RESUMO
Objetivo: mapear os apoios formais e seus resultados ao cuidador informal de pessoas com dependência funcional no domicílio.
Método: revisão de escopo, baseada no Manual Institute Joanna Briggs de 2020. Utilizou-se como base de dados PUBMED, LILACS, BDENF, WoS, Scopus, CINAHL e SCIELO. A coleta de dados ocorreu em fevereiro de 2022 e foi atualizada em junho de 2024. Foram incluídos estudos sobre apoio/suporte ao cuidador informal de pessoas dependentes funcionalmente, publicados em inglês, espanhol ou português a partir do ano de 2002; excluídas revisões, carta ao editor e resumos publicados em anais. Os estudos foram organizados e triados no programa Endnote, por dois revisores independentes, que respondiam à pergunta da revisão, a partir da leitura dos títulos e resumos. Os dados de 58 estudos foram organizados em planilhas do Excel e submetidos à análise de conteúdo dirigido mediante auxílio do programa NVivo.
Resultados: As formas de apoio formal correspondem a estratégia, intervenção psicoeducacional, intervenção psicossocial e intervenção psicoterapêutica, realizadas de forma presencial, híbrida ou online, individual e ou grupais, por enfermeiros, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais. Essas produzem tipos de apoios, emocional, informacional, instrumental, interação social positiva e afetivo, que podem aumentar a autoeficácia do cuidador e outros reduzem o estresse, a ansiedade e a depressão.
Conclusão: Conclui-se que nas formas de apoio as tecnologias da informação e comunicação são ferramentas promotoras e facilitadoras do apoio desenvolvido ao cuidador, uma vez que, permitem o acesso dos profissionais de saúde aos cuidadores.
DESCRITORES:
Apoio social; Cuidadores; Serviços de assistência domiciliar; Cuidados intermitentes; Assistência domiciliar; Revisão
ABSTRACT
Objective: to map formal support and its results for informal caregivers of people with functional dependence at home.
Method: a scoping review based on the 2020 JBI Manual. The PubMed, LILACS, BDENF, WoS, Scopus, CINAHL and ScieLO databases were used. Data collection took place in February 2022 and was updated in June 2024. Studies on support for informal caregivers of functionally dependent individuals, published in English, Spanish or Portuguese from 2002 onwards, were included. Reviews, letters to the editor and abstracts published in annals were excluded. The studies were organized and screened in EndNote by two independent reviewers, who answered the review question by reading the titles and abstracts. Data from 58 studies were organized in Excel spreadsheets and submitted to directed content analysis using NVivo.
Results: the forms of formal support correspond to strategy, psychoeducational intervention, psychosocial intervention and psychotherapeutic intervention, carried out in person, hybrid or online, individually and/or in groups, by nurses, occupational therapists and social workers. These produce types of support, such as emotional, informational, instrumental, positive social interaction and affective, which can increase caregivers’ and other’s self-efficacy, reducing stress, anxiety and depression.
Conclusion: it is concluded that the forms of support, information and communication technologies are tools that promote and facilitate the support provided to caregivers, since they allow health professionals to access caregivers.
DESCRIPTORS:
Social Support; Caregivers; Home Care Services; Respite Care; Home Nursing; Review
RESUMEN
Objetivo: mapear el apoyo formal y sus resultados para cuidadores informales de personas con dependencia funcional en el hogar.
Método: revisión de alcance, basada en el Manual JBI 2020 PubMed, LILACS, BDENF, WoS, Scopus, CINAHL y ScieLO. La recopilación de datos se realizó en febrero de 2022 y se actualizó en junio de 2024. Se incluyeron estudios sobre apoyo de cuidadores informales a personas funcionalmente dependientes, publicados en inglés, español o portugués a partir de 2002. Se excluyeron las revisiones de carta al editor y los resúmenes publicados en. actas. Los estudios fueron organizados y revisados en EndNote por dos revisores independientes, quienes respondieron a la pregunta de revisión leyendo los títulos y resúmenes. Los datos de 58 estudios se organizaron en hojas de cálculo de Excel y se sometieron a un análisis de contenido específico utilizando NVivo.
Resultados: las formas de apoyo formal corresponden a estrategia, intervención psicoeducativa, intervención psicosocial e intervención psicoterapéutica, realizadas de forma presencial, híbrida u online, individual y/o grupal, por enfermeros, terapeutas ocupacionales y trabajadores sociales. Estos producen tipos de apoyo, como el emocional, informativo, instrumental, de interacción social positiva y afectivo, que pueden aumentar la autoeficacia de los cuidadores y de otras personas, reduciendo el estrés, la ansiedad y la depresión.
Conclusión: se concluye que las formas de apoyo que las tecnologías de la información y la comunicación son herramientas que promueven y facilitan el apoyo desarrollado para los cuidadores, ya que permiten el acceso de los profesionales de la salud a los cuidadores.
DESCRIPTORES:
Apoyo Social; Cuidadores; Servicios de Atención de Salud a Domicilio; Cuidados Intermitentes; Atención Domiciliaria de Salud; Revisión
INTRODUÇÃO
A dependência funcional é vista como a necessidade de ajuda parcial ou total na realização das atividades da vida diária1, oriunda do envelhecimento e de agravos crônicos. Na atualidade, as pessoas vivem mais, sendo a previsão mundial para 2030 que uma em cada seis pessoas terá 60 anos ou mais. Espera-se um aumento desse grupo populacional de 1 bilhão em 2020 para 1,4 bilhão em 10 anos. O envelhecimento representa, assim, um desafio para os sistemas de saúde, pois junto dele vêm doenças crônicas e incapacidades2.
Nesse contexto, ocorre o estabelecimento de cuidados em curto e longo prazo, considerando-se a necessidade de reorganização das práticas de atenção a fim de promover o envelhecimento saudável e suporte aos cuidadores1,3. Ao estabelecer-se a condição de dependência e a necessidade de cuidado intenso devido ao adoecimento, os cuidadores tornam-se fundamentais3.
Entretanto, ser cuidador é uma tarefa que exige esforços físicos e emocionais que podem ocasionar sobrecarga. Por isso, formas de apoio são fundamentais e necessárias para a continuidade do cuidado e bem-estar do cuidador3. O cuidador informal é um membro da família, ou não, que presta o cuidado à pessoa que está dependente, de forma voluntária, com ações que visam auxiliar física ou mentalmente a pessoa para desempenhar tarefas da vida diária e autocuidado4.
Duas revisões sistemáticas abordaram intervenções aos cuidadores e possível classificação para elas. A primeira apontou modelos psicoeducacionais, psicoterapêuticos e psicossociais5. A segunda identificou intervenções que reduzem a sobrecarga de cuidado dos cuidadores de sobreviventes de acidente vascular cerebral, com destaque às intervenções psicoeducacionais, que demonstraram resultados positivos no âmbito psicológico, físico e social, na qualificação dos cuidados e conhecimento dos cuidadores6.
Neste estudo, considerou-se o apoio formal como aquele fornecido por instituições e serviços públicos e privados que prestam atendimento, cuidado e suporte aos indivíduos e à sociedade7. Nesse sentido, podem ser identificadas intervenções e estratégias. A intervenção consiste em um conjunto de meios (físicos, humanos, financeiros e simbólicos) organizados em contexto específico, em determinado período, para produzir bens ou serviços visando modificar uma situação8. A estratégia é uma ação formulada e adequada para alcançar os desafios e objetivos estabelecidos9.
Quando desenvolvidas, intervenções e estratégias resultam em diferentes tipos de apoio social: 1) instrumental, que corresponde à ajuda material ou prática; 2) emocional, que diz respeito às relações afetivas, de escuta, compreensão e zelo; 3) informacionais, que se referem às orientações, sugestões e conselhos; 4) afetivo, que envolve demonstrações de carinho e amor; e 5) interação social positiva, que produz alívio de estresse a partir do lazer10.
Diante do apresentado, justifica-se mapear as formas de apoio formal ao cuidador de pessoas dependentes no domicílio com a intenção de que sejam utilizadas na assistência, promovendo, dessa forma, qualidade de vida e permitindo a continuidade do cuidado à pessoa dependente. O diferencial desta revisão de escopo em relação às revisões sistemáticas já realizadas está para além do mapeamento das formas, explicitando o tipo de apoio gerado por cada uma delas. Por isso, objetivou-se mapear os apoios formais e seus resultados ao cuidador informal de pessoas com dependência funcional no domicílio.
MÉTODO
Revisão de Escopo11, registrada no Open Science Framework (osf.io/qp3br)12, estruturada metodologicamente pelo JBI - Manual for Evidence Synthesis13, com dados provenientes de artigos, documentos institucionais, teses e dissertações. Contudo, tendo em vista a limitação de espaço, apresenta-se aqui um recorte dos resultados identificados nas análises dos artigos. Na primeira etapa, definiram-se os objetivos e pergunta da revisão, seguindo a estratégia PCC (População - cuidadores domiciliares; Conceito - formas de organização de apoio/suporte; e Contexto - domicílio, atenção domiciliar): quais os apoios formais ao cuidador informal de pessoas com dependência funcional no domicílio?
Incluíram-se artigos originais com descrição de apoio formal aos cuidadores informais de pessoas com dependência funcional no domicílio e respectivos resultados, publicados em inglês, espanhol ou português entre 2002 e 2022, com atualização em 2024. A delimitação temporal ocorreu considerando o critério de exequibilidade analítica frente ao elevado número de artigos, além de tal período compreender a emergência de políticas públicas e associações que incluem famílias e cuidadores familiares como um dos entes assistidos pelas equipes e serviços de saúde. No Brasil, por exemplo, destacam-se a reativação da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, a publicação da Política Nacional de Humanização em 200314 e da Política Nacional de Atenção Básica em 200615. As formas de apoio formal correspondem às estratégias e intervenções psicoeducacional, psicossocial e psicoterapêutica. Foram excluídos: estudos que não abordem conceitos relevantes para o alcance do objetivo; revisões; estudos repetidos; relatos de experiência, protocolo, estudos piloto, carta ao editor; resumos publicados em anais.
Entre fevereiro e março de 2022 os artigos foram acessados por bibliotecária e, em junho de 2024 as autoras do artigo realizaram a atualização, considerando as mesmas bases de dados e as respectivas estratégias de busca, conforme Quadro 1. Destaca-se que o Endnote foi utilizado para remover os arquivos duplicados.
Na etapa de seleção, primeiro foram lidos os títulos e resumos, observando os critérios de inclusão, e posteriormente, ocorreu a leitura na íntegra. 58 artigos foram elegíveis, conforme Figura 1 16-73.
Entre julho e outubro de 2022, a equipe elaborou um Manual de Orientação para a extração dos dados, constituído por quatro seções: 1) Recomendações gerais para coletores; 2) Materiais necessários para a extração; 3) Definição de alguns conceitos; 4) Formulário de extração dos dados no aplicativo de gerenciamento de pesquisas do Google. As planilhas em Excel geradas a partir da extração dos dados tinham como informações a referência, país, tipo de pesquisa, agravo à saúde da pessoa cuidada, a descrição da forma de apoio, com detalhes do local de desenvolvimento, número de pessoas beneficiadas com objetivo de obter informação se o apoio era individual ou em grupo e, os resultados principais.
Para a organização e gerenciamento dos dados extraídos, descrição da forma de apoio e resultados principais, foi utilizado o programa Nvivo. Para a análise aplicou-se a análise de conteúdo do tipo dirigida74. Nessa abordagem, a análise começou com a construção de um quadro teórico/conceitos sobre formas de apoio/suporte e os tipos de apoio que orientou a elaboração de códigos iniciais, subcategorias e categorias. O livro de códigos foi composto pelos conceitos: estratégia9, intervenção psicoeducacional, intervenção psicossocial e intervenção psicoterapêutica5, e os tipos de apoio (emocional, informacional, instrumental, interação social positiva e afetivo)10. Posteriormente, iniciou-se a leitura dos dados para a imersão e compreensão do todo. Em seguida, procedeu à leitura linha a linha e os recortes foram codificados a partir do livro de códigos. Na interpretação, estes foram reorganizados e agrupados formando categorias pré-definidas, por exemplo, apoio formal. Nessa etapa, participaram duas pesquisadoras da equipe que tinham experiência/expertise com os temas apoio e tipos de apoio social e pesquisa qualitativa. A apresentação dos resultados seguiu o Prisma-SCR13, e para a síntese foram construídas figuras e quadros. Por se tratar de um estudo que utilizou dados disponíveis publicamente e não envolveu seres humanos, não houve necessidade de apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa.
RESULTADOS
Os artigos foram publicados entre 2002 e 2024, destacando-se 2016 e 2019 com maior número de publicações. Quanto à abordagem, 35 eram quantitativos, 13 qualitativos, três quantitativos e qualitativos, seis métodos mistos e um não tinha a informação. Dentre os países, o mais frequente foi os EUA, com 26 publicações, seguido de oito no Reino Unido, seis na Austrália e no Canadá. Dois foram realizados em três ou mais países. Das 58 publicações, 16 (28 %) foram de estratégia, 28 (48 %) de intervenções psicoeducacionais, 13 (22 %) de psicossociais e 1 (2 %) de psicoterapêutica. O Quadro 2 apresenta os apoios formais, a descrição e o tipo de apoio gerado.
As estratégias foram direcionadas aos cuidadores de pessoas com demência23,27,56,65,68, Alzheimer47, agravos crônicos gerais32,46,49,63, Esclerose Lateral Amiotrófica73 e algumas não tiveram especificações28,22,34,66,69. A intervenção Psicoeducacional foi direcionada a cuidadores de pessoas com demência29,38,42,51,52,43,50, Alzheimer19,20,26;62, AVC25,55,58,67, agravos crônicos gerais16,17,33,54, Alzheimer e demência35,48,44,45, doença neuromotora31, deficiência cognitiva64, diabetes mellitus71 e um não especificado30,70. As intervenções Psicossociais voltaram-se aos cuidadores de pessoas com Alzheimer40,41,18,24,57,53, demência39,72, Alzheimer e demência36, agravos crônicos gerais21,37, dependência funcional61 e AVC59. A intervenção Psicoterapêutica foi com cuidadores de pessoas com câncer60.
DISCUSSÃO
Esta revisão de escopo permitiu identificar formas de organização de apoio/suporte sob modalidade estratégia como ação contínua e intervenção com desenvolvimento em etapas, indicando seu início, meio e fim. A intervenção, conforme seu objetivo, pode ser psicoeducacional, psicossocial ou psicoterapêutica.
A modalidade estratégia se caracterizou como uma ação que possibilita gerar formas de apoio e suporte ao cuidador de forma contínua, por meio de serviços e programas, a fim de aliviar a sobrecarga. Com base nelas, os tipos de apoio possíveis de serem gerados são emocional, informacional, instrumental, interação social positiva e afetivo.
A estratégia, nesse entendimento de continuidade, é sugerida em estudo de revisão integrativa75, que trata do impacto do cuidado no sistema musculoesquelético do cuidador, no qual se destacou a importância de atividade física realizada de forma contínua como estratégia educativa, com diretrizes para orientar a prática de exercícios físicos ou terapias de movimento eficazes em dores no pescoço, ombros e joelhos dos cuidadores.
A intervenção psicoeducacional é uma ação de caráter educacional, de elaboração de formas de enfrentamento, partindo da identificação das necessidades do cuidador quanto ao desenvolvimento do cuidado ao outro, do autocuidado, da autogestão e autoeficácia. É desenvolvida com período de tempo, número de atividades, recursos, materiais e instrumentos diversos preestabelecidos. Entre os apoios gerados, estavam o emocional, o informacional, o instrumental e a interação social positiva.
Intervenções psicoeducacionais são potentes porque aumentam as informações sobre a situação do paciente, capacitando e aperfeiçoando o cuidador para o cuidado, deixando-o seguro e autoconfiante76. Educar o cuidador permite-lhe ter uma melhor gestão e controle da situação, além de ajudar a preparar-se para a possível morte do seu familiar. Sendo assim, o apoio social é essencial para melhorar a percepção da qualidade de vida, pelo que o profissional deve ajudar o cuidador a fortalecer as suas redes familiares e a definir papeis dentro da dinâmica familiar para reduzir a sobrecarga. De forma interdisciplinar, o cuidador deve ser orientado e acompanhado no cuidado do seu familiar para diminuir o impacto psicológico e emocional na sua qualidade de vida77.
Estudo de revisão78 afirma que os profissionais de saúde preferem as intervenções psicoeducacionais pelas contribuições geradas, entre melhor compreensão sobre o assunto e preparo para a situação. Além disso, permitem que o cuidador adquira conhecimentos sobre o cuidado, aprenda a utilizar estratégias de enfrentamento nas situações negativas, melhore sua autoeficácia e autoestima, reduzindo, assim, o seu estresse.
A intervenção psicossocial consiste em ações e técnicas que utilizam mecanismos cognitivos, comportamentais e sociais. Ela possibilita o desenvolvimento de competência, conhecimentos e enfrentamento de crises, além de mobilizar a busca por apoio, tanto na família quanto na comunidade, fortalecendo, desse modo, a rede disponível. As ações e as técnicas incluem aconselhamento individual e/ou familiar. Os apoios gerados são emocional, informacional, instrumental e interação social positiva.
Em revisão de escopo, que buscou benefícios de intervenções psicossociais, foi identificado que as intervenções psicossociais se apresentam como recurso útil para cuidadores informais de pessoas com dependência funcional, pois resultam em reduções estatisticamente significativas no estresse e na sobrecarga do cuidador ao mesmo tempo que diminui a sensação de isolamento79. Mesmos benefícios obtidos com a realização deste tipo de intervenção foi encontrado em revisão integrativa76, pois apresentam como potência a troca de saberes, sendo promovidas em grupos, e possibilitam melhor enfrentamento de problemas, pois surgem como uma rede de apoio ao cuidador, aumentando a confiança para cuidar do outro e o enfrentamento de problemas.
Revisão sistemática que buscou benefícios de intervenções psicossociais para cuidadores de pessoas com demência também encontrou que este tipo de intervenção pode ser benéfico para a promoção da saúde mental dos cuidadores informais de pessoas que vivem com demência. Abordagens cognitivo-comportamentais mostram resultados promissores, especialmente no que diz respeito à redução dos sintomas depressivos80.
Por fim, a intervenção psicoterapêutica é uma terapia que pode ser realizada no domicílio ou em serviço de saúde, tendo como foco reduzir o estresse, a ansiedade e outras questões emocionais. Ela pode ocorrer por meio da espiritualidade, como prática de cuidado, consistindo em uma ação que mantém o bem-estar e o aumento do enfrentamento e fortalecimento do cuidador no seu exercício de cuidar. O apoio gerado foi o emocional, tendo reduzido ansiedade, desconforto psicológico, sobrecarga e depressão.
Entre as vantagens de uso de intervenções psicoterapêuticas está o fato de serem realizadas individualmente, possibilitando o olhar para as singularidades do cuidador76. Um estudo81 com psicólogos investigou a psicoterapia domiciliar e demonstrou que há melhor obtenção de informações sobre a rede relacional da pessoa atendida, bem como a possibilidade de intervir diretamente com os familiares envolvidos na problemática por meio de orientações preventivas, quando se aplicam.
Destacam-se, nesta revisão de escopo, as formas híbridas e os ambientes virtuais pelo uso de aconselhamento, o qual é constituído pelo acolhimento, construção de vínculo e interação, escuta efetiva e uso de tecnologias, seja por telefone, computadores conectados à internet, robô, monitoramento remoto, que são de fácil acesso para profissionais de saúde e cuidadores, além de reduzir custos para os serviços de saúde e cuidadores. Essas organizações82 têm alcançado resultados promissores, com potencial de expansão e incorporação aos sistemas de saúde, visando benefícios embasados nas melhores evidências.
É visto que os apoios são indispensáveis para enfrentamentos de condições crônicas, como o apoio emocional, instrumental, informacional, financeiro e espiritual. Em estudo83 realizado com idosos, identificou-se que aqueles com ausência de sintomas depressivos tinham maior percepção de apoio emocional e interação social positiva. Sendo assim, o apoio deve ser constante para que o cuidador se perceba capaz e motivado a continuar cuidando. O apoio emocional84 pode ser visto como um fator de proteção sobre a qualidade de vida do cuidador, amenizando aspectos negativos do cuidado.
Em estudo, destacou-se a importância de instrumentalizar o cuidador durante a hospitalização para que desenvolva habilidades e segurança para execução dos cuidados domiciliares84. Além disso, fornecer informações baseadas em evidências científicas melhora os cuidados prestados à pessoa idosa e a qualidade de vida dos cuidadores85.
Ademais, cuidadores bem informados sobre os efeitos da sobrecarga em sua saúde mental têm condições de identificar as fontes geradoras de estresse e condições de pedir e aceitar ajuda de terceiros. Quando o cuidador compreende que não é a única pessoa que vive tal situação e que pode receber ajuda de familiares e amigos, pode tornar-se mais fortalecido e com menor sobrecarga86. Dessa maneira, o apoio afetivo faz-se essencial para o cuidador.
A interação social positiva é vista como eficaz para a diminuição da sobrecarga do cuidador. Identificar os membros significativos da rede de apoio social é fundamental, uma vez que são essas pessoas que poderão dar o apoio. Inserir os cuidadores em atividades, como grupos de caminhada, alongamento, atividades manuais, oficinas, pode ser útil no sentido de ampliar a quantidade de relacionamentos87. Ações relacionadas ao apoio social podem ser úteis para melhorar a qualidade de vida.
O número de pessoas que vivem com tipos de demência, incluindo Alzheimer, está crescendo e se estima que mais de 55 milhões de pessoas estão vivendo com demência nos dias atuais88. Isso pode justificar a maior frequência, nesta revisão de escopo, das formas de apoio direcionadas para cuidadores de pessoas com demência e Alzheimer.
Tem-se como limitações desta revisão a restrição dos idiomas para o inglês, espanhol e português. Isso requer a relativização das afirmações realizadas, considerando que estudos mais antigos e aqueles publicados em países em que cuidadores familiares são importantes no domicílio, como os Orientais, podem não ter sido recuperados e analisados. Embora se tenha tentado desenvolver uma estratégia de busca abrangente, é possível que alguns estudos relevantes tenham sido perdidos.
Outra limitação, mesmo com uso de descritores e Mesh Terms nas estratégias de busca, se deve ao quantitativo de títulos capturados inicialmente nas bases de dados e sua redução significativa ao final, devido às muitas publicações apenas mencionarem apoio ou suporte como necessidade do cuidador, sem detalhá-las. Assim, pesquisar e selecionar os estudos apenas a partir dos títulos, dos resumos e dos títulos de assunto, pode-se ter perdido documentos relevantes. Por fim, 31 artigos não disponibilizados na íntegra não foram incluídos por terem acesso restrito, mediante pagamento.
Ao contrário das revisões sistemáticas, as revisões de escopo não incorporam uma avaliação de qualidade dos estudos para sua inclusão, por isso os estudos incluídos nesta revisão não foram avaliados por seu rigor científico.
CONCLUSÕES
Esta revisão de escopo permitiu mapear as formas de apoios formais e os tipos de apoio ao cuidador domiciliar de pessoas dependentes funcionalmente no Brasil e em outros países. Nas formas de apoio, sejam estratégias ou intervenção, as tecnologias da informação e da comunicação despontaram como ferramentas promotoras e facilitadoras do apoio desenvolvido com os cuidadores, sendo realizadas, em sua maioria, por enfermeiros, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais.
Intervenções grupais ou individuais do tipo tecnologias da informação e da comunicação por meio do telefone, de computadores conectados à internet, de robôs, além de monitoramento remoto favorecem o acesso dos profissionais de saúde aos cuidadores e permitem a interação entre eles próprios. Isto amplia e fortalece o apoio aos cuidadores, considerando a restrição de tempo que eles possuem de um momento para si.
Acredita-se que os resultados podem direcionar para ações sobre as quais os profissionais atuantes em serviços de atenção domiciliar podem investir. As estratégias, podem ser ofertadas em situações de cuidado de longo prazo como aqueles prestados as pessoas com demência, pois são de organização e oferta contínua.
Intervenções psicoeducacionais, psicossociais e psicoterapêuticas demonstraram-se benéficas para os cuidadores e para os pacientes, podendo ser incorporadas com objetivos específicos, pois estas se caracterização por ter um desenvolvimento com início, meio e fim. Estas intervenções incorporadas em planos de cuidado, qualifica-os e propicia suporte diretamente para quem cuida e indiretamente para quem é cuidado, além de promover a educação em saúde, estratégias de enfrentamento e fortalecimento das redes de apoio.
Entre as lacunas identificou-se: a falta de discussão do gênero, raça e etnia; o tempo disponível do cuidador para acessar o apoio formal; a generalização de algumas formas de apoio, sem considerar a especificidade do agravo crônico da pessoa com dependência funcional; e, estudos brasileiros com apoio formal aos cuidadores, considerando o sistema de saúde desse país.
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NOTAS
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ORIGEM DO ARTIGO
Extraído de pesquisa de revisão de escopo aprovada na Chamada CNPq/Decit/SCTIE/MS para estudos de Revisões Sistemáticas, Revisões de Escopo e Sínteses de evidências para políticas com foco nas áreas de atenção domiciliar, saúde do adolescente e inquéritos de saúde. Nº 16/2021. Registrada no Open Science Framework12, com estrutura metodológica proposta pelo Joanna Briggs Institute - Manual for Evidence Synthesis13, com dados apenas dos documentos tipos artigos incluídos.
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FINANCIAMENTO
Chamada CNPq/Decit/SCTIE/MS para estudos de Revisões Sistemáticas, Revisões de Escopo e Sínteses de evidências para políticas com foco nas áreas de atenção domiciliar, saúde do adolescente e inquéritos de saúde. Nº 16/2021.
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DISPONIBILIDADE DE DADOS
Os dados que compõem os resultados deste estudo ainda estão sendo trabalhados para outros produtos, como tecnologias cuidativo educacionais e artigos científicos. Por este motivo, estão disponíveis mediante solicitação ao autor correspondente Fernanda Eisenhardt de Mello, para manter o ineditismo das demais publicações.
Editado por
Os dados que compõem os resultados deste estudo ainda estão sendo trabalhados para outros produtos, como tecnologias cuidativo educacionais e artigos científicos. Por este motivo, estão disponíveis mediante solicitação ao autor correspondente Fernanda Eisenhardt de Mello, para manter o ineditismo das demais publicações.


