Este artigo trata das condições sociais de produção artística no campo da arte brasileiro no início dos anos 1980, analisando tanto a gênese da controversa categoria Geração 80, quanto o estado do campo de então. Primeiro, reconstituímos a emergência dessa categoria em relação aos produtores recém-chegados ao campo que ela classificava, estabelecendo contrastes entre as tomadas de posição dos jovens artistas a ela associados e os modos de atuação dos artistas que ingressaram no campo anteriormente. Para não nos restringirmos ao espaço nacional, reconstituímos também a circulação internacional da voga artística do período no Brasil, o suposto retorno à pintura, que, por sua vez, se dá de diferentes maneiras devido às especificidades dos campos da arte carioca e paulista. Argumentamos que a gênese e o sentido da Geração 80 são produto dessa circulação internacional, condicionante das tomadas de posição de artistas e críticos no espaço nacional. Em seguida, analisamos uma das mudanças estruturais do campo que viabiliza o início das carreiras de artistas da tal Geração 80, a saber, a emergência de outros novos agentes: os galeristas de arte contemporânea. São esses outros recém-chegados ao campo que contribuem com a inserção e o sucesso precoces dos jovens artistas que iniciaram suas trajetórias durante o início da abertura política e econômica que se consolidaria no país no decorrer da década.
Palavras-chave
Artes visuais; Geração 80; Sociologia da Arte; Sociologia da Cultura