Diante da violência que atingiu a comunidade escolar no país, em 2023, o artigo propõe reflexões sobre a gênese dessa violência e formas de enfrentá-la. A questão inicial foi se essa “linguagem em ato” pode se converter em “passagem ao ato” racista, conforme salienta Sodré a propósito da ambiguidade em relação à violência fundante da sociedade brasileira, levando em consideração as formulações de Bateson sobre o duplo vínculo. Considera-se que as filosofias africanas podem ser um campo fértil para se retecer os laços rompidos na comunidade escolar e converter a tendência a uma violência indiscriminada em uma insurgência transformadora, capaz de desfazer a ambiguidade em relação ao racismo, cuja existência ainda é negada pela sociedade brasileira. Por fim, as reflexões psicanalíticas sobre as instituições foram essenciais para se compreender a dinâmica defensiva da comunidade escolar investigada.
Palavras-chave:
linguagem em ato na adolescência; violência e insurgência na escola; passagem ao ato racista; a instituição escola e suas vicissitudes; filosofias africanas e laços comunitários.