Open-access O uso de materiais didáticos na alfabetização durante o ensino remoto emergencial no Ceará

El uso de materiales didácticos en alfabetización durante el aprendizaje remoto de emergencia en Ceará

Resumo

Introdução.  Este artigo investiga a utilização de materiais didáticos durante o ensino remoto emergencial por professores do 2º ano do Ensino Fundamental de municípios cearenses, com foco no ensino da leitura e da escrita.

Metodologia.  A pesquisa, de campo e documental, contou com a participação de 57 professores que responderam a um questionário on-line sobre os materiais utilizados no contexto da pandemia.

Resultados.  Os resultados indicaram o uso dos seguintes materiais para o ensino da leitura e da escrita: elaborados pelas secretarias de educação, produzidos pelos próprios docentes, desenvolvidos exclusivamente para o ensino remoto, livros do Programa Nacional do Livro Didático e recursos disponibilizados pelo Pacto Alfabetização na Idade Certa.

Discussão.  Conclui-se que há diversidade de recursos, alinhamento à teoria da alfabetização e letramento e destaque para a importância da autonomia e reflexão docente na escolha e uso dos materiais.

Palavras-chave
meios de ensino; estratégias pedagógicas; material didático; alfabetização.

Abstract

Introduction.  This article investigates the use of teaching materials during emergency remote learning by 2nd-grade elementary school teachers in municipalities in Ceará, focusing on the teaching of reading and writing.

Methodology.  The field and documentary research involved 57 teachers who responded to an online questionnaire about the materials used in the context of the pandemic.

Results.  The results indicated the use of the following materials for teaching reading and writing: materials prepared by state education departments, materials produced by the teachers themselves, materials developed exclusively for remote learning, books from the National Textbook Program, and resources made available by the Literacy at the Right Age Pact. Discussion. It is concluded that there is a diversity of resources, alignment with literacy theory, and an emphasis on the importance of teacher autonomy and reflection in the selection and use of materials.

Keywords
teaching resources; pedagogical strategies; instructional materials; literacy.

Resumen

Introducción.  Este artículo investiga el uso de materiales didácticos durante el aprendizaje remoto de emergencia por parte de docentes de segundo grado de primaria en municipios de Ceará, con énfasis en la enseñanza de la lectura y la escritura.

Metodología.  La investigación de campo y documental contó con la participación de 57 docentes que respondieron un cuestionario en línea sobre los materiales utilizados en el contexto de la pandemia.

Resultados.  Los resultados indicaron el uso de los siguientes materiales para la enseñanza de la lectura y la escritura: materiales desarrollados por los departamentos de educación, materiales producidos por los propios docentes, materiales desarrollados exclusivamente para el aprendizaje remoto, libros del Programa Nacional de Libros de Texto y recursos facilitados por el Pacto de Alfabetización a la Edad Adecuada.

Discusión.  Se concluye que existe una diversidad de recursos, una alineación con la teoría de la alfabetización y énfasis en la importancia de la autonomía y la reflexión del profesor en la selección y el uso de materiales.

Palabras clave
métodos de enseñanza; estrategias pedagógicas; material didáctico; alfabetización.

1 Introdução

No período de 2020 a 2022, devido ao surgimento da Covid-19, o Brasil, assim como outros países, precisou implementar o ensino remoto emergencial (ERE) para dar continuidade às atividades escolares. Em março de 2020, com o início da quarentena/ lockdown e o fechamento das escolas, tornou-se necessária a adoção do ERE, conforme a Portaria nº 343, de 17 de março de 2020, do Ministério da Educação (MEC), que determinou a substituição das aulas presenciais por atividades em meios digitais durante a pandemia (Brasil, 2020).

Nesse contexto, professores e escolas precisaram adaptar suas práticas pedagógicas, fazendo uso de diferentes materiais didáticos, digitais e/ou impressos, para dar continuidade ao ensino. Especialmente os docentes da área de alfabetização tiveram que desenvolver e ajustar o uso desses recursos para favorecer o aprendizado da leitura e da escrita. Tais materiais foram essenciais para manter a aprendizagem dos estudantes durante a suspensão das aulas presenciais, evidenciando a importância da flexibilidade didática e da inovação pedagógica em situações de emergência.

Destaca-se que o ERE caracterizou-se como uma situação atípica e histórica no Brasil, tendo em vista que a necessidade de desenvolver práticas pedagógicas mediadas por tecnologias educacionais enfrentou diversas barreiras. Entre elas, destacam-se as dificuldades de acesso à internet e a equipamentos eletrônicos, sobretudo entre famílias de classes socioeconômicas menos favorecidas e estudantes provenientes de escolas públicas, além da necessidade de capacitação docente em curto prazo, fundamental para o desenvolvimento de estratégias pedagógicas inovadoras ou adaptadas à situação pandêmica (Abalf, 2020). Assim, o ERE constituiu uma solução rápida e viável para aquele momento.

Partindo dessa premissa, o presente artigo teve como objetivo investigar a utilização de materiais didáticos durante o ERE por docentes do 2º ano do Ensino Fundamental de municípios cearenses no processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita. Dada a importância desses recursos no processo de alfabetização e considerando a novidade do ERE, este trabalho busca, assim, contribuir para o debate sobre o uso de materiais didáticos para o ensino da leitura e da escrita.

2 Metodologia

Em virtude do objetivo central deste estudo, que consiste em investigar a utilização de materiais didáticos no ERE por docentes do 2º ano do Ensino Fundamental em municípios cearenses no processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita, esta pesquisa caracteriza-se como um estudo de campo e documental, com abordagem qualitativa e quantitativa.

O nível adotado nesta investigação foi o descritivo-exploratório. Conforme Gil (2011, p. 28), pesquisas descritivas “[...] têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno [...]”, enquanto as exploratórias têm como “[...] principal finalidade desenvolver, esclarecer, modificar conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores” (Gil, 2011, p. 27).

A seleção das escolas participantes baseou-se nos resultados do Spaece-Alfa1 (Ceará, 2019), considerando a relação de municípios com desempenho integral na etapa da alfabetização. Dos 20 municípios com 100% das escolas no nível desejável, oito aceitaram participar, totalizando 35 docentes. Para ampliar a amostra, incluíram-se também os municípios de Sobral e Cruz, reconhecidos pelo alto desempenho em avaliações externas e em índices nacionais de qualidade educacional, resultando em 52 escolas de 10 municípios cearenses participantes da pesquisa.

A pesquisa foi realizada com 57 professores de Língua Portuguesa do 2º ano do Ensino Fundamental, vinculados a escolas de 10 municípios cearenses (Barroquinha, Sobral, Caridade, Varjota, Meruoca, Solonópole, Pires Pereira, Catunda, Coreaú e Cruz).

Diante da impossibilidade de pesquisa presencial, foi utilizado um questionário eletrônico, elaborado no Google Forms e aplicado on-line entre os meses de abril e novembro de 2021 aos 57 professores. Junto ao formulário, os pesquisadores enviaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), com o intuito de garantir a ciência das informações da pesquisa e o voluntariado dos participantes.

O instrumento permitiu investigar a relação de materiais didáticos utilizados pelos docentes e a realidade da alfabetização das crianças quanto ao ensino da leitura e da escrita no contexto de pandemia, traduzindo os objetivos do estudo em questões capazes de refletir essa realidade, conforme recomendações de Gil (2011).

Para a análise dos dados coletados, foi utilizada a Metodologia de Análise de Conteúdo (AC), seguindo as orientações de Bardin (2011). Essa abordagem envolve a descrição, inferência e interpretação dos dados, com foco em como as informações coletadas podem contribuir para a compreensão do fenômeno. A análise seguiu três etapas principais: pré-análise; exploração do material; e tratamento dos resultados, inferência e interpretação.

3 Resultados e discussão

Para o presente artigo, a análise concentrou-se na categoria relativa à utilização de materiais didáticos pelos docentes do 2º ano do Ensino Fundamental durante o ERE da leitura e da escrita. Considerando que o processo de alfabetização passou por transformações conceituais a partir da década de 1980, buscou-se identificar quais materiais foram adotados pelos professores e analisar se estes contemplavam a alfabetização sob a perspectiva do letramento, além da inclusão de materiais que favorecem a aprendizagem da leitura e da escrita, como literatura infantil, textos de prosa e poesia, entre outros.

Ter acesso a materiais escritos, sejam on-line e/ou impressos, de acordo com Soares (2016, 2020), contribui para o desenvolvimento da alfabetização e do letramento, que envolve reconhecer os usos sociais e funções da língua escrita. Esses aspectos podem ser adquiridos pelos alunos no contexto escolar, mas também fora dele, envolvendo ainda o contexto familiar e/ou outros espaços, pois é a partir da interação com materiais escritos e nas relações sociais estabelecidas que o discente elabora hipóteses sobre a língua escrita e começa a apropriar-se dela, mas isso não é suficiente para que o aluno aprenda a ler e a escrever, dependendo, pois, do ensino sistemático da escola para que isso aconteça de forma significativa.

Assim, reconhecendo que o processo de aprendizagem da leitura e da escrita requer um ensino sistemático escolar, mas que também sofre influências da interação discente com materiais escritos, questionou-se inicialmente aos professores sobre o acesso dos alunos aos materiais de leitura, sejam eles disponibilizados pela escola e/ou em casa.

De acordo com as respostas dos docentes, pode-se visualizar no gráfico 1 que: 36 afirmaram que todos os alunos tinham acesso a materiais de leitura, outros 16 professores informaram que quase todos os alunos tinham acesso a esses materiais, enquanto três afirmaram que poucos tinham acesso e dois revelaram que nenhum aluno teve acesso a esse tipo de material durante o contexto da pandemia da Covid-19.

Gráfico 1
Acesso a materiais de leitura

Embora o ensino remoto tenha impossibilitado a ida da criança à escola, garantir o acesso dos estudantes a materiais escritos era indispensável. Esses materiais deveriam ter sido disponibilizados pela escola, de forma a contemplar todos, dada a importância desses recursos para o processo de alfabetização e letramento, conforme apontam autores da área.

Considerou-se que esse aspecto da pesquisa se limita ao acesso a materiais de leitura, sem especificar se esses materiais foram fornecidos pela escola ou se pertenciam às crianças e suas famílias. Ademais, pesquisa realizada por Nunes e Zancanaro (2024) reforça essa dificuldade de um acompanhamento mais próximo pelos docentes, de modo que a relação docente-discente passou a ser mediada pelo familiar ou responsável no contexto do ERE.

Para aprofundar um pouco os conhecimentos sobre a utilização de recursos de apoio à prática docente, buscou-se conhecer quais materiais didáticos foram adotados para o ensino da leitura e da escrita durante o ensino remoto, bem como a frequência com que eram utilizados.

O Gráfico 2 revela a lista de materiais didáticos utilizados pelos docentes durante o ensino remoto, como o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), materiais do Programa de Alfabetização na Idade Certa (Paic), materiais complementares (editoras), materiais elaborados pelas secretarias de educação e/ou professores, materiais elaborados exclusivamente para o ERE e/ou outros materiais, além da frequência de uso.

Gráfico 2
Materiais didáticos utilizados durante o ERE pelos docentes

De acordo com as informações presentes no Gráfico 2, dentre os materiais que são sempre ou quase sempre utilizados pelos professores, destacam-se os materiais elaborados pelas secretarias de educação do município (45 professores), materiais elaborados exclusivamente para o ensino remoto (43 professores), PNLD (41 professores), materiais elaborados pelos próprios professores (38 professores) e o material do Paic (33 professores).

Pediu-se também que os professores escrevessem os nomes dos materiais que eram utilizados com maior frequência. Dentre os materiais citados pelos docentes, buscou-se descrever brevemente aqueles que se referiam a materiais do PNLD e do Paic disponíveis em sites do governo federal e estadual (Ceará), respectivamente, a fim de se conhecer a perspectiva teórica deles quanto ao ensino da leitura e da escrita e como eles poderiam contribuir para o desenvolvimento da alfabetização e do letramento.

Por meio da execução do PNLD, o governo federal disponibiliza periodicamente às escolas de educação básica pública obras didáticas e literárias e outros materiais de apoio à prática docente, de forma sistemática, regular e gratuita. As obras são elaboradas em coedição com o setor privado e passam por um processo de avaliação pedagógica, realizada por uma comissão de especialistas selecionados pelo MEC. Se as obras forem aprovadas, ficam disponíveis para acesso docente no site Guia Digital, onde é possível encontrar as resenhas das obras analisadas (Lima e Ciasca, 2020).

A lista de livros do PNLD citados pelos docentes pode ser visualizada no Quadro 1, juntamente com uma breve descrição desses materiais disponíveis no site Guia Digital - PNLD (Brasil, 2019) - Anos Iniciais2. É possível perceber que a maioria dos docentes afirmou utilizar o PNLD Ápis (16), da editora Ática, para o ensino de Língua Portuguesa, seguido pelos livros Conectados (5), da editora Frère Théophane Durand (FTD); Buriti (5), da editora Moderna; Encontros (3), da FTD; Vem Voar (2), da editora Scipione; e Encontros Aprender e Relacionar, da editora Moderna. Outros materiais, embora citados pelos docentes como pertencentes à categoria PNLD, não foram encontrados no site do Guia Digital - PNLD (Brasil, 2019) e, portanto, não puderam ser descritos.

Quadro 1
Livros didáticos utilizados durante o ERE pelos professores

Inferiu-se que os livros mencionados, por fazerem parte do PNLD, passaram por uma análise prévia realizada por especialistas da área; consequentemente, todas as obras abordam a alfabetização na perspectiva do letramento, atendendo aos preceitos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que orienta a elaboração de todos os currículos escolares. A BNCC traz a necessidade de abranger os quatro eixos das práticas de linguagem: oralidade, leitura, escrita e análise linguística e semiótica no contexto do ensino e aprendizagem. Nesse sentido, o texto, base para o ensino da leitura e da escrita, é citado como elemento indispensável, dando ênfase à importância de sua variedade e adequação à faixa etária relacionada.

Segundo Soares (2016), o processo de alfabetização no Brasil associa a alfabetização e o letramento como elementos complementares e, por isso, não podem ser praticados isoladamente. Desse modo, a sistematização de ambos precisa ser bem planejada e definida: enquanto a alfabetização refere-se ao ensino da técnica da escrita, o letramento foca nos usos e funções dos textos.

Outros materiais citados pelos docentes são elaborados pelo governo estadual do Ceará, pertencentes ao Paic e disponibilizados a todos os municípios cearenses. Ao realizar uma pesquisa no site do programa, foi possível aprofundar conhecimentos sobre os materiais citados pelos docentes.

Em relação aos materiais disponibilizados pelo Paic, os livros de história/ paradidáticos foram citados por 11 professores, seguidos do Material estruturado/ Caderno do aluno, mencionados por nove professores; o acesso ao site Mais Paic foi realizado por sete professores; outros quatro professores afirmaram utilizar, respectivamente, o Pé de Imaginação e a coleção Prosa e Poesia; já os materiais Estudo em Casa - Paic foram citados por três professores e Vamos Passear na Escrita foi mencionado por apenas um docente. Alguns materiais citados não foram encontrados no site do Paic, consequentemente não foram descritos. O Quadro 2 contém a lista desses materiais do Paic citados pelos professores e utilizados durante o ERE.

Quadro 2
Materiais Paic utilizados durante o ERE pelos professores

De acordo com a pesquisa, o Ceará desenvolve uma variedade de materiais voltados ao público da alfabetização, incluindo acervos de literatura infantil, materiais estruturados para a prática docente e recursos que valorizam a cultura cearense, como a coleção Prosa e Poesia. Do total de docentes participantes, 21 relataram utilizar histórias infantis em suas práticas pedagógicas, seguidos pelos materiais estruturados desenvolvidos pela Nova Escola.

Chagas e Domingues (2015) destacam que a compreensão da leitura como prática social, aliada ao trabalho específico com a literatura infantil, favorece o processo de letramento e é fundamental no ciclo de alfabetização. Além disso, o trabalho com diferentes gêneros textuais e a mediação docente se mostram essenciais para o ensino sistemático da leitura e da escrita nas escolas.

Outros materiais, como a coleção Prosa e Poesia e o portal Luz do Saber, foram citados por poucos professores, o que indica a necessidade de um maior destaque para eles, na perspectiva que aqui se adota. O primeiro pela sua importância na valorização da cultura local e o segundo pela ludicidade, aspecto significativo para a aprendizagem das crianças nessa faixa etária. Salienta-se que o uso do software requer o acesso à internet e equipamentos eletrônicos como o celular/computador, o que pode ser um fator limitante, já que existe falta de equipamentos e/ou internet na maioria das escolas municipais, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Brasil, 2021). Convém que haja investimento dos governos para ampliar a possibilidade de uso.

A categoria relativa à utilização de materiais didáticos pelos docentes do 2º ano do Ensino Fundamental durante o ensino remoto no que tange à leitura e à escrita evidenciou que os professores organizaram suas práticas a partir de recursos elaborados especificamente para esse fim. Entre esses materiais estão os produzidos exclusivamente para o ensino remoto, os desenvolvidos pelas secretarias de educação municipais, bem como livros e obras didáticas do PNLD e do Paic.

A utilização de materiais elaborados pelos próprios docentes foi citada por 66,6% do grupo participante, demonstrando autonomia, criatividade e capacidade de adaptação às necessidades específicas de seus alunos durante o ERE. Esse comportamento revela a importância da reflexão pedagógica e da personalização de estratégias de ensino, especialmente no contexto da alfabetização, em que o acompanhamento individualizado é fundamental.

Por outro lado, os 33,4% de docentes que utilizaram materiais previamente elaborados, como os disponibilizados pelo PNLD e Paic, mostram que esses recursos institucionais permanecem relevantes e confiáveis para apoiar o ensino da leitura e da escrita. A utilização desses recursos institucionais garante coerência curricular e oferece subsídios para que os professores desenvolvam estratégias de ensino alinhadas aos referenciais curriculares, fortalecendo a integração entre a orientação institucional e a autonomia docente.

4 Considerações finais

O ERE constituiu uma alternativa viável durante a pandemia da Covid-19, diante da impossibilidade de contato presencial entre estudantes e escolas, configurando-se como uma modalidade de ensino inédita para todos os envolvidos.

No que se refere à utilização de materiais didáticos, observou-se a produção de recursos pelos próprios docentes, bem como pelas secretarias municipais e estadual de educação do Ceará, elaborados especificamente para o contexto do ERE. Também foram empregados materiais provenientes do PNLD e do Paic, alinhados às teorias de alfabetização e letramento.

A escolha dos materiais didáticos para a etapa de alfabetização, conforme indicam os documentos oficiais e os autores da área, é fundamental para o desenvolvimento de uma alfabetização plena - que envolve não apenas o domínio da técnica da escrita, mas também a compreensão de seus usos e funções sociais.

Nesse sentido, reconhece-se o esforço dos participantes da pesquisa em diversificar os materiais utilizados durante o ensino remoto, o que reflete o impacto das transformações recentes no cenário educacional. De modo geral, os professores recorreram com maior frequência aos materiais produzidos pelas secretarias municipais de educação, evidenciando a influência das orientações locais sobre a prática pedagógica.

O PNLD continua a desempenhar papel relevante, embora se observe um movimento de diversificação, com destaque também para os materiais autorais produzidos pelos próprios professores e para o uso ainda significativo do material do Paic. Esse conjunto de dados aponta para uma prática docente plural, que combina referências institucionais e produções próprias, articulando tradição e inovação no uso dos recursos didáticos.

Reitera-se que a alfabetização apresenta especificidades que exigem a presença física para se desenvolver de maneira efetiva. A inserção desse público no contexto do ensino remoto evidenciou diversas barreiras - sociais, pedagógicas, políticas e tecnológicas - que impactaram significativamente os processos de ensino e aprendizagem.

  • 1
    A partir de 2007, o Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Estado do Ceará (Spaece) passou a avaliar os alunos do 2º ano do Ensino Fundamental dos 184 municípios cearenses. A avaliação concentra-se na leitura e realiza um diagnóstico do nível de alfabetização consolidado pelas crianças ao final da série avaliada, por meio da aplicação anual do Spaece-Alfa (Ceará, 2025).
  • 2
    O PNLD 2019 refere-se à Educação Infantil e aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. O ciclo de vigência das obras foi ampliado de três para quatro anos, de acordo com Decreto nº 9.099, de 18 de julho de 2017.
  • Como citar este artigo (ABNT):
    LIMA, Nágila Rabelo de; CIASCA, Maria Isabel Filgueiras Lima; RIBEIRO, Luís Távora Furtado. O uso de materiais didáticos na alfabetização durante o ensino remoto emergencial no Ceará. Educação & Formação, Fortaleza, v. 11, e16644, 2026. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/redufor/article/view/e16644
  • Pareceristas ad hoc:
    Marilda Alves Adão Carvalho e Belén Mateos Blanco

Disponibilidade de dados:

Os dados de pesquisa não estão disponíveis. Alguns dados da pesquisa, como resultados resumidos em tabelas e gráficos, estão disponíveis no corpo do documento. Os dados brutos do questionário não estão disponíveis por questões éticas e de confidencialidade.

5 Referências

  • Editora responsável:
    Lia Machado Fiuza Fialho

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Jul 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    20 Nov 2025
  • Aceito
    05 Mar 2026
  • Publicado
    17 Abr 2026
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