RESUMO
O local de trabalho pode ser considerado um ambiente com potencialidade para o desenvolvimento de programas que promovam saúde. Apesar das evidências positivas na literatura acerca das intervenções de exercício físico nesse local, torna-se relevante compreender quais são as características (tipo, intensidade, duração) das intervenções que possuem impacto positivo na saúde dos trabalhadores. Dessa forma, este estudo visa contribuir no rastreamento de evidências científicas de intervenções no âmbito do exercício físico realizados no ambiente laboral. Trata-se de uma revisão de escopo, com seis bases de dados: PubMed, Lilacs, SciELO, PsycInfo, Web of Science e Scopus. Utilizando a estratégia de busca: ((Workers OR Worker) AND (Physical Activities OR “Physical Exercise”) AND (Workplace OR Workplaces OR “Work Location”) NOT (leisure-time physical activity). Dos 4.181 artigos encontrados, foram selecionados 53 artigos. A análise dos dados foi realizada através do cálculo da frequência e percentual, tendo como foco principal as características dos exercícios físicos. Todos os procedimentos foram feitos no Software R versão 4.2.1. O treinamento de força (71,8%) foi o exercício físico mais utilizado, seguido pelo treinamento aeróbico (15,1%), combinado (11,2%) e outros (1,9%). 56% das intervenções utilizaram uma abordagem progressiva acerca da intensidade, enquanto o volume variou de 10 a 60 minutos. O estudo demonstrou que o treinamento de força com intensidade progressiva e curta duração são os mais utilizados nas intervenções. O local de trabalho com tempo e espaço reduzido se mostrou um excelente momento para incluir o exercício físico nas rotinas das pessoas.
Palavras-chave:
Exercício; Grupos ocupacionais; Ambiente de trabalho.
ABSTRACT
The workplace can be considered an environment with potential for developing programs that promote health. Despite positive evidence in the literature on physical exercise interventions in these locations, it becomes relevant to understand the characteristics (type, intensity, duration) of the interventions that positively impact workers’ health. Therefore, this study aims to contribute to tracking down scientific evidence of physical exercise interventions performed in the workplace. This is a scoping review with six databases: PubMed, Lilacs, SciELO, PsycInfo, Web of Science, and Scopus. Using the search strategy: ((Workers OR Worker) AND (Physical Activities OR “Physical Exercise”) AND (Workplace OR Workplaces OR “Work Location”) NOT (leisure-time physical activity). 4,181 articles were found, and 53 articles were selected. Data analysis was performed by calculating frequency and percentage, focusing mainly on the characteristics of physical exercises. All procedures were performed using R software version 4.2.1. Strength training (71.8%) was the most used physical exercise, followed by aerobic training (15.1%), combined (11.2%), and others (1.9%). 56% of the interventions used a progressive approach to intensity, while the volume varied from 10 to 60 minutes. The study demonstrated that strength training with progressive intensity and short duration is the most commonly used interventions. The workplace, with limited time and space, proved to be an excellent moment to include physical exercise in people’s routines.
Keywords:
Exercise; Occupational groups; Workplace.
Introdução
Tarefas laborais que demandam longos períodos na posição sentada ou reclinada com baixo gasto energético são cada vez mais habituais1. Estas características de trabalho podem trazer consequências deletérias à saúde2,3. Evidências na literatura apontam que o comportamento sedentário, atividades que não excedem os níveis de repouso, está associado ao aumento do risco de doenças crônicas4, obesidade5,6 e sofrimento mental7. Além disso, tarefas repetitivas e tempo prolongado em uma única postura podem gerar dores osteomusculares, desconforto físico e baixa capacidade de trabalho8. Evidências científicas vêm demonstrando que uma alternativa plausível para melhorar tais consequências seria a prática regular do exercício físico9,10.
O local de trabalho pode ser adequado para executar programas de promoção da saúde, visando contribuir para a diminuição dos fatores de risco como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares na força de trabalho11,12, além de outros desfechos prejudiciais à saúde13. De acordo com o Center For Disease Control And Prevention, trabalhadores mais ativos fisicamente são mais produtivos, necessitam de menos licenças médicas e possuem custos de saúde mais baixos14-16. Ademais, estudos observaram uma relação positiva entre aptidão física e desempenho no trabalho17-19. Logo, esta associação fortalece a importância da promoção do exercício físico no local de trabalho, além de alcançar impactos positivos na saúde dos trabalhadores20-22.
Diversas revisões sistemáticas e meta-análises avaliaram intervenções que promoveram exercício físico no local de trabalho23-26. Tem-se como exemplo, uma revisão sistemática realizada por Gobbo et al.23 no qual detectou que os programas de exercício físico realizados no local de trabalho foram eficazes em reduzir os sintomas de lombalgia, melhorar a força muscular, a flexibilidade e a qualidade de vida. Outro estudo similar observou que o exercício físico realizado no local de trabalho foi capaz de melhorar a aptidão cardiorrespiratória, a resistência e a potência muscular25. Também são demonstrados na literatura pesquisas que evidenciam o papel positivo do exercício físico realizado no local de trabalho, frente a desfechos de saúde mental26,27.
Uma revisão de escopo de Boyette et al.28 buscou identificar e avaliar estudos que descreveram programas de exercícios físicos para prevenção de lesões de membros superiores, com foco em trabalhadores da indústria. No que concerne o tipo de exercício físico,o treinamento e alongamento foram os mais frequentes. Já o período de intervenção variou de 4 semanas a 1 ano. A pesquisa não identificou uma padronização nos programas de exercícios físicos. Logo, é importante investigar programas em vários ambientes de trabalho, a fim de mapear os tipos de intervenções e características28-30. Apesar das revisões anteriores terem achados relevantes, não foram encontrados na literatura revisões que tivessem com foco nas intervenções que efetivamente geraram efeitos positivos em diferentes desfechos. Além disso, muitas das abordagens incluíam intervenções fora do escopo do exercício físico.
Sendo assim, o presente estudo justifica-se pela necessidade de encontrar evidências sistematizadas acerca do tipo, frequência, intensidade e duração do exercício físico no ambiente de trabalho. Relacionando-os com diversos desfechos em saúde e ambientes de trabalho, pois um detalhamento minucioso dos programas de exercício físico pode gerar a identificação de um padrão mínimo de parâmetros que possa servir de base para promoção do exercício físico no ambiente laboral. Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo contribuir no rastreamento de evidências científicas efetivas no âmbito do exercício físico, tendo como foco as intervenções aplicadas no local de trabalho e seus respectivos benefícios para a saúde do trabalhador.
Métodos
Estratégias de pesquisa
Trata-se de uma revisão de literatura acadêmica indexada em bases de dados internacionais, consoante com a metodologia scoping review (revisão de escopo). Síntese de evidências de pesquisa envolve a agregação de informações disponíveis usando recursos bem definidos32. A técnica tem a finalidade de mapear, sintetizar e disseminar, por meio de método rigoroso e transparente, o estado da arte em uma área temática, de modo a fornecer uma visão descritiva dos estudos revisados33. O estudo baseou-se nas orientações recomendadas pelo Instituto Joanna Briggs34 e no arcabouço metodológico específico35. Foi utilizada a extensão para revisões de escopo através das diretrizes Transparent Reporting of Systhematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA-ScR)34.
A revisão foi desenvolvida a partir das seguintes etapas: 1. Elaboração da questão de pesquisa e definição dos descritores de busca (http://decs.bvs.br/); 2. Pesquisa da literatura em bases de dados internacionais; 3. Leitura dos títulos e resumos dos artigos para seleção de acordo com critérios de inclusão e exclusão; 4. Leitura na íntegra dos estudos selecionados e mapeamento dos dados; 5. Sumarização e análise crítica dos resultados; e 6. Apresentação dos principais resultados.
Foram coletadas informações em seis bases de dados - PubMed, Lilacs, SciELO, PsycInfo, Web of Science e Scopus.Foram utilizadas as seguintes combinações de expressões: “Workers” AND “Physical Exercise” AND “Workplace” NOT “leisure-time physical activity”. A estratégia de busca final foi a seguinte: ((Workers OR Worker) AND (Physical Activities OR “Physical Exercise”) AND (Workplace OR Workplaces OR “Work Location”) NOT (leisure-time physical activity)). A estratégia de pesquisa adotada pode ser observada em detalhes no Quadro 1.
Seleção dos estudos
A seleção primária dos artigos derivados do processo de busca digital foi carregada no software de gerenciamento de referências Endnote online, selecionando primeiramente os títulos e resumos. Dois revisores (LF e LG) examinaram e extraíram os estudos de forma independente e qualquer falta de consenso foi discutida com um terceiro revisor (AJO). Os artigos que atenderem aos critérios de pesquisa foram baixados para a leitura dos seus textos completos.
Critérios de inclusão/exclusão
Os estudos para as perguntas de pesquisas com os critérios de elegibilidade estão descritos no Quadro 2. Em geral, os estudos eram elegíveis se aplicassem intervenções de exercício físico no local de trabalho, de acordo com os seguintes critérios de inclusão: (a) experimentais; (b) com trabalhadores maiores de 18 anos e (c) com intervenções que apresentaram nos desfechos benefícios para a saúde do trabalhador. Entretanto, foram excluídos os: (a) estudos de protocolo ou sem desenho de estudo específico; e (b) estudos que não detalharam minimamente como a intervenção foi realizada.
Extração de dados
De cada estudo selecionado, foram extraídas as seguintes informações: autor, ano, país em que o estudo foi conduzido, amostra, média de idade dos participantes, desenho do estudo, intervenção do exercício físico, intervenção do grupo controle, características básicas da intervenção (duração, frequência, intensidade e status de supervisão), perda de seguimento, escalas de mensuração e desfechos.
Análise dos dados
As informações dos estudos foram sumarizadas e descritas com o número de observações com os respectivos valores percentuais. Figuras foram elaboradas no pacote Ggplot2 do Software R versão 4.2.1 a fim de relacionar diferentes características dos estudos selecionados. Conforme a análise dos dados, dois desses estudos apresentaram duas intervenções com tempos de aplicação distintos. Logo, os mesmos foram considerados como dois estudos distintos totalizando 55 intervenções analisadas.
Resultados
A pesquisa resultou em 1.190 estudos no PubMed, 51 no BVS - LILACS, 282 no PsycInfo, 1.480 na Scopus e 1.178 na Web of Science, totalizando 4.181 resultados encontrados. Foram removidos 807 estudos por estarem duplicados. Dos 3.374 artigos que restaram foram lidos os títulos e os resumos; ao final desta fase 3.154 foram excluídos. Por conseguinte, 220 artigos foram selecionados para a leitura na íntegra. Após a exclusão de 167 artigos, 53 estudos foram selecionados. O processo de triagem pode ser observado na Figura 1.
Esta revisão de escopo selecionou 53 estudos publicados entre os anos de 1999 e 2022. O tamanho da amostra dos estudos variou entre 20 e 1.113 indivíduos, enquanto a média de idade ficou entre 26,5 e 56,5 anos. Quanto à distribuição geográfica dos estudos, a maior prevalência foi realizada na Europa (n = 38; 69,8%), seguida da América do Sul (n = 5; 9,4%), da Ásia (n = 5; 9,4%), da América do Norte (n = 3; 5,7%). Enquanto s demais continentes juntos, representaram 5,7% dos estudos selecionados.
Grande parte das intervenções (90%) se concentraram na faixa entre 20 e 200 participantes (Figura 2). Quanto ao treinamento aplicado nas intervenções, observa-se que a intensidade predominantemente foi classificada como progressiva em 31 intervenções (56,4%), seguida por 13 intervenções classificadas como moderada (23,6%), 7 (12,7%) como baixa e 4 (7,3%) como alta. No que concerne à duração (em dias) das intervenções por seção, 44 delas (80%) foram realizadas entre 10 a 60 minutos, 4 (7,2%) entre 60 a 120 minutos e 7 (12,7%), em período superior 120 minutos (Figura 2).
Quanto aos desenhos metodológicos, 34 estudos utilizaram ensaio clínico randomizado (RCT - 64,1%), seguido por 11 ensaios clínicos comunitários randomizados (CRCT - 20,7%) e 8 estudos (15,1%) realizaram outras estratégias metodológicas (Figura 3). O treinamento de força (71,8%) foi o exercício físico mais utilizado, seguido do aeróbico (15,1%), do treinamento combinado (11,2%) e de atividades esportivas (1,9%).
Tipos de exercícios físicos e desenho de estudo CRCT = ensaio clínico comunitário randomizado; RCT = ensaio clínico randomizado.
O estudo sumarizou os efeitos positivos promovidos pelas intervenções aos participantes. A maioria dos estudos apresentou mais de um resultado positivo nos desfechos descritos. Dentre os efeitos observados com as intervenções destacam-se a redução da dor musculoesquelética (n = 26), melhora da saúde mental (n = 6) e da capacidade de trabalho (n = 6), melhora em aspectos sociais (n = 6), outros aspectos relativos à saúde (n = 9), aumento da atividade física (n = 17) e aptidão aeróbica (n = 5) (Tabela 1).
Discussão
O presente estudo teve como propósito investigar as intervenções de exercícios físicos realizados no local de trabalho, visando obter informações abrangentes sobre o volume, intensidade e tipos de exercícios, além dos desenhos de estudo e desfechos utilizados. A revisão de escopo realizada encontrou evidências robustas entre os anos de 1999 e 2022, de 55 intervenções. O estudo observou diferentes efeitos positivos promovidos pelo exercício físico, destacando a redução da dor musculoesquelética, a melhora na capacidade de trabalho e na saúde mental.
A maior parte das intervenções, influenciada pela própria natureza do local em que são implementadas, ou seja, o ambiente de trabalho, não possibilita que o trabalhador atinja os níveis estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). É evidente que a promoção do exercício físico no contexto laboral necessita ser complementada por práticas adicionais fora desse ambiente. Além disso, merecem destaque as intervenções que, mesmo com duração e intensidade abaixo das recomendações da OMS para esse público específico, têm demonstrado resultados satisfatórios21,23,25.
A distribuição dos estudos de intervenções de exercício físico no trabalho varia entre continentes e países, sendo mais prevalente na Europa. Isso se deve à sua concepção ligada ao bem-estar social e às políticas públicas com base na vertente política da social-democracia, que, em linha gerais, buscam o bem-estar de todos. Esse contexto permitiu a discussão de questões trabalhistas e o foco na saúde do trabalhador, sobretudo no âmbito acadêmico15,16.
Outro aspecto relevante está relacionado aostipos de exercícios físicos empregados. Identificaramse treinamento de força, exercício aeróbico, exercício combinado, cujo treinamento consiste em uma técnica que mescla exercícios aeróbicos e anaeróbicos em uma única sessão de treino, e esportes coletivos. Apesar da variação das intervenções, a maior prevalência limitouse a utilizar o treinamento de força. Uma explicação plausível para este destaque reside no fato desse tipo de exercício físico ser facilmente adaptável em diferentes ambientes laborais (com pouco espaço, variadas estações de trabalho), uma vez que não demanda grande estrutura e não exige necessariamente o uso de equipamentos, dado que o indivíduo pode utilizar o peso do próprio corpo como forma de resistência16,22,29,30.
Grande parte dos estudos que utilizaram o treinamento de força, fizeram uso de materiais de baixo ou médio custo e de fácil transporte, como o uso de faixas e tubos elásticos (TheraBand, FlexBar), Wrist Roller, colchonete, halteres, kettlebell, além do próprio uso do peso corporal. Já para o exercício aeróbico, foram utilizadas escadas ou esteiras rolantes. É importante salientar que alguns estudos utilizaram modalidades, como dança aeróbica, ioga (asanas e vinyasa) e badmington, costumam demandar estruturas e/ou materiais de difícil acesso para grande parte dos trabalhadores em seus respectivos ambientes laborais 39,51,57,59,67,69
Os estudos revelaram que a implementação de exercícios físicos no ambiente de trabalho, mesmo em baixa frequência, pode desencadear uma gama de efeitos benéficos. Dentre esses efeitos, foram encontradas evidências do impacto positivo do exercício físico em aspectos sociais e do trabalho36-38 Destacam-se, também a redução da dor musculoesquelética, a melhora da saúde mental e da capacidade de trabalho. Esses achados sugerem que estratégias simples, como a introdução de exercícios de força, podem contribuir para a promoção da saúde dos trabalhadores43-46,67-79,71-74
Nossa abordagem identificou 11 artigos que utilizaram uma rotina de exercícios caracterizados por postura corporal e movimentos coordenados, respiração e meditação, chamada de Qigong. Os resultados desse estudo evidenciaram o impacto positivo em trabalhadores com lombalgia23. À vista disso, a lombalgia impacta significativamente os trabalhadores em ambiente de escritório, devido às dores lombares resultantes de esforços repetitivos, condicionamento físico inadequado, erro postural e posição não ergonômica durante as atividades laborais. Diante desse contexto, torna-se fundamental analisar os efeitos de um programa de exercícios físicos na redução da dor lombar nesse grupo23.
A prática de exercício físico pode ser influenciada por diversos aspectos, como tempo e frequência, visto que muitos trabalhadores possuem limitações para a realização de exercícios físicos, devido as suas rotinas.A disponibilidade para as intervenções nesse local são mais aceitas no início do turno ou entre o horário do intervalo / almoço do trabalhador, os espaço para as práticas nesse ambiente são flexíveis, podem variar desde uma sala reservada, um espaço aberto dentro da empresa ou o próprio espaço de trabalho, como por exemplo escadas para a prática aeróbica39, assim como uso de estação de trabalho dinâmica (Oxidesk)61 e em ambientes universitários com uso de espaços ao ar livre ou ginásios/academias/laboratórios51 A maioria das intervenções foram intensidade progressiva e curta duração foi o mais utirealizadas por meio do treinamento de força, com duração de 10 a 60 minutos, frequência de 2 a 3 vezes por semana e carga progressiva.Esses resultados indicam que exercícios com curta duração podem ter impactos positivos na saúde, especialmente em contextos laborais23.
É relevante ponderar que grande parte dos estudos não informou de forma precisa os locais em que os exercícios físicos eram realizados. Também não reportaram se a realização das atividades gerava algum impacto, mesmo que momentâneo, no ambiente de trabalho (mudança de moveis de lugar ou utilização de locais alternativos destinados para outro fim - um refeitório, por exemplo). Entretanto, foi possível compreender através da descrição dos exercícios físicos, quais seriam, a princípio, as necessidades mínimas para realização.
Esta revisão de escopo tem uma limitação, particularmente relacionada a um dos critérios de inclusão. Foram excluímos estudos cujas intervenções não evidenciaram benefícios para a saúde do trabalhador. Sendo assim, a presente estratégia reforçou o viés de confirmação, contido na literatura. Isto porque, os estudos que apresentam resultados estatisticamente significativos têm maior chance de serem publicados. Neste sentido, possíveis contribuições vinda de estudos que não evidenciaram resultados positivos foram desconsideradas. Em contrapartida, essa estratégia permitiu o foco nos exercícios físicos efetivos para a saúde do trabalhador.
Os resultados deste estudo revelam a importância e os benefícios do exercício físico no ambiente de trabalho, destacando a redução da dor musculoesquelética, a melhora na capacidade de trabalho e na saúde mental. É evidente que, devido à natureza da intervenção, muitos trabalhadores enfrentam dificuldades para realizar exercícios prolongados, e devido às restrições do espaço de trabalho, o treinamento de força foi à abordagem mais comum, pois se adapta melhor ao ambiente laboral e pode ser realizado em um período de tempo entre 10 a 60 minutos, 2 a 3 vezes por semana, tornando-se mais acessível para os trabalhadores. Além disso, verificou-se que mesmo com baixa frequência, os exercícios físicos podem desencadear uma série de efeitos benéficos, como já foi supracitado. Portanto, é crucial considerar a implementação de programas de exercícios físicos no ambiente de trabalho, visando o bem-estar e a saúde integral dos trabalhadores.
Conclusão
O estudo demonstrou que o treinamento de força de intensidade progressiva e curta duração foi o mais utilizado nas intervenções selecionadas. Também evidenciou que um tempo mínimo de intervenção (10 minutos) pode ser suficiente para gerar benefícios para a saúde do trabalhador. Entretanto, é importante considerar as especificidades dos ambientes de trabalho para escolha de um exercício físico, de maneira a inclui-lo sem proporcionar riscos à saúde das pessoas.
Nossos achados demonstram que o local de trabalho se mostrou uma excelente alternativa para incluir o exercício físico nas rotinas dos trabalhadores, já que foram demonstrados efeitos positivos em diferentes desfechos.
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Financiamento
Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ)
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Declaração quanto ao uso de ferramentas de inteligência artificial no processo de escrita do artigo
O manuscrito não utilizou de ferramentas de inteligência artificial para a sua elaboração.
Agradecimentos
Agradecemos a todos os colaboradores que participaram da elaboração desse artigo de forma direta e indiretamente.
Disponibilidade de dados de pesquisa e outros materiais
Após a publicação os dados estarão disponíveis sob demanda aos autores.
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