Open-access Indicadores emocionais de estudantes universitários: um estudo-piloto quasi-experimental com Hatha-Yoga*

Objetivo: analisar os efeitos de um programa de Hatha-Yoga nos indicadores emocionais de estudantes de graduação.

Método: estudo-piloto quasi-experimental, desenvolvido com 36 estudantes, sendo a amostra final composta por 14 no grupo intervenção e 18 no grupo controle, totalizando 32. Os indicadores emocionais dos participantes foram avaliados pré e pós-intervenção de Hatha-Yoga, por meio da Mindful Attention Awareness Scale; Santa Clara Brief Compassion Scale; Self-Compassion Scale; Mini International Neuropsychiatric Interview; Depression, Anxiety, and Stress Scale; Barratt Impulsiveness Scale e Epworth Sleepiness Scale. Realizado análises descritivas, inferenciais com testes t (pareados e para grupos independentes) para avaliação do efeito da intervenção.

Resultados: nas análises intragrupos, verificou-se, no grupo intervenção, aumento nos indicadores emocionais de compaixão, autocompaixão e diminuição de ansiedade e sonolência diurna após oito semanas de prática de Hatha-Yoga. No grupo controle, houve decréscimo significativo da atenção plena disposicional. Na análise entre grupos pós-teste encontrou-se diferenças de tamanhos de efeito moderados para autocompaixão e atenção plena disposicional.

Conclusão: a prática de Hatha-Yoga impactou positivamente nos indicadores emocionais dos estudantes, contribuindo para a promoção de saúde e o cuidado de si ampliado (RBR-10jgv7ky).

Descritores:
Yoga; Emoções; Estudantes; Universidades; Saúde Mental; Estudos Quasi-Experimentais


Destaques:

(1) Impacto positivo nos indicadores emocionais dos participantes. (2) Diminuição dos efeitos dos indicadores negativos dos participantes. (3) Contribuição para a promoção de saúde e o cuidado de si ampliado. (4) Redução da atenção plena disposicional na ausência da prática yóguica.

Objective: to analyze the effects of a Hatha-Yoga program on the emotional indicators of undergraduate students.

Method: this is a quasi-experimental pilot study carried out with 36 students, with the final sample consisting of 14 in the intervention group and 18 in the control group, totaling 32. The participants’ emotional indicators were assessed before and after the Hatha-Yoga intervention, using the Mindful Attention Awareness Scale; Santa Clara Brief Compassion Scale; Self-Compassion Scale; Mini International Neuropsychiatric Interview; Depression, Anxiety, and Stress Scale; Barratt Impulsiveness Scale and Epworth Sleepiness Scale. Descriptive and inferential analyses were carried out using t-tests (paired and for independent groups) to assess the effect of the intervention.

Results: in the intra-group analysis, the intervention group showed an increase in the emotional indicators of compassion, self-compassion and a decrease in anxiety and daytime sleepiness after eight weeks of practicing Hatha-Yoga. In the control group, there was a significant decrease in dispositional mindfulness. In the post-test between-groups analysis, moderate effect size differences were found for self-compassion and dispositional mindfulness.

Conclusion: the practice of Hatha-Yoga had a positive impact on the students’ emotional indicators, contributing to health promotion and expanded self-care (RBR-10jgv7ky).

Descriptors:
Yoga; Emotions; Students; Universities; Mental Health; Quasi-Experimental Studies


Highlights:

(1) Positive impact on participants’ emotional indicators. (2) Decrease in the effects of the participants’ negative indicators. (3) Contribution to health promotion and expanded self-care. (4) Reduction in dispositional mindfulness in the absence of yogic practice.

Objetivo: analizar los efectos de un programa de Hatha-Yoga en los indicadores emocionales de estudiantes de grado.

Método: estudio piloto cuasiexperimental, desarrollado con 36 estudiantes, con una muestra final compuesta por 14 en el grupo de intervención y 18 en el grupo de control, totalizando 32. Los indicadores emocionales de los participantes fueron evaluados antes y después de la intervención de Hatha-Yoga mediante la Mindful Attention Awareness Scale, Santa Clara Brief Compassion Scale, Self-Compassion Scale, Mini International Neuropsychiatric Interview, Depression, Anxiety, and Stress Scale, Barratt Impulsiveness Scale y Epworth Sleepiness Scale. Se realizaron análisis descriptivos e inferenciales con pruebas t (pareadas y para grupos independientes) para evaluar el efecto de la intervención.

Resultados: en los análisis intragrupos, se observó en el grupo de intervención un aumento en los indicadores emocionales de compasión y autocompasión, así como una disminución de la ansiedad y la somnolencia diurna tras ocho semanas de práctica de Hatha-Yoga. En el grupo de control, se registró un descenso significativo de la atención plena disposicional. En el análisis entre grupos en la fase postest se encontraron diferencias con tamaños de efecto moderados para autocompasión y atención plena disposicional.

Conclusión: la práctica de Hatha-Yoga impactó positivamente en los indicadores emocionales de los estudiantes, contribuyendo a la promoción de la salud y al cuidado de sí ampliado (RBR-10jgv7ky).

Descritores:
Yoga; Emociones; Estudiantes; Universidades; Salud Mental; Estudios Cuasi Experimentales


Destacados:

(1) Impacto positivo en los indicadores emocionales de los participantes. (2) Disminución de los efectos de los indicadores negativos de los participantes. (3) Contribución a la promoción de la salud y al cuidado de sí ampliado. (4) Reducción de la atención plena disposicional en ausencia de la práctica yóguica.

Introdução

As emoções são reações internas, involuntárias e observáveis, que envolvem manifestações físicas, como alterações cardiorrespiratórias, secreções hormonais, expressões faciais e mudanças posturais, desencadeadas por eventos sensório-motores ou rememorados, cujo papel primordial é manter a vida, identificar ameaças ou indicar êxitos individuais ou sociais(1). Embora inatas, as emoções podem ser moldadas conforme o contexto social e aspectos culturais. Estados emocionais como alegria, tristeza, medo, raiva, surpresa ou repugnância são considerados emoções universais(2-3).

Com a progressiva complexificação das experiências emocionais para sentimentos e a compreensão destes como eventos mentais conscientes que representam simultaneamente experiências do corpo(4-5), e as diferentes condições que influenciam nos seus desencadeamentos e percepções regulatórias, o contexto universitário desponta como um importante propulsor das emoções e dos sentimentos, enquanto propicia a ampliação de habilidades sociais, de aquisição de competências profissionais e pessoais, mediante novos ritmos de estudo, de regras e normas coletivas(6-7). Esse misto de emoções e sentimentos pode potencializar o desenvolvimento de habilidades pessoais e pró-sociais, mas também pode gerar sofrimento e sinalizar respostas desadaptativas com um progressivo agravamento emocional desproporcional a determinadas situações(8-11).

Diante dessa perspectiva, estudos apontam que a capacidade de atenção plena, bem como habilidades de reconhecer e expressar compaixão por si e pelos outros, estão direta e indiretamente associadas à regulação emocional e à melhor resposta a sofrimentos mentais(2-12-15). Além disso, a regulação emocional pode ser um mecanismo de mudança na relação entre capacidades atencionais, compassivas e saúde mental(16-18).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima um aumento de mais de 25% nos sintomas comuns de depressão e ansiedade na população mundial desde 2020, indicando uma crise de saúde mental global, que ressalta a importância de intervenções adequadas diante de situações intensamente estressantes e que exigem rápidas respostas adaptativas(19).

Estudantes universitários vivenciam altos níveis de sofrimento mental, exacerbados pela desafiadora transição do ensino médio para o ensino superior, pressões acadêmicas, adaptação social e cultural(20-22). Entre esses, os estudantes da área da saúde sofrem um impacto emocional ainda maior(23) em decorrência da sobrecarga de demandas pessoais, acadêmicas e da atuação no cuidado com o outro, que exigem alto desempenho, promovendo autocobrança e competitividade(23-25). Consequentemente, a prevalência combinada de sintomas de depressão e ansiedade entre estudantes universitários atinge 33,6%(26), o que demonstra uma situação alarmante, refletindo a urgência de um olhar cuidadoso sobre a saúde mental nesta população. Além disso, cerca de 14% dos universitários apresentam desfechos relacionados ao comportamento suicida(27) e sofrem com problemas na qualidade do sono, insônia e estresse, fenômenos que, interligados, afetam seu desempenho acadêmico e sua saúde mental(28).

Na busca pela compreensão das emoções e sentimentos vivenciados pelos jovens universitários, referidos como indicadores emocionais (IE), destacam-se variáveis que permitem avaliar as reações subjetivas e objetivas associadas aos aspectos emocionais basais, primários ou universais (afecções acionadas pelas vias somatossensoriais vinculadas aos nervos aferentes), bem como sentimentos emocionais, como atenção plena, compaixão e autocompaixão (afetos estabelecidos pelas vias perceptivas conectadas aos nervos eferentes(2-29-30).

Os IE evidenciam condições que podem repercutir em problemas sérios de saúde mental, como depressão, ansiedade, estresse crônico e alterações do sono, frequentemente presentes em estudantes da área da saúde(10-31). No entanto, também podem atuar salutarmente favorecendo o autocuidado, autoconhecimento e pró-sociabilidade(32-34).

Esses IE podem ser regulados por meio da implementação de estratégias, como as intervenções farmacológicas e as não farmacológicas(35). As intervenções não farmacológicas, como exercícios físicos e práticas corpo-mente, têm demonstrado eficácia na melhoria da saúde mental dos estudantes universitários, fortalecendo IE pró-sociais e de autocuidado como a atenção plena, compaixão e a autocompaixão(36-40), bem como proporcionando melhores respostas adaptativas corpo-mente aos sintomas de depressão, ansiedade e estresse, impulsividade e sonolência diurna(41-43).

O Hatha-Yoga é uma das formas de yoga antiga que reintegra corpo, mente e a intuição espiritual. Seus principais objetivos são fortalecimento corporal, estabilização mental, para oportunizar experiências de uma profunda transformação sensitiva e intuitiva(21-23). Na vida contemporânea, o Hatha-Yoga se destaca como uma ferramenta potencial para abordar o bem-estar emocional e psicológico dos estudantes, com capacidade para promover um cuidado restaurativo que integra corpo e mente(44-46) e, muitas vezes, fortalecido por práticas que enfocam resiliência, atenção plena, compaixão e autocompaixão(47-49).

Programas de Hatha-Yoga que incentivam experimentações compassivas podem contribuir para a modulação dos IE(31-50-53) e podem ser praticados de forma individual e/ou coletiva, em ambientes internos ou externos, proporcionando uma experiência de reparação emocional, por meio de uma desprogramação e reprogramação autonômica do corpo indissociável da mente, além da revitalização global da vida. Essa revitalização ocorre a partir da criação de novas realidades ritualísticas, com o descanso e o reestabelecimento corporal, sensorial, gestual, mental e espiritual(54-59).

Nesse sentido, pesquisas apontam benefícios psicossomáticos de práticas yóguicas para estudantes universitários(38-60). Contudo, são escassos os estudos de intervenção de moderado a alto nível de evidência que avaliam diversos IE simultaneamente nessa população(41).

Diante do exposto, como um estudo-piloto, objetiva-se analisar os efeitos de um programa de Hatha-Yoga nos indicadores emocionais de estudantes de graduação, visando fornecer informações para o planejamento de pesquisas confirmatórias futuras, com maior controle e tamanho amostral. Parte-se da hipótese de que a exposição a um programa de Hatha-Yoga poderia regular indicadores emocionais como atenção plena disposicional, compaixão e autocompaixão, além de reduzir sintomas depressivos, ansiosos, de estresse, impulsividade, sonolência diurna e o risco de suicídio entre estudantes participantes da intervenção.

Método

Delineamento do estudo

Trata-se de um estudo-piloto quasi-experimental, do tipo antes e depois, com alocação de grupo controle e mascaramento simples (estatístico), baseado nas recomendações do Consolidated Standards of Reporting Trials (CONSORT)(61) para estudos-piloto.

Cenário

Este estudo-piloto foi conduzido em um espaço coberto, amplo e arejado de uma Universidade pública federal de uma capital da região Centro-Oeste brasileira. O referido espaço, no período, ficava centralizado na universidade, facilitando o acesso rápido dos participantes e contava com os acessórios necessários para a execução do Programa de Hatha-Yoga.

Período

Os dados foram coletados entre maio e outubro de 2022.

População e critérios de seleção

Na fase de recrutamento do estudo, a população compreendeu estudantes universitários de cursos de graduação em Enfermagem, Medicina, Nutrição e Psicologia, sendo elegíveis todos os 806 alunos regularmente matriculados no período de coleta de dados. Foram excluídos os participantes com idade inferior a 18 anos completos, que cursavam estágio, internato ou que estavam no último ano ou semestre do curso matriculado, por não frequentarem o campus durante a realização da pesquisa. Ainda, os que responderam incompletamente aos formulários da pesquisa e, após isso, os que informaram não ter interesse em participar da intervenção ofertada.

Na primeira fase (recrutamento), que ocorreu de maio a junho de 2022, 617 estudantes preencheram os instrumentos de pesquisa e se tornaram potenciais sujeitos para a intervenção. Do total, excluíram-se seis participantes por questionários incompletos, totalizando 611 questionários válidos. Após isso, foram excluídos 311 participantes que não indicaram interesse em participar da intervenção, totalizando, portanto, 300 participantes elegíveis para ingressar no Programa de Hatha-Yoga.

Ainda, a realização de acompanhamento psicológico e/ou prática do tipo yoga ou meditação ou uso de medicação psicotrópica foram considerados critérios de exclusão, no entanto, tais aspectos não ocorreram com nenhum dos participantes.

Variáveis do estudo

Este estudo quasi-experimental adotou como desfechos primários indicadores emocionais avaliados pré e pós aplicação do protocolo de intervenção com Hatha-Yoga, sendo eles: atenção plena disposicional, compaixão, autocompaixão, sintomas depressivos, sintomas ansiosos, estresse, risco de suicídio atual, impulsividade e sonolência diurna. Como desfechos secundários, utilizados para comparação da homogeneidade dos grupos intervenção e controle, utilizaram-se variáveis sociodemográficas (sexo, idade, cor da pele autodeclarada, orientação sexual, prática religiosa, status conjugal, status laboral e se mora sozinho ou não) e acadêmica (curso matriculado).

Instrumentos de estudo

Para caracterização amostral utilizou-se questionário sociodemográfico (sexo, idade, cor da pele autodeclarada, orientação sexual, prática religiosa, situação conjugal, status conjugal, status laboral, status de moradia) e acadêmico (curso) elaborado para o contexto do estudo.

Para avaliação de indicadores emocionais utilizou-se 7 instrumentos: 1. Mindful Attention Awareness Scale (MAAS), escala unidimensional, que avalia os níveis de atenção plena disposicional, composta por 15 itens, em escala Likert de 1 (quase sempre) a 6 (quase nunca), pontuações mais altas refletem níveis mais altos de atenção plena (α = 0,83)(32); 2. Santa Clara Brief Compassion Scale (SCBCS), que objetiva avaliar comportamentos de compaixão a terceiros, contendo cinco questões, em escala Likert que variam de 1 (nada verdadeiro) a 7 (muito verdadeiro), escores mais altos indicam maior comportamento de compaixão (α = 0,84)(33); 3. Self-Compassion Scale (SCS), para avaliação da autocompaixão e relacionamento consigo mesmo, em momentos de dificuldade. Contém 26 questões, distribuídas em seis subescalas, com respostas em Likert, de 1 (quase nunca) a 5 (quase sempre), onde maiores pontuações indicam maior compaixão (α=0,92)(34); 4. Módulo C da Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI) para avaliação do risco de suicídio no último mês, constituído por cinco perguntas dicotômicas (sim/não) que avaliam comportamentos suicidas nos últimos 30 dias (quatro perguntas) e ao longo da vida (uma pergunta). O escore para estratificação do risco pode variar de 0 a 33 pontos(62); 5. Depression, Anxiety, and Stress Scale (DASS-21), o qual apresenta 21 questões e avalia a desordem emocional por meio de três subescalas: depressão (α= 0,92), ansiedade (α= 0,86) e estresse (α=0,90), com resposta em escala de Likert, variando de 0 (não se aplicou) a 3 (aplicou-se muito). A classificação dos sintomas compreende níveis entre normal, suave, moderado, severo e extremamente severo(63); 6. Barratt Impulsiveness Scale (BIS-11) para avaliação de três aspectos do comportamento impulsivo. Constituída por 30 itens, em escala de Likert, entre 1 (nunca) a 4 (muito frequentemente), na qual maiores escores denotam maior impulsividade (α= 0,62)(64-65); 7. Epworth Sleepiness Scale, que avalia o risco de adormecer durante as atividades cotidianas. Apresenta itens graduados de zero (nenhuma probabilidade de pegar no sono), 3 (forte probabilidade de pegar no sono), e escores acima de 10 sugerem diagnóstico de sonolência diurna excessiva (α=083)(66).

Todas essas escalas são autorrelatadas e sofreram adaptações para aplicação em adultos no contexto brasileiro, tendo apresentado adequadas propriedades psicométricas em seus estudos de validação(32-34-62-64-66).

Recrutamento, amostra e alocação para a intervenção

O cálculo de poder amostral para teste de comparação de médias de grupos independentes (GI x GC), operacionalizado por meio do software G Power, versão 3.1.9.7, considerando tamanho de efeito médio (0,5), nível de significância de 95% e poder amostral de 80%, estimou amostra de 128 sujeitos a serem alocados nos dois grupos de testagem. Entretanto, apesar dos esforços da equipe do estudo, o quantitativo não foi atingido.

Destaca-se que, ao não se atingir o tamanho amostra mínimo previsto, mensagens de WhatsApp® e via e-mail foram encaminhadas reforçando os objetivos do estudo e explicando como o programa de Hatha-Yoga seria realizado, como parte do plano de recrutamento de sujeitos de estudo. Entretanto, apesar do esforço, não houve aumento no número de estudantes interessados. Assim, para mitigar erros de hipóteses, optou-se por apresentar medidas de tamanho de efeitos, ao invés de apresentar apenas valores de p.

Na segunda fase do estudo, de junho a outubro de 2022, ocorreu a formação dos grupos e a aplicação do Programa de oito semanas de Hatha-Yoga. Assim, dos 300 alunos elegíveis para essa etapa, foi originada uma lista aleatória e numerada.

Devido ao risco de desistências, para essa fase optou-se pela realização de um convite, via e-mail, enviado pelos coletores, a cada um dos 300 alunos que atenderam aos critérios de elegibilidade, a fim de averiguar a disponibilidade em participar da intervenção, de acordo com os horários que a Hatha-Yoga seria ofertada, sendo estabelecido no máximo três tentativas de contato. A lista seguiu a lógica de, caso não aceite, o próximo era convidado. Houve a recusa de 264 estudantes em participar da etapa da intervenção, pela incompatibilidade de horário, e a partir do baixo quantitativo de aceites, não houve randomização aleatória. Nessa fase, denominada de Tempo Zero, 36 discentes aceitaram participar da intervenção, e os grupos foram preenchidos por alocação simples, de 1:1, organizado por um membro da pesquisa (coletador), a partir da sequência de aceitação, constituindo dois grupos, Grupo Intervenção (GI) (n=18) e Grupo Controle (GC) (n=18), ou seja, o primeiro aceite foi alocado no GI, o segundo no GC e assim sucessivamente, até a finalização da lista de participantes.

Optou-se, neste estudo, por um GC inativo (que recebeu a intervenção após o término do estudo), pois condições inativas possibilitam a detecção dos resultados da intervenção real, ademais, pela dificuldade de se identificar uma intervenção placebo adequada que potencialmente não exercesse efeito nos indicadores emocionais avaliados(67).

Ainda, durante as primeiras quatro semanas do Programa, também denominado de Tempo Um, houve quatro desistências do GI, resultando, ao final do estudo, na seguinte alocação: GI (n = 14) e GC (n = 18) (Figura 1).

Figura 1 -
Fluxograma de recrutamento e alocação dos participantes baseado nas orientações do CONSORT (2010). Cuiabá, MT, Brasil, 2022

Intervenção

A intervenção deste estudo consistiu em um programa de oito semanas de Hatha-Yoga. As sessões foram ministradas pela primeira autora, que é instrutora certificada em Hatha-Yoga com aperfeiçoamentos na abordagem de Yoga experiencial e que não participou das etapas de recrutamento e avaliação dos participantes. O programa executado foi previsto para praticantes leigos e iniciantes em yoga, consistindo em 16 sessões de 60 minutos de aula prática e 15 minutos de aula teórica, totalizando 80 minutos, duas vezes por semana, no período de junho a outubro de 2022, em um espaço no campus da instituição participante.

O Programa de Hatha-Yoga foi sistematizado por meio de um protocolo, conforme diretrizes prévias(68), combinando técnicas inspiradas no Hatha-Yoga antigo, pré-moderno e contemporâneo, como os sons sagrados (mantras), espreguiçamento, alongamento, relaxamento, posturas físicas (asanas), práticas de limpeza (kriyas), dobras (mudras), contrações direcionadas (bandhas), práticas respiratórias (pranayama), intenção compassiva (sankalpa), meditação e relaxamento, com duração total de 60 minutos(45-69-70).

Durante o desenvolvimento do programa, os estudantes foram incentivados a estarem presentes nas sessões para a continuidade na pesquisa. O GI foi subdividido em quatro horários ao longo da semana, com o intuito de reter os participantes, além da possibilidade de reposição, em caso de ausência, sempre que necessário. Os participantes do GC não receberam a intervenção, contudo, após o término da pesquisa, por razões éticas, foram convidados para um novo ciclo do programa de oito semanas de Hatha-Yoga.

Coleta de dados

Os dados foram coletados de maneira majoritariamente presencial e em dois momentos distintos: fase pré-intervenção, realizada entre maio e junho de 2022, e fase pós-intervenção, realizada em outubro de 2022. Na primeira fase, dez coletores previamente treinados compareceram às salas de aula e, após autorização do professor presente, apresentaram detalhes do estudo aos estudantes e os convidaram a participar da pesquisa/intervenção. Aos estudantes que aceitaram responder aos questionários, foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e foi orientado a assiná-lo, após leitura atenta, indicando ciência e interesse em participar da investigação. O preenchimento dos questionários, nessa fase, durou cerca de 45 minutos.

Na fase pós-intervenção, após as oito semanas de práticas de Hatha-Yoga com o GI, os mesmos instrumentos foram novamente aplicados aos concluintes do GI ao término da prática final, sob supervisão dos coletores previamente treinados, que os acondicionaram em envelopes lacrados sem identificação de grupos. Concomitantemente, os participantes do GC foram contactados via e-mail, pela equipe coletora, e receberam um link do Google Drive com a versão dos formulários. Apenas essa etapa foi realizada de maneira remota.

Os dados brutos passaram por dupla digitação e comparação por meio do website Diffchecker®, sendo armazenados nos softwares Word®, Excel® e Google Drive.

Análise dos dados

Os dados foram tratados de maneira descritiva e inferencial. Nas análises descritivas, variáveis categóricas foram apresentadas por meio de suas frequências absoluta e relativa, enquanto variáveis contínuas foram apresentadas por meio de seus escores médios e respectivos desvios-padrão. Nas análises inferenciais, comparações entre proporções foram realizadas por meio do teste de Qui-Quadrado ou Exato de Fisher com extensão de Freeman-Halton, quando necessário. Para comparações de médias, foram utilizados testes t para amostras pareadas nas análises intragrupos e testes t para amostras independentes nas análises entre grupos. Os tamanhos de efeito foram calculados por meio do teste g de Hedges. Os intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram obtidos por meio de procedimentos de bootstrapping (1000 reamostragens), que fornecem IC95% corrigido e acelerado por viés (bias-corrected and accelerated - BCa IC95%). A técnica foi utilizada a fim de corrigir os desvios da normalidade da distribuição amostral e minimizar as diferenças entre os tamanhos dos grupos(71). As análises foram realizadas por meio do softwareStatistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 27.

Aspectos éticos

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos sob o parecer nº 49695621.9.0000.8124 e respeitou as diretrizes referentes a pesquisas em humanos da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde e os princípios da Declaração de Helsinki. O estudo foi inserido em dezembro de 2021 no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC) sob o código de registro RBR-10jgv7ky.

Resultados

Iniciaram a intervenção proposta neste estudo 36 participantes, que estavam alocados igualmente entre GI (n = 18) e GC (n = 18) e que se demonstraram homogêneos (p > 0,05) em relação às características sociodemográficas, acadêmicas e à maioria dos indicadores emocionais avaliados neste estudo (Tabela 1), com exceção dos níveis de autocompaixão, os quais mostraram-se mais elevados nos estudantes do GC (p = 0,005).

O efeito da intervenção nos IE dos participantes do GI (comparação de escores médios pré e pós-intervenção) foi apresentado na Tabela 2.

Tabela 1 -
Caracterização sociodemográfica, acadêmica e indicadores emocionais de estudantes de graduação da área de saúde segundo grupos de alocação no período pré-intervenção. Cuiabá, MT, Brasil, 2022
Tabela 2 -
Comparação de escores médios de indicadores emocionais de estudantes alocados no grupo intervenção nos momentos pré e pós-intervenção (n = 14). Cuiabá, Mato Grosso, Brasil, 2022

Evidencia-se aumento nos níveis de compaixão (p<0,050) e de autocompaixão (p<0,014), bem como a redução dos sintomas ansiosos (p<0,032) e da sonolência diurna (p< 0,045) após a conclusão do programa de oito semanas de Hatha-Yoga.

No mesmo período, os participantes alocados no grupo que não recebeu a intervenção (GC) apresentaram decréscimo do indicador emocional de atenção plena disposicional (p<0,013), sem evidências de melhoras ou pioras nos demais IE avaliados (Tabela 3).

Tabela 3 -
Comparação de escores médios de indicadores emocionais de estudantes alocados no grupo controle nos momentos pré e pós-teste (n = 18). Cuiabá, MT, Brasil, 2022

Por fim, a Tabela 4 compara os escores médios de IE de estudantes alocados no GI e GC pós-teste e nela não se observaram diferenças estatisticamente significativas nestes parâmetros, entretanto, destacam-se as diferenças entre escores médios dos níveis autocompaixão e atenção plena disposicional que apresentaram os maiores tamanhos de efeitos, respectivamente g = 0,66 e g = 0,60, condizentes com tamanhos de efeitos moderados.

Tabela 4 -
Comparação de escores médios de indicadores emocionais de estudantes alocados no grupo intervenção (n = 14) e no grupo controle (n = 18) no momento pós-teste. Cuiabá, MT, Brasil, 2022

Discussão

Este estudo-piloto analisou se indicadores emocionais de estudantes universitários poderiam ser alterados após a realização de um programa de oito semanas de Hatha-Yoga. Apesar da ausência de diferenças estatisticamente significativas entre o GI e o GC no período pós-teste, evidenciou-se, entre os estudantes que participaram da intervenção, melhoras em alguns IE. Achados congruentes com pesquisas prévias apontavam a prática yóguica como potencialmente benéfica para a regulação emocional(14), o equilíbrio de reatividades emocionais e sentimentos/afetos depreciativos(53-63-72-73), pois práticas corpo-mente que cultivam a compaixão ou bondade amorosa contribuem para a manutenção, expansão e a melhoria das emoções positivas e o fortalecimento de comportamentos interpessoais/pró-sociais favoráveis(53-64-74-75).

Neste estudo, a prática de Hatha-Yoga seguiu um protocolo de intervenção que integrou técnicas psicofísicas yóguicas e um momento de acolhimento dos indivíduos para trocas teórico-educativas sobre a ética social do yoga (yamas) e as observâncias de si (niyamas), bem como o compartilhamento de experiências sobre o cuidado de si ampliado, portanto, coletivo e afetivo(23-24-76-77). A prática foi aplicada duas vezes por semana, durante oito semanas, contribuindo para o aumento das capacidades de compaixão e autocompaixão dos estudantes da amostra, ao mesmo tempo em que diminuiu a severidade de sintomas ansiosos e sonolência diurna neste grupo.

A compaixão, de modo geral, pode estimular a calma, contato afetivo e afiliação(49-78-79) e, a longo prazo, pode vincular propósitos de vida, sentimentos de proximidade, afetos positivos e comportamentos de conexão coletiva(75). Assim, a compaixão pode ser modulada, por meio de intervenções que a estimulam e produzem benefícios intrapessoais físicos e mentais, interpessoais, além de cooperação e tolerância para com o sofrimento alheio(80-82), aspectos fundamentais para profissionais em formação na área da saúde(38). Por conseguinte, as práticas que proporcionam o cultivo da compaixão podem ser um meio e um aliado para atenuar o sofrimento, promover um florescimento individual e social(48-83-86).

A autocompaixão é a capacidade de conscientemente ter compaixão por si, e de amabilidade em simbiose com a humanidade compartilhada e a atenção plena(87-88). A autocompaixão não só desperta a habilidade de enfrentamento intrapessoal, como também pode sensibilizar para a maior aceitação e busca por apoio social nos momentos de desafios e de sofrimento emocional(81-89).

O aumento nos níveis de autocompaixão encontrado no GI deste estudo é concernente aos resultados encontrados na literatura sobre práticas corpo-mente que demonstram a sua contribuição positiva para a modulação da autocompaixão(87-90). Além disso, resultados semelhantes foram observados em um estudo experimental randomizado com 100 estudantes de enfermagem indianos, utilizando o mesmo tipo e período de intervenção. Nele, verificou-se que o yoga foi eficaz na melhora da autocompaixão e da atenção plena na comparação entre grupos (intervenção e controle)(60). Outra investigação quasi-experimental com estudantes de graduação em enfermagem norte-americanos (n=73), objetivando promover a autocompaixão, ofertou aulas semanais de yoga (uma hora) durante 12 semanas e constatou que o GI apresentou maior cultivo da amabilidade/autobondade, uma das facetas primordiais da autocompaixão, do que o GC(40). Neste estudo não se encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os níveis de autocompaixão entre GI e GC no pós-teste, entretanto, o tamanho de efeito da diferença das médias foi moderado, o que, coerentemente com os achados acima, pode indicar um efeito importante da prática de Hatha-Yoga no IE, que não foi evidenciado devido ao pequeno poder amostral deste estudo.

O aumento dos níveis de compaixão e autocompaixão fortalece o processo formativo dos estudantes universitários para além da aquisição de competências clínicas e gerenciais, à medida que potencializa a corresponsabilidade e a autonomia para o cuidado de si e, principalmente, motiva a formação de redes de apoio, como amigos, colegas, professores, familiares, grupos de apoio, entre outras(13-91-92). A autocompaixão possibilita um cuidar-se ampliado, uma vez que agencia redes sociomateriais diversas, fortalecendo vínculos fundamentais para profissionais diretamente envolvidos no cuidado humano. Cuidar do outro implica cuidar de si, e as redes de apoio são elementos fundamentais nesse processo(76-77-92).

Indicadores Emocionais que diminuíram no GI após a prática de Hatha- Yoga, os sintomas ansiosos são fenômenos de ordem mental e subjetiva ou provenientes de experiências corpóreas estimuladas e aprendidas distorcidamente no caótico cotidiano contemporâneo. Os sintomas acionam o sistema de alerta no cérebro, via eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA)(49-93-94), o qual ativa o mecanismo de “luta e fuga”. Esse mecanismo, que antes, em estado de homeostase, era esporadicamente acionado, com a ativação do HPA, passa a ficar em um estado de permanente ativação, sobrecarregando o indivíduo de reatividade e subjetividades depreciativas, desatenção, irritabilidade e impulsividade que, na maioria das vezes, são desproporcionais à realidade(93). Intervenções com Hatha-Yoga aplicadas em estudantes universitários reafirmam o potencial da prática em mitigar a severidade de sintomatologia ansiosa(95).

Em relação à sonolência diurna, embora esta não seja uma emoção no sentido exato, a sua presença pode resultar negativamente na qualidade de vida e se constituir em um indicativo de irregularidade cognitiva, comportamental, mental e emocional para estudantes universitários(RYFF, 2023-96-97). A sonolência diurna pode ser conceituada como a capacidade reduzida de um indivíduo em permanecer acordado e em alerta durante as horas normais do dia, resultando em cochilos e lapsos de sonolência ou sono(98-99).

Para a compreensão yóguica, os sofrimentos (duhkha-traya) do sono são incongruências psicofísicas (viksepa) provenientes de percepções erradas (bhrantidarsana) dos estímulos internos e externos (klesas) pelo indivíduo e da sua dificuldade em manter a homeostasia entre corpo e mente (manas)(100). Independente do olhar para o fenômeno, pesquisas apontam que a sonolência diurna pode prejudicar significativamente a saúde mental de universitários no processo de formação acadêmica(101-102).

Em um estudo de revisão sistemática e meta-análise, referente à qualidade de sono e insônia, foi apontado que práticas como yoga podem reduzir a sonolência diurna em adultos(103). Outra revisão sistemática sobre aplicações clínicas de estudos experimentais com práticas meditativas baseadas em mindfulness, yoga e meditação transcendental, apontou desfecho positivo na melhora da qualidade de sono em jovens e adultos(104). As intervenções corpóreo-mentais contribuem para a sincronização neuronal e, consequentemente, para a melhora das funções globais básicas de praticantes(87-49). Dessa maneira, a meditação yóguica pode desempenhar um papel de regulação não apenas no desempenho cognitivo, como também na promoção de uma restauração corpóreo-sensório-mental integral(104).

Um achado importante do estudo se refere ao indicador de atenção plena disposicional (APD), que embora tenha se mantido estável no GI na comparação pré e pós-teste, diminuiu significativamente no GC no mesmo período. Além disso, destaca-se que apesar da ausência de significância estatística na análise entre grupos, intervenção e controle, no pós-teste o tamanho de efeito encontrado foi moderado, denotando uma diferença importante entre os valores dos escores médios analisados, o que pode ser clinicamente relevante. Uma possibilidade para esse fato é que o grupo intervenção pode ter se beneficiado da prática de Hatha-Yoga e, mesmo não contribuindo para o aumento dos níveis de APD, atuou evitando sua diminuição como evidenciado no GC.

O processo atencional compreende um ciclo no qual o indivíduo constantemente alterna entre atenção, divagação, consciência da divagação e retorno ao foco(105-106). Nesse processo, a divagação pode gradualmente ser amenizada à medida que se cultivam experiências atencionais por meio de práticas meditativas(49-82-107-108).

Embora ainda sejam reduzidas as publicações científicas sobre intervenção com yoga para avaliação comparativa da APD em estudantes universitários, evidências disponíveis sugerem melhorias nos níveis de APD após a implementação de intervenções yóguicas, provavelmente devido à melhora da concentração e à redução da divagação mental proveniente de práticas diárias(90-109-110).

Importante destacar que a APD está presente no cultivo de compaixão e a autocompaixão, e os estudos têm cada vez mais apontado correlações positivas destas com a capacidade atencional disposicional(29-79-108), bem como podem contribuir para a regulação emocional de sintomas ansiosos(111) e modular a qualidade do sono(41).

Este estudo não é isento de limitações. Destaca-se o fato de ter-se empregado a alocação simples dos participantes por ordem de aceitação na fase de constituição dos grupos controle e experimental, pois tal fato pode ter atuado na dificuldade de mensurar os reais efeitos da intervenção nos indicadores emocionais avaliados. Além disso, aponta-se, ainda, a falta de seguimento (atrito) dos participantes durante a fase de aplicação do protocolo de oito semanas de Hatha-Yoga, mesmo tendo-se adotado estratégias de retenção como a flexibilização de horários para realização das práticas e o envio de lembretes semanais e mensagens de estímulo aos participantes do grupo intervenção. O atrito é um desafio ímpar em avaliações longitudinais pode comprometer significativamente a validade e integridade de uma investigação. Sugerem-se novos estudos randomizados, com maior tamanho amostral que compensem as perdas de seguimento e que acompanhem os estudantes ao longo do processo formativo e incluam outros estudantes além daqueles da área da saúde.

Outra limitação importante refere-se ao tamanho amostral recrutado, que ficou aquém do mínimo estipulado no cálculo amostral, o que pode ter contribuído para que possíveis efeitos da intervenção sobre os indicadores emocionais não tenham sido detectados. Assim, para mitigar essa limitação, os autores optaram por apresentar e discutir os resultados por meio de medidas de tamanho de efeito que demonstram quão fortes são os achados do estudo. Por fim, a adoção de um grupo controle inativo pode ser vista como uma limitação, sendo sugerido que estudos futuros possam incluir um grupo controle ativo de modo a fornecer comparações dos efeitos da prática de Hatha-Yoga com outras abordagens integrativas e complementares.

Como contribuição, o estudo avança no conhecimento científico, ao propor uma intervenção não farmacológica como forma de cuidado à saúde mental de estudantes, no contexto universitário, com resultados significativos na modulação dos IE que, quando equilibrados, repercutem em melhores desempenhos acadêmicos e em melhores respostas adaptativas às demandas do cotidiano universitário. Ademais, o Hatha-Yoga é uma prática integrativa que fortalece indivíduos no âmbito pessoal e interpessoal/pró-social, tornando-se mais segura e responsável, quando baseada em evidências científicas.

Por fim, ressalta-se que os resultados devem ser interpretados com cautela, pois, sendo um estudo-piloto, eles fornecem subsídios para o planejamento de pesquisas futuras, em vez de constituírem uma conclusão definitiva.

Conclusão

Este estudo teve como objetivo avaliar preliminarmente os IE de estudantes de graduação da área da saúde pré e pós-intervenção com um programa de oito semanas de Hatha-Yoga, resultando em aumento significativo da capacidade de compaixão, autocompaixão, bem como na redução de sintomas ansiosos e sonolência diurna no grupo intervenção, após oito semanas de aplicação de um programa de Hatha-Yoga. No grupo controle houve um decréscimo significativo dos níveis de APD. Apesar de não terem sido encontradas diferenças estatisticamente significativas nos IE do GI e GC no pós-teste, evidenciou-se que as diferenças entre as médias de autocompaixão e APD entre esses dois grupos tiveram tamanho de efeito moderado, o que pode sugerir diferenças clinicamente relevantes.

Nessa perspectiva, instituições de ensino superior devem considerar o desenvolvimento de intervenções não farmacológicas, restaurativas, como as práticas integrativas e complementares em saúde, sobretudo as do tipo corpóreo-sensório-mental como o Hatha-Yoga, que incorporam a motivação do reconhecimento e cultivo integrado da atenção plena, capacidade de compaixão e autocompaixão, para apoiar o cuidado de si ampliado dos estudantes universitários. Estudos futuros que incluam uma população amostral maior e acompanhamento a longo prazo são necessários para assegurar um efeito benéfico e suas repercussões.

Agradecimentos

Agradecemos ao diretor da PROEG e aos coordenadores dos cursos de enfermagem, medicina, nutrição e psicologia pelo apoio ao acesso ético dos estudantes da área da saúde. Agradecemos também ao coordenador da Liga Acadêmica de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (LAPIC/UFMT), pois os seus alunos contribuíram na fase de coleta de dados.

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    Artigo extraído da tese de doutorado “Indicadores emocionais de estudantes universitários: um Estudo quasi-experimental com Hatha-Yoga”, apresentada à Universidade Federal de Mato Grosso, Faculdade de Enfermagem, Cuiabá, MT, Brasil. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - Código de Financiamento 001, Brasil.
  • Como citar este artigo
    Leite VF, Kogien M, Dias TL, Maia MCW, Rézio LA, Marcon SR. Emotional indicators of university students: a quasi-experimental pilot study with Hatha-Yoga. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2025;33:e4590 [cited]. Available from: . https://doi.org/10.1590/1518-8345.7193.4590

Editado por

  • Editor Associado:
    Ricardo Alexandre Arcêncio

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    28 Jul 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    24 Nov 2023
  • Aceito
    1 Fev 2025
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