Open-access Uso de drogas estimulantes entre adolescentes do ensino médio de uma Região Metropolitana: um estudo de base escolar*

Objetivo:  identificar a prevalência de drogas estimulantes entre adolescentes do Ensino Médio e os fatores associados.

Método:  estudo transversal com 4.614 adolescentes, entre 14 e 19 anos. Foram realizadas análises descritivas, bivariadas (teste do qui-quadrado e teste exato de Fisher) e multivariadas (regressão de Poisson com variância robusta), adotando-se nível de significância de p<0,05.

Resultados:  a prevalência de uso alguma vez na vida foi de 6% (intervalo de confiança de 95%: 5,4-6,8), e o uso atual foi de 1,6% (intervalo de confiança de 95%: 1,3-2,0). Maiores prevalências de experimentação de drogas estimulantes entre adolescentes de 18 a 19 anos (RP: 2,24), LGBTQIA+ (RP: 1,35), raça-cor preta (RP: 1,55), com trabalho (RP: 1,68) e cujos pais vivem separados (RP: 1,62). Adolescentes que pertencem à religião católica ou evangélica apresentaram menores frequências de experimentação e uso atual (p<0,05). O uso atual foi mais frequente entre os de raça-cor preta (RP 2,94), classe B (RP: 2,27), e, que possuem trabalho (RP: 2,69).

Conclusão:  observa-se que a experimentação e o uso de drogas estimulantes estão presentes entre os adolescentes e que fatores sociodemográficos e comportamentais estão associados essa prática. Estratégias integradas entre os setores da saúde, educação, assistência social e segurança pública são necessárias para a prevenção e mitigação do problema em ambientes escolares, familiares e comunitários.

Descritores:
Adolescentes; Estimulantes do Sistema Nervoso Central; Prevalência; Fatores de Risco; Estudos Transversais; Minorias Sexuais e de Gênero.


Destaques:

(1) O estudo investigou o uso de drogas estimulantes entre adolescentes do Ensino Médio.

(2) A prevalência de uso alguma vez na vida foi de 6% e o uso atual de 1,6%.

(3) Idade mais elevada, trabalho, raça-cor preta e ser LGBTQIA+ aumentaram a prevalência.

(4) Religião católica ou evangélica mostrou efeito protetor contra o uso de estimulantes.

(5) Os achados subsidiam ações intersetoriais de prevenção no contexto escolar e comunitário.

Objective:  to identify the prevalence of stimulant drugs among adolescents in high school and the associated factors.

Method:  cross-sectional study with 4,614 adolescents between 14 and 19 years old. Descriptive, bivariate (chi-square test and Fisher’s exact test) and multivariate (Poisson regression with robust variance) analyses were performed, adopting a significance level of p<0.05.

Results:  the prevalence of lifetime use was 6% (95% confidence interval: 5.4-6.8), and current use was 1.6% (95% confidence interval: 1.3-2.0). Higher prevalence of stimulant drug experimentation among adolescents aged 18 to 19 years (PR: 2.24), LGBTQIA+ (PR: 1.35), black race (PR: 1.55), with work (PR: 1.68) and whose parents live separately (PR: 1.62). Adolescents who belong to the Catholic or Evangelical religion had lower frequencies of experimentation and current use (p<0.05). Current use was more frequent among those of black race (PR: 2.94), class B (PR: 2.27), and those who have a job (PR: 2.69).

Conclusion:   it is observed that experimentation and use of stimulant drugs are present among adolescents and that sociodemographic and behavioral factors are associated with this practice. Integrated strategies between the health, education, social assistance and public security sectors are necessary for the prevention and mitigation of the problem in school, family and community environments.

Descriptors:
Adolescent; Central Nervous System Stimulants; Prevalence; Risk Factors; Cross-Sectional Studies; Sexual and Gender Minorities.


Highlights:

(1)The study investigated stimulant drug use among high school adolescents.

(2)The prevalence of lifetime use was 6% and current use was 1.6%.

(3)Older age, work, black race-color, and being LGBTQIA+ increased the prevalence.

(4)Catholic or evangelical religion showed a protective effect against the use of stimulants.

(5)The findings support intersectoral prevention actions in the school and community context.

Objetivo:   identificar la prevalencia de los estimulantes entre adolescentes en educación secundaria y los factores asociados.

Método:  estudio transversal con 4.614 adolescentes de entre 14 y 19 años. Se realizaron análisis descriptivos, bivariantes (prueba del qui-cuadrado y test exacto de Fisher) y multivariantes (regresión de Poisson con varianza robusta), adoptando un nivel de significación de p<0,05.

Resultados:  la prevalencia de consumo a lo largo de la vida fue del 6% (intervalo de confianza del 95%: 5,4-6,8) y el uso actual fue del 1,6% (intervalo de confianza del 95%: 1,3-2,0). Mayor prevalencia de experimentación con drogas estimulantes entre adolescentes de 18 a 19 años (RP: 2,24), LGBTQIA+ (RP: 1,35), personas de raza/color de piel negra (RP: 1,55), con trabajo (RP: 1,68) y cuyos padres viven separados (RP: 1,62). Los adolescentes que pertenecían a la religión católica o evangélica tenían menores frecuencias de experimentación y uso actual (p<0,05). El uso actual fue más frecuente entre personas de raza negra (RP 2,94), clase B (RP: 2,27) y quienes tienen empleo (RP: 2,69).

Conclusión:  se observa que la experimentación y el uso de drogas estimulantes están presentes entre los adolescentes y que factores sociodemográficos y conductuales están asociados a esta práctica. Son necesarias estrategias integradas entre los sectores de salud, educación, asistencia social y seguridad pública para la prevención y mitigación del problema en entornos escolares, familiares y comunitarios.

Descriptores:
Adolescentes; Estimulantes del Sistema Nervioso Central; Prevalencia; Factores de Riesgo; Estudios Transversales; Minorías Sexuales y de Género.


Destacados:

(1) El estudio investigó el consumo de drogas estimulantes entre adolescentes de educación secundaria.

(2) La prevalencia de consumo a lo largo de la vida fue del 6% y el consumo actual del 1,6%.

(3) La edad avanzada, el trabajo, la raza-color negro y ser LGBTQIA+ aumentaron la prevalencia.

(4) La religión católica o evangélica mostró un efecto protector contra el uso de estimulantes.

(5) Los hallazgos respaldan acciones intersectoriales de prevención en el contexto escolar y comunitario.

Introdução

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define droga como qualquer substância não produzida pelo organismo que, ao ser introduzida no corpo, é capaz de atuar sobre um ou mais sistemas, provocando alterações em seu funcionamento1. Nesse contexto, as drogas psicoativas caracterizam-se pela capacidade de afetar os processos mentais e cognitivos dos indivíduos, influenciando percepções, emoções, comportamento e consciência2.

Historicamente, observa-se um interesse contínuo do ser humano pelas substâncias psicoativas, e o primeiro contato tem acontecido de forma cada vez mais precoce, como por exemplo na adolescência, que constitui um período de grande vulnerabilidade, uma vez que é um momento de busca por identidade, maior necessidade de aceitação social e uma tendência a testar limites3-5.

Somando-se a isso, a imaturidade cerebral, especialmente nas regiões relacionadas ao autocontrole e à tomada de decisões, também contribui para a impulsividade, o que pode aumentar a vulnerabilidade a comportamentos de risco. Tal cenário representa uma preocupação crescente no contexto da saúde pública, uma vez que impacta diretamente na saúde física, emocional e social dos adolescentes6.

No que tange às estimativas, evidências internacionais apontam prevalências relevantes do uso de drogas estimulantes entre adolescentes. Estudo realizado com 33.184 adolescentes em cinco países do Sudeste Asiático identificou que a prevalência do uso de anfetaminas ao longo da vida variou de 1,2% no Laos a 4,8% nas Filipinas e 5,1% em Timor-Leste7. Nos Estados Unidos, dados da Pesquisa do Comportamento de Risco do Jovem (YRBS), indicaram que 5,7% dos adolescentes entrevistados relataram uso de cocaína em 20158. Na Europa, observa-se que 2% dos adolescentes haviam experimentado cocaína pelo menos uma vez9. Na Austrália, estudo indica que 7,3% dos indivíduos com idades entre 14 e 24 anos relataram o uso de cocaína, enquanto 7,6% indicaram ter usado ecstasy nos 12 meses anteriores à pesquisa10.

No Brasil, pesquisa realizada com 271 estudantes no interior de Pernambuco mostrou que 19,6% dos estudantes relataram ter feito uso de alguma substância psicoativa na vida e/ou nos trinta dias que antecederam a pesquisa5. O II Levantamento Nacional sobre o uso de drogas pela população brasileira (2019) apontou que 2,5% dos adolescentes entre 13 e 15 anos relataram o consumo de cocaína11. Por outro lado, a pesquisa PeNSE (2019), realizada pelo Ministério da Saúde, indicou que 1,2% dos adolescentes entre 13 e 17 anos já haviam experimentado essa droga12, enquanto 1,6% relataram uso de ecstasy, com uma prevalência um pouco mais baixa de consumo de crack e metanfetamina12. Esses achados corroboram as estimativas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), que apontam para um aumento progressivo do uso dessas drogas, principalmente nos grandes centros urbanos.

Ademais, o consumo das drogas psicoativas gera uma sensação elevada de bem-estar, euforia, excitação e alerta, e aumentos na atividade motora. No entanto, também reduzem o apetite e podem resultar em insônia, alterações cardiovasculares, maior exposição a acidentes e violências13-15. Além disso, o consumo pode estar associado ao baixo rendimento escolar, absenteísmo e evasão escolar, e maior envolvimento em comportamentos infracionais e situações de vulnerabilidade social, com possíveis repercussões ao longo da vida adulta. Em doses elevadas, podem levar à inquietação, agitação, percepções alteradas da realidade e alucinações. Ainda, os efeitos do uso crônico e da abstinência dessas substâncias podem incluir paranoia, psicose, depressão e/ou ideação suicida14-17. Em relações familiares, repercute negativamente, promovendo conflitos familiares e fragilização dos vínculos de apoio14-16.

Diante do exposto, constata-se o uso de drogas estimulantes entre adolescentes como um importante problema de saúde pública e, nesse sentido, os profissionais de saúde, em especial, o enfermeiro que atua em diferentes níveis de atenção à saúde, desempenham função estratégica nas ações de prevenção, promoção e educação em saúde no ambiente escolar, familiar e comunitário. Todavia, apesar da relevância da temática, nota-se na literatura científica muitas lacunas, em especial acerca das prevalências regionais e grupos de maior vulnerabilidade, fato que justifica a presente pesquisa que tem o objetivo de identificar a prevalência de drogas estimulantes entre adolescentes do Ensino Médio e os fatores associados.

Método

Delineamento do estudo

Trata-se de um estudo epidemiológico do tipo transversal realizado na Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) entre março e dezembro de 2023, em escolas de Ensino Médio públicas e privadas.

Local

O estudo ocorreu na RMGV, constituída por: Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória. A RMGV, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, dados de 2020), tem uma população de aproximadamente 1.880.828 pessoas e contém uma área de 281.760,93 km2.

Período

A coleta de dados ocorreu entre março e dezembro de 2023.

População

A população do estudo foi composta por adolescentes do Ensino Médio, de 14 a 19 anos, regularmente matriculados em 63 escolas públicas ou privadas da RMGV. Os responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e o estudante o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE). Como critério de exclusão, a falta de compreensão devido a déficit intelectual do participante, de forma que não haveria condições intelectuais para o aluno responder ao instrumento.

Definição da amostra

Para o cálculo da amostra, visando representatividade da rede pública e privada, a amostragem foi por conglomerado e estratificação. Assim, para cada estrato, foram realizadas amostras simples, sendo corrigidas para amostras complexas em um segundo momento usando SPSS 26, garantindo 95% de confiança e erro máximo de 5%. Ademais, para cada estrato de município, obteve-se como parâmetros da amostra 95% de confiança e erro máximo de 10%.

Vale destacar que foi realizado o treinamento da equipe de pesquisa e o teste-piloto, que ocorreu no mês de fevereiro de 2023, no qual participaram 50 adolescentes que não compuseram a amostra final do estudo. O teste-piloto foi importante para a realização de pequenos ajustes, no que tange a questões sociodemográficas e comportamentais, de modo a promover maior clareza das questões, bem como foi fundamental para a estimativa do tempo de resposta ao questionário que foi em média de quarenta a cinquenta minutos. A coleta de dados ocorreu em tablets por meio do REDCap (Research Electronic Data Capture), com questões socioeconômicas (sexo, idade, raça, renda, situação familiar) e comportamentais (uso de cocaína, crack, ecstasy e metanfetamina).

Variáveis do estudo

A variável desfecho foi composta pelo uso de drogas estimulantes segundo o autorrelato do adolescente, as respostas foram dicotomizadas em sim e não, sendo considerado o uso de drogas estimulantes o adolescente que em pelo menos um dos itens apresentou relato positivo ao uso de alguma das seguintes drogas: cocaína, crack, ecstasy e/ou metanfetamina alguma vez na vida e uso atual.

As variáveis independentes foram: sexo (feminino ou masculino), faixa etária (14 a 15 anos, 16 a 17 anos, 18 a 19 anos), identidade de gênero (cisgênero ou não cisgênero), orientação sexual (heterossexual ou LGBTQIA+), raça-cor (branca, preta e parda), em um relacionamento (sim ou não), possui algum trabalho, emprego ou negócio (sim ou não), classificação econômica (A; B; C/D/E), pais vivem juntos (sim ou não), tipo de escola (pública ou privada); religião (nenhuma; católica; evangélica; outras).

Tratamento e análise dos dados

A análise estatística foi conduzida inicialmente por descrição dos dados através de apresentação de frequências absolutas, relativas e intervalos de confiança de 95% (IC95%), sendo considerado exclusão por caso completo, seguido de análise bivariada por teste Qui-quadrado de Pearson (χ²) e o teste Exato de Fisher, para verificar as possíveis relações entre as variáveis. Posteriormente, realizou-se análise multivariada bruta e ajustada de Razão de Prevalência (RP), por Regressão de Poisson com variância robusta, sendo considerada para entrada no ajuste as variáveis com significância estatística em 0,20 e mantidas aquelas com valor de p<0,05. Todas as análises foram realizadas através do programa estatístico Stata 17.0.

Aspectos éticos

O projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo, ocorrendo aprovação por meio do parecer n.° 5.900.370, de forma a atender à resolução n.°466/2012. Obteve-se a assinatura dos responsáveis pelo Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e dos adolescentes no Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE).

Resultados

A prevalência de uso alguma vez na vida de alguma droga estimulante entre os escolares foi de 6% (IC95% 5,4-6,8), sendo que atualmente 1,6% usam alguma droga estimulante (IC95% 1,3-2,0). A prevalência de escolares que relataram já ter feito uso de cocaína alguma vez na vida foi de 1,2% (IC95% 1,0-1,6), e o uso atual dessa droga é de 0,2% (IC95% 0,1-0,4). Quanto ao uso de crack ou merla, a prevalência foi de 0,1% (N=6, IC95% 0,0-0,2), e o uso atual de 0,1% (IC95% 0,0-0,2). Aproximadamente 5% da amostra afirmou que já experimentou ecstasy ou bala ou MD na vida, e atualmente 1,4% fazem o uso dessa droga (IC95% 1,1-1,8). Referente ao uso de metanfetamina, 0,6% dos entrevistados declararam que já experimentaram na vida metanfetamina (IC95% 0,4-0,9) e 0,1% usam atualmente (IC95% 0,0-0,3) (Tabela 1).

Tabela 1
Uso de drogas estimulantes entre os escolares do Ensino Médio. Região Metropolitana da Grande Vitória, ES, Brasil, março a dezembro, 2023

De acordo com a Tabela 2, a idade de uso de drogas estimulantes pela primeira vez foi de 15 anos ou mais para todas as substâncias analisadas, sendo que a proporção de início de uso a partir dessa idade foi de 50% para a cocaína (IC95% 36,7-63,3), 50% para o crack (IC95% 10,9-89,1), 77,9% para o ecstasy (IC95% 72,0-82,8) e 64% para o uso de metanfetamina (IC95% 42,9-80,8). Ainda, de acordo com os participantes, 32,1% conseguiram a cocaína com um amigo (IC95% 21,1-45,7), e, do mesmo modo, o ecstasy foi adquirido por meio de amigos para cerca de 39% dos adolescentes (IC95% 33,0-45,7). Por outro lado, crack/merla apresentaram maior frequência de aquisição em lojas, bares, botequim, com um vendedor e/ou na balada (50%; IC95% 10,9-89,1), e, por fim, cerca de 28% dos adolescentes compraram e/ou conseguiram a metanfetamina na balada (13,8%, IC95% 5,0-32,5) ou com amigos (13,8%, IC95% 5,0-32,5). Vale destacar para todas as drogas a elevada prevalência de adolescentes que referem não se recordarem de como a substância foi adquirida.

Tabela 2
Uso de drogas estimulantes entre os escolares do Ensino Médio. Região Metropolitana da Grande Vitória, ES, Brasil, março a dezembro, 2023

A Tabela 3 apresenta a distribuição do uso de drogas estimulantes entre os escolares do Ensino Médio, segundo as características em estudo. Nota-se uma relação entre a experimentação e o uso de estimulantes e as variáveis: identidade de gênero, orientação sexual, raça/cor da pele, estado civil, tipo de escola, se possui trabalho atualmente e religião (p<0,05). Já as variáveis idade e situação conjugal dos pais somente apresentaram relação significativa com a experimentação dos estimulantes (p<0,001), e o uso atual da droga com o sexo e classe econômica (p<0,05).

Tabela 3
Distribuição do uso de drogas estimulantes entre os escolares do Ensino Médio da Região Metropolitana da Grande Vitória. ES, Brasil, março a dezembro, 2023

Após ajuste para os fatores de confusão, observa-se que aqueles com 18 a 19 anos de idade tiveram uma prevalência 2,24 maior (IC95% 1,47-3,40) de experimentação de drogas estimulantes em comparação aos adolescentes de 14 a 15 anos. Escolares que se autodeclararam LGBTQIA+ tiveram 35% mais prevalência de experimentação (IC95% 1,04-1,77) em comparação aos heterossexuais, assim como os de raça-cor preta apresentaram uma prevalência de 1,55 vezes maior de experimentação de drogas estimulantes (IC95% 1,13-2,14) em comparação aos adolescentes da raça-cor branca. A experimentação alguma vez na vida de estimulantes foi 68% mais prevalente entre os escolares com trabalho (IC95% 1,32-2,13). Pertencer à religião católica reduziu a prevalência de experimentação de drogas estimulantes em 30% (RP: 0,70; IC95% 0,50-0,99), como também na religião evangélica, apresentando redução em 41% (RP: 0,59; IC95% 0,44-0,81) em comparação aos adolescentes que declararam não ter nenhuma religião. Por fim, adolescentes cujos pais vivem separados tiveram uma frequência de 62% maior de experimentação de drogas estimulantes (IC95% 1,26-2,10) em comparação àqueles cujos pais vivem juntos (Tabela 4).

Tabela 4
Razão de prevalência bruta e ajustada da experimentação de drogas estimulantes entre os escolares do Ensino Médio. Região Metropolitana da Grande Vitória, ES, Brasil, março a dezembro, 2023

O uso atual de drogas estimulantes após ajuste dos dados foi mais prevalente para adolescentes da raça-cor preta (RP 2,94; IC95% 1,53-5,65) em comparação aos adolescentes da raça-cor branca. Comparado aos adolescentes que pertencem a classificações econômicas mais baixas (C/D/E), adolescentes pertencentes à classe B tiveram uma prevalência 2,27 vezes maior no uso atual de drogas estimulantes (IC95% 1,31-3,95). Possuir um trabalho levou a uma prevalência 2,69 vezes maior no uso atual (IC95% 1,69-4,30) em comparação aos adolescentes sem trabalho, e a prevalência de uso atual de drogas estimulantes foi 58% menor naqueles pertencentes à religião católica (IC95% 0,20-0,87) e 57% menor nos escolares evangélicos (IC95% 0,24-0,78), em comparação aos adolescentes que relataram não ter religião (Tabela 5).

Tabela 5
Análise bruta e ajustada do uso atual de drogas estimulantes entre os escolares do Ensino Médio. Região Metropolitana da Grande Vitória, ES, Brasil, março a dezembro, 2023

Discussão

A prevalência do uso de drogas estimulantes alguma vez na vida entre os escolares deste estudo foi de 6% (IC95%: 5,4-6,8), enquanto o uso atual foi de 1,6% (IC95%: 1,3-2,0). Esses achados estão em consonância com os dados divulgados pelo estudo norte-americano Monitoring the Future (MTF, 2022), que investigou adolescentes do Ensino Médio com até 18 anos, identificando prevalência semelhante de uso alguma vez na vida (6,1%) e de uso atual (1,5%) de drogas estimulantes. No mesmo sentido, também foi observado em estudo realizado no Chile com adolescentes de 13-17 anos, uma prevalência de 5,9% de uso de estimulantes alguma vez na vida e 1,7% de uso atual18.

No que tange ao uso de cocaína, observou-se que a prevalência de experimentação na vida entre os escolares foi de 1,2% (IC95%: 1,0-1,6). Esse resultado está em consonância com estudo realizado na Nigéria, no qual 1,4% dos adolescentes relataram uso dessa substância ao longo da vida19. De forma semelhante, pesquisa conduzida em Macau, China, identificou prevalência de 1,2% de uso de cocaína alguma vez na vida entre adolescentes20. Em contrapartida, estudo realizado no Brasil, no município de Cuiabá, encontrou prevalência superior, de 3,1%, de uso de cocaína ao longo da vida21. No que tange ao uso atual de cocaína, observou-se uma prevalência de 0,2% (IC95%: 0,1-0,4). Esse resultado é semelhante ao descrito em estudos com população adolescente, nos quais 0,4% dos adolescentes relataram uso atual de cocaína19.

Quanto ao consumo de crack ou merla, a prevalência encontrada foi de 0,1% (IC95% 0,0-0,2). Esse resultado é inferior ao identificado pelo Projeto de Pesquisa Escolar Europeia sobre Álcool e Outras Drogas, que analisou dados de 99.647 adolescentes em 35 países e encontrou prevalência média de 1,1% de uso de crack alguma vez na vida. Nesse estudo, a maior prevalência foi observada no Chipre (3,1%), enquanto as menores ocorreram na Macedônia do Norte (0,2%) e na Eslováquia (0,5%)9. De forma semelhante, estudo transversal realizado no Brasil, no município de Cuiabá (MT), identificou prevalência de 1,4% de uso de crack alguma vez na vida entre adolescentes21.

No que se refere ao uso de ecstasy, bala ou MD, a prevalência alguma vez na vida foi de 5%, semelhante ao identificado no estudo European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs (ESPAD)9, que revelou entre adolescentes do Ensino Médio na Holanda uma prevalência de 5,1%. Da mesma maneira, a prevalência de uso atual encontrada (1,4%; IC95% 1,1-1,8) vai ao encontro da registrada no ESPAD9, mas com foco nos adolescentes da República Tcheca, onde 1,7% relataram consumo dessas drogas.

A prevalência do uso de metanfetamina alguma vez na vida entre os escolares foi de 0,6% (IC95%: 0,4-0,9), valor superior, embora não distante, ao observado no estudo do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID, dados de 2020), que identificou prevalência inferior a 0,1% para o uso dessa substância. Ademais, o uso atual de metanfetamina neste estudo foi de 0,1% (IC95%: 0,0-0,3), indicando baixo consumo entre escolares, resultado semelhante ao descrito pelo ESPAD (2019), que apontou prevalência de 0,3% entre adolescentes9.

A análise da idade de início do uso de drogas estimulantes revela uma tendência preocupante de que, para todas as substâncias analisadas, a primeira experiência ocorre a partir dos 15 anos. Cerca de 27,9% dos indivíduos iniciam o uso de drogas estimulantes antes dos 18 anos, com uma tendência mais pronunciada entre os homens, o que pode refletir diferenças sociais, culturais e biológicas na propensão ao uso15. O início precoce do uso dessas substâncias está intimamente associado ao desenvolvimento de problemas mais severos relacionados ao abuso e dependência de drogas na vida adulta16.

Os dados da pesquisa indicam que a aquisição dos estimulantes se dá por meio de amigos ou por compras em lojas, bares, botequins, com um vendedor e/ou na balada. Estudos relataram maior frequência de jovens adquirindo drogas estimulantes (ecstasy, anfetamina, cocaína) em bares, casas noturnas, festas e etc.22-25. É provável que isso ocorra, pois em festas, tais como, raves, são mais associadas a maiores chances do uso dessas drogas, uma vez que drogas usadas em tais festas para melhorar a música, as luzes, a socialização e a dança a noite toda22.

Outro achado foi a maior prevalência de experimentação dos estimulantes entre adolescentes mais velhos com 18 a 19 anos de idade (IC95% 1,47-3,40). Assim como os achados no presente estudo, identificou-se que o uso desse tipo de drogas é feito pelos jovens mais velhos14. Além disso, há relatos na literatura de uma idade média de 18-19 anos para cannabis e 21-24 anos para cocaína26. Ademais, entre os anos de 2000 e 2001, já havia evidências de grande crescimento de uso de estimulantes do tipo anfetamina entre adolescentes na Ásia e Europa27.

Ainda, observa-se a experimentação dos estimulantes maior entre os jovens que se autodeclararam LGBTQIA+, com 35% mais prevalência (IC95% 1,04-1,77). Esse dado é similar ao de outras pesquisas, que sugerem que esse grupo populacional corre mais risco de uso dessas substâncias relacionado a estressores minoritários, como o estigma sofrido28-29.

Ainda, em nosso estudo, verifica-se a maior frequência de experimentação e uso atual dos estimulantes entre pessoas de raça/cor preta, dados ainda pouco explorados na literatura. Um estudo realizado nos Estados Unidos mostra que jovens de cor branca estão mais propensos a receber tratamento, e têm mais acesso a serviços de saúde privados30.

O presente estudo encontrou maior prevalência da experimentação e uso atual de estimulantes entre os escolares que trabalhavam, dados em consonância com pesquisa que utilizou dados de mais de 109 mil alunos brasileiros e encontrou maior frequência de uso de drogas entre os adolescentes que trabalham, e sugere que o trabalho remunerado pode possibilitar maior independência financeira e influenciar a autonomia do adolescente na tomada de decisão para o consumo de drogas31.

A associação entre o uso de estimulantes e marcadores sociais como raça/cor e o pertencimento a grupos socialmente estigmatizados, como pessoas LGBTQIA+, evidencia o papel das desigualdades estruturais na produção de vulnerabilidades em saúde. O racismo estrutural e o preconceito atuam como determinantes sociais que ampliam a exposição a estressores crônicos, fragilizam redes de apoio e restringem o acesso oportuno a serviços de saúde e de proteção social, especialmente durante a adolescência32. Nesse contexto, a teoria do estresse de minorias trata-se de uma abordagem interseccional, segundo a qual a sobreposição de múltiplos marcadores de minoria intensifica a exposição a fatores de risco e potencializa impactos negativos sobre a saúde mental. Ela sustenta que experiências persistentes de estigmatização, discriminação e violência aumentam o risco de sofrimento psíquico e do uso de substâncias como estratégia de enfrentamento33.

Pertencer à religião católica ou evangélica diminuiu a prevalência de experimentação e uso atual de drogas estimulantes em comparação aos adolescentes que declararam não ter nenhuma religião. Os achados corroboram um estudo transversal realizado no interior de São Paulo no qual os escolares que praticavam uma religião apresentaram menor chance de usar drogas34. A religiosidade suscita uma mistura de medo e tabu, e, na forma de crenças e práticas, pode ser vista como um forte fator de resiliência e resistência contra o uso de substâncias pelos adolescentes35.

Outro achado foi o uso atual mais frequente nos adolescentes que pertencem a classificações econômicas mais altas. Uma pesquisa transversal na Nigéria, com mais de mil adolescentes em escolas públicas e privadas, encontrou que estudantes que frequentam escolas em áreas povoadas por pessoas com renda mais alta tiveram maior probabilidade de abusar de drogas, entre elas a cocaína. É possível que haja uma relação com o maior poder de compra disponível para os estudantes nessas áreas19.

Verificou-se ainda que adolescentes em que os pais vivem separados tiveram uma frequência de 62% maior de experimentação de drogas estimulantes (IC95% 1,26-2,10) em comparação àqueles cujos pais vivem juntos. Este resultado está em consonância com um estudo realizado nos Estados Unidos com dados de mais de 41 mil adolescentes, no qual aqueles pertencentes a famílias monoparentais e não parentais tiveram uma probabilidade maior de usar cocaína/heroína/metanfetamina (OR = 1,63-1,78, IC 95% = 1,21-2,71) do que os jovens em famílias biparentais36. Uma das possíveis justificativas seria que as famílias com dois pais são mais propensas a monitorar os jovens de perto, dessa forma estes teriam menos chance de se expor a comportamentos de risco36. Além disso, para além da relação dos pais, o tempo dedicado aos filhos pode influenciar no consumo de substâncias psicoativas37.

Considerando os resultados apresentados e os impactos do uso de substâncias psicoativas para a saúde, os profissionais de enfermagem possuem um importante papel neste cenário. O cuidado de enfermagem a adolescentes que fazem uso de drogas ou possuem forte risco de fazer o uso, deve ser pautado em uma atitude acolhedora, sem preconceitos e capaz de propiciar um espaço de diálogo. Devem ser utilizadas estratégias de promoção e prevenção à saúde, guiadas nas melhores evidências científicas, com foco na autonomia do sujeito e redução de danos38. As ações podem ser realizadas na própria consulta de Enfermagem individual ou em atividades coletivas. Dessa forma, é possível traçar estratégias para torná-los mais reflexivos, competentes e confiantes. Quando as potencialidades são estimuladas, há um fortalecimento da autoestima, de modo a possibilitar escolhas e decisões conscientes39.

O delineamento transversal apresenta limitações no que se refere à determinação da causalidade, uma vez que o desfecho é avaliado ao mesmo tempo que a exposição, e isso impede a identificação da temporalidade dos eventos, sendo necessário cautela ao se avaliar as relações entre as variáveis exploradas. Ainda, o viés de informação também pode ocorrer, comprometendo a precisão das respostas obtidas, entretanto, vale ponderar que os estudantes puderam responder ao questionário de forma individualizada, respeitando a privacidade deles, reduzindo então o viés supracitado.

Conclusão

Podemos concluir que 6% dos adolescentes do Ensino Médio já fizeram uso, alguma vez na vida, de drogas estimulantes e que 1,6% usam atualmente. A idade de uso pela primeira vez, para a maioria, foi aos 15 anos ou mais, e, a aquisição dessa substância acontece, principalmente, em lojas, bares, botequins, com um vendedor e/ou na balada. Maiores prevalências de experimentação foram observadas entre adolescentes mais velhos (18 a 19 anos) que se autodeclararam LGBTQIA+, de raça-cor preta, escolares com trabalho e cujos pais vivem separados. O uso atual mais frequente entre os pertencentes à classe B, de raça-cor preta, e que trabalham. Aqueles que possuem religião (evangélica ou católica) apresentaram menores prevalências de experimentação e uso atual.

Os achados da presente pesquisa reforçam a necessidade de estratégias de enfrentamento contra o uso de drogas estimulantes entre adolescentes no contexto comunitário, familiar e escolar. Esforços para a articulação intersetorial entre saúde, educação, assistência social e segurança pública, assim como inserir a família nesse processo, devem ser empregados para prevenção e mitigação do uso. No contexto acadêmico, é fundamental a realização de estudos na abordagem qualitativa que explore principalmente os motivos relacionados ao consumo maior entre esses adolescentes, além do desenvolvimento de pesquisas de intervenções baseadas, com o objetivo de fortalecer as ações de prevenção. Por fim, é necessário potencializar os fatores que reduzem a exposição ao risco do uso dessas substâncias a fim de promover uma juventude saudável.

Declaração de Disponibilidade de Dados:

Os conjuntos de dados relacionados a este artigo estarão disponíveis mediante solicitação ao autor correspondente.

Referências bibliográficas

  • 1 World Health Organization, WHO Expert Committee on Drug Dependence. WHO Expert Committee on Drug Dependence: twenty-eighth report [Internet]. Geneva: World Health Organization; 1993. 49 p. (WHO Technical Report Series, No. 836). Available from: https://iris.who.int/handle/10665/37029
    » https://iris.who.int/handle/10665/37029
  • 2 World Health Organization. Management of substance abuse: psychoactive substances [Internet]. Geneva: World Health Organization ; 2016 [cited 2025 Aug 26]. Available from: Available from: https://www.who.int/teams/mental-health-and-substance-use/alcohol-drugs-and-addictive-behaviours/drugs-psychoactive-substances
    » https://www.who.int/teams/mental-health-and-substance-use/alcohol-drugs-and-addictive-behaviours/drugs-psychoactive-substances
  • 3 Pasuch C, Oliveira MS. Survey on drug use among high school students: A systematic review. Cad Ter Ocup UFSCar [Internet]. 2014 [cited 2026 Aug 26];22(Suppl 1):171-83. Available from: Available from: https://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/view/1048
    » https://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/view/1048
  • 4 Souza FB, Andrade ALM, Rodrigues TP, Nascimento MO, Micheli D. Evaluation of teachers’ conceptions about substance misuse in public and private schools: an exploratory. Estud Pesqui Psicol [Internet]. 2015 [cited 2026 Aug 26];15(3):1081-9. Available from: Available from: https://www.redalyc.org/pdf/4518/451844505017.pdf
    » https://www.redalyc.org/pdf/4518/451844505017.pdf
  • 5 Guimarães FJ, Silva CL, Perrelli JGA, Pinto MB, Veras JL, Leite AFB. Family relations and psychoactive substance use among students. SMAD, Rev Eletrônica Saúde Mental Álcool Drog. 2024;20:e-203285. https://doi.org/10.11606/issn.1806-6976.smad.2024.203285
    » https://doi.org/10.11606/issn.1806-6976.smad.2024.203285
  • 6 Gray KM, Squeglia LM. Research review: What have we learned about adolescent substance use? J Child Psychol Psychiatry. 2018;59(6):618-27. https://doi.org/10.1111/jcpp.12783
    » https://doi.org/10.1111/jcpp.12783
  • 7 Pengpid S, Peltzer K. Current cannabis and lifetime amphetamine use among in-school adolescents in five ASEAN countries: socio-ecological perspectives. Vulner Clin Youth Stud. 2020;15(4):318-28. https://doi.org/10.1080/17450128.2020.1770391
    » https://doi.org/10.1080/17450128.2020.1770391
  • 8 Schneider KE, Krawczyk N, Xuan Z, Johnson RM. Past 15-year trends in lifetime cocaine use among US high school students. Drug Alcohol Depend. 2018 Feb 1;183:69-72. https://doi.org/10.1016/j.drugalcdep.2017.10.028
    » https://doi.org/10.1016/j.drugalcdep.2017.10.028
  • 9 ESPAD Group. ESPAD report 2019: Results from the European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs [Internet]. Lisbon: EMCDDA; 2019 [cited 2025 May 14]. Available from: Available from: https://www.euda.europa.eu/publications/joint-publications/espad-report-2019_en
    » https://www.euda.europa.eu/publications/joint-publications/espad-report-2019_en
  • 10 Australian Institute of Health and Welfare. Alcohol, tobacco & other drugs in Australia [Internet]. Canberra: AIHW; 2025 Apr 23 [cited 2025 May 14]. Available from: Available from: https://www.aihw.gov.au/reports/alcohol/alcohol-tobacco-other-drugs-australia
    » https://www.aihw.gov.au/reports/alcohol/alcohol-tobacco-other-drugs-australia
  • 11 Opalye ES, Noto AR, Locatelli DP, Amato TC, Bedendo A, organizators. II Relatório brasileiro sobre drogas: sumário executivo [Internet]. Brasília-DF: Ministério da Justiça e Segurança Pública; 2021 [cited 2025 May 14]. Available from: https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-protecao/politicas-sobre-drogas/arquivo-manual-de-avaliacao-e-alienacao-de-bens/SumarioExecutivoIIRelatrioBrasileirosobreDrogas.pdf
    » https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-protecao/politicas-sobre-drogas/arquivo-manual-de-avaliacao-e-alienacao-de-bens/SumarioExecutivoIIRelatrioBrasileirosobreDrogas.pdf
  • 12 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar: 2019 [Internet]. Rio de Janeiro: IBGE; 2021 [cited 2026 Jan 06]. Available from: Available from: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101852.pdf
    » https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101852.pdf
  • 13 Volkow ND, Wang GJ, Fowler JS, Telang F, Alexoff D, Logan J, et al. Stimulant-induced enhanced sexual desire as a potential contributing factor in HIV transmission. Am J Psychiatry. 2007;164(1):157-60. https://doi.org/10.1176/ajp.2007.164.1.157
    » https://doi.org/10.1176/ajp.2007.164.1.157
  • 14 Vellozo EP, Vitalle MS, Passos MA, Niskier SR, Schoen TH, Hall PR, et al. Prevalence of psychoactive substance use by adolescents in public schools in a municipality in the São Paulo Metropolitan Area, Brazil. Cad Saude Publica. 2023;39(2):e00169722. https://doi.org/10.1590/0102-311XEN169722
    » https://doi.org/10.1590/0102-311XEN169722
  • 15 Marinho LCP, Carmo DRP, Souto VT, Pelzer MT, Costa RF. Body, drug and movement. REME Rev Min Enferm. 2016;20:e987. https://doi.org/10.5935/1415-2762.20160057
    » https://doi.org/10.5935/1415-2762.20160057
  • 16 Golpe S, Gómez P, Braña T, Varela J, Rial A. The relationship between consumption of alcohol and other drugs and problematic Internet use among adolescents. Adicciones. 2017;29(4):268-77. https://doi.org/10.20882/adicciones.959
    » https://doi.org/10.20882/adicciones.959
  • 17 Substance Abuse and Mental Health Services Administration (US). Chapter 2 - How stimulants affect the brain and behavior [Internet]. In: Substance Abuse and Mental Health Services Administration. Treatment for stimulant use disorders: updated 2021. Rockville, MD: Substance Abuse and Mental Health Services Administration; 1999 [cited 2026 Jan 06]. Available from: Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK576548/
    » https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK576548/
  • 18 Servicio Nacional para la Prevención y Rehabilitación del Consumo de Drogas y Alcohol (CL). Estudios de población escolar: informe final [Internet]. Santiago de Chile: SENDA; 2022 [cited 2026 Jan 06]. Available from: Available from: https://www.dipres.gob.cl/evaluaciones/2023/files/01_Informe_Final_SENDA_Previene.pdf
    » https://www.dipres.gob.cl/evaluaciones/2023/files/01_Informe_Final_SENDA_Previene.pdf
  • 19 Soremekun RO, Folorunso BO, Adeyemi OC. Prevalence and perception of drug use amongst secondary school students in two local government areas of Lagos State, Nigeria. S Afr J Psychiatr. 2020;26:1428. https://doi.org/10.4102/sajpsychiatry.v26i0.1428
    » https://doi.org/10.4102/sajpsychiatry.v26i0.1428
  • 20 Li SD, Xie L, Wu K, Lu J, Kang M, Shen H. The changing patterns and correlates of adolescent substance use in China’s Special Administrative Region of Macau. Int J Environ Res Public Health. 2022;19(13):7988. https://doi.org/10.3390/ijerph19137988
    » https://doi.org/10.3390/ijerph19137988
  • 21 Freitas LMS, Souza DPO. Prevalence of drug use and family relationships among school adolescents in Cuiabá, Mato Grosso: a cross-sectional study, 2015. Epidemiol Serv Saude. 2020;29(1):e2019037. https://doi.org/10.5123/S1679-49742020000100020
    » https://doi.org/10.5123/S1679-49742020000100020
  • 22 Palamar JJ, Rutherford C, Cleland CM, Keyes KM. Concerts, bars, parties, and raves: differential risk for drug use among high school seniors according to venue attendance. Subst Abus. 2022;43(1):785-91. https://doi.org/10.1080/08897077.2021.2010253
    » https://doi.org/10.1080/08897077.2021.2010253
  • 23 Palamar JJ, Mukherjee PP, Halkitis PN. A longitudinal investigation of powder cocaine use among club-drug using gay and bisexual men. J Stud Alcohol Drugs. 2008;69(6):806-13. https://doi.org/10.15288/jsad.2008.69.806
    » https://doi.org/10.15288/jsad.2008.69.806
  • 24 Thombs DL, O’Mara R, Dodd VJ, Merves ML, Weiler RM, Goldberger BA, et al. Event-specific analyses of poly-drug abuse and concomitant risk behavior in a college bar district in Florida. J Am Coll Health. 2009;57(6):575-86. https://doi.org/10.3200/JACH.57.6.575-586
    » https://doi.org/10.3200/JACH.57.6.575-586
  • 25 Van Havere T, Vanderplasschen W, Lammertyn J, Broekaert E, Bellis M. Drug use and nightlife: more than just dance music. Subst Abuse Treat Prev Policy. 2011;6:18. https://doi.org/10.1186/1747-597X-6-18
    » https://doi.org/10.1186/1747-597X-6-18
  • 26 Degenhardt L, Chiu WT, Sampson N, Kessler RC, Anthony JC, Angermeyer M, et al. Toward a global view of alcohol, tobacco, cannabis, and cocaine use: findings from the WHO World Mental Health Surveys. PLoS Med. 2008;5(7):e141. https://doi.org/10.1371/journal.pmed.0050141
    » https://doi.org/10.1371/journal.pmed.0050141
  • 27 World Health Organization. Neuroscience of Psychoactive Substance Use and Dependence [Internet]. Geneva: WHO; 2005 [cited 2025 Jun 25]. 278 p. Available from: Available from: https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/5e654cef-aa47-43da-ad90-3dd7962eb9de/content
    » https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/5e654cef-aa47-43da-ad90-3dd7962eb9de/content
  • 28 Caputi TL, Smith LR, Strathdee SA, Ayers JW. Substance use among lesbian, gay, bisexual, and questioning adolescents in the United States, 2015. Am J Public Health. 2018;108(8):1031-4. https://doi.org/10.2105/AJPH.2018.304446
    » https://doi.org/10.2105/AJPH.2018.304446
  • 29 McCabe SE, Bostwick WB, Hughes TL, West BT, Boyd CJ. The relationship between discrimination and substance use disorders among lesbian, gay, and bisexual adults in the United States. Am J Public Health. 2010;100(10):1946-52. https://doi.org/10.2105/AJPH.2009.163147
    » https://doi.org/10.2105/AJPH.2009.163147
  • 30 Substance Abuse and Mental Health Services Administration (US). Key substance use and mental health indicators in the United States: results from the 2019 National Survey on Drug Use and Health [Internet]. Rockville, MD: Substance Abuse and Mental Health Services Administration ; 2020 [cited 2026 Aug 26]. Available from: Available from: https://archive.org/details/nsduh-2019
    » https://archive.org/details/nsduh-2019
  • 31 Becker KL. O efeito da interação social entre os jovens nas decisões de consumo de álcool, cigarros e outras drogas ilícitas. Estud Econ. 2017;47(1):65-92. https://doi.org/10.1590/0101-416147136klb
    » https://doi.org/10.1590/0101-416147136klb
  • 32 Williams DR, Mohammed SA. Discrimination and racial disparities in health: evidence and needed research. J Behav Med. 2009;32(1):20-47. https://doi.org/10.1007/s10865-008-9185-0
    » https://doi.org/10.1007/s10865-008-9185-0
  • 33 Paveltchuk FO, Borsa JC. Minority stress theory in lesbian, gay, and bisexual people. Rev SPAGESP [Internet]. 2020 [cited 2026 Jan 06];21(2):41-54. Available from: Available from: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-29702020000200004
    » https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-29702020000200004
  • 34 Silva SZ, Pillon SC, Zerbetto SR, Santos MA, Barroso TMD, Alves JS, et al. Adolescents in a wide-circulation territory of psychoactive substances: use and losses. Rev Eletr Enferm. 2021;23:e60854. https://doi.org/10.5216/ree.v23.60854
    » https://doi.org/10.5216/ree.v23.60854
  • 35 Alhyas L, Al Ozaibi N, Elarabi H, El-Kashef A, Wanigaratne S, Almarzouqi A, et al. Adolescents’ perception of substance use and factors influencing its use: a qualitative study in Abu Dhabi. JRSM Open. 2015;6(2). https://doi.org/10.1177/2054270414567167
    » https://doi.org/10.1177/2054270414567167
  • 36 Zhang S, Lim Y, Boyas JF, Burlaka V. Family structure and youth illicit drug use, use disorder, and treatment services utilization. Child Youth Serv Rev. 2020;111:104880. https://doi.org/10.1016/j.childyouth.2020.104880
    » https://doi.org/10.1016/j.childyouth.2020.104880
  • 37 Álvarez-López AM, Carmona-Valencia NJ, Pérez-Rendón AL, Jaramillo-Roa A. Psychosocial factors associated with the use of psychoactive substances in adolescents from Pereira, Colombia. Univ Salud. 2020;22(3):213-22. https://doi.org/10.22267/rus.202203.193
    » https://doi.org/10.22267/rus.202203.193
  • 38 Soares FRR, Oliveira DC, Torres JDM, Pessoa VM, Guimarães JMX, Monteiro ARM. Reasons of drug use among adolescents: implications for clinical nursing care. Rev Esc Enferm USP. 2020;54:e03566. https://doi.org/10.1590/S1980-220X2018058003566
    » https://doi.org/10.1590/S1980-220X2018058003566
  • 39 Gurgel MGI, Alves MD, Moura ERF, Pinheiro PNC, Rêgo RM. Skills development: strategy for health promotion and prevention of pregnancy in adolescence. Rev Gaucha Enferm. 2010;31(4):640-6. https://doi.org/10.1590/S1983-14472010000400005
    » https://doi.org/10.1590/S1983-14472010000400005

*

Apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e Ensino Superior do Espírito Santo (FAPES), processo nº DI 016/2022, Brasil.

Como citar este artigo:

Leite FMC, Oliveira TM, Buleriano LP, Alves MF, Luis MA, Lopes CA, et al. Use of stimulant drugs among high school adolescents in a Metropolitan Region: a school-based study. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2026;34:e4964 [cited ano mês dia ]. Available rom: URL .https://doi.org/10.1590/1518-8345.8157.4964

Autora correspondente:

Franciéle Marabotti Costa Leite E-mail: francielemarabotti@gmail.com https://orcid.org/0000-0002-6171-6972

Conflito de interesse:

os autores declararam que não há conflito de interesse.

Editor Associado:

Omar Pereira de Almeida Neto

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    02 Nov 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    15 Jul 2025
  • Aceito
    08 Fev 2026
location_on
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / Universidade de São Paulo Av. Bandeirantes, 3900, 14040-902 Ribeirão Preto SP Brazil, Tel.: +55 (16) 3315-3387 / 3315-4407 - Ribeirão Preto - SP - Brazil
E-mail: rlae@eerp.usp.br
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo