Fundamento O implante de marca-passo permanente é um tratamento estabelecido tanto para a síndrome do nó sinusal (SNS) quanto para o bloqueio atrioventricular (BAV), porém existem poucos dados comparando os resultados clínicos a longo prazo e os padrões de remodelamento cardíaco entre essas distintas etiologias bradiarrítmicas.
Objetivos Comparar os resultados clínicos e as alterações estruturais cardíacas em três anos entre pacientes com SNS e BAV após implante de marca-passo permanente.
Métodos Este estudo observacional retrospectivo incluiu 192 pacientes adultos (65 com SNS, 127 com BAV) submetidos a implante de marca-passo entre janeiro de 2018 e dezembro de 2020. Dados demográficos, parâmetros ecocardiográficos, dados registrados pelo marca-passo e desfechos clínicos foram avaliados no início do estudo, após um mês, seis meses, um ano e três anos. Os desfechos primários incluíram alterações na estrutura e função cardíacas, melhora dos sintomas, fibrilação atrial de início recente, reinternação e mortalidade por todas as causas.
Resultados Ambos os grupos demonstraram declínios significativos na fração de ejeção do ventrículo esquerdo ao longo de três anos (SNS: 57,2±6,0% para 54,3±8,3%, p<0,001; BAV: 55,5±7,0% para 53,0±6,8%, p<0,001). Apesar da progressão semelhante da disfunção ventricular, padrões distintos de remodelamento emergiram: os pacientes com SNS apresentaram aumentos significativos no diâmetro do átrio esquerdo (31,3 para 38,8 mm, p=0,040), no diâmetro diastólico final do ventrículo esquerdo (45,2 para 51,0 mm, p<0,001) e na prevalência de regurgitação mitral (26,2% para 64,6%), enquanto os pacientes com BAV mantiveram dimensões ventriculares estáveis apesar da alta carga de estimulação ventricular (>90%). A melhora dos sintomas foi comparável (SNS: 85,6% vs. BAV: 83,5%, p=0,84), assim como o surgimento de fibrilação atrial (41,5% vs. 37,0%, p=0,54), a reinternação (50,8% vs. 58,3%, p=0,38) e a mortalidade por todas as causas (13,8% vs. 11,8%, p=0,69). Os preditores de mortalidade diferiram: gravidade da regurgitação mitral em pacientes com SNS versus doença arterial coronariana, terapia com betabloqueadores e volume do átrio esquerdo em pacientes com BAV.
Conclusões Apesar dos benefícios sintomáticos e resultados clínicos semelhantes, pacientes com SNS e BAV demonstram padrões distintos de remodelamento cardíaco e diferentes preditores de mortalidade, o que reforça a necessidade de estratégias de acompanhamento específicas para cada etiologia em pacientes com marca-passo.
Palavras-chave
Marca-Passo Artificial; Síndrome do Nó Sinusal; Bloqueio Atrioventricular; Fibrilação Atrial

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Significância estatística: * p < 0,05; ** p < 0,01; *** p < 0,001; NS indica insignificância (p ≥ 0,05). Todas as comparações baseadas na linha de base vs. medições de acompanhamento de 3 anos. Código de cores: Caixas vermelhas/rosas: Resultados do grupo SNS; Caixas verdes: Resultados do grupo BAV; Seção laranja: Resultados clínicos; Seção roxa: Preditor de morbilidade. AVB: bloqueio atrioventricular; EF: Fração de ejeção; DDFVE: Diâmetro diastólico final do ventrículo esquerdo; RM: Regurgitação mitral; AF: fibrilação atrial; NS: insignificante. Setas: ↓ indica diminuição do valor basal para o acompanhamento de 3 anos; ↑ indica aumento do valor basal para o acompanhamento de 3 anos.


