Open-access Evolução Ecocardiográfica de Tratamento de Estenose de Artéria Pulmonar Adquirida por Compressão de Massa Mediastinal: Relato de Caso

Palavras-chave
Estenose de Artéria Pulmonar; Linfoma; Dispneia

Keywords
Pulmonary Artery Stenosis; Lymphoma; Dyspnea

Palavras-chave
Estenose de Artéria Pulmonar; Linfoma; Dispneia

Keywords
Pulmonary Artery Stenosis; Lymphoma; Dyspnea

Introdução

Estenose arterial pulmonar adquirida é uma entidade rara, descrita de forma escassa na literatura, associada principalmente à compressão do tronco da artéria pulmonar e seus ramos pelos tumores de mediastino (teratomas e linfomas).1 Relatamos o caso de um paciente jovem com linfoma não Hodgkin em mediastino anterior que levou à compressão extrínseca e à invasão luminal local do tronco da artéria pulmonar, ocasionando importante repercussão em câmaras direitas, com posterior melhora após tratamento quimioterápico.

Relato de caso

Paciente do sexo masculino, de 33 anos, sem comorbidades prévias, iniciou quadro de tosse, dispneia e surgimento de lesão nodular em região cervical anterior, com aumento progressivo associado a hiperemia e perda ponderal de 15 kg em 1 ano. Ao exame físico, apresentava massa palpável, cerca de 4,5 cm acima da fúrcula, indolor, imóvel, e na ausculta cardíaca um sopro sistólico ejetivo (3+/6+) audível em todos os focos com irradiação para a fúrcula. A angiotomografia de tórax evidenciava massa de mediastino de 11,5 × 9,5 cm que comprimia o tronco arterial pulmonar, os troncos arteriais supra-aórticos, a veia cava superior, a veia braquiocefálica esquerda e a veia braquiocefálica direita, com sinais sugestivos de trombose tumoral (Figura 1). Ecocardiograma transtorácico evidenciou aumento das dimensões e espessuras do ventrículo direito com disfunção contrátil, turbilhonamento do fluxo no tronco e bifurcação das artérias pulmonares por provável compressão extrínseca ou invasão de massa oriunda do mediastino anterior, com gradiente de pico entre o ventrículo direito e as artérias pulmonares de 79 mmHg e velocidade de pico de 4,4 m/s, com valva pulmonar íntegra (Figura 2). Na biópsia da massa cervical, foi identificada neoplasia maligna indiferenciada e a imunohistoquímica evidenciou linfoma não Hodgkin difuso de grandes células B.

Figura 1
Angiotomografia de tórax evidenciando a massa mediastinal. AP: artéria pulmonar.
Figura 2
A) Janela paraesternal, eixo curto, com massa causando estenose pulmonar. B) Janela paraesternal, eixo longo, com presença de massa comprimindo o ventrículo direito. AP: artéria pulmonar; VD: ventrículo direito.

Foi iniciada quimioterapia, com seguimento clínico e ecocardiograma transtorácico a cada 3 meses, com redução progressiva da massa mediastinal (Figura 3). Após 9 meses de tratamento, o paciente apresentou total normalização da função do ventrículo direito e dos gradientes (Figura 4).

Figura 3
A) Redução da massa mediastinal e dos gradientes na valva pulmonar. B) Janela paraesternal, eixo longo, evidenciando redução da massa em mediastino. AP: artéria pulmonar; VD: ventrículo direito.
Figura 4
A) Gradiente máximo valva pulmonar 12 mmHg. B) Janela paraesternal, eixo longo, evidenciando ausência da massa após tratamento. AP: artéria pulmonar; VD: ventrículo direito.

Ao final do tratamento, apresentou neutropenia febril grave de difícil manejo, indo a óbito por provável choque séptico.

Discussão

Linfomas mediastinais podem envolver os grandes vasos com obstruções hemodinamicamente significativas capazes de gerar sopros ou sintomas, a depender do seu local de maior crescimento. No caso de envolvimento cardíaco, os sintomas mais comuns são dor torácica, dispneia e tosse, com sopro audível observado em 81% dos pacientes. Estenose pulmonar arterial adquirida é rara e está muito associada com tumores mediastinais, frequentemente o linfoma de Hodgkin, com prognóstico incerto.2 As obstruções crônicas podem aumentar as pressões nas câmaras direitas, causar insuficiência tricúspide, disfunção ventricular e, em casos de presença de forame oval patente, um shunt direita-esquerda com cianose e aumento do risco de embolia paradoxal.3 O ecocardiograma transtorácico tem importância fundamental na definição da etiologia da estenose pulmonar.3 No presente caso, a massa mediastinal e seu efeito compressivo lateral era claramente visível no eixo curto, com importante aceleração do fluxo na artéria pulmonar e abertura valvar normal, sugerindo uma causa externa para a turbulência do fluxo. Além disso, apresentou normalização dos fluxos da artéria pulmonar bem como a função ventricular direita após a redução da massa com o tratamento quimioterápico.

Conclusão

A identificação precoce dessa patologia associada ao início oportuno da terapêutica pode interferir diretamente no prognóstico.4 A redução da massa mediastinal com quimioterapia, radioterapia ou cirurgia é capaz de reduzir a compressão da artéria pulmonar, o que levará a normalização do fluxo e melhora da função das câmaras direitas.5

  • Fontes de Financiamento
    O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.
  • Vinculação Acadêmica
    Este artigo é parte de tese de livre-docência de Carolynne Ferreira Machado; Patrick Ventorim Costa, Ana Carolina Main Lucas; Laira Bernabe Mota; Karllayno Camatta Milleri; Fabrício Thebit Bortolon; e Fernando Luiz Torres Gomes pela Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes - HUCAM/UFES.
  • Aprovação Ética e Consentimento Informado
    Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do(a) Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes - HUCAM/UFES sob o número de protocolo 88256725.1.0000.5071. Todos os procedimentos envolvidos nesse estudo estão de acordo com a Declaração de Helsinki de 1975, atualizada em 2013. O consentimento informado foi obtido de todos os participantes incluídos no estudo.
  • Uso de Inteligência Artificial
    Os autores não utilizaram ferramentas de inteligência artificial no desenvolvimento deste trabalho.

Disponibilidade de Dados

Os conteúdos subjacentes ao texto da pesquisa estão contidos no manuscrito.

Referências bibliográficas

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    » https://doi.org/10.1002/jcu.22133

Editado por

  • Editor responsável pela revisão:
    Andrea Vilela

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Jul 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    06 Nov 2025
  • Revisado
    13 Jan 2026
  • Aceito
    16 Mar 2026
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