Open-access OBSERVAÇÕES SOBRE A INFESTAÇÃO POR BOOPHILUS MICROPLUS (ACARI: IXODIDAE) EM BOVINOS MANTIDOS EM ROTAÇÃO DE PASTAGEM, SOB ALTA DENSIDADE ANIMAL

NOTES ON INFESTATION BY BOOPHILUS MICROPLUS (ACARI: IXODIDAE) ON CATTLE, UNDER ROTATIONAL GRAZING AND HIGH STOCKING RATE

RESUMO

São reportados dados de um ano de observações semanais da infestação pelo Boophilus microplus em 36 bovinos mestiços, mantidos sem tratamentos carrapaticidas e em rotação de pastagem, na lotação de nove cabeças por ha, proporcionando um descanso de seis semanas para cada piquete utilizado, no período de agosto/85 a agosto/86. A infestação pelo B. microplus foi constatada nos bovinos durante os 12 meses de observação. Foi observada a ocorrência de um primeiro pico de carrapatos entre setembro/85 e outubro/85, com média de 70 carrapatos/bovino. A partir daí, houve um grande pico em dezembro/85, com média de 168 carrapatos/bovino. De janeiro a maio/86 a infestação se manteve mais baixa, não ultrapassando a média de 84 carrapatos/bovino. De junho/86 a agosto/86 ocorreram as maiores infestações, sendo um pico com média de 215 carrapatos/bovino em junho, e outro em agosto/86, com média de 199 carrapatos por animal. Doze bovinos (33,3%) albergaram 63,2% do total de carrapatos contados ao longo do experimento, sendo os maiores responsáveis pelos picos de carrapatos. São discutidas as influências de fatores climáticos, nutricionais e de manejo de pastagens no padrão da curva parasitária de B. microplus observada no estudo.

PALAVRAS-CHAVE:
Boophilus microplus; carrapato; bovinos; rotação de pastagens.

ABSTRACT

One-year data of weekly observations of infestations by Boophilus microplus from August/85 to August/86 are reported from 36 crossbred cattle, kept under no acaricide treatment and under rotational grazing system with a stocking rate of nine beast per ha, providing a six week period of grazing intervals between paddocks. The first peak of engorged ticks on cattle was observed between September/85 and October/85, avareging 70 ticks/beast. There was another large peak on December/85 avareging 168 ticks/beast. From January/86 to May/86, the infestation mean levels were always lower than 84 ticks/beast. From June/86 to August/86, there were the largest peaks, one avareging 215 ticks/ beast on June/86 and another avareging 199 ticks/beast on August/86. Twelve beasts (33.3%) carried 63.2% of the whole counted ticks during the study. These more susceptible animals were the main responsable hosts for the tick peaks. The role of climatic, nutritional and grazing management factors over the B. microplus infestation pattern observed during the study are discussed

KEY WORDS:
Boophilus microplus, tick; cattle; rotational grazing.

O carrapato dos bovinos, Boophilus microplus (Canestrini, 1887), está amplamente distribuído no território nacional, sendo reportado em pelo menos 95,6% dos municípios brasileiros (HORN, 1983). Dada a sua especificidade parasitária para com os bovinos, a manutenção e o estabelecimento de populações de B. microplus tornam-se dependentes, principalmente, da distribuição bovina no Brasil, uma vez que somente algumas poucas áreas não permitem o estabelecimento dessa espécie de carrapato, devido a características climáticas extremas.

Associado a sua ampla distribuição geográfica, o B. microplus torna-se ainda mais importante pelos inúmeros prejuízos causados à pecuária nacional, sejam diretos ou indiretos. Dentre os prejuízos diretos, a diminuição na produção de leite e carne está entre os principais. Segundo uma estimativa realizada no ano de 1983, o carrapato B. microplus causava prejuízos anuais no Brasil da ordem de um bilhão de dólares (HORN, 1983).

O crescimento contínuo da população bovina e de sua produtividade vem sendo acompanhado de grandes mudanças nos tipos de criação dos bovinos. A densidade animal média de bovinos, que na década de 40 era menor que 0,4 cabeça/ha/ano, passou para 0,8 cabeça/ha/ano no final da década de 80 (LEITE, 1988). As pastagens vêm sendo melhoradas no sentido de produzir maior massa verde e suportar maiores densidades animais, e as raças bovinas vêm sendo contínuamente selecionadas, exclusivamente para uma maior produtividade, omitindo-se a questão da resistência aos parasitos. Todos esses fatores, aliados ao uso inadequado de drogas carrapaticidas (ROCHA, 1996), têm favorecido os carrapatos, que causam prejuízos cada vez maiores à pecuária nacional.

No presente trabalho são reportados dados de um ano de observações semanais da infestação pelo B. microplus em bovinos mantidos em rotação de pastagem, sob alta densidade animal, sem receber banho carrapaticida. A literatura nacional e internacional é vasta quanto à dinâmica populacional desse parasito em bovinos. Entretanto, o comportamento de B. microplus estará sempre influenciado pelas condições ambientais e do hospedeiro em uma determinada área, sendo que muitos desses fatores são de responsabilidade direta do homem, ou seja, da forma e do manejo do sistema de criação bovina.

O experimento foi realizado na Estação Experimental de Zootecnia de Colina, pertencente ao Instituto de Zootecnia do Estado de São Paulo (20o43’S - 48o32’W), a 589 m de altitude. Trinta e seis bovinos mestiços holandês/zebu, com idade média de 10,7 ± 3,4 meses, e peso médio de 127,3 ± 17,4 Kg, compuseram três lotes de 12 animais, os quais rotacionaram uma área composta por nove piquetes de 1 ha, totalizando nove ha de pastagem, compostos pelos capins jaraguá (Hyparrhenia rufa) e pangola (Digitaria decumbens). A cada 21 dias, os três lotes ficavam em três piquetes contíguos, rotacionando esses três piquetes a cada sete dias, de modo que no final de 21 dias, cada lote de 12 animais havia ficado em um dos piquetes por sete dias, quando então eram transferidos para mais três piquetes, onde todo o procedimento era repetido por mais 21 dias. Após esse período, os animais eram transferidos para os últimos três piquetes, no mesmo manejo, por mais 21 dias, quando então, retornavam aos três piquetes inicialmente utilizados. Esse manejo foi mantido durante os 12 meses em que o experimento foi conduzido, proporcionando um descanso de seis semanas para cada grupo de três piquetes simultaneamente. Diariamente, os bovinos foram suplementados com concentrado contendo 16% de proteína bruta, na proporção de um quilo por animal. A partir de 17 de julho de 1986, um kg de feno de jaraguá por animal por dia foi adicionado ao concentrado.

A área experimental havia sido previamente ocupada por bovinos mestiços, poucas semanas antes do início do experimento, de modo que as pastagens se apresentavam naturalmente infestadas por B. microplus. De agosto/1985 a agosto/1986, contagens de fêmeas ingurgitadas de B. microplus, de comprimento maior ou igual a 4,5 mm, foram realizadas no lado esquerdo do corpo de todos os animais (adaptação da técnica de WHARTON & UTECH, 1970), a cada sete dias. Nenhum tratamento carrapaticida foi realizado, e os bovinos foram pesados mensalmente. A média aritmética do número médio de carrapatos presente nos 36 animais foi calculada para cada contagem.

No final dos 12 meses de contagens, os trinta e seis animais foram ranqueados com relação ao número total de carrapatos contados em cada um, de modo a formar três grupos relacionados à susceptibilidade ao carrapato: os 12 mais sensíveis (grupo sensível), os 12 mais resistentes (grupo resistente) e os 12 intermediários (grupo intermediário). Estes grupos foram comparados entre si com relação às curvas de parasitismo e ao ganho de peso no período do estudo. As médias dos ganhos de peso entre os três grupos foram comparadas pelo teste t-student. Devido à impossibilidade de obter dados climáticos diretamente na área do estudo, dados de temperatura média e pluviosidade correspondentes ao período do estudo foram obtidos na Estação Meteorológica de Jaboticabal, localizada a 70 km da área do estudo, a 595m de altitude e 21o15’S, 48o18’W.

A infestação pelo B. microplus foi constatada nos bovinos durante os 12 meses de observação. O padrão das curvas de temperatura e pluviosidade para o perío-do de estudo se mostrou dentro dos padrões para a região, com exceção de uma maior ocorrência de chuvas nos meses de maio/86 a agosto/86, período que geralmente apresenta níveis mais reduzidos de pluviosidade (Fig. 1). O descanso dos piquetes por seis semanas seguramente leva a influências variadas na contaminação das pastagens ao longo do ano, uma vez que os períodos de desenvolvimento e sobrevivência das fases de vida livre do carrapato no ambiente variam conforme a época do ano (WILKINSON & WILSON, 1959; HARLEY, 1966; MAGALHÃES, 1989). No entanto, WILKINSON (1957), SOUZA et al. (1993) e FURLONG (1998) demonstraram que para o propósito de ocasionar reduções drásticas na contaminação de uma pastagem pelo B. microplus, o tempo de descanso deve ser bastante superior a seis semanas, mesmo nos meses de menor sobrevivência de larvas nas pastagens.

Os resultados das contagens demonstram a ocorrência de um primeiro pico da população parasitária de fêmeas ingurgitadas de B. microplus entre o final de setembro/85 e início de outubro/85, onde a média de carrapatos do lado esquerdo do corpo foi ao redor de 70 por animal (Fig. 2). A partir daí, houve um grande pico em dezembro/85, com média de 168 carrapatos por animal. De janeiro a maio/86, a infestação se manteve mais baixa, não atingindo médias superiores a 84 carrapatos por animal. Nos meses de junho/ 86 a agosto/86, ocorreram as maiores infestações, sendo um pico com média de 215 carrapatos por animal em junho, e outro em agosto/86, com média de 199 carrapatos por animal. O primeiro pico de carrapatos (observado entre o final de setembro/85 e início de outubro/85), provavelmente corresponde ao pico da primavera ou “spring rise”. Este primeiro pico da população parasitária de B. microplus, a partir da primavera no hemisfério sul tem sido reportado em outros estudos realizados no Brasil (CARNEIRO et al., 1992; ARAÚJO, 1994) e na Austrália (SNOWBALL, 1957; NORRIS, 1957). Ele é decorrente do desenvolvimento simultâneo de uma maior quantidade de carrapatos no ambiente nesta época do ano, conseqüente ao aumento da temperatura ambiente e das precipitações pluviométricas na primavera (Fig. 1), fato característico do clima na maior parte da região Sudeste do Brasil e em algumas regiões da Austrália. Esse aumento da temperatura ocasiona um encurtamento das fases de vida livre no ambiente (HARLEY, 1966; OLIVEIRA et al., 1974; UTECH et al., 1983; MAGALHÃES, 1989), e uma maior postura e eclosão dos ovos (HITCHCOCK, 1955; BRUM et al., 1987). O aumento da pluviosidade incrementa a umidade relativa no solo, tornando-se bastante importante na sobrevivência dos ovos, pois necessitam de alta umidade relativa para seu desenvolvimento (HITCHCOCK, 1955).

Fig. 1
Valores mensais de precipitação pluviométrica e temperatura média, nos anos de 1985 e 1986. Dados obtidos na Estação Meteorológica de Jaboticabal, SP.

Fig. 2
Valores médios do número de fêmeas de Boophilus microplus, de comprimento maior ou igual a 4,5mm, contados no lado esquerdo do corpo de 36 bovinos mestiços, no Município de Colina, SP, de agosto/1985 a agosto/1986.

O segundo pico parasitário de carrapatos, ocorrido em dezembro/85, também é condizente com outros trabalhos realizados no Brasil (CARNEIRO et al., 1992; ARAÚJO, 1994) e na Austrália (SNOWBALL, 1957; NORRIS, 1957). Ele é decorrente das condições climáticas favoráveis ao carrapato a partir do primeiro pico, uma vez que as maiores temperaturas e pluviosidade favoreceram da mesma forma o desenvolvimento e sobrevivência de ovos do carrapato no ambiente. A partir de janeiro houve uma redução da população parasitária de B. microplus, persistindo até o final de outono. Esta observação é contraditória ao padrão observado em outros trabalhos (SNOWBALL, 1957; NORRIS, 1957;

SUTHERST et al., 1979; SOUZA et al., 1988; CARNEIRO et al., 1992; ARAÚJO, 1994). Embora as maiores temperaturas e pluviosidade de verão e início de outono deveriam favorecer o desenvolvimento do carrapato no ambiente, isso não foi evidenciado nos valores das contagens de fêmeas ingurgitadas nos bovinos. Uma possível explicação seriam as condições das pastagens neste trabalho. Como o experimento iniciou-se e mantevese com uma lotação animal dos piquetes bastante alta, o capim se apresentava excessivamente pastejado no início do verão, a ponto de não proporcionar grandes áreas com uma boa cobertura vegetal no solo. Dessa forma, a disponibilidade de microclima favorável ao desenvolvimento e sobrevivência do carrapato no ambiente estava seguramente diminuída, em função das altas temperaturas dessa época. Os ovos de B. microplus tornam-se bastante sensíveis em situações onde não há um microclima favorável ao seu desenvolvimento (HITCHCOCK, 1955), como no caso de uma pobre cobertura vegetal do solo. Além disso, a sobrevivência de larvas no ambiente é menor nos meses de verão, devido às altas temperaturas (HARLEY, 1966; UTECH et al., 1983; MAGALHÃES, 1989). Com isso, as condições das pastagens, associadas ao descanso dos piquetes por seis semanas, pode ter ocasionado uma mortalidade significativa de larvas no ambiente.

Fig. 3
Valores médios do número de fêmeas de Boophilus microplus, de comprimento maior ou igual a 4,5mm, contados no lado esquerdo do corpo de três grupos de bovinos, discriminados conforme a susceptibilidade ao B. microplus, no Município de Colina, SP, de agosto/1985 a agosto/1986.

Fig. 4
Médias mensais dos pesos dos bovinos, conforme o grupo de sensibilidade ao carrapato Boophilus microplus, ao longo do período de agosto/1985 a agosto/1986.

A ocorrência dos maiores picos parasitários nos meses de inverno também é contraditória ao padrão observado em outros trabalhos com B. microplus, e inclusive aos realizados nesta Estação Experimental de Colina (VERÍSSIMO et al., 1997a,b). Certamente, a pluviosidade acima do normal, nos meses de maio/ 86 a agosto/86 (Fig. 1), favoreceu o carrapato no ambiente. Além disso, os efeitos deletérios da temperatura numa área excessivamente pastejada em meses de outono e inverno tornam-se reduzidos, já que são meses naturalmente mais frescos, ocasionando um menor aquecimento do solo. Ao contrário do período de verão, o descanso dos piquetes por seis semanas no outono e inverno tem efeito bastante reduzido na descontaminação da pastagem por larvas, uma vez que as menores temperaturas ocasionam um maior tempo de sobrevivência das larvas (HARLEY, 1966; UTECH et al., 1983; MAGALHÃES, 1989). No entanto, outros dois fatores parecem ter favorecido substancialmente os maiores picos de B. microplus no inverno. O primeiro seria o estado nutricional dos bovinos. As condições das pastagens nesta época do ano, retratada pela menor disponibilidade de matéria seca vegetal e pelo menor valor nutricional do capim, seguramente induziram ao aumento da susceptibilidade dos bovinos aos carrapatos. A pesagem dos três grupos no mês de julho foi a única em que houve diminuição no peso dos três grupos (Fig. 3). TURNER & SHORT (1972), DE LA VEGA et al. (1980) e SUTHERST et al. (1983) comprovaram o efeito negativo do baixo estado nutricional de bovinos na resistência ao B. microplus. Esse efeito é traduzido em maior número de larvas que conseguem chegar ao final da fase parasitária. O outro fator seria a alta densidade animal. Os animais foram mantidos nas pastagens numa lotação de 12 bovinos por ha. Ao final dos 12 meses de estudo, os bovinos apresentaram um incremento médio de 100% de seu peso vivo do início do experimento. Em termos relativos, isto significa que a densidade animal dobrou do início ao fim do estudo. Sabe-se que quanto maior a densidade animal de um hospedeiro, maior será a taxa de translação do carrapato adaptado a este hospedeiro (WHARTON et al. ,1970; SUTHERST et al., 1978). Como a densidade animal no final do experimento foi praticamente o dobro da do início do experimento, isso possivelmente favoreceu às maiores infestações nos meses do inverno/86. Este fato alerta para uma atenção especial ao controle do B. microplus nos sistemas de rotação de pastagens a curtos intervalos, com alta densidade animal, prática cada vez mais difundida na pecuária brasileira.

Vários trabalhos têm demonstrado diferenças individuais da susceptibilidade ao B. microplus entre bovinos de padrão racial semelhante, sendo essa suscetibilidade influenciada por fatores genéticos (SEIFERT, 1971; WHARTON et al., 1970; SUTHERST et al. 1979; VERÍSSIMO et al., 1997a). O sistema de manejo em que o presente estudo foi conduzido se mostra bastante apropriado para discriminação da susceptibilidade individual dos bovinos ao B. microplus, pois constouse de um pequeno rebanho de bovinos com idades e pesos semelhantes, mantidos sob alta densidade animal em uma área uniforme de pastagem. Dessa forma, diferenças individuais da quantidade de larvas infestantes adquiridas pelos bovinos nas pastagens foram mínimas. WHARTON et al. (1970) e SUTHERST et al. (1978) relatam que em estudos com baixa densidade animal e com grandes rebanhos em áreas mais extensas, há maiores chances de ocorrer diferenças individuais na quantidade de larvas infestantes adquiridas, mas em estudos sob condições semelhantes às do presente trabalho, essas diferenças passam a ser mínimas. Além disso, semelhantemente ao manejo adotado por SUTHERST et al. (1979), o sistema de rotação semanal dos três lotes adotados no presente trabalho teria proporcionado uma contaminação uniforme dos piquetes, pois um número semelhante de fêmeas ingurgitadas de B. microplus desprenderiam-se deles. Ranqueando os 36 bovinos pelo número total de carrapatos por animal, constatou-se que o grupo sensível albergou 63,2% do total de carrapatos contados ao longo do experimento e o grupo resistente albergou 12,8% dos carrapatos. Apenas nove (25%) dos 36 bovinos foram responsáveis por 50% do total de carrapatos contados. Este resultado assemelha-se ao de SUTHERST et al. (1979), que foi em torno de 20%. Tendo a susceptibilidade ao B. microplus um componente genético, esses resultados reforçam a idéia de que uma diminuição substancial da população de carrapatos pode ser conseguida, descartando-se uma pequena parcela do rebanho, que seriam os bovinos mais susceptíveis ao B. microplus (SUTHERST et al. 1979; MADALENA et al. 1985). De fato, pode-se constatar na Figura 3 que as infestações ocorridas no grupo sensível foram as maiores responsáveis pelos altos picos de carrapatos observados durante o estudo.

A susceptibilidade individual dos 36 bovinos ao carrapato não foi determinada antes do início do experimento (agosto/85), quando a média de peso dos três grupos, sensível, intermediário e resistente, foi de 126,5 kg, 121,5 kg e 134 kg, respectivamente. Embora a média do grupo intermediário tenha diferido estatisticamente da do grupo resistente (P<0,05), as demais comparações não apresentaram diferenças estatísticas. Para evitar a influência de diferenças do peso inicial na comparação do ganho de peso ao longo do experimento, os três grupos foram comparados quanto ao incremento bruto do peso que cada um teve ao final do experimento. Dessa forma, os grupos sensível, intermediário e resistente tiveram incrementos médios de 113,2kg (89,5% do peso médio inicial), 120,9kg (99,5%) e 147,1kg (109,8%), respectivamente, nos seus pesos médios ao longo do experimento (Fig. 4). O incremento do grupo sensível não diferiu estatisticamente do grupo intermediário (P>0,05), no entanto o incremento do grupo resistente diferiu estatisticamente dos grupos sensível e intermediário (P<0,01). As contagens no lado esquerdo do bovino revelaram que no grupo sensível foram contados 39.000 carrapatos a mais que no grupo resistente. Considerando a infestação em todo o corpo, esta diferença seria de 78.000 carrapatos nos 12 meses. Este valor, dividido por 12 (número de animais que compunha cada grupo), daria um valor médio de 6.500 carrapatos a mais por animal do grupo sensível. Sendo a diferença média entre os incrementos dos pesos médios dos dois grupos de 33,9kKg/animal, cada um quilo a mais no grupo resistente correspondeu a uma infestação de 192 carrapatos a mais no grupo sensível. Fazendo esse mesmo cálculo para as diferenças entre os grupos resistente e intermediário, cada um quilo a mais no grupo resistente, correspondeu também a 192 carrapatos a mais no grupo intermediário. No caso das diferenças entre os grupos intermediário e sensível, cada um quilo a mais no grupo intermediário correspondeu a 187 carrapatos que o grupo sensível teve a mais que o grupo intermediário. Estes resultados diferem do reportado por TURNER & SHORT (1972), de 1.300 carrapatos para cada um quilo de peso vivo perdido anualmente. Embora outros trabalhos reportem valores semelhantes aos desses autores, deve-se salientar que todos eles foram realizados comparando grupos infestados por carrapatos com grupos sem carrapatos. Nestes casos, exclui-se o efeito anoréxico da infestação por carrapatos no grupo sem carrapatos, como sugerido por TURNER & SHORT (1972). Como no presente trabalho houve infestação por carrapatos em todos os grupos, diferindo apenas a intensidade, as diferenças entre os grupos foram menores, uma vez que mesmo no grupo resistente, a influência da infestação por carrapatos no ganho de peso não pode ser excluída.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    07 Out 2024
  • Data do Fascículo
    Jul-Dec 2001

Histórico

  • Recebido
    24 Nov 1999
  • Aceito
    23 Jul 2001
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