A esterilização química está bem estabelecida para cães e gatos machos. Tem sido utilizada em muitos países como um método de baixo custo para controle populacional. No entanto, métodos minimamente invasivos para acesso ovariano ainda são escassos e são necessários para possibilitar o progresso de estudos que visam inibir a reprodução em gatas e cadelas. O objetivo deste estudo é descrever e avaliar o sucesso da técnica da injeção intraovariana percutânea guiada por ultrassonografia em gatas. Para o estudo, 21 gatas, sem raça definida, com idade entre 6 meses e 5 anos e pesando de 1,9 a 3,5 kg foram submetidas a sedação e ultrassonografia abdominal. Em decúbito dorsal, o ovário esquerdo foi localizado e 0,1 mL de corante azul patente a 40% foi injetado. As medidas de largura, comprimento e diâmetro dos ovários foram avaliadas por ultrassonografia antes e imediatamente após as injeções para identificar o sucesso da injeção. O tempo gasto até a injeção foi coletado. O mesmo procedimento foi repetido para o ovário direito. Subsequentemente, os animais foram submetidos à anestesia geral e a celiotomia exploratória para detectar possíveis extravasamentos do conteúdo injetado e a presença de perfurações ou lacerações de órgãos adjacentes. Foi também realizada a ovariohisterectomia e os ovários foram coletados para avaliação macroscópica. Além disso, idade, peso, número de partos e fase do ciclo estral foram investigados estatisticamente em associação com o sucesso da técnica. A técnica foi realizada em 42 ovários, dos quais 24 injeções foram bem-sucedidas. A maior taxa de sucesso foi no ovário esquerdo, com 58% de acerto. O tempo necessário para executar a técnica diferiu estatisticamente entre os ovários, sendo realizado de forma mais eficiente no ovário esquerdo (P < 0,05). Os resultados indicam que a técnica é viável, particularmente em animais nas fases de estro e interestro (P < 0,05). Além disso, as medidas ovarianas pré e pós-injeção demonstraram a capacidade da ultrassonografia de determinar o sucesso da técnica, evidenciado pelo aumento significativo nas dimensões ovarianas após a injeção (P < 0,001). Estes resultados evidenciam que é possível acessar os ovários de gatas para a deposição de compostos sem intervenção cirúrgica. Contudo, ainda não foram observadas complicações durante o estudo, comprovando assim, a segurança da técnica.
Palavras-chave:
técnica minimamente invasiva; esterilização não cirúrgica; fêmeas; controle reprodutivo; feline
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