RESUMO
Objetivo: avaliar o produto do cuidar em enfermagem na pandemia da COVID-19 em hospitais universitários brasileiros.
Método: estudo descritivo, transversal e multicêntrico, realizado com 544 enfermeiros atuantes em unidades de atendimento a pacientes com COVID-19 de dez hospitais universitários distribuídos nas cinco regiões do Brasil. Utilizou-se a Escala de Avaliação do Produto do Cuidar em Enfermagem. A coleta ocorreu online entre fevereiro de 2021 e março de 2022.
Resultados: embora a hipótese inicial considerasse impacto negativo da pandemia sobre o produto do cuidar, os enfermeiros o avaliaram predominantemente como bom. Houve melhor desempenho nas dimensões atendimento das necessidades assistenciais n=498 (91,5%), acompanhamento e transferência do cuidado n=445 (81,8%), planejamento da assistência n=444 (81,6%) e atenção ao paciente e/ou familiar n=424 (77,9%). Em contrapartida, recursos necessários para assistência n=252 (46,3%), interação e atuação multiprofissional n=297 (54,6%) e dimensionamento de pessoal n=330 (60,7%) apresentaram menores percentuais de adequação, evidenciando fragilidades estruturais e organizacionais no contexto investigado. Também foram observadas diferenças entre hospitais e regiões do país.
Conclusão: o produto do cuidar em enfermagem foi avaliado como bom, com melhor desempenho nas dimensões relacionadas ao planejamento da assistência, ao acompanhamento do cuidado e ao atendimento das necessidades assistenciais. Fragilidades foram identificadas nos componentes relacionados aos recursos necessários para assistência, ao dimensionamento de pessoal e à interação multiprofissional, evidenciando aspectos relevantes para o planejamento e a gestão do cuidado em contextos de crise sanitária.
DESCRITORES:
Enfermeiras e enfermeiros; Avaliação de processos de cuidados de saúde; Cuidados de enfermagem; COVID-19; Pandemias; Sistema Único de Saúde
ABSTRACT
Objective: to assess the nursing care product during the COVID-19 pandemic in Brazilian university hospitals.
Method: this descriptive, cross-sectional, multicenter study included 544 nurses working in COVID-19 patient care units across ten university hospitals distributed throughout the five geographic regions of Brazil. The Assessment of the Nursing Care Product scale was used. Data were collected online between February 2021 and March 2022.
Results: although the initial hypothesis assumed that the pandemic would negatively affect the nursing care product, nurses predominantly assessed it as good. Better performance was observed in the dimensions meeting the care needs (n=498; 91.5%), care monitoring and transfer (n=445; 81.8%), nursing care planning (n=444; 81.6%), and patient and/or family care (n=424; 77.9%). Conversely, resources required for care provision (n=252; 46.3%), interaction and multidisciplinary activity (n=297; 54.6%), and estimation of nursing staff requirements (n=330; 60.7%) showed lower adequacy rates, highlighting structural and organizational weaknesses within the investigated context. Differences were also observed among hospitals and across Brazilian regions.
Conclusion: the nursing care product was assessed as good, with better performance in the dimensions related to nursing care planning, care follow-up, and meeting patients’ care needs. Weaknesses were identified in the components related to resources required for care provision, estimation of nursing staff requirements, and interprofessional interaction, highlighting relevant aspects for care planning and management in public health emergency settings.
DESCRIPTORS:
Nurses; Process Assessment; Health Care; Nursing Care; COVID-19; Pandemics; Unified Health System
RESUMEN
Objetivo: evaluar el producto del cuidado de enfermería durante la pandemia de la COVID-19 en hospitales universitarios brasileños.
Método: estudio descriptivo, transversal y multicéntrico, realizado con 544 enfermeros que trabajaban en unidades de atención a pacientes con COVID-19 de diez hospitales universitarios distribuidos en las cinco regiones de Brasil. Se utilizó la escala de Evaluación del Producto del Cuidado de Enfermería. La recolección de datos se realizó en línea entre febrero de 2021 y marzo de 2022.
Resultados: aunque la hipótesis inicial consideró que la pandemia tendría un impacto negativo sobre el producto del cuidado de enfermería, los enfermeros lo evaluaron predominantemente como bueno. Se observó un mejor desempeño en las dimensiones atención de las necesidades asistenciales (n=498; 91,5%), seguimiento y transferencia del cuidado (n=445; 81,8%), planificación de la atención de enfermería (n=444; 81,6%) y atención al paciente y/o familiar (n=424; 77,9%). En contraste, los recursos necesarios para la atención (n=252; 46,3%), la interacción y actuación multidisciplinaria (n=297; 54,6%) y la dotación de personal de enfermería (n=330; 60,7%) presentaron menores porcentajes de adecuación, evidenciando debilidades estructurales y organizativas en el contexto investigado. También se observaron diferencias entre hospitales y regiones del país.
Conclusión: el producto del cuidado de enfermería fue evaluado como bueno, con mejor desempeño en las dimensiones relacionadas con la planificación de la atención de enfermería, el seguimiento del cuidado y la atención de las necesidades asistenciales. Se identificaron debilidades en los componentes relacionados con los recursos necesarios para la atención, la dotación de personal de enfermería y la interacción multidisciplinaria, lo que pone de manifiesto aspectos relevantes para la planificación y la gestión del cuidado en contextos de crisis sanitarias.
DESCRIPTORES:
Enfermeras y Enfermeros; Evaluación de Procesos; Atención de Salud; Atención de Enfermería; COVID-19; Pandemias; Sistema Único de Salud
INTRODUÇÃO
A pandemia de COVID-19, causada pelo coronavírus (SARS-CoV-2), disseminou-se globalmente com grande velocidade. Ela representou um dos maiores, senão o maior, desafio do século XXI devido aos seus impactos sem precedentes, especialmente na saúde e na economia, afetando todo o cenário mundial1-2.
A pandemia materializou, para os profissionais de saúde, o princípio da incerteza de Edgar Morin. Seu pensamento descreve o conhecimento navegando em um oceano de incertezas, noção que se tornou incontornável durante a crise. Um vírus desconhecido desafiou protocolos antes consolidados, revelando-os provisórios e em mutação constante3.
Para a enfermagem na linha de frente, isso significou atuar sob dupla pressão: salvar vidas e revisar constantemente seu "saber-fazer". Tal instabilidade exigiu competência técnica, adaptação e resiliência frente ao provisório, elementos centrais da compreensão do mundo complexo de Morin.
A emergência sanitária internacional decorrente da COVID-19 perdurou por pouco mais de três anos, entre janeiro de 2020 e maio de 20234, nesse contexto os cuidados de enfermagem emergiram como um grande desafio em um campo dinâmico, onde surgiram novas adversidades e outras se agravaram.
O combate à COVID-19 destacou o papel essencial dos profissionais de saúde na proteção da vida e no fortalecimento dos serviços de saúde. A enfermagem sobressaiu no enfrentamento da pandemia, com cuidados integrais, medidas preventivas e práticas de educação em saúde5-6.
Em meio ao distanciamento social e às limitações estruturais dos serviços de saúde, os enfermeiros foram desafiados a responder a necessidades humanas complexas em um cenário marcado por elevados níveis de estresse, medo e insegurança, insuficiência de Equipamentos de Proteção Individual, aumento da carga de trabalho, escassez de profissionais e insatisfação laboral1,6-12.
A crise sanitária exigiu adaptações rápidas no cuidado, especialmente no Brasil, com seu sistema de saúde universal. Sobressaiu-se a resiliência e inovação dos enfermeiros da linha de frente, que adotaram práticas centradas no paciente, incorporando biossegurança, tecnologia para comunicação com familiares e gestão do estresse10,13-14.
O produto do cuidar em enfermagem que pode ser definido como o resultado ou o impacto das ações de cuidado prestadas pelos profissionais de enfermagem aos pacientes não é tangível como os bens materiais, mas manifesta-se na promoção, manutenção e recuperação da saúde, na prevenção de doenças e no alívio do sofrimento. Seus elementos essenciais incluem a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida do paciente, a satisfação com os cuidados, a eficácia das intervenções baseadas em evidências e uma contribuição ética e humanizada para a saúde pública15-16.
Estudos recentes têm demonstrado que a qualidade do produto do cuidar em enfermagem está diretamente relacionada às condições de trabalho, ao dimensionamento de pessoal, à carga de trabalho e à disponibilidade de recursos institucionais. Durante a pandemia da COVID-19, o aumento da complexidade assistencial, a sobrecarga das equipes e a reorganização dos processos de trabalho ampliaram os desafios para a manutenção de uma assistência segura e de qualidade, evidenciando a influência dos fatores organizacionais sobre os resultados do cuidado1 7-19.
Além disso, ambientes de prática favoráveis, suporte institucional adequado e estratégias organizacionais voltadas ao fortalecimento da força de trabalho em enfermagem têm sido associados a melhores resultados assistenciais, maior satisfação profissional e melhores condições para a prestação do cuidado20-21. Nesse contexto, a avaliação do produto do cuidar constitui uma importante ferramenta para monitorar a qualidade assistencial e subsidiar intervenções voltadas ao aprimoramento dos processos de trabalho em enfermagem.
Embora os impactos da pandemia sobre as condições de trabalho da enfermagem tenham sido amplamente descritos na literatura, permanecem limitadas as evidências acerca de seus reflexos sobre o produto do cuidar em enfermagem, especialmente em hospitais universitários brasileiros. A avaliação desse produto permite compreender como fatores estruturais, organizacionais e profissionais influenciam os resultados do cuidado em situações de elevada complexidade assistencial.
Dessa forma, identifica-se uma lacuna de conhecimento relacionada à avaliação do produto do cuidar durante a pandemia da COVID-19, considerando diferentes contextos regionais e institucionais do país. O preenchimento dessa lacuna pode fornecer subsídios para o planejamento de ações voltadas ao fortalecimento da assistência, da gestão do trabalho e da preparação dos serviços de saúde para futuras emergências sanitárias.
Diante desse contexto, emerge a seguinte questão de pesquisa: como se apresentou o produto do cuidar em enfermagem em hospitais universitários brasileiros durante a pandemia da COVID-19, segundo a avaliação realizada por enfermeiros por meio da Escala de Avaliação do Produto do Cuidar em Enfermagem (APROCENF)?
Partiu-se da hipótese de que a pandemia de COVID-19 comprometeu aspectos estruturais e organizacionais do trabalho da enfermagem, impactando negativamente o produto do cuidado.
Assim, este estudo objetivou avaliar o produto do cuidar em enfermagem na pandemia da COVID-19 em hospitais universitários brasileiros.
A avaliação do produto do cuidar em enfermagem pode fornecer subsídios para a qualificação da prática assistencial, da gestão do trabalho e da formação profissional, especialmente em contextos de crise sanitária e reorganização dos serviços de saúde.
MÉTODO
Estudo descritivo transversal e multicêntrico. Os estudos transversais são indicados quando se pretende estimar a frequência com que um determinado evento de saúde se manifesta em uma população específica e também os fatores associados22.
O presente estudo analisou dados coletados em um único momento, a partir da percepção dos enfermeiros acerca do produto do cuidar em enfermagem durante sua atuação na assistência a pacientes acometidos pela COVID-19.
Para esta pesquisa, utilizou-se as diretrizes do Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE)23.
O estudo foi composto por dez hospitais universitários, de estados diferentes, sendo dois por região do Brasil. A escolha dos hospitais ocorreu a partir da instituição de uma rede de pesquisa para execução do projeto multicêntrico nacional.
Os hospitais participantes pertenciam às cinco regiões geográficas brasileiras e integravam a rede de pesquisa constituída para o desenvolvimento do estudo, contemplando diferentes contextos organizacionais e assistenciais durante a pandemia da COVID-19.
Definiram-se como critérios de inclusão dos participantes ser enfermeiro e ter experiência por, no mínimo, 3 meses na atuação na assistência direta aos pacientes acometidos pela COVID-19 na pandemia. Os critérios de não inclusão foram profissionais em afastamento laboral no período de coleta de dados, e os de exclusão foram preenchimento inadequado do instrumento.
A amostra foi obtida por conveniência, a partir das respostas ao convite enviado por e-mail à população-alvo da pesquisa. Nos dez hospitais participantes do estudo, havia um total de 2.715 enfermeiros. O cálculo do tamanho da amostra foi realizado utilizando o programa WINPEPI, versão 11.65, para a estimação de proporção. Considerando um nível de confiança de 95%, uma margem de erro de 5% e uma proporção estimada de 50%, foi calculada a amostra mínima, baseando-se em uma população finita. A amostra mínima estimada foi de 337 enfermeiros. No entanto, a amostra final do estudo foi composta por 544 enfermeiros.
A participação ocorreu de forma voluntária, mediante adesão ao convite eletrônico encaminhado aos enfermeiros elegíveis pelos pesquisadores locais de cada instituição participante.
O instrumento de coleta de dados utilizado foi a escala Avaliação do Produto do Cuidar em Enfermagem, que é fundamentada nos conceitos de produção de cuidado, gestão e qualidade em saúde, e classifica o cuidado de enfermagem, analisando a partir da avaliação estrutural (capital humano e serviços de suporte) e métodos de organização do trabalho (planejamento da assistência, atenção ao paciente/família e interação multidisciplinar), com vistas a evidenciar fatores críticos da gestão do cuidado16.
A escala APROCENF é uma importante ferramenta para melhoria da prática profissional da enfermagem, qualificando a assistência e o produto do cuidado entregue. Essa escala foi construída e validada para uso no Brasil, e é constituída por oito componentes: planejamento da assistência de enfermagem; recursos necessários para a assistência; dimensionamento de pessoal; ações educativas e desenvolvimento de pessoal; acompanhamento e transferência do cuidado; interação e atuação multidisciplinar; atenção aos pacientes e/ou familiar; e atendimento das necessidades assistenciais. Cada item segue uma graduação que varia de 1 a 4, sendo que, quanto maior a pontuação, melhor o produto do cuidado de enfermagem: ruim - 8 a 12 pontos; regular - 13 a 20 pontos; bom - 21 a 28 pontos; e ótimo - 29 a 32 pontos16.
Vale destacar que o instrumento não avalia o desempenho dos enfermeiros, mas sim fatores estruturais e métodos de organização do trabalho que influenciam a produção e entrega do cuidado nos plantões realizados16.
As variáveis do estudo corresponderam ao escore total da APROCENF, classificado em ruim, regular, bom e ótimo, e aos seus oito componentes: planejamento da assistência de enfermagem; recursos necessários para prestar assistência; dimensionamento de pessoal de enfermagem; ações educativas e desenvolvimento de pessoal; acompanhamento e transferência do cuidado; interação e atuação multidisciplinar; atenção ao paciente e/ou familiar; e atendimento das necessidades assistenciais.
Respeitando o distanciamento social recomendado pelas autoridades de saúde no período pandêmico, o convite aos participantes foi feito por meios digitais (e-mail, WhatsApp ®, QR Code), em que foram apresentados os objetivos do estudo, abordagem metodológica e ética.
Os pesquisadores locais de cada hospital foram responsáveis pela divulgação da pesquisa e pelo encaminhamento dos convites aos potenciais participantes.
Após o aceite, os participantes acessaram o link do Google Forms ® com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, para dar a concordância, e a escala APROCENF.
O questionário foi autoaplicável, preenchido eletronicamente e sem identificação nominal dos participantes, garantindo o anonimato e a confidencialidade das informações. O tempo médio estimado para preenchimento foi de aproximadamente 10 a 15 minutos.
Os participantes do estudo foram orientados a aplicar a escala uma única vez, pautando sua análise em relação ao período de trabalho na assistência prestada aos pacientes casos de COVID-19 durante a pandemia.
A coleta foi realizada no período de março de 2021 a fevereiro de 2022.
Os dados foram tabulados em uma planilha do software Excel®, e as análises foram realizadas utilizando-se os programas estatísticos Statistical Package for the Social Sciences (SPSS 20.0) e STATA 17. Para todos os testes estatísticos, foi utilizado um nível de significância de 5%.
Inicialmente, realizou-se análise descritiva das variáveis por meio de frequências absolutas e relativas, medidas de tendência central e de dispersão, de acordo com a natureza das variáveis analisadas.
A consistência interna global entre os itens da APROCENF foi analisada por meio do coeficiente alfa de Cronbach, que avalia o grau de correlação entre os itens de uma escala, e pelo coeficiente ômega de McDonald, considerado mais robusto quando os itens apresentam diferentes cargas fatoriais. Foram considerados adequados valores ≥0,70 para ambos os coeficientes.
Utilizou-se o teste de Kruskal-Wallis (mais de duas médias). Quando verificadas diferenças de médias no teste de Kruskal-Wallis, os grupos de médias distintos foram identificados via comparações múltiplas de Dunn-Bonferroni para se manter o nível de significância global.
A comparação das porcentagens de adequação dos oito itens que compõem a APROCENF entre os hospitais foi realizada por meio do teste Q de Cochran. Para essa análise, foram consideradas respostas adequadas os escores 3 (Bom) e 4 (Ótimo), por representarem melhor avaliação do produto do cuidado de enfermagem. O teste foi utilizado para verificar diferenças nas proporções de adequação entre os hospitais avaliados.
O estudo faz parte de um projeto multicêntrico, foi aprovado pelos Comitês de Ética em Pesquisa de todos os centros participantes.
Durante a preparação da pesquisa não foram utilizadas ferramentas de Inteligência Artificial.
RESULTADOS
Participaram do estudo 544 enfermeiros de hospitais universitários brasileiros, com predominância do sexo feminino (82,0%), atuantes em unidades de emergência/terapia intensiva (47,1%) e com titulação em nível de especialização/residência (55,5%). A maior parte dos participantes atuou diretamente no cuidado a pacientes com COVID-19 por mais de um ano (61,8%) e referiu ter recebido capacitação institucional sobre a doença (78,7%).
A Tabela 1 apresenta a correlação do item-total corrigida, Alpha de Cronbach e ômega de McDonald global e se o item foi excluído.
Correlação item-total corrigida, Alpha de Cronbach e Ômega de McDonald global e se o item for excluído. Brasil, 2021-2022. (n=544).
Conforme a Tabela 1, verificou-se consistência interna aceitável entre os itens da escala APROCENF, tanto pelo coeficiente alfa de Cronbach (0,783) quanto pelo ômega de McDonald (0,792), considerando-se adequados valores iguais ou superiores a 0,70.
A Tabela 2 apresenta as medidas resumo do escore de APROCENF por hospital:
Conforme a Tabela 2, observaram-se diferenças de médias de escore de APROCENF por hospital (p<0,001). O Hospital A apresentou as maiores médias de escore, indicando avaliação mais favorável do produto do cuidado, enquanto os hospitais C, E, H e J apresentaram menores médias. Embora todos os hospitais tenham apresentado escores compatíveis com a classificação boa da APROCENF, observou-se variabilidade entre as instituições participantes quanto à avaliação do produto do cuidado, indicando diferenças na percepção dos enfermeiros acerca dos componentes avaliados.
A Tabela 3 apresenta a porcentagem de adequação das respostas 3 e 4 nos oito aspectos da APROCENF por região.
Conforme a Tabela 3, observou-se predominância de avaliações positivas nas dimensões atendimento das necessidades assistenciais, planejamento da assistência de enfermagem e acompanhamento e transferência do cuidado, que apresentaram os maiores percentuais de adequação em todas as regiões. Em contrapartida, os componentes recursos necessários para prestar assistência e interação e atuação multidisciplinar apresentaram os menores percentuais de adequação e maior variabilidade regional. De modo geral, os resultados evidenciam diferenças entre as regiões brasileiras quanto à avaliação dos componentes do produto do cuidado em enfermagem durante a pandemia da COVID-19.
A Tabela 4 apresenta a porcentagem de adequação das respostas 3 e 4 sobre os oito aspectos avaliados da escala APROCENF:
Conforme a Tabela 4, observou-se heterogeneidade na avaliação dos itens da APROCENF entre os hospitais participantes. As dimensões atendimento das necessidades assistenciais, planejamento da assistência de enfermagem e acompanhamento e transferência do cuidado apresentaram os maiores percentuais de adequação na maioria das instituições.
Em contrapartida, os componentes recursos necessários para prestar assistência, interação e atuação multidisciplinar e dimensionamento de pessoal de enfermagem apresentaram menores percentuais de adequação e maior variabilidade entre os hospitais. Destaca-se que algumas instituições registraram percentuais inferiores a 30% para recursos necessários à assistência, indicando fragilidades estruturais relevantes.
Também foram observadas diferenças na avaliação dos componentes do produto do cuidado entre enfermeiros de uma mesma instituição, evidenciando variabilidade na percepção do cuidado prestado. O Hospital G, por contar com apenas três respondentes, não apresentou diferenças estatisticamente significativas entre os itens avaliados.
Esses comportamentos das porcentagens de adequação entre os oito itens de APROCENF podem ser visualizados a seguir nos gráficos representados na Figura 1 por região:
Porcentagem de adequação dos oito itens da escala de avaliação do produto do cuidar em enfermagem por região. Brasil, 2021-2022. (n=544).
Na Figura 1, polígonos com maior área representam maiores percentuais de adequação dos componentes da APROCENF, enquanto formatos mais regulares indicam maior homogeneidade entre os itens avaliados. Polígonos irregulares refletem maior variabilidade na avaliação dos componentes da escala.
Observou-se maior regularidade nos componentes relacionados ao atendimento das necessidades assistenciais, planejamento da assistência e acompanhamento e transferência do cuidado, enquanto os itens referentes aos recursos necessários para assistência, interação multidisciplinar e dimensionamento de pessoal apresentaram maior variabilidade entre as regiões.
DISCUSSÃO
De acordo com os resultados obtidos, observou-se que a pandemia comprometeu aspectos estruturais e organizacionais do trabalho da enfermagem, especialmente relacionados aos recursos assistenciais, à interação multiprofissional e ao dimensionamento de pessoal. Contudo, tais fragilidades não foram suficientes para reduzir a avaliação global do produto do cuidar, que permaneceu predominantemente classificada como boa. Os hospitais A, B, C, D, E, G, H e I apresentaram menores porcentagens em relação à interação e atuação multidisciplinar, indicando desafios na colaboração entre diferentes profissionais de saúde e necessidade de aprimorar a comunicação e a coordenação entre equipes, a fim de garantir uma abordagem mais integrada no cuidado ao paciente.
Embora a hipótese inicial previsse um produto do cuidar classificado como regular ou ruim durante a pandemia, os enfermeiros o avaliaram predominantemente como bom. Esse resultado sugere que, mesmo diante da sobrecarga, escassez de recursos e fragilidades institucionais, os profissionais priorizaram o cuidado direto, o planejamento assistencial e o atendimento das necessidades de pacientes e familiares, preservando aspectos centrais da assistência.
O período pandêmico evidenciou, mais do que nunca, a relevância da atuação multiprofissional na assistência à saúde. Estudo realizado em hospital universitário do Nordeste do Brasil, que investigou barreiras e facilitadores do trabalho em equipe durante a COVID-19, identificou fatores que dialogam com os achados desta pesquisa, destacando-se como barreiras a ausência de reuniões periódicas e de feedback, o acúmulo de tarefas, a sobrecarga laboral, a hierarquização das relações, a responsabilização individual por erros e a limitada compreensão da proposta de trabalho em equipe, além de níveis reduzidos de satisfação, confiança, energia e compromisso pessoal24.
Outro estudo realizado na Espanha enfatiza que a necessidade de priorizar a assistência para garantir a sobrevivência dos pacientes fez com que alguns projetos e estratégias comprovadamente eficazes, como diretrizes para prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica e protocolos de dor, agitação/sedação e delírio, fossem deixados em segundo plano, em razão da sobrecarga assistencial, da falta de profissionais habilitados, da inadequação dos espaços físicos e do desabastecimento de recursos materiais25.
A alocação de recursos necessários para a assistência emergiu como área crítica em alguns hospitais, evidenciada pelas baixas porcentagens de adequação nos itens relacionados aos recursos necessários para a assistência. Os hospitais B, F e J se destacaram nesse aspecto, ressaltando a necessidade de gestão mais eficiente e estratégica dos recursos disponíveis, de modo a garantir cuidados de alta qualidade de forma sustentável. Esses resultados apontam áreas que requerem atenção prioritária e intervenções direcionadas para aprimorar a qualidade assistencial nos hospitais analisados.
Esse problema repercutiu tanto no cenário nacional quanto no internacional. Em estudo nacional realizado em hospital público do estado de São Paulo, cujo objetivo foi identificar as condições de trabalho e seus reflexos na saúde dos profissionais de enfermagem durante a pandemia, observou-se agravamento de várias condições laborais26. Houve sobrecarga de trabalho, falta de equipamentos, insumos básicos e EPIs, o que gerou a percepção de desumanização do trabalho, fazendo com que os profissionais se sentissem como “máquinas” ou “números”26.
Estudo estadunidense apontou que a falta de medidas de proteção comprometeu o vínculo interpessoal com os pacientes, devido à limitação da frequência de entrada nos quartos, aumentando o estresse dos enfermeiros na prestação dos cuidados27.
Além dessas questões, alguns hospitais apresentaram preocupações específicas, como o dimensionamento de pessoal de enfermagem, que se destacou nos hospitais C, E, H e J. Tal achado evidencia a necessidade de revisão das políticas de dimensionamento e de alocação de recursos humanos, a fim de garantir distribuição adequada e equitativa do pessoal de enfermagem, promovendo qualidade assistencial e segurança do paciente.
Ressalta-se que há diferentes formas de avaliar adequadamente o quantitativo da equipe de enfermagem. No Brasil, a Resolução nº 543/2017, recentemente revogada pela Resolução nº 743/2024 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) e substituída pelo Parecer Normativo nº 01/2024, atualiza e estabelece parâmetros para o dimensionamento de profissionais de enfermagem nos serviços de saúde28. Entretanto, embora represente uma atualização normativa, essa medida pode fragilizar a força de trabalho, pois flexibiliza critérios técnicos previamente estabelecidos, podendo resultar em sobrecarga laboral e comprometer tanto a qualidade da assistência quanto a segurança do paciente.
Em artigo brasileiro de 2020, que ampliou a discussão sobre o dimensionamento de pessoal de enfermagem em contexto pandêmico, apontou-se que, mesmo antes da COVID-19, já havia um déficit estimado de 23.961 profissionais de enfermagem no país (8.430 enfermeiros e 15.531 técnicos/auxiliares), o que afetou a capacidade de resposta à emergência sanitária29. O Reino Unido também enfrentava escassez semelhante, em 2019, havia 43.590 vagas abertas para a enfermagem no National Health System (NHS), refletindo um quadro de estresse, absenteísmo, presenteísmo, rotatividade e intenções de demissão em níveis alarmantes, agravados pela pandemia11.
Esses resultados sugerem que algumas fragilidades identificadas durante a pandemia, especialmente relacionadas aos recursos necessários para assistência, dimensionamento de pessoal e interação multiprofissional, já constituíam desafios relevantes nos serviços de saúde e foram intensificadas pelo contexto pandêmico. Evidências recentes indicam que condições inadequadas de trabalho, insuficiência de recursos humanos e limitações organizacionais permanecem associadas a piores desfechos assistenciais e à redução da qualidade do cuidado de enfermagem, mesmo após o período mais crítico da pandemia16,20-21.
Além disso, ações educativas e de desenvolvimento de pessoal também foram identificadas como áreas de preocupação em vários hospitais, especialmente nos hospitais C, E e H, reforçando a importância do investimento em educação permanente e capacitação profissional em contextos emergenciais. Estudo espanhol demonstrou que a necessidade de capacitar rapidamente enfermeiros sem experiência prévia em cuidados críticos elevou riscos ocupacionais e reduziu níveis de segurança do paciente21. Pesquisa italiana identificou que as restrições sanitárias interferiram nas relações enfermeiro-paciente e nas práticas educativas, embora os profissionais tenham desenvolvido estratégias criativas de interação durante o período pandêmico30.
Assim, destaca-se o papel do enfermeiro na promoção do cuidado integral, no desenvolvimento de ações educativas e na adoção de medidas preventivas e de promoção da saúde, especialmente em contextos emergenciais31.
Verificaram-se porcentagens distintas de adequação entre as regiões nas dimensões recursos necessários para prestar assistência e interação e atuação multidisciplinar, refletindo desigualdades históricas no acesso e na qualidade da assistência em saúde no Brasil. Essas disparidades evidenciam desafios persistentes ao Sistema Único de Saúde (SUS) e reforçam a necessidade de fortalecimento da força de trabalho, financiamento adequado e ampliação da capacidade de resposta frente a emergências sanitárias, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 3 - Saúde e Bem-Estar32-33.
Além das diferenças regionais, observou-se heterogeneidade na avaliação do produto do cuidar entre hospitais e profissionais da mesma instituição, sugerindo a influência de fatores institucionais e organizacionais na percepção da qualidade assistencial. Esse resultado reforça a necessidade de estudos que aprofundem essas relações.
Os achados deste estudo suscitam reflexões importantes sobre a preparação dos serviços de saúde para futuras emergências sanitárias. Evidências recentes apontam que o fortalecimento dos ambientes de prática profissional da enfermagem constitui estratégia essencial para ampliar a resiliência dos serviços de saúde diante de situações de crise, favorecendo melhores condições de trabalho e qualidade assistencial21.
Essas áreas de preocupação ressaltam a importância de uma abordagem complexa na análise e melhoria da qualidade assistencial. Segundo Edgar Morin, “as insuficiências e carências de conhecimento e pensamento durante a crise confirmam que precisamos de um modo de conhecimento capaz de responder aos desafios das complexidades e das incertezas”34. Assim, os problemas relacionados à interação multidisciplinar, dimensionamento de pessoal e alocação inadequada de recursos devem ser compreendidos como expressões interdependentes de um sistema complexo.
Apesar dos desafios estruturais e organizacionais, os melhores resultados do produto do cuidar estiveram relacionados ao planejamento da assistência, ao acompanhamento do cuidado e ao atendimento das necessidades de pacientes e familiares. Os achados sugerem que, em situações de emergência, os enfermeiros priorizam componentes essenciais da assistência, como o cuidado direto, o planejamento e a continuidade do cuidado, enquanto aspectos relacionados à interação multiprofissional, ações educativas e organização estrutural mostram-se mais vulneráveis às demandas emergenciais.
Este estudo apresenta limitações relacionadas ao delineamento transversal e ao uso de dados autorreferidos, que podem influenciar a percepção dos participantes sobre o produto do cuidar. Além disso, a variabilidade no número de participantes entre os hospitais e o longo período de coleta de dados, abrangendo diferentes fases da pandemia da COVID-19, podem ter influenciado os resultados. Apesar disso, o estudo contempla diferentes regiões brasileiras e amplia a compreensão sobre o produto do cuidar em enfermagem no contexto pandêmico, contribuindo para futuras investigações e para o fortalecimento das práticas assistenciais e gerenciais em saúde.
CONCLUSÕES
Os resultados demonstraram que a pandemia da COVID-19 comprometeu aspectos estruturais e organizacionais do trabalho da enfermagem, especialmente relacionados à disponibilidade de recursos para assistência, ao dimensionamento de pessoal e à interação e atuação multidisciplinar. Apesar dessas fragilidades, o produto do cuidar foi avaliado predominantemente como bom pelos enfermeiros dos hospitais universitários brasileiros.
Destacaram-se positivamente as dimensões relacionadas ao atendimento das necessidades assistenciais, ao acompanhamento e transferência do cuidado, ao planejamento da assistência de enfermagem e à atenção ao paciente e/ou familiar. Em contrapartida, os menores percentuais de adequação foram observados nos componentes recursos necessários para prestar assistência, interação e atuação multidisciplinar e dimensionamento de pessoal de enfermagem, evidenciando fragilidades estruturais e organizacionais presentes no contexto investigado.
As diferenças observadas entre regiões e hospitais sugerem que características institucionais, organizacionais e contextuais podem influenciar a percepção dos enfermeiros acerca do produto do cuidar, reforçando a importância de considerar as especificidades dos diferentes cenários na gestão do cuidado e no planejamento de ações voltadas à qualificação da assistência.
Considerando-se as desigualdades regionais e as inequidades que caracterizam o país de dimensão continental, os resultados evidenciam a necessidade de fortalecer o SUS e avançar no cumprimento das metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (ODS 3) - Saúde e bem-estar para todos, especialmente no que se refere ao financiamento equitativo e à valorização da força de trabalho em enfermagem.
Sob a perspectiva do pensamento complexo, compreender o produto do cuidar requer reconhecer a interdependência entre estrutura, processo e resultado, bem como a inseparabilidade entre as dimensões humanas, organizacionais e políticas que permeiam o cuidado. Nesse sentido, os achados deste estudo reforçam que a qualidade do cuidado em enfermagem resulta da interação entre múltiplos fatores, demandando abordagens integradas para seu fortalecimento em contextos rotineiros e em situações de emergência sanitária.
AGRADECIMENTO
Agradecemos às instituições participantes do estudo e aos enfermeiros dos hospitais universitários das diferentes regiões do Brasil pela colaboração e disponibilidade em compartilhar suas experiências durante a pandemia da COVID-19.
Referências bibliográficas
-
1. Barbosa DJ, Gomes MP, Souza Abiana BA, Gomes AMT. Fatores de estresse nos profissionais de enfermagem no combate à pandemia da COVID-19: síntese de Evidências. Comun Ciênc Saúde [Internet]. 2020; [cited 2023 Aug 24]. Available from: https://doi.org/10.51723/ccs.v31iSuppl1
» https://doi.org/10.51723/ccs.v31iSuppl1 -
2. Freitas ARR, Napimoga M, Donalisio MR. Análise da gravidade da pandemia de COVID-19. Epidemiol Serv Saude [Internet]. 2020 [cited 2023 Aug 24];29:e2020119. Available from: https://doi.org/10.5123/S1679-49742020000200008
» https://doi.org/10.5123/S1679-49742020000200008 - 3. Morin E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2nd ed. São Paulo, SP(BR): Cortez; 2018.
-
4. OMS declara fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional referente à COVID-19 - OPAS/OMS | Organização Pan-Americana da Saúde [Internet]. Brasília: OPAS; 2023 [cited 2023 Aug 24]. Available from: https://www.paho.org/pt/noticias/5-5-2023-oms-declara-fim-da-emergencia-saude-publica-importancia-internacional-referente
» https://www.paho.org/pt/noticias/5-5-2023-oms-declara-fim-da-emergencia-saude-publica-importancia-internacional-referente -
5. Gandra EC, Silva KL, Passos HR, Schreck RSC. Enfermagem brasileira e a pandemia de COVID-19: desigualdades em evidência. Esc Anna Nery [Internet]. 2021 [cited 2023 Aug 26];25(spe):e20210058. Available from: https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2021-0058
» https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2021-0058 -
6. Sousa AR, Santos GLA, Silva RS, Carvalho ESS. Reflexões sobre o Processo de Enfermagem no trabalho de enfermeiras frente à pandemia da COVID-19. Enferm Em Foco [Internet]. 2020 [cited 2023 Sept 10];11(1. esp). Available from: https://dx.doi.org/10.21675/2357-707X.2020.v11.n1.ESP.3501
» https://dx.doi.org/10.21675/2357-707X.2020.v11.n1.ESP.3501 -
7. Humerez DCD, Ohl RIB, Silva MCND. Saúde mental dos profissionais de enfermagem do Brasil no contexto da pandemia COVID-19: ação do conselho federal de enfermagem. Cogitare Enferm [Internet]. 2020 [cited 2024 Jan 23];25. Available from:Available from:https://doi.org/10.5380/ce.v25i0.74115
» https://doi.org/10.5380/ce.v25i0.74115 -
8. Gomes MP, Barbosa DJ, Gomes AMT, Souza FBA, Paula GS, Espírito Santo CC. Perfil dos profissionais de enfermagem que estão atuando durante a pandemia do novo Coronavírus. J Nurs Health [Internet]. 2020 [cited 2023 Aug 30];10(4):20104026. Available from:Available from:https://doi.org/10.15210/jonah.v10i4.18921
» https://doi.org/10.15210/jonah.v10i4.18921 -
9. Campos DB, Gomes IVG, Alves AR, Moreira TMM, Figueiredo SV. Reflexões sobre a pandemia COVID-19 e ações de educação permanente em enfermagem num hospital. Glob Acad Nurs [Internet]. 2021 [cited 2023 Sept 10]. Available from: https://doi.org/10.5935/2675-5602.20200050
» https://doi.org/10.5935/2675-5602.20200050 -
10. Gnatta JR, Vieira RCA, Santos LSC, Penha SL, Sanchez GN, Oliveira JC, et al. Safety of nursing professionals and patient facing COVID-19 pandemic in critical care unit. Rev Lat-Am Enfermagem [Internet]. 2023 [cited 2024 jan 05];31:e3861. Available from: https://doi.org/10.1590/1518-8345.6317.3862
» https://doi.org/10.1590/1518-8345.6317.3862 -
11. West M, Bailey S, Williams E. The King’s Fund [Internet]. London: The King's Fund; 2020 [cited 2023 Sept 09]. The courage of compassion. Available from: https://www.kingsfund.org.uk/publications/courage-compassion-supporting-nurses-midwives
» https://www.kingsfund.org.uk/publications/courage-compassion-supporting-nurses-midwives -
12. Foye U, Dalton‐Locke C, Harju‐Seppänen J, Lane R, Beames L, Juan NVS, et al. How has COVID‐19 affected mental health nurses and the delivery of mental health nursing care in the UK? Results of a mixed‐methods study. J Psychiatr Ment Health Nurs [Internet]. 2021 [cited 2023 Sept 09];28(2):126-37. Available from:Available from:https://doi.org/10.1101/2020.11.05.20226472
» https://doi.org/10.1101/2020.11.05.20226472 -
13. Labrague LJ, Santos JAA, Fronda DC. Factors associated with missed nursing care and nurse-assessed quality of care during the COVID-19 pandemic. J Nurs Manag [Internet]. 2022 [cited 2023 Aug 25];30(1):62-70. Available from:Available from:https://doi.org/10.1111/jonm.13483
» https://doi.org/10.1111/jonm.13483 -
14. Yoo HJ, Lee H. Critical role of information and communication technology in nursing during the COVID-19 pandemic: A qualitative study. J Nurs Manag [Internet]. 2022 [cited 2023 Aug 25];30(8):3677-85. Available from:Available from:https://doi.org/10.1111/jonm.13880
» https://doi.org/10.1111/jonm.13880 -
15. Batista FR, Rodrigues Melgaço NP. O COVID-19 e o SUS. Sin Mult [Internet]. 2020; [cited 2023 Aug 28];9(1):2-6. Available from: https://periodicos.pucminas.br/sinapsemultipla/article/view/24395
» https://periodicos.pucminas.br/sinapsemultipla/article/view/24395 -
16. Cucolo DF, Perroca MG. Assessment of the nursing care product (APROCENF): a reliability and construct validity study. Rev Lat-Am Enfermagem [Internet]. 2017 [cited 2023 Nov 23];25. Available from: https://doi.org/10.1590/1518-8345.1495.2860
» https://doi.org/10.1590/1518-8345.1495.2860 -
17. Babamohamadi H, Davari H, Safari AA, Alaei S, Valizadeh L, Mahmoudi H. The association between workload and quality of work life of nurses caring for patients with COVID-19. BMC Nurs [Internet]. 2023 [cited 2026 May 28];22(1):234. Available from: https://doi.org/10.1186/s12912-023-01395-6
» https://doi.org/10.1186/s12912-023-01395-6 -
18. Ross P, Howard B, Ilic D, Watterson J, Hodgson CL. Nursing workload and patient-focused outcomes in intensive care: a systematic review. Nurs Health Sci [Internet]. 2023 [cited 2026 May 28];25(4):497-515. Available from: https://doi.org/10.1111/nhs.13052
» https://doi.org/10.1111/nhs.13052 -
19. Santos WC, Lopes MCBT, Vancini-Campanharo CR, Okuno MFP, Batista REA. Nursing workload and severity of COVID-19 patients in the intensive care unit. Rev Esc Enferm USP [Internet]. 2024 [cited 2026 May 30];58. Available from: https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2024-0107en
» https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2024-0107en -
20. Aiken LH, Sloane DM, McHugh MD, Pogue CA, Lasater KB. A repeated cross-sectional study of nurses immediately before and during the COVID-19 pandemic: implications for action. Nurs Outlook [Internet]. 2023 [cited 2026 May 30];71(1):101903. Available from: https://doi.org/10.1016/j.outlook.2022.11.007
» https://doi.org/10.1016/j.outlook.2022.11.007 -
21. Ribeiro OMPL, Cardoso MF, Trindade LL, Fernandes A, Rocha LP. From the first to the fourth critical period of COVID-19: what has changed in nursing practice environments in hospital settings? BMC Nurs [Internet]. 2023 [cited 2026 May 29];22(1):53. Available from: https:// doi.org/10.1186/s12912-023-01207-x
» https:// doi.org/10.1186/s12912-023-01207-x -
22. Bastos JLD, Duquia RP. Um dos delineamentos mais empregados em epidemiologia: estudo transversal. Sci Medica [Internet]. 2007 [cited 2023 Sept 18];17(4):229-32. Available from: https://revistaseletronicas.pucrs.br/scientiamedica/article/view/2806
» https://revistaseletronicas.pucrs.br/scientiamedica/article/view/2806 -
23. Cevallos M, Egger M. STROBE (STrengthening the Reporting of Observational studies in Epidemiology). In: Moher D, Altman DG, Schulz KF, Simera I, Wager E, organizadores. Guidelines for Reporting Health Research: A User’s Manual [Internet]. Hoboken (NJ): Wiley; 2014 [cited 2023 Sept 18]. Available from: https://www.equator-network.org/wp-content/uploads/2016/12/CevallosEgger-Chapter-17-Guidelines-for-Reporting-Health-Research-A-Users-Manual.pdf
» https://www.equator-network.org/wp-content/uploads/2016/12/CevallosEgger-Chapter-17-Guidelines-for-Reporting-Health-Research-A-Users-Manual.pdf -
24. Theodosio BAL, Ribeiro LF, Andrade MIS, Mpomo JSVMM. Barreiras e facilitadores do trabalho multiprofissional em saúde na Pandemia da COVID-19/ Barriers and facilitating factors of multiprofessional health work in the COVID-19 Pandemic. Braz J Dev [Internet]. 2021 [cited 2023 Sept 28];7(4):33998-4016. Available from:Available from:https://doi.org/10.34117/bjdv7n4-044
» https://doi.org/10.34117/bjdv7n4-044 -
25. Torres-González JI, Arias-Rivera S, Velasco-Sanz T, Mateos DA, Planas PB, Zaragoza-García I, et al. ¿Qué ha sucedido con los cuidados durante la pandemia COVID-19? Enferm Intensiva [Internet]. 2020 [cited 2023 Sept 28];31(3):101-4. Available from:Available from:https://doi.org/10.1016/j.enfie.2020.07.001
» https://doi.org/10.1016/j.enfie.2020.07.001 -
26. Galon T, Navarro VL, Gonçalves AMS. Percepções de profissionais de enfermagem sobre suas condições de trabalho e saúde no contexto da pandemia de COVID-19. Rev Bras Saúde Ocupacional [Internet]. 2022 [cited 2023 Oct 03];47:ecov2. Available from: https://doi.org/10.1590/2317-6369/15821PT2022v47ecov2
» https://doi.org/10.1590/2317-6369/15821PT2022v47ecov2 -
27. Reynolds NR, Baker D, D’Aoust R, Docal M, Goldstein N, Grubb L, et al. COVID‐19: Implications for Nursing and Health Care in the United States. J Nurs Scholarsh [Internet]. 2023 [cited 2024 Jan 10];55(1):187-201. Available from:Available from:https://doi.org/10.1111/jnu.12853
» https://doi.org/10.1111/jnu.12853 -
28. Resolução COFEN No 543/2017 - Revogada pela resolução COFEN No 743/2024 [Internet]. Brasília: COFEN; 2017 [cited 2024 May 3]. Available from: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-5432017/
» https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-5432017/ -
29. Nishiyama JAP, Moraes RMR, Magalhães AMM, Nicola AL, Trevilato DD, Oliveira JLC. Dimensões laborais, éticas e políticas do dimensionamento de pessoal de enfermagem diante da COVID-19. Esc Anna Nery [Internet]. 2020 [cited 2023 Sept 18];24:e20200382. Available from: https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2020-0382
» https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2020-0382 -
30. Clari M, Luciani M, Conti A, Sciannameo V, Berchialla P, Di Giulio P, et al. The Impact of the COVID-19 Pandemic on Nursing Care: A Cross-Sectional Survey-Based Study. J Pers Med [Internet]. 2021 [cited 2023 Sept 28];11(10):945. Available from: https://doi.org/10.3390/jpm11100945
» https://doi.org/10.3390/jpm11100945 -
31. Pinheiro PNC, Mondragón-Sánchez EJ, Costa MIF, Rodrigues IP. Reflections on nursing and COVID-19 in light of health education. Rev Bras Enferm [Internet]. 2021 [cited 2023 Oct 10];75:e20201305. Available from: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-1305
» https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-1305 - 32. Pinto NGM, Coronel DA, Müller AP, Guerra PAC, Carvalho GS. Observatório socioeconômico da Covid-19: Perspectivas econômicas e sociais diante da pandemia. 1st ed. Paco e Littera; 2022.
-
33. Pinheiro FMG, Martinho RML, Moreira RC, Martinho LSAB. Iniquidades regionais e sociais na mortalidade por COVID-19 no Brasil. Rev Bras Gest Desenvolv Reg [Internet]. 2020 [cited 2025 Oct 09];16(4). Available from: https://www.rbgdr.net/revista/index.php/rbgdr/article/view/5978
» https://www.rbgdr.net/revista/index.php/rbgdr/article/view/5978 - 34. Morin E. É hora de mudarmos de via: as lições do coronavírus. Rio de Janeiro, RJ(BR): Bertrand Brasil; 2020.
NOTAS
-
ORIGEM DO ARTIGO
Extraído da tese - Avaliação do produto do cuidar em enfermagem no contexto da pandemia da COVID-19, que será apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo - EPE UNIFESP, em 2026.
-
FINANCIAMENTO
A pesquisa foi realizada com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na Chamada MCTIC/CNPq/FNDCT/MS/SCTIE/Decit Nº 07/2020 - Pesquisas para enfrentamento da COVID-19, suas consequências e outras síndromes respiratórias agudas graves (Processo nº: 402392/2020-5).
-
APROVAÇÃO DE COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA
Aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, parecer n. 5.452.034, Certificado de Apresentação para Apreciação Ética 38912820.3.1001.0121.
-
DISPONIBILIDADE DE DADOS
Os dados que sustentam os resultados deste estudo estão descritos no manuscrito. Dados adicionais podem ser disponibilizados mediante solicitação ao autor correspondente.
Editado por
Os dados que sustentam os resultados deste estudo estão descritos no manuscrito. Dados adicionais podem ser disponibilizados mediante solicitação ao autor correspondente.


