Open-access Evolução Histórica do Conforto no Cuidado de Enfermagem a Pacientes Oncológicos em Fim de Vida: Revisão Integrativa da Literatura

RESUMO

Introdução:  O paciente oncológico em fim de vida está propenso a experienciar sinais e sintomas desagradáveis em virtude da progressão da doença. O enfermeiro, ao longo de toda a sua trajetória histórica, direcionou o cuidado para a identificação, o manejo e a avaliação do desconforto.

Objetivo:  Identificar o impacto da evolução histórica do conforto no cuidado de enfermagem ao paciente oncológico em fim de vida.

Método:  Revisão integrativa da literatura de caráter exploratório e descritivo utilizando as bases de dados LILACS, MEDLINE e SciELO sem recorte temporal para maior abrangência de resultados.

Resultados:  Os principais impactos das teorias de enfermagem pautadas no conforto foram a valorização do modelo holístico, o estímulo do vínculo enfermeiro-paciente, o controle de sintomas, a diminuição do sofrimento e as condutas alinhadas aos valores do paciente.

Conclusão:  O conforto é mencionado no estado da arte em textos históricos, teorias e na prática assistencial da enfermagem. As teorias que abordam o conforto direcionam o cuidado de enfermagem ao paciente oncológico em fim de vida buscando reduzir o desconforto e o sofrimento do paciente.

Palavra-chave:
História da Enfermagem; Teoria de Enfermagem; Cuidados Paliativos na Terminalidade da Vida/história

ABSTRACT

Introduction:  End-of-life cancer patients are prone to experiencing unpleasant signs and symptoms due to the progression of the disease. Along nursing historical trajectory, care was targeted to identify, manage and evaluate the discomfort.

Objective:  To identify the impact of the historical evolution of comfort in nursing care for end-of -life cancer patients.

Method:  Exploratory and descriptive integrative literature review utilizing LILACS, MEDLINE and SciELO databases without time restraints for more comprehensive results.

Results:  The main impacts of nursing theories based on comfort were the valorization of the holistic model, the stimulation of the nurse-patient bond, the control of symptoms, the reduction of suffering and behaviors aligned with the patient's values.

Conclusion:  Comfort is mentioned in state-of-the-art historical texts, theories and nursing care practice. Nursing care to end-of-life cancer patients is guided by theories that address comfort and reduce the patient's discomfort and suffering.

Key words:
History of Nursing; Nursing Theory; Hospice Care/history

RESUMEN

Introducción:  El paciente con cáncer al final de su vida es propenso a experimentar signos y síntomas desagradables debido a la progresión de la enfermedad. El personal de enfermería, a lo largo de su trayectoria histórica, dirigió los cuidados hacia la identificación, manejo y evaluación del malestar.

Objetivo:  Identificar el impacto de la evolución histórica del confort en los cuidados de enfermería al paciente con cáncer al final de la vida.

Método:  Revisión integradora de la literatura de carácter exploratorio y descriptivo, utilizando las bases de datos LILACS, MEDLINE y SciELO sin marco temporal para mayor cobertura de resultados.

Resultados:  Los principales impactos de las teorías de enfermería basadas en el confort fueron la valorización del modelo holístico, la estimulación del vínculo enfermera-paciente, el control de los síntomas, la reducción del sufrimiento y los comportamientos alineados con los valores del paciente.

Conclusión:  El confort es mencionado como lo más avanzado en textos históricos, teorías y en la práctica del cuidado de enfermería. Las teorías que abordan el confort dirigen los cuidados de enfermería hacia los pacientes con cáncer al final de la vida, buscando reducir el malestar y el sufrimiento del paciente.

Palabras clave:
Historia de la Enfermería; Teoría de la Enfermería; Cuidados Paliativos al Final de la Vida/historia

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2030, o Brasil será o quinto país com a população mais idosa do mundo1. Esse aumento da longevidade é acompanhado pelo aumento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), tais como doenças cardiovasculares, respiratórias, cânceres e diabetes. Atualmente, o câncer é a segunda causa de morte no mundo e a principal causa de morte em 10% das cidades brasileiras2.

A OMS, em seu conceito atualizado em 2002, define que os cuidados paliativos têm como objetivo basilar promover uma assistência de saúde e de qualidade mediante uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e de seus familiares diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento, da identificação precoce, da avaliação impecável e do tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais1,3,4.

É recomendado que os cuidados paliativos sejam iniciados desde o diagnóstico de uma doença que ameace a vida, enquanto os cuidados ao fim de vida correspondem à assistência prestada em um tempo de sobrevida estimado de 72 horas a uma semana antes do falecimento, convergindo para a qualidade de vida do paciente e do familiar, prevenindo e atenuando as quatro dimensões do sofrimento elaboradas por Cicely Saunders: física, social, psíquica e espiritual57.

A progressão da doença faz com que medidas de conforto sejam indispensáveis, considerando que sinais e sintomas como dor, náusea, dispneia, fadiga, constipação, inapetência, depressão, sonolência e ansiedade são, por vezes, incapacitantes, tornando o manejo do paciente oncológico em fim de vida ainda mais complexo, visto que as dimensões do sofrimento diante da finitude são singulares, e não se restringem somente ao paciente, podendo se estender à família e à equipe multiprofissional envolvida no cuidado5,79.

O cuidado de enfermagem ao paciente em fim de vida exige identificação precoce e manejo adequado de sinais e sintomas. Ao mesmo tempo em que são elencadas prioridades adaptadas para cada indivíduo, promovendo interação com a rede de apoio, fazendo com que as metas de cuidado estejam alinhadas com o objetivo terapêutico definido junto com o paciente, a família e a equipe envolvida nesse cuidado5.

O contexto de enfermagem no cuidado do paciente oncológico é multifacetado e implica desafios específicos e responsabilidades essenciais para os profissionais de enfermagem. O cuidado oncológico vai além do tratamento médico, abrangendo aspectos emocionais, psicossociais e físicos. Os enfermeiros desempenham um papel crucial na educação do paciente sobre o diagnóstico e o tratamento, fornecendo apoio emocional durante todo o curso da doença. No contexto do paciente oncológico, o cuidado de enfermagem na oncologia tem a sua abordagem centrada na pessoa, respeitando a individualidade e os desejos do paciente. É dada atenção especial à qualidade de vida, ao alívio da dor, e suporte ao enfrentamento torna-se essencial10,11.

O conforto tem sido relacionado aos cuidados de enfermagem ao longo da história tendo como influência fatores sociais, econômicos, políticos e religiosos. A palavra conforto vem do latim confortare, que significa tornar forte, fortalecer. Por sua vez, enfermo deriva do latim infirmus, aquele que não está forte. Nesse sentido, o enfermeiro é aquele que confere força ao enfermo8,7.

Considerando a qualidade de morte no Brasil, a complexidade do manejo das dimensões do sofrimento apresentadas pelos pacientes oncológicos em fim de vida e o protagonismo do cuidado de enfermagem, o objetivo desta pesquisa é identificar o impacto da evolução histórica do conforto no cuidado de enfermagem ao paciente oncológico em fim de vida.

MÉTODO

Revisão integrativa da literatura de carácter exploratório e descritivo. Tal método permite compilar em um único trabalho pesquisas que foram discutidas de forma separadas na literatura. Além disso, busca-se a reflexão sobre o estado da arte com vistas a promover discussões de resultados evidenciados e identificar possíveis carências dentro da temática. Desse modo, seguiu-se um roteiro metodológico composto por seis etapas: elaboração da pergunta norteadora, busca na literatura, coleta de dados, análise crítica dos estudos, discussão dos resultados e apresentação12.

Na primeira etapa, a pergunta norteadora foi definida a partir da estratégia PICO (P – População/Paciente, I – Intervenção, C – Controle/Comparação e O – Desfecho) (Tabela 1). Nesta revisão, o item "Controle/Comparação" não foi utilizado, em razão da inexistência do grupo controle12. A pergunta norteadora do estudo foi: "Qual é o impacto da evolução histórica do conforto no cuidado de enfermagem ao paciente oncológico em fim de vida?"

Tabela 1
Estratégia para construção da pergunta de pesquisa. São Paulo, SP, Brasil, 2023

Na segunda etapa, realizou-se a busca na literatura por artigos indexados nas seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) e Scientific Electronic Library Online (SciELO) e, por outros estudos, como dissertações, utilizando os Descritores em Ciências da Saúde (DeCs): "Nursing History", "Nursing Theory", "Comfort Care". Em função das limitações na disponibilidade de dados na literatura, optou-se pela não utilização de descritores relacionados a cuidados paliativos, oncologia e cuidados de fim de vida, concentrando a pesquisa na correlação entre a evolução histórica do conforto e o cuidado de enfermagem. A pesquisa incluiu documentos completos em inglês, português e espanhol, sem recorte temporal, e excluiu documentos que não abordavam a temática, relatos de experiência e artigos duplicados.

Durante a terceira etapa da pesquisa, 517 publicações que corresponderam aos DeCs foram incluídas no software Rayyan, objetivando a organização e o gerenciamento dos dados coletados.

Na quarta etapa, as 517 publicações tiveram seus títulos e resumos lidos por dois revisores independentes. Foram excluídas 457 publicações que não atenderam aos critérios de inclusão e 34 publicações duplicadas. As 26 publicações restantes passaram por uma segunda análise. Nessa etapa, os textos foram lidos na íntegra, e seis publicações foram descartadas por não se relacionarem à temática pesquisada. Das 20 publicações elegíveis, quatro tiveram como foco o paciente oncológico em fim de vida e 16 publicações foram consideradas por correlacionarem o conforto com o cuidado de enfermagem. As 20 publicações elegíveis – 17 artigos, duas dissertações de mestrado e uma dissertação de doutorado – foram tabuladas em um quadro, contendo o título, ano, país, metodologia e principais resultados do estudo. A Figura 1 apresenta o fluxograma da metodologia por meio do esquema PRISMA13.

Figura 1
Fluxograma do processo de seleção dos artigos

RESULTADOS

A distribuição geográfica dos estudos concentrou-se no Brasil (55%), seguido pelos Estados Unidos da América (35%), China (5%) e Itália (5%), com predominância da língua inglesa, com publicações entre 1991 e 2020.

As características dos 20 artigos incluídos nesta revisão estão dispostos no Quadro 16,1432.

Quadro 1
Características dos estudos incluídos na revisão. São Paulo (SP), Brasil, 2023

Cinco estudos14,16,20,25,27 correlacionaram o conforto com a evolução histórica da enfermagem. Observou-se a colaboração da percepção do conforto das teóricas Florence Nightingale, Callista Roy, Ida Jean Orlando, Jean Watson, Josephine Paterson, Hildegard Peplau, Madeleine Leininger, Loretta T. Zderad, Janice M. Morse e Katharine Kolcaba. Cinco dos 20 artigos selecionados tiveram como autora principal Katherine Kolcaba, e metade das publicações brasileiras teve como referencial teórico a sua teoria do conforto.

Cardoso et al.28 enfatizaram a importância de abordagens sistematizadas, enquanto Hou et al.22 trazem a lacuna na formação de enfermagem a respeito do cuidado humanizado nas instituições formadoras, de tal modo que é preciso discutir mais sobre a Política Nacional de Humanização33, bem como associar e identificar o debate para as teorias do cuidado.

Nove estudos12,13,16,18,21,24,26 convergiram no sentido de que as teorias de enfermagem fundamentam o processo de enfermagem e viabilizam ações de enfermagem voltadas para o conforto, de forma holística, considerando as quatro dimensões do conforto e a singularidade do indivíduo. Somente um estudo6 teve como intervenção de enfermagem a musicoterapia no cuidado ao paciente em cuidados paliativos como estratégia de promoção de conforto.

Quatro estudos17,19,29,32 tiveram como foco o paciente em fim de vida, entre eles, três estudos17,19,29 descrevendo o contexto no qual o paciente está inserido. White et al.19 elencaram competências necessárias para o manejo adequado de pacientes em fim de vida.

Os artigos convergem no sentido de que os principais impactos das teorias de enfermagem no manejo do paciente oncológico em fim de vida foram o estímulo do vínculo entre o paciente e o enfermeiro, o controle de sintomas, a diminuição do sofrimento e as ações alinhadas com a vontade do paciente evitando intervenções fúteis.

DISCUSSÃO

A evolução histórica evidencia que o conforto é subjetivo, mutável e indissociável à prática de enfermagem. Inicialmente, o conforto era proporcionado por mulheres em razão da crença de gênero de docilidade, abnegação e delicadeza, acreditava-se que nascer mulher as tornava automaticamente aptas ao cuidado34. O cuidado era prestado de forma empírica e intuitiva, com ações voltadas para a fertilidade, crescimento e desenvolvimento de crianças, assistência aos enfermos e amparo na morte. Os ensinamentos relacionados à alimentação, ervas medicinais e ao manejo eram passados de geração para a geração14,16,29,26.

O Renascimento alavancou a arte e a ciência, ao mesmo tempo trouxe a dissolução das instituições religiosas e das ações voltadas para o cuidado, retardando os avanços da enfermagem35. A decadência evidenciou a insalubridade do ambiente e a exclusão da camada socialmente desfavorecida. Nesse momento, as intituladas damas e irmãs de caridade passam a visitar os enfermos, trazendo conforto na oferta de alimentos, medicamentos e alento aos que estavam morrendo1416.

Com o advento do Cristianismo, o cuidado era realizado por diaconisas, e passa a ser visto como caridade e virtude. O conforto se dava pelo alívio da dor e do sofrimento de pobres, enfermos e prisioneiros1416. Segundo Foucault36, proporcionar conforto ao enfermo garantia a própria salvação. Com a fundação do Hospital Kaiserswerther Diakonie, as diaconisas ressurgiram, cuidando de pobres e enfermos, enquanto estudavam teologia e enfermagem. Entre as mulheres que passaram pelo treinamento, estava Florence Nightingale, que, durante a epidemia de cólera e após a Guerra da Crimeia, consolidou a sua teoria ambientalista, salientando que ambientes insalubres contribuem para o adoecimento e para o desconforto14,16,24.

O século XX é marcado pelo crescimento substancial de teóricas da enfermagem como Ida Jean Orlando, Hildegard Peplau (1952), Callista Roy (1979), Madeleine Leininger (1978), Jean Watson (1979), Josephine Paterson (1960) e Loretta T. Zderad, Janice M. Morse e Katharine Kocalba (1991). Lydia Hall37 definiu o cuidar como um processo, e Ida Jean Orlando (1960) foi uma das enfermeiras pioneiras na utilização do termo "processo de enfermagem", relatando em sua teoria que o enfermeiro deve proporcionar conforto físico e mental ao paciente. Callista Roy emprega o conforto psicológico para a promoção da adaptação. Madeleine Leininger relaciona o conforto com o cuidar. Jean Watson considera o conforto uma variável que influencia o desenvolvimento. Josephine Parteson e Loretta T. Zderad defendem que desconfortos mentais podem reverberar no físico. Janice M. Morse reforça que o conforto deve ser o resultado final das ações de enfermagem. Katharine Kolcaba demonstra na teoria do conforto a busca pela satisfação das necessidades mediante os estados de alívio, tranquilidade e transcendência que se desenvolvem por meio do conforto físico, ambiental, social e psicoespiritual15,24,30.

Atualmente, recomenda-se que o processo de enfermagem tenha como alicerce uma teoria que direcione o cuidado, visto que a prática da enfermagem contemporânea requer avaliação minuciosa do indivíduo, pensamento crítico e domínio da área de atuação38. Mesmo que o conforto acompanhe a evolução histórica da enfermagem, Hou et al.22 observaram que cerca de 65% dos enfermeiros que atuam em setores oncológicos e que, consequentemente, cuidam de pacientes em fim de vida não tiveram temas relacionados ao conforto durante a sua formação. No estudo de Silva21, os enfermeiros da unidade de internação apontaram que o conforto está relacionado à estabilidade clínica do paciente. Berntzen et al.31 afirmam que pacientes internados apresentam desconfortos que podem passar despercebidos pela equipe de enfermagem na ausência de abordagens sistematizadas.

A estrutura da teoria do conforto de Katharine Kolcaba14 potencializa o modelo holístico, direcionando o olhar do enfermeiro para os sinais de desconforto do paciente em fim de vida, por meio das quatro dimensões do conforto: física, ambiental, social e psicoespiritual. Essa teoria vai de encontro às reflexões de Saunders39 quanto à multidimensionalidade do conceito de dor, nomeado como dor total, que abrange as quatro dimensões do sofrimento e evidencia a necessidade de avaliação minuciosa e cuidado adequado a tais aspectos. No estudo de Ponte e Silva24, a dimensão física destacou a necessidade de manejo álgico. O contexto ambiental enfatizou a importância de proporcionar um ambiente agradável, limpo, arejado e sem ruídos. O contexto social abrange as relações interpessoais, enquanto o contexto psicoespiritual levantou questões quanto ao autoconceito e crenças. O enfermeiro é responsável pelas ações que objetivam o conforto nessas quatro dimensões, visto que o manejo de pacientes em fim de vida é marcado por sentimentos como tristeza, medo e impotência17,18,23,29,28.

Segundo Araújo6, a teoria de Katharine Kolcaba pode alicerçar a implementação da musicoterapia como prática integrativa e complementar, capaz de conferir conforto por um ambiente que promove relaxamento, tranquilidade e alívio de sintomas, no mesmo momento em que permite que o paciente acesse memórias afetivas, aumentando o vínculo com familiares e com a equipe de saúde. Atualmente, existem subsídios para a aplicação de tal conduta, pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), sancionada e implementada no Sistema Único de Saúde (SUS). É possível observar um arranjo de opções de acesso e práticas em saúde que promovam o conforto para os pacientes, entre elas, a musicoterapia40. Um estudo recentemente publicado na American Society of Clinical Oncology (ASCO)41 destaca o papel benéfico da música como uma estratégia eficaz na redução do estresse em pacientes submetidos a tratamento oncológico com quimioterapia. Essa pesquisa ressalta a importância da abordagem terapêutica da música como uma ferramenta valiosa para melhorar o bem-estar emocional desses pacientes durante o difícil processo de tratamento.

White et al.19 ressaltam que os enfermeiros que prestam seus cuidados a pacientes em fim de vida devem possuir como competências indispensáveis o conhecimento técnico-científico sobre os cuidados paliativos, direitos dos pacientes, bioética, comunicação, gestão de conflitos, além de saberem identificar e manejar o desconforto, considerando a singularidade do indivíduo, a variedade de sintomas, as mudanças do quadro clínico, a diminuição da funcionalidade e dos recursos disponíveis39. Ademais, deve incluir a família e a equipe no cuidado, respeitando a sua vontade e evitando condutas fúteis que possam gerar ainda mais sofrimento1819.

A teoria do conforto precisa ser explorada nos cenários de educação permanente/continuada para que os profissionais possam adotar em sua prática assistencial23. Mussi et al.20 reforçam que instituições que buscam fundamentação teórica para a prática de enfermagem baseada no conforto tendem a centrar o cuidado no paciente, valorizando a sua jornada e segurança, contribuindo para a diminuição do sofrimento em suas quatro dimensões de forma holística e proativa.

CONCLUSÃO

O conforto é indissociável do cuidado de enfermagem. Teorias de enfermagem que abordam o conforto fundamentam e direcionam as ações de enfermagem em relação aos pacientes oncológicos em fim de vida, considerando as dimensões físicas, ambientais, psicossociais e espirituais. As limitações dos estudos se referem à escassez de publicações com delineamento voltado para pacientes em fim de vida. No entanto, há contribuição para o estado da arte no sentido de promover a reflexão no ensino e na disseminação da teoria do conforto como prática assistencial de saúde aos pacientes em cuidados paliativos, a fim de garantir ainda mais conforto e qualidade de vida, previstos nos princípios dos cuidados paliativos. A partir disso, surge a necessidade de produção científica voltada à temática do conforto em fim de vida, bem como discussões durante a formação profissional sobre o tema.

  • FONTES DE FINANCIAMENTO
    Não há.

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Editado por

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    13 Jan 2025
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    07 Nov 2023
  • Aceito
    16 Fev 2024
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