Neste ensaio, propomos uma interface entre filosofia, antropologia, festas e ocupações juvenis de periferia, visando explorar o potencial de tal interface na produção dos conceitos de perspectivismo periférico, filosofia urbana reversa e cartografia canibal. Discutimos como o rolê, entendido como prática de caminhada, assim como outras manifestações da cultura juvenil de periferia podem ser aproximadas daquilo que Michel Foucault chamou de cinismo trans-histórico, bem como de alguns aspectos da antropofagia tal como proposta por artistas modernistas no Brasil, visando ao tensionamento da Filosofia com a prática e o pensamento das quebradas/periferias. Propomos também o conceito de cartografia canibal, um processo que incorpora, deglute e transforma o objeto de estudo e o sujeito do conhecimento, produzindo derivas que permitiriam a emergência de outras perspectivas no discurso filosófico e que podem ser compreendidas como uma epistemopolítica insurgente contra os epistemicídios das culturas marginalizadas, como é o caso das culturas juvenis de periferia, entre outras referenciadas ao longo deste ensaio. A partir dessas reflexões, procuramos agenciar aportes teóricos e práticos que contribuam para a construção dessa cartografia, aberta, processual e em permanente construção, ensejando, com isso, compartilhar alguns apontamentos para a produção conceitual no ensino de filosofia em perspectiva decolonial e transdisciplinar.
Palavras-chave
periferia; antropofagia; epistemicídio; cinismo