Palavras-chave
Cobertura Vacinal; Doenças Cardiovasculares; Idoso; Vacinas contra Influenza
Keywords
Vaccination Coverage; Cardiovascular Diseases; Aged; Influenza Vaccines
Palavras-chave
Cobertura Vacinal; Doenças Cardiovasculares; Idoso; Vacinas contra Influenza
Keywords
Vaccination Coverage; Cardiovascular Diseases; Aged; Influenza Vaccines
A vacinação contra influenza no Brasil foi implantada em 1999 com o objetivo de vacinar pelo menos 70% da população com 65 anos ou mais. Em 2000, a idade baixou para 60 anos; em 2010, novos grupos de risco foram incluídos como elegíveis a receber a vacina; em 2008 a meta de vacinação subiu para 80%; e em 2017 para 90%,1 a qual se mantém até os dias atuais.
As pessoas idosas são consideradas um grupo de risco para vacinação por apresentarem maior suscetibilidade a doenças graves e complicações da influenza.2 Dentro desse grupo, aqueles que possuem comorbidades cardiovasculares são ainda mais vulneráveis.3
Dados do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações indicam que a meta vacinal de 90% foi atingida no grupo de pessoas idosas de 2016 a 2019; e que, em 2020, a cobertura vacinal chegou a 120,7%.4 No entanto, a partir de 2021, os dados mostraram uma queda na cobertura vacinal para influenza nesse grupo, chegando a 70,9% e continuando a cair nos anos seguintes: 2022 (70,2%), 2023 (63,3%) e 2024 (48,7%).5 Assim, evidências atuais sobre a adesão vacinal e motivos para não adesão se mostram necessárias em nosso país.
O estudo de Aguilar et al.,6 teve como objetivo analisar a adesão à vacinação contra influenza em pessoas idosas com comorbidades cardiovasculares, utilizando dados de 5.296 indivíduos, coletados na segunda onda do projeto ELSI-Brasil (2019-2021).
Trata-se de uma investigação com amostra grande e representativa, que identificou cobertura vacinal de 76,6% entre os participantes.6 A média de cobertura vacinal entre 2019 e 2021 no Brasil foi 96,99%,5 indicando que os resultados encontrados estão abaixo da cobertura vacinal do país. Um dos motivos para essa inconsistência pode ser a superestimação das coberturas vacinais, que aconteceu até o ano de 2020, devido à desatualização do número de pessoas idosas utilizadas no denominador do cálculo da cobertura, como já reconhecido anteriormente.7 Além disso, o fato de o estudo incluir apenas pessoas idosas com comorbidades cardiovasculares pode ser um fator importante, já publicações anteriores mostram que ter comorbidades pode ou não aumentar a adesão à vacina contra influenza.8,9
Entre os fatores associados a uma maior adesão à vacina, foram elencados maior idade, estar casado ou vivendo com companheiro, fazer uso de serviços de saúde privados e ter autopercepção de saúde boa ou excelente. Já os fatores ser da etnia negra, consumir álcool mais de uma vez ao mês, ser tabagista e praticar atividades físicas intensas mais de uma vez por semana foram relacionados à menor chance de adesão à vacina.6 Esses dados são consoantes à estudos anteriores8,9 e são excelentes indícios dos grupos mais vulneráveis à não adesão vacinal, os quais devem ser alvo de intervenções.
Além disso, também foi conduzida uma análise de acordo com cada comorbidade cardiovascular estudada (i.e., hipertensão, angina, infarto e insuficiência cardíaca). A idade permaneceu significativa para todas as comorbidades. Para hipertensão, identificou-se também como fatores etnia preta, consumo de álcool mais de uma vez ao mês, tabagismo, prática de atividades físicas intensas mais de uma vez por semana e melhor autopercepção da saúde. Para insuficiência cardíaca, o outro fator significativo foi o tabagismo; e para angina e infarto do miocárdio, não foram identificados fatores adicionais.6 Assim, os fatores podem ser diferente em cada grupo de doenças, indicando a necessidade de uma maior atenção dos profissionais de saúde.
O estudo aborda ainda os motivos para não adesão à vacina, com destaque para questões pessoais como medo de reações adversas, raramente contrair gripe e contraindicação médica; seguidas pelas questões contextuais como indisponibilidade da vacina; e questões específicas da vacina, como não saber que era necessário tomar a vacina contra gripe e não acreditar que a vacina ofereça proteção contra a doença.6 Alguns motivos chamam a atenção e já haviam sido relatados anterioremente,10 como a falta de orientação sobre a necessidade e importância da vacina, evidenciando o papel crucial dos profissionais de saúde; bem como a indisponibilidade da vacina, que indica a necessidade de uma maior organização do sistema de saúde para atender às demandas.
As pessoas idosas compreendem um grupo que, no geral, possui baixo letramento em saúde.11 Por esse motivo os esforços para promoção da saúde, especialmente sobre a questão vacinal, nesse grupo, devem ser redobrados. Destaca-se a importância dos profissionais da saúde no combate às notícias falsas sobre a vacinação para que a alta cobertura vacinal, observada no país desde o início da campanha até o ano de 2020, possa ser alcançada novamente,12 evitando assim que casos graves e óbitos preveníveis causados pelo vírus influenza ocorram. Estaremos vivenciando mais um ano de queda nas coberturas vacinais contra influenza? Qual é o nosso papel nesse cenário?
Referências
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1 Brasil. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Informe Técnico: 21ª Campanha Nacional de Vacinação do Idoso. Brasília: Ministério da Saúde; 2019 [cited 2025 Apr 23]. Available from: https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/informe-tecnico-campanha-influenza2019.pdf
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3 Omidi F, Zangiabadian M, Bonjar AHS, Nasiri MJ, Sarmastzadeh T. Influenza Vaccination and Major Cardiovascular Risk: A Systematic Review and Meta-Analysis of Clinical Trials Studies. Sci Rep. 2023;13(1):20235. doi: 10.1038/s41598-023-47690-9.
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4 Brasil. Ministério da Saúde. Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações - SIPNI [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2020 [cited 2025 Apr 23]. Available from: http://sipni.datasus.gov.br/
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5 Brasil. Ministério da Saúde. Painéis de Vacinação [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2025. Available from: https://infoms.saude.gov.br/
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6 Aguilar RS, Giraldes APR, Delia MPB, Roscani MG, Pott H. Uptake of Influenza Vaccine Among Older Adults with Cardiovascular Comorbidities. Arq Bras Cardiol. 2025;122(3):e20240537. doi: 10.36660/abc.20240537.
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7 Azambuja HCS, Carrijo MF, Martins TCR, Luchesi BM. The Impact of Influenza Vaccination on Morbidity and Mortality in the Elderly in the Major Geographic Regions of Brazil, 2010 to 2019. Cad Saude Publica. 2020;36(Suppl 2):e00040120. doi: 10.1590/0102-311X00040120.
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8 Okoli GN, Lam OLT, Racovitan F, Reddy VK, Righolt CH, Neilson C, et al. Seasonal Influenza Vaccination in Older People: A Systematic Review and Meta-Analysis of the Determining Factors. PLoS One. 2020;15(6):e0234702. doi: 10.1371/journal.pone.0234702.
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10 Azambuja HCS, Carrijo MF, Velone NCI, Santos AG Jr, Martins TCR, Luchesi BM. Reasons for Influenza Vaccination in Older Adults in 2019 and 2020. Acta Paul Enferm. 2022;35:eAPE039009934. doi: 10.37689/acta-ape/2022AO009934.
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11 Lima ACP, Maximiano-Barreto MA, Martins TCR, Luchesi BM. Factors Associated with Poor Health Literacy in Older Adults: A Systematic Review. Geriatr Nurs. 2024;55:242-54. doi: 10.1016/j.gerinurse.2023.11.016.
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12 Luchesi BM, Azambuja HCS, Rossignolo SCO, Martins TCR. Vacinação contra Influenza em Idosos no Contexto da Pandemia da COVID-19: Situação Atual e Perspectivas Futuras. Rev Bras Med Fam Comunidade. 2022;17(44):3355. doi: 10.5712/rbmfc17(44)3355.
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