RESUMO
Este estudo teve por objetivo analisar as interfaces entre o processo saúde/ doença e o processo de trabalho de enfermeiros da Estratégia Saúde da Família no município de Santa Cruz (RN). Tratou-se de uma pesquisa qualitativa, dividida em momentos de aproximação, entrevista semiestruturada e análise dos dados segundo a hermenêutica/ dialética. Como resultados, o processo de trabalho desenvolvido por esses profissionais é fragmentado, inoperante e biologicista. Para os entrevistados, o processo saúde/doença é visto como individual; contudo, o estudo concluiu que esse processo é característico de uma sociedade que expressa as condições coletivas de vida.
PALAVRAS-CHAVE:
Enfermagem; Saúde da Família; Processo Saúde-Doença.
ABSTRACT
This study aimed to analyze the interfaces between the health/disease process and the work process of nurses from the Family Health Program, in Santa Cruz (RN). It was a qualitative research, divided in moments of approach, semi-structured interviews and analysis of data, based on the hermeneutic/dialectic. As a result, the process of work of these professionals is fragmented, ineffective and biological. For the respondents, the health/disease process is seen as individual. However, the study concluded that this is a typical process of a society that expresses the collective living conditions.
KEYWORDS:
Nursing; Family Health; Health-Disease Process.
Introdução
A concepção mais integral, que diz respeito à associação entre as condições sociais e a produção da saúde, ganhou nova força em meados da década de 1970, sobretudo na América Latina, onde se desenvolveu o embrião latente da denominada Medicina Social (FRACOLLI; BERTOLOZZI, 2001).
Acrescentam ainda, Rocha e Almeida (2000), que a medicina social redefiniu o campo de saberes e práticas da Saúde Coletiva, provocando uma ruptura com os modelos cartesianos que reduziam as relações de causa e efeito ao plano biológico. Nesse sentido, o objeto da prática médica no processo saúde/doença deixa de ser os corpos biológicos, passando a ser corpos sociais e suas relações com estruturas econômicas, política e ideológica da sociedade.
Dessa forma, o trabalho no Programa de Saúde da Família (PSF) pretende constituir-se em uma “estratégia estruturante” de um novo modelo assistencial em saúde que, para Ribeiro et al. (2004), o cumprimento ou operacionalização dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) depende grandemente da possibilidade de abertura ou desencadeamento de processos sociais e intersubjetivos de criação/recriação constante de acordos, pactos, projetos coletivos, sempre conjunturais e transitórios que representem a eterna busca do ideal.
Dessa forma, as equipes de saúde, e principalmente o enfermeiro, deverão tomar para si a discussão que explique o processo, superando concepções de que o indivíduo é uma criatura meramente funcional, desconsiderando-o como sujeito político e como pessoa singular, provido de crenças, valores, desejos e emoções (RIBEIRO et al., 2004).
O enfermeiro tem que estar apto para ouvir e compreender, bem como promover um atendimento com enfoque integral, aspectos biológicos, sociais e espirituais de seu cliente. A comunicação estabelecida pode ser considerada como um dos mecanismos para proporcionar ao usuário/família uma assistência plena e qualificada.
A assistência de enfermagem deve seguir seus princípios éticos e seriedade na prestação de serviço para atender seus clientes, utilizando uma abordagem interdisciplinar e multiprofissional visando o autocuidado, aceitação do tratamento estabelecido, identificando as fragilidades do ambiente familiar para não comprometer a integralidade das ações, e, sobretudo, a superação da fragmentação das políticas públicas.
Por isso, precisa-se aprimorar as práticas em saúde vigente aspirando a implementação de melhores formas de reproduzir saúde coletivamente (GOULART, 2010).
O presente estudo objetivou analisar as interfaces entre o processo saúde/doença e o processo de trabalho de enfermeiros da Estratégia Saúde da Família no município de Santa Cruz (RN). Neste trabalho, utilizaremos indistintamente as nomenclaturas: programa saúde da família (PSF) e estratégia saúde da família (ESF).
Metodologia
Tratou-se de uma pesquisa qualitativa, da qual participaram seis enfermeiros que atuam no PSF da zona urbana do município de Santa Cruz (RN), que trabalham há pelo menos dois anos no mesmo local.
Utilizamos como instrumentos um roteiro de entrevista semiestruturada, com questões abertas e fechadas, e o diário de campo, para conhecer a dinâmica do processo de produção dos serviços de saúde em seis Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF) da zona urbana, no município de Santa Cruz (RN). Essas unidades foram escolhidas por serem campos de estágio do curso de graduação em enfermagem da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
Na análise dos dados, utilizamos a abordagem hermenêutica/dialética. Segundo Minayo (2004), o ponto de partida da pesquisa hermenêutica é a manutenção e a extensão da intersubjetividade de uma intenção durante a análise de dados de uma realidade. Busca, no tempo presente, a compreensão do sentido que vem do passado ou de uma visão de mundo de um grupo determinado. O pesquisador tem que deduzir e explorar as definições de situações a partir do mundo do autor e de seu grupo social. Também deve entender o texto como a representação social de uma realidade que se mostra e se esconde na comunicação, o depoimento como resultado de um processo social e de conhecimento com significado específico.
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da UERN no mês de abril do ano de 2010, sob o protocolo nº 058/09 e o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) nº 0057.0.428.000-09. Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Utilizamos nomes de aves em extinção como pseudônimos para manter o anonimato dos sujeitos do estudo.
Resultados e discussões
O direito à saúde vem da capacidade de o sistema responder as suas necessidades tanto no âmbito individual como coletivo e, para tanto, se faz jus o estabelecimento de vínculo entre os serviços de saúde e a população usuária (AZEVEDO; COSTA, 2010).
O SUS tem sido capaz de provocar importantes repercussões nas estratégias através de uma nova proposta do cuidar em saúde, tendo a família o seu espaço social como núcleo básico de atenção. Os coletivos de trabalho se transformam acompanhando as mudanças sociais, culturais, econômicas, tecnológicas e os modos de ensinar e aprender em diferentes níveis, o que requer uma compreensão ampliada do processo saúde/doença.
O PSF tem sido considerado uma estratégia para reorientação do modelo assistencial a partir da atenção básica para orientar a organização do sistema de saúde como direito social. Em 2006, a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) ampliou a visão da atenção básica e reafirmou a Saúde da Família como estratégia prioritária e modelo substitutivo para organização da atenção básica (GIOVANELLA et al., 2009). Além do mais, provoca mudanças tanto em nível estrutural dos serviços como no sistema de saúde, apontando a necessidade de reorganização do processo de trabalho, criando demandas antes não visualizadas (ARAÚJO; ROCHA, 2009).
Lopes et al. (2011) realizaram uma pesquisa nos centros de saúde de Fortaleza (CE) e constataram que 70% dos profissionais possuíam um curso de especialização, o que indica uma provável eficiência e eficácia no trabalho, porque as atualizações ou capacitações são importantes para que haja troca de experiências e os usuários possam se sentir mais autônomos quando tem as suas dúvidas sanadas.
Segundo Kell e Shimizu (2010), o trabalho em equipe é considerado fundamental para a construção de uma prática interdisciplinar, permitindo a aproximação e a união entre os entes envolvidos na busca de um objetivo comum.
Isso pode ser evidenciado nas falas dos enfermeiros entrevistados sobre o trabalho coletivo em saúde:
Para mim o trabalho coletivo em saúde é essencial, para mim eu acho muito importante, por quê? A forma de trabalhar em coletividade é a forma de você trabalhar bem! A gente nunca trabalha sozinha né? A gente trabalha em conjunto. Com a equipe, com todas as pessoas da unidade, principalmente com o agente comunitário de saúde que são essenciais para gente né? Porque eles são um elo de comunicação entre a gente e a comunidade, né? Isso é muito importante para gente principalmente isso aí, porque é eles que trazem os problemas da comunidade para gente (Anumará).
Contribuindo com tal ideia, Scherer, Pires e Schwartz (2009) afirmam que conhecer o trabalho do outro é condição necessária para que uma colaboração se desenvolva e ainda, são coletivos, pois são vários profissionais buscando a eficácia e eficiência em seu trabalho.
O trabalho em equipe no PSF destaca-se pelo seu aspecto de aproximação com a integralidade no desenvolvimento das ações ligadas ao cuidado de saúde. Para Mattos (2004), a integralidade consiste em organizar o trabalho no serviço, articulando as necessidades de uma demanda espontânea e uma programada, assim como, a apreensão ampliada das necessidades da população que deve incorporar tanto as possibilidades de prevenção como as assistenciais.
Porém, com relação à função desempenhada pelos enfermeiros entrevistados, nota-se a restrição em apenas desenvolver os programas das políticas públicas de saúde. Será que isso é integralidade? Mattos (2004) responde que a integralidade como um dos princípios do SUS tem de ser prioridade para as ações preventivas sem prejuízo dos serviços assistenciais. Os profissionais têm de ser capaz de responder ao sofrimento manifesto de uma demanda socialmente construída.
Todavia, o que se observa na prática é apenas o desenvolvimento dos programas ministeriais:
O enfermeiro faz os programas que manda o MS [ministério da saúde] que é o pré-natal, CD [crescimento e desenvolvimento da criança], o DST [doenças sexualmente transmissíveis], saúde da mulher que engloba o preventivo e o resultado que a gente olha, e também algumas palestras (Tiê-Bicudo).
Assim, com o tempo a gente encontra... o enfermeiro é... tem que ser responsável pelas consultas, a gente que tá ali fazendo palestras educativas, a gente tem que ser responsável pela informação, pelo burocrático do PSF, pelo preenchimento de fichas que são muitas, pela falta de material. E as palestras educativas. O trabalho mais é esse de prevenção, reabilitação, promoção e essa parte de gerenciar também é função do enfermeiro (Anambezinho).
Com uma formação tecnicista e fragmentada, ainda atrelada ao cuidado do órgão doente e não de um ser, faz-se mister o uso do termo ‘saúde ampliada’ que consiste numa apreensão do sujeito sadio ou doente. E para que isso ocorra é necessária a introdução de profissionais com enfoque integral e uma visão ampliada, buscando a integração de todas as tecnologias disponíveis para uma abordagem à saúde de qualidade, ampla e humanizada (GONZE; SILVA, 2011).
Durante as décadas de 1970/1980, houve uma expansão do número de UBS o que proporcionou um aumento da cobertura, melhorando o acesso aos serviços de saúde pela população. A distritalização da saúde como estratégia de construção de um modelo assistencial voltado para a realidade social, traz o território como elemento essencial para o planejamento e gestão dos serviços de saúde oferecidos à população (SILVA et al., 2001).
Especificamente, no caso da enfermagem, Rocha e Almeida (2000) ressaltam que a sua prática integra a relação do ambiente e seu impacto no ser humano. É influenciada pela realidade que compreende a política, a economia e a cultura; sua especificidade está no cuidado tanto do individual como de famílias/coletivo desenvolvendo atividades de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação.
É um processo que busca atuar na vigilância e nos indicadores epidemiológicos, na educação em saúde, no cumprimento dos programas ministeriais, no planejamento e administração da equipe, na realização da visita domiciliária independente da doença, na coordenação dos Programas dos Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e na promoção da autonomia dos pacientes/comunidade.
Ressalta-se, ainda, que o trabalho desenvolvido por esses enfermeiros e os demais membros da equipe é fragmentado:
Mais ou menos assim seria o trabalho em equipe, a gente tem a equipe, mas que no dia a dia é um pouco separado, a gente tem um modo particular (Anambezinho).
Eu [o médico] faço a minha parte aqui, não quero saber como ele [o enfermeiro] está cuidando da população. Eu [o médico] sou pago para resolver aqueles procedimentos, o resto que... Então o processo de trabalho aqui é esse, cada um praticamente faz a sua parte e torce para que no final isso tudo [...] (Crejoá).
Pensando nessa situação, Peduzzi (2001) afirma que o trabalho de cada área profissional (trabalhos especializados) é compreendido como um conjunto de tarefas, atribuições ou atividades. Dessa forma, quanto à divisão técnica do trabalho, a equipe multiprofissional fraciona o mesmo processo de trabalho, pois há uma relação de complementaridade e interdependência entre os trabalhos.
Com relação à participação da comunidade nas atividades que dizem respeito à saúde, Ceccim e Feuerwerker (2004) conceituam controle social como
direito e dever da sociedade de participar do debate e da decisão sobre a formulação, execução e avaliação da política nacional de saúde.
Contudo, Crevelim e Peduzzi (2005) dizem que o usuário encontra-se ausente no que diz respeito a sua coparticipação no processo de produção da saúde: “A mais difícil é o planejamento. A população tem dificuldade em falar do que necessita” (Coroinha).
Corroborando com tal prerrogativa, Damasceno, Brito e Monteiro (2010) dizem que a população é pouco participativa devido a falta de educação popular, de incentivo por parte dos conselhos na divulgação e participação nos eventos e da forte influência da cultura repressora do militarismo ainda presente.
Aí quando a gente muitas vezes deixa de fazer uma atividade e substitui por uma palestra ou debate mesmo às vezes sendo um tema que eles tenham escolhido a gente observa que a frequência não é tanto quanto a gente esperava (Pichochó).
As necessidades de saúde da população se constituem na procura pelos serviços médicos que um doente faz aos serviços de saúde, caracterizando uma demanda ativa por intervenção originada de um carecimento de seu estado sociovital. A população tem a concepção de que para seu problema há uma correção desejável, ou seja, sua necessidade será tratada satisfazendo de algum modo a própria busca por essa intervenção que fica sendo reiterada (SCHRAIBER; MENDES-GONÇALVES, 1996).
Apesar de todo avanço do conhecimento, ainda se encontra certa dificuldade em desenvolver uma prática que considere como a família compreende o processo saúde/doença e como a mesma promove a saúde em seu espaço, no intuito de construir um modelo voltado às novas práticas na área da saúde.
A população, como usuária dos serviços de saúde, tem que ter a compreensão sobre sua participação no processo saúde/doença, atuando como protagonista de seu próprio viver e da produção do autocuidado promovendo a democratização das relações de trabalho e interação usuário/trabalhador.
No que diz respeito ao trabalho de assistência prestado à população, o mesmo ocorre com centralidade ao modelo clínico, apesar do PSF ter como uma de suas diretrizes o modelo epidemiológico.
Schraiber e Mendes-Gonçalves (1996) afirmam que instaurar necessidades com base na produção de serviços significa também criar valores. Esse processo acontece por meio do valor que atribuímos à satisfação das necessidades na sociedade, o que retiramos através de seu consumo sistemático.
Dessa forma, as necessidades de saúde se colocam como algo por sobre os indivíduos num processo de naturalização/coisificação das demandas, tornando a quem se destinado o cuidado um sujeito alienado tolhido do exercício da subjetividade. Isso influencia a prática dos enfermeiros entrevistados que acabam respondendo a esse modelo:
Ainda [a população] valorizam a parte curativa, então se eles vierem para uma consulta levarem medicamento, eles têm muito mais facilidade de procurar o serviço (Pichochó).
Trabalha mais com a questão curativa que a preventiva devido à necessidade da população devido aos hospitais serem lotados. Também é preconizado pelo Ministério da Saúde trabalhar a parte educacional, preventiva. Porém esta, não tem êxito, pois a curativa é a que predomina, “pois a população tá muito doente”. Se os hospitais fossem menos lotados dava para se trabalhar mais a prevenção (Coroinha).
A maneira pela qual o SUS foi apresentado à população acaba dificultando a nova compreensão do conceito ampliado de saúde. Foi nesse sentido que surgiu a ESF e todo o processo de trabalho voltado não apenas aos aspectos biológicos, mas sociais, políticos, econômicos, assim como as formas de produção e reprodução social e de viver.
Com isso, o ESF surgiu para reorientar esse modelo, com a presença de equipes multiprofissionais e uma abordagem interdisciplinar. Todavia, tal fato não garante uma ruptura com o modelo biologicista, para tanto, há a necessidade de dispositivos que alterem a dinâmica do processo de trabalho em saúde, tornando o ESF um espaço propício à construção de novas práticas.
Para que se tenha uma clínica ampliada, é necessário o reconhecimento por parte dos profissionais de que seu saber é limitado, sendo importante levar em consideração os conhecimentos locais, para assim possuir um novo olhar e um novo agir sobre a realidade, fortalecendo o processo de consciência e de enfrentamento dos problemas vividos na realidade da comunidade.
Essa clínica desenvolvida sobre o sujeito ignora os vínculos entre paciente, famílias e comunidade com a equipe, impossibilitando as pessoas de enfrentarem seus problemas a partir de suas condições concretas de vida. Uma nova clínica, a ampliada, rompe com essa lógica, pois a função do profissional da saúde é estimular o autocuidado, a educação em saúde e o compartilhamento de conhecimentos de saúde com os pacientes e grupos, aumentando a capacidade das pessoas de serem terapeutas de si mesmas (CAMPOS, 2003).
Os enfermeiros ao exercitarem sua prática de consulta de enfermagem reiteram a lógica médica e medicalizante, hegemônica na sociedade ocidental, atuando segundo as teorias uni ou multicausais do processo saúde-doença. E ainda, as Visitas Domiciliárias são realizadas somente a pessoas que se encontram ‘isoladas’ ou a puérperas, ilustra-se essa ideia: “Se trabalha com a Visita Domiciliar aos acamados e puérperas” (Anambezinho).
A consulta quando não pode ser realizada no posto é feita na residência do paciente, mas assim é uma coisa limitada, mas assim, a gente tem um turno para visita e elas são priorizadas, então assim, aquelas pessoas que não podem vir aqui de jeito nenhum aí a agente vai até a residência, munido de todo o material que precisar. É qualquer trabalho que seja necessário para se fazer ali na residência a gente já vai equipada para isso, é como se ele tivesse aqui no posto (Pichochó).
O enfermeiro da ESF tem de trabalhar na busca pela promoção à saúde, prevenção de doenças e agravos, recuperação, proteção e reabilitação, tanto no individual, como no coletivo, como também,
seja capaz de atuar com criatividade e senso crítico, mediante uma prática humanizada, competente e resolutiva em saúde. (VALENÇA; GERMANO, 2010, p. 138).
Cabe ao enfermeiro do PSF decidir quais aspectos são importantes e que devem ser mais bem explorados em cada família e quais podem ser relevados. É importante que na prática clínica com famílias, a intervenção tenha como meta promover, incrementar ou sustentar o funcionamento da família quanto aos seus aspectos cognitivos, afetivos e de comportamento, além de seu papel enquanto cuidadores.
Considerações finais
As concepções de saúde/doença, que a população emerge sob o prisma da saúde enquanto ausência de doenças, são influenciadas pela cultura e situação de classe. Isso acaba interferindo na demanda pelos serviços de saúde por uma assistência/clínica médica e medicalizante, onde as ações são direcionadas à cura de doenças.
O processo saúde/doença, portanto, não é um processo individual. É um processo característico de uma sociedade que expressa, ao nível individual, as condições coletivas de vida resultantes dos perfis de produção e de consumo nas diferentes formas de vida. Para isso, o PSF foi criado para aproximar o profissional do cotidiano da população com uma dedicação e preparação especial daquela exigida em sua prática anterior.
É preciso que a enfermagem, como uma das distintas práticas sociais em saúde, tenha conhecimento das concepções de saúde e de educação em saúde para que o seu objeto possa ser transformado. Para isso, se faz necessário que sua prática se fundamente também na filosofia, ciência e tecnologia e ética, como saberes que se preocupam com a integralidade do homem, promovendo a sua emancipação.
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Recorte do trabalho de conclusão de curso: “Estratégia Saúde da Família no Município de Santa Cruz/RN: revelando as práticas no processo de trabalho da enfermagem”, defendida no Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) em 2011.
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Suporte financeiro: Não houve
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