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Open-access Disfunções vocais relacionadas à COVID-19: uma revisão de escopo

RESUMO

Objetivo  Mapear as evidências disponíveis sobre alterações vocais em adultos não intubados com diagnóstico de COVID-19 leve a moderado.

Estratégia de pesquisa  Revisão de escopo conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA-ScR, incluindo estudos publicados entre 2019 e 2025. Foram realizadas buscas sistemáticas nas bases MEDLINE (PubMed), EMBASE, LILACS, Scopus, Web of Science e Cochrane Library, além de fontes de literatura cinzenta (Google Scholar, MedRxiv e ProQuest). Descritores controlados e termos livres relacionados à COVID-19 e aos distúrbios da voz foram combinados por meio de operadores booleanos.

Critérios de seleção  Foram incluídos estudos com adultos (18-65 anos) com diagnóstico confirmado de COVID-19 e quadros leves a moderados. Excluíram-se estudos com indivíduos submetidos à intubação endotraqueal, bem como aqueles com histórico prévio de distúrbios vocais ou comorbidades respiratórias. A seleção foi realizada por dois revisores independentes.

Análise dos dados  Os dados foram extraídos e analisados de forma descritiva e quantitativa, considerando características dos estudos, métodos de avaliação vocal e principais desfechos.

Resultados  Dos 35.497 registros identificados, 19 estudos atenderam aos critérios de inclusão. As alterações vocais mais frequentes foram disfonia, rouquidão, redução do tempo máximo de fonação e modificações em medidas acústicas, como jitter, shimmer e índice harmônico-ruído. Sintomas associados incluíram fadiga vocal, tosse, dispneia e desconforto laríngeo, além de impacto negativo na qualidade de vida relacionada à voz.

Conclusão  A COVID-19 leve a moderada pode acarretar comprometimentos vocais clinicamente relevantes, reforçando a necessidade de acompanhamento fonoaudiológico e de pesquisas que subsidiem protocolos de avaliação e reabilitação vocal no período pós-infecção.

Descritores:
COVID-19; Distúrbios da Voz; Fonoaudiologia; Infecções por Coronavirus; Qualidade da Voz; Revisão de Escopo

ABSTRACT

Purpose  To map the available evidence on voice changes in non-intubated adults diagnosed with mild to moderate COVID-19.

Research strategies  Scoping review conducted according to PRISMA-ScR guidelines, including studies published between 2019 and 2025. Systematic searches were performed in the MEDLINE (PubMed), EMBASE, LILACS, Scopus, Web of Science, and Cochrane Library databases and in grey literature sources (Google Scholar, MedRxiv, and ProQuest). Controlled descriptors and free terms related to COVID-19 and voice disorders were combined using Boolean operators.

Selection criteria  The review included studies with adults (18–65 years) with a confirmed diagnosis of mild to moderate COVID-19 and excluded studies with individuals undergoing endotracheal intubation and with a previous history of voice disorders or respiratory comorbidities. The selection was performed by two independent reviewers.

Data analysis  The data were extracted and analyzed descriptively and quantitatively, considering study characteristics, vocal assessment methods, and main outcomes.

Results  Of the 35,497 records identified, 19 studies met the inclusion criteria. The most frequent voice disorders were dysphonia, hoarseness, reduction in maximum phonation time, and changes in acoustic measures such as jitter, shimmer, and harmonic-to-noise ratio. Associated symptoms included vocal fatigue, cough, dyspnea, and laryngeal discomfort, as well as a negative impact on voice-related quality of life.

Conclusion  Mild to moderate COVID-19 can lead to clinically relevant vocal impairments, reinforcing the need for speech-language-hearing follow-up and research to support vocal assessment and rehabilitation protocols in the post-infection period.

Keywords:
COVID-19; Voice Disorders; Speech-Language Pathology; Coronavirus Infection; Voice Quality; Scoping Review

INTRODUÇÃO

A COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, foi declarada pandemia global em março de 2020, afetando milhões de pessoas em todo o mundo(1). Além das manifestações respiratórias agudas, a doença pode desencadear uma tempestade de citocinas, resultando em danos multissistêmicos, incluindo pulmões, coração e trato gastrointestinal(2). Entre os sintomas frequentemente relatados estão alterações sensoriais, como hiposmia, anosmia e disgeusia, bem como manifestações respiratórias que podem impactar diretamente a produção vocal(3).

A produção vocal saudável depende da integração harmoniosa dos sistemas respiratório, fonatório e ressonantal(4). A COVID-19 pode comprometer cada um desses sistemas por diferentes mecanismos, como inflamação laríngea, neuropatias periféricas, fraqueza muscular respiratória e alterações posturais decorrentes de fadiga crônica(5,6), podendo resultar em disfonia, definida como qualquer dificuldade ou alteração na emissão vocal que prejudique a produção natural da voz(7).

Apesar de a COVID-19 apresentar menor relevância clínica em comparação aos anos iniciais da pandemia, o estudo das alterações vocais associadas à infecção permanece relevante. Essas alterações podem integrar a síndrome pós-COVID (COVID longa), reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, e representam desafios para reabilitação e acompanhamento clínico(8). Mesmo alterações vocais leves podem gerar impacto funcional significativo, especialmente em indivíduos que dependem da voz para o trabalho, como professores, cantores e profissionais da comunicação(9,10). A escassez de estudos longitudinais que investiguem a duração, a evolução e o manejo terapêutico dessas alterações evidencia uma lacuna na literatura, reforçando a pertinência de uma revisão de escopo(11).

Esta revisão adota o conceito de qualidade vocal como o desempenho funcional da voz, avaliado por meio de medidas perceptivo-auditivas, acústicas e de autorrelato(7,12,13). O fenômeno COVID-19 é abordado em seu espectro completo (fases aguda, pós-aguda e COVID longa)(8), considerando seus mecanismos fisiopatológicos potencialmente impactantes na voz, como inflamação laríngea e neuropatia(5,6). O contexto é delimitado à população de adultos não intubados com quadros leves a moderados, permitindo isolar os efeitos da infecção viral dos danos por intubação e preenchendo uma lacuna importante na literatura, que tradicionalmente prioriza o estudo de casos graves.

Uma busca preliminar em repositórios de protocolos (MEDLINE, Cochrane Database of Systematic Reviews e JBI Evidence Synthesis) não identificou revisões sistemáticas ou de escopo recentes ou em andamento com esse recorte populacional e conceito específico, garantindo a originalidade da revisão.

Diante disso, esta revisão de escopo justifica-se pela necessidade de mapear e sintetizar as evidências disponíveis sobre a qualidade vocal em indivíduos acometidos pela COVID-19, com foco especial em casos leves e moderados, não submetidos à intubação orotraqueal. O objetivo desta revisão de escopo foi mapear as alterações vocais em indivíduos adultos acometidos por COVID-19 não intubados, incluindo casos leves a moderados, considerando alterações perceptivo-auditivas, acústicas e autorrelatadas da qualidade vocal, e situando a análise no contexto clínico de acompanhamento pós-infecção e estudos publicados entre 2019 e 2025, com foco em evidências que possam subsidiar a prática clínica, estratégias de reabilitação vocal e pesquisas futuras.

MÉTODO

Esta revisão de escopo seguiu recomendações propostas pelo Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR) e descritas pelo Joanna Briggs Institute Reviewer’s Manual (14-17). Os objetivos, critérios de inclusão e os métodos utilizados, foram especificados e documentados em um protocolo registrado no Open Science Framework (OSF)(18).

Critérios de elegibilidade

Para respaldar a elaboração da pergunta de pesquisa e dos critérios de elegibilidade, foi utilizada a estratégia PCC (População, Conceito e Contexto). Foram adotados os seguintes tópicos-chave: a População foram indivíduos com idades entre 18 e 65 anos com diagnóstico de COVID19; o Conceito a qualidade vocal nos indivíduos com diagnóstico de COVID19; e o contexto foram indivíduos com grau leve a moderado da COVID19 tendo como objetivo excluir os indivíduos que foram submetidos a intubação endotraqueal durante a fase aguda da doença. Considerando os tópicos-chave do acrônimo PCC com o objetivo do estudo, foi elaborada a seguinte pergunta de pesquisa: “Quais as características da qualidade vocal em indivíduos adultos com diagnóstico confirmado de COVID-19?”.

Critérios de inclusão e exclusão

Foram incluídos estudos que apresentassem dados primários ou secundários originais sobre a qualidade vocal na população de interesse, como estudos observacionais, relatos de caso e revisões sistemáticas. Foram excluídos textos que não apresentavam dados originais, como ensaios teóricos, editoriais, cartas e comentários, pois seu foco é a argumentação e opinião, não sendo passíveis de extração de dados para síntese baseada em evidências. Relatos de experiência foram mantidos desde que descrevessem sistematicamente casos ou séries de casos com avaliação vocal. Também foram excluídos estudos que trazem participantes que foram submetidos a intubação endotraqueal durante a internação por COVID-19, apresentassem comorbidades como: fumantes, histórico prévio de distúrbios de voz ou alterações laríngeas, qualquer forma de doença respiratória, dermatológicas, reumáticas ou neurológicas com envolvimento laríngeo; histórico de câncer de cabeça e pescoço ou radioterapia cervical.

Fontes de pesquisa e estratégia de busca

A busca eletrônica foi realizada em junho de 2024, em seis bases de dados de citações e resumos: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), EMBASE, Web of science, Scopus, COCHRANE. Foi realizada também a busca em literatura cinzenta em janeiro de 2025: Google Scholar, MedRxiv, ProQuest. Além disso, foi realizada busca nas citações dos artigos selecionados. As estratégias de busca foram elaboradas a partir de termos indexados e livres, relacionados à PCC. Utilizaram-se combinações entre os descritores relacionados à COVID-19 (ex.: “COVID-19”, “SARS-CoV-2”) e qualidade vocal (ex.: “Voice”, “Dysphonia”, “Voice Quality”) com operadores booleanos (AND, OR) e truncamentos. A busca foi restrita ao idioma inglês devido à maior cobertura das bases de dados internacionais para o tema investigado. A estratégia completa para cada base de dados está detalhada no Apêndice A.

Seleção

A seleção dos estudos foi realizada em quatro etapas: (1) calibração (2) triagem de títulos e resumos; (3) exclusão de duplicatas; (4) leitura na íntegra dos artigos elegíveis.

Para a calibração da seleção, foi realizada, inicialmente, a identificação dos estudos nas bases de dados PubMed/MEDLINE e LILACS. Os registros duplicados foram removidos usando ferramentas automáticas do portal Rayyan. A calibração foi realizada por dois revisores, de forma independente. Na etapa de calibração foi utilizada uma amostra piloto de 82 artigos. Estes artigos foram avaliados quanto aos critérios de inclusão e exclusão. Foi calculado o coeficiente Kappa de Cohen para medir a concordância interavaliadores, estabelecendo-se um mínimo de 0,7 no coeficiente Kappa de Cohen como critério para avançar para a triagem principal. Após a etapa de calibração, foi realizada a identificação dos estudos nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), EMBASE, Web of science, Scopus, COCHRANE. Foi realizada também a busca em literatura cinzenta em janeiro de 2025: Google Scholar, MedRxiv, ProQuest. Os registros duplicados foram removidos usando ferramentas automáticas do portal Rayyan. A seleção foi realizada pelos dois revisores, de forma independente. Na triagem inicial foram aplicados os critérios de inclusão, por meio da leitura do título e resumo, triados manualmente pelos dois revisores. A segunda etapa da seleção consistiu na leitura integral dos artigos, com a aplicação dos critérios de exclusão. Um terceiro pesquisador fez a arbitragem sobre as discordâncias.

Extração e armazenamento dos dados

A extração de dados foi conduzida de forma padronizada por dois revisores independentes, utilizando planilhas eletrônicas (excel). As variáveis coletadas incluíram: autor, ano e país de publicação; delineamento metodológico; objetivo do estudo; tamanho da amostra; sexo, faixa etária e raça/etnia dos participantes; presença de comorbidades prévias; método de diagnóstico da COVID-19; classificação clínica da doença (leve ou moderada); status vacinal; sinais e sintomas relacionados à COVID-19; protocolos e instrumentos empregados para avaliação vocal; parâmetros acústicos; resultados perceptivo-auditivos; sintomas vocais autorrelatados; tempo de acompanhamento; e principais conclusões relatadas pelos autores.

A síntese foi realizada por meio de análise descritiva e quantitativa, com cálculo de frequências absolutas e relativas das variáveis extraídas. Os resultados foram organizados em quadros e representados graficamente em nuvem de palavras, gráficos de distribuição e mapas geográficos, quando aplicável. Essa abordagem buscou fornecer uma visão abrangente das evidências disponíveis, destacando tendências e lacunas na literatura.

RESULTADOS

A estratégia de busca nas bases de dados recuperou 35.497 referências, totalizando 442 após a remoção dos duplicados por ferramentas de automação do portal Rayyan e a extração manual das referências inelegiveis. Os critérios empregados incluíram a exclusão de referências por tipo de documento, faixa etária incompatível com a população definida (18-65 anos), ausência de menção a COVID-19 confirmada, ano de publicação incompatível com a definida (2019-2025) e idioma da publicação (inglês, português e espanhol). Durante a fase de leitura dos títulos e resumos, 109 publicações foram elegíveis para a leitura na íntegra. Após a leitura, 90 estudos foram excluídos, resultando em 19 publicações incluídas para a síntese (Apêndice B).

Características dos estudos

Foram incluídos 19 estudos na revisão, com publicações entre 2020 e 2025, sendo o pico em 2021 (n=6) e 2022 (n=5). A maioria dos estudos foi conduzida no Irã (n=7), seguido pelo Turquia (n=2), Egito (n=2) e Brasil (n=2) (Figura 1). Outros países incluídos foram Alemanha, Estados Unidos, Paquistão, Polônia, Suíça e Índia. (Tabela 1)

Figura 1
Distribuição de Artigos Incluídos na Revisão de escopo por Nacionalidade
Tabela 1
Características dos estudos - parte I

Predominaram os estudos observacionais: transversais, analíticos e caso-controle, com variações metodológicas consideráveis. Dois relatos de caso e uma revisão sistemática com meta-análise também foram incluídos. (Tabela 2)

Tabela 2
Características dos Estudos - parte II

Os estudos tiveram como objetivo principal investigar os efeitos da COVID-19 na qualidade vocal por meio de diferentes avaliações, incluindo análise acústica(12,19,20,23,27), julgamento perceptivo-auditivo(22,24), protocolos de autopercepção(13,25,29) e exames instrumentais(13,31). Diversos trabalhos(10,12,27,31) compararam indivíduos com COVID-19 a grupos controle saudáveis, buscando identificar alterações vocais, sintomas persistentes, fadiga vocal e impacto na qualidade de vida relacionada à voz. Também foram exploradas correlações entre medidas subjetivas e objetivas da voz, além de relatos de casos clínicos específicos(20,21), como paralisia vocal súbita e manifestações leves como rouquidão. Alguns estudos(9,10) destacaram populações específicas, como cantores ou pacientes com comprometimento pulmonar, ampliando a compreensão sobre as possíveis sequelas vocais associadas à infecção. (Tabela 2)

Os tamanhos amostrais variaram de 1 (relato de caso) a 1.410 participantes (meta-análise) com faixa etária de 18 a 66 anos, sendo a maioria do gênero masculino. (Tabela 2)

Alguns estudos utilizaram somente o teste de reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa (RT-PCR) realizado em laboratório(10,12,21,22,25,27,29,30). Outros estudos fizeram o teste RT-PCR associado a tomografía computadorizada (TC)(13,19,24,28,33) ou Teste Rápido de Antígeno (TR-Ag) ou Autoteste de Antígeno (AT-Ag)(20).

Contexto clínico encontrados nos estudos

Os sinais e sintomas da COVID-19 relatados nos estudos evidenciam uma variedade de manifestações clínicas, com predominância dos sintomas respiratórios (Tabela 3). Tosse seca, dispnéia e desconforto respiratório foram os mais frequentemente descritos, aparecendo de forma isolada ou em associação a pneumonia leve a moderada(10,12,19,27). Febre e fadiga também foram amplamente mencionadas, sendo a fadiga uma queixa recorrente tanto na fase aguda quanto entre pacientes com sintomas persistentes(25,29). Sintomas neurossensoriais, como anosmia e disgeusia, estiveram presentes em vários relatos, além de cefaleia, mialgia e dores articulares(13,20,24). Em alguns estudos, a presença de alterações vocais como rouquidão, disfonia e fadiga vocal destacou-se, aparecendo tanto como sintoma isolado quanto em associação aos sintomas respiratórios, chegando a ser o principal indicador de complicações laríngeas, como a paralisia de prega vocal(21,31). Outros sintomas vocais incluíram garganta seca, pigarro e sensação de muco espesso(10,24).

Tabela 3
Contexto clínico encontrados nos estudos

Os sinais e sintomas vocais associados à COVID-19, conforme relatados nos estudos, englobam uma variedade de alterações perceptivas, acústicas e autoperceptivas (Tabela 3). A disfonia, frequentemente descrita como rouquidão, foi o sintoma vocal mais recorrente e, em alguns casos, a principal queixa que motivou a investigação clínica, sendo inclusive o primeiro sintoma percebido por alguns participantes(11,12,21,23). Além da rouquidão, outros sintomas relatados incluíram dificuldade para falar de forma clara, voz fraca, trêmula, com esforço, soprosidade, aspereza, tensão vocal, alterações na intensidade vocal, e na qualidade geral da voz(24,27,28,31). Sintomas como fadiga vocal, dor, queimação, secura, sensação de corpo estranho ou aperto na garganta também foram destacados, evidenciando um desconforto laríngeo persistente(10,24,29).

A Figura 2 mostra uma Nuvem de palavras que destaca os sinais e sintomas vocais mais frequentes associados à COVID-19, evidenciando termos como rouquidão, fadiga vocal e alterações na voz.

Figura 2
Sinais e sintomas vocais associados a COVID-19

Avaliações vocais encontradas nos estudos

Os estudos incluídos utilizaram uma variedade de métodos e instrumentos para avaliar a função vocal de indivíduos acometidos pela COVID-19, predominantemente: análises acústicas, julgamentos perceptivo-auditivos e autopercepção (Figura 3). No campo da análise acústica, destacaram-se medidas como o Tempo Máximo de Fonação (TMF), jitter, shimmer, frequência fundamental (Fo), intensidade mínima e índice harmônico-ruído (HNR)(19,23,27,31). Alguns estudos calcularam o Dysphonia Severity Index (DSI) como uma medida composta da gravidade da disfonia(12,27) (Figura 3). O Julgamento perceptivo-auditivo foi conduzido principalmente por meio dos protocolos CAPE-V e GRBAS, incluindo tarefas de emissão sustentada de vogais, leitura de frases e fala espontânea(24,29). A escala CAPE-V foi aplicada em diferentes idiomas e contextos, com foco em parâmetros como aspereza, soprosidade, tensão e severidade geral da voz(12,27) (Figura 3).

Figura 3
Frequência dos protocolos de avaliação vocal utilizados

Na esfera dos instrumentos autorrelatados, os questionários mais utilizados foram o Voice Handicap Index (VHI-10) (10,12,13), que avalia o impacto da disfonia na vida diária, e o Voice-Related Quality of Life (V-RQOL) (13,25), que mede a qualidade de vida relacionada à voz. Também foram utilizados o Índice de Fadiga Vocal (VFI) (24,29) e o Vocal Tract Discomfort Scale (VTD) (24,25), além da SSL (lista de sinais e sintomas vocais)(25) em diferentes momentos da infecção (pré, durante e pós-COVID) (Figura 3). Complementarmente, alguns estudos(20,21,26) incluíram exames como a laringoscopia ou ultrassonografia laríngea para investigar a anatomia e mobilidade das pregas vocais, especialmente em casos de paralisia laríngea. Embora nem todos os estudos tenham especificado os protocolos utilizados, de forma geral, houve uma tendência em combinar diferentes métodos para fornecer uma avaliação vocal mais abrangente e sensível aos efeitos da COVID-19.

A análise acústica foi amplamente utilizada nos estudos revisados (Tabela 4) para avaliar objetivamente alterações na qualidade vocal de indivíduos que se recuperaram da COVID-19. Diversos parâmetros foram medidos por meio de softwares como Praat (12,19,32) e VoiceSauce (19), utilizando tanto fonação sustentada quanto fala espontânea.

Tabela 4
Avaliações vocais encontradas nos estudos

A revisão aponta que a infecção por COVID-19 pode impactar negativamente a qualidade vocal, mesmo após a fase aguda da doença(12,25). Alterações perceptivo-auditivas, como rugosidade, tensão e alteração global da qualidade vocal, foram frequentemente observadas, além de prejuízos em medidas de autopercepção, com escores elevados em instrumentos como VHI-10 e V-RQOL(13,24,25,27). Embora muitos estudos não tenham encontrado diferenças estatisticamente significativas em parâmetros acústicos como Fo, jitter e shimmer, foi comum a redução do TMF(19,23). A presença de sintomas como tosse, dispneia e fadiga durante a COVID-19 se correlacionou com maior impacto vocal percebido(12,29). Casos de paralisia de prega vocal e alterações neurológicas também foram relatados, sugerindo possíveis mecanismos centrais e periféricos envolvidos nas disfunções vocais pós-COVID(20,21).

Para a síntese, os dados foram organizados por características dos estudos, tipo de avaliação vocal e contexto clínico, considerando a variabilidade metodológica dos estudos e destacando evidências consistentes e discrepantes.

DISCUSSÃO

As 19 publicações incluídas neste estudo mostram que a COVID-19 está associada a alterações vocais significativas, mesmo em casos leves a moderados e que não foram submetidos a intubação endotraqueal. Os achados corroboram com estudos anteriores que destacam o impacto multifatorial do SARS-CoV-2 nos sistemas respiratório, fonatório e neurológico, resultando em disfunções vocais (5,6,29).

Sete estudos (36,8%) incluídos na revisão foram realizados na República Islâmica do Irã. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 28 de fevereiro de 2022, o país havia registrado mais de 6,6 milhões de casos confirmados de COVID-19 e aproximadamente 140 mil mortes(33). Durante a pandemia, o Irã enfrentou limitações significativas em sua capacidade de realizar sequenciamento genômico, o que dificultou a vigilância epidemiológica e o rastreamento de novas variantes do SARS-CoV-2, impactando negativamente a efetividade da resposta nacional à crise sanitária. Em resposta a essas limitações, a OMS e seus parceiros internacionais forneceram apoio técnico e financeiro ao país, promovendo a aquisição de equipamentos com tecnologia avançada, softwares específicos e capacitações técnicas. Além disso, campanhas abrangentes de comunicação de risco e estratégias de engajamento comunitário foram implementadas com o objetivo de fomentar uma resposta centrada nas comunidades, estimulando a procura por testagem, tratamento e vacinação(33).

Os estudos incluídos totalizaram 2.730 participantes com predominância do gênero masculino. Apesar da relevância da variável raça/cor da pele para a compreensão das desigualdades em saúde, observou-se que nenhum dos estudos incluídos realizou análise por raça ou etnia. Essa ausência de dados limita a análise de possíveis disparidades raciais no impacto vocal da COVID-19. A literatura tem demonstrado que grupos racialmente minorizados foram mais afetados pela pandemia em termos de infecção, gravidade e acesso aos cuidados de saúde, em parte devido a fatores estruturais como desigualdade socioeconômica, condições de trabalho e menor acesso à reabilitação pós-COVID(34). A não inclusão sistemática da variável raça nos estudos sobre qualidade vocal impede, portanto, a identificação de populações potencialmente mais vulneráveis.

A disfonia foi o sintoma mais comumente descrito, com frequência relatada variando de 25% a 79%, dependendo da amostra e dos critérios adotados nos estudos incluídos(8,11,12). A metanálise conduzida por Aghaz et al.(11) apontou uma prevalência combinada de 25,1% durante a fase aguda da doença, com persistência de sintomas vocais em 17,1% após a recuperação. Outros estudos relataram percentuais ainda mais elevados, sugerindo que os métodos de avaliação e as características clínicas das coortes influenciam substancialmente os achados(8). Observou-se, também, uma tendência maior de prevalência de disfonia entre participantes do gênero feminino, conforme apontado na meta-análise de Aghaz et al.(11) e em estudos observacionais incluídos nesta revisão.(10,13,25) Esses dados sugerem que, além da frequência de sintomas, o impacto funcional da disfonia pode ser mais acentuado no público do gênero feminino. Essa diferença pode ser atribuída a fatores anatômicos e hormonais — como pregas vocais mais delgadas e vibração glótica mais rápida — que tornam a laringe feminina potencialmente mais vulnerável a alterações. Além disso, aspectos comportamentais e sociais podem levar o público do gênero feminino a perceberem e relatarem com mais frequência sintomas vocais, refletindo maior sensibilidade às mudanças na qualidade da voz.

A análise acústica revelou aumento no jitter, shimmer e redução no TMF, indicando instabilidade vocal e possível comprometimento respiratório(19,23). Asiaee et al.(19) encontraram diferença estatisticamente significativa nos parâmetros acústicos entre indivíduos recuperados da COVID-19 e participantes do grupo controle, compostos por indivíduos saudáveis sem histórico da doença. Além disso, o tempo máximo de fonação (TMF), uma medida da eficiência respiratória e da competência glótica, esteve sistematicamente reduzido nos grupos acometidos pela infecção(10,12,25). Gölaç et al.(12) verificaram TMF médio de 11,9 segundos nos pacientes pós-COVID-19, em contraste com 16,4 segundos nos controles saudáveis. De forma semelhante, Bueno et al.(10) observaram TMF de 8,9 segundos nos pacientes com pneumonia grave e 10,7 segundos naqueles com pneumonia moderada, frente a 16,2 segundos nos controles saudáveis(10). Tais achados corroboram a hipótese de que a COVID-19 pode comprometer a laringe e o suporte respiratório necessário à produção vocal. Além disso, a redução na relação harmônico-ruído (HNR) sugere maior presença de ruído na voz, associada a inflamação laríngea ou fraqueza muscular(20). Os participantes relataram fadiga vocal persistente, dificuldade em projetar a voz e sensação de esforço ao falar(22,25).

Instrumentos como o Voice Handicap Index (VHI-10) e o Voice-Related Quality of Life (V-RQOL) confirmaram que essas alterações impactam negativamente a qualidade de vida, especialmente em profissionais da voz(12,13). Isso evidencia que, mesmo nos casos em que a disfonia é leve do ponto de vista clínico, ela pode ter impacto funcional importante, afetando a comunicação cotidiana e a qualidade de vida, especialmente em indivíduos que dependem da voz como ferramenta de trabalho.

As alterações vocais podem ser atribuídas a múltiplos fatores com comprometimento respiratório: redução do TMF e a voz fraca estão associadas à diminuição da capacidade pulmonar pós-COVID-19(28); inflamação laríngea: tosse persistente e refluxo gastroesofágico secundário à infecção podem causar edema e irritação das pregas vocais(31); Neuropatia periférica: casos de paralisia de prega vocal(21) e alterações na inervação laríngea sugerem que o SARS-CoV-2 pode afetar nervos cranianos; e fadiga muscular generalizada: a síndrome pós-COVID-19 pode levar à fraqueza dos músculos respiratórios e laríngeos, afetando a projeção vocal(9).

Outros sintomas frequentemente relatados incluíram garganta seca, dor ou queimação na garganta, sensação de muco espesso e fadiga vocal(10,24,29). Em estudos que utilizaram a Vocal Tract Discomfort Scale (VTDS), a sensação de secura destacou-se com altos escores e tamanho de efeito elevado, sugerindo que alterações na lubrificação ou inflamação laríngea são componentes relevantes da experiência subjetiva de disfonia(28).

Os resultados destacam a necessidade de Avaliação vocal sistemática em pacientes recuperados da COVID-19, utilizando protocolos como CAPE-V, GRBAS e análises acústicas(24,27); Intervenção precoce, incluindo fonoterapia para reabilitação respiratória e vocal, especialmente em casos de disfonia persistente(32); e acompanhamento multidisciplinar, envolvendo otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e pneumologistas, para manejar sequelas integradas(30).

As manifestações vocais persistentes observadas em alguns participantes sugerem uma possível vinculação à síndrome pós-COVID, também chamada de COVID longa. A OMS(8) reconhece como critério clínico a presença de sintomas prolongados além de 12 semanas após o início da infecção e a disfonia pode figurar entre essas queixas duradouras, como observado em estudos incluídos nesta revisão(10,24,25,29).

A heterogeneidade metodológica entre os estudos — incluindo protocolos de avaliação vocal, instrumentos utilizados, critérios de inclusão e períodos de seguimento — limita a generalização dos resultados. A maioria dos estudos apresentou acompanhamento de curto prazo e amostras restritas, dificultando a análise longitudinal das alterações vocais.

Quanto à revisão, não foi realizada avaliação formal da qualidade metodológica dos estudos incluídos, o que constitui uma limitação. Além disso, vieses potenciais na busca e seleção dos estudos, bem como a exclusão de artigos em idiomas diferentes do inglês, português e espanhol, podem ter influenciado os achados.

Os resultados reforçam a importância de avaliação vocal sistemática em pacientes pós-COVID-19, utilizando protocolos padronizados (CAPE-V, GRBAS, análises acústicas) e instrumentos de autorrelato. A intervenção precoce, incluindo fonoterapia para reabilitação respiratória e vocal, e o acompanhamento multidisciplinar são recomendados para mitigar sequelas funcionais.

Futuros estudos devem ser longitudinais, multicêntricos e com amostras maiores, incluindo análises por sexo, raça/etnia e variáveis clínicas relevantes, a fim de compreender a evolução das alterações vocais, mecanismos fisiopatológicos e estratégias eficazes de reabilitação. Além disso, protocolos padronizados podem reduzir a heterogeneidade metodológica e facilitar comparações entre diferentes populações e contextos clínicos.

CONCLUSÃO

Esta revisão de escopo evidencia que a COVID-19 está associada a alterações vocais objetivas e subjetivas, com impacto funcional e na qualidade de vida.

Este estudo reforça a importância da voz como marcador funcional na COVID-19 e a necessidade de abordagem multidisciplinar para o manejo desses pacientes.

Recomenda-se novos estudos longitudinais para avaliar a duração e a reabilitação nos casos de alterações vocais pós-COVID-19.

Apêndice A Estratégia de busca

Base de dados Data Estratégia de busca Número de artigos
MEDLINE/PUBMED junho/2024 ((“COVID-19”[Mesh] OR “2019 Novel Coronavirus Disease”[tiab] OR “2019 Novel Coronavirus Infection”[tiab] OR “2019-nCoV Disease”[tiab] OR “2019-nCoV Infection”[tiab] OR “COVID19 Coronavirus Disease “[tiab] OR “Coronavirus Disease-19”[tiab] OR “SARS Coronavirus 2 Infection”[tiab] OR “SARS-CoV-2 Infection”[tiab] OR “Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Infection”[tiab] OR “Covid 19”[tiab] OR “covid-19”[tiab] OR “covid19”[tiab] OR “coronavirus”[tiab] OR “SARS-COV-2”[tiab] OR “SARS-COV2” [tiab] OR “COVID disease”[tiab] OR “COVID sequelae”[tiab] OR ”COVID complications”[tiab] OR “COVID survivors”[tiab] OR “COVID infection” [tiab] OR “COVID infections”[tiab]) AND (“Voice Quality”[Mesh] OR “Voice”[Mesh] OR “Voice Qualities”[tiab] OR “Voices”[tiab] OR “Voice Disorders“[tiab] OR “Voice Disturbance “[tiab] OR “Voice Disturbances “[tiab] OR “Voice”[tiab] OR “Vocal quality”[tiab] OR “Voice quality”[tiab] OR “vocal health”[tiab] OR “voice health”[tiab] OR “vocal disorder”[tiab] OR “voice production”[tiab] OR “voice pathology”[tiab] OR “voice dysfunction”[tiab] OR “vocal dysfunction”[tiab])) 1509
EMBASE junho/2024 ('covid 19'/exp OR '2019 novel coronavirus disease':ti,ab OR '2019 novel coronavirus infection':ti,ab OR '2019-ncov disease':ti,ab OR '2019-ncov infection':ti,ab OR 'covid19 coronavirus disease':ti,ab OR 'coronavirus disease-19':ti,ab OR 'sars coronavirus 2 infection':ti,ab OR 'sars-cov-2 infection':ti,ab OR 'severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 infection':ti,ab OR 'covid 19':ti,ab OR 'covid-19':ti,ab OR 'covid19':ti,ab OR 'coronavirus':ti,ab OR 'sars-cov-2':ti,ab OR 'sars-cov2':ti,ab OR 'covid disease':ti,ab OR 'covid sequelae':ti,ab OR 'covid complications':ti,ab OR 'covid survivors':ti,ab OR 'covid infection':ti,ab OR 'covid infections':ti,ab) AND ('voice quality'/exp OR 'voice'/exp OR 'voice qualities':ti,ab OR 'voices':ti,ab OR 'voice disorders':ti,ab OR 'voice disturbance':ti,ab OR 'voice disturbances':ti,ab OR 'voice':ti,ab OR 'vocal quality':ti,ab OR 'voice quality':ti,ab OR 'vocal health':ti,ab OR 'voice health':ti,ab OR 'vocal disorder':ti,ab OR 'voice production':ti,ab OR 'voice pathology':ti,ab OR 'voice dysfunction':ti,ab OR 'vocal dysfunction':ti,ab) 1765
LILACS junho/2024 ((mh:(“COVID-19” OR “Voice Quality” OR “Voice”)) OR (tw:(“2019 Novel Coronavirus Disease” OR “2019 Novel Coronavirus Infection” OR “2019-nCoV Disease” OR “2019-nCoV Infection” OR “COVID19 Coronavirus Disease” OR “Coronavirus Disease-19” OR “SARS Coronavirus 2 Infection” OR “SARS-CoV-2 Infection” OR “Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Infection” OR “Covid 19” OR “covid-19” OR “covid19” OR “coronavirus” OR “SARS-COV-2” OR “SARS-COV2” OR “COVID disease” OR “COVID sequelae” OR “COVID complications” OR “COVID survivors” OR “COVID infection” OR “COVID infections”))) AND ((mh:(“Voice Quality” OR “Voice”)) OR (tw:(“Voice Qualities” OR “Voices” OR “Voice Disorders” OR “Voice Disturbance” OR “Voice Disturbances” OR “Voice” OR “Vocal quality” OR “Voice quality” OR “vocal health” OR “voice health” OR “vocal disorder” OR “voice production” OR “voice pathology” OR “voice dysfunction” OR “vocal dysfunction”))) 279
SCOPUS junho/2024 ((INDEXTERMS (“COVID-19”) OR INDEXTERMS (“Voice Quality”) OR INDEXTERMS (“Voice”)) OR (TITLE-ABS-KEY (“2019 Novel Coronavirus Disease” OR “2019 Novel Coronavirus Infection” OR “2019-nCoV Disease” OR “2019-nCoV Infection” OR “COVID19 Coronavirus Disease” OR “Coronavirus Disease-19” OR “SARS Coronavirus 2 Infection” OR “SARS-CoV-2 Infection” OR “Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Infection” OR “Covid 19” OR “covid-19” OR “covid19” OR “coronavirus” OR “SARS-COV-2” OR “SARS-COV2” OR “COVID disease” OR “COVID sequelae” OR “COVID complications” OR “COVID survivors” OR “COVID infection” OR “COVID infections”))) AND ((INDEXTERMS (“Voice Quality”) OR INDEXTERMS (“Voice”)) OR (TITLE-ABS-KEY (“Voice Qualities” OR “Voices” OR “Voice Disorders” OR “Voice Disturbance” OR “Voice Disturbances” OR “Voice” OR “Vocal quality” OR “Voice quality” OR “vocal health” OR “voice health” OR “vocal disorder” OR “voice production” OR “voice pathology” OR “voice dysfunction” OR “vocal dysfunction”))) 20.000
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Cochrane junho/2024 #1 MeSH descriptor: COVID-19 #2 MeSH descriptor: Voice Quality #3 MeSH descriptor: Voice,#4:ti,ab,kw “2019 Novel Coronavirus Disease” OR “2019 Novel Coronavirus Infection” OR “2019-nCoV Disease” OR “2019-nCoV Infection” OR “COVID19 Coronavirus Disease” OR “Coronavirus Disease-19” OR “SARS Coronavirus 2 Infection” OR “SARS-CoV-2 Infection” OR “Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 Infection” OR “Covid 19” OR “covid-19” OR “covid19” OR “coronavirus” OR “SARS-COV-2” OR “SARS-COV2” OR “COVID disease” OR “COVID sequelae” OR “COVID complications” OR “COVID survivors” OR “COVID infection” OR “COVID infections” #5:ti,ab,kw “Voice Qualities” OR “Voices” OR “Voice Disorders” OR “Voice Disturbance” OR “Voice Disturbances” OR “Voice” OR “Vocal quality” OR “Voice quality” OR “vocal health” OR “voice health” OR “vocal disorder” OR “voice production” OR “voice pathology” OR “voice dysfunction” OR “vocal dysfunction” #6 #1 OR #2 OR #3 OR #4 #7 #5 #8 #6 AND #7 474
Literatura Cinzenta Data Estratégia de busca Número de artigos
ProQuest janeiro/2025 (“COVID-19”) AND (“Voice Quality”) 3.103
MedRxiv janeiro/2025 (“COVID-19”) AND (“Voice Quality”) 1.349
Google Scholar janeiro/2025 (“COVID-19”) AND (“Voice Quality”) 2019-2025 4.160

Apêndice B Diagrama de fluxo PRISMA 2020

Fluxograma da busca e seleção de estudos relevantes.

Fonte: Dados da busca. De: Page et al.(17).

  • Trabalho realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.
  • Fonte de financiamento:
    CAPES (88887.968320/2024-00).
  • Disponibilidade de Dados:
    Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do artigo.

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Editado por

  • Editora:
    Aline Mansueto Mourão.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    08 Maio 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    07 Jul 2025
  • Aceito
    29 Set 2025
  • Corrigido
    20 Maio 2026
Creative Common - by 4.0
Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/), que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.
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