Palavras-chave
Aorta ascendente; Ecocardiografia; Imagem da aorta
Keywords
Ascending aorta; Echocardiography; Aortic imaging
Palavras-chave
Aorta ascendente; Ecocardiografia; Imagem da aorta
Keywords
Ascending aorta; Echocardiography; Aortic imaging
Introdução
A avaliação da aorta ascendente é um componente essencial da ecocardiografia transtorácica (ETT) padrão.1 Embora a visualização da raiz da aorta e da porção proximal da aorta ascendente seja rotineiramente obtida por meio da vista paraesternal longitudinal padrão (PLAX), o imageamento das porções média e distal da aorta ascendente ainda permanece tecnicamente desafiador.2-6 As recomendações atuais sugerem o deslocamento do transdutor para espaços intercostais superiores esquerdos ou, alternativamente, o uso de janelas paraesternais direitas para melhorar a visualização desses segmentos em pacientes com janelas acústicas adequadas.3
Na prática clínica, ecocardiografistas experientes frequentemente obtêm visualização satisfatória da porção tubular da aorta ascendente utilizando modificações individualizadas das vistas convencionais. Entretanto, operadores menos experientes e cardiologistas gerais podem não conseguir visualizar consistentemente esses segmentos, uma vez que a vista paraesternal longitudinal superior esquerda (uPLAX) é pouco descrita na literatura, enquanto a aquisição da vista paraesternal direita é tecnicamente mais exigente e mais demorada.
No presente estudo, descrevemos uma vista paraesternal longitudinal modificada (mPLAX), desenvolvida para facilitar a visualização das porções média e distal da aorta ascendente sem alterar a posição do paciente ou o espaço intercostal. Também avaliamos a não inferioridade dessa abordagem modificada em comparação com a vista uPLAX convencional para o imageamento de um segmento mais longo da porção tubular da aorta ascendente.
Métodos
População do estudo
Um total de 169 pacientes consecutivos encaminhados para realização de ETT foi prospectivamente incluído neste estudo, dos quais 35% eram mulheres. Foram excluídos pacientes com janelas ecocardiográficas inadequadas, sintomas congestivos graves, taquicardia, incapacidade de manter a posição de decúbito lateral esquerdo ou falha na aquisição da vista uPLAX.
Aquisição de imagens ecocardiográficas
A vista mPLAX foi obtida a partir da posição padrão da PLAX. Após a aquisição da imagem convencional da PLAX, o transdutor foi deslocado aproximadamente 2-3 cm medialmente em direção ao esterno, utilizando um movimento de deslizamento para a direita. Essa manobra foi seguida por uma rotação de 20°-30° da sonda no sentido horário. Em alguns pacientes, também foi necessária uma discreta angulação caudal para manter o alinhamento do eixo longitudinal da aorta ascendente dentro do plano de imagem.
Destaca-se que todas as manobras foram realizadas sem alteração do espaço intercostal, da posição do paciente ou do contato entre o transdutor e a pele.
Medidas
O comprimento do segmento visualizado da aorta ascendente foi medido desde o anel aórtico até o limite distal do segmento aórtico visível nas vistas PLAX, uPLAX e mPLAX. O diâmetro da aorta ascendente foi medido ao final da diástole utilizando o método de borda anterior à borda anterior em cada vista.
Análise estatística
A vista mPLAX foi considerada não inferior à vista uPLAX se o limite inferior do intervalo de confiança de 95% (intervalo de confiança [IC] 95%) para a diferença no comprimento visualizado da aorta ascendente excedesse a margem de não inferioridade previamente definida de 3 mm.
A Tabela 1 resume as características clínicas e ecocardiográficas basais. A Figura 1 apresenta exemplos representativos do imageamento da aorta ascendente utilizando diferentes vistas de ETT.
Visualização da aorta ascendente em três pacientes (A, B e C) utilizando a uPLAX (painéis à esquerda) e a mPLAX (painéis à direita).
Resultados
Visualização da aorta ascendente
O segmento visualizado da aorta ascendente foi significativamente mais longo utilizando a vista mPLAX em comparação com a vista uPLAX (60,6 ± 9,3 mm vs 44,3 ± 8,2 mm, respectivamente). A diferença média (DM) entre ambas as técnicas foi de 16,4 mm (IC 95%, 15,1-17,6 mm; p < 0,001).
Diâmetro da aorta ascendente
O diâmetro da aorta ascendente medido na vista mPLAX foi significativamente maior do que o obtido na vista uPLAX (34,9 ± 5,7 mm vs 33,2 ± 5,3 mm, respectivamente), com DM de 1,7 mm (IC 95%, 1,2-2,3 mm; p < 0,001).
Essa diferença foi observada principalmente entre indivíduos com hipertensão arterial sistêmica (n = 135). Nesse subgrupo, o diâmetro da aorta ascendente foi de 35,6 ± 5,7 mm na vista mPLAX em comparação com 33,5 ± 5,4 mm na vista uPLAX, correspondendo a uma DM de 2,1 mm (IC 95%, 1,5-2,7 mm; p < 0,001).
Em contraste, entre indivíduos sem hipertensão arterial sistêmica (n = 34), o diâmetro da aorta ascendente foi semelhante entre as duas vistas (32,4 ± 5,0 mm na mPLAX vs 32,1 ± 5,2 mm na uPLAX), sem diferença estatisticamente significativa (DM, 0,3 mm; IC 95%, −1,3 a 1,9 mm; p = 0,709).
Análise de não inferioridade
O critério previamente definido para não inferioridade da vista mPLAX em relação à vista uPLAX para visualização de um segmento mais longo da aorta ascendente foi atingido.
Análise baseada no sexo
O comprimento e o diâmetro da aorta ascendente foram maiores em homens do que em mulheres utilizando ambas as abordagens de imageamento. Entretanto, o ganho incremental no comprimento visualizado da aorta obtido com a vista mPLAX em comparação com a vista uPLAX foi semelhante entre os sexos (16,3 mm [IC 95%, 14,8-17,9 mm] nos homens vs 16,4 mm [IC 95%, 14,3-18,5 mm] nas mulheres).
Limitações do estudo
Este estudo apresenta várias limitações. Primeiramente, trata-se de uma experiência de centro único e, portanto, requer validação externa antes de sua ampla adoção. Ainda assim, considerando a simplicidade e a rápida aquisição da vista mPLAX, acreditamos que essa abordagem seja prontamente aplicável à prática clínica rotineira.
Em segundo lugar, as medidas da aorta ascendente obtidas com a vista mPLAX não foram comparadas com métodos de imagem de referência, como a tomografia computadorizada. Entretanto, em indivíduos sem hipertensão arterial sistêmica, os diâmetros da aorta medidos pelas vistas mPLAX e uPLAX mostraram elevada concordância.
Conclusões
Neste estudo, propusemos uma vista mPLAX voltada para a otimização da visualização da aorta ascendente. O deslocamento do transdutor para a direita remove parcialmente o ventrículo esquerdo do plano de imagem, enquanto a rotação horária simultânea e a discreta angulação caudal melhoram o alinhamento com o eixo longitudinal da aorta ascendente ao corrigirem o ângulo coração-aorta.
Acreditamos que a vista mPLAX possa representar uma janela adicional não inferior de ETT para visualização de um segmento mais longo da porção tubular da aorta ascendente durante exames rotineiros de ETT. Como essa vista pode ser obtida sem alteração da posição do paciente ou do espaço intercostal, sua aquisição é mais simples e rápida, particularmente para cardiologistas gerais e ecocardiografistas menos experientes que realizam grande volume de exames diários.
Essa abordagem pode ser especialmente útil durante o seguimento rotineiro por ETT de pacientes com aneurismas previamente documentados da porção média-distal da aorta ascendente identificados por tomografia computadorizada e com janelas acústicas paraesternais adequadas.
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Fontes de Financiamento
O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.
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Vinculação Acadêmica
Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.
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Aprovação Ética e Consentimento Informado
Este estudo retrospectivo analisou dados ecocardiográficos totalmente anonimizados. Nenhuma intervenção foi realizada, e a aprovação por Comitê de Ética não foi necessária de acordo com as regulamentações locais.
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Uso de Inteligência Artificial
Os autores não utilizaram ferramentas de inteligência artificial no desenvolvimento deste trabalho.
Disponibilidade de Dados
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo está disponível mediante solicitação ao autor correspondente], sujeito a considerações éticas e de confidencialidade.
Referências bibliográficas
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Editado por
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Editor responsável pela revisão:
Marcelo Tavares


