Open-access O perigo oculto do amianto em situações de desastres: reflexões para futuros enfrentamentos

Embora o uso do amianto tenha sido proibido no Brasil em 2017, ainda existe um grande passivo desse material no país, inclusive em áreas vulneráveis a desastres. Em maio de 2024, uma enchente sem precedentes atingiu 484 municípios no Rio Grande do Sul, causando danos a edificações e instalações que possivelmente continham amianto, presente em materiais como telhas e caixas d’água. Em situações de desastres, tanto os trabalhadores como a população, podem ser expostos ao amianto, com risco de desenvolvimento das doenças relacionadas, como asbestose e câncer de pulmão. O potencial de contaminação ambiental, ocupacional e os impactos à saúde pública decorrentes de eventos climáticos extremos, associados ao aumento da frequência e da intensidade dos desastres, torna imprescindível que se priorize a elaboração de um plano nacional para a gestão do amianto. O plano deve incluir medidas de prevenção, identificação e remoção segura de materiais contendo amianto, além de capacitação e fornecimento de equipamentos de proteção para trabalhadores e moradores, com ênfase em áreas vulneráveis, como regiões urbanas em encostas e locais com histórico de desastres. O estabelecimento de diretrizes e ações de conscientização também é necessário para reduzir a exposição ao amianto em situações de desastre.

Palavras-chave
Amianto; Gestão de Riscos; Mudança Climática; Desastres Naturais; Saúde do Trabalhador

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