Open-access CONTROLE DE COSMOPOLITES SORDIDUS (COLEOPTERA: CURCULIONIDAE) POR FIPRONILE SEU EFEITO SOBRE BEAUVERIA BASSIANA

CONTROL OF COSMOPOLITES SORDIDUS BY FIPRONIL ANO ITS EFFECT ON BEAUVERIA BASSIANA.

RESUMO

Avaliou-se a eficiência de fipronil e carbofuran no controle de Cosmopolites sordidus Germar, 1824 (moleque-da-bananeira) e a sua compatibilidade com o fungo entomopatogênico Beauveria bassiana. No primeiro experimento, realizado a nível de campo, foram utilizados fipronil 20 Gr nas doses de 1, 2 e 3g/isca; carbofuran 50 Gr (5g/isca);Beauveria bassiana+ OPPA-BR-CE5% (5 x 108 esporos/isca) e testemunha. Os resultados evidenciaram que fipronil foi eficiente no controle de ad1, 1ltos de C. sordidus nas três dosagens testadas assim como o carbofuran. O segundo experimento foi realizado em laboratório usando-se fipronil, carbofuran e testemunha. Os inseticidas foram incorporados ao meio de cultura (BOA) em quantidades proporcionais às recomendadas parao controle da praga. O material foi vertido em placas de Petri que, em condições assépticas, receberam o inóculo do fungo. As placas foram mantidas a 27ºC e fotofase de 14 horas até a esporulação do microrganismo. Fipronil não provocou redução significativa na produção de esporos, apesar de ter afetado ligeiramente o diâmetro médio da colônia. Nenhum tratamento alterou a viabilidade do fungo.

PALAVRAS-CHAVE:
Insecta; controle químico; controle microbiológico.

ABSTRACT

Two experiments were carried out toevaluate the efficiency of fiproriil againstCosmopolites sordidus Germar, 1824, and its compatibility with the entomopathogenicfungus Beauveria bassiana. The first experiment was carried out in Miracatu County, SP, using: fipronil 20 Gr in the dosages of 1, 2 and 3g/bait; carbofuran 50 Gr (5g/bait);B. bassiana+ OPPA-BR-CE5% (5 x 108 spores/bait); andcontrol. Results showed thatonly Fipronil was efficient against C. sordidus adults. Toesecond experiment wascarried outin thelaboratory with fipronil, carbofuran andcontrol. Insecticides weremixed with theculturemedia(Potato-Dextrose-Agar)proportionallytotherecommended dosage against C. sordidus. The preparation was poured into Petri dishes which, in asseptic conditions, received the fungus inoculum. Fipronil didnotdecrease spore production, although itslightly affected theaverage diameterofthe colony. Fipronil and carbofuran did not affect the viability of the fungus.

KEY WORDS:
lnsecta; chemical control; microbiological control.

INTRODUÇÃO

A broca-do-rizoma ou moleque da bananeira, Cosmopolites sordidus Germar, 1824, é a principal praga da bananeira (Musa spp.). As perdas na produção, devido ao ataque dessa coleobroca, situam-se entre 20 e 40% no Equador, Brasil, África Centr3:l e Ocidental (SCHMITT, 1993).

Entre os métodos de combate à praga, o controle químico tem sid_o utilizado extensivamente, inicialmentecom a aplicação de inseticidas clorados e, atualmente, com o emprego de diferentes tipos de princípios ativos (TOLEDO, 1955; MELLO et al., 1980; SAMPAIO et al., 1982). Os casos de resistência da broca aos organoclorados (MELLOiMELL() 1975; MELLO et al., 1979) despertàrarn a atenção para a necessidade de se avaliar o potencial de novos produtos, dentre os quais aqueles de natureza biológica.

A integração demétodos de controle, particularmente quando se consideram produtos químicos e biológicos, depende do estudo de compatibilidade entre eles. A utilização depatógenos associados ainseticidas eo efeito destes sobre populações de microrganismos são conhecimentos importantes parao estabelecimentode programas de manejo integrado de pragas. Diversas pesquisas relatam a ação defungicidas, herbicidas e inseticidas sobre B. bassiana (RAMARAGE et al.,1967; OLMERT & KENNETH, 1974;ALVES, 1978;CARNEIRO, 1981; GARDNER & STOREY, 1985; CALDERON et al., 1991). Este trabalho foi elaborado com o objetivo de avaliar a eficiência do inseticida fipronil (Regent) no controle de C. sordidus e a sua compatibilidade com o fungo entomopatogênicoB. bassiana.

MATERIAL E MÉTODOS

Experimento de Campo. O experimento foi conduzido no município de Miracatu, SP, com seis tratamentos: fipronil 20 Gr nas doses de 1, 2 e 3g/isca; carbofuran50 Gr(5g/isca);B. bassiana+OPPA-BR- CE 5% (5 x 108 esporos/isca) e testemunha. O fungo foi preparado na forma de pasta (arroz+ fungo+ água), homogeneizados em liquidificador (LEITE et al., 1992). A esta pasta foi incorporado óleo mineral na formulação emulsionável. Os tratamentos foram repetidos quatro vezes e distribuídos em blocos ao acaso. Cada repetição foi formada por oito touceiras de bananeiras dacultivar Nanica. Próximo a cada touceira foi colocada uma isca do tipo "telha" com aproximadamente 50 cm de comprimento, formada a partir da secção longitudinal de pseudocaules debananeiras que já produziram. Portanto, para cada tratamento foram confeccionadas 32 iscas. Osprodutos químicos e biológicoforam distribuídos como auxi1io decopos medidores sobre a superfície seccionada das iscas. Comoparâmetros para avaliação foram considerados a porcentagem de controle de adultos na isca aos 8, 14, 21 e 29 dias após a aplicação dos produtos e o número de adultos vivos por isca umdia antes da aplicação e 35 dias após a aplicação. Decorridos 29 dias (última avaliação), as iscas tratadas foram substituídas poriscas não tratadas. Osdadosforam analisados através do teste F, comparando-se as médias pelo teste de úuncan a 5% de probabilidade.

Experimento de laboratório. Compatibilidade de inseticidas comB.bassiana. Avaliou-se em laboratório a compatibilidade entre os inseticidas fipronil e carbofuran com o fungo entomopatógenoB. bassiana, além de uma testemunha. Os inseticidas foram incorporados ao meio de cultura Batata-Dextrose-Agar (BDA) e a mistura vertida em placas de Petri. Os produtos foram usados nas doses proporcionais às recomendadas para o controle da praga que, transformadas em gramas de ingrediente ativo por litro (g.i.a./ L), corresponderam 0,060 para fipronil e 0,375 para carbofuran. A testemunha foi representada pelo meio de cultura sem inseticida. Após o preparo do material e, em condições assépticas, esporos de B. bassiana, isolado CB-66/IB, foram inoculados no centro das placas. Cada tratamento foi repetido cinco vezes, sendo considerada uma placade Petri por repetição. O ensaio foi conduzido em câmara climatizada à 27°C e fotofase de 14 horas, até a esporulação do entomopatógeno.

Para avaliar o efeito dos inseticidas foram feitas medições quanto ao diâmetro da colônia, produção e viabilidade dos esporos. Para o estudo desses dois últimos parâmetros, a colônia de fungo, após ter seu crescimento medido, foi homogeneizada em água destilada estéril com o auxílio de Micro Mixer. A concentração de esporos foi calculada passando as suspensões dopatógeno para uma câmara de Newbauer e fazendo as observações ao microscópio com ocular 10 e objetiva 40. Para o estµdo daviabilidade, três gotas da suspensão foram pipetadas para placas de Petri (duas para cada repetição), contendo o meio de cultura e deixadas incubar por 15 horas à 27ºC, após o que foi observada a germinação dos esporos ao microscópio ótico usando aumento de 400x. Os resultados foram submetidos aos testes Fe Tukey a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Experimento decampo. Na primeira avaliação, oito dias após a aplicação dos produtos, fipronil, de forma geral, superou o índice de 80% de controle, alcançando 100% na maior concentração. Para carbofuram o controle foi abaixo de 50%, sendo pouco superior a 1% para o tratamento biológico (Tabela 1). Aos vintee um dias observa-se o efeito máximo de controle através dos inseticidas químicos, com fipronil atingindo 98,91; 99, 17 e 100% de mortalidade respectivamente para 1, 2 e 3g do produto por isca. Nessa época, carbofuian apresentou 65,5% de controle e Beau, veri_a bâssian:a 27,5%. A avaliação após 29 dias revelou queda de eficiência para todos os tratamentos químicos; sendogue · o maiornível de controle foi observado para fipronil3g (76,9%). De forma contrária, a associação fungo+ óleo teveaumento de eficiência nesse período, provocanqo a doença em 32,8% dapopulaçãoamostrada. Esses dados revelam que, no caso do entorhopatógeno, existe um período de tempo necessário paraol'lStabelecimento e aprogressão da doença.

Considerando-se as médias das quatro épocas de avaliação percebe-se a elevada efidência d fipronil e, independente da concentraçao; o nível de controle foi· superior a 80%. No caso de carbofuraq o índice médio de mortalidade (53,7%) esteve significati.vanienteabaixo de fipronil e foi superior ao tratamento com fimgo (19,0%) (Tabela 1). Com relação àscoricentraçõesde fipronil, foi observado que a dose de2g/isca peririitiu distribuição mais uniforme do produto, quand() comparado com a dose de lg.

A população de adultos de C. sordidus nosdiferentes tratamentos porocasião daamostragem inicialfoibastan·- -. te uniforme (Tabela 2). Complementarmente; 35 dias apósainstalaçãodoensaio, novaavaliaçãorevelouque a redução da população nas áreas tratadas foi de 50% para fipronil lg; 56,1% para fipronil 2g; 67,8% para fipronil 3g; 33,2% para carbofuran e 20,5% para B. bassiana + OPPA-BR-CE 5%. Considerando o número de insetos vivos, aos trinta e cinco dias após a aplicação, somente o tratamento com fipronil, nas três dosagens, diferiu significativamente da testemunha, não havendo diferenças entre as dosagens.

Tabela 1
Percentagem de controle de adultosde Cósmopolites sordilius em iscas de pseudocaule de bananeira, tipo telha, tratadas com inseticidas químicos e com o fongo Beauveria bassiana + óleo 1nineral
Tabela 2
Número de adultos de Cosmopolites sordidus vivos por isca depseudocaule de bananeira, tipo telha, antes e após - a aplicação de inseticidas realizada em 9/6/94, e porcentagem de controle da praga no campo.
Tabela 3
Compatibilidade dos inseticidas carbofuran e fipronil com o fungo Beauveria bassiana. Avaliação do diâmetro médio da colônia, concentração e viabilidade dos esporos.

Compatibilidade de Inseticidas comB. bassiana. Neste experimento, com exceção da viabilidade, o crescimento da colônia e a concentração de esporos foram significativamente afetados pelo carbofuran (Tabela 3). O crescimento deB. bassiana foi consideravelmente reduzido (> 1cm), quando o fungo foi semeado em meio de cultura acrescido de carbofuran. A produção de esporos foi aproximadamente três vezes menor que a dos demais tratamentos. Esse tipo de comportamento foi também observado por ALVES (1986) que, ao estudar a compatibilidade de inseticidas comB. bassiana, concluiu que carbofuran pode prejudicar o crescimento e esporulação do fungo mesmo seutilizadonadosemínimarecomendada.CALDERON et al. (1991) classificaram carbofuran como medianamente compatível com B. bassiana. Fipronil não provocou redução significativa na produção de esporos, apesar de ter afetado ligeiramente o diâmetro médio da colônia quando comparado à testemunha. Para todos os tratamentos químicos não foi observada alteração significativa naviabilidade quando comparados à testemunha.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Jul-Dec 1996

Histórico

  • Recebido
    20 Ago 1996
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