Esta pesquisa teve como objetivo compreender o ecossistema desinformacional em canais públicos de extrema-direita no aplicativo Telegram, com foco nas postagens sobre as enchentes no Rio Grande do Sul (RS) no primeiro semestre de 2024. Foram analisadas 25 postagens selecionadas com base no critério de maior interação, todas veiculadas em canais públicos de extrema-direita. A abordagem teórico-metodológica adotada fundamenta-se na semiótica discursiva e na sociossemiótica. A análise contemplou tanto os conteúdos das postagens quanto as reações em emoji por parte dos inscritos nos canais. Com base nas análises realizadas, foram propostas as seguintes tipologias discursivas do ecossistema desinformacional: conteúdo declaratório, conteúdo enganoso, discurso de ódio, ironia, memes e teorias conspiratórias. Identificaram-se ainda, entre os temas mais recorrentes, críticas à negligência governamental, denúncias de expropriação de terras com motivação ideológica e alegações de que a inação estatal estaria promovendo a morte de civis, entre outros. A pesquisa evidenciou também o uso de emojis como forma condensada de discurso de ódio. Observou-se, por fim, que a adesão à desinformação ocorre não apenas por meio dos contratos fiduciário e veridictório, mas também no interior do regime de ajustamento, com base na interação sensível entre sujeitos.
Palavras-chave:
Desinformação; Semiótica; Canais de extrema-direita; Enchentes no Rio Grande do Sul
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