Este artigo tem como ponto de partida a ideia de filmar para cima, contextualizando tanto a antropologia visual quanto a história do documentário. Em primeiro lugar, apresentamos uma breve análise da produção audiovisual sobre as elites, a fim de refletir sobre a forma como são retratadas e como isso seja de relevante interesse para os estudos antropológicos. Considerando a categoria de infraestrutura de produção, focalizaremos na cena cinematográfica da cidade de Recife (Brasil), destacando como ela possibilitou a produção de documentários que retratam as elites. As desigualdades sociais dentro e fora da infraestrutura de produção cinematográfica permitiram a afirmação de vários cineastas que, implicitamente, contestaram esta ordem pós-colonial através da sua produção centrada em grupos com poder. A análise mostrará que os filmes são ferramentas potenciais para a criação de comunidades efêmeras, permitindo o confronto crítico entre grupos sociais separados. Além disso, destacamos o modo como estas práticas de produção colocam potencialmente em tensão a teoria antropológica visual, forçando-a a reconsiderar tanto as práticas de trabalho de campo visual como a forma linguística dominante que circula nos festivais e nas instituições de ensino.
Palavras-chave:
Etnografia; visual; elites; Recife; Brasil
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