Open-access O papel da rede de apoio na vida pessoal, afetiva e profissional damãe em vulnerabilidade

RESUMO

Objetivo:  Compreender o impacto da rede de apoio na conciliação da maternidade vivenciada em condições de vulnerabilidade em sua vida pessoal, afetiva e profissional.

Método:  Estudo qualitativo, exploratório descritivo, realizado com 15 mães residentes na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, África. Os dados foram coletados em junho e julho de 2022, por meio de entrevistas semiestruturadas. Para a análise dos dados foi construída uma matriz a partir do constructo de sensibilidade materna proposto por Ainsworth e a estrutura foi inspirada na análise textual discursiva.

Resultados:  Os resultados estão organizados em três categorias: a primeira aborda a “Conciliação/conflito da relação maternidade e vida afetiva” a segunda “a interdependência entre maternidade e a vida afetiva” e o terceiro ilustra “A priorização do cuidado do filho em detrimento da individualidade da mãe”. As categorias evidenciaram a dificuldade das mães em condição de vulnerabilidade em conciliar a maternidade e a vida pessoal, afetiva e profissional, pois não há separação dos papéis por elas exercidos, resultando em sobreposição e priorização da maternidade em detrimento das outras esferas.

Considerações gerais:  A fragilidade da rede de apoio das participantes resulta em sacrifícios pessoais em prol dos filhos. Faz-se necessário uma rede de suporte coesa, com quem possam partilhar as responsabilidades maternas.

DESCRITORES
Maternidade; Vulnerabilidade Social; Emprego; Autocuidado; Comportamento Materno

ABSTRACT

Objective:  To understand the impact of the support network on reconciling motherhood experienced in conditions of vulnerability in one’s personal, emotional and professional life.

Method:  This is a qualitative, exploratory and descriptive study carried out with 15 mothers living on the island of São Vicente, in Cape Verde, Africa. Data were collected in June and July 2022, through semi-structured interviews. For data analysis, a matrix was constructed based on the construct of maternal sensitivity proposed by Ainsworth, and the structure was inspired by discursive textual analysis.

Results:  The results are organized into three categories: the first addresses “Conciliation/conflict of the relationship between motherhood and emotional life”; the second addresses “Interdependence between motherhood and emotional life”; and the third illustrates “Prioritization of child care over mothers’ individuality”. The categories highlighted the difficulty of mothers in vulnerable conditions in reconciling motherhood and their personal, emotional and professional lives, as there is no separation of the roles they exercise, resulting in overlapping and prioritization of motherhood over other spheres.

General considerations:  The fragility of participants’ support network results in personal sacrifices for the sake of their children. A cohesive support network is needed, with whom they can share maternal responsibilities.

DESCRIPTORS
Hospitals; Maternity; Social Vulnerability; Employment; Self Care; Maternal Behavior

RESUMEN

Objetivo:  Comprender el impacto de la red de apoyo en la conciliación de la maternidad vivida en condiciones de vulnerabilidad en la vida personal, emocional y profesional.

Método:  Estudio cualitativo, exploratorio, descriptivo, realizado con 15 madres residentes en la isla de São Vicente, en Cabo Verde, África. Los datos fueron recolectados en junio y julio de 2022, mediante entrevistas semiestructuradas. Para el análisis de los datos se construyó una matriz basada en el constructo de sensibilidad materna propuesto por Ainsworth, y la estructura se inspiró en el análisis textual discursivo.

Resultados:  Los resultados se organizan en tres categorías: la primera aborda la “Conciliación/conflicto de la relación entre maternidad y vida afectiva”; el segundo aborda la “Interdependencia entre la maternidad y la vida emocional”; y el tercero ilustra la “Priorización del cuidado del niño por encima de la individualidad de la madre”. Las categorías resaltaron la dificultad que tienen las madres en condición de vulnerabilidad para conciliar la maternidad con su vida personal, afectiva y profesional, ya que no existe una separación de los roles que desempeñan, generando superposiciones y priorización de la maternidad en detrimento de otras esferas.

Consideraciones generales:  La fragilidad de la red de apoyo de los participantes resulta en sacrificios personales por el bien de sus hijos. Se necesita una red de apoyo cohesionada, con la que puedan compartir las responsabilidades maternas.

DESCRIPTORES
Maternidades; Vulnerabilidad Social; Empleo; Autocuidado; Conducta Materna

INTRODUÇÃO

A maternidade é uma das experiências do ciclo vital de uma mulher que requer mudanças e adaptações que lhe permitam encontrar equilíbrio entre a rotina anterior à maternidade e a nova condição com a chegada dos filhos(1). Trata-se de uma experiência que não pode ser vivida de forma isolada, uma vez que exige a sua conciliação com as outras dimensões da vida da mulher, nomeadamente as dimensões pessoal, afetiva e profissional.

Mesmo em condições favoráveis, conciliar múltiplos papéis é uma experiência geradora de estresse e conflitos. Essa tarefa pode ser ainda mais difícil em uma condição de vulnerabilidade, particularmente quando a mãe tem baixo grau de escolaridade, escassos recursos econômicos e familiares, falta de acesso a creches e desconhece ou não recebe suporte da rede social(2). Neste estudo, assumimos como condição de vulnerabilidade a coexistência de fatores cumulativos, como a baixa renda, baixo nível de escolaridade, monoparentalidade, subemprego/desemprego, moradia precária e serem as provedoras do lar.

No contexto específico de Cabo Verde, país insular, localizado na costa noroeste da África, onde este estudo foi realizado, as mães enfrentam desafios e adversidades semelhantes. Um inquérito revelou que a responsabilidade de cuidar e educar tem perfil matrifocal e monoparental, cabendo às mulheres cerca de 97% dos cuidados com a prole e 72% dos cuidados domésticos, além de outras tarefas como sustentar a família(3). Além disso, na ausência ou no acesso limitado às creches, o fardo para as mães pode ser ainda mais avassalador, repercutindo significativamente em outras dimensões da sua vida nomeadamente o pessoal, a afetiva e o profissional(2).

Uma revisão sistemática sobre as experiências de apoio social das mulheres durante a gestação mostrou que, em contexto adverso, em que coexistem fatores como a monoparentalidade, pobreza, baixa escolaridade, desemprego, e quando as tarefas maternas se sobrepõem às demais, a mãe dedica a maior parte de seu tempo ao cuidado dos filhos, esquecendo-se de outras dimensões da vida, como a pessoal, a afetiva e a profissional(4). Em circunstâncias difíceis, nomeadamente as doenças mentais, o fraco apoio social, emocional e financeiro, etc., o acesso a uma rede de suporte na qual se sinta apoiada no desempenho de seu papel de mãe, sem sacrificar outros aspetos da sua vida, é crucial para equilibrar as responsabilidades pessoais, afetivas e profissionais com os deveres como prestadora de cuidados maternos.

Estudos demonstram que o reconhecimento dos desafios enfrentados pelas mães em situações de vulnerabilidade pode ajudar a mobilizar a rede de suporte, permitindo partilhar responsabilidades e aliviar as dificuldades diárias, bem como o exercício dos outros papéis sem que se sentam culpada(5,6). Deste modo, é possível minimizar a sobrecarga que é vivenciada pelas mães no equilíbrio entre a maternidade e a vida pessoal, afetiva e profissional, especialmente em condições de vulnerabilidade.

Entretanto, em situações de vulnerabilidade em que a rede de apoio é ausente ou insatisfatória, exigem que a mãe se adapte e reavalie as suas prioridades. Estudos indicam que a cobrança de cuidados, o apoio e a proteção dos filhos constituem a prioridade máxima exigida socioculturalmente à mãe, respaldada em padrões impostos ou práticas de como ser uma boa mãe(4,7). Assim, sacrificar sua vida pessoal, afetiva e profissional em prol da maternidade pode ser vista como uma prática aceitável, desde que o resultado seja o bem-estar dos filhos. A abordagem adotada em diversos estudos procura compreender como a conciliação da maternidade e as esferas da vida da mãe podem impactar o desenvolvimento e o bem-estar da criança. No entanto, poucos estudos têm como foco a mãe para apreender suas vivências e experiências na conciliação dessas esferas(5,6,8).

Estas constatações embasam esta investigação, que tem como objetivo compreender o impacto da rede de apoio na conciliação da maternidade vivenciada em condições de vulnerabilidade em sua vida pessoal, afetiva e profissional.

MÉTODO

Desenho do Estudo

Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo exploratório e descritivo, estruturado de acordo com os Critérios Consensuais para a Publicação de Investigação Qualitativa (COREQ). A teoria utilizada é o conceito de sensibilidade materna proposto por Mary Ainsworth(9), com o objetivo de compreender a experiência da maternidade num contexto de vulnerabilidade. Segundo a autora, uma mãe sensível é alguém que consegue interpretar com precisão os sinais de seu filho e responder de forma congruente e imediata. Esta competência é desenvolvida através da relação com a criança, a qual vai permitindo à mãe identificar e satisfazer as necessidades implícitas no seu comportamento.

A opção por esse referencial justifica-se pela visão dos autores acerca da maternidade como uma experiência desafiante por si só, em que a sensibilidade face às adversidades é fundamental tanto para a mãe como para a criança. Ou seja, a sensibilidade materna pode funcionar como um fator de proteção, promovendo ou reforçando a capacidade da mãe para superar os desafios e satisfazer as suas necessidades e as dos seus filhos.

Local

O estudo foi realizado com mães residentes na ilha de São Vicente, na República de Cabo Verde, em África. A população de Cabo Verde é estimada em 579 598 habitantes. Em 2020, cerca de 51,4% da população beneficiava de, pelo menos, um apoio social. De acordo com a ONU Mulheres e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável em Cabo Verde, as mulheres representam 46% das famílias caboverdianas, com uma taxa de pobreza de 33%(10,11).

A ilha de São Vicente é a segunda ilha mais populosa e foi escolhida como contexto de estudo por ser mais fácil localizar geograficamente os participantes, além do fato de a doutoranda que conduziu o estudo residir nesta ilha, o que facilitou o acesso aos informantes-chave dos serviços de saúde que ajudaram na seleção das mães.

População e Critério de Seleção

O estudo foi desenvolvido com 15 mães. As participantes foram selecionadas por conveniência, com a ajuda dos profissionais dos serviços de saúde de atenção primária onde realizaram o acompanhamento pré-natal e os cuidados com a criança durante a primeira infância. Em uma sala privativa e de forma individual, as mães foram convidadas a participar do estudo. Em uma linguagem acessível, foi-lhes explicado o conceito de sensibilidade materna, ou seja, o que estava a ser considerado como “ser boa mãe”, referindo-se aos papéis de cuidadora, protetora e provedora das necessidades básicas, físicas e emocionais dos filhos. A partir do que lhes foi explicado, foi-lhes pedido que refletissem sobre a maternidade. Foram integradas no estudo as mães que se reconheceram e autodeclararam-se boas mães, considerando a condição de vulnerabilidade em que viviam.

Os critérios de inclusão no estudo foram os seguintes: ter mais de 18 anos de idade; ter pelo menos um filho com idade entre zero e um ano; declarar-se boa mãe; e atender a pelo menos quatro dos critérios cumulativos de vulnerabilidade, nomeadamente: baixa renda, baixo nível de escolaridade, monoparentalidade, subemprego/desemprego, moradia precária e ser provedora do lar.

Coleta de Dados

Os dados foram coletados durante os meses de junho e julho de 2022, mediante entrevistas semiestruturadas realizadas na residência das mães, com dia e hora previamente acordados e organizados de modo a garantir que as rotinas diárias e os cuidados prestados aos filhos não fossem alterados. As entrevistas foram conduzidas pela primeira autora, duraram, em média, 60 minutos e foram gravadas em áudio. Após cada entrevista, foram registadas notas de campo. A coleta de dados ocorreu durante a pandemia de COVID-19 e todos os protocolos de segurança aplicados no país foram rigorosamente cumpridos.

Para guiar as entrevistas, foi elaborado um roteiro de acordo com o referencial teórico. O roteiro está dividido em seis partes. A primeira parte é dedicada às informações sociodemográficas, nomeadamente a idade, escolaridade, estado civil, número de filhos, atividade profissional/ocupação, renda familiar, condições de moradia, etc. A segunda parte incide sobre a percepção do papel da mãe em condições vulneráveis, explorando questões como: o que você considera como sendo problema nos cuidados ao(s) filho(s)? O que você faz para administrar esses problemas? Quais foram os problemas que mais a marcaram? Que experiências no seu papel de mãe, você gostaria que tivessem sido diferentes?

A terceira parte é relativa à relação entre mãe e filho em termos de responsabilidades maternas, tendo sido feitas perguntas como: como se vê no seu papel de mãe? Como acha que o(s) seu(s) filho(s) a vêem como mãe? Como descreveria a relação com o(s) filho(s)? O que influencia a relação com o(s) filho(s) de forma favorável e de forma negativa? A quarta parte incidiu sobre o impacto da maternidade em situação de vulnerabilidade nos projetos de vida, afetivos e profissionais das mães, tendo sido colocadas questões como: “Gostaríamos que refletisse um pouco sobre como o seu papel de mãe tem repercutido na sua vida profissional, afetiva e pessoal”. A quinta parte incidiu sobre a perspectiva temporal, com vista a investigar a rede de apoio, tanto primária como secundária, e o tipo de apoio recebido desde a gravidez. Neste âmbito, foram colocadas questões como: “Gostaríamos que refletisse sobre a sua rotina de cuidados com o(s) filho(s) nas funções de cuidadora, protetora e provedora das necessidades básicas, físicas e emocionais.” Quando precisou de ajuda, a quem recorreu? Onde foi? Com que frequência recorreu a essa ajuda?

Por fim, a sexta parte procurou compreender a relação entre as participantes e os serviços de cuidados de saúde primários em São Vicente em Cabo Verde, tendo sido colocadas questões como: utiliza os serviços de atenção primária de saúde em São Vicente? Descreva o atendimento recebido nesses serviços de saúde durante e após a gravidez e o parto. Que ações desenvolvidas pelos profissionais nesses serviços de saúde contribuíram para se tornar uma boa mãe?

Análise e Tratamento de Dados

O material obtido nas entrevistas foi analisado e interpretado por meio de uma matriz construída com base nos elementos teóricos do conceito de sensibilidade materna, organizada de acordo com os preceitos da técnica de análise textual-discursiva proposta por Moraes e Galiazzi(12), a qual permitiu uma compreensão profunda e a reconstrução do conhecimento.

O processo de análise constou de quatro etapas: 1) desconstrução e unitarização, em que, por meio da desintegração dos textos, surgem unidades de análise; 2) categorização por agrupamento de elementos semelhantes; 3) expressão das novas compreensões (captação do novo emergente) e, finalmente, 4) um processo intuitivo de reconstrução auto-organizado que leva à emergência de novas compreensões do fenômeno.

Aspectos Éticos

Os dados foram coletados com a aprovação de duas organizações - a Comissão Nacional de Proteção de Dados, com o número de referência 37/2022/CNPD, e o Comité Nacional de Ética em Pesquisa para a Saúde, com o número de referência 19/2022. As participantes também assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) antes do início do processo de coleta de dados.

Os dados estão associados à Universidade Federal do Rio Grande-FURG. Todos os princípios éticos descritos na Resolução 510/2016 foram rigorosamente respeitados. A privacidade das participantes foi respeitada, tendo sido identificadas por meio de um código composto pela letra M seguida do número de ordem de realização das entrevistas.

RESULTADOS

Participaram no estudo 15 mães com idades compreendidas entre 19 e 40 anos. Dessas, 11 mantinham uma relação afetiva com um companheiro. As participantes tinham um estatuto socioeconômico precário, sendo que cinco delas trabalhavam e possuíam renda familiar fixa no valor de um salário-mínimo (13.000 escudos cabo-verdianos), que, no momento da coleta dos dados, correspondia a 126 USD e R$ 677,72 reais. As dez restantes estavam desempregadas e não auferiam qualquer rendimento. Quanto à escolaridade, quatro participantes tinham o ensino fundamental incompleto, quatro o ensino fundamental completo, cinco o ensino médio incompleto e duas o ensino médio completo. As participantes e as respectivas famílias viviam em habitações informais e inseguras.

A análise dos dados gerou três categorias: a primeira intitulada “Conciliação/Conflito da relação maternidade e vida profissional”; a segunda, “A interdependência entre a maternidade e a vida afetiva”; e a terceira, “A priorização do cuidado do filho em detrimento da individualidade da mãe”.

Conciliação/Conflito na Relação Maternidade e Vida Profissional

Nesta categoria foram incluídas as cinco mães que optaram por continuar no emprego como forma de garantir o sustento dos filhos (M3, M7, M8, M9, M12) e as dez que abandonaram o emprego por não terem com quem deixar os filhos (M1, M2, M4, M5, M6, M10, M11, M13, M14, M15). A relação entre a maternidade e a vida profissional das participantes manifestouse numa dinâmica complexa, com elas a referir que, em diversas situações, se sentiram divididas.

Muitas vezes já pensei em abandonar o emprego para cuidar das minhas filhas, mas se o fizer como irei lhes sustentar, tudo depende do meu salário (M8)

Antes, para trabalhar, deixava as crianças na casa das minhas irmãs. Passava a maior parte do tempo na rua, por isso, abandonei o emprego para cuidar deles.... Recentemente, os meus filhos pequenos ficavam em casa sob os cuidados da minha filha de 10 anos. Quando cheguei do trabalho encontrei o bebê ferido, ele caiu, abandonei o emprego novamente para cuidar deles (M5)

A relação entre a maternidade e a vida profissional das participantes que optaram por abandonar o emprego para cuidar dos filhos é marcada por cobranças próprias e de terceiros. O seu discurso revela que são conscientes de que uma das dificuldades enfrentadas é a questão do sustento dos filhos e que ponderaram a hipótese de regressar ao trabalho. Ao mesmo tempo, sabem que deixá-los sozinhos em casa e ir trabalhar pode ser considerado negligência, o que pode colocar em causa a guarda dos filhos. As mães revelaram que a falta de uma rede de suporte condiciona sua vida profissional, tornando-as mais dependentes da família para satisfazer as necessidades dos filhos.

Se tivesse com quem deixar as crianças, poderia voltar a trabalhar sem preocupação, pois ficar em casa a cuidar deles e não ter emprego dificulta até a alimentação (M1)

Quando ficam sozinhos, podem magoar-se, portanto, ter um emprego e ficar preocupada com eles em casa sozinhos não compensa. São crianças, tenho de os proteger (M5)

As mães empregadas referem que, para conciliar o emprego e a maternidade, procuram constantemente soluções, como, deixar os filhos em casa sob os cuidados do mais velho, geralmente um adolescente, ou reatar a relação com o ex-companheiro. Declararam que as soluções por elas encontradas são fruto da pressão que enfrentam para cumprir simultaneamente as suas obrigações profissionais e os seus deveres como mãe, e que o apoio da sua rede primária foi fundamental.

O meu filho de 15 anos fica com os irmãos para eu poder trabalhar. Chego a casa depois da meia noite e só o meu coração só descansa quando vejo que estão bem (M12)

A participante M7 relatou que, para trabalhar, deixava a filha aos cuidados de familiares, mas que, numa dessas vezes, o tio da participante abusou sexualmente da menina.

Deixei a minha filha na casa de um familiar para ir trabalhar. O pai dela ficou de ir buscá-la, meu tio abusou sexualmente dela. Perdi a confiança para a deixar com alguém e ir trabalhar. Agora sou mãe de duas meninas...quando vou trabalhar, fico com a sensação de que as abandonei (M7)

Ao examinar a relação entre a maternidade e a vida profissional das participantes, evidencia-se a influência da rede de apoio da mãe, que nem sempre consegue conciliar essas duas dimensões. Entretanto, em ambas as situações, o foco é o cuidado com os filhos e a resposta ao papel materno.

A Interdependência da Maternidade e a Vida Afetiva

Esta categoria aborda a relação entre o exercício da maternidade e a vida afetiva das mães participantes no estudo, destacando que, quando se referem a esta dimensão de suas vidas, limitam-se à relação com o companheiro. Elucidaram que, para conseguirem apoio nos cuidados aos filhos, recorrem ao relacionamento amoroso como parte de sua rede de apoio. Assim, revelaram que iniciaram um novo relacionamento, reataram ou mantiveram uma relação abusiva.

As participantes M3, M4, M7 e M13 afirmaram ter reatado a relação como forma de garantirem apoio no cuidado dos filhos. Nesses casos, o companheiro ajuda a partilhar os cuidados ou fornece apoio financeiro.

Não permito que o padrasto da minha filha fale alto com ela, pelo que discutimos e, em consequência, já o expulsei de casa várias vezes, mas depois ele regressa. Preciso que alguém de confiança durma com elas para eu ir trabalhar (M7)

As participantes M1, M5, M6, M8, M9, M12 e M14 relataram que se submetem a um relacionamento abusivo até conseguirem organizar-se e assumir o sustento dos filhos. Salientaram que, com o término do relacionamento, o pai das crianças deixou de contribuir para os cuidados e no sustento delas.

Com o término do relacionamento, ele [ex-companheiro] deixou de cuidar deles e ainda me ameaça.... Me agredia, fui me organizando e consegui um emprego, saí de casa e, desde então, venho lutando sozinha por nossos filhos (M12)

Ele [ex-companheiro] só ajuda se eu tiver relações sexuais com ele. Se me recusar, não dá nada aos filhos e diz que, por minha culpa, não vai ajudar..., E eu, como mulher, como fica? (M1)

As participantes M5 e M6 referem que começaram um novo relacionamento para conseguirem dar suporte e cuidar dos filhos.

Decidi ficar solteira e cuidar dos meus filhos. Depois, conheci o meu atual companheiro, eu vivia em condições precárias em um barraco de lata, mas disse-me que tinha uma casa com melhores condições. Pensei neles [filhos] e aceitei morar com ele (M5)

A vida afetiva das participantes ficou sugestivo como parte da rede de suporte utilizada por elas na resposta ao cuidado dos filhos, sobrepondo as suas necessidades como mulher. O equilíbrio entre estas duas esferas parece ser uma estratégia utilizada pelas mães, indicando que a vida afetiva é parte integrante da maternidade e que a condição de vulnerabilidade parece ter um impacto significativo nas decisões tomadas.

A Priorização do Cuidado do Filho em Detrimento da Individualidade da mãe

Quando questionadas sobre a maternidade em condição de vulnerabilidade e vida pessoal, o discurso das participantes sugere que têm dificuldade em preservar a sua individualidade, tornando a maternidade o centro de suas vidas. A chegada dos filhos é apontada como um momento que implica mudanças, revelando que, geralmente, ignoram suas necessidades em benefício das dos filhos.

Não vivo para mim, nem compro um chinelo, porque sei que o dinheiro deixará falta para comprar fraldas... tenho de poupar o máximo possível e abrir mão de muita coisa pessoal, o foco é garantir a alimentação dos meus filhos (M14)

Ao abordarem a maternidade e o impacto da condição de vulnerabilidade em que se encontram, as mães dão ênfase ás dificuldades e experiências que vivenciam no presente, revelando também preocupação com o futuro. As participantes M1, M2, M4, M5, M6, M7, M8, M11, M12 e M14 não manifestaram a sua visão pessoal sobre como se veem no futuro. A resposta limitava-se a cuidar dos filhos. As restantes participantes demonstram que ainda sonham com voltar a estudar ou conseguir um bom emprego, embora a prioridade continue a ser garantir um futuro melhor para os filhos.

Sinceramente, o meu futuro passa por cuidar dos meus filhos. Não vejo soluções para mim, nem tenho tempo para mim, e cuido deles sozinha (M1)

Dez participantes (M4, M7, M8, M9, M10, M11, M12, M13, M14 e M15) relataram que se tornaram mães na adolescência e que tiveram de se reorganizar para seguir em frente. Nessa situação, ter ou não ter apoio foi fundamental. A educação é um dos aspectos da vida pessoal que foi interrompida com a chegada do(s) filho(s).

Engravidei aos 16 anos, tinha projetos de vida como qualquer adolescente, queria estudar e só depois constituir família... A minha mãe ameaçou pôr-me fora de casa e o meu pai apoiou-me. Sofri de depressão pós-parto (M13)

As participantes reconhecem o impacto da maternidade em sua vida pessoal, apontando a chegada dos filhos como fator impulsionador para mudança e adaptação. As suas declarações sugerem que há sobreposição de tarefas e que as necessidades dos filhos se sobrepõem às suas, estando sempre condicionadas pela rede de apoio e pelas condições de vulnerabilidade. Acrescentam ainda que a maternidade se sobrepõe ao autocuidado e à autorrealização.

DISCUSSÃO

Os resultados do estudo evidenciaram uma variedade de vivências das mães em condição de vulnerabilidade na busca constante de um equilíbrio entre a maternidade e a vida pessoal, afetiva e profissional. Trata-se de esforços diários com resultados e implicações.

Relativamente à relação entre a maternidade em condição de vulnerabilidade e a vida profissional, uma primeira observação permite inferir a dificuldade apresentada pelas participantes em conciliar as duas esferas. Os resultados ilustram a fragilidade na rede primária e a omissão e a ausência da rede secundária, tendo como consequência o aumento do estresse financeiro para as mães que abandonam o emprego para cuidar dos filhos.

O estresse financeiro é geralmente provocado pela privação de bens básicos para as mães e os seus filhos e gera sentimentos de angústia e desespero devido à dificuldade em garantir o sustento(8). Tal conjuntura está de acordo com os resultados do presente estudo, que constatou que as dificuldades do cotidiano exercem pressão sobre essas mães que, sem fonte de rendimento, geralmente têm de procurar uma solução imediata que garanta, no mínimo, a alimentação dos filhos. São mães que já viviam em condição de vulnerabilidade e que, ao abandonarem o emprego para poder cuidar dos filhos, aumentaram sua fragilidade socioeconômica.

A falha na rede de apoio para ajudar as mães em situação de vulnerabilidade a partilhar os cuidados dos filhos gera um défice, e elas sentem-se na responsabilidade por o colmatar, recorrendo a soluções como o abandono do emprego. É importante compreender as razões subjacentes que levaram essas mães a deixar o emprego, pois, para além de comprometer a sua independência financeira, aumenta a sua vulnerabilidade(13). As participantes têm consciência das consequências da falta do emprego, contudo, entendem-no como medida protetora da segurança dos filhos, uma vez que os deixavam sozinhos em casa para poderem trabalhar.

Esta é uma questão sensível com dois eixos de análise: se, por um lado, abandonar o emprego compromete o sustento dos filhos, por outro, deixá-los sozinhos em casa para ir trabalhar pode ser considerada uma prática negligente, o que pode colocar em causa a guarda dos filhos. Nesses casos, eventualmente as crianças podem ser institucionalizadas, dado que estão em causa direitos que não podem ser colocados em causa, como a alimentação, a educação, a saúde e a habitação.

Estudos apontam que, quando a rede de apoio é falha, a mãe é pressionada pelo contexto, na busca de meios que lhe permitam salvaguardar as condições para a proteção, o desenvolvimento e a sobrevivência dos filhos, uma ação que deveria ser também da responsabilidade de familiares, do poder público e da sociedade(14,15).

Os resultados levam a ponderar que, em contexto de vulnerabilidade, quando uma mãe, por falta de suporte de uma rede de apoio, tem de abandonar o emprego para cuidar dos filhos e, por conseguinte, enfrenta dificuldades em satisfazer as suas necessidades básicas, não deve ser considerada uma mãe negligente, mas sim uma mãe negligenciada. Geralmente, o que se avalia é o impacto negativo da privação socioeconômica decorrente do desemprego no desenvolvimento cognitivo, psicossocial, físico e educacional das crianças, sem considerar a mãe como um sujeito de suporte e cuidado(16).

As mães que conseguiram conciliar a maternidade com a vida profissional referiram receber suporte da rede familiar. No entanto, este apoio é prestado pelos filhos mais velhos ou exige a reconciliar da relação conjugal. Estes dados ajudam a compreender os recursos que essas mães mobilizam, evidenciando que a ausência ou a omissão da rede secundária as deixa numa situação de fragilidade, o que pode envolver sacrifícios pessoais, como o caso de reatar o relacionamento conjugal ou recorrer aos filhos mais velhos para ajudar a cuidar dos mais novos.

Convém frisar que os filhos que apoiam a mãe são também crianças ou adolescentes. Ter os filhos como rede de suporte pode parecer paradoxal, uma vez que, por um lado, o seu apoio é indispensável para que a mãe possa trabalhar, mas, por outro, assumem uma responsabilidade que deveria ser de outras esferas, como a família, o apoio social, os programas e as políticas e a sociedade.

Cabo Verde é um país que tem investido na salvaguarda dos direitos das crianças, com ações de suporte às famílias em condições de vulnerabilidade, como apoio a habitação, alimentação, educação, saúde, entre outros(17). Não obstante estes investimentos, os dados evidenciaram os desafios diários enfrentados pelas mães que declararam não receber apoio.

A existência de uma rede de apoio resolutiva é um recurso indispensável para que estas mães consigam conciliar a maternidade com a vida profissional. Quando esse apoio falha, pode aumentar a vulnerabilidade sentida por elas. Outro ponto digno de atenção é o fato de que todas trabalharem numa fábrica de conservas, algumas na escala noturna, o que leva a questionar que tipo de apoio existe para mães nessas situações.

Infelizmente, uma das participantes que trabalhava no turno da noite, ao deixar a filha em casa de familiares, a criança sofreu agressão sexual, o que evidencia que as consequências da ineficiência da rede de apoio podem ir além da privação socioeconômica. Apesar da importância dessas descobertas, o que predomina nos estudos é a observação do impacto direto da condição de vulnerabilidade, deixando de parte questões importantes como a exposição das crianças à violência sexual, principalmente quando estão muito tempo longe da mãe que, por necessidade, teve de ir trabalhar e confiou os cuidados a familiares ou conhecidos(18).

Quanto à conciliação da vida afetiva e da maternidade, os resultados indicam que o primeiro muitas vezes foi utilizado como suporte ao segundo. As mães, enquanto moderadoras entre o contexto de vulnerabilidade e os seus filhos, acabam por vivenciar experiências peculiares, muitas vezes envoltas em sacrifícios pessoais(7). Os resultados deste estudo mostram que, para garantirem uma rede de apoio no cuidado dos filhos, as mães podem optar por manter uma relação abusiva, reatar o relacionamento ou iniciar um novo, revelando o preço que estão dispostas a pagar para salvaguardar o bem-estar dos filhos.

Embora, naquele contexto, essa solução parecesse ideal, na verdade não é, pois, com o suporte adequado de uma rede de apoio, é provável que não precisassem de recorrer ao relacionamento conjugal para cuidar dos filhos. Dos simbolismos que envolvem a maternidade, a proteção dos filhos da adversidade é uma premissa de validação como boa mãe e, quando se veem desamparadas, as mães geralmente mobilizam a rede de apoio à disposição para cumprir o papel materno de cuidado e proteção(19).

Reatar o relacionamento conjugal para obter o apoio do pai das crianças no cuidado dos filhos levanta também aqui a questão da responsabilidade paterna. No contexto do estudo, é frequente encontrar pais ausentes ou omissos, ficando a sobrecarga geralmente a cargo da mãe. A ausência ou a omissão do pai implica uma sobrecarga de cuidados e financeira para a mãe, que, em contexto de vulnerabilidade, pode sentir-se no dever de colmatar a falta deixada, assumindo a responsabilidade pelos filhos(20). Pode-se supor, então, que para aliviar a sobrecarga vivida, essas participantes encontraram no relacionamento conjugal uma forma de garantir uma responsabilidade paterna e, assim, receber apoio no cuidado dos filhos.

Estes resultados permitem afirmar a necessidade de apoio prático e adaptado às circunstâncias dessas mães, de modo a permitir-lhes ter maior domínio sobre a sua vida afetiva, e preservar o limite entre a maternidade e um relacionamento amoroso. A maternidade e a pressão por uma resposta positiva ao papel materno muitas vezes invadem as demais esferas de vida de uma mulher, reduzindo-a a condição de mãe, o que pode ter consequências no seu bem-estar psicológico, além dos sacrifícios pessoais envolvidos(21).

Manter um relacionamento abusivo ou submeter-se à violência sexual por parte do companheiro ou ex-companheiro como forma de garantir a alimentação e a habitação para os filhos ilustra a complexidade da deficiência na rede de apoio e proteção das participantes e destaca a importância de dar maior visibilidade às suas experiências e sacrifícios. São questões que não afetam somente a mãe, pois o impacto negativo de um lar violento também é sentido pelos filhos, que, ao assistirem à violência contra a mãe, tornam-se vítimas indiretas, com impacto a longo prazo no seu ciclo vital(18).

Embora o presente estudo seja limitado quanto à experiência da violência contra a mãe e os filhos, o fenômeno surgiu espontaneamente nos resultados, o que levou a considerar que ter de manter um relacionamento abusivo, reatar ou iniciar outro relacionamento como meio de apoio no cuidado dos filhos também é uma forma de violência sofrida por estas mulheres, em consequência da ineficiência de sua rede de apoio. A rede de apoio proporciona proteção às mães em situação de vulnerabilidade, ajudando-as a gerir as adversidades do cotidiano, a diminuir o estresse e a ter melhor condição para um relacionamento caloroso e atento com os filhos, além de suprir as suas necessidades. A sua ausência ou ineficiência gera o inverso, expondo-as a situações mais graves, como a violência(22).

No que se refere ao eixo maternidade e vida pessoal, os resultados elucidaram a sobreposição da maternidade nas outras dimensões da vida dessas mães, tendo os filhos como prioridade, considerando válidos os sacrifícios pessoais para promover seu bem-estar. A maternidade em condição de vulnerabilidade, aliada às limitações do contexto, a pressão social e pessoal numa resposta positiva, geralmente requer proatividade por parte dessas mães que, não tendo outra saída, se veem na obrigação de renunciar às suas necessidades em prol dos filhos, demonstrando a sua capacidade de doação e sacrifício diários(23,24).

Esta capacidade é fruto da pressão que a condição de vulnerabilidade impõe à maternidade. Ao aperceberem-se da falha na rede de apoio, sacrificam-se pelos filhos e, geralmente, anulam-se. A partir do momento em que se tornam mães em contexto adverso, assumem a responsabilidade de cuidar e proteger os filhos das dificuldades do cotidiano, passando por experiências exaustivas, geralmente envoltas em acerto e erros, com suas escolhas a repercutir-se no desenvolvimento saudável dos filhos(25). Embora para elas possa ser entendido como prova do amor materno, não deixa de ser uma solução injusta, consequência da falta de apoio.

É importante salientar que os resultados atuais também elucidaram os sacrifícios enfrentados pelas participantes que se tornaram mães na adolescência, nomeadamente abandonar os estudos e entrar no mercado de trabalho. Este sacrifício poderia ser evitado se tivessem o apoio de uma rede que lhes permitisse conciliar os estudos com a maternidade e, assim, a longo prazo, ter maior probabilidade de interromper o círculo de vulnerabilidade que vivenciam.

Os resultados corroboram outro estudo realizado com mulheres em Cabo Verde e permitem argumentar que a anulação da identidade pessoal e materna para o cumprimento do papel materno em contextos de vulnerabilidade e com poucos recursos também é impulsionada por questões culturais, em que as mães se dedicam para que os filhos não tenham o mesmo futuro que elas(26). Além disso, a expectativa de resposta positiva ao papel materno, com foco no desenvolvimento saudável do filho, acaba por ser uma pressão para essas mães que, sem uma rede de apoio coesa, podem procurar a todo custo proteger os filhos e, assim, evitar serem catalogadas como mães negligentes(27).

Acredita-se que este estudo tem potencial para sensibilizar as entidades competentes, em especial as instituições de saúde, a rever a abordagem adotada no acompanhamento das mulheres que exerce a maternidade em condição de vulnerabilidade, incluindo-as como sujeitos de cuidados, de modo a receberem uma atenção holística que considere todos os aspectos das suas vidas. A Enfermagem tem um papel privilegiado no acompanhamento destas mães, desde a gestação até os cuidados na primeira infância. Uma revisão da abordagem adotada e investimentos em investigação e ensino têm potencial para produzir resultados melhores a médio e longo prazo. Os dados que sustentam o estudo referem-se a uma das ilhas de Cabo Verde e, apesar das contribuições locais, não são representativos a nível nacional, pelo que se espera que outras pesquisas possam colmatar esta lacuna.

CONCLUSÃO

Os resultados deste estudo mostram que a ausência ou ineficiência da rede de apoio pode interferir na capacidade da mãe para equilibrar a maternidade com a sua vida pessoal, afetiva e profissional, uma vez que a maternidade exige, muitas vezes, sacrifícios pessoais, em que a prioridade é o bem-estar dos filhos em detrimento das suas próprias necessidades. Geralmente, há um preço a pagar, em termos de individualidade, sonhos e projetos de vida.

Pode-se inferir que uma rede de apoio insuficiente ou inexistente faz com que a responsabilidade recaia exclusivamente sobre a mãe, levando-a à exaustão e ao desamparo. As falhas na rede de apoio podem estar na origem de vivências complexas, nomeadamente a privação socioeconômica, os relacionamentos abusivos, o recurso ao relacionamento conjugal como suporte de cuidados, a participação dos filhos nos cuidados dos irmãos e os sacrifícios pessoais, entre outros.

As mães podem equilibrar eficazmente a sua vida pessoal, afetiva e profissional com a ajuda de um sistema de apoio eficaz e robusto, sem recorrer a medidas drásticas para cumprir as suas obrigações. No entanto, é fundamental reconhecer que a rede de apoio das participantes deste estudo não é eficiente, o que sugere que as organizações de apoio social existentes no contexto do estudo devem incluir a mãe como foco de cuidado e apoio, reconhecendo as suas vivências e ofertando apoio prático e adaptado às suas circunstâncias.

DISPONIBILIDADE DE DADOS

Os dados que embasam os resultados deste estudo estão disponíveis na própria publicação.

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  • Apoio financeiro
    O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001- Bolsa de Doutorado DS atribuído à Daniela Claudia Silva Fortes.

Editado por

  • EDITORA ASSOCIADA
    Rebeca Nunes Guedes de Oliveira

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    28 Jul 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    26 Ago 2024
  • Aceito
    25 Abr 2025
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