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Open-access O Desenho da Figura Humana na Ilha da Madeira: Evidências de Validade

Resumo

O desenho da figura humana (DFH) é uma das formas mais utilizadas para avaliar o desenvolvimento intelectual infantil. Este estudo investigou as evidências da validade e precisão do sistema Wechsler de correção do DFH para as crianças da Madeira. A amostra incluiu 489 crianças (49% meninas), com entre 5 e 13 anos de idade, de escolas do 1º e 2º ciclos do sistema educativo. Os instrumentos foram: DFH, teste de Matrizes Progressivas Coloridas de Raven (MPCR) e notas escolares (Português e Matemática). Existem diferenças por idade, sexo e da figura desenhada. As correlações entre DFH, MPCR e notas escolares foram significativas. A precisão foi satisfatória (>0,80). Concluindo, este teste DFH possui evidências de validade e precisão, indicando a possibilidade de utilização após obtenção de normas portuguesas.

Palavras-chave:
desenho; figura humana; validade

Abstract

Human figure drawing (HFD) is one of the most widely tests used to assess children's intellectual development. This study investigated the evidence of the validity and reliability of HFD for children in Madeira using Wechsler`s scoring system. The sample included 489 children (49% girls), 5-13 years old, from schools in the 1st and 2nd cycles of the education system. The instruments were: HFD, Raven's Colored Progressive Matrices (CPM) test, and school grades (Portuguese and Mathematics). There were differences by age, gender, and the figure drawn. The correlations between HFD, CPM, and school grades were significant. Reliability was satisfactory (>0.80). In conclusion, the Wechsler’s scoring system for HFD has evidence of validity and reliability for children in Madeira indicating the possibility of its use after obtaining Portuguese norms.

Keywords:
drawing; human figure; validity

Ao longo do desenvolvimento infantil, o desenho surge como a primeira forma de expressão muito antes do domínio da leitura e da escrita; isto é, o desenho faz parte do processo de crescimento e de desenvolvimento, entre outras competências que são apreendidas desde o nascimento (Hutz & Bandeira, 2000). Desta forma, podemos constatar que o desenho infantil ocorre a par do desenvolvimento geral da criança, no sentido que, ao produzir imagens, a criança reconhece ser capaz de criar o seu mundo físico, mental e emocional, e o mundo das ideias, da imaginação, dos seus sonhos e das suas memórias (Nunes et al., 2012).

O uso do desenho como medida da inteligência pauta-se no pressuposto de que este é familiar a todas as culturas, independentemente das competências acadêmicas anteriores e da coordenação motora (Piotrowski, 2016). Outro fato importante a relembrar é que este tipo de medida tem sido popularizado por todo o mundo devido à sua utilidade e prontidão e por não representar uma “ameaça” à criança, estando presente em crianças de diferentes faixas etárias e culturas. A ligação entre o desenho da figura humana e o desempenho em testes de inteligência tem sido alvo de muitas investigações, cujos resultados demonstram uma eficácia do desenho como instrumento de medida de funções psicológicas (Benson et al, 2019; Rueda et al., 2020).).

Contudo, não nos podemos esquecer que existe uma grande variedade de testes psicométricos que visam a mensuração da inteligência, tais como Matrizes Progressivas de Raven, Escala de Inteligência de Standford-Binet, WISC-V, entre outros (Suehiro et al., 2015). Embora possamos contar com este amplo leque de testes, não podemos esquecer da complexidade da inteligência. Desta forma, ressaltamos ser essencial a complementaridade entre os mais variados testes de inteligência, pois cada um mede competências diferentes, permitindo um resultado mais rigoroso e mais viável (Nakano & Wechsler 2012).

O interesse da psicologia por representações infantis acompanhou um movimento originado pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau (Short DeGraff et al., 1989). Apenas no século XX os estudos tomaram um rumo científico, quando se deu início o uso do desenho infantil como técnica psicológica, sendo que o seu apogeu decorreu entre 1900 e 1915 com os estudos de Lamprecht e Claparède (Arteche & Bandeira, 2006). Apesar de terem surgido investigações em torno do desenho infantil que resultaram na construção de novas técnicas gráficas para a avaliação psicológica, o Teste do Desenho da Figura Humana (DFH) tornou-se um dos mais utilizados na avaliação de habilidades não verbais, devido ao seu carácter atrativo e sua aplicação ser realizada de forma descontraída (Meerbeke et al., 2011).

Florence Goodenough, em 1926, foi a pioneira na tentativa de avaliar os desenhos infantis por meio de um sistema organizado, construindo um primeiro teste baseado na figura humana, considerando que esta é uma tarefa simples para as crianças mais jovens e suficientemente complexa devido aos seus detalhes (Goodenough, 1965). Em 1963, este teste é revisto por Dale Harris, ao discordar do uso da terminologia “inteligência” para análise dos desenhos e defender que o desenho da figura humana deveria ser visto como uma medida de “maturidade intelectual ou conceitual”, desenvolvendo uma escala conhecida como “Harris-Goodenough” (Harris, 1963). No entanto, a sua maior contribuição foi introduzir à escala o desenho da figura feminina, com o propósito de obter uma medida mais viável do desenvolvimento cognitivo infantil.

Outros sistemas surgiram para a interpretação do desenho infantil a partir da década de 1960. Em 1968, Elisabeth Koppitz apresentou dois tipos de análise: uma que contemplava a técnica projetiva com o intuito de revelar conflitos inconscientes e traços de personalidade, e outra que avaliava a maturação cognitiva através do desenho (Koppitz, 1984). Neste sentido, identificou 30 itens considerados de origem evolutiva e divide os itens em 4 tipos distintos, conforme sua frequência: a) Itens esperados (que se encontram nos desenhos das crianças entre os 85% e os 100% em cada faixa etária); b) Itens comuns (aqueles que estão presentes entre 51% e 84% das vezes); c) Itens incomuns (aqueles que se encontram em 16% a 50% das vezes); e d) Itens excecionais (aparecem somente em 1% a 15% das vezes nos desenhos das crianças) (Bandeira et al., 2008).

No âmbito nacional, os sistemas de Goodenough e Koppitz têm sido bastante utilizados, principalmente na década de 1990, como apontam Wechsler et al. (2018). Por exemplo, em 1981, Alves utilizou o desenho da figura humana como medida cognitiva e concluiu que os sistemas de Goodenough e Harris estavam altamente correlacionados. A avaliação do desenho como medida cognitiva foi proposta por Sisto (2005), baseando-se nos sistemas de Goodenough e Koppitz, excluindo itens que apresentavam desajustes pelo modelo Rash e verificando a sua validade deste sistema comparação com a escala Raven e medidas de leitura e escrita.

A evidência de validade por grupos contrastantes, utilizando o sistema de correção do DFH proposto por Sisto, foi também investigada por Oliveira et al. (2015), comparando seus resultados com pontuações no Bender. Outro sistema brasileiro bastante estudado para avaliação do DFH como medida cognitiva foi criado por Wechsler (2003), tendo por base os estudos de Harris, Koppitz e Naglieri. A validade interna foi confirmada pelas diferenças significativas por faixa etária, enquanto a validade com variáveis externas foi verificada por meio da comparação dos seus resultados com os testes Visomotor de Beery e com os subtestes de raciocínio espacial e lógico da Bateria Woodcock-Johnson. Sua precisão foi também significativa pelo método teste-reteste (Wechsler, 1996). Outro estudo realizado por Wechsler (2000) visou analisar se existiam diferenças culturais no desempenho de crianças brasileiras e argentinas. Os resultados apontaram efeito significativo somente para idade e não para país, indicando, assim, que a análise do DFH por este sistema poderia ser utilizada em diferentes contextos culturais.

A importância do sistema de Wechsler e sua validade para a compreensão do funcionamento intelectual da criança também foi confirmada em diversos outros estudos. Por exemplo, Bandeira et al. (2008) verificaram que o DFH corrigido por este sistema tinha relações significativas com o teste de Raven e as notas escolares. A discriminação entre criatividade e inteligência no DFH-III foi observada por Nakano (2012) e por Oliveira e Wechsler (2016). Nota-se que este sistema é um dos mais utilizados no país, tal como apontado nas 3 revisões em bancos de dados de publicações em periódicos por Oliveira et al. (2015), Suehiro et al. (2015) e Rueda et al. (2020).

Considerando a relevância do DFH pelo sistema Wechsler e o fato de ainda não ter sido estudado com a população portuguesa, o objetivo deste estudo foi verificar as suas evidências de validade para crianças da Ilha da Madeira. Neste sentido, foram realizadas as hipóteses de que o DFH poderia apresentar evidências de validade pela estrutura interna ao discriminar ganhos significativos por idade e que teria relações significativas com variáveis externas, ao ser comparado com outro teste de inteligência e com notas escolares das crianças madeirenses. Além disso, foi proposto que o DFH, corrigido por este sistema, traria evidências de precisão.

Método

Participantes

A amostra é constituída por 489 alunos, 243 (49,7%) meninas e 246 (50,3%) meninos, de 5 anos a 13 anos de idade, distribuídas em 13 faixas etárias com amplitude de 6 meses, dos 5 aos 11 anos e 1 mês. Essas crianças frequentavam o Pré-Escolar e o Ensino Básico (1º, 2º, 3º, 4º e 5º anos) de 4 escolas públicas e 3 escolas privadas do Funchal (capital de Madeira).

Instrumentos

O Desenho da Figura Humana - DFD III (Wechsler, 2003) é um teste não verbal que visa avaliar o desenvolvimento cognitivo e a maturidade conceptual das crianças, sendo um teste ideal para avaliação do fator geral da inteligência. O DFH proposto por Wechsler é composto pela elaboração de dois desenhos, um da figura feminina e outro da figura masculina. O desenho da figura feminina é composto por 17 itens subdivididos e o desenho da figura masculina é composto por 18 itens igualmente subdivididos. Pesquisas atestando as evidências de validade pela estrutura interna e relações com variáveis externas, além da sua precisão, já foram realizadas (Bandeira et al., 2008; Nakano, 2012; Oliveira & Wechsler, 2016; Wechsler, 1996, 2000; Wechsler & Schelini, 2006).

Matrizes Coloridas Progressivas deRaven - MPCR (Raven et al., 2009) foram usadas para avaliar a validade concorrente. As MPCR medem a inteligência, mais propriamente o fator G, definido por Spearman em 1927, e são constituídas por 3 conjuntos de figuras denominadas A, Ab e B. Cada conjunto é composto por 12 itens, os quais apresentam uma matriz de figuras geométricas abstratas em preto e branco ou, em alguns casos, coloridas, sendo que cada item é composto por uma matriz incompleta que necessita de ser preenchida. Este teste já foi validado para a população portuguesa.

Boletim de notas escolares. Tomaram-se as notas finais em Português e Matemática, obtidas no terceiro e último período do ano letivo (corresponde a um bimestre).

Procedimentos

Um pedido formal de autorização foi feito à Direcção Regional de Educação da Região Autónoma da Madeira para aplicação dos instrumentos nas escolas da região. Após autorização, contatou-se escolas e, após a aprovação das escolas, foi enviado e assinado o consentimento informado. Administrou-se o teste DFH, entre maio e junho, em contexto de sala de aula de forma coletiva, e de forma individual o MPCR. As notas de Português e de Matemática foram fornecidas pelos professores das crianças já no ensino básico.

Análise de dados

Testada a normalidade (teste de Kolmogorov-Smirnov) e homogeneidade (teste de Levene) da amostra, foi decidido optar pela estatística paramétrica ou não paramétrica, consoante as necessidades de análise de dados. Assim, usou-se testes t de Student e ANOVA e correlações de Pearson quando as amostras eram normais e homogêneas, e teste de Kruskall-Wallis nos casos em que isto não se verificava.

Resultados

Conforme apresentado na Tabela 1, as meninas apresentam resultados estatisticamente superiores (p ≤ 0,00) aos dos meninos para a figura feminina (t = 4,29), para a figura masculina (t = 3,09) e para figura total (t = 3,81). Assim, podemos concluir que o DFH distingue significativamente o tipo de figura desenhada e, de uma forma geral, as meninas desenham mais pormenorizadamente a figura humana do que os rapazes.

Tabela 1 -
Comparação de médias por sexo da criança no desenho da figura feminina e masculina

As médias dos meninos ao desenhar as duas figuras vão crescendo gradualmente ao longo das faixas etárias, como apresentado nas Tabelas 2 e 3. Contudo, existe uma ligeira queda nas pontuações, tanto para o desenho masculino como para o desenho feminino na faixa etária 9,1-9,5, seguido de um novo aumento. Todavia, salienta-se que existem diferenças a este respeito nos dois desenhos. Assim, podemos constatar que, enquanto no desenho masculino após esta faixa existem constantes picos de pontuações com diferenças consideráveis, o mesmo não acontece com o desenho feminino de forma tão acentuada. Existe uma pequena queda entre as faixas 9,6-10,00 e 10,01-10,5, com perda de algumas décimas. Tal como ocorre no sexo masculino, as médias das meninas crescem com o aumento da idade. Porém, existem algumas quedas nas pontuações das meninas ao desenharem a figura masculina e feminina nas faixas etárias, sendo estas comuns em ambos nas seguintes faixas 10, 11 e 13.

Tabela 2 -
Médias e desvios padrão no desenho de meninos da figura masculina e feminina.

Tabela 3 -
Médias e desvios padrão no desenho das meninas da figura masculina e feminina.

É possível verificar a existência de diferenças significativas (p ≤ 0.01) na forma como as crianças desenham a figura humana nas diversas faixas etárias, (F= 51,48), figura masculina =(X2 = 266,22) e figura feminina (X2 = 266,22). Assim, há evidências de validade da estrutura interna do DFH por acréscimos significativos por idade.

A análise das correlações entre os resultados no DFH com o teste de Raven e as classificações das crianças em Português e Matemática, tanto para a figura feminina como para a figura masculina, são apresentadas na Tabela 4. Como pode ser visto, todas as correlações atingiram foram altamente significativas (p ≤ 0,01), atingindo níveis acima de 0,70. Tais resultados demonstram as evidências de validade do DFH com variáveis externas.

Tabela 4 -
Correlações de Pearson entre o Teste do Desenho da Figura Humana, Matrizes de Raven e as classificações em Português e Matemática conforme o sexo das crianças.

A precisão pela consistência interna do DFH foi calculada com todos os itens do desenho, através do Alpha de Cronbach, cujo valor é excelente (α = 0,92) na figura total e muito bom na figura feminina e masculina, com α = 0,85 e α = 0,86, respetivamente. Dessa maneira, podemos verificar a precisão do sistema de correção de Wechsler.

Discussão

O objetivo desta investigação foi investigar as evidências de validade do teste do desenho da figura humana para as crianças da Ilha da Madeira. Partindo da premissa de que o teste do desenho é uma medida universal que pode avaliar o desenvolvimental e conceitual de crianças, consideramos este pressuposto para investigar se as evidências de validade do DFH obtidas com amostras brasileiras e argentinas (Wechsler, 2000) também poderiam ser confirmadas com as crianças portuguesas.

Os resultados obtidos neste estudo, utilizando o sistema Wechsler de correção, demonstraram que as pontuações brutas de cada figura vão aumentando gradualmente e significativamente ao longo das faixas etárias, com pequenos picos. Como tal, podemos afirmar que o desenvolvimento cognitivo infantil não ocorre de forma contínua. Observou-se também que o desenho não discrimina aumentos cognitivos a partir da faixa superior aos 11 anos de idade. Estes resultados são similares àqueles obtidos por Wechsler (1996, 2003) com crianças brasileiras, indicando as evidências de validade da estrutura interna deste sistema.

Seguidamente, na tentativa de comprovarmos que o teste do desenho da figura humana é uma medida desenvolvimental, analisou-se a existência de diferenças significativas nas várias faixas etárias. Os resultados obtidos, confirmam a existência de diferenças significativas nas diversas faixas, ou seja, o conceito do corpo humano vai evoluindo de acordo com o desenvolvimento cognitivo (Sisto, 2005). Estes resultados indicam a importância do DFH, como já apontado em 3 revisões nos periódicos brasileiros sobre o tema (Oliveira et al., 2015; Rueda et al., 2020; Suehiro et al., 2015)

Com uma comparação de médias paramétricas, verificou-se que as pontuações obtidas pelas meninas diferem significativamente das pontuações dos meninos nas duas figuras, tal como nos sugere a literatura com estudos de Koppitz (1984). Dessa maneira, foi observado que meninas tendem a incluir mais partes do corpo e roupa nas suas figuras do que os rapazes. Contudo, com o nosso estudo, constatamos que, em algumas faixas etárias (7.1 - 7.5 e 7.6 - 8.0), os rapazes ultrapassam as meninas com uma pequena distância, havendo uma nova descida de pontuações para as faixas que se seguem. Assim, torna-se necessário o estabelecimento de parâmetros distintos para os dois tipos de figuras, masculina e feminina, onde deverá ser ponderado o sexo e a idade do sujeito que desenha, tal como já havia recomendado Harris (1963) e confirmado Wechsler e Schelini (2006).

No que diz respeito às evidências de validade com variáveis externas, entre os resultados advindos das correlações entre as Matrizes Progressivas Coloridas de Raven (MPCR) e o Teste do DFH, obtivemos relações altas e significativas. Tais resultados confirmam aqueles previamente observados por Bandeira et al. (2008), ao comparar os resultados do DFH com aqueles obtidos com Raven e Bender. Nesse sentido, podemos afirmar que os resultados obtidos no presente estudo vão ao encontro das investigações no que diz respeito à alta relação dos resultados brutos dos desenhos com outra medida de inteligência não verbal, acrescentando, assim, outros componentes à compreensão da cognição infantil (Oliveira et al., 2015).

Analisou-se ainda as relações entre o Teste do DFH, as Matrizes Progressivas de Raven e as classificações de Português e Matemática. Os dados recolhidos a este nível indicam-nos altos níveis de relação entre estas variáveis. Examinando mais ao pormenor as correlações entre o DFH e as classificações em Português e Matemática para o sexo feminino e masculino, verifica-se que os coeficientes de correlação são superiores a 0,50. Concluímos, assim, que existem relações significativas entre nível de inteligência no DFH e rendimento acadêmico, indicando que o potencial intelectual da criança facilita o seu desempenho na escola, tal como já observado por Bandeira et al. (2008). Com os resultados obtidos, podemos afirmar que, a nível geral e para ambos os sexos, sugere-se que o Teste do DFH é uma boa ferramenta na predição do rendimento acadêmico e possui evidências de validade externa pelo sistema Wechsler. Do mesmo modo, a precisão obtida pela consistência interna demonstrou níveis adequados.

Na análise das diferenças entre o ensino público e privado no modo de desenhar a figura humana, constatou-se que as crianças que frequentam o ensino público apresentam resultados superiores do que os dos alunos do ensino privado. Desta forma, verifica-se que os alunos do ensino público demonstram um conceito mais evoluído da figura humana que os alunos do ensino privado, ao contrário do que tinha sido observado com amostras brasileiras (Wechsler & Schelini, 2006). Tais resultados indicam, possivelmente, melhores qualidades de ensino e estimulação nas escolas públicas portuguesas e a necessidade de normas específicas para estudantes do ensino público e privado.

Concluindo, os resultados obtidos demonstram que o DFH, corrigido pelo sistema Wechsler, possui evidências de validade e precisão para as crianças portuguesas do mesmo modo que já tinha sido observado com as crianças argentinas e brasileiras (Wechsler, 2000). Tais dados refletem desenvolvimento cognitivo universalmente observado em crianças (Oakland et al., 2016) e a importância desse instrumento na avaliação intelectual infantil (Oliveira et al., 2015; Suehiro et al., 2015). Entretanto, recomenda-se que estudos com outras regiões portuguesas possam ser realizados, considerando que somente crianças madeirenses participaram da pesquisa. Por sua vez, a limitação deste estudo ocorreu pelo fato de a autorização ter sido concedida no final do ano letivo, portanto, não foi possível obter uma amostra com maior dimensão e representatividade nas diferentes faixas etárias. Considerando-se as diferenças de qualidade de ensino nas escolas públicas portuguesas, a ampliação dessa amostra torna-se necessária para normatizar esse teste para a população portuguesa.

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  • Declaração de Disponibilidade de Dados
    Os dados que fundamentam os achados deste estudo podem ser solicitados ao autor correspondente mediante uma solicitação justificada
  • Informação de financiamento
    Este artigo é financiado por Fundos Nacionais através da FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projeto UIDB/04020/2020 com o DOI 10.54499/UIDB/04020/2020 (https://doi.org/10.54499/UIDB/04020/2020)
  • 50
    Este artigo foi extraído da dissertação de mestrado do terceiro autor

Editado por

  • Editor-chefe
    Tiago Jessé Souza de Lima
  • Editor Associado
    Isabelle Patriciá Freitas Soares Chariglione

Disponibilidade de dados

Os dados que fundamentam os achados deste estudo podem ser solicitados ao autor correspondente mediante uma solicitação justificada

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    02 Jun 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    23 Maio 2022
  • Aceito
    13 Abr 2023
  • Corrigido
    09 Jul 2025
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