RESUMO
Objetivo: Relatar a experiência do desenvolvimento de uma formação em auriculoterapia/acupuntura auricular para enfermeiras(os) em Portugal.
Método: Relato de experiência descritivo, utilizando o referencial metodológico proposto por Donabedian e análise descritiva informada e dialogada. A formação realizada faz parte de uma tese.
Resultados: A experiência ocorreu de janeiro a fevereiro de 2025, durante mobilidade acadêmica na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. Trata-se de uma formação coletiva, desenvolvida com 19 enfermeiras(os) atuantes em Portugal e sem formação prévia em auriculoterapia, convidados de forma intencional. O curso foi adaptado seguindo a proposta de diretriz para formação de enfermeiras(os) em auriculoterapia/acupuntura auricular tendo seus objetivos educacionais pautados na Taxonomia de Bloom. O curso teve 75 horas teóricas on-line. Foi testada a carga horária prática, variando de cinco a 20 horas.
Conclusão: A experiência é inédita e inovadora e poderá subsidiar regulamentação da formação em auriculoterapia/acupuntura auricular como intervenção de enfermeiras(os), tendo como base o modelo brasileiro.
DESCRITORES
Auriculoterapia; Acupuntura Auricular; Enfermagem; Ensino; Saúde Pública
ABSTRACT
Objective: To report on the experience of developing training in auriculotherapy/auricular acupuncture for nurses in Portugal.
Method: Descriptive experience report, using the methodological framework proposed by Donabedian and informed and dialogued descriptive analysis. The training carried out is part of a thesis.
Results: The experience took place from January to February 2025, during academic mobility at the Coimbra School of Nursing. This is a collective training course, developed with 19 nurses working in Portugal and with no previous training in auriculotherapy, who were intentionally invited. The course was adapted following the proposed guidelines for training nurses in auriculotherapy/auricular acupuncture, with educational objectives based on Bloom’s Taxonomy. The course consisted of 75 hours of online theory. The practical workload was tested, varying from five to 20 hours.
Conclusion: The experience is unprecedented and innovative and may support the regulation of training in auriculotherapy/auricular acupuncture as an intervention by nurses, based on the Brazilian model.
DESCRIPTORS
Auriculotherapy; Acupuncture, Ear; Nursing; Teaching; Public Health
RESUMEN
Objetivo: Relatar la experiencia del desarrollo de una formación en auriculoterapia/acupuntura auricular para enfermeros en Portugal.
Método: Relato descriptivo de la experiencia, utilizando el marco metodológico propuesto por Donabedian y el análisis descriptivo informado y dialogado. La formación realizada forma parte de una tesis.
Resultados: La experiencia tuvo lugar de enero a febrero de 2025, durante la movilidad académica en la Escuela Superior de Enfermería de Coimbra. Se trata de una formación colectiva, desarrollada con 19 enfermeros que trabajan en Portugal y sin formación previa en auriculoterapia, invitados de forma intencionada. El curso se adaptó siguiendo la propuesta de directrices para la formación de enfermeras en auriculoterapia/acupuntura auricular, con objetivos educativos basados en la taxonomía de Bloom. El curso contó con 75 horas teóricas en línea. Se probó la carga horaria práctica, que varió entre cinco y 20 horas.
Conclusión: La experiencia es inédita e innovadora y podría servir de base para la regulación de la formación en auriculoterapia/acupuntura auricular como intervención de enfermeros, basándose en el modelo brasileño.
DESCRIPTORES
Auriculoterapia; Acupuntura Auricular; Enfermería; Enseñanza; Salud Pública
INTRODUÇÃO
As Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI), como são designadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), são práticas, produtos e saberes utilizados por diferentes povos e culturas do mundo. Internacionalmente as MTCI recebem distintas nomenclaturas, uma delas é Medicina Complementar e Alternativa (MAC), no inglês Complementary and Alternative Medicine (CAM)(1).
No Brasil, as MTCI ou CAM são denominadas de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) que em 2006, foram consolidadas por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS), um importante marco para o avanço das 29 práticas reconhecidas no SUS(2), das quais a acupuntura auricular está contemplada no escopo de práticas da acupuntura/Medicina Tradicional Chinesa (MTC)(3). Devido a diversidade de nomenclaturas que variam de acordo com a vertente ou escola, utilizar-se-á no presente artigo o termo auriculoterapia/acupuntura auricular para se referir a terapia auricular, na tentativa de garantir maior abrangência.
Em Portugal, as MTCI são conhecidas comumente como terapias ou intervenções não farmacológicas (INF)(4). Usa-se também a nomenclatura Terapêuticas Não Convencionais (TNC) definidas como “Terapêuticas que partem de uma base filosófica diferente da medicina convencional e aplicam processos específicos de diagnóstico e terapêuticas próprias”. Em 2003, foram reconhecidas no país a Acupuntura, Fitoterapia, Homeopatia, Naturopatia, Osteopatia e Quiropraxia (Lei n. 45/2003), e, em 2013, a MTC (Lei n. 71/2013)(5). Ainda, o termo Terapias Complementares e Alternativas (TCA) também é utilizado no contexto da enfermagem portuguesa(6).
A enfermagem, que é caracterizada por seu trabalho voltado ao cuidado, pode utilizar a auriculoterapia como uma ferramenta promotora de autonomia, ao incluir a intervenção na sua prática assistencial(7). Recente estudo metodológico construiu e validou o conteúdo dos componentes da intervenção de enfermagem em auriculoterapia, contribuindo assim para uma possível inclusão da auriculoterapia como intervenção de enfermagem na Nursing Interventions Classification (NIC), o que demonstra um avanço quanto à linguagem padronizada na prática clínica(8).
Em termos de regulamentação, no Brasil, destaca-se a resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), nº 739, de 05 de fevereiro de 2024, que reconheceu a auriculoterapia como capacitação por meio de cursos livres, recomendando carga horária mínima de 80 horas(9), porém, sem maiores direcionamentos. A resolução apresenta a acupuntura separada da auriculoterapia, como especialização de, no mínimo, 360h. Já em Portugal, a acupuntura é uma licenciatura(10).
Em Portugal, apesar de não existir uma regulamentação específica da Ordem dos Enfermeiros para o uso da auriculoterapia, documentos institucionais vêm mostrando o uso de práticas com o mesmo princípio no contexto de atuação do enfermeiro. Um Relatório de Mestrado em Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, que utiliza a acupressão como intervenção de enfermagem, aponta que a Mesa do Colégio da Especialidade de Saúde Materna e Obstétrica (MCEESMO) preconiza o uso de métodos não farmacológicos para alívio da dor durante o trabalho de parto e, entre as técnicas recomendadas incluem-se a acupressão. A autora descreve que a acupressão se baseia nos mesmos princípios da acupuntura, mas que as agulhas são substituídas por aplicação de pressão, o que é um benefício na medida em a torna uma técnica não invasiva sem necessidade de equipamento específico(6).
Dessa forma, as autoras reforçam o caráter independente da formação em auriculoterapia/acupuntura auricular oferecida como curso livre ou qualificação profissional. As autoras compreendem que, por estudar apenas o microssistema da orelha, a auriculoterapia não é uma prática dependente da acupuntura(11), ou seja, não é necessária a formação em acupuntura sistêmica para aprender a auriculoterapia/acupuntura auricular.
Frequentemente o trabalho da enfermagem está associado com a lógica das MTCI. Porém, hoje, não existe uma diretriz com parâmetros mínimos para a formação de enfermeiras(os) em auriculoterapia/acupuntura auricular.
Como produto de inquérito nacional sobre formação e atuação de enfermeiros em PICS no Brasil, por meio de uma tese de doutorado aninhada ao estudo, foi desenvolvida uma diretriz de formação para enfermeiras(os) em auriculoterapia/acupuntura auricular (ISBN nº 978-65-01-86051-0), e que foi utilizada como base para adaptação do curso de formação que sustenta o presente relato de experiência.
Nesse sentido, apresentam-se as justificativas deste relato de experiência:
A qualificação da formação de enfermeiras(os) reflete a assistência em saúde para um grande contingente de pessoas, dado que o número mais expressivo de trabalhadores da saúde é o da enfermagem. A enfermagem está presente em todo o mundo, nos lugares mais diversos.
O estudo propõe a reunião de elementos para embasar a formação profissional de enfermeiras(os) em auriculoterapia/acupuntura auricular. Ao mesmo tempo, essa sistematização pode abranger ou ser aplicada a outras áreas muito semelhantes ou próximas, como é o caso de outras MTCI ou outras profissões da saúde.
A auriculoterapia/acupuntura auricular é realizada por enfermeiras(os) de forma expressiva. A segurança do paciente, a adoção de práticas baseadas em evidências e a eficácia no cuidado de enfermagem são resultados esperados com a melhora da formação profissional, um dos objetivos da Estratégia Global para MTCI 2025–2034(12).
Assim, objetiva-se relatar a experiência do desenvolvimento de uma formação em auriculoterapia para enfermeiras(os) ocorrida em Coimbra – Portugal.
MÉTODO
Desenho do Estudo
Trata-se de um relato de experiência que apresenta uma formação em auriculoterapia/acupuntura auricular desenvolvida com enfermeiras(os) portuguesas(os), com caráter descritivo. Este tipo de estudo descreve uma experiência inovadora sobre uma formação amplamente difundida no contexto da enfermagem brasileira, porém, ainda escassa em Portugal.
O eixo da experiência é a pesquisa, tendo em vista que a formação realizada faz parte de um projeto de tese que objetiva desenvolver uma diretriz para formação em auriculoterapia/acupuntura auricular, tendo por base os benchmarks da OMS. Espera-se que a experiência possa fomentar novos projetos que abordem a formação.
Destaca-se que inexiste um guideline com recomendações para a escrita de relatos de experiência, no entanto, optou-se por seguir os pressupostos para a elaboração de relato de experiência como conhecimento científico proposto por Mussi et al.(13).
Cenário
A experiência ocorreu em Coimbra, Portugal, durante formação avançada (mobilidade acadêmica) na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC). Coimbra é uma cidade portuguesa localizada na região central do país.
O local de realização foi a Ordem dos Enfermeiros (OE) de Coimbra, em uma sala cedida para desenvolver a formação. A OE, criada em 1998, é a associação pública profissional que incorpora todos os profissionais de Enfermagem que trabalham em Portugal, deliberando sobre a regulamentação dos enfermeiros e enfermeiros especialistas. A OE de Coimbra situa-se na mesma rua do Polo A da ESEnfC. Trata-se de um prédio acessível, em que foi fornecido o aporte estrutural e tecnológico necessário para o bom andamento da formação.
A ESEnfC, nasceu em 2006, da fusão da Escola Superior de Enfermagem Dr. Ângelo da Fonseca (fundada em 1881) e da Escola Superior de Enfermagem de Bissaya Barreto (fundada em 1971). A ESenfC possui três polos e uma Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem (UICISA: E), a qual contempla um curso de licenciatura em Enfermagem, 11 cursos de mestrado, seis pós-graduações e um curso de doutorado, totalizando mais de 1900 estudantes inscritos na instituição. Está atualmente passando por um processo de integração com a Universidade de Coimbra e estará formalmente integrada até janeiro de 2026, conforme Decreto-Lei n.º 83/2024 (https://files.diariodarepublica.pt/1s/2024/10/21200/0001700023.pdf).
Descrição do Processo
Os resultados descritos neste estudo são fruto do planejamento e condução de um curso de formação em auriculoterapia com enfermeiros(as) de Portugal. Especificamente a condução do curso ocorreu no período de janeiro a fevereiro de 2025.
Análise de Dados
Para descrição da experiência foi utilizado o referencial metodológico proposto por Donabedian(14), dividido em:
-
(1)
Estrutura: buscou-se avaliar os recursos disponíveis como a qualificação das professoras, a infraestrutura da OE e os materiais didáticos utilizados.
-
(2)
Processo: condução da formação, métodos de ensino e atividades práticas.
-
(3)
Resultado: avaliar os efeitos da formação, a capacidade de aplicação da auriculoterapia e os impactos na sociedade.
A escolha do referencial se deu por permitir uma visão sistêmica e organizada de todos os aspectos que cerceiam a experiência descrita. Mesmo não se tratando de uma avaliação em saúde, a tríade de Donabedian mostrou-se adequada para descrever a formação de enfermeiras(os) em auriculoterapia/acupuntura auricular.
Como forma de análise, será realizada uma descrição informativa e dialogada conforme Mussi et al.(13), tendo em vista se tratar de uma formação inédita vinculada a uma etapa de pesquisa.
Aspectos Éticos
Este relato de experiência derivou das atividades desenvolvidas durante uma mobilidade acadêmica que contempla uma etapa de uma pesquisa de doutorado em enfermagem, aprovado pela Comissão de Ética da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (CE-ASPESM) e pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sob Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) nº 43306921.6.0000.5347.
RESULTADOS
Estrutura Para Realização da Formação
A parceria entre docente da ESEnfC e as pesquisadoras brasileiras é oriunda de projetos anteriores, bem como, o interesse mútuo em levar a formação em auriculoterapia/acupuntura auricular para enfermeiras(os) de Portugal, tendo como base a experiência brasileira nesse aspecto.
Desta forma, o planejamento para viabilizar a realização da formação iniciou com a inscrição de um projeto de doutorado para concorrer ao edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS) número 04/2024- Auxílio emergencial para mobilidade de estudantes de doutorado em função da emergência climática ocorrida no Rio Grande do Sul (RS), lançado em 21 de junho de 2024, o qual as autoras concorreram e foram contempladas. O objetivo do edital era apoiar financeiramente a mobilidade de estudantes de doutorado regularmente matriculados em programas de pós- graduação de instituições com sede no estado do RS, Brasil. A mobilidade acadêmica, no caso deste relato, compreendeu um período de realização de atividades diretamente relacionadas ao projeto na ESEnfC em Portugal.
A base científica e metodológica para a proposta de formação desenvolvida em Portugal, além da prática clínica, advém das análises e discussões oriundas da Pesquisa EnfPICS (Inquérito nacional sobre o perfil educacional e profissional de enfermeiros de saúde integrativa e práticas tradicionais), desenvolvida por pesquisadoras brasileiras que vem aprofundando o conhecimento sobre o perfil e a formação de enfermeiros em auriculoterapia. No total, nove artigos e um capítulo de livro foram publicados. Ainda, foram realizadas palestras em eventos da área, como o IV CONGREPICS, a IV Jornada de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde da Universidade de São Paulo (USP), 3º Congresso Mundial de Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas, o 16º Congresso Internacional da Rede Unida no qual foi realizada a I Oficina Nacional para construção de diretrizes de formação para enfermeiras(os) em PICS: auriculoterapia, dando origem ao esboço da proposta de diretriz para formação de enfermeiras(os) em auriculoterapia/acupuntura auricular que guiou a realização da formação que será relatada.
Os materiais didáticos utilizados foram oriundos de uma adaptação do curso de extensão promovido pelo Programa de Extensão #SUStentaPICS (Escola de Enfermagem e de Saúde Coletiva – UFRGS), em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do RS (Área Técnica de PICS) e com o apoio da ABENAH, intitulado “Qualificação profissional em PICS: auriculoterapia”. O curso foi adaptado seguindo a proposta de diretriz para formação de enfermeiras(os) em auriculoterapia/acupuntura auricular.
A adaptação do curso passou por aprovação da Comissão de Extensão (COMEX) da Escola de Enfermagem e de Saúde Coletiva da UFRGS e da Câmara de Extensão (CAMEX) da UFRGS. O curso teve a etapa teórica on-line, via Moodle da UFRGS e a etapa prática presencial na OE em Coimbra, Portugal. Os materiais para aula prática foram doados e entregues aos 19 enfermeiros participantes do curso.
O curso foi ministrado por duas profissionais com formações em cursos livres em auriculoterapia. Uma delas enfermeira da APS há três anos no Brasil, doutora em enfermagem, associada na Associação Brasileira de Enfermeiros Acupunturistas e Enfermeiros em Práticas Integrativas (ABENAH) e no Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN), e a outra, doutora em enfermagem, docente do magistério superior na Universidade Federal de Rio Grande (FURG) há dez anos, associada no CABSIN e no Grupo de Trabalho Racionalidades Médicas e Práticas Integrativas e Complementares da Associação Brasileira de Saúde Coletiva. As profissionais possuem experiência clínica diária no uso da auriculoterapia/acupuntura auricular na prática de enfermagem e vêm desenvolvendo pesquisas inéditas na área, como pesquisadoras do EnfPICS.
Processo de Desenvolvimento da Formação
Os processos realizados foram delineados considerando as etapas descritas no planejamento da formação a partir de oito objetivos de aprendizagem definidos à luz da Taxonomia de Bloom:
OBJETIVO 1 – Desenvolver e incentivar ações favoráveis a Educação Permanente em Saúde (EPS), com o intuito de garantir a formação e atualização da equipe de enfermagem no âmbito da auriculoterapia/acupuntura auricular e seus derivados;
OBJETIVO 2 – Utilizar os conceitos e visão de ser humano integral e de acolhimento como modelo de atendimento no oferecimento da auriculoterapia/acupuntura auricular e seus derivados como intervenção de enfermagem;
OBJETIVO 3 – Realizar a consulta e o cuidado de enfermagem com base nos princípios que regem a prática da auriculoterapia/acupuntura auricular e seus derivados;
OBJETIVO 4 – Indicar, prescrever e implementar a auriculoterapia/acupuntura auricular e seus derivados na oferta de cuidados de enfermagem, em qualquer serviço de saúde, nos âmbitos privado e público, reconhecendo-a como uma estratégia que contribui com a promoção da saúde global do indivíduo, associada aos demais cuidados e às racionalidades médicas;
OBJETIVO 5 – Realizar diagnósticos de enfermagem a partir das taxonomias reconhecidas pela categoria, estabelecer fatores relacionados e características definidoras e inserir a auriculoterapia/acupuntura auricular e seus derivados como intervenção de enfermagem (a acupuntura auricular e auriculoterapia não são intervenções de enfermagem reconhecidas pelas taxonomias, sendo esta uma lacuna a ser preenchida. Atualmente, intervenções relacionadas são: Estimulação cutânea e Acupressão);
OBJETIVO 6 – Aplicar auriculoterapia/acupuntura auricular e seus derivados com segurança, considerando os protocolos sanitários, com os diferentes estímulos de dispositivos invasivos (agulhas e derivados) e não invasivos (esferas, sementes, laser, acupressão e derivados);
OBJETIVO 7 – Promover o desenvolvimento do conhecimento científico de enfermagem, atuando e coordenando atividades de ensino/docência, pesquisa e formações em auriculoterapia/acupuntura auricular e seus derivados;
OBJETIVO 8 – Coordenar, planejar, organizar e orientar a equipe de enfermagem na implementação da auriculoterapia/acupuntura auricular e seus derivados na assistência de enfermagem;
Sendo assim, considerando os objetivos de aprendizagem o curso foi divido em seis núcleos de aprendizagem (cinco teóricos e um prático):
Núcleo de aprendizagem 1 (15h) – Auriculoterapia: apresentação da formação em terapia auricular. Apresentação do curso; Experiências de práticas integrativas e complementares nos EUA, América latina, países do oriente e Europa; Introdução à Auriculoterapia.
Núcleo de aprendizagem 2 (15h) – Auriculoterapia: Bases teóricas de acordo com a reflexologia: Estruturas anatômicas e pontos auriculares; Métodos de avaliação na auriculoterapia; Métodos de tratamento.
Núcleo de aprendizagem 3 (15h) – Auriculoterapia: Bases teóricas da medicina tradicional chinesa (MTC): Racionalidades Médicas; Auriculoterapia de acordo com os fundamentos da MTC.
Núcleo de aprendizagem 4 (15h) – Auriculoterapia: Bases teóricas segundo a biomedicina: Neurofisiologia; evidências biomédicas e potenciais efeitos adversos; linhas vermelhas.
Núcleo de aprendizagem 5 (15h) – Auriculoterapia nos cuidados de saúde primários: Cuidados de Saúde Primários e Auriculoterapia; uso da Auriculoterapia na rotina de atendimento dos cuidados de saúde primários; educação permanente e Auriculoterapia nos cuidados de saúde primários, e ainda nas consultas da dor na área da oncologia.
Núcleo de aprendizagem 6 (5h a 20h) – Aulas práticas: Inspeção e palpação do pavilhão auricular; fixação da semente no pavilhão auricular; acompanhamento clínico.
Trata-se de uma formação coletiva, desenvolvida com enfermeiras(os) atuantes em Portugal e sem formação prévia em auriculoterapia/acupuntura auricular, sendo esses os critérios de inclusão. A turma foi composta por 19 enfermeiras(os) portuguesas(es). Foram convidados de forma intencional por professora da ESEnfC a participar da formação. Os participantes eram enfermeiras(os) já conhecidas(os) pela professora por terem realizado especialização, mestrado ou doutorado na ESEnfC, ou ainda, por atuarem em serviços em que a mesma possui vínculo devido às aulas e projetos da Universidade. Foi realizada uma lista de interesse contendo nome, e-mail e telefone dos possíveis profissionais participantes.
Em um primeiro momento, no dia 03 de janeiro de 2025, foi criado um grupo de mensagens instantâneas por telefone móvel com os participantes, no intuito de facilitar a comunicação e sanar as dúvidas referentes ao cadastro no Moodle e no Portal da Extensão da Pró-Reitoria de Extensão (PROREXT) da UFRGS para iniciar as aulas teóricas. Além do grupo de mensagens instantâneas, as comunicações ocorreram também via e-mail.
Na etapa teórica, os materiais utilizados foram disponibilizados via Moodle da UFRGS. Os módulos foram liberados de acordo com o desenvolvimento de cada estudante, conforme conclusão das leituras e resolução das questões para avaliação do aprendizado. Os materiais consistiram em apostilas, artigos científicos, link direcionando para o mapa de evidências da Biblioteca Virtual em Saúde da MTCI, recomendações clínicas em auriculoterapia baseadas em evidências e vídeos de apresentação e demonstrando os materiais necessários para a aula prática. O diálogo foi constante e as dúvidas foram sanadas de forma coletiva e individualizada, conforme necessidade dos enfermeiros, via mensagem ou e-mail.
Na etapa prática, o espaço do auditório da OE foi utilizado. As mesas e cadeiras foram dispostas em círculo objetivando o diálogo constante entre os enfermeiros. Foram organizados quatro dias de aula prática, conforme período de realização da mobilidade acadêmica, sendo eles: 30 de janeiro, 13, 20 e 27 de fevereiro, das 13h às 18h, totalizando 20 horas de prática. Devido à liberação dos serviços de saúde, nem todos os enfermeiros estavam presentes em todos os dias de aula prática, sendo necessário um mínimo de 5h para certificação.
No dia 30 de janeiro ocorreu a primeira aula prática, a qual consistiu na apresentação pessoal e profissional, resolução de dúvidas sobre os módulos teóricos vistos até o momento (haviam concluído até o módulo 3) e a familiarização com os materiais e montagem das placas com sementes. Nesse momento, cada enfermeiro manifestou as datas que poderiam estar presentes na prática, sendo organizado o cronograma das atividades conforme disponibilidade do grupo, conforme Tabela 1.
Cronograma das aulas práticas supervisionadas e número de participantes – Coimbra, Portugal, 2025.
Com os enfermeiros que realizaram 15 horas de aulas práticas, a formação foi pautada na biomedicina, reflexologia e MTC. Já com a turma que realizou 10 horas de prática, a abordagem foi voltada a biomedicina e reflexologia. Com base na experiência brasileira, as autoras compreendem que é possível aplicar a auriculoterapia pautada apenas na biomedicina e na reflexologia com qualidade e segurança com 5h de prática supervisionada devido à base de formação da graduação em enfermagem. No caso da MTC, 5h são consideradas mínimas e introdutórias, sendo necessário o aprofundamento com a prática profissional. De acordo com a experiência com as(os) enfermeiras(os) de Portugal, 10h foi avaliado como o mínimo necessário.
Como estratégia de ensino para a localização dos pontos auriculares, foi utilizado modelo de orelha de silicone e alfinetes, localização in loco na orelha do colega e por meio do uso de desenho da orelha e mapa auricular, conforme Figura 1.
Identificação de pontos auriculares em modelo de silicone, desenho da orelha e pessoa – Coimbra, Portugal, 2025.
Sendo assim, a primeira parte da prática consistiu na localização correta dos principais pontos auriculares. Após, ao enfocar na auriculoterapia e derivados segundo a reflexologia e a biomedicina, foi apresentada a inervação da orelha (nervo aurículo temporal, vago e auricular maior) e o mecanismo de ação. No intuito de apreensão da técnica de inspeção auricular, a turma foi dividida em duplas ou trios, identificando mudanças de coloração, morfologia e vascularização uns nos outros, utilizando focos de luz. Em seguida, os pares treinaram a palpação auricular e identificação dos pontos.
Após, foi apresentado caso clínico para simular atendimento, no qual tiveram que localizar os pontos segundo a biomedicina e reflexologia e aplicar os pontos utilizando sementes nos colegas.
Ao aprofundar a auriculoterapia/acupuntura auricular segundo a MTC, foi utilizado como guia um livro(15), abordando os diferentes materiais e seus estímulos: harmonização (sementes, cristais e pastilhas de silício), tonificação (agulhas 1,0 a 1,5 mm, agulhas superficiais e esferas de ouro) e sedação (agulhas de 1,8 a 2,0 mm, agulhas com profundidade e esferas de prata ou inox). Em seguida, foi retomada a teoria dos cinco elementos (vista na etapa teórica) e trabalhadas duas formas de tratamento segundo a MTC: (1) Tratamento do elemento/órgão choque e (2) Lei dos Ciclos de Geração e Dominância. Por fim, foram realizadas simulações com casos clínicos e protocolos de tratamento no intuito de praticar as três vertentes estudadas.
Resultado da Formação
Após a formação, sob a forma de roda de conversa, avaliou-se a formação ofertada e o quanto as e os enfermeiras(os) se sentiam aptas(os) para aplicar a auriculoterapia/acupuntura auricular. Os feedbacks foram positivos quanto à qualidade da condução das aulas e aprendizados. Como aspectos negativos, foram mencionados a necessidade de uma formação com mais carga horária para utilização da terapia auricular segundo a MTC. Ainda, foi debatida a forma de regulamentação adotada pelo COFEN no Brasil e os caminhos para uma possível regulamentação da prática profissional pela OE em Portugal.
O grupo de mensagens instantâneas foi mantido e frequentemente ocorrem discussões de casos, dúvidas e feedbacks. Como impacto da formação, é esperado que ocorra uma difusão da auriculoterapia/acupuntura auricular em Portugal, fomentando assim novas turmas e novos horizontes no que se refere à mesma como intervenção no cuidado de enfermagem.
DISCUSSÃO
O termo acupuntura auricular faz parte do escopo de práticas da MTC. As evidências não possuem um consenso acerca da origem da terapia auricular, que é utilizada há milhares de anos em diversos países, no entanto, o maior desenvolvimento da técnica e os primeiros documentos registrados são da China(3). A auriculoterapia, de acordo com o manuscrito recente de Raphael Nogier, é um termo derivado dos estudos de seu pai, Paul Nogier, médico francês(16). O termo auriculoterapia, no Brasil, é comumente utilizado para se referir a qualquer vertente da prática. Vale ressaltar que os estudos de Paul Nogier impulsionaram o reconhecimento da auriculoterapia no contexto internacional(16). Tendo em vista a discussão na comunidade científica acerca da terminologia, a opção pelo uso do termo auriculoterapia/acupuntura auricular objetivou contemplar as diferentes escolas e vertentes da prática, todas com sua importância e relevância científica.
A MTC é uma racionalidade médica composta de uma “complexa teia de interações, com alguns momentos de afastamento, outros de aproximação, entre várias escolas e tradições que surgiram ao longo da história”(17:104), e que hoje é praticada no mundo todo. Atualmente, a MTC está subdividida em especialidades (semelhante à tendência da biomedicina), fato que pode ter influência da ciência cartesiana. No entanto, é preciso lembrar que na sua origem, a terapêutica da MTC combinava modalidades de tratamento, como por exemplo: acupuntura, massagem, farmacopeia, dietoterapia e exercícios terapêuticos(17).
O documento mais importante no contexto mundial sobre a formação em acupuntura é o WHO Benchmarks for the training of acupuncture, desenvolvido pela OMS em parceria com mais de 50 especialistas do mundo todo. O mesmo estabelece categorias de treinamento em acupuntura, níveis de dificuldade dos conteúdos e uma grade curricular dos módulos de aprendizagem, que possui a intersecção de conteúdos da MTC diante das disciplinas básicas da área da saúde(18).
Não obstante, o destaque nesta discussão é o reconhecimento do caráter multiprofissional da acupuntura, em conformidade com a OMS(19), tendo em vista que o documento faz uma diferenciação no currículo básico para profissões biomédicas, pessoas que praticam medicinas tradicionais e pessoas sem formação biomédica(18). Considerando a acupuntura auricular como uma prática que está contemplada no escopo da acupuntura, mas que a formação pode ser realizada de forma independente, por meio de cursos livres (independentemente da formação em acupuntura), reforça também seu caráter multiprofissional. Evidência indica que enfermeiros que trabalham na área da MTC levaram à melhoria do estado de saúde dos pacientes, e que dentre as intervenções utilizadas está a auriculoterapia/acupuntura auricular(20).
Pesquisa que avaliou o perfil de formação de profissionais de auriculoterapia no Brasil, identificou um grupo multidisciplinar de praticantes, sendo a maioria mulheres de meia-idade que atendiam em seus consultórios particulares e com formações de mais de 40 horas, no formato on-line(21). Tal aspecto difere de pesquisa brasileira que avaliou apenas enfermeiros com formação em auriculoterapia, em que a maioria concentra seus atendimentos na APS(11).
Nesse sentido, considerando o contexto português, o Inquérito Social Europeu, Rodada 7 (edição 2.0, 2014) identificou que 14,1% da população de Portugal utiliza alguma CAM para o cuidado. Quase uma década depois, o Inquérito Social Europeu, Rodada 11 (edição 2.0, 2023), mostrou os perfis típicos de usuários de CAM na Europa permaneceram estáveis: mulheres, grupos de meia-idade e pessoas com alto nível de escolaridade tendem a usar mais do que outros grupos(22).
O exercício integrado das TNC juntamente com a medicina convencional no seio do Serviço Nacional de Saúde é sugerido na Lei de Bases da Saúde de 2019, na base 26, onde afirma que “O exercício das terapêuticas não convencionais é regulado pela lei, efetuado de modo integrado com as terapêuticas convencionais e de forma a garantir a proteção da saúde das pessoas e das comunidades, a qualidade assistencial e tendo por base a melhor evidência científica”(23:63)).
Recente revisão sistemática obteve como resultados que a utilidade percebida, definida como os benefícios percebidos de uma modalidade de MTCI no atendimento de necessidades ou objetivos de saúde específicos, é o fator mais influente no uso de MTCI, relatada em 79% dos estudos. Desta forma, os autores sugerem que ao integrar práticas de MTCI amplamente aceitas, as autoridades de saúde podem garantir o uso seguro, padronizado e baseado em evidências em ambientes médicos. Essa integração pode maximizar o engajamento e a satisfação do paciente, levando a melhores resultados de saúde(24).
Com isso, analisar experiências internacionais como as do Brasil(25), China e Estados Unidos da América (EUA), pode fomentar a implementação em outros contextos. Na China, a MTC é a principal prática, sendo que os esforços se voltam a traduzir as evidências e desenvolver diretrizes de prática clínica, tendo em vista que a MTC já foi adotada em todos os níveis de assistência à saúde. Nos EUA, o sistema de saúde é dominado pela medicina convencional, sendo assim, as intervenções de implementação voltam-se a facilitar o fornecimento de modalidades específicas de MTCI baseadas em evidências por meio de encaminhamentos de clínicos convencionais(26).
No Brasil, tendo em vista as potencialidades e fragilidades na implantação da PNPIC, viabilizar a formação e qualificação dos profissionais em número adequado para atuar no SUS é uma necessidade. Neste sentido, autores afirmam que o interesse de profissionais em se capacitar e o número considerável de iniciativas de ensino e pesquisa nas universidades públicas podem catalisar este processo(25).
Atualmente a preocupação das pesquisas volta-se também para a qualidade das formações, conforme estudos(11,21,27) e objetivos da Estratégia Global para 2025–2034(12). Pesquisas apontam a fragilidades nas formações de enfermeiros em PICS(27,28), bem como, a necessidade de diretrizes mínimas com relação à formação de profissionais de enfermagem em PICS, apontando que a padronização qualifica e melhora a segurança clínica(7,27), aspecto contemplado no objetivo do relato de experiência que pautou-se em uma formação estruturada em uma diretriz inédita elaborada em uma tese.
Tais aspectos corroboram com os anseios internacionais, tendo em vista que dentre os desafios citados na Estratégia Global para MTCI 2025–2034, aprovada em maio de 2025, no item 2.2, está a necessidade de definir requisitos mínimos de treinamento(12). Ou seja, a preocupação com a qualidade das formações e consequentemente dos currículos e seus requisitos mínimos é um tema crescente.
Autores defendem que a compilação/criação de documentos de referência para a formação e práticas de Traditional, complementary and integrative healthcare (TCIH) (tradução nossa: Cuidados de saúde tradicionais, complementares e integrativos) deve ser um processo colaborativo entre as organizações profissionais envolvidas, as instituições educativas e a OMS/regulador. Os profissionais podem fornecer informações sobre os resultados educacionais necessários para a profissão, ajudar a reunir os dados de segurança, eficácia e economia e, desempenhar um papel significativo na regulação das práticas(29).
Carecem estudos que abordem a realidade de Portugal no contexto específico da auriculoterapia/acupuntura auricular. Uma pesquisa recente objetivou identificar as atitudes, conhecimentos e perspectivas de 4334 médicos portugueses relativamente às TNC, sendo que quase metade (45,5%) não se sentem confortáveis para conversar, argumentar e explicar sobre as TNC(30). Os autores realçam a necessidade de incluir nos currículos de formação médica mais conteúdos sobre a eficácia e segurança das TNC, tendo em vista que conhecer é uma forma de orientar com segurança.
Entende-se que tais aspectos podem ser transpostos para a realidade da enfermagem portuguesa, que está diretamente implicada no cuidado. O que reforça o pioneirismo do presente relato de experiência, ao desenvolver a primeira formação pautada em uma diretriz para formação de enfermeiras(os) em auriculoterapia/acupuntura auricular inédita e cientificamente qualificada.
CONCLUSÃO
A experiência pedagógica relatada é inédita e inovadora, tendo em vista que foi pautada em uma proposta de diretriz estruturada na Oficina Nacional no Brasil.
Espera-se com o presente relato de experiência fomentar o movimento de regulamentação da auriculoterapia/acupuntura auricular como intervenção a ser desenvolvida nos serviços como competência das(os) enfermeiras(os) que realizaram a formação mínima, tendo como base o modelo brasileiro.
DISPONIBILIDADE DE DADOS
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo está disponível mediante solicitação ao autor correspondente.
Referências bibliográficas
-
1. Garcia-Cerde R, Medeiros PFP, Silva LF, Valente JY, Andreoni S, Sanchez ZM, et al. Use of integrative and complementary health practices by Brazilian population: results from the 2019 National Health Survey. BMC Public Health. 2023;23(1):1153. doi: https://doi.org/10.1186/s12889-023-16083-y. PubMed PMID: 37316825.
» https://doi.org/10.1186/s12889-023-16083-y -
2. Oliveira IM, Pasche DF. Between scientific legitimation and cultural legitimation: transformations in the field of Integrative and Complementary Practices. Cien Saude Colet. 2022;27(9):3777–87. doi: https://doi.org/10.1590/1413-81232022279.04462022. PubMed PMID: 36000662.
» https://doi.org/10.1590/1413-81232022279.04462022 - 3. Neves ML. Acupuntura auricular e neuromodulação. Florianópolis: Edição do Autor; 2020.
-
4. Alves SPS, Veiga-Branco MAR. Intervenções não farmacológicas de enfermagem na gestão da dor em doentes em urgência básica. Servir. 2023;2(6):e30277. doi: https://doi.org/10.48492/servir0206.30277.
» https://doi.org/10.48492/servir0206.30277 -
5. Bacelar MMSB. Efeitos da utilização das Terapêuticas Não Convencionais e análise da possível integração no Serviço Nacional de Saúde [Internet]. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa; 2017 [cited 2025 Aug 25]. Available from: https://run.unl.pt/bitstream/10362/53915/1/RUN%20-%20Trabalho%20Final%20CEAH%20-%20Marta%20Bacelar.pdf.
» https://run.unl.pt/bitstream/10362/53915/1/RUN%20-%20Trabalho%20Final%20CEAH%20-%20Marta%20Bacelar.pdf. -
6. Abranches PV. Domingues. A acupressão como terapia complementar durante o trabalho de parto [dissertação]. Lisboa: Escola Superior de Enfermagem de Lisboa; 2015 [cited 2025 Aug 25]. Available from: http://hdl.handle.net/10400.26/16501.
» http://hdl.handle.net/10400.26/16501. -
7. Wickert DC, Schimith MD, Fernandes IC, Trombini FS, Mello MCVA, Freitas CKAC, et al. Professional autonomy and nurses’ performance in integrative practices: a mixed study. Texto Contexto Enferm. 2024;33:e20240102. doi: https://doi.org/10.1590/1980-265x-tce-2024-0102pt.
» https://doi.org/10.1590/1980-265x-tce-2024-0102pt -
8. Argenta C, Abido SC, Adamy EK, Bavaresco T, Dalchiavon C, Lucena AF, et al. Auriculotherapy nursing intervention: development and content validation by specialists. Int J Nurs Knowl. 2025;36(4):457–64. doi: https://doi.org/10.1111/2047-3095.12495. PubMed PMID: 39560023.
» https://doi.org/10.1111/2047-3095.12495 -
9. Brasil. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN nº 739, de 05 de fevereiro de 2024. Normatiza a atuação da Enfermagem nas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde [Internet]. Diário Oficial da União; Brasília; 8 fev 2024 [cited 2025 Aug 25]; Seção 1:28. Available from: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-739-de-05-de-fevereiro-de-2024/.
» https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-739-de-05-de-fevereiro-de-2024/. -
10. Ye X, Lopes L, Teixeira R, Wang Y, Machado JP. Insights into current education of acupuncture as a non-conventional therapy in Portugal. Healthcare (Basel). 2023;11(10):1389. doi: https://doi.org/10.3390/healthcare11101389. PubMed PMID: 37239674.
» https://doi.org/10.3390/healthcare11101389 -
11. Dallegrave D, Wickert DC, Gonçalves IG, Schimith MD, Piexak DR. Factors associated with nurses’ search for training in auriculotherapy: a national crosssectional study. Rev Esc Enferm USP. 2024;58:e20240196. doi: https://doi.org/10.1590/1980-220x-reeusp-2024-0196en. PubMed PMID: 39607882.
» https://doi.org/10.1590/1980-220x-reeusp-2024-0196en -
12. Burki T. WHA adopts new strategy on traditional medicine. Lancet. 2025;405(10493):1897–8. doi: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(25)01142-0.
» https://doi.org/10.1016/S0140-6736(25)01142-0 -
13. Mussi RFF, Flores FF, Almeida CB. Pressupostos para elaboração de relato de experiência como conhecimento científico. Rev Práx Educ. 2021;17(48):60–77. doi: https://doi.org/10.22481/praxisedu.v17i48.9010.
» https://doi.org/10.22481/praxisedu.v17i48.9010 -
14. Donabedian A. The quality of care: how can it be assessed? JAMA. 1988;260(12):1743–8. doi: https://doi.org/10.1001/jama.1988.03410120089033. PubMed PMID: 3045356.
» https://doi.org/10.1001/jama.1988.03410120089033 - 15. Santos FM. Manual definitivo de auriculoterapia chinesa. 1. ed. São Paulo: Editora Inserir; 2019.
-
16. Nogier R. History of auriculotherapy: additional information and new developments. Med Acupunct. 2021;33(6):410–9. doi: https://doi.org/10.1089/acu.2021.0075. PubMed PMID: 34976274.
» https://doi.org/10.1089/acu.2021.0075 -
17. Luz MT, Barros NF. Racionalidades médicas e práticas integrativas em saúde: estudos teóricos e empíricos [Internet]. Rio de Janeiro: Cepesc/IMS/Uerj/Abrasco; 2012 [cited 2025 Aug 25]. Available from: https://lappis.org.br/site/wp-content/uploads/2021/07/racionalidades-medicas.pdf.
» https://lappis.org.br/site/wp-content/uploads/2021/07/racionalidades-medicas.pdf. - 18. World Health Organization. WHO benchmarks for the training of acupuncture. Geneva: WHO; 2020.
-
19. Mocarzel R, Kornin A, Tesser C, Ferreira A S. Quem pode atuar com acupuntura no Brasil? Saude Soc. 2024;33(2):e230197pt. doi: https://doi.org/10.1590/S0104-12902024230197pt.
» https://doi.org/10.1590/S0104-12902024230197pt -
20. Chang MJ, Hsieh SI, Huang TH, Hsu LL. A clinical care competency inventory for nurses in Traditional Chinese Medicine: development and psychometric evaluation. Nurse Educ Pract. 2020;49:102881. doi: https://doi.org/10.1016/j.nepr.2020.102881. PubMed PMID: 33126014.
» https://doi.org/10.1016/j.nepr.2020.102881 -
21. Santos ME, Polloni LB, Intelangelo L, Campos DB, Ferreira KRDR, Macedo MCG, et al. The Brazilian auriculotherapy practitioners’ training profiles, perceptions of efficacy, and technique-related side effects: an exploratory study. Med Acupunct. 2025;37(2):166–74. doi: https://doi.org/10.1089/acu.2024.0092. PubMed PMID: 40308729.
» https://doi.org/10.1089/acu.2024.0092 -
22. Kemppainen LM, Kemppainen TT. Changes in Complementary and Alternative Medicine (CAM) use from 2014 to 2023: findings from a cross-national population-based survey in Europe. J Public Health (Berl). 2025. doi: https://doi.org/10.1007/s10389-025-02494-1.
» https://doi.org/10.1007/s10389-025-02494-1 -
23. Portugal. Lei n.º 95/2019, de 4 de setembro. Lei de Bases da Saúde. Diário da República Eletrónico; Lisboa; 4 set 2019 [cited 2025 Aug 25]. Available from: https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/lei/95-2019-124417108.
» https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/lei/95-2019-124417108. -
24. Maghrabi WH, Badr H, Alkhyat A, Schlaeger JM, Cynthia F. Perceived usefulness drives the use of traditional, complementary, and integrative medicine: a systematic umbrella review. J Integr Complement Med. 2025;31(9):768–79. doi: https://doi.org/10.1089/jicm.2024.0841. PubMed PMID: 40372927.
» https://doi.org/10.1089/jicm.2024.0841 -
25. Habimorad PHL, Catarucci FM, Bruno VHT, Silva IB, Fernandes VC, Demarzo MMP, et al. Implementation of Brazil’s National Policy on complementary and integrative practices: strengths and weaknesses. Ciênc Saúde Colet. 2020;25(2):395–405. doi: https://doi.org/10.1590/1413-81232020252.11332018.
» https://doi.org/10.1590/1413-81232020252.11332018 -
26. Chung VC, Ho FF, Lao L, Liu J, Lee MS, Chan KW, et al. Implementation science in traditional, complementary and integrative medicine: an overview of experiences from China and the United States. Phytomedicine. 2023;109:154591. doi: https://doi.org/10.1016/j.phymed.2022.154591. PubMed PMID: 36610171.
» https://doi.org/10.1016/j.phymed.2022.154591 - 27. Gnatta JR, Domingos TS, Gherardi-Donato ECS, Fusco SFB, Kurebayashi LFS, Borges TP. Perfil sociodemográfico e de formação dos profissionais de enfermagem do estado de São Paulo em relação às práticas integrativas e complementares em saúde. Rev Lat Am Enfermagem. 2024;32:e4204.
-
28. Wickert DC, Dallegrave D, Piexak DR, Mello MCVA, Corcini LMCS, Schimith MD. Práticas integrativas e complementares, perfil e cuidados de enfermeiras(os) às pessoas com hipertensão: estudo misto. Rev Latino-Am Enfermagem. 2023;31:e3916. doi: https://doi.org/10.1590/1518-8345.6287.3916.
» https://doi.org/10.1590/1518-8345.6287.3916 -
29. von Schoen-Angerer T, Manchanda RK, Lloyd I, Wardle J, Szöke J, Benevides I, et al. Traditional, complementary and integrative healthcare: global stakeholder perspective on WHO’s current and future strategy. BMJ Glob Health. 2023;8(12):e013150. doi: https://doi.org/10.1136/bmjgh-2023-013150. PubMed PMID: 38050407.
» https://doi.org/10.1136/bmjgh-2023-013150 -
30. Nogueira C, Brito de Sá A, Martins AP. Attitudes, knowledge and views of Portuguese physicians regarding complementary and alternative medicine: a cross-sectional study. Acta Med Port. 2022;35(5):320–7. doi: https://doi.org/10.20344/amp.16073. PubMed PMID: 35108180.
» https://doi.org/10.20344/amp.16073
-
Apoio financeiro
Apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) – Código de Financiamento 001, Brasil.Apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 18/2021 – Faixa A – Grupos Emergentes, número do processo 404534/2021-0, Brasil.Auxílio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), edital 04/2024- auxílio emergencial para mobilidade de estudantes de doutorado em função da emergência climática ocorrida no Rio Grande do Sul, termo de outorga número 24/2551-0001824-7.Doação de materiais realizada pela empresa DUX acupunture.


