Resumo:
A partir da constatação de que há uma diminuição do número de baianas nas escolas de samba, o ensaio visual aborda a Lavagem da Sapucaí como uma performance política que articula religiosidade de matriz africana, memória cultural e disputas simbólicas no espaço público. Realizada desde 2011 como um ritual de purificação da avenida em que acontecem os desfiles carnavalescos, a cerimônia é protagonizada por mulheres negras de terreiro. As fotografias registram a edição de 2022, marcada pela retomada do calendário carnavalesco após um longo período crítico - atravessado não apenas pela pandemia da covid-19, mas também por uma conjuntura política adversa.
Palavras-chave:
Lavagem da Sapucaí; baianas; carnaval; escola de samba; performance
Abstract:
Based on the observation of the decreasing number of baianas in samba schools, this visual essay explores the Lavagem da Sapucaí as a political performance that articulates Afro-Brazilian religiosity, cultural memory, and symbolic disputes in public space. Held since 2011 as a purification ritual of the avenue where Rio de Janeiro’s carnival parades take place, the ceremony is led by women from Afro-Brazilian religious traditions. The photographs presented here document the 2022 edition, marked by the resumption of the carnival calendar after a long critical period - shaped not only by the COVID-19 pandemic but also by an adverse political context.
Keywords:
Lavagem da Sapucaí; baianas; carnival; samba school; performance
Resumen:
A partir de la constatación de la disminución del número de baianas en las escuelas de samba, este ensayo visual aborda la Lavagem da Sapucaí como una performance política que articula la religiosidad de matriz africana, la memoria cultural y las disputas simbólicas en el espacio público. Realizada desde 2011 como un ritual de purificación de la avenida donde tienen lugar los desfiles del carnaval de Río de Janeiro, la ceremonia es protagonizada por mujeres practicantes de religiones afrobrasileñas. Las fotografías reunidas documentan la edición de 2022, marcada por el retorno del calendario carnavalesco tras un largo período crítico - atravesado no solo por la pandemia de covid-19, sino también por una coyuntura política adversa
Palabras clave:
Lavagem da Sapucaí; baianas; carnaval; escuela de samba; performance
Nas escolas de samba, a ala das baianas é um segmento composto majoritariamente por mulheres negras e idosas, cuja presença remete às chamadas tias baianas - personagens centrais da sociabilidade negra urbana do Rio de Janeiro na virada para o século XX, profundamente envolvidas com as expressões festivas da cidade, tanto religiosas quanto carnavalescas, que contribuíram para a conformação do samba carioca (Velloso 1990; Moura 1995). A ala das baianas atualiza esse legado na sociabilidade cotidiana e nas apresentações públicas marcadas pela indumentária característica, pela dança em giro e pelo saber corporificado em seus gestos e práticas. Como observa Cavalcanti (2011:252), “ser baiana [de escola de samba] é lidar com a experiência de ocupar um lugar simbólico no qual se elabora e se constrói certa imagem de tradição calcada em representações do feminino e do envelhecimento. A cada experiência particular sobrepõem-se, assim, simbolizações coletivamente prescritas”.2
A presença das baianas nas escolas de samba tornou-se obrigatória a partir do segundo desfile oficial, em 1933, conforme estabelecido em regulamento (Ferreira 2004). Sua institucionalização conferiu um valor de tradicionalidade fundamental à legitimação de uma nova manifestação carnavalesca que - parafraseando Paul Gilroy (2001) - emergia como uma resposta negra à modernidade carioca. Como uma das presenças mais visíveis da herança africana nas manifestações da cidade, as baianas ligam as escolas de samba a uma linhagem que remonta às procissões religiosas e ao matriarcado negro, conferindo-lhes um senso de pertencimento tanto ao imaginário nacional quanto ao da diáspora africana.
Apesar de sua importância simbólica e histórica, o número de baianas vem diminuindo.3 A redução do tamanho desse segmento pode ser identificada no próprio regulamento dos desfiles, que são organizados em grupos hierárquicos nos quais as escolas de samba competem anualmente por ascensão ou rebaixamento. As escolas do Grupo Especial e do Grupo de Acesso desfilam no Sambódromo, na Avenida Marquês de Sapucaí, no centro da cidade, enquanto os desfiles dos grupos inferiores ocorrem na Estrada Intendente Magalhães, no subúrbio (um total de mais de 80 escolas de samba desfilam na cidade).
No Grupo Especial, até 2010, o regulamento exigia a presença de ao menos 100 baianas por escola; posteriormente, esse número foi reduzido para 70 e, desde 2020, passou a ser de apenas 60 - uma queda de 40% em uma década, que contrasta com o crescimento de mais de 50% da população idosa no país no mesmo período, segundo o Censo do IBGE de 2022.4 Para atender à exigência mínima, as agremiações passaram a incorporar mulheres mais jovens na ala. Nos desfiles da Intendente Magalhães, onde a obrigatoriedade é de apenas 30 baianas por escola, a situação é ainda mais crítica. Sem o prestígio e o poder de atração dos grandes desfiles que ocorrem na Sapucaí, tornou-se comum aceitar até homens vestidos de baiana para cumprir o número mínimo de componentes exigido.
Um dos fatores apontados pelas próprias baianas para explicar essa retração é o crescimento das igrejas pentecostais, acompanhado por processos de conversão que atingem tanto as integrantes das alas quanto os seus familiares. Ainda que existam baianas do samba que se identifiquem como evangélicas - o que se inscreve em trajetórias marcadas por múltiplas fidelidades pessoais (Machado 2020) -, o avanço do pentecostalismo tem contribuído para o afastamento dessas mulheres das escolas de samba e do carnaval, sobretudo por se tratar de um universo simbólico fortemente associado às religiões afro-brasileiras, com as quais o imaginário pentecostal estabelece uma relação de antagonismo moral e espiritual (Silva 2007; Gomes 2008; Oosterbaan 2017).
Outros aspectos também são elencados pelas baianas para explicar esse quadro. Um deles é a percepção do aumento da violência urbana, que torna arriscado o deslocamento pela cidade, especialmente em noites de ensaio e apresentações que se estendem até a madrugada. Outro, ainda mais importante em seus discursos, é a sensação de desvalorização diante da lógica do espetáculo. Nos desfiles, os figurinos das baianas atendem às exigências cenográficas dos enredos dramatizados no cortejo, muitas vezes se afastando de sua matriz cultural - aspecto também observado por Araújo e Ferreira (2012). O resultado são trajes volumosos e pesados, incompatíveis com a condição física dessas senhoras, o que intensifica o esforço exigido e reforça a percepção de descaso. A dissonância entre o prestígio simbólico e as condições concretas de participação torna-se, assim, fonte recorrente de frustração.
Foi nesse contexto de busca por valorização e visibilidade pública das baianas que, em 2011, foi realizada pela primeira vez a Lavagem da Sapucaí, idealizada pela Ekédi Maria Moura5 - uma das principais lideranças desse segmento - em articulação com a diretoria da Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesa). Moura reuniu cerca de 80 baianas, dentre as quais algumas pertenciam às principais casas de candomblé do Rio de Janeiro e assumiram os preparativos religiosos da cerimônia. A Lavagem foi marcada para o domingo anterior ao carnaval, com o objetivo de purificar a avenida para o início dos desfiles oficiais.
As baianas que entrevistei para a pesquisa costumam distinguir o papel que desempenham entre a “religião” e o “folclore”: enquanto as mulheres com mais tempo de iniciação nas religiões de matriz africana assumem a condução dos preparativos rituais, as demais participam representando o legado das tias baianas, sem necessariamente manter vínculos pessoais com essas tradições religiosas. Embora seja uma demarcação porosa, a distinção entre “baianas do santo” e “baianas do samba” também se expressa nas vestimentas utilizadas durante a cerimônia: algumas usam suas próprias roupas rituais de candomblé, enquanto outras vestem as baianas estilizadas típicas do carnaval - trajes não sacralizados que remetem à indumentária religiosa, como uma versão carnavalesca da baiana de terreiro.
A Lavagem configura-se como uma cerimônia altamente performática, estética e sensorial, protagonizada por baianas vestidas de branco e portando jarros, flores, folhas, vassouras e defumadores. O cortejo percorre a avenida dos desfiles acompanhado, inicialmente, por música ritual executada por homens iniciados no candomblé - que tocam atabaques e outros instrumentos de terreiro. Ao longo do trajeto, as baianas despejam águas de cheiro preparadas com folhas e ervas sagradas e, por meio de seus gestos e cantos, evocam forças ancestrais com o intuito de purificar o espaço e as pessoas presentes.
Após esse início marcado pela liturgia das religiões afro-brasileiras, o cortejo gradualmente se transforma em um desfile festivo, embalado por um repertório de sambas-enredos célebres - especialmente aqueles que exaltam a negritude e as religiões de matriz africana -, executado por ritmistas e intérpretes de diferentes escolas. O evento é aberto ao público, que ocupa gratuitamente as arquibancadas situadas nas margens da avenida. Ao final do cortejo, outro grupo de baianas encerra a cerimônia com defumadores, concluindo a purificação do espaço e reafirmando, do início ao fim, o caráter religioso da celebração.
O modelo ritual da Lavagem da Sapucaí remete à Lavagem do Bonfim, quando baianas de candomblé lavam o adro da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim como parte da principal festa religiosa popular da Bahia, reconhecida como patrimônio cultural brasileiro (Iphan 2013). No Rio de Janeiro, a Ekédi Maria Moura já havia conduzido, nos anos 1990, uma cerimônia semelhante na Igreja do Bonfim, no bairro de São Cristóvão. A Lavagem da Sapucaí, por sua vez, reativa esse modelo por meio de um apelo à memória fundacional do carnaval carioca, como explica sua idealizadora ao relembrar o processo de criação da cerimônia como estratégia de valorização das baianas:
Vamos voltar na história do Rio de Janeiro. Quem iniciou o carnaval não foram as baianas de terreiro? Vamos fazer como se fazia no tempo da Tia Ciata: a lavagem do espaço por onde ia passar o carnaval carioca. Se lavava a rua para depois as pessoas passarem. E os estandartes eram levados na porta dessas senhoras para que elas abençoassem. Vamos voltar ao desfile das baianas e a gente vai ver se melhora isso (Moura 2014).
Além disso, a Lavagem da Sapucaí insere-se em um contexto mais amplo em que cerimônias públicas de lavagem realizadas por baianas são mobilizadas com frequência crescente em locais de memória da herança cultural africana na cidade do Rio de Janeiro - especialmente na região portuária e central, território simbólico da Pequena África, onde está localizada a própria Sapucaí. Um antecedente direto foi o Encontro de Baianas do Jongo, do Santo e do Samba, realizado em 2010 e promovido pelo Centro Cultural Cartola (atual Museu do Samba), como parte das ações de salvaguarda das matrizes do samba (Nogueira 2015). Na ocasião, um cortejo conduzido por baianas lideradas por Maria Moura percorreu o trajeto até a Pedra do Sal, centro do patrimônio histórico e cultural negro da zona portuária, onde realizaram uma cerimônia de lavagem.
Na própria Pedra do Sal, esse tipo de ritual ocorre pelo menos desde 1984, quando o local foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). Mais recentemente, a cerimônia tem sido incorporada também à luta por reconhecimento da Comunidade Quilombola Pedra do Sal (Corrêa 2016). Ainda na mesma região, a partir de 2012, no contexto das transformações urbanas promovidas pelo projeto Porto Maravilha, a prática foi integrada ao processo de patrimonialização do Cais do Valongo - sítio arqueológico do principal porto de entrada de africanos escravizados nas Américas, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2017 (Vassallo e Cicalo 2015; Souty 2023).
A realização da Lavagem, portanto, não pode ser dissociada de um processo mais amplo de disputa por reconhecimento e valorização da herança africana na cidade. Como observa Souty (2023), a propósito da Lavagem do Cais do Valongo, essas performances rituais vinculadas ao candomblé foram investidas de um papel central e de uma legitimidade singular no trabalho de resgate memorial, afirmação identitária e reivindicação sociopolítica.
Por outro lado, a Lavagem da Sapucaí rapidamente incorporou novos personagens e dimensões institucionais. A partir da segunda edição, em 2012, quando marcou a reinauguração do Sambódromo após reformas, a cerimônia passou a contar com o apoio da prefeitura e com a participação da Arquidiocese do Rio de Janeiro, convidada pela Liesa. Desde então, a programação da Lavagem inclui um momento católico que antecede o ritual das baianas, com a execução de um cântico dedicado a Nossa Senhora e a oração do Pai Nosso, conduzida por um padre da Arquidiocese. Em 2013, quando a Lavagem coincidiu com o dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, foi incorporado ao cortejo um andor com a imagem do santo, confeccionado por artesãos do carnaval, que desde então participa da cerimônia.
Essa aproximação com a Igreja Católica parece representar, para a Liesa, uma forma de legitimação, após décadas de controvérsias em torno da presença de símbolos católicos nos desfiles das escolas de samba. Esse movimento acompanha também uma estratégia mais ampla do arcebispado de Dom Orani Tempesta, voltada à aproximação com manifestações culturais populares, que se traduziu não apenas na participação na Lavagem e na flexibilização quanto às referências cristãs nos desfiles, mas também na realização de atividades religiosas nos espaços carnavalescos, como a visita da imagem peregrina de São Sebastião às sedes das agremiações. Gonzalez e Mariz (2017) também identificaram essa estratégia ao analisarem a ocupação das quadras das escolas de samba durante a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, como parte dos esforços de visibilização e publicização da Igreja Católica, especialmente nos territórios periféricos da metrópole, onde os evangélicos se tornaram majoritários.
Para as baianas, no entanto, essa relação exige negociação e cuidado com os limites do protagonismo religioso. Segundo relatos, houve episódios em que foi preciso reivindicar a centralidade afrorreligiosa da cerimônia diante de tentativas da Arquidiocese de assumir uma posição dominante - como, por exemplo, a proposta de que o andor com São Sebastião abrisse o cortejo. Argumentou-se, com base na lógica ritual, que o santo não poderia atravessar um espaço ainda não purificado - razão pela qual a imagem foi acomodada em posição secundária, atrás das baianas.
A incorporação de atores vinculados a outras tradições étnico-religiosas, como a do povo cigano, também contribuiu para equilibrar simbolicamente a presença católica, conferindo à cerimônia uma dimensão mais inter-religiosa. Ao mesmo tempo, ao longo dos anos, fortaleceu-se a presença de expressões da cultura afro-brasileira: representantes de terreiros e grupos culturais ligados às religiões de matriz africana, como os afoxés, passaram a integrar o cortejo.
Assim, a coexistência de elementos católicos e afrorreligiosos na Lavagem da Sapucaí diz respeito menos a uma composição sincrética - frequentemente mobilizada de forma generalizante e homogeneizante - e mais a um agenciamento afrocatólico, nos termos de Ramos e Tavares (2020), que analisaram as festas religiosas de Salvador como arenas de visibilidades múltiplas, nas quais catolicismos e religiões afro-brasileiras se implicam, se associam e se confrontam em disputas simbólicas, rearranjos de autoridade e reconfigurações do valor religioso, político e cultural da celebração.
As fotografias reunidas neste ensaio registram a Lavagem da Sapucaí em 2022, marcada pelo retorno das atividades carnavalescas após dois anos de interrupção devido às restrições sanitárias da pandemia da covid-19. Realizada excepcionalmente em abril, fora do calendário tradicional do carnaval, a cerimônia antecedeu os desfiles, também postergados para esse período. Com isso, o ritual de purificação assumiu uma carga simbólica e emocional ainda mais intensa do que nas edições anteriores, ganhando novos sentidos ao se inscrever como parte de um esforço coletivo de reordenamento do mundo após um longo período crítico - atravessado não apenas pela doença, mas também por uma conjuntura política adversa (Bártolo e Souza 2020, 2021; Menezes 2020).
Essa foi a primeira Lavagem realizada após o fim da gestão de Marcello Crivella na prefeitura do Rio de Janeiro. Ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, o ex-prefeito adotou uma postura abertamente hostil ao carnaval e às manifestações culturais afro-brasileiras, promovendo ações que foram amplamente percebidas como perseguição religiosa (Menezes e Reis 2017; Menezes e Bártolo 2019; Gomes e Leite, 2019; Bonfim 2019). Esse cenário gerou, entre sambistas e afrorreligiosos, sentimentos de temor e desvalorização, conferindo ao retorno da Lavagem o caráter de resistência e reafirmação desses grupos em uma das principais arenas culturais da cidade. Nesse contexto, a fotografia não apenas documenta, mas participa da cena como um dispositivo catalisador de performances, estimulando poses e gestos voltados a produzir uma imagem de si diante do olhar do outro (Menezes, Pereira 2022), ressaltando que a limpeza ritual é também um ato público de visibilização das baianas.
Como ritual de purificação, a Lavagem da Sapucaí prepara a entrada no tempo do carnaval, inscrevendo a avenida dos desfiles nos marcos cosmológicos do sagrado afro-brasileiro. A cerimônia, que remete a um tempo fundacional em que religião e carnaval se entrelaçavam sob a mediação das mulheres negras de terreiro, reafirma a centralidade simbólica das baianas e atualiza os vínculos entre as escolas de samba e as religiões de matriz africana - configurando-se como uma performance política que disputa reconhecimento e legitimidade cultural e religiosa no espaço público carioca.
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» https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos -
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Este trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.
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Resultado de um processo de reelaboração cultural conduzido por mulheres negras que resistiram em meio a um regime colonial e patriarcal desempenhando atividades domésticas, religiosas e comerciais em busca de emancipação sociocultural, a baiana pode ser considerada um tipo cultural feminino, caracterizado por uma indumentária própria: o traje composto por peças como o torço, as saias engomadas, as rendas, os colares, as joias, os balangandãs e o pano da costa (Torres 2016).
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As considerações aqui apresentadas resultam de uma pesquisa iniciada em 2015, com trabalho de campo em diferentes contextos do carnaval carioca. A convivência prolongada com integrantes de várias escolas de samba, incluindo as baianas, permitiu registrar suas experiências e interpretações sobre o declínio do segmento e as transformações em seu lugar simbólico na festa. Agradeço especialmente às baianas Eudoxia Balbino, Mima de Souto e Ana Paula Soeiro.
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Ekédi é um cargo sacerdotal feminino no candomblé. Em 1989, Maria Moura fundou a organização Abarajé, articulando as baianas do Rio de Janeiro em suas múltiplas atuações - como baianas de acarajé, de escola de samba e de candomblé. Sua trajetória é amplamente reconhecida na defesa e valorização do patrimônio cultural de matriz africana na cidade.
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Declaração de Disponibilidade de Dados
Não aplicável
Editado por
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Editor-Chefe:
Edilson Pereira
Não aplicável






























