Sumário
Saúde e Sociedade, Volume: 35, Número: 2, Publicado: 2026Saúde e Sociedade, Volume: 35, Número: 2, Publicado: 2026
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Dossiê Ações antirracistas na APS: desafio para a garantia da equidade Racismo e produção do cuidado no SUS: desafios para a Atenção Primária à Saúde Carvalho, Geralda Aparecida Vieira de Louvison, Marília Cristina Prado Resumo em Português: Resumo A luta do movimento negro articulado levou à aprovação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), em 2009, um marco no reconhecimento do racismo institucional no âmbito do SUS. Este artigo tem o objetivo de analisar a produção do cuidado à população negra no âmbito da Atenção Primária em Saúde (APS), na região do Grande ABC, considerando o princípio da equidade e a implementação da PNSIPN. Tratase de estudo qualitativo com a realização de 24 entrevistas semiestruturadas com gestores, atores sociais, profissionais de saúde e usuários do SUS. As narrativas revelaram barreiras políticas e institucionais à efetivação da PNSIPN, expressas no desconhecimento da política e da importância do quesito raça/cor; e na resistência em reconhecer o racismo como elemento estruturante do processo saúde-doença. À luz de Sueli Carneiro discute-se que o dispositivo de racialidade aciona o biopoder de forma seletiva, determinando quem tem acesso ao “fazer viver” e quem é exposto ao “deixar morrer”. Conclui-se que a efetivação da equidade racial no SUS exige o reconhecimento do racismo institucional como determinação das iniquidades e a incorporação de práticas antirracistas nos serviços de saúde. O direito à saúde segue sendo negado à população negra brasileira.Resumo em Português: Resumo A luta do movimento negro articulado levou à aprovação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), em 2009, um marco no reconhecimento do racismo institucional no âmbito do SUS. Este artigo tem o objetivo de analisar a produção do cuidado à população negra no âmbito da Atenção Primária em Saúde (APS), na região do Grande ABC, considerando o princípio da equidade e a implementação da PNSIPN. Tratase de estudo qualitativo com a realização de 24 entrevistas semiestruturadas com gestores, atores sociais, profissionais de saúde e usuários do SUS. As narrativas revelaram barreiras políticas e institucionais à efetivação da PNSIPN, expressas no desconhecimento da política e da importância do quesito raça/cor; e na resistência em reconhecer o racismo como elemento estruturante do processo saúde-doença. À luz de Sueli Carneiro discute-se que o dispositivo de racialidade aciona o biopoder de forma seletiva, determinando quem tem acesso ao “fazer viver” e quem é exposto ao “deixar morrer”. Conclui-se que a efetivação da equidade racial no SUS exige o reconhecimento do racismo institucional como determinação das iniquidades e a incorporação de práticas antirracistas nos serviços de saúde. O direito à saúde segue sendo negado à população negra brasileira.Resumo em Inglês: Abstract The struggle of the organized black movement led to the approval of the National Policy for the Comprehensive Health of the Black Population (PNSIPN—acronym in Portuguese) in 2009, a milestone in the recognition of institutional racism within the Unified Health System (SUS—acronym in Portuguese). This article aims to analyze the production of care for the black population within the context of Primary Health Care (PHC) in the Greater ABC region, considering challenges to the principle of equity and to the implementation of the PNSIPN. This is a qualitative study involving twenty-four semi-structured interviews with managers, social actors, health professionals, and users of the Brazilian SUS. The narratives revealed political and institutional barriers to implementing the PNSIPN, including professionals’ lack of awareness, the absence of race/color data in health information systems, and resistance to recognizing racism as a structuring element of the health-disease process. In light of Sueli Carneiro’s work, it is argued that the mechanism of raciality selectively invokes biopower, determining who has access to “keeping alive” and who is subjected to “letting die.” Achieving racial equity within SUS requires recognizing institutional racism as a determinant of inequities and incorporating antiracist practices in health services. The right to health remains denied to the black population. |
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Dossiê Ações antirracistas na APS: desafio para a garantia da equidade Saúde da população negra: do desconhecimento de profissionais da saúde à urgência da educação em perspectiva antirracista Monteiro, Rosana Batista Rosa, Jéssifran Silveira Resumo em Português: Resumo A luta antirracista na saúde implica repensar a formação profissional. A formação em saúde e a educação permanente na saúde deveriam observar o que determina a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), a Resolução CNS nº 569 e as Diretrizes Curriculares para a educação das relações étnico-raciais. O artigo busca refletir sobre a importância da educação permanente em saúde (EPS) voltada ao combate do racismo nos serviços de saúde. A partir de relatos de profissionais de um serviço de atenção à saúde mental, demonstramos que a formação em saúde, a partir de uma perspectiva antirracista, ainda é quase inexistente. Os relatos demonstram a pouca presença ou silenciamento da abordagem da saúde da população negra e temas relacionados ao racismo e antirracismo. Para além da denúncia das ausências, ressaltamos a percepção de profissionais acerca da necessidade de existir, nos diversos processos formativos, a abordagem de temas relacionados à promoção da saúde da população negra, enquanto um compromisso com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Nos fundamentamos nas normativas relacionadas à educação das relações étnico-raciais e à saúde da população negra.Resumo em Inglês: Abstract The fight against racism in health implies rethinking professional training. Health training and continuing education in health should follow the provisions of the National Policy for Comprehensive Health of the Black Population (PNSIPN, Brazilian acronym), CNS Resolution No. 569, and Curricular Guidelines for Education on Ethnic-Racial Relations. This article reflects on the importance of continuing education in health (PEH) aimed at combating racism in health services. Based on reports from professionals in mental health care services, we demonstrate that health training from an anti-racist perspective is almost nonexistent. The reports demonstrate the low presence or silence of the approach to the health of the Black population and issues related to racism and anti-racism. In addition to denouncing the absences, we highlight the perception of professionals regarding the need for an approach to issues related to the promotion of the health of the black population as a commitment to the principles of the Unified Health System (SUS, Brazilian acronym) in the various training processes in and within health. We are based on regulations related to the education of ethnic-racial relations and the health of the black population. |
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Dossiê Ações antirracistas na APS: desafio para a garantia da equidade Entrevista com Putira Sacuena Farias, Natalia Baré, Elizangela da Silva Costa Resumo em Português: Resumo Nesta entrevista, Putira Sacuena compartilha reflexões sobre sua trajetória como mulher indígena, liderança, biomédica, cientista e atual diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena da Secretaria de Saúde Indígena. A conversa articula dimensões pessoais e políticas, compondo uma narrativa comprometida com a transformação das estruturas que historicamente invisibilizaram os povos indígenas. Putira reflete sobre sua formação na comunidade, destacando os saberes herdados especialmente de sua avó paterna, parteira no território do Rio Negro. Esses conhecimentos entrelaçados à sua formação acadêmica sustentam sua atuação como “doutora parente”. Com base em sua experiência na saúde coletiva e na gestão pública, Putira discute os desafios da formação de profissionais de saúde, o enfrentamento ao racismo institucional e a necessidade de políticas que reconheçam a transversalidade da saúde indígena no SUS. Defende o fortalecimento das medicinas indígenas como formas legítimas de cuidado, ciência e política. Putira nos convida a repensar o SUS a partir dos territórios indígenas e a reconhecer as ciências indígenas como fundamento para uma atenção verdadeiramente diferenciada e antirracista.Resumo em Inglês: Abstract In this interview, Putira Sacuena shares reflections on her journey as an indigenous woman, leader, biomedical scientist, and current director of the Department of Primary Indigenous Health Care at the Indigenous Health Secretariat. The conversation articulates personal and political dimensions, composing a narrative committed to transforming the structures that have historically rendered indigenous peoples invisible. Putira reflects on her community upbringing, highlighting the knowledge inherited, especially from her paternal grandmother, a midwife in the Rio Negro territory. This knowledge, intertwined with her academic training, underpins her work as a “relatable doctor.” Based on her experience in public health and public administration, Putira discusses the challenges of training health professionals, confronting institutional racism, and the need for policies that recognize the cross-cutting nature of indigenous health within the Brazilian Unified Health System (SUS). She advocates for the strengthening of indigenous medicines as legitimate forms of care, science, and politics. Putira invites us to rethink the SUS from the perspective of indigenous territories and to recognize indigenous sciences as the foundation for truly differentiated and anti-racist care. |
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Dossiê Ações antirracistas na APS: desafio para a garantia da equidade Análise da implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra a partir das pesquisas de informações básicas estaduais e municipais e sua relação com a Atenção Primária em Saúde Felício, Julyane Cristina dos Santos Cunha, Ana Paula da Santos, Márcia Pereira Alves dos Cruz, Marly Marques da Resumo em Português: Resumo O estudo teve como objetivo analisar a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) nos estados e municípios brasileiros, investigando sua associação com a cobertura da Atenção Primária à Saúde (APS) e a proporção de população negra. Trata-se de uma análise quantitativa com dados secundários provenientes da pesquisa ESTADIC-MUNIC (2021). Nos estados, aplicou-se a análise de agrupamento (K-means) para identificar perfis de implementação da política. Nos municípios, empregou-se um modelo de regressão fracionária logit, apropriado para variáveis proporcionais, incluindo simultaneamente as variáveis explicativas. Os resultados revelaram desigualdades regionais importantes, com estados apresentando combinações distintas de cobertura, proporção de população negra e grau de implementação. Nos municípios, tanto os planos mostraram baixa institucionalização da PNSIPN, quanto a maior cobertura da APS esteve associada a menores níveis de implementação da política nos municípios, independentemente da proporção de população negra. Conclui-se que há baixa institucionalização da PNSIPN em níveis estadual e municipal, com concentração das ações em poucos territórios e marcada disparidade entre requisitos normativos (planos e colegiados) e ações efetivas voltadas à equidade racial. Embora a expansão da APS contribua para maior implementação da PNSIPN, persistem barreiras estruturais, especialmente em contextos com alta presença da população negra.Resumo em Inglês: Abstract This study analyzed the implementation of the National Policy for Comprehensive Health Care for the Black Population (PNSIPN) across Brazilian states and municipalities, examining its association with Primary Health Care (PHC) coverage and the proportion of the Black population using secondary data from the ESTADIC-MUNIC survey (2021). In the state-level analysis, we adopted the K-means cluster analysis to identify implementation profiles. At the municipal level, a fractional logit regression model suitable for proportional outcomes was applied, incorporating all explanatory variables simultaneously. The findings revealed significant regional disparities, with states exhibiting varied combinations of PHC coverage, Black population proportions, and policy implementation levels. At the municipal level, both health plans showed low institutionalization of the PNSIPN. Greater PHC coverage was associated with lower policy implementation levels, regardless of the proportion of the Black population. The PNSIPN remains weakly institutionalized at both state and municipal levels, with actions concentrated in a limited number of territories. A notable gap persists between normative commitments, such as plans and councils, and the effective implementation of actions aimed at racial equity. While PHC expansion may support PNSIPN implementation, structural barriers continue to hinder sustained progress, particularly in areas with a higher proportion of Black residents. |
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Artigo Original “Sem enfrentar o racismo não se promove equidade em saúde” - entrevista com Fernanda Lopes Lopes, Fernanda Rosa, Hevelyn Resumo em Português: Resumo Com trajetória marcada por contribuições pioneiras à Saúde Coletiva, Fernanda Lopes, epidemiologista, gestora e ativista negra, concede uma entrevista que perpassa sua experiência no enfrentamento ao racismo institucional e na formulação de políticas públicas, com ênfase nas lutas coletivas por equidade e justiça reprodutiva. Entre sua vasta produção, consta o primeiro texto publicado em boletim epidemiológico de AIDS destacando as iniquidades raciais que afetavam a população negra, em 2001, e a primeira tese brasileira sobre mulheres negras e AIDS, em 2004. Articulando produção de conhecimento e militância, sua atuação abrange instituições públicas, movimentos sociais e organismos internacionais. A entrevista integra o projeto “Memórias de mulheres negras em movimento pelo direito à saúde”, que visa documentar trajetórias e contribuir para a visibilização do protagonismo de mulheres negras no campo da saúde no Brasil.Resumo em Inglês: Abstract With a career marked by pioneering contributions to the field of Public Health, Fernanda Lopes-an epidemiologist, manager, and Black activist-offers an interview that traverses her experiences in addressing institutional racism and formulating public policies, with an emphasis on collective struggles for equity and reproductive justice. Among her extensive body of work are the first article published in an epidemiological bulletin to highlight AIDS and racial inequities affecting the Black population in 2001 and the first Brazilian doctoral dissertation on Black women and AIDS, in 2004. Bridging knowledge production and activism, her work spans public institutions, social movements, and international organizations. The interview is part of the project “Memories of Black Women in Movement for the Right to Health,” which seeks to document life trajectories and contribute to the visibility of Black women’s leadership in the health sector in Brazil. |
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Artigo Original A porta da farmácia é o nosso limite? Desafios na identidade profissional do farmacêutico na Atenção Primária à Saúde Antunes, Renata da Silva Esher, Ângela Silva, Rondineli Mendes da Resumo em Português: Resumo O farmacêutico vem passando por alterações em sua identidade profissional (IP), compreendida pelas habilidades, conhecimentos, valores, comportamentos e atitudes necessárias para seu papel no mundo do trabalho. Esse artigo tem por objetivo analisar elementos da IP farmacêutica na Atenção Primária à Saúde (APS). Trata-se de um estudo exploratório, qualitativo, com entrevista semiestruturada. Participaram farmacêuticos que atuam na APS, no Conselho Regional de Farmácia e em universidades. Utilizou-se análise de conteúdo temática das entrevistas a partir de três categorias: “percurso profissional e formativo”, “IP considerando os atributos da APS” e “atuação na APS frente à regulação profissional e sanitária”. Observou-se elevada escolaridade e tempo médio de sete anos de atuação para aqueles da APS. A análise das entrevistas aponta para o surgimento de uma “nova identidade”, mais consciente e segura de seu papel no cuidado e na assistência, ainda que construída com o enfrentamento dos desafios nas relações de trabalho, ensino tecnicista, pouco reconhecimento pelos pares e com os obstáculos da regulação profissional. Foi possível explicitar mudanças nas políticas públicas para a garantia da atuação do farmacêutico como parte integrante da equipe de saúde.Resumo em Inglês: Abstract Pharmacists have been undergoing changes in their professional identity (PI), understood as the skills, knowledge, values, behaviors, and attitudes necessary for their role in the world of work. This article aimed to analyze the elements of pharmaceutical PI in Primary Health Care (PHC). The study is an exploratory, qualitative study using semi-structured interviews. The event was attended by pharmacists working in PHC, the Regional Pharmacy Council, and universities. Thematic content analysis of the interviews was used based on three categories: “professional and training path,” “PI considering PHC attributes,” and “performance in PHC in the face of professional and health regulation.” Those working in the PHC exhibited a significant level of education and an average of seven years of experience. The analysis of the interviews points to the emergence of a “new identity,” more aware and confident in their role in care and assistance, albeit constructed through the confrontation of challenges in labor relations, a technocratic teaching approach, little recognition from peers, and the obstacles of professional regulation. Changes in public policy were identified to ensure that pharmacists play an integral role as part of the healthcare team. |
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Artigos Originais Construção do programa QualiCuidar: cuidado livre de gordofobia para a atenção primária à saúde Penaforte, Fernanda R. de O. Nogueira, Daiane Aparecida Oliveira, Vitor Hugo de Ferreira, Julia Elba de Souza Micali, Flávia Gonçalves Resumo em Português: Resumo Profissionais de saúde frequentemente reproduzem atitudes gordofóbicas que criam barreiras no cuidado em saúde às pessoas com obesidade, especialmente na Atenção Primária em Saúde (APS). Assim, este estudo teve como objetivo construir e aplicar, em caráter piloto, o programa QualiCuidar, voltado para a promoção de práticas de cuidado livres do estigma do peso na APS. A pesquisa seguiu abordagem quanti-qualitativa, contemplando a elaboração do programa, sua aplicação em duas unidades de saúde e sua avaliação por meio da aplicação das escalas Fat Phobia Scale e Short Version e Beliefs About Obese Persons Scale antes e após a participação; e também por meio de grupos focais ao final do Programa. Concluíram o programa 13 profissionais, majoritariamente Agentes Comunitários de Saúde (ACS) (84,6%). Embora não tenham sido observadas diferenças significativas nos escores das escalas aplicadas, os participantes relataram mudanças na oferta do cuidado às pessoas com obesidade, destacando maior empatia, escuta ativa e acolhimento. Também emergiram reflexões críticas sobre a necessidade de ampliar a participação de outros profissionais e de incorporar a temática na formação permanente em saúde. Conclui-se que o QualiCuidar demonstrou potencial para sensibilizar profissionais da APS, reforçando a importância de capacitações contínuas e multiprofissionais no enfrentamento da gordofobia.Resumo em Inglês: Abstract Health professionals often reproduce fatphobic attitudes that create barriers to healthcare for people with obesity, especially in Primary Health Care (PHC). Thus, this study aimed to develop and pilot the QualiCuidar program, designed to promote weight stigma-free care practices in PHC. The research followed a mixed quantitative-qualitative approach, encompassing the development of the program, its implementation in two health units, and its evaluation through the application of the Fat Phobia Scale - Short Version and the Beliefs About Obese Persons Scale before and after participation, as well as through focus groups at the end of the program. Thirteen professionals completed the program, with the majority being community health workers (84.6%). Although no significant differences were observed in the scores of the applied scales, participants reported changes in the care provided to people with obesity, highlighting greater empathy, active listening, and welcoming practices. Critical reflections also emerged regarding the need to broaden participation among other professionals and to incorporate the topic into ongoing health education. It is concluded that QualiCuidar demonstrated potential to raise awareness among PHC professionals, reinforcing the importance of continuous and multiprofessional training in tackling fatphobia. |
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Artigo Original Saúde como ausência de dor: autopercepção e acesso aos serviços odontológicos de mulheres privadas de liberdade Abreu, Cibelly Correia Souza Romanowski, Francielle Nunes de Azevedo Matos, Marcos André de Queiroz, Maria Goretti Finkler, Mirelle Martorell, Leandro Brambilla Resumo em Português: Resumo Objetivou-se conhecer a autopercepção de saúde bucal e a experiência de acesso aos serviços odontológicos de mulheres privadas de liberdade. Foi realizado um estudo na Penitenciária Consuelo Nasser, Aparecida de Goiânia (GO), em que se realizaram entrevistas com 15 participantes, observação não participante e registros em diário de campo, e os dados foram analisados pela técnica de Análise de Conteúdo Temática. O perfil sociodemográfico das participantes foi de jovens, solteiras, mães, sem apoio familiar e religião, com penas menores que oito anos e tráfico de drogas como a principal motivação da prisão. Observou-se autopercepção negativa da saúde bucal, devido à dor, estética e perda dentária e insuficiente acesso aos serviços. Viu-se a inexistência da equipe de atenção primária prisional, dependência da penitenciária masculina, atendimentos pontuais e mutiladores e falta de acesso regulado à Rede de Atenção à Saúde. Embora tenham práticas habituais de higiene bucal e acesso a alguns insumos, sentem-se abandonadas quanto às ações de promoção e prevenção em saúde bucal. As iniquidades constatadas refletem a necessidade de implementação de serviço de assistência odontológica, a fim de que mulheres privadas de liberdade tenham seu direito ao cuidado em saúde bucal garantido.Resumo em Inglês: Abstract This study aimed to understand the self-perception of oral health and experience of access to dental services among women deprived of liberty. A study was conducted at the Penitenciária Consuelo Nasser in Aparecida de Goiânia (GO), in which interviews were conducted with 15 participants, and non-participant observation and field diary records were recorded. The data were analyzed using the Thematic Content Analysis technique. The sociodemographic profile of the participants was as follows: young, single mothers without family support and religion, with sentences of less than eight years and drug trafficking as the main reason for imprisonment. Negative self-perception of oral health was observed due to pain, aesthetics, tooth loss, and insufficient access to services. Lack of a primary prison care team, dependence on the male penitentiary, punctual and mutilating care, and lack of regulated access to the Health Care Network were observed. Although they have habitual oral hygiene practices and access to some supplies, they feel abandoned regarding oral health promotion and prevention actions. The inequities found reflect the need to implement dental care services so that women deprived of their liberty have their right to oral health care guaranteed. |
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Artigo Original Descentralização na PNAB 2017: expressões do liberalismo conservador brasileiro na política de saúde Carletto, Amanda Firme Teodoro, Ronaldo Vidaurre, Thais de Andrade Resumo em Português: Resumo O presente artigo apresenta uma análise da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) de 2017 como parte de um cenário mais amplo de desconstrução da democracia brasileira. Tendo como núcleo organizador o paradigma liberal da austeridade fiscal, as transformações operadas nas orientações nacionais tiveram como diretriz a desarticulação do poder federal de coordenar a política de Atenção Primária à Saúde (APS). Com a relativização do papel do Ministério da Saúde (MS) na definição de parâmetros nacionais, buscou-se ampliar a autonomia gestora dos municípios na condução dessa política. A partir de um mapeamento dos sujeitos e instâncias políticas envolvidas nesse processo, problematizamos os sentidos das mudanças efetuadas desde a versão da PNAB de 2011. Nesse percurso, apontamos que a PNAB de 2017 favoreceu uma concepção de APS seletiva ao estabelecer incentivos diretos e indiretos para a implantação das equipes de Atenção Básica tradicionais, relativizando o modelo da Estratégia de Saúde da Família (ESF) como estratégia de expansão e consolidação da APS no país. Como conclusão, discutimos que a coordenação federal é uma variável política e programática central para o avanço da autoridade sanitária do SUS. Em sentido contrário, uma agenda liberal conservadora tende a se impor aos preceitos democráticos.Resumo em Inglês: Abstract This article presents an analysis of the 2017 National Primary Care Policy (PNAB) as part of the broader context of the dismantling of Brazilian democracy. With the liberal paradigm of fiscal austerity at its core, the changes made to national guidelines were aimed at undermining the federal government’s authority to coordinate Primary Health Care (PHC) policies. The Ministry of Health’s (MH) reduced role in establishing national standards reflects an intentional shift towards enhancing municipal autonomy in policy implementation. By mapping the involved stakeholders and political entities, this study examines the implications of the changes introduced since the 2011 PNAB. It is argued that the 2017 PNAB promotes a more restrictive understanding of PHC by creating direct and indirect incentives for the establishment of traditional Basic Care teams, thereby diminishing the role of the Family Health Strategy (ESF) as a tool for expanding and consolidating PHC across the country. In conclusion, this paper argues that federal oversight of health policy is a crucial political and programmatic factor in advancing the authority of the Unified Health System (SUS), while a conservative liberal agenda risks undermining democratic principles. |
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Artigo Original Cosmopolíticas do cuidado: entrevista com José Miguel Nieto Olivar Oliveira, Kris Herik de Fama, Camila Montagner Olivar, José Miguel Nieto Resumo em Português: Resumo Nesta entrevista concedida à Revista Saúde e Sociedade, o Prof. Dr. José Miguel Nieto Olivar reflete sobre usos do conceito de “cosmopolítica” no projeto-rede “Cosmopolíticas do Cuidado no fim-do-mundo: gênero, fronteiras e agenciamentos pluriepistêmicos com a saúde pública”, inspirado pela filósofa Isabelle Stengers e um coletivo de pensadores/as e interlocutores/as. Explora as possibilidades de integrar perspectivas interseccionais e descoloniais no campo da saúde pública, em contextos marcados por desigualdades e exclusões. Olivar enfatiza a importância de incorporar múltiplos saberes, experiências e práticas de cuidado, desafiando as fronteiras ontológicas e epistemológicas da modernidade. Aborda como a cosmopolítica tensiona noções tradicionais de saúde pública e amplia a compreensão do cuidado, conectando-a a processos pluriespistêmicos, multissituados e colaborativos. Destaca a relevância de incorporar perspectivas feministas, indígenas, negras e LGBTQIAPN+ para repensar as noções de cuidado e saúde em contextos de crise planetária e institucionais, com foco especial nas territorialidades sul-americanas e amazônidas. Apresenta os primeiros resultados e desafios do projeto, com ampliação de suas abordagens e diálogos gerados por meio de práticas etnográficas e interdisciplinares. Vislumbra o potencial transformador dessas reflexões para a saúde pública, conectando saberes locais e coletivos para reimaginar práticas e políticas em um contexto de multiplicidade e turbulência.Resumo em Inglês: Abstract In this interview to the journal Saúde e Sociedade, Professor José Miguel Nieto Olivar reflects on the uses of the concept of “cosmopolitics” within the collaborative research project “Cosmopolitics of care at the end of the world: gender, borders, and pluri-epistemic assemblages with public health”. Drawing inspiration from philosopher Isabelle Stengers and a network of scholars and interlocutors, the project explores the integration of intersectional and decolonial perspectives into public health, particularly in contexts marked by structural inequality and exclusion. Olivar underscores the importance of incorporating diverse knowledge, experiences, and care practices, challenging the ontological and epistemological boundaries of modernity. He discusses how cosmopolitics reconfigures traditional understandings of public health and expands the notion of care through multi-sited, collaborative, and pluriepistemic approaches. The interview highlights the relevance of feminist, Indigenous, Black, and LGBTQIAPN+ perspectives in reimagining care and health in the face of planetary and institutional crises, with special attention to South American and Amazonian territorialities. Olivar also shares preliminary results and challenges of the project, emphasizing the role of ethnographic and interdisciplinary practices in generating new forms of dialogue and action. He envisions the transformative potential of these reflections for public health, advocating for the reconnection of local and collective knowledges to rethink care and policy in times of complexity and uncertainty. |
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Artigo Original Itinerários terapêuticos de mulheres com ideação e tentativa de suicídio: gênero como categoria analítica Dantas, Eder Samuel Oliveira Meira, Karina Cardoso Amorim, Karla Patricia Cardoso Resumo em Português: Resumo Mulheres com ideação e tentativa de suicídio frequentemente recorrem a serviços de saúde em busca de cuidado em saúde mental. No entanto, seus percursos terapêuticos são atravessados por questões de gênero que demandam aprofundamento. Este estudo tem como objetivo compreender os itinerários terapêuticos de mulheres com ideação e tentativa de suicídio na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), a partir da categoria analítica de gênero. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, fundamentada em uma abordagem hermenêutica e dialética. Foram realizadas entrevistas com dez mulheres, que relataram suas experiências na busca por cuidado durante episódios de ideação e tentativa de suicídio. Os achados evidenciam a diversidade de serviços de saúde acessados e os atravessamentos de gênero presentes nesses atendimentos. Além disso, observouse que a busca por cuidado ultrapassou os limites institucionais dos serviços de saúde, o que contribui para a compreensão dos processos de ressignificação do sofrimento vivenciado por essas mulheres. Nesse sentido, compreender os itineários terapêuticos dessas mulheres a partir da perspectiva de gênero possibilitou uma análise sobre as barreiras, desafios e estratégias de cuidado, contribuindo para o aprimoramento das políticas e práticas na atenção à saúde mental.Resumo em Inglês: Abstract Women with suicidal ideation and attempts often turn to healthcare services in search of mental health care. However, their therapeutic pathways are shaped by gender-related issues that require further exploration. This study aims to understand the therapeutic itineraries of these women within the Psychosocial Care Network (acronym in Portuguese – RAPS), using gender as an analytical category. It is a qualitative study based on a hermeneutic and dialectical approach. Interviews were conducted with ten women who shared their experiences seeking care during episodes of suicidal ideation and attempts. The findings highlight the diversity of healthcare services accessed and the gender-related dynamics present in these encounters. Additionally, it was observed that the search for care extended beyond institutional healthcare services, contributing to a deeper understanding of how these women redefined the suffering associated with suicidal ideation and attempts. In this sense, analyzing their therapeutic pathways through a gender perspective allowed for a critical examination of barriers, challenges, and care strategies, contributing to the improvement of mental health policies and practices. |
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Ensaio Uso de evidências científicas nas decisões em políticas de saúde: apontamentos sobre ontologia Reis, Regimarina Soares Ogata, Márcia Niituma Resumo em Português: Resumo O uso de evidências científicas na formulação e implementação de políticas tem se consolidado internacionalmente como um princípio orientador para a tomada de decisão em saúde. Em meio a discussões sobre a sustentabilidade de sistemas de saúde e ao contexto de múltiplas crises, torna-se imperativo um olhar crítico para esse debate. Neste ensaio, realizamos apontamentos crítico-reflexivos iniciais sobre o contexto da produção de conhecimentos nos marcos da ciência moderna e acerca do uso de evidências científicas nas decisões em políticas de saúde. Utilizamos como referencial teórico-metodológico e ontológico o materialismo histórico-dialético e o realismo crítico; e, como subsídio para o debate, realizamos revisão rápida da produção científica no tema. Foram discutidos elementos do paradigma científico dominante, que negligencia as bases ontológicas da ciência como práxis sócio-histórica; o panorama da produção em políticas informadas por evidências na América Latina, seus avanços e ajustamento a métodos e técnicas; e o realismo crítico como alternativa capaz de sustentar o caráter social da ciência e a existência de uma realidade objetiva independente da interpretação. A materialização da saúde como direito foi a imagem-objetivo de referência da discussão. Entendemos como necessário o deslocamento da ênfase em questões metodológicas e disputas epistemológicas para uma investida ontológica.Resumo em Inglês: Abstract The use of scientific evidence in the formulation and implementation of policies has become an internationally recognized guiding principle for decision-making in health. Amid discussions on the sustainability of health systems and the context of multiple crises, a critical perspective on this debate is imperative. In this essay, we present initial critical-reflective notes on the context of knowledge production within the framework of modern science and the use of scientific evidence in health policy decisions. We adopt historical-dialectical materialism and critical realism as theoretical, methodological, and ontological frameworks, supported by a rapid review of the scientific literature on the topic. We discuss elements of the dominant scientific paradigm, which neglects the ontological foundations of science as a socio-historical praxis; the landscape of evidence-informed policy production in Latin America, its advancements, and its emphasis on methods and techniques; and critical realism as an alternative capable of supporting the social character of science and the existence of an objective reality independent of interpretation. The realization of health as a right served as the guiding objective-image for the discussion. We argue for the necessity of shifting the emphasis from methodological concerns and epistemological disputes to an ontological approach. |
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Revisão crítica da literatura Por uma abordagem crítica à racialidade na saúde coletiva: um debate sobre a produção de conhecimento em relações raciais na saúde Santos Junior, José Farias dos Marques, Maria Cristina da Costa Resumo em Português: Resumo Tomando como base perspectivas teóricas e sociopolíticas que emergem dos pensamentos negros radicais e estudos críticos raciais presentes, neste artigo buscamos realizar uma análise crítica à abordagem, epistemológica e política, à racialidade no campo da saúde coletiva na atualidade, partindo do cenário de ausência das perspectivas negras no processo de constituição do campo da saúde coletiva. Realizamos uma revisão de literatura, delineada a partir de procedimentos de revisão sistemática, objetivando a coleta apenas de estudos que tratem da temática racial. Definimos um recorte temporal de análise de trabalhos publicados nos três anos anteriores ao estudo (2022-2024), e optamos pela análise apenas da revista Saúde e Sociedade, por seu enfoque interdisciplinar e por compreendermos que suas publicações possuem um importante potencial de impacto e influência na circulação de ideias no campo. Assim, trazemos contribuições críticas e teóricas contundentes, em razão da quantidade ínfima de estudos encontrados e da ausência de um debate que leve em conta a complexidade da questão racial, que contribui para a demanda de uma reorganização sociopolítica e epistemológica no seio do processo de reflorestamento das perspectivas do campo frente aos atuais desafios do SUS.Resumo em Inglês: Abstract Based on the theoretical and socio-political perspectives that emerge from radical black thought and critical racial studies, this article seeks to carry out a critical analysis of the epistemological and political approach to raciality in the field of public health today, starting from the scenario of the absence of black perspectives in the process of constituting the Brazilian public health field. We carried out a literature review, based on systematic review procedures, with the aim of collecting only studies dealing with racial issues. We defined a time frame for analyzing works published in the three years prior to the study (2022-2024), and we chose to analyze only the journal Saúde e Sociedade, owing to its interdisciplinary focus and because we understand that its publications have an important potential impact and influence on the circulation of ideas in the field. Nonetheless, this study has made significant critical and theoretical contributions, given the small number of studies found and the lack of a debate that considers the complexity of the racial issue, which contributes to the demand for a socio-political and epistemological reorganization within the process of reforesting the field’s perspectives in the face of the current challenges of the SUS. |
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Revisão Crítica de Literatura Cidadania alimentar: panorama da produção científica e relação com suas dimensões constitutivas Silva, Gustavo Pinto da Lozano-Cabedo, Carmen Resumo em Português: Resumo A cidadania alimentar representa uma abordagem teórica e prática que põe em evidência o comportamento dos atores que apoiam, em vez de ameaçar, sistemas alimentares mais democráticos, social e economicamente justos e ambientalmente sustentável. Além do direito social a uma alimentação, o conceito ampliado reclama as obrigações e responsabilidades, destacadas em oito dimensões constitutivas da cidadania alimentar. O objetivo deste artigo é explorar a produção científica em língua inglesa sobre o tema nos últimos anos e identificar como as dimensões constitutivas vêm sendo estudadas. A investigação adotou uma abordagem híbrida sistemático-narrativa em publicações realizadas entre 2017 e 2023, período definido a partir do marco teórico de Lozano-Cabedo e Gómez-Benito (2017), que redefine o conceito de cidadania alimentar em sua formulação ampliada. As principais palavras-chave identificadas foram a própria cidadania alimentar, a sustentabilidade, a democracia alimentar, a insegurança alimentar e a literacia alimentar. Todas as dimensões constitutivas são abordadas, seja como elementos associados à alternatividade do objeto de estudo, seja como objeto direto de análise, destacandose o reconhecimento do direito a uma alimentação suficiente, saudável e de qualidade; o reconhecimento de todos como sujeitos da cidadania; a manifestação da cidadania nas esferas privadas e públicas; e a governança da cidadania alimentar.Resumo em Português: Resumo A cidadania alimentar representa uma abordagem teórica e prática que põe em evidência o comportamento dos atores que apoiam, em vez de ameaçar, sistemas alimentares mais democráticos, social e economicamente justos e ambientalmente sustentável. Além do direito social a uma alimentação, o conceito ampliado reclama as obrigações e responsabilidades, destacadas em oito dimensões constitutivas da cidadania alimentar. O objetivo deste artigo é explorar a produção científica em língua inglesa sobre o tema nos últimos anos e identificar como as dimensões constitutivas vêm sendo estudadas. A investigação adotou uma abordagem híbrida sistemático-narrativa em publicações realizadas entre 2017 e 2023, período definido a partir do marco teórico de Lozano-Cabedo e Gómez-Benito (2017), que redefine o conceito de cidadania alimentar em sua formulação ampliada. As principais palavras-chave identificadas foram a própria cidadania alimentar, a sustentabilidade, a democracia alimentar, a insegurança alimentar e a literacia alimentar. Todas as dimensões constitutivas são abordadas, seja como elementos associados à alternatividade do objeto de estudo, seja como objeto direto de análise, destacandose o reconhecimento do direito a uma alimentação suficiente, saudável e de qualidade; o reconhecimento de todos como sujeitos da cidadania; a manifestação da cidadania nas esferas privadas e públicas; e a governança da cidadania alimentar.Resumo em Inglês: Abstract Food citizenship represents a theoretical and practical approach that highlights the behavior of actors who support, rather than threaten, more democratic, socially and economically just, and environmentally sustainable food systems. Beyond the social right to food, the expanded concept emphasizes obligations and responsibilities, articulated through eight constitutive dimensions of food citizenship. This article aims to explore the scientific literature published in English on the topic in recent years and to identify how these constitutive dimensions have been addressed. The study adopted a hybrid systematic-narrative approach, including publications from 2017 to 2023, a period delimited based on the theoretical framework proposed by Lozano-Cabedo and Gómez-Benito (2017), which redefines the concept of food citizenship in its expanded formulation. The main keywords identified were food citizenship itself, sustainability, food democracy, food insecurity, and food literacy. All constitutive dimensions are addressed, either as elements associated with the alternativity of the object of study or as direct objects of analysis, with emphasis on the recognition of the right to sufficient, healthy, and quality food; the recognition of all as subjects of citizenship, the manifestation of citizenship in private and public spheres, and the governance of food citizenship. |
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Entrevista “Não banalizem. Não vacilem” - Uma entrevista com Sueli Carneiro pelo Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus Carneiro, Sueli Santos, Beatriz Oliveira Silva, Paulo Ricardo de Souza Silva, Amanda Sousa, Nataly Silva, Leticia Resumo em Português: Resumo Em 2022, o Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus (CNCMJ) da Faculdade de Saúde Pública da USP entrevistou a filósofa e ativista Sueli Carneiro, encerrando seu ciclo de eventos do Outubro Negro. Doutora em Educação pela USP e fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, Sueli compartilhou sua trajetória no movimento negro, no feminismo e na academia, ressaltando a necessidade da organização coletiva para enfrentar o epistemicídio. Ao revisitar o contexto histórico de surgimento do feminismo negro no Brasil, destacou a centralidade da figura de Lélia Gonzalez, bem como a importância da crítica ao feminismo hegemônico branco. Alertou sobre os riscos do ativismo desarticulado e defendeu a urgência da organização coletiva para o avanço político. A filósofa também abordou o epistemicídio como prática estrutural que nega às populações negras a condição de sujeitos de conhecimento, ressaltando o impacto das cotas raciais na transformação do espaço universitário. No campo da saúde, destacou a relevância de pesquisadoras negras que vêm contribuindo para o debate acerca da saúde da população negra. O encontro reforçou a potência do CNCMJ em visibilizar saberes e lutas negras no espaço acadêmico e na saúde pública brasileira.Resumo em Inglês: Abstract In 2022, the Carolina Maria de Jesus Black Collective (CNCMJ) of the USP Faculty of Public Health interviewed philosopher and activist Sueli Carneiro, concluding its Black October events cycle. Sueli, who holds a Ph.D. in education from USP and is the founder of Geledés—Instituto da Mulher Negra (Geledés— Institute of Black Women), shared her experiences in the black movement, feminism, and academia, emphasizing the need for collective organization to confront epistemicide. Revisiting the historical context of the emergence of black feminism in Brazil, she highlighted the centrality of figure of Lélia Gonzalez, as well as the importance of criticizing hegemonic white feminism. She warned about the risks of disjointed activism and defended the urgency of collective organization for political advancement. The philosopher also addressed epistemicide as a structural practice that denies black populations the status of subjects of knowledge, highlighting the impact of racial quotas on the transformation of the university space. In the field of health, she highlighted the relevance of black female researchers who have contributed to the debate on the health of the black population. The meeting reinforced the power of the CNCMJ (National Council of Black Women) in making black knowledge and struggles visible in the academic space and in Brazilian public health. |
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