Open-access SBU 40 anos: uma visão por meio de seus gestores (1983-2023)

SANTOS, G. C.. SBU 40 anos: uma visão por meio de seus gestores (1983-2023). Campinas: UNICAMP/BCCL, 2024. 208 p. 978-65-88816-74-5. Disponível em: https://econtents.bc.unicamp.br/omp/index.php/ebooks/catalog/book/176. . Acesso em: 07 jan. 2025.

Organizado por Gildenir Carolino Santos, tendo sido lançado no final de 2024, a obra aborda

os 40 anos de existência do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Campinas (SBU). Por meio de relatos dos diretores que passaram pelo Sistema de Bibliotecas (...). A história das bibliotecas da Universidade Estadual de Campinas começa logo após a criação da Universidade de Campinas, denominada assim no seu início em 1963. A Biblioteca da Faculdade de Medicina foi a primeira a iniciar suas atividades (...). Com o crescimento da universidade, surgiu a necessidade de melhorar a infraestrutura das bibliotecas. Ainda não havia um sistema de bibliotecas até o surgimento da Biblioteca Central (BC), em 1983, que abarcou a responsabilidade da implantação de técnicas e métodos para a catalogação e composição da formação dos acervos de modo mais tecnicamente organizado e central. (Santos, Apresentação, p. 9-11).

A professora Maria Luiza Moretti, da Faculdade de Medicina e coordenadora geral da universidade, reforça que a obra

(...) se propõe a desvendar a rica história do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (SBU), desde seus primórdios, marcados por desafios e sonhos audaciosos, até sua consolidação como um dos sistemas de bibliotecas universitárias mais respeitados do país (Moretti, Prefácio..., p. 18)

A obra é dividida em sete capítulos, sendo o primeiro de autoria do professor Ataliba Teixeira de Castilho (p. 29-35), que, após participar de um programa de pesquisador visitante na Universidade do Texas (Austin), em 1970, voltando para Campinas, foi chamado pelo Reitor Pinotti, mantendo o seguinte diálogo:

-- O Dr. Lane me contou que você anda dizendo que as nossas bibliotecas são nosso calcanhar de Aquiles. É verdade?

-- É verdade. Sempre estranhei que uma universidade tão dinâmica como a UNICAMP não tenha conseguido obter o mesmo ritmo de suas bibliotecas.

-- Bem, você está vendo essas gavetas todas aqui da Reitoria? Estão cheias de projetos! Não quero mais um. Traga uma solução para resolver esse problema. (Castilho, Cap. 1, p. 30; grifos nosso).

Como resultado dessa conversa, o Professor Castilho foi indicado Coordenador de Informação e Difusão, iniciando, assim, a tarefa de montagem do sistema de bibliotecas. No final do capítulo, o autor apontou que, semelhante aos professores, os bibliotecários também deveriam se preocupar com o desenvolvimento profissional, realizando, entre outras coisas, visitas e estágios em bibliotecas do exterior, bem como pós-doutorado. “A Universidade não é lugar para incompetentes” (...) Afinal, aqui é a UNICAMP!” (Castilho, p. 35).

O segundo capítulo (p. 37-53) cobre 1983-1998, período em que o SBU foi dirigido pela bibliotecária Leila Mercadante. Nesse período de 15 anos, o sistema foi implantado, tendo sido vencidos inúmeros obstáculos, entre eles, a finalização da construção prédio com 12 mil m2, alcançada em 1989. Mercadante comenta as principais ações executadas e, argutamente, aponta era vital a captação de recursos:

A Universidade sempre foi uma instituição propícia a dar oportunidades. Logo aprendi que aqui se poderia fazer muita coisa, desde que também você buscasse o financiamento necessário. (...) ofereci recursos e juntos passamos a dinamizar essas ações citadas. (Mercadante, p. 48; grifo nosso)

Finalizando o capítulo, Mercadante confessa que:

Nunca fui uma bibliotecária de catalogação e classificação. Sempre fui uma bibliotecária administradora. Eu já nasci administradora, gosto muito de comandar. (...), mas quero lembrar que tudo isto não foi fácil de conquistar. A vida do bibliotecário é uma luta constante, de muito estudo, principalmente agora, com as novas tecnologias de informação, o que exige muita atualização, atuação efetiva, participação e muita integração com a comunidade na qual está inserida” (Mercadante, p. 53; grifo nosso).

O período de 1998-2011, abordado no terceiro capítulo, analisa a gestão da bibliotecária Maria Alice Rebello do Nascimento. Nessa parte, o organizador da obra lembrou que essa gestão:

Foi marcada por uma profunda transformação tecnológica, impulsionada pela sua expertise em sistemas automatizados. A modernização do parque tecnológico das bibliotecas da UNICAMP, com investimentos em software de última geração e infraestrutura foi um marco para época (Santos, Cap. 3, p. 61).

O bibliotecário Luiz Atílio Vicentini é o autor do quarto capítulo (p. 63-84), onde analisa a sua gestão durante 2001-2014. Estando na instituição desde 1995, ele relembra que:

Em 2001, com a vacância do cargo de Diretor da Biblioteca Central/Sistema de Bibliotecas, em conformidade com o regimento do SBU, assumi essa função com as obrigações do cargo. (...) Contando de 1999 a 2014, em funções de gestão, foram 15 anos de muito trabalho e aprendizado. Aprendi como as instituições se move, funciona, conheci os diversos profissionais não só das bibliotecas, mas docentes, alunos, enfim, uma diversidade de profissionais de todas as áreas em que uma instituição que tem como filosofia a pluralidade caracterizada na sua origem (Vicentini, Cap. 4, p. 65; grifo nosso).

O quinto capítulo, relativo ao período de 2014-2018, é de autoria da bibliotecária Regiane Alcântara Bracchi; onde focou os seguintes eixos: o desenvolvimento do planejamento estratégico (2015-2019), projetos e processos inovadores feitos no período. A autora que a sua gestão:

enfrentou desafios que são próprios e comuns às instituições públicas, mas, trabalhando de forma colaborativa e em parceria com cada uma das bibliotecas do sistema e suas equipes, bem como em parceria com os demais setores e lideranças da Universidade e tendo objetivos claramente definidos, os quais nortearam todas as nossas ações, foi possível alcançar avanços notáveis (Bracchi, Cap. 5, p. 108; grifo nosso).

Oscar Eliel foi o autor do sexto capítulo, onde analisou as 27 ações mais relevantes da gestão da bibliotecária Valéria doso Santos Gouveia Martins, durante o período de 2018 a 2022. Eliel também destacou que:

O período foi marcado por momentos desafiadores como a finalização da construção da Biblioteca de Obras Raras (BORA) (...) A gestão também foi marcada pelo recebimento de importantes acervos de renomados intelectuais (...) também ganhou destaque a criação da Comissão de Gestão de Dados de Pesquisa (CGDP) e o lançamento do Repositório de Dados de Pesquisa (REDU). (...) A pandemia de covid-19, com seus desafios, impulsionou a implementação de protocolos de atendimento remoto, aquisição de novos acervos digitais e criação de materiais informativos para os alunos (Eliel, p. 132-133; grifo nosso).

O período 2022-2026 foi comentado por Oscar Eliel e Márcio Souza Martins, respectivamente, diretor e diretor associado do SBU. Neste sétimo capítulo (p. 135-186) os autores detalharam dezenas de ações contidas em seis eixos de atuação: 1) gestão democrática, participativa e transparência; 2) inovação em produtos, serviços e infraestrutura física e tecnológica; 3) gestão de processos; 4) recursos humanos, conhecimento e formação; 5) ciência aberta, boas práticas de pesquisa, repositório institucional e dados de pesquisa; 6) patrimônio cultural, memória e cultura.

Segundo os autores:

Esses eixos direcionam muitas das coisas das nossas ações e esforços, garantindo uma gestão alinhada com os objetivos estratégicos da Universidade e do SBU e as necessidades da comunidade acadêmica e da sociedade em geral (Eliel, Martins, p. 138; grifo nosso).

No final, constam da obra as considerações finais de autoria de Gildenir Carolino Santos (p. 187-188), e um posfácio, de autoria de Maria Solange Pereira Ribeiro (p. 189-191). Nessa última parte, a autora enfatiza que:

Este livro tem o propósito de ressaltar os fazeres dos colegas que ocuparam relevantes cargos junto à administração geral da Universidade representando as bibliotecas, hoje SBU, informando às novas gerações de profissionais da informação o quanto já foi feito. Além disso, transmite o legado e ao tempo atribui a responsabilidade implícita aos novos profissionais, que devem continuar os esforços da velha guarda no desenvolvimento dos serviços das bibliotecas (Ribeiro, Posfácio, p. 190; grifo nosso).

Assim, é importante ressaltar aqui o importante e minucioso trabalho do bibliotecário Gildenir Carolino Santos em organizar um documento que mostrasse a importância do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP, as dificuldades enfrentadas por seus gestores e os resultados obtidos nesses 40 anos. Faço votos de que os outros sistemas de bibliotecas brasileiros possam organizar obras similares, contribuindo assim, para a memória das nossas instituições e dos seus gestores.

A obra sobre a UNICAMP, em boa hora, vem preencher uma lacuna na literatura biblioteconômica brasileira, onde são escassos os textos mais aprofundados sobre a evolução das nossas bibliotecas universitárias. Dentre esses textos, vale a pena citar: Carneiro (2007), Carvalho (2019), Fonseca (1973), Mattos (2000), Mayrink (2017), Moreira (2019), Pereira (1966), Sousa (2002). Assim, faço votos de que os outros sistemas de bibliotecas brasileiros possam organizar obras similares, contribuindo assim, para a memória das nossas instituições e dos seus gestores, bem como servir de material didático no ensino de Biblioteconomia.

Reconhecimentos:

Não aplicável.

REFERÊNCIAS

  • CARNEIRO, Maria Graciete Pinto. Dos leitores: o espaço da leitura na biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo (1887-1920). 2007. Dissertação (Mestrado em História Social) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007. doi: https://doi.org/10.11606/D.8.2007.tde-26102007-154708 Acesso em: 2025-02-25.
    » https://doi.org/10.11606/D.8.2007.tde-26102007-154708
  • CARVALHO, Gracilene Maria de; NATIVA, Neide. Sistema de Bibliotecas e Informação (Sisbin): um breve histórico. Ouro Preto, 2019. 6f. Não publicado. Disponível em: https://sisbin.ufop.br/sites/default/files/sisbin_historia.pdf
    » https://sisbin.ufop.br/sites/default/files/sisbin_historia.pdf
  • FONSECA, Edson Nery da. Biblioteca Central da Universidade de Brasília: história com um pouco de doutrina e outro tanto de memórias. Revista de Biblioteconomia de Brasília, Brasília, DF, v. 1, n. 1, p. 35-42, jan./jun. 1973.
  • MATTOS, Maria Antonia Ribas Pinke Belfort de. A biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de Campinas: (seus primeiros anos). Campinas, SP: Pontifícia Universidade Católica de Campinas, 2000.
  • MAYRINCK, Marina. Universidade e biblioteca universitária no Brasil: o caso da Biblioteca Central do Gragoatá da (história e memórias: 1994-2015). Niterói: Universidade Federal Fluminense, Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, 2017. 150 p.
  • PEREIRA, Cleide Ancilon de Alencar. As bibliotecas da Universidade Federal do Ceará. Boletim da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, p. 92-96, mar./abr. 1966.
  • MOREIRA, Adeli Gomes (org.). Biblioteca de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Ceará: 70 anos. Fortaleza: Imprensa Universitária da Universidade Federal do Ceará, 2019.
  • SOUZA, Ieda Maria de. Biblioteca Universitária da UFSC: memória oral e documental Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2002. 257 p. ISBN 8587103113.
  • Financiamento:
    Não aplicável.
  • Aprovação ética:
    Não aplicável.
  • Disponibilidade de dados e material:
    Não aplicável.
  • Imagem:
    Extraída da plataforma ResearchGate
  • JITA:
    DD. Academic libraries.
  • ODS:
    4 - Educação de Qualidade

Editado por

  • Editor:
    Gildenir Carolino Santos

Disponibilidade de dados

Não aplicável.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    12 Maio 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    07 Jan 2025
  • Aceito
    23 Fev 2025
  • Publicado
    26 Fev 2025
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