconhece a diversidade, demonstra respeito por todas as pessoas, é sensível a diferenças e promove oportunidades iguais.
  • Verificação de plágio:
    A O&S submete todos os documentos aprovados para a publicação à verificação de plágio, mediante o uso de ferramenta específica.
  • Disponibilidade de dados:
    A O&S incentiva o compartilhamento de dados. Entretanto, por respeito a ditames éticos, não requer a divulgação de qualquer meio de identificação dos participantes de pesquisa, preservando plenamente sua privacidade. A prática do open data busca assegurar a transparência dos resultados da pesquisa, sem que seja revelada a identidade dos participantes da pesquisa.
  • Financiamento:
    Os autores não receberam apoio financeiro para a pesquisa, autoria ou publicação deste artigo.
  • Editora Associada:
    Josiane Silva de Oliveira

Disponibilidade de dados

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Jul 2025
  • Data do Fascículo
    Jun 2024

Histórico

  • Recebido
    16 Abr 2023
  • Aceito
    13 Jun 2024
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