Open-access Uma viagem controversa: Maurício Oscar da Rocha e Silva e a Travel Grant da Fundação Rockefeller (1958-1959)

A Controversial Trip: Maurício Oscar da Rocha e Silva and the Rockefeller Foundation Travel Grant, 1958-1959

Un viaje controvertido: Maurício Oscar da Rocha e Silva y la Travel Grant de la Fundación Rockefeller (1958-1959)

RESUMO

Este artigo examina as atividades de Maurício Oscar da Rocha e Silva, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, no período em que foi bolsista da Fundação Rockefeller, de 1958 a 1959. Para tanto, foram consultadas correspondências e relatórios disponíveis no Rockefeller Archive Center e no Centro de Memória da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Partindo dos apontamentos teórico-metodológicos de Bruno Latour e Kapil Raj, investigam-se as negociações, controvérsias e assimetrias que possibilitaram a Rocha e Silva viajar a 13 países, situados na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina. A partir de um plano de trabalho que não era estritamente compatível nem com os planos iniciais do pesquisador nem com a proposta da Rockefeller, veremos como Rocha e Silva mesclou diferentes estilos de pesquisa e ensino médico em sua viagem e, também, em seu laboratório, situado no interior paulista.

Palavras-chave:
Fundação Rockefeller; Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto; História das Ciências no Brasil; História das Ciências; História das Ciências na América Latina

ABSTRACT

This article analyzes the activities of Ribeirão Preto School of Medicine Professor Maurício Oscar da Rocha e Silva from 1958 to 1959, the period in which he was awarded a Rockefeller Foundation scholarship. Based on correspondence and reports available at the Rockefeller Archive Center and the Memory Center of the Brazilian Society for the Advancement of Science and the theoretical and methodological reflections of Bruno Latour and Kapil Raj, this study investigates the negotiations and asymmetries that enabled Rocha e Silva to travel to thirteen countries in Europe, the United States and Latin America. Starting with a work plan that did not strictly align with either the researcher’s initial plans or Rockefeller’s proposal, this article examines how Rocha e Silva combined different styles of medical research and teaching during his trip and in his laboratory in the interior of São Paulo.

Keywords:
Rockefeller Foundation; Ribeirão Preto Medical School; History of Science in Brazil; History of Sciences; History of Sciences in Latin America

RESUMEN

Este artículo examina las actividades de Maurício Oscar da Rocha e Silva, profesor de la Facultad de Medicina de Riberão Preto, en el periodo en que fue becario de la Fundación Rockefeller, entre 1958 y 1959. Así, se consultaron correspondencias y informes disponibles en el Rockefeller Archive Center y en el Centro de Memoria de la Sociedad Brasileña para el Progreso de la Ciencia. Partiendo de la premisa teórico-metodológica de Bruno Latour y Kapil Raj, se investigan las negociaciones, controversias y asimetrías que hicieron posible que Rocha e Silva viajara a trece países, localizados en Europa, Estados Unidos y América Latina. A partir de un plan de trabajo que no era estrictamente compatible ni con los proyectos iniciales del investigador y ni con la propuesta de la Fundación Rockefeller, veremos cómo Rocha e Silva mezcló diferentes estilos de investigación y enseñanza médica en su viaje, y también en su laboratorio, ubicado en el interior paulista.

Palabras clave:
Fundación Rockefeller; Facultad de Medicina de Ribeirão Preto; Historia de las Ciencias en Brasil; Historia de las Ciencias; Historia das Ciencias en América Latina

Este artigo apresenta as atividades de Maurício Oscar da Rocha e Silva (1910-1984), professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, no período em que foi bolsista da Fundação Rockefeller, de 1958 a 1959. Nesse momento, o brasileiro realizou uma viagem de estudos de quatro meses, visitando centros de estudo em 13 países, situados na Europa e nas Américas. A partir das negociações, controvérsias e assimetrias que permitiram a Rocha e Silva efetivar essa experiência internacional, será discutido como, apesar da proeminência norte-americana no financiamento de cientistas e instalações da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, estilos1 de pesquisa empregados em instituições europeias e latino-americanas também foram estimulados por seus docentes, na passagem para a década de 1960.

Maurício Oscar da Rocha e Silva se formou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1933. Ingressou no Instituto Biológico de São Paulo em 1937, onde atuou por 20 anos. Após 1942, chefiou a recém-criada Seção de Bioquímica e Farmacodinâmica, primeiro laboratório da instituição especializado em Farmacologia2. Neste período, realizou trabalhos com Wilson Beraldo, Gastão Rosenfeld, Eline Leal Prado e Sylvia Andrade, identificando um novo agente farmacológico, a Bradicinina, com ação vasodilatadora (Bonaventura, 2024a, p. 1). Além disso, Rocha e Silva mantinha comunicações com instituições científicas estadunidenses, canadenses, europeias e latino-americanas, que resultaram de estágios internacionais na década de 1940.

O pesquisador viajou aos Estados Unidos pela primeira vez, entre 1940 e 1942, com bolsa da Fundação Guggenheim, frequentando instituições de pesquisa na Costa Leste e Meio-Oeste, dentre as quais se destaca o Departamento de Química do Rockefeller Institute for Medical Research3. Nesse momento, estabeleceu os primeiros contatos com a Fundação Rockefeller e o modelo de pesquisa biomédica por ela estimulado, que incluía trabalhos em fisiologia, farmacologia, microbiologia e bioquímica. Tais parâmetros passaram a compor o estilo de pesquisa do pesquisador após seu retorno, sendo transformados de acordo com demandas locais.

Em 1957, Rocha e Silva se tornou professor e chefe do Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, vinculada à USP (FMRP-USP), instituição na qual permaneceu até se aposentar em 19804. Nesse período na carreira, aproximou-se do tema do ensino médico, que se tornou central nas negociações para a obtenção da bolsa Rockefeller entre 1958 e 1959.

A atividade da Fundação Rockefeller na América Latina, estimulando determinado modelo de pesquisa e ensino das áreas médicas, foi amplamente discutida pela bibliografia, que atualmente aborda como as instituições latino-americanas manejaram e transformaram os saberes oriundos dos Estados Unidos (Batista, 2025; Batista; Bonaventura; Francisco, 2024; Marques, 2021; Ramacciotti, 2019). Nesse sentido, Marcos Cueto e Steven Palmer (2016) analisam como, desde as décadas iniciais do século XX, as ações de especialistas vinculados à Fundação foram viabilizadas a partir da ativa participação de pesquisadores latino-americanos como Carlos Monge Medrano (Peru), Bernardo Houssay (Argentina) e Arturo Rosenblueth (México).

Sobre as atividades da Rockefeller no ensino médico paulista, Maria Gabriela Marinho (2005; 2013) analisa a Fundação como parte de um processo de modernização, iniciado em meados de 1910. Nesse momento, foram concedidas bolsas para treinamento de brasileiros nos Estados Unidos, bem como financiamentos às Faculdades de Medicina de São Paulo, buscando ampliar a influência norte-americana no ensino médico. Na década de 1950, tal modelo de formação foi particularmente estimulado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, onde se estabeleceu uma formação vinculada à pesquisa básica, com número limitado de alunos, laboratórios especializados e professores em dedicação exclusiva (Marinho et al., 2024, p. 57).

Ao mesmo tempo que se destaca a rigidez dos financiamentos da Rockefeller, evidencia-se como os membros da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto estabeleceram relações complexas e de negociação com os correspondentes norte-americanos. A partir das atividades de Zeferino Vaz, reitor da Faculdade desde sua criação até 1964, analisa-se como as propostas oficialmente enviadas dos Estados Unidos foram constantemente ressignificadas e transformadas (Marinho et al., 2024, p. 74).

Nesse sentido, estudar trajetórias de bolsistas Rockefeller expõe as fissuras que compunham o cotidiano da Fundação na América Latina, apresentando a ação de beneficiários que não se enquadravam nos planos de carreira traçados previamente (Batista; Porto; Ferreira, 2023, p. 91). Tal dinâmica se expressa no percurso de Augusto Tito de Morais, que atuava em Moçambique e recebeu uma bolsa para treinamento nos Estados Unidos em 1961 (Batista; Porto; Ferreira, 2023). Os projetos de Robert Watson, responsável pelo programa de bolsas para América Latina, previam a posterior integração do cientista à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto ou de Belo Horizonte. Entretanto, preocupações pessoais levaram Tito de Morais a se inserir na Organização Mundial da Saúde em 1964 (Batista; Porto; Ferreira, 2023).

Assim como na trajetória de Rocha e Silva, mudanças ou desvios nos planos dos bolsistas compunham o cotidiano das negociações entre latino-americanos e a Rockefeller. Tal como os autores(as) citados(as), este texto utilizará a trajetória de Maurício Oscar da Rocha e Silva para apresentar as tensões, negociações e remanejamentos que permitiram ao brasileiro obter a bolsa de estudos da Rockefeller e, ao mesmo tempo, estabelecer contatos com modelos de ensino e experiências que extrapolavam o ambiente norte-americano.

Partindo dos apontamentos de Bruno Latour (2012), analisaremos a viagem de Rocha e Silva como evento controverso, do qual emerge um plano de viagem híbrido, que não era estritamente compatível nem com os planos iniciais do pesquisador nem com a proposta da Rockefeller. Para tanto, analisam-se os relatórios, cartas e a ficha de inscrição anexadas ao Dossiê Travel Grant, disponível no Rockefeller Archive Center5. Além disso, serão abordadas correspondências levantadas em acervos nacionais6. Também nos interessa compreender, em diálogo com Kapil Raj (2015), as assimetrias que permearam tanto a negociação de Rocha e Silva com os interlocutores norte-americanos quanto os relatos sobre as instituições latino-americanas.

Compreende-se a crítica de Kapil Raj (2015) a Bruno Latour (2012), mencionando como esse último conferiria demasiada atenção ao laboratório e institutos de pesquisa europeus. O recurso aos dois autores como aporte teórico metodológico se justifica, pois ao mesmo tempo que Raj expõe as dinâmicas e assimetrias presentes na circulação e transformação do conhecimento, a perspectiva de Latour permite analisar a potencialidade das controvérsias científicas e, também, das estratégias mobilizadas na formação de alianças e efetivação de projetos.

Veremos como, além do modelo de pesquisa e ensino realizados nos Estados Unidos, outros estilos de investigação e docência foram valorizados por Rocha e Silva entre 1958 e 1959. Adiante, abordaremos as negociações que precederam a realização da viagem. Em seguida, analisaremos o itinerário do brasileiro e suas impressões ao frequentar numerosos institutos de pesquisa situados na Europa, Estados Unidos e América Latina.

Estilos de pesquisa e ensino médico: a obtenção da Travel Grant

Desde a década de 1940, Maurício Oscar da Rocha e Silva estabeleceu contatos internacionais que extrapolaram as instituições e faculdades dos Estados Unidos. O pesquisador realizou trabalhos no Canadá e no Reino Unido, entre 1946 e 1947, recebendo financiamento, respectivamente, da Brazil-Canadá Foundation e do British Council7. Neste momento, aproximou-se de estilos de fazer pesquisas que, de acordo com o brasileiro, destoavam da dinâmica observada nos Estados Unidos.

Durante o período em que foi bolsista Guggenheim, Rocha e Silva se familiarizou com institutos formados por grandes equipes, cujos integrantes seriam altamente especializados, realizando experimentos em linha de produção8. Em Londres, aproximou-se de uma rede internacional de cientistas que se organizava a partir de outros critérios. Os chefes atuavam de modo mais isolado, mobilizava-se um arsenal menor de equipamentos e menos autores(as) eram citados em artigos9. Tal dinâmica se mostrou estratégica ao brasileiro, que chefiava no Instituto Biológico um laboratório formado, majoritariamente, por estagiários temporários. Além disso, a observação dos laboratórios canadenses demonstrou a possibilidade de misturar estilos de investigação empregados no Reino Unido, nos Estados Unidos e na França (Oliveira, 2024).

Diante de diferentes maneiras de organizar a pesquisa, Rocha e Silva mesclou estratégias para favorecer suas atividades no Instituto Biológico. Após a estadia no Reino Unido, frequentou regularmente os congressos internacionais na área de fisiologia, como o XVIII Congresso Internacional de Fisiologia, em Copenhague, no qual conheceu Ulf von Euler, professor de fisiologia do Karolinska Institutet, de Estocolmo10, que recebeu o brasileiro para uma estadia como professor visitante de 1952 a 195311.

Rocha e Silva tentou financiar a viagem à Suécia com recursos da Fundação Rockefeller. Para averiguar essa possibilidade, escreveu a Harry Miller, que no período atuava como Diretor Associado na Divisão de Ciências Naturais e Agricultura, estabelecendo contato com bolsistas e intermediando pedidos de subsídios para a América Latina. O brasileiro mencionou que em Estocolmo aprofundaria os estudos sobre Bradicinina, que seriam apresentados no XIX Congresso Internacional de Fisiologia (1953), em Montreal. Além disso, no caminho de volta, visitaria instituições britânicas e norte-americanas, ressaltando as reverberações institucionais dessa etapa da viagem, que envolviam a instalação de um laboratório radioisótopos, anexo à Seção de Bioquímica e Farmacodinâmica:

Há outro motivo que justifica essa solicitação. Com a Sylvia [Andrade], estamos montando uma seção de radioisótopos no subsolo do nosso Instituto (...). Eu certamente aproveitaria a viagem pela Suécia, possivelmente pela Inglaterra e retornando pelos Estados Unidos para me familiarizar com detalhes das técnicas de radioisótopos12.

Em Estocolmo seriam realizados trabalhos em bioquímica, área de pesquisa estimulada pela Rockefeller e com a qual Rocha e Silva se familiarizou em Nova York. Entretanto, o projeto de viagem do brasileiro posicionava as instituições norte-americanas de modo marginal, sendo visitadas somente no retorno ao Brasil. Tal proposta divergia dos projetos da Fundação, que, desde a década de 1940 e principalmente durante a Guerra Fria, ansiavam fortalecer vínculos entre instituições de pesquisa dos Estados Unidos e na América Latina, compondo uma rede internacional de fisiologistas (Cueto, 2015). Sendo assim, o pedido do brasileiro não recebeu o apoio de Harry Miller13. A viagem para Estocolmo foi financiada com recursos nacionais, obtidos junto ao recém-instalado Conselho Nacional de Pesquisas14.

Diferentemente da Fundação Guggenheim, a Rockefeller não investia em projetos individuais, pautando-se em acordos prévios com instituições de pesquisa e ensino (Marinho et al., 2024). Tal dinâmica explica a estratégia de Rocha e Silva em vincular sua viagem de estudos à instalação de um novo laboratório, anexo à Seção de Bioquímica e Farmacodinâmica. Porém, analisando as bolsas concedidas pela Fundação ao Instituto Biológico, entre 1949 e 195415, evidencia-se outro motivo pelo qual o pedido não foi atendido. Os subsídios oferecidos à instituição se vinculavam ao programa Natural Sciences and Agriculture, que visava treinar pessoal e promover estudos no setor agrícola (Heinz; Korndörfer; Brum, 2022). Desse modo, o estudo da Bradicinina, agente farmacológico pensado em suas potencialidades medicinais, não encontrou respaldo nos acordos institucionais costurados entre a Rockefeller e o Instituto Biológico.

Além das atividades agrícolas, a modernização da educação médica também recebeu atenção da Fundação após a Segunda Guerra Mundial (Batista; Porto; Ferreira, 2023). Tal dinâmica se mostrou vantajosa para Rocha e Silva que, em 1957, ingressou como professor na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. A instituição recebeia consistentes financiamentos da Rockefeller, cujo objetivo era transformá-la em parâmetro para a América Latina, tal qual o instituto Johns Hopkins nos Estados Unidos (Marinho et al., 2024, p. 55). Tais subsídios se inseriam no programa de Medical Sciences, de modo que o docente encontraria um ambiente institucional favorável à obtenção de uma bolsa.

Em consequência da sociabilidade estabelecida com institutos de pesquisa europeus, iniciada em 1946 e robustecida em 1952, Rocha e Silva foi convidado por Bernard Halpern, do Institut National d’Hygiène, da França, para o III Congresso Internacional de Alergologia, que ocorreria em 1958, na cidade de Paris16. A fim de aceitar o convite, o brasileiro mobilizou contatos pessoais e institucionais, visando a obtenção de subsídios para a nova viagem à Europa. Assim como outros pesquisadores latino-americanos, Rocha e Silva articulou diferentes fontes de financiamento para realizar suas atividades internacionais. Em carta a Anísio Teixeira, em julho de 1958, apresentou a proposta de viajar para o Congresso e estender a estadia a centros de pesquisa e ensino na Alemanha, Suíça e Itália17.

Após a contratação na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, o tema do ensino médico apareceu pela primeira vez nos pedidos de verba de Rocha e Silva. Como veremos adiante, a escolha dos países e institutos visitados advém da experiência pregressa do pesquisador. No caso das localidades de língua germânica – Alemanha e Suíça –, cabe ressaltar as relações entre esses espaços de pesquisa e a formação do pesquisador.

Durante 12 dos 20 anos em que atuou no Instituto Biológico, a instituição foi coordenada por Henrique da Rocha Lima, cuja conexão com instituições de pesquisa germanófonas era particularmente estimulada18. Em análise dos artigos publicados por Rocha e Silva nos primeiros cinco anos de sua carreira, entre 1933 e 1938, ressalta-se a consistente elaboração de artigos em alemão e francês. As primeiras produções anglófonas do cientista datam de 1939, ano que antecedeu seu primeiro estágio nos Estados Unidos. Desse modo, ao mesmo tempo que Rocha e Silva atuava em consonância com o estilo norte-americano de investigação, os contatos com instituições europeias não foram abandonados, sendo fortalecidos após a viagem a Estocolmo em 1952.

A fim de averiguar o interesse da Rockefeller em financiar a viagem à Europa, Rocha e Silva escreveu em 15 de julho para Ernani Braga, cujas correspondências demonstram consistentes relações com as atividades da Rockefeller no Rio de Janeiro. Neste momento, o docente de Ribeirão Preto preferiu se comunicar diretamente com um colega brasileiro, que intermediaria as negociações com o então secretário geral Robert Watson, responsável pelo programa de bolsas na América Latina (Batista; Porto; Ferreira, 2023, p. 78). Novamente, os institutos europeus, principalmente alemães, foram mencionados como modelos que poderiam ser seguidos no Brasil:

Reservaria um mês e meio para a Alemanha: Munique, Göttingen, Frankfurt e Düsseldorf, onde gostaria de observar métodos utilizados para o ensino de farmacologia e novos métodos, também de eletro-fisiologia, aplicados à farmacologia. Evidentemente, essa visita à Alemanha vai permitir entrar em contato com colegas que trabalham em assuntos afins aos nossos. Caso seja viável o plano acima, enviarei detalhes sobre o meu programa de viagem, bem como uma proposta formal à Fundação Rockefeller19.

O plano de viagem de Rocha e Silva envolvia trazer novos métodos de ensino para a Faculdade de Ribeirão Preto, temática atrativa aos investimentos da Rockefeller. Entretanto, os locais que o brasileiro visitaria se mostravam controversos aos projetos da Fundação, que envolviam fortalecer instituições norte-americanas como parâmetros para o ensino médico. Nesse sentido, o caso da Travel Grant concedida à Zeferino Vaz em 1959 é emblemático, pois a viagem tinha como objetivo a participação na Second World Conference on Medical Education em Chicago, engajando o diretor no modelo de pesquisa e ensino empregado nos Estados Unidos (Marinho et al., 2024).

A ficha de inscrição apresentada pelo brasileiro para a obtenção da Travel Grant possui mudanças substanciais se comparadas à carta enviada a Ernani Braga. No pedido de bolsa, Rocha e Silva se propôs a acompanhar o ensino de farmacologia nos Estados Unidos e na América Latina, atividade que não foi mencionada anteriormente20. Tal requisição foi intermediada por Zeferino Vaz, que além de dialogar diretamente com os projetos da Rockefeller, dispunha de relevante papel como facilitador dos intercâmbios e alianças com a comunidade científica de São Paulo (Marinho et al., 2024). Em carta enviada em agosto de 1958, anexa ao pedido de inscrição, o diretor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto mediou os interesses do Rocha e Silva e da Fundação, constituindo, assim, um projeto de viagem híbrido:

O objetivo dessa visita aos Estados Unidos e América Latina, nos meses de janeiro a março de 1959, seria uma continuação no objetivo visado na viagem à Europa do prof. Rocha e Silva, isto é, entrar em contato com os principais centros de pesquisa e ensino da Farmacologia nos Estados Unidos e na América Latina. Ao fim dessa viagem, o prof. Rocha e Silva se propõe a elaborar um relatório comparativo do estado em que se encontra a pesquisa e o ensino da Farmacologia na América Latina em paralelo com o dos centros mais avançados da Europa e Estados Unidos da América do Norte. Conforme foi salientado nos entendimentos prévios, o auxílio da Fundação Rockefeller a partir de janeiro de 1959 será de grande utilidade para a viagem à Europa, porquanto as despesas de transporte serão aliviadas pelo auxílio de viagem da Fundação Rockefeller incorporado ao Travel Grant e constituirá um reembolso parcial da passagem à Europa21.

O subsídio da Fundação contribuiria para a viagem à Europa, cobrindo parte dos custos de transporte. Em contrapartida, as instituições norte-americanas e da América Latina seriam inseridas no itinerário de Rocha e Silva. Além disso, Vaz mencionou como a visita aos centros europeus proporcionaria mais um parâmetro de comparação, somando perspectivas ao relatório final enviado à Fundação. Os demais custos foram financiados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)22.

A Travel Grant, concedida para o ano de 1959, insere Rocha e Silva pela primeira vez entre os brasileiros financiados pela Rockefeller, já que as experiências internacionais anteriores foram financiadas pela Fundação Guggenheim ou agências nacionais. Neste momento, o currículo do pesquisador foi analisado e os avaliadores ponderam acerca de sua inserção tardia no ensino médico:

Rocha e Silva é considerado o maior farmacologista do Brasil, com um histórico de pesquisas produtivas nos últimos vinte anos. Apesar de ser livre-docente na Universidade do Brasil e na Universidade de São Paulo, ele nunca se envolveu em uma carreira de professor universitário até que seu vínculo atual se tornou efetivo em 195723.

Embora a apreciação exalte a qualidade e o volume da pesquisa de Rocha e Silva, as atividades junto ao ensino médico dispunham de maior validade para a Fundação. Se comparadas à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, as experiências no Instituto Biológico não possuíam a mesma relevância, uma vez que a instituição era classificada como espaço destinado ao programa Natural Sciences and Agriculture e, consequentemente, à elaboração de estudos e treinamentos no âmbito da agricultura. Desse modo, estratégias locais para a inserção institucional de pesquisas na área de Farmacologia, realizadas por Rocha e Silva em sua carreira pregressa, possuíam pouco destaque diante da trajetória esperada pela Rockefeller.

Ao contar com a Travel Grant e com bolsa concedida pela Capes, Rocha e Silva partiu em outubro de 1958 para a Europa, pretendendo chegar aos Estados Unidos após o Natal do mesmo ano. Como veremos adiante, o pesquisador frequentou diversas instituições de pesquisa e ensino médico, situadas na Europa, Estados Unidos e América Latina. Veremos as perspectivas de Rocha e Silva sobre os locais visitados, bem como o modo que o bolsista foi descrito por representantes da Fundação Rockefeller na América Latina após seu retorno.

Entre Europa, Estados Unidos e América Latina: conectar o Departamento de Farmacologia de Ribeirão Preto

Durante o período em que realizou a viagem, de outubro de 1958 a fevereiro de 1959, Maurício Oscar da Rocha e Silva visitou 13 países, frequentando 25 institutos de pesquisa situados na Europa, Estados Unidos e América Latina. Conforme exposto adiante, em ordem de visita:

Tabela 1
Instituições frequentadas por Rocha e Silva entre 1958 e 1959

A viagem financiada pela Travel Grant e pela Capes durou aproximadamente quatro meses; neste momento, Rocha e Silva estabeleceu contato com 69 pesquisadores, 10 em atividade na Europa, 31 nos Estados Unidos e 28 na América Latina. Dentre esses cientistas, o brasileiro mantinha correspondências prévias com 1924. A maioria dos interlocutores anteriores atuava em instituições europeias (nove), seguidos por estadunidenses (cinco) e latino-americanos (cinco). De acordo com carta enviada a Robert Watson, Rocha e Silva contou com a apresentação da Rockefeller apenas em Nova Orleans, Cidade do México e Cali25.

A variedade de países e instituições frequentadas em curto período de tempo pode ser compreendida a partir do estágio da carreira de Rocha e Silva em 1958. Embora os representantes da Rockefeller destacassem a entrada recente do bolsista no ensino médico, ele dispunha de 24 anos de experiência em pesquisa e três estágios internacionais. O brasileiro participou da fundação e da diretoria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e, também, compunha associações latino-americanas como a Asociación Latinoamericana de Ciencias Fisiológicas (ALACF). Sendo assim, Rocha e Silva não intencionava receber “treinamento” junto a instituições de ensino, mas sim mobilizar as parcerias tramadas nos anos anteriores e reunir a maior quantidade possível de alianças para o Departamento de Farmacologia.

A viagem para a Europa foi iniciada pela Espanha, onde o brasileiro foi convidado por Lorenzo Velasquez, da Universidad de Madri, para apresentar trabalhos e conhecer a dinâmica do ensino médico26. Ambos se conheceram no XVIII Congresso Internacional de Fisiologia (Copenhague) em 1950, mesmo evento em que o brasileiro se aproximou de Ulf von Euler.

Em todas as instituições que frequentou, Rocha e Silva expôs resultados recentes sobre a Bradicinina, conferindo legitimidade a esse novo agente farmacológico, identificado em laboratórios brasileiros e, principalmente, difundindo resultados obtidos em Ribeirão Preto. Rocha e Silva também ressaltou a influência de Velasquez no ensino de farmacologia realizado no interior paulista: “Fiquei muito grato em receber o seu monumental tratado de Terapêutica com suas bases na Farmacologia Experimental, que tenho utilizado correntemente no meu curso”27.

Poucos dias depois, seguiu para Paris, participando do III Congresso Internacional de Alergologia, onde coordenou a mesa “Aspectos bioquímicos da hipersensibilidade”. Tal tema também se relacionava aos estudos sobre Bradicinina e orientações realizadas em Ribeirão Preto. Além do evento, frequentou escolas médicas e o Instituto Pasteur, sendo recebido por Jacques Tréfouel. Ambos se conheceram durante a visita do francês ao Brasil, em 1948, convidado pela SBPC28. Sobre a viagem feita 10 anos depois, o brasileiro mencionou a Tréfouel:

Essa viagem à Europa me dará a oportunidade de entrar em contato com os métodos atuais de ensino e demonstração em farmacologia experimental. Talvez possamos combinar para que alguém do laboratório de Química Terapêutica fique conosco por um tempo para nos ajudar a desenvolver nosso Departamento de Farmacologia em Ribeirão Preto29.

Além de observar estilos de pesquisa e ensino na França, Rocha e Silva desejava recrutar pesquisadores europeus, especializados em química, para atuar temporariamente em Ribeirão Preto. O brasileiro também averiguou essa possibilidade na Alemanha, mais precisamente para Walter Vogt em Göttingen30. Ao mesmo tempo em que o modelo norte-americano era estimulado na faculdade do interior paulista, o docente apostava em reunir diferentes estilos de pesquisa e ensino no Departamento de Farmacologia, estabelecendo diálogos com produções germânicas, francesas e espanholas.

Durante estadia na Alemanha, Rocha e Silva também articulou a compra de equipamentos, que seriam adquiridos pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto com verba da Rockefeller. Tal atividade foi planejada previamente com Zeferino Vaz31, demonstrando como os brasileiros mobilizaram os investimentos da Fundação para inserir a Faculdade de Ribeirão Preto em uma rede de pesquisadores, equipamentos, agentes farmacológicos e métodos de ensino que extrapolava o circuito norte-americano.

Tal posicionamento também se apresenta na visita de Rocha e Silva a Roma, onde conferiu palestras e realizou acordos com o professor Daniel Bovet. A comunicação entre ambos remonta a 1947, ano em que o brasileiro retornou do Reino Unido. Dez anos depois, Bovet recebeu o Prêmio Nobel32, de modo que o laboratório de Farmacologia do Istituto Superiore di Sanità se tornou objeto de interesse. Nesse momento, Rocha e Silva conectou seus alunos a instituições internacionais, com destaque para Alexandre Pinto Corrado33, que pretendia iniciar, em 1959, um estágio com Bovet, sobre o tema da Bradicinina34.

A viagem aos Estados Unidos foi iniciada por Nova York, onde Rocha e Silva estabeleceu contato com a Cornell University e a Columbia University, instituições que frequentou durante o estágio com a Guggenheim. Na ocasião, o diretor-assistente da Fundação Rockefeller, Virgil Scott, que acompanhava as atividades dos bolsistas, mencionou para Robert Watson a facilidade com a qual o brasileiro se ambientou e circulou pelas instituições da Costa Leste35. Nesse momento da viagem, o tema do ensino foi o mais debatido, principalmente em relação ao papel da farmacologia na formação médica e ao número de estudantes nas faculdades.

Ao mesmo tempo em que o brasileiro estabeleceu parcerias e comprou equipamentos na Europa, em comunicações com a Rockefeller mencionou não ter se surpreendido com o ensino médico europeu36. Nesse momento, o bolsista manejou a seu favor contatos nos Estados Unidos e na Europa, aproximando-se do estilo norte-americano no tema da educação médica e, no âmbito das pesquisas e equipamentos, mantinha-se próximo aos institutos europeus e a laureados com o Prêmio Nobel.

Nos 20 dias em que permaneceu na Costa Leste, reuniu cronogramas de curso e trabalhos de laboratório considerados de interesse para as aulas de Ribeirão Preto. Em carta a Virgil Scott, elogiou o papel da farmacologia nos cursos médicos, como disciplina básica37. Nas descrições enviadas a representantes da Rockefeller, as instituições norte-americanas foram apresentadas de diferentes maneiras. Enquanto as universidades da Costa Leste eram posicionadas como parâmetros, as experiências na Louisiana (Tulane University) e no Texas (Baylor University) eram citadas como exemplos de que o estilo norte-americano de ensino poderia ser adaptado ao contexto brasileiro38.

Em viagem anterior aos Estados Unidos, entre 1940 e 1942, Rocha e Silva percebeu as diferentes realidades dos espaços de pesquisa que frequentou. Tal experiência divergia da propaganda pan-americana, estimulada pela Fundação, segundo a qual as instituições científicas norte-americanas seriam um reflexo do Instituto Rockefeller, na Costa Leste (Oliveira, 2024). Nesse sentido, ao viajar com a Travel Grant em 1959, considerou que as universidades de Tulane e Baylor forneciam modelos mais realistas para o contexto do Departamento de Farmacologia de Ribeirão Preto, destacando como o estilo norte-americano de ensino poderia se adaptar a locais com recursos menos abundantes.

Ao frequentar diferentes locais, Rocha e Silva observou possibilidades de adaptar e transformar o estilo norte-americano de ensino médico, perspectiva que se manteve presente nos relatos sobre a América Latina. A terceira parte da viagem foi iniciada em fevereiro de 1959, com a chegada ao México, terminando em Buenos Aires, onde o brasileiro se reuniu com Bernardo Houssay, pesquisador com o qual mantinha uma consistente comunicação desde 194839. A documentação levantada até o momento não apresenta descrições detalhadas da estadia de Rocha e Silva no Peru e na Argentina, de modo que abordaremos as experiências do brasileiro no México, na Colômbia, no Equador e no Chile.

A sociabilidade latino-americana do bolsista, até 1959, restringia-se à América do Sul, tendo estabelecido poucas comunicações com o México, a América Central ou o Caribe. Desse modo, a visita às instituições médicas e de pesquisa da Cidade do México foi uma oportunidade para ampliar as parcerias internacionais do pesquisador e, consequentemente, do laboratório em Ribeirão Preto. Na ocasião, conheceu cientistas destacados, como os fisiologistas Arturo Rosenblueth, Rafael Méndez Martínez, Efrén del Pozo e José Izquierdo. Tais pesquisadores, subsidiados pelas fundações Rockefeller e Guggenheim, conformaram a “rede internacional de fisiologia”, que conectava a América Latina e os Estados Unidos após 1940 (Cueto, 2015).

Sobre o contexto mexicano, Rocha e Silva também se mostrou admirado e assustado. Exaltou a alta qualidade dos pesquisadores e, também, ponderou sobre o alto número de estudantes na universidade, situação considerada adversa ao treinamento de bons pesquisadores:

O número de alunos em cada classe é quase impossível para o desenvolvimento de um ensino eficiente, deixando muito pouco tempo para a pesquisa (...). Mas a existência de jovens cientistas brilhantes, mais ou menos isolados e dispersos naquela magnífica universidade, era objeto de minha admiração e preocupação40.

A estadia do brasileiro na Universidad del Valle (Cali) se relacionava aos projetos de treinamento em ensino médico que a Rockefeller desejava oferecer aos bolsistas latino-americanos. De acordo com Ricardo Batista (2025), na década de 1950 a Fundação financiou sucessivas visitas de integrantes das escolas médicas paulistas à instituição, considerada um caso modelar. Ao mencionar a universidade colombiana, Rocha e Silva elogiou a presença de poucos estudantes e o engajamento dos professores, mas considerou necessária a contratação de mais profissionais:

Admirei o entusiasmo das pessoas de todos os departamentos na discussão dos problemas da Educação Médica, mas achei os departamentos de ciências básicas (Fisiologia, Bioquímica e Farmacologia) extremamente carentes de pessoal. Mesmo para o ensino dos 35 alunos, em Farmacologia, o pessoal é insuficiente 41.

Novamente, o brasileiro destacou ações de ensino realizadas segundo o estilo norte-americano. O caso de Cali é mencionado como correlato ao vivenciado em Ribeirão Preto, de modo que o brasileiro considerou que a visita lhe permitiu estabelecer interessantes comparações42. Entretanto, a visita à Universidad Central del Ecuador gerou outras impressões:

Em Quito, o problema do ensino básico e da pesquisa é de uma ordem totalmente diferente, porque tudo está no futuro. Durante minha estada em Quito, não pude sequer conhecer os professores de Fisiologia e Bioquímica, pois os respectivos laboratórios no antigo prédio da Faculdade de Medicina estavam fechados com armários nas portas. O Departamento de Farmacologia é inexistente (...). O único farmacologista em Quito, e provavelmente no Equador, é o Dr. Plutarco Naranjo, que está ligado à Escola de Veterinária e ao Instituto Life, onde tem uma instalação de farmacologia experimental43.

Rocha e Silva foi recebido por Plutarco Naranjo, que atuava na Faculdade de Medicina Veterinária. Tais contatos se iniciaram em 1956, momento em que o equatoriano trabalhava em Cali44. Esse último foi inserido no itinerário do brasileiro, pois, além de trabalhar com o tema da alergia, recebeu treinamento na Colômbia e retornou a seu país de origem para coordenar ações de pesquisa e ensino alinhadas ao estilo norte-americano.

Além das considerações sobre estrutura, ressaltam-se as assimetrias de tratamento que permearam as relações entre cientistas latino-americanos no século XX. Miranda Lida (2024) ressalta, analisando a década de 1930, que pesquisadores argentinos, como Bernardo Houssay, estabeleciam relações condescendentes com cientistas de países vizinhos, como o Paraguai. Consideramos que as críticas de Rocha e Silva se inserem nesse movimento, posicionando o caso equatoriano como hierarquicamente inferior, se comparado aos relatos sobre o México, a Colômbia e, principalmente, o Chile.

As instituições científicas chilenas foram as mais elogiadas pelo brasileiro, que se encontrou com pesquisadores que também faziam parte da ALACF, como Héctor Croxatto e Fernando Huidoro, ambos da Universidade do Chile. Na ocasião, visitou Alexandre Lipschutz, grande nome da fisiologia chilena, e que estava aposentado45. Também realizou palestras na Universidade Católica, organizadas por Joaquín Luco.

O caso do Chile foi descrito como uma experiência bem-sucedida de transposição do estilo norte-americano de ensino e de boa qualidade de pesquisa. De acordo com Karina Ramacciotti (2019), em estudos sobre o ensino de enfermagem, o ambiente político mais estável, vinculado ao governo da Frente Popular (1938-1947), contribuiu para a manutenção dos financiamentos da Rockefeller no país, bem como para a perpetuação de instituições de ensino na área da saúde. Esse cenário parece se expressar na área médica, conforme destaca Rocha e Silva:

Encontrei um equilíbrio razoável entre ensino e pesquisa, apesar da existência de muitas deficiências crônicas, encontradas em toda a América Latina: falta de recursos, falta de pessoal, excesso de alunos (na Universidade do Chile) e pobreza geral nos prédios antigos da universidade46.

Nesse caso, as críticas às instalações se direcionam à Universidade do Chile, vinculada ao Estado, de modo que o ensino privado oferecido pela Universidade Católica não é objeto de crítica. A despeito da excelente impressão reportada por Rocha e Silva à Rockefeller, Joaquín Luco disferiu severas críticas de cunho moral e político ao bolsista. Tais comentários foram identificados em carta de Virgil Scott a Robert Watson, em junho de 1959, após o retorno de Rocha e Silva ao Brasil.

O chileno costumava receber em sua casa pesquisadores que visitavam o laboratório, como fizera com outros professores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, a exemplo de Miguel Rolando Covián47. Na ocasião, Luco criticou o Rocha e Silva por ser divorciado e estar viajando com a segunda esposa, Hanna Rothschild. Além disso, as divergências envolveram a maneira como Rocha e Silva se referiu às atividades da Fundação Rockefeller e à data futura de 27 de maio de 1959, momento em que expirava o ultimato da União Soviética para que os aliados se retirassem de Berlim:

Luco estava incomodado e irritado com Rocha e Silva e o descreveu como um comunista “beato”. O adjetivo é geralmente usado em relação a pessoas que são ostensivamente religiosas – Dusty pode explicar o termo e talvez você queira mostrar essa carta a ele. Rocha e Silva criticava os EUA, seu materialismo, a RF, e queria apostar que seríamos expulsos de Berlim pelos russos exatamente no dia 27 de maio, se não antes. Luco o repreendeu, e eu acho que houve uma grande discussão48.

As referências ao pragmatismo norte-americano podem ser encontradas em relatos anteriores de Rocha e Silva, nos quais fazia referência inclusive à Fundação Guggenheim. Os contatos do pesquisador com diferentes estilos de pesquisa e ensino médico proporcionaram um olhar mais crítico sobre as ações estadunidenses, o que foi compreendido por Luco como uma manifestação de caráter comunista. Ademais, os comentários sobre o 27 de maio poderiam se relacionar a conversas que o pesquisador realizou na Alemanha, trazendo mais perspectivas aos debates realizados na ocasião.

Após os comentários enviados por Luco e reportados a Robert Watson, encontramos no dossiê do Rockefeller Archive menções hostis a Rocha e Silva, visto como um difusor de concepções que não se encaixavam aos ideais da Fundação. Em carta de junho de 1959, enviada pelo diretor Robert Morison a Watson, mencionou-se que o brasileiro não deixaria de receber as verbas que a Rockefeller enviasse para a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, mas que não seria diretamente financiado pela Fundação49. Ao mesmo tempo que a viagem realizada com a Travel Grant não desencadeou relações harmônicas com a Fundação, tais dificuldades não foram suficientes para interromper o financiamento a Rocha e Silva que, como docente em Ribeirão Preto, seguiu recebendo subsídios.

Considerações finais

Este artigo partiu da trajetória de Maurício Oscar da Rocha e Silva, docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, para analisar as negociações e as tensões com a Fundação Rockefeller entre 1958 e 1959. Tais debates precederam a obtenção de uma Travel Grant e também permearam toda a viagem de estudos. Acompanhamos as descrições do brasileiro em suas visitas a 13 países situados na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina. Nesse momento, o bolsista estabeleceu parcerias com diferentes instituições, estilos de pesquisa e de ensino, pois embora se alinhasse às propostas norte-americanas, buscou conhecer realidades diversas para misturá-las no laboratório do interior paulista.

O estudo dessa trajetória profissional apresentou como as negociações entre bolsistas e a Fundação Rockefeller eram fundamentais para a realização dos estágios internacionais, cujos resultados nem sempre convergiam com o propósito unilateral de dispersar o modelo estadunidense de pesquisa e de ensino médico. Foi evidenciado como a Travel Grant contribuiu para a realização de atividades em conjunto com a Itália, a Espanha, a França, a Alemanha, a Suíça e a Holanda. Nesses locais, Rocha e Silva costurou alianças institucionais, adquiriu equipamentos, divulgou resultados obtidos em Ribeirão Preto e indicou alunos para estagiar na Europa. Para tanto, o brasileiro estabeleceu um plano de viagem híbrido, combinando diferentes fontes de financiamento (Fundação Rockefeller e Capes) e contando com a mediação de Zeferino Vaz.

Analisamos a experiência de Rocha e Silva como uma viagem controversa, emergindo de um plano de trabalho que não era estritamente compatível nem com o projeto inicial do brasileiro, nem com a proposta da Rockefeller. Tal conceituação destaca como as escolhas e ações realizadas entre 1958 e 1959 não dispunham de um sentido previamente estabelecido. Além disso, embora a viagem não tenha aproximado o brasileiro dos representantes da Fundação Rockefeller, tais complicações não chegaram a interromper o acesso do Departamento de Farmacologia aos financiamentos enviados a Ribeirão Preto.

Arranjos assimétricos também mediaram o processo de obtenção da bolsa, já que as atividades prévias de Rocha e Silva no Instituto Biológico e os estágios internacionais foram pouco considerados pela Fundação. Embora reconhecesse que o brasileiro fosse um pesquisador de destaque, a ausência de experiências no ensino médico era considerada algo negativo para a Rockefeller. Ao acompanharmos as visitas realizadas ao longo do estágio, percebe-se que as experiências prévias permitiram ao bolsista ir além de uma experiência de “treinamento”, encontrando-se com 69 pesquisadores em quatro meses de estágio.

Tais assimetrias também se expressam nos contatos de Rocha e Silva com institutos da Costa Leste norte-americana e da Europa, posicionados como modelos no âmbito do ensino médico e da pesquisa, respectivamente. Essa perspectiva hierarquizada se mantém nas descrições sobre a América Latina, de modo que as atividades no México, no Chile e na Colômbia receberam maior destaque.

  • 1
    O conceito de estilo será utilizado segundo Ludwik Fleck (2010, p. 149): “até a observação mais simples é condicionada pelo estilo de pensamento, ou seja, vinculada a uma comunidade de pensamento. Por esse motivo, chamamos o pensamento de atividade social por excelência, que de modo algum, pode ser localizada completamente dentro dos limites do indivíduo”.
  • 2
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Curriculum Vitae, [1978].
  • 3
    INSTITUTO BIOLÓGICO, São Paulo. Relatório da Seção de Bioquímica e Farmacodinâmica, 1942.
  • 4
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Curriculum Vitae, [1978].
  • 5
    ROCKEFELLER ARCHIVE CENTER, Sleepy Hollow, NY. Projects, SG 1.2, Series 300 Latin America – Series 833 Lebanon (FA387b).
  • 6
    O conjunto documental mencionado encontra-se no Centro de Memória da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
  • 7
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Curriculum Vitae, [1978].
  • 8
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Henrique da Rocha Lima, São Paulo, out. 1940.
  • 9
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Palestra – Sociedade de Biologia [rascunho], 8 mar. 1948.
  • 10
    Ulf von Euler foi membro do comitê de Fisiologia e Medicina do Prêmio Nobel e laureado em 1971. Informação disponível em: https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1970/euler/biographical. Acesso em: 29 jan. 2025.
  • 11
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Ulf von Euler, 17 maio 1952.
  • 12
    Trad. livre da autora: “There is another reason to justify this request. With Sylvia [Andrade], we are building up a section on radioisotopes in the basement of our Institute (…). I would certainly avail of this travelling through Sweden and possibly England and the United States in my way back to get acquainted with the details of the organization and techniques on radioisotopes”. SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Harry Miller, 18 jun. 1952.
  • 13
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Harry Miller a Maurício Oscar da Rocha e Silva, 20 ago. 1952.
  • 14
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Almirante Álvaro Alberto, 30 ago. 1952.
  • 15
    Cf. ROCKEFELLER ARCHIVE CENTER, Sleepy Hollow, NY. Dossiê Projects, SG 1.2, Series 300 Latin America – Series 833 Lebanon (FA387b).
  • 16
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Bernard Halpern, 9 ago. 1958.
  • 17
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Anísio Teixeira, 11 jul. 1958.
  • 18
    De acordo com André Felipe Cândido da Silva (2010, p. 498), “quando assumiu a direção do Instituto Biológico, [Rocha Lima] contratou uma secretária alemã para dar aulas gratuitas aos jovens pesquisadores e assim fortalecer os laços da instituição há pouco fundada com sua ‘pátria científica’. Criou dessa forma uma legião de cientistas versados em alemão, entre eles José Reis, Agesilau Bitancourt, Maurício Oscar da Rocha e Silva, Adolpho Martins Penha, Juvenal Ricardo Meyer e Otto Bier”.
  • 19
    ROCKEFELLER ARCHIVE CENTER, Sleepy Hollow, NY. Dossiê Travel Grant, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Ernani Braga, 15 jul. 1958.
  • 20
    ROCKEFELLER ARCHIVE CENTER, Sleepy Hollow, NY. Dossiê Travel Grant, The Rockefeller Foundation Division of Medicine and Public Health – Personal History Record and Application for Travel Grant, 31 jul. 1958, p. 1.
  • 21
    ROCKEFELLER ARCHIVE CENTER, Sleepy Hollow, NY. Projects. Correspondência de Zeferino Vaz a Robert Watson, 6 ago. 1958.
  • 22
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Zeferino Vaz, 7 ago. 1958.
  • 23
    Trad. livre da autora: “Prof. Rocha e Silva is considered to be Brazil’s outstanding pharmacologist with a record of productive research over the last twenty years. In spite of holding two livre docente (free) professorships that entitled him to teach in the University of Brazil and in the University of São Paulo, he never engaged in a university teaching career until his present connection became effective in 1957”. ROCKEFELLER ARCHIVE CENTER, Sleepy Hollow, NY. Dossiê Travel Grant, Travel Grant for Maurício Oscar da Rocha e Silva, Professor and Head Department of Pharmacology.
  • 24
    Mediante cartas levantadas no Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, foi possível identificar correspondências prévias com: Lorenzo Velasquez; Jean Cheymol; Jacques Tréfouel; Daniel Bovet; Pietro di Mattei; Peter Gaudenz Waser; Peter Holtz; Werner Koll; Walter Vogt; McKeen Cattell; Harry Benjamin van Dyke; Otto Krayer; Ulrich Georg Trendelenburg; Roger Guillemin; Plutarco Naranjo; Alexandre Lipschutz; Héctor Croxatto; Fernando Huidoro; Bernardo Houssay.
  • 25
    ROCKEFELLER ARCHIVE CENTER, Sleepy Hollow, NY. Projects. Correspondência de Virgil C. Scott a Robert Watson, 30 dez. 1958.
  • 26
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Lorenzo Velasquez, 23 ago. de 1958.
  • 27
    Ibidem.
  • 28
    “Nota-se na França a revelação de valores novos no campo da Ciência”. SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Diário de São Paulo, 4 nov. 1948.
  • 29
    Trad. livre da autora: “Ce voyage en Europe me donnerá l’opportunité de me mettre au contact avec les méthodes actuelles d’enseignement et démonstration en Pharmacologie expérimentale. Peut-être on s’accorderá d’avoir quelqu’un du laboratoire de Chemie Thérapeutique pour rester quelque temps avec nous pour nous aider à developper nôtre Department de Pharmacologie à Ribeirão Preto”. SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Jacques Tréfouel, 27 ago. 1958.
  • 30
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Alexandre Pinto Corrado a Maurício Oscar da Rocha e Silva, 20 nov. 1958
  • 31
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Zeferino Vaz, 7 ago. 1958.
  • 32
  • 33
    Alexandre Pinto Corrado sucedeu a Rocha e Silva na chefia do Departamento de Farmacologia, atuando neste cargo entre 1980 e 1984, bem como de 1992 a 1994 (Corrado, 2002).
  • 34
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Walter Vogt, 12 ago. 1958.
  • 35
    ROCKEFELLER ARCHIVE CENTER, Sleepy Hollow, NY. Projects, Correspondência de Virgil C. Scott a Robert Watson, 30 dez. 1958.
  • 36
    Ibidem.
  • 37
    ROCKEFELLER ARCHIVE CENTER, Sleepy Hollow, NY. Projects, Correspondência de Maurício Oscar Rocha e Silva a Virgil C. Scott, 19 jan. 1959.
  • 38
    Ibidem, 31 jan. 1959.
  • 39
    Em 1948, Rocha e Silva participou da Conferência de Peritos Científicos, organizada pela Unesco, conhecendo pesquisadores latino-americanos e, principalmente, o argentino Bernardo Houssay (Bonaventura, 2024b).
  • 40
    Trad. livre da autora: “The number of students in each class is almost impossible the development of efficient teaching, leaving very short time for research (…). But the existence of bright young scientists more or less isolated and scattered in that most magnificent University was the object of my admiration and concern”. ROCKEFELLER ARCHIVE CENTER, Sleepy Hollow, NY. Projects, Correspondência de Maurício Oscar Rocha e Silva a Virgil C. Scott, 24 mar. 1959.
  • 41
    Trad. livre da autora: “I admired the enthusiasm of the people of all departments in discussing the problems of Medic al Education, but found the departments of basic sciences (Physiology, Biochemistry and Pharmacology) extremely understaffed. Even for the teaching of the 35 students they have, for instance in Pharmacology, the personal is insufficient”. Ibidem.
  • 42
    Ibidem.
  • 43
    Trad. livre da autora: “In Quito, the problem of basic teaching and research are of an entirely different order, because everything lays in the future. During my stay in Quito, I could not even meet the professors of Physiology and Biochemistry, the respective laboratories at the old building of the Medical School being closed with lockers at the doors. The Department of Pharmacology is non-existent (…). The only pharmacologist in Quito, and probably in Ecuador, of Dr. Plutarco Naranjo, who is connected with the Veterinary School and the Instituto Life, where he has a set-up of experimental Pharmacology”. Ibidem.
  • 44
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Naranjo Plutarco a Maurício Oscar da Rocha e Silva, 6 abr. 1956.
  • 45
    SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, São Paulo. Fundo Maurício Oscar da Rocha e Silva, Correspondência de Maurício Oscar da Rocha e Silva a Virgil C. Scott, 24 mar. 1959.
  • 46
    Trad. livre da autora: “I found some reasonable balance between teaching and research, non obstant the existence of many chronic deficiencies to be found everywhere e in Latin America: shortage of funds, understaff, excess of students (in the University of Chile) and general poverty in the old buildings of the University”. Ibidem.
  • 47
    Sobre a estadia de Covián no Chile, em 1955, e a sociabilidade com Joaquín Luco, destacamos a carta enviada a Bernardo Houssay: “Ele tem a coragem de defender suas convicções. O único ‘porém’ que ouvi é que ele é veemente e às vezes um pouco agressivo, mas não o vi nessa posição”. Trad. livre da autora: “Tiene coraje para sostener sus convicciones. El único pero que he oído es que es vehemente y a veces un poco agresivo, pero no lo he visto en esa posición”. CASA MUSEO BERNARDO HOUSSAY, Buenos Aires. Correspondência de Miguel Rolando Covian a Bernardo Houssay, 3 fev. 1955.
  • 48
    Trad. livre da autora: “Luco was distressed and angry with Rocha e Silva and described him as a ‘beato’ communist. The adjective is generally used with respect to people who are ostentatiously religious – Dusty can explain the term and you may want to show him this letter. Rocha e Silva was critical of the US, its materialism, of the RF, wanted to bet that we would be thrown out of Berlin by the Russians exactly on the 27th May, if not before. Luco remonstrated with him and I gather that there was quite an argument”. ROCKEFELLER ARCHIVE CENTER, Sleepy Hollow, NY. Dossiê Travel Grant, Correspondência de Virgil Scott a Robert Watson, 5 jun. 1959.
  • 49
    ROCKEFELLER ARCHIVE CENTER, Sleepy Hollow, NY. Dossiê Travel Grant, Correspondência de Robert Morison a Robert Watson, 24 jun. 1959.

Agradecimento

Atualmente, a pesquisa conta com o apoio da FAPESP (Processo 2024/17912-7). Sobre o período do doutorado, agradeço à bolsa concedida pela Capes e pelo Programa Capes-PDSE.

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  • Editores responsáveis:
    Ricardo dos Santos Batista e Silvia Liebel

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    28 Nov 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    17 Fev 2025
  • Aceito
    10 Abr 2025
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Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro Largo de São Francisco de Paula, n. 1., CEP 20051-070, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, Tel.: (55 21) 2252-8033 R.202, Fax: (55 21) 2221-0341 R.202 - Rio de Janeiro - RJ - Brazil
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