RESUMO
É descrita a ocorrência dePseudomonas syringae pv. striafaciens em aveia branca (Avena sativa L.) e em aveia preta (Avena strigosa L. ), em plantios localizados em Cascavel, Estado do Paraná. Trata-se do primeiro relato dessa fitobactéria em aveia preta, que passa a ser considerada, portanto, novo hospedeiro de P.s. pv.striafaciens. Trata-se também da primeira constatação deP.s. pv.striafaciens em aveia branca no Estado do Paraná.
PALAVRAS-CHAVE:
Aveia branca; aveia preta; estria bacteriana
ABSTRACT
The occurrence of Pseudomonas syringae pv. striafaciens is reported in oat (Avena sativa) and black oat (Avena strigosa L.) in Cascavel county, Paraná State, Brazil. lt is the first report of this bacteria on black oat, now considered a new host of P.s.pv. striafaciens. This is, also, the first relate of P.s. pv. striafaciens in A.sativa in Paraná State, Brazil.
KEY WORDS:
Oat; black oat; bacterial stripe
O cultivo da aveia representa uma opção como cultura de inverno, em diversas regiões do Brasil, visando a produção de grãos, de forragem ou de adubação verde. A aveia branca (Avena sativa L.) é mais recomendada para a produção de grãos, enquanto a aveia preta (Avena strigosa L.) é indicada para a produção de forragem o,,u adubação verde.
Em julho de 1993, émcultivos de aveia branca e de aveia preta localizados no município de Cascavel, Estado do Paraná, foram observadas plantas dessas espécies apresentando lesões foliares necróticas, pardacentas, alongadas e irregulares, sem a presença de halo clorótico ao seu redor. Exames ao microscópio óptico de pedaços de tecido foliar apresentando essa sintomatologia permitiram visualizar abundante exsudação bacteriana. Desses materiais foram isoladas bactérias em cultura pura, que através de inoculações artificiais reproduziram os sintomas em hospedeiros homólogos. Testes bioquímicos, cult'urais e fisiológicos foram conduzidos conforme LELLIOTT & STEAD (1987), mostrando que essas bactérias eram Gram negativas, móveis, oxidativas, apresentando fluorescência sob luz ultravioleta em meio B de King. Reação de catalase, levan e hipersensibilidadeem fumo foram positivas; oxidase, protopectinase, indo1, redução de nitrato a nitrito, produção de H2 S de cisteína e argininia dihidrolase foram negativas. Esses resultados permitiram caracterizá-las como pertencentes ao gênero Pseudomonas, espécie syringae, de acordo com BRADBURY (1986).
Entre os diversos patovares de P. syringae que podem afetar plantas do gênero Avena, estão relacionados os patovares atrofaciens, atropurpurea, coronafaciens e striafaciens, semelhantes em características fisiológicas, culturais e bioquímicas e que são diferenciados entre si principalmente pelo tipo de sintoma ocasionado, pela produção ou não da toxina coronatina que é indutora de halo clorótico e também pela faixa de hospedeiros (BRADBURY, 1986; SCHAAD & CUNFER, 1979: TESSI,1953).
Testes de patogenicidade realizados através de infiltração de suspensão bacteriana (108 UFC/rnL) em folhas e no cartucho de plântulas de aveia preta (Avena strigosa L), aveia branca (A.sativa L.) cvs. Coronado, IAC2, IAC4 e IAC 5, centeio branco (Secale cereale L.), cevada (Hordeum vulgare L.) cvs. Antartica 5, IAC 75741eFM519, triticale (x Triticosecale Wittrnack) cv. IAC 1, trigo (Triticum aestivum L.) cv. Anahuac, apresentaram resultado positivo apenas nas aveias, sem a ocorrência de halo e reproduzindo os sintomas observados em campo. Os isolados empregados não utilizaram acetato de sódio, nem produziram ácido de dulcitol, lactose, rnalonato, maltose, rarnnose, salicina, D-trealose e a-M-D-glicoside e produziram ácido a partir de glicerol, rnanitol, rnanose, D-sorbitol, D(+) galactose, D (+) celobiose, rafinose e xilose. Essas características bioquímicas, fisiológicas, culturais e de faixa de hospedeiros permitiram classificar os isolados bacterianos empregados nesse estudo corno Pseudomonas syringae pv. striafaciens.
Em aveia, no Brasil, já havia sido observada em condições de campo a ocorrência de P.syringae pv. coronafaciens nos Estados do Rio Grande do Sul (REIS et al.,1986) e de São Paulo (MALAVOLTA JR. et al.,1990b) e deP.syringae pv. striafaciens no Estado de São Paulo (MALAVOLTA JR. et al.,1990a).
SCHAAD & CUNFER (1979) propuseram a sinonímia entre os patovares coronafaciens, atropurpurea estriafaciens, visto que não foram observadas diferenças significativas em testes bioquímicos, sernlógicos e fisiológicos, sendo as diferenças principais a não produção de toxina e a faixa de hospedeiro restrita à aveia, pelo pv. striafaciens. Tal proposta não foi aceita, mantendo-se os patovares distintos entre si (DYE et al.,1980;BRADBURY,1986).
De acordo com a literatura disponível, não há registros deocorrência dedoença bacteriana em aveia preta (A.strigosa L. ), sendo esse, portanto, o primeiro relato dessa espécie corno hospedeira de P.s. pv. striafaciens. Além disso, trataase também do primeiro registro da ocorrência desse patógeno em aveia branca (A.sativa L.), no Estado do Paraná. Culturas encontram-se depositadas naColeção de Culturas IBSBF sob ns.1019, 1035(isoladosdeaveiabranca)e1020e 1036 (isolados de aveia preta).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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