RESUMO
Os autores assinalaram duas novas ocorrências do "mal do eucalipto", em bovinos. Os animais, em número de 80, ingeriram o cogumelo Ramaria flavo-brunnescens ao pastarem em áreas de reflorestamento com eucalipto da variedade utilizada como fonte de matéria-prima para industrialização de essência natural. Os bovinos apresentaram sinais de intoxicação edois deles morreram. As lesões estavam presentes nos cascos, boca e extremidades das orelhas e cauda.
PALAVRAS -CHAVE:
Ramaria flavo-brunnescens, bovino; intoxicação.
ABSTRACT
Two new occurences of the named "eucalyptus disease" are presented. The animals ate the mushroom Rama ria flavo-brunnescens in an area of eucalyptus forest and showed lesions on feet, mouth, ears and tail extremity. Eighty animals exhibited sigos of intoxication and two of them died.
KEY WORDS:
Ramariaflavo-brunnescens, "Eucalyptus disease"; catle; intoxication.
Desde o trabalho de PASCHOAL et al., 1983 (7) não houve notificação oficial da presença deste problema no Estado de São Paulo, quer seja por não terem existido as condições ambientais que propiciem o desenvolvimento do cogumelo, quer seja pelo fato de que nem sempre os animais têm acesso aos locais onde esse fungo vegeta; ou ainda, pelo desconhecimento, por parte dos pecuaristas e até mesmo profissionais, dos aspectos clínicos qu envolvem as intoxicações pela Ramaria flavo-brunnescens.
Alguns estudos referentes ao agente etiológico e sua patogenicidade foram descritos por diversos autores 1,2,3,4,5,6,7,8,9.
No presente, duas ocorrências distintas em bovinos foram assinaladas no Município de Dois Córregos, Estado de São Paulo. Ambas têm como histórico o surgimento da doença em rebanhos que pastavam em áreas de reflorestamento com eucalipto da variedade utilizada como fonte de matéria-prima para industrialização de essência natural.
A sintomatologia observada foi a mesma nas duas ocorrências e se caracterizou por anorexia, intensa sialorréia, dificuldade na marcha e claudicação por edema na região da coroa do casco, presença de nítido edema nas extremidades do apêndice caudal com perda de pelos do local e também nas extemidades das orelhas (figura 1 e 2). O total de animais envolvidos foi de 80, tendo ocorridos duas mortes.
O problema foi observado no período compreendido entre os meses de janeiro e março, coincidindo com a época de altas temperaturas e índice pluviométrico elevado.
A inspeção dos locais onde os animais pastavam possibilitou visualizar grande quantidade d cogumelo assemelhado a uma couve-flor, porém de intensa tonalidade amarela crescendo à sombra do eucaliptal (figura 3), que através de exames laboratoriais identificou-se como Ramaria flavobrunnescens. Este cogumelo possui um alcalóide volátil, cuja DL50 em camundongo foi calculada em 342,14 mg/kg de peso vivo (6), capaz de levar a morte de animais por ingestão (3,5).
A pronta retirada dos animais das áreas de pastagem possibilitou evitar outras mortes e a recuperação dos doentes foi visivelmente mais rápida com lesões menos intensas.
Deve-se salientar que o diagnóstico diferencial com febre aftosa pode ser dificultado em vista das manifestações clínicas comuns de silorréia e lesões de epitélio lingual, podendo haver até mesmo perda do estojo córneo. A colheita de material para exames laboratoriais é sempre indicada para o estabelecimento do diagnóstico preciso.
O fato das intoxicações por Ramaria estarem sempre associadas ao acesso dos animais a áreas sombreadas por eucaliptos, alerta o veterinário clínico no diagnóstico diferencial.
Atualmente, o Instituto Biológico vem desenvolvendo estudos visando o isolamento dos princípios tóxicos existentes neste cogumelo, responsáveis pela lesões descritas nos animais intoxicados.
AGRADECIMENTO
Agradecemos ao Dr. Manuel Alberto S. C. Portugal pela revisão do presente trabalho e dos subsidias nele contido.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- 1 ANÔNIMO - Eucalipto não parece ser boa companhia. Dirigente Rural, São Paulo, 2 (12):47,1963.
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- 6 MAGALHÃES, H.M.; BOELTER, R. & TRINDADE, D.L. - DL 50 do extrato aquoso do fungo Ramaria flavo-brunnescens para camudongos. Rev. Cient. Cienc. Rurais, 5(2): 31-34, 1975.
- 7 PASCHOAL, J.P.; PORTUGAL, M.A.S.C. & NAZÁRIO, W. - Ocorrência do "mal do eucalipto" em bovinos no Estado de São Paulo.O Biológico, SãoPaulo,49(1): 15-18, 1983.
- 8 PRUCOLI, J.O. & CAMARGO, W.V.A. - Intoxicação experimental em ovinos com Clava ria spp. Bol. Ind. Anim., 23(único): 1965/6.
- 9 SANTOS, M.N.; BARROS, C.S.L. - Intoxicação em bovinos pelo cogumelo Ramaria flavo-brunnescens. Pesq. Agro. Pec. Brac. Ser. Vet., 4:105-109, 1975.








