Durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), a música popular teve uma função importante como veículo de protesto e de conscientização política da população, principalmente junto à camada mais jovem, composta por estudantes secundaristas e universitários. Ao mesmo tempo, a censura imposta pelo regime fez com que muitas músicas, tanto brasileiras como de outros países, fossem proibidas. O advento da fita cassete revolucionou a reprodução de cópias que podiam ser feitas diretamente de outras fitas, de programas de rádio e de discos de vinil, permitindo assim um maior compartilhamento de músicas de protesto. Se fossem descobertas, fitas cassete com músicas de protesto podiam ser apreendidas pela polícia, por serem consideradas material subversivo, e seus criadores severamente punidos pelo regime. A tarefa de criar e copiar fitas de músicas proibidas exigia cuidado, discrição e, principalmente, um local seguro. Este trabalho de pesquisa debruça-se sobre um artefato musical descoberto em 1984 no Rio de Janeiro, em local clandestino, e busca interpretá-lo à luz da conjuntura histórica dos anos de chumbo no Brasil.
Brasil; músicas de protesto; estudantes; censura