Open-access Teoria da objetivação: mapeamento de teses e dissertações nacionais

Theory of objectification: mapping out national theses and dissertations

Resumo

A Teoria da Objetivação (TO) foi idealizada por Luis Radford, nos anos 1990, no campo da Educação Matemática como uma teoria sociocultural de ensino-aprendizagem, aplicável também no Ensino de Ciências. Essa teoria foi inspirada no materialismo e na tradição dialéticos, na filosofia hegeliana, em Vygotsky, Freire, entre outros, tornando-a uma teoria de ensino e aprendizagem embasada e coerente. A presente pesquisa teve como objetivo realizar uma revisão de literatura entre 2016 e 2025 para identificar a produção de teses e dissertações que utilizaram a TO como referencial teórico e metodológico. Com ênfase nos trabalhos em Ensino de Ciências, buscou-se analisar a aplicação da TO no processo de ensino e aprendizagem nessa área e na Educação Infantil no Brasil. A pesquisa envolveu levantamentos em bases de dados nacionais para mapeamento dessa produção científica. Os dados obtidos indicaram uma quantidade significativa de trabalhos, demonstrando a crescente relevância da teoria no campo acadêmico.

Palavras-chave:
educação matemática; teoria da objetivação; revisão de literatura; estado da arte.

Abstract

Formulated by Luis Radford in the 1990s, the Theory of Objectification (TO) is a sociocultural theory of teaching and learning applicable to mathematics and science education. Inspired by materialism, the dialectical tradition, Hegelian philosophy, the work of Vygotsky and Freire, among others, TO is a well-founded and coherent theory of teaching and learning. The aim of this research was to conduct a literature review from 2016 to 2025 to identify theses and dissertations that used TO as a theoretical and methodological framework. With an emphasis on science education, the study examined the application of TO in teaching and learning in this field, and in early childhood education in Brazil. The research involved surveys of national databases to map out this body of knowledge. The obtained data indicated a significant number of works, demonstrating the growing relevance of the theory in the academic field.

Keywords:
mathematics education; theory of objectification; literature review; state of the art.

Introdução

A Teoria da Objetivação (TO) começou a emergir na década de 1990, impulsionada por um movimento que buscava alternativas para repensar a aprendizagem da matemática. Nesse cenário, Luis Radford fez suas investigações fundamentando-se na interconexão entre a atividade humana e a prática social-histórica dos conceitos, adotando uma abordagem histórico-cultural. A TO, conforme apresentada por Radford, emerge como uma abordagem que busca integrar aspectos históricos e culturais na educação matemática, desafiando os paradigmas pedagógicos, como as abordagens tradicionais e o construtivismo piagetiano.

Na abordagem tradicional, o professor é a figura central e o detentor do conhecimento, que é transmitido de forma unidirecional e pré-determinada. O estudante é colocado em uma posição passiva e acrítica, sem espaço para o diálogo e refletindo o modelo da educação bancária. Nessas situações, a aprendizagem é inerentemente ligada às suas próprias ações e atividades, significando que o conhecimento é construído pelo próprio sujeito por meio da interação. A TO não concebe a aprendizagem como uma simples transmissão ou construção de conhecimentos, mas um encontro coletivo, emocional e sensorial com formas de pensar e agir que existem na cultura; é um fenômeno social que se desenvolve pela interação entre professores e estudantes (Radford, 2018, 2021).

De acordo com Radford (2015), a TO busca reconhecer os alunos como sujeitos históricos e culturais, enfatizando como eles se tornam conscientes das maneiras de pensar e agir que são culturalmente formadas. Nesse contexto, Radford (2021) destaca que, tanto professores quanto alunos se posicionam em relação às práticas matemáticas, considerando suas subjetividades em constante formação. O autor afirma que a formação de subjetividades está intrinsecamente associada ao processo de transformação dos sujeitos, no sentido de tornar-se ou vir a ser, de forma única e inacabada. Essa perspectiva tem influência da concepção de Paulo Freire, que aborda a ideia do sujeito inacabado, e na transformação da realidade tanto de estudantes quanto de professores, enfatizando a necessidade de evolução do ser humano em direção à condição de sujeitos éticos e críticos. Ele considera que todos nós somos seres inacabados e incompletos, inseridos em um mundo em constante mudança e transformação.

Dessa forma, Radford (2021) relaciona essa concepção ao materialismo dialético, que entende a realidade como um processo em constante mudança e transformação compreendida a partir da análise crítica e contextualizada das interações sociais e políticas. Essa perspectiva é fundamental no ensino, pois, o professor, ao reconhecer a importância de entender a realidade social e histórica dos alunos, bem como seus contextos, pode desenvolver práticas educativas mais transformadoras e relevantes à vida dos estudantes. A TO se diferencia das demais teorias socioculturais e históricas, pois não considera apenas o papel das interações sociais e culturais na compreensão do processo de ensino e aprendizagem, mas os fatores políticos, econômicos e sociais que formam a sociedade; a TO não se detém apenas no saber, mas na transformação dos sujeitos.

Radford (2021) postula que o saber e o tornar-se, no sentido de se transformar, acontecem simultaneamente, concebendo o ensino e a aprendizagem como um processo único. Por essa razão, argumenta que é preciso atribuir novos significados aos conceitos de saber, conhecimento e aprendizagem para entender o processo de ensino e aprendizagem e distinguir de outras abordagens teóricas. O saber é entendido como uma capacidade geradora de ação e pensamento, uma potencialidade que existe na cultura e é constituída historicamente. Ele não é algo que pode ser transmitido diretamente, mas é uma entidade geral que se manifesta pela atividade humana. O conhecimento, por sua vez, é a materialização ou atualização do saber. Quando o saber é posto em movimento pela atividade humana, torna-se algo perceptível e concreto, materializando-se em conhecimento. Sendo assim, o saber é a potencialidade cultural e histórica, enquanto o conhecimento é sua manifestação concreta e sensível pela atividade humana, chamada na TO de labor conjunto (Radford, 2021).

Radford (2021) entende a aprendizagem como um processo contínuo e ilimitado que envolve tanto o encontro com saberes culturais quanto a transformação do ser. Esse processo é dialético, entre os sujeitos e seus contextos histórico-culturais, e ocorre por meio do labor conjunto por meio do envolvimento mútuo e colaborativo entre os sujeitos, neste caso, professor e estudante. A aprendizagem não se limita à compreensão de conteúdos curriculares, mas também inclui a formação de novas subjetividades, posicionamento crítico e ético dos alunos e professores em relação aos saberes culturais. Assim, ao valorizar a atividade humana coletiva e a dimensão política da aprendizagem, a TO contribui para a formação de sujeitos críticos, éticos e transformadores.

A TO enfatiza que o ensino e a aprendizagem são processos inter-relacionados de objetivação e subjetivação que produzem tanto saberes quanto subjetividades, ou seja, o desenvolvimento de sujeitos que ponderam sobre novas formas de pensamento e ação, promovendo uma educação transformadora e não alienante. A alienação, no contexto escolar, segundo Radford (2021), ocorre quando o objeto de saber produzido (como saberes matemáticos ou científicos) não é a expressão da vida dos estudantes, resultando na perda da autoexpressão e da autorrealização no processo de ensino-aprendizagem, tornando os alunos impotentes e desconectados do produto e do processo de produção do conhecimento. Os processos de objetivação são caracterizados como interações com as formas culturais que moldam como entendemos o mundo (Radford, 2021). Dessa maneira, a aprendizagem pode ser vista como um processo de atribuição de significados e de compreensão das lógicas culturais que permeiam esse processo. Um processo de objetivação não pode ser um processo no qual o indivíduo que aprende permanece igual. Se permanece igual, não aprendeu; por esse motivo, entende-se que a educação é um processo de transformação do sujeito.

Os processos de subjetivação se referem ao desenvolvimento das subjetividades dos indivíduos enquanto participam de práticas sociais e culturais. Esses processos envolvem como os sujeitos, ao interagirem com formas culturais de pensar, agir e compreender o mundo, transformam suas identidades e modos de ser. Assim, a subjetivação é vista como um processo dinâmico e contínuo, no qual os sujeitos não apenas encontram as formas culturais, mas também se transformam e as ressignificam (Radford, 2021). Esses processos, portanto, complementam os processos de objetivação, que tratam do encontro com as formas culturais. Enquanto a objetivação está associada à atribuição de significados culturais aos objetos, a subjetivação foca no impacto da interação com formas culturais de pensar, agir na formação da identidade do sujeito, ou seja, como ele se constitui como indivíduo em meio às práticas culturais e sociais.

Dessa forma, a TO propõe um modelo educacional voltado ao processo de ensino e aprendizagem em sala de aula, fundamentado no materialismo dialético e nas correntes de orientação histórico-culturais. Ela se opõe às perspectivas subjetivistas da aprendizagem, como o empirismo e o construtivismo, além de desafiar as epistemologias tradicionais que se baseiam na relação sujeito-objeto. A TO sustenta uma visão abrangente sobre educação, onde o ensino e a aprendizagem não se restringem apenas ao conhecimento, mas também envolvem a transformação dos sujeitos em constante formação1. É uma teoria que vem crescendo tanto na educação Matemática como no Ensino de Ciências. Nossa intenção é mapear a produção de Teses e Dissertações dos últimos nove anos2 que utilizaram a TO como referencial teórico e metodológico, dando ênfase aos trabalhos desenvolvidos no Ensino de Ciências.

Metodologia

Esta pesquisa é de natureza qualitativa e tem como objetivo fazer uma revisão de literatura dos últimos nove anos (2016-2025) para identificar a produção de teses e dissertações que utilizaram a TO como referencial teórico e metodológico, dando ênfase aos trabalhos relacionados ao Ensino de Ciências. A revisão de literatura é uma etapa essencial no desenvolvimento de pesquisas científicas, funcionando como uma ferramenta que permite mapear, organizar e sintetizar o saber e/ou conhecimento acumulado em torno de um tema ou questão de pesquisa.

Autores como Moreira (2004) e Severino (2007) destacam que a revisão transcende a simples etapa processual: ela é indispensável em qualquer trabalho acadêmico por ser uma ferramenta poderosa para mapear o estado da arte de um tema, identificar lacunas e abrir caminhos para novas investigações. De acordo com Moreira (2004), a revisão é fundamental para contextualizar o problema de pesquisa, justificar a relevância do estudo e permitir o diálogo com trabalhos anteriores. Ele reforça que a revisão exige uma análise crítica e sistemática das fontes, não se limitando à mera descrição, mas garantindo uma visão abrangente e coerente sobre o tema. Por sua vez, Severino (2007) enfatiza que a revisão é um processo reflexivo que demanda a capacidade de selecionar, interpretar criticamente e integrar informações relevantes ao trabalho. Para ele, essa prática é um instrumento de aprendizado e construção de novos conhecimentos. Atualmente, ferramentas como revisões sistemáticas têm sido exploradas para uma organização ainda mais detalhada.

Visando identificar as principais pesquisas nacionais sobre a Teoria da Objetivação, fizemos uma revisão de literatura em produções acadêmicas brasileiras, especificamente em Teses e Dissertações dos últimos nove anos. Para tanto, utilizamos duas das principais bases de dados nacionais: a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e o Catálogo de Teses e Dissertações da Capes. A metodologia empregada envolveu a utilização de diversos descritores para a busca, como Teoria da Objetivação, Teoria da Objetificação, Teoria Cultural da Objetificação e Teoria da Objetificação Cultural.

A pesquisa identificou uma quantidade significativa de trabalhos, com diferenças notáveis entre as duas bases de dados, evidenciando a importância de fazer buscas em múltiplas fontes para garantir a exaustividade da pesquisa. A seguir, mostraremos os resultados encontrados a partir da revisão.

Resultados e discussões

Os resultados desta pesquisa bibliográfica demonstraram a crescente relevância da TO na Educação Matemática e no Ensino de Ciências. Um total de 63 pesquisas compôs o conjunto de dados analisados, sendo 25 dissertações e 38 teses, uma dinâmica interessante na produção de trabalhos acadêmicos ao longo dos anos analisados. O quadro 1 apresenta um detalhamento cronológico dessas pesquisas, indicando a quantidade de trabalhos produzidos e as respectivas instituições de origem.

Quadro 1
Teses e dissertações (2016 a 2025)*

Observamos que houve uma variação considerável na quantidade de dissertações e teses produzidas anualmente. É possível identificar um aumento significativo na produção de dissertações nos anos de 2019 e 2020, com um total de quatro trabalhos publicados. No que se refere às teses, o maior número de trabalhos foi registrado em 2023, com 12 publicações que, somadas com três dissertações, chegaram ao total de 15 trabalhos. Considerando o conjunto dos dados analisados, pode-se concluir que o ano de 2023 foi aquele em que se observou a maior produção total de trabalhos acadêmicos. Isso reflete uma crescente formação na pós-graduação de mestres e doutores que pesquisaram sobre a TO.

A análise dos dados revela uma ampla distribuição das pesquisas por todas as regiões brasileiras, a saber, região Nordeste: UFRN, UFPE, UFRPE, UFC, UECE, IFCE; região Norte: UFPA; região Sudeste: Unian, Unifesp, PUC-SP, UFMG, UFABC; região Centro-Oeste: UFMS; região Sul: Unijuí, UFSM, UFTPR, UEL.

Dentre os 63 trabalhos analisados, observa-se uma concentração na linha de pesquisa em educação matemática e no ensino de ciências. Especificamente, um trabalho com enfoque no ensino de geografia; 52 trabalhos abordam a educação matemática; enquanto 11 tratam do ensino de ciências. Desses 11 trabalhos, três são dissertações e sete são teses pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), e uma tese pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), orientada pela professora doutora Bernadete Barbosa Morey, pesquisadora pioneira no Brasil na área da Educação Matemática. Os dez trabalhos da UFMS foram orientados pela professora doutora Shirley Takeco Gobara3, pesquisadora brasileira cuja atuação se concentra na investigação da aplicação da TO na área do ensino de ciências.

A quantidade crescente de trabalhos apresentados corrobora a necessidade de expandir as pesquisas que empregam a TO como ferramenta teórica para compreender os processos de ensino e aprendizagem, especialmente na Educação Matemática e no Ensino de Ciências. A ampla distribuição geográfica e a diversidade institucional dessas pesquisas demonstram o crescimento da TO no campo da educação no Brasil. Ela se estabelece, portanto, como uma alternativa promissora às perspectivas construtivistas no ensino de ciências, embora a comunidade acadêmica dedicada ao tema ainda seja pequena e específica.

Diante desse panorama, daremos ênfase aos trabalhos que tratam do Ensino de Ciências os quais, apesar de menor quantidade em comparação à Educação Matemática, apresentam contribuições significativas de propostas de ensino e aprendizagem envolvendo professores e alunos. Nossa intenção é analisar a utilização da TO para o processo de ensino e aprendizagem no ensino de ciências e confirmar a ausência de estudos na fase da Educação Infantil4. Dentre as 11 pesquisas selecionadas, observou-se que os pesquisadores buscam compreender as contribuições da TO para formação continuada e permanente de professores e o processo de ensino-aprendizagem dos professores e alunos da educação básica à educação profissional.

Nos trabalhos selecionados que adotaram a TO para compreender a formação continuada e permanente de professores, é possível destacar: Camilotti (2020), Costa (2023), Lima (2024), Nogueira (2019) e Ximenes (2020); por outro lado, os estudos que buscam entender o processo de ensino-aprendizagem, tanto de professores quanto alunos, são: Capillé (2021), Felipe (2024), Monteiro (2020), Plaça (2020), Santos (2025) e Silva (2020).

A pesquisa de Nogueira (2019) investigou a pertinência da ficção científica para ampliar, facilitar e contextualizar o debate sobre a produção das ciências e seus aspectos éticos para professores de ciências em formação. A autora trabalhou com o conto de ficção científica Frankenstein ou O prometeu moderno, por meio de uma oficina didática ministrada para bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) da UFRN. A literatura de ficção científica é utilizada como linguagem para propor discussões sobre noções de ética nas ciências. A pesquisa, ancorada nos pressupostos da TO, sustenta a tese de que a ficção científica serve como uma linguagem potente para o debate de ética científica na formação de professores de ciências.

O diferencial marcante da pesquisa de Nogueira (2019) reside na intersecção teórico-metodológica que a guia. Enquanto outras pesquisas focam em saberes curriculares específicos, este estudo toma a ficção científica como linguagem de intervenção e a TO como suporte filosófico-epistemológico e metodológico. Essa articulação confere à pesquisa uma capacidade única de não apenas propor um debate, mas rastrear e caracterizar rigorosamente como a necessidade de pensar e debater sobre a ética científica emerge nos participantes, materializando-se em um maior rigor científico e no engajamento para responder às tarefas propostas, inclusive recrutando modelos experimentados em outros espaços. A pesquisa supracitada demonstra a pertinência da ficção científica como uma linguagem que amplia, facilita e contextualiza o debate sobre a produção das ciências e seus aspectos éticos. Além disso, contribui para a perspectiva de uma educação científica que transcende o estudo de conteúdos curriculares, focando na capacidade do futuro professor de interpretar saberes metacientíficos, inseri-los em contextos sócio-histórico-culturais e problematizar suas implicações éticas.

O trabalho de Ximenes (2020) utiliza a TO para promover a reflexão ética e coletiva sobre as práticas pedagógicas no ensino de ciências, indo além da transmissão de conteúdo e focando na transformação do ser do professor. A pesquisa teve como finalidade examinar as potencialidades e contribuições da formação continuada e permanente, com ênfase no ensino e aprendizagem de questões ambientais. Especialmente, o estudo se concentrou no fenômeno da piracema, buscando refletir sobre as práticas pedagógicas dos professores de Ciências e Biologia. Foi oferecida uma formação como um projeto de extensão, consistindo em um curso introdutório sobre a TO. O foco do curso foi no ensino-aprendizagem de temas ambientais, especificamente o fenômeno da piracema. Para atingir esse objetivo, a TO foi utilizada como estrutura integral, aplicando seus conceitos centrais de saber, conhecimento, aprendizagem, atividade, labor conjunto e ética comunitária. Os professores participantes planejaram e executaram uma Atividade de Ensino e Aprendizagem (AEA) voltada ao ensino de Ciências, com foco no fenômeno da piracema.

A formação continuada, baseada nos pressupostos da TO, levou os professores a uma reflexão crítica sobre suas práticas, especialmente as de natureza individualista e subjetivista. O labor conjunto (trabalho em pequenos grupos regido pela ética comunitária) lhes possibilitou perceberem a vantagem do trabalho colaborativo, motivando-os a repensar a mudança do individualismo para o coletivo. A pesquisa demonstrou que os professores estão em um processo de atualização do saber e do ser, movendo-se de um conhecimento superficial da temática (saber socialmente constituído sobre a piracema) para um aprofundamento científico por meio do labor conjunto (exemplo da piranha como espécie residente).

Camilotti (2020) também desenvolveu e analisou uma proposta de formação continuada. O principal diferencial reside na sua estrutura metodológica e epistemológica que utiliza a TO para proporcionar uma experiência democrática de formação continuada de professores de Ciências dos anos iniciais. Em contraste com modelos baseados na racionalidade técnica (modelo de formação restrito), a proposta buscou intencionalmente investigar mudanças na consciência que levassem à emancipação coletiva das práticas alienantes. Além disso, a análise empregou um dispositivo que considerou diferentes modos semióticos (fala, escrita, gestos e movimentos), permitindo investigar os processos de objetivação e subjetivação de forma mais completa e identificar a produção de novas subjetividades e a superação do individualismo.

A pesquisa confirmou que uma proposta formativa baseada nos pressupostos da TO, envolvendo a ética comunitária e o labor conjunto, tem potencial para promover a emancipação das práticas pedagógicas alienantes (individualistas, competitivas e subjetivistas), recorrentes na escola contemporânea. As mudanças se refletiram em atividades que consideraram a dimensão social e coletiva da atividade mediadora de Ciências. As modificações nas práticas e na consciência das professoras indicam o desenvolvimento de um professor intelectual crítico, que baseia sua prática na dimensão social e transformadora da realidade. Isso ocorreu por meio da tomada de consciência da alienação, do racionalismo técnico e do individualismo presente em suas práticas, conforme as ideias de Paulo Freire.

As professoras mudaram a forma de trabalhar em grupo, superando a divisão de tarefas e adotando o labor conjunto (ação ombro a ombro), regido por ações éticas como o compromisso, o cuidado e a solidariedade. Houve uma crítica à avaliação conteudista e individualista, e foi sugerida outra que considere a dimensão coletiva e a ética (como solidariedade e compromisso) do aluno. Além disso, os planejamentos coletivos de atividades AEA passaram a considerar a dimensão social e questões-problema que promovem o encontro com o saber. As professoras mudaram a concepção de seu papel e o do aluno, compreendendo que o professor deve atuar ombro a ombro com os alunos na produção de saberes. O uso de artefatos digitais foi ressignificado: deixaram de ser vistos como meros mediadores da aprendizagem e passaram a ser entendidos como parte da própria atividade e do pensamento dos sujeitos na realização da tarefa proposta.

O trabalho de Costa (2023) investigou as características de um curso introdutório de astronomia para professores de Matemática, adotando a TO como referencial teórico e metodológico às decisões didáticas e pedagógicas. A TO, ao enfatizar os princípios do labor conjunto e da ética comunitária, transformou o curso de astronomia em uma experiência educacional coletiva, enriquecedora e inclusiva, distanciando-se dos modelos tradicionais de transmissão de conteúdo. O objetivo não foi apenas ensinar astronomia, mas também proporcionar aos participantes a oportunidade de vivenciar uma abordagem teórica e prática alternativa, marcada pela colaboração humana e pelo diálogo, que a distingue de cursos técnicos ou puramente disciplinares.

A pesquisa comprovou que o curso de astronomia com abordagem sociocultural, fundamentado na TO, contribui significativamente para o professor de matemática, oferecendo uma experiência educacional coletiva, enriquecedora e inclusiva. Foram observados indícios da tomada de consciência dos participantes em relação aos saberes astronômicos, abrangendo: natureza dos astros, movimentos da Terra e a inclinação do eixo, estações do ano, planetas, dimensões/distâncias do sistema solar e interpretação de dados sobre cometas e asteroides.

O estudo sugere que essa compreensão, como a das estações, pode auxiliar o planejamento docente e a interação com o mundo natural. Adicionalmente, destacou-se a importância de artefatos culturais, por exemplo, as representações tridimensionais do sistema solar, como meios semióticos de objetivação desses saberes. A estrutura didática, baseada nos princípios da TO, labor conjunto e ética comunitária, promoveu a colaboração humana, evidenciada pelo engajamento ativo e pelas discussões reflexivas. Por fim, a pesquisa consolidou um repertório temático e um embasamento bibliográfico que servem como referência para futuras propostas de formação em astronomia na educação básica.

O trabalho de Lima (2024) objetivou analisar as contribuições da TO para as práticas pedagógicas de professores de Ciências Naturais e Matemática, abordando especificamente o ensino e a aprendizagem nos contextos das escolas do campo ribeirinhas e urbanas. A TO foi utilizada para dialogar com a realidade única das escolas ribeirinhas (incluindo desafios logísticos e multisseriados) e com o contexto da formação inicial urbana. A pesquisa não se limitou à aplicação metodológica, mas buscou uma quebra de paradigma nos objetivos educacionais, enfatizando que a transformação da prática docente depende de considerar o profundo entrelaçamento entre as formas culturais de ser e viver dos indivíduos. A inclusão simultânea de professores em serviço e acadêmicos em formação inicial permitiu analisar diferentes ritmos de objetivação e subjetivação, comprovando que a TO é relevante para ambos, embora os futuros professores demonstrem maior rapidez na mobilização das ideias.

A formação contribuiu para a reflexão crítica e a superação de práticas pedagógicas individualistas e tradicionais. A vivência do labor conjunto e da ética comunitária possibilitou o desenvolvimento de práticas colaborativas e um trabalho ombro a ombro com os estudantes. A TO, vista como uma semente de esperança, demonstrou potencial de transformação educacional e pessoal. Observaram-se mudanças de concepção (como o professor não mais centralizado na sala) e em ações concretas (aulas mais dinâmicas e trabalho em grupo) levadas ao estágio e a projetos de extensão. A TO também permitiu criar um espaço agêntico, de autonomia, motivando alunos e professores a interagir e debater de forma contextualizada. O planejamento de atividades AEA com foco no labor conjunto, apesar das dificuldades iniciais, estimulou a reflexão sobre o papel docente como colaborador. Por fim, o estudo mapeou o perfil de professor especialista técnico e os desafios únicos do contexto ribeirinho, permitindo que a formação fosse planejada especificamente para superar o individualismo e o racionalismo técnico predominantes.

A Teoria da Objetivação emerge, conforme as pesquisas de Camilotti (2020), Costa (2023), Lima (2024), Nogueira (2019) e Ximenes (2020), como um referencial teórico-metodológico que promove uma transformação integral na formação de professores de Ciências e Matemática, transcendendo a mera transmissão de conteúdo. Sua principal contribuição é a capacidade de superar práticas alienantes e construir um novo perfil profissional. Os princípios do Labor Conjunto e da Ética Comunitária incentivam a reflexão crítica e levam à emancipação coletiva, desenvolvendo o professor crítico. Além disso, a TO facilita os processos de Objetivação (materialização dos saberes) e Subjetivação (transformação do ser), evidenciados pela mudança do papel docente para atuar ombro a ombro com os alunos, e pela crítica à avaliação conteudista e individualista, adotando uma visão que valoriza a dimensão social e ética do trabalho. Adicionalmente, a TO cria um ambiente de autonomia e diálogo, permitindo que o professor utilize artefatos culturais como meios semióticos de Objetivação para resgatar o significado do seu trabalho e promover engajamento.

Os trabalhos de Capillé (2021) Felipe (2024), Plaça (2020), Monteiro (2020), Silva (2020) e Santos (2025) apresentam a contribuição da TO para o processo de ensinoaprendizagem no ensino de ciências com estudantes da educação básica. A tese de Silva (2020) teve como objetivo analisar como ocorre o processo de aprendizagem de saberes de Mecânica Geral, abordados na primeira série do Ensino Médio, com estudantes do Instituto Federal do Mato Grosso do Sul, usando como artefato cultural a dança. Ao se distanciar das abordagens tradicionais caracterizadas pelo racionalismo técnico e individualismo, a TO oferece uma proposta inovadora à formação ampla e humanizada dos sujeitos, promovendo valores como solidariedade e respeito.

A essência do trabalho de Silva (2020) reside na união eficaz entre física (cultura científica) e dança (cultura humanista), mediada pelo labor conjunto e pela ética comunitária. Essa abordagem incentiva uma aprendizagem integral e contextualizada, na qual a Atividade de Ensino-Aprendizagem (AEA) desencadeia simultaneamente os processos de objetivação (atualização de saberes como força centrípeta e impulso) e subjetivação (transformação do ser dos alunos). Essa contribuição é marcante, pois integra a aprendizagem do conteúdo científico aos sentimentos humanos e às mudanças subjetivas dos estudantes. Os saberes de física foram materializados por um discurso multimodal (fala, escrita, gestos e movimentos de dança).

Na pesquisa supracitada, o uso de gestos e movimentos, frequentemente negligenciados pelo ensino tradicional, atua como meio semiótico à atualização do saber, especialmente onde a linguagem formal se mostra insuficiente. A participação ativa do professor no labor conjunto foi essencial para romper preconceitos (estética corporal e gênero na dança), promovendo a valorização e a reflexão dos alunos, transformando sua percepção da física e da dança de sentimentos de medo e incapacidade para engajamento e reconhecimento da técnica.

A pesquisa de Plaça (2020), direcionada a estudantes cegos ou com baixa visão, propôs uma reflexão sobre o uso das Tecnologias Assistivas (TA) como artefato cultural ao Atendimento Educacional Especializado (AEE). Baseada na TO, a tese articula TA e Educação Inclusiva em uma intervenção inovadora que visa superar abordagens tradicionais e individualistas, as quais frequentemente alienam esses alunos. O trabalho evidencia a TO como um referencial teórico-metodológico humanizado e essencial para o AEE. O mapeamento das salas de recursos multifuncionais apontou a urgência de uma nova abordagem devido a falhas sistêmicas: falta de ferramentas, ausência de manutenção, pouca formação docente e a distribuição padronizada de recursos, ignorando as necessidades individuais e contrariando as propostas legais.

Com a aplicação da TO, a TA (como tablet, braille e reglete) deixou de ser um mero recurso técnico e se tornou indispensável para a objetivação dos saberes, auxiliando as alunas cegas e com baixa visão a realizar, expressar e resolver problemas. Para a TO, a TA é um artefato cultural que auxilia na formação dos sujeitos, em contraste com modelos recorrentes que a veem apenas como compensação de déficit. Em contraste com o ensino tradicional, focado no saber individual, a TO preconiza o labor conjunto e a ética comunitária, onde alunos e professores trabalham juntos.

As TA se tornam indispensáveis para a ação e expressão, enquanto o trabalho colaborativo atua como agente de transformação social e ética, desenvolvendo a solidariedade, a criticidade e a consciência da própria condição. Isso reforça a necessidade de adequação e manutenção dos recursos e enfatiza que a voz da aluna deve ser ativamente considerada, inclusive em relação a possíveis riscos à saúde física decorrentes do uso inadequado de certos artefatos.

A pesquisa de Monteiro (2020) investigou a viabilidade do uso do software Scratch e das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) ao ensino de temáticas ambientais, com foco no esgoto urbano, para alunos do quarto ano do Ensino Fundamental. O trabalho evidencia as contribuições da TO ao transformar a dinâmica de sala de aula e superar barreiras de aprendizagem em contextos desafiadores. O labor conjunto foi o motor central da transformação na experiência educacional, possibilitando uma mudança significativa no comportamento individualista dos estudantes, amenizando tensões e disputas, e contribuindo diretamente para a atualização do saber e a transformação do ser. Esse projeto ofereceu a professores e estudantes um modelo de educação diferente, que valoriza os aspectos sociais e emocionais, distanciando-se do ensino tradicional.

Além disso, a partir dos pressupostos da TO, a aprendizagem aconteceu simultaneamente, envolvendo o saber e a formação do ser do aluno: o uso de artefatos digitais e culturais (sites, vídeos e o software) contribuiu para desencadear a Objetivação, enquanto a dificuldade dos alunos com a linguagem formal foi compensada pela valorização de outros modos semióticos (gestos, expressões faciais, movimentos do corpo), essenciais na TO, mas ignorados pelo ensino tradicional. O trabalho gerou contribuições diretas à prática docente, exigindo a adequação constante da Atividade de Ensino e Aprendizagem (AEA) e dos materiais, conferindo flexibilidade ao currículo, em contraste com a rigidez dos métodos tradicionais. Além disso, o professor-pesquisador, ao lado dos demais profissionais, atuou lado a lado com o grupo, demonstrando a essencialidade de sua presença na gestão social e na promoção efetiva do labor conjunto.

A pesquisa de Capillé (2021) analisou o Ensino de Ciências, especificamente sobre fungos, em um contexto inédito de aulas on-line com práticas experimentais no Ensino Fundamental II. O trabalho apresentou a TO como uma alternativa capaz de superar as limitações do ensino a distância e os vícios do ensino tradicional, que é geralmente focado no resultado individual e cognitivo. A pesquisa estabeleceu um modelo prático e flexível de planejamento de Atividades de Ensino e Aprendizagem (AEAs) para a modalidade on-line, preenchendo uma lacuna na área. Além disso, foi possível confirmar a viabilidade de realizar práticas experimentais individualmente em casa, garantindo a materialização dos saberes e gerando engajamento, desde que haja a interação em tempo real com o professor e o uso adequado de artefatos culturais (tecnológicos e experimentais).

Em contraste com o ensino tradicional, que prioriza a cognição e a resolução de exercícios, a TO promove a aprendizagem por meio de dois processos simultâneos, processos de objetivação (materialização do saber) e processos de subjetivação (a transformação do ser). O trabalho colaborativo favoreceu a criação de vínculos de confiança, geriu conflitos (dando voz aos alunos) e impulsionou mudanças comportamentais: os alunos se tornaram mais confiantes, demonstraram cuidado mútuo e respeito e se envolveram na produção de uma obra comum. Essas práticas visaram romper com o individualismo, formando cidadãos éticos. Nesse contexto, o professor atuou como um integrante do labor conjunto, orientando os estudantes por meio de questionamentos, e não como mero transmissor de respostas, reforçando o papel da TO na transformação do ser do aluno.

A pesquisa de Felipe (2024) analisou a integração curricular entre Química e Desenvolvimento Web na Educação Profissional e Tecnológica, usando a TO como referencial. A intervenção, focada no tema agrotóxicos e na criação de um hipertexto dinâmico por estudantes do Ensino Médio Integrado, demonstrou que a TO é uma alternativa inovadora que supera as abordagens tradicionais e une, de forma concreta e material, saberes de Química e Informática. Com o labor conjunto, as atitudes individualistas iniciais dos estudantes deram espaço ao trabalho conjunto, fomentando a solidariedade, a colaboração e a responsabilidade mútua, resultando na tomada de consciência crítica dos estudantes sobre o impacto dos agrotóxicos.

Além disso, a TO ressignificou o papel docente, atuando como membro do grupo, trabalhando em apoio mútuo, gerenciando dificuldades e respeitando as subjetividades, em vez de ser um mero expectador ou comandante, como nas metodologias tradicionais. A pesquisa observou o limite de que a superação das atitudes individualistas é um processo gradual, pois o sistema educacional vigente as reforça. Dessa forma, a TO requer tempo para a mudança das práticas pedagógicas e da formação de subjetividades.

A tese de Santos (2025) analisou o processo de ensino e aprendizagem sobre vírus e vacinas em uma turma do sétimo ano da Rede Municipal de Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul, utilizando a TO como referencial. O trabalho, que implementou três Atividades de Ensino e Aprendizagem (AEAs) sobre vírus, vacinas e fake news, demonstrou que a TO é uma alternativa potente e não alienante que promove mudanças conceituais e sociais nos estudantes, focando em um Ensino de Ciências crítico e coletivo. A TO garantiu a não alienação ao integrar o tema ao contexto histórico-cultural e concreto dos estudantes, o que incluiu as vivências da Covid-19 e a discussão sobre fake news, promovendo reflexões críticas e a tomada de consciência, como a superação do medo de vacina.

O principal fator de transformação foi a suplantação do individualismo inicial em direção ao labor conjunto e à ética comunitária. O labor conjunto, pautado na alteridade, transformou práticas passivas e individualistas em ações genuinamente coletivas, proativas e responsivas, fomentando solidariedade, inclusividade e compromisso com a obra comum. Essa coprodução de novas subjetividades, em que o professor e os alunos trabalham igualmente, oferece um espaço agêntico e de diálogo, contrastando com o ensino tradicional pautado na ética da obediência e na passividade. Apesar das contribuições, o estudo identificou desafios na aplicação da TO.

O professor enfrenta a dificuldade de manter a intencionalidade pedagógica das AEA diante do não determinismo e da imprevisibilidade das discussões, inerentes ao maior espaço agêntico dos estudantes. Além disso, é um desafio manter o debate ancorado em saberes científicos, evitando a validação de fake news ou desinformações que emergem das influências do contexto histórico-cultural, exigindo do professor a capacidade de gerir criticamente o que surge em sala de aula.

Os trabalhos de Capillé (2021), Felipe (2024), Monteiro (2020), Plaça (2020), Santos (2025) e Silva (2020) demonstraram que a TO é um referencial teórico-metodológico que promove uma formação humanizada, superando o racionalismo técnico e o individualismo característicos das abordagens tradicionais no Ensino de Ciências. A análise dos trabalhos em diferentes níveis de ensino demonstra uma aprendizagem integral e não alienante, superando os métodos tradicionais focados apenas no conteúdo. No Ensino Fundamental, como mostram os trabalhos de Capillé (2021), Monteiro (2020) e Santos (2025), a TO é crucial para romper o individualismo e as barreiras de aprendizagem, utilizando artefatos culturais (como o Scratch ou a experimentação a distância) e modos semióticos (gestos, expressões) para facilitar a Objetivação e a transformação social dos alunos.

Nos trabalhos de Felipe (2024) e Silva (2020), a TO possibilitou a integração curricular concreta de saberes (como Física e Dança ou Química e Desenvolvimento Web) por meio do Labor Conjunto, formando sujeitos críticos e éticos no Ensino Médio Integrado e EPT. Por fim, na Educação Inclusiva, apresentada na pesquisa de Plaça (2020), a TO se prova essencial e humanizadora ao ressignificar Tecnologias Assistivas de meros recursos de compensação de déficits para artefatos culturais que promovem a objetivação e a plena participação de estudantes cegos ou com baixa visão. Não foram encontrados trabalhos com a TO na fase da Educação Infantil; essa evidência atesta para a necessidade de pesquisas nessa fase do ensino, confirmando o ineditismo da tese da autora deste artigo.

Considerações finais

O presente estudo objetivou realizar uma revisão de literatura no período de 2016 a 2025 para identificar a produção de Teses e Dissertações que utilizaram a Teoria da Objetivação como referencial teórico e metodológico. Os resultados apontaram para a crescente relevância e consolidação da teoria no cenário acadêmico brasileiro, especificadamente na Educação Matemática e no Ensino de Ciências. A análise dos trabalhos no Ensino de Ciências, divididos entre estudos focados na formação de professores e no processo de ensino-aprendizagem com estudantes, confirmou o potencial da TO como uma alternativa promissora às perspectivas tradicionais e construtivistas.

Na formação de professores, a TO promove uma transformação integral, superando o racionalismo técnico e o individualismo. Ela incentiva a reflexão crítica e a emancipação coletiva, mudando o papel docente para atuar ombro a ombro com os alunos, além de criticar a avaliação conteudista e valorizar a dimensão social e ética do trabalho. No processo de ensino-aprendizagem com estudantes, a TO demonstra ser um referencial humanizado que promove uma aprendizagem integral e não alienante. Em todos os níveis mapeados (Ensino Fundamental, Ensino Médio Integrado/EPT e Educação Inclusiva), a TO utiliza o labor conjunto e a ética comunitária para superar o individualismo e transformar práticas passivas em ações coletivas e proativas. Além disso, a TO facilita a objetivação de saberes complexos por meio do uso de artefatos culturais (como dança, Scratch ou Tecnologias Assistivas) e modos semióticos.

No entanto, não foram encontrados trabalhos que empregam a TO na Educação Infantil. Essa evidência atesta para a necessidade de pesquisas nessa etapa, confirmando o caráter inédito da tese da autora, que se propõe a explorar essa lacuna. A TO se estabelece, portanto, como uma teoria alternativa para um Ensino de Ciências comprometido com a produção de saberes e a coprodução de sujeitos éticos e críticos, por meio de um processo de ensino-aprendizagem, cujo foco está na coletividade em sala de aula.

  • 1
    Por questões de espaço, não entraremos em mais detalhes sobre a TO. Porém, recomenda-se fortemente que o leitor interessado busque se aprofundar com as leituras de Luís Radford.
  • 2
    A delimitação temporal escolhida se justifica pela identificação de pesquisas relevantes publicadas no Brasil a partir de 2016, e pela ausência de estudos anteriores.
  • 3
    Atualmente, está vinculada apenas ao Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências (mestrado e doutorado). Desenvolve e orienta pesquisas principalmente nas seguintes linhas: ensino de física, formação de professores, informática educativa, ensino de ciências e tecnologia assistiva aplicada à educação de surdos e cegos, com ênfase na Teoria da Objetivação.
  • 4
    Essa revisão bibliográfica é um recorte de uma tese que investiga o processo de ensino e aprendizagem de saberes científicos em um contexto de Educação Infantil, especificamente com crianças de cinco anos matriculadas em uma turma de pré-escola.

Agradecimentos

As autoras agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - processo 404373/2021-6 -, pelo financiamento de parte desta pesquisa.

Declaração de Disponibilidade de Dados

Os dados da pesquisa estão disponíveis no próprio texto do manuscrito.

Referências

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    » https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/4375

Editado por

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    27 Jul 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    11 Fev 2025
  • Aceito
    01 Dez 2025
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