A referida obra é resultado de investigações teórico-metodológicas sobre novas tendências Geotecnológicas elaborada pelo professor Doutor Gustavo Daniel Buzai, Licenciado em Geografia pela Universidade de Buenos Aires (U.B.A.) em 1992. A atuação profissional de Buzai está direcionada para a docência em cursos de Graduação e Pós-Graduação de Geografia em Universidades Nacionais da Argentina, entre as quais se destacam a Universidade de Buenos Aires, Tucumán, Luján, Nordeste y Comahue. Em 1997, foi professor visitante na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS/RS/Brasil). Salientase que em 1998, o autor obteve o título de Doutor em Geografia pela Universidade de Cuyo (Argentina). Paralelamente, as atividades de docência e pesquisa, na atualidade, Buzai é investigador do “Centro de Estudios Avanzados”; membro profissional do “Consejo Nacional de Investigaciones Cientificas y Técnicas (CONICET)”, atuando ainda como Coordenador do Laboratório de Cartografia Digital na Universidade Nacional de Luján.
A obra em análise se divide em seis capítulos, enfocando desde abordagens teóricometodológicas da ciência geográfica até sua relação com os paradigmas geotecnológicos da atualidade. Deve-se destacar a forma didática com que a obra expõe os conceitos e suportes teóricos através de inúmeros exemplos via fluxogramas, elaborados pelo autor, permitindo neste sentido, a compreensão do leitor referente à dinâmica que ocorre no mundo real, estabelecida através de um modelo conceitual (elaborado) e sendo finalizada através de um outro modelo, denominado digital, fruto de correlações previamente estabelecidas.
No capítulo 1, o autor resgata a evolução do pensamento geográfico, definindo conceitos norteadores da Geografia. Busca correlações com a perspectiva geotecnológica, iniciada em meados da década de 60, numa visão tecnicista a qual teve expansão significativa baseada na perspectiva teórico-instrumental ocorrida, principalmente, a partir da década de 90. Neste contexto, denominações como geotecnologia e geoinformática são delineadas, estabelecendo a relação da ciência geográfica com a tecnologia dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG).
Neste capítulo, o autor resgata inúmeros autores da ciência geográfica para alicerçar o suporte teórico entre eles Bunge (1962, 1966), Haggett (1965), Hartshorne (1939, 1958, 1959), Dobson (1983), Johnston (1991), La Blache (1985), Varenius (1950), Capel (1994), Ratzel (1882), Hettner (1927), Christofoletti (1979), Christaller (1933), Lacoste (1972, 1973), Moraes (1987), Raisz (1974).
No que diz respeito ao capítulo 2, intitulado “Conceptos historiográficos para el abordaje del cambio paradigmático en Geografia”, o autor realiza uma leitura geográfica através de uma série de reflexões a cerca das revoluções científicas. Estas estão impregnadas em uma análise fundamentada e direcionada à Geografia. Buzai conduz o leitor a perceber o progresso científico, visível em cada instante do cotidiano do cidadão e também resgata o desenvolvimento evolutivo da ciência como um todo. Integra, de forma dialética, o entendimento e o papel da técnica em um mundo cada vez mais globalizado.
Quanto ao capítulo 3, o autor teve como preocupação central destacar as abordagens conceituais das distintas escolas geográficas. Estas são apresentadas mediante os diferentes paradigmas estabelecidos entre os mais diversos pensadores/ autores da ciência geográfica. Buzai discute pontualmente aspectos como inventário, diferenciação, interação, significância e temporalidade na perspectiva Geográfica, propiciando, desta forma, uma perfeita compreensão quanto ao nível de profundidade que deve se estabelecer quando se trata do espaço geográfico.
“Perspectiva sociocultural y científicotecnológica a finales de siglo” é a denominação do capítulo 4, onde são aprofundadas as discussões a cerca dos conceitos de Modernidade e Pós-Modernidade. Neste sentido, os atores transformadores do espaço, principalmente o antropizado são claramente delineados, uma vez que a ciência e a tecnologia exercem um papel fundamental, modificando o espaço e propiciando o surgimento de “manifestaciones relacionales: hibridádión cultural” assim denominadas pelo autor. A complexidade da ciência e tecnologia é enfatizada, colocando o leitor frente aos novos ditames impostos pelo mundo Geotecnológico.
No capítulo 5, o autor aborda, com profundidade, o impacto da geotecnologia e a importância desta metodologia como ferramenta para a Geografia. Após os referenciais teóricos conduz a apreensão da tecnologia através do Sistema de Informação Geográfica (SIG), entendendo-o como um “núcleo integrador de la Geoinformática”. Conceitos, modelos e metodologias no que tange a tecnologia SIG são discutidos, estabelecendo um acompanhamento da abordagem teórica com aspectos práticos. Neste contexto, o autor demonstra via exemplos práticos, fruto de suas pesquisas, uma série de tabelas, que demonstram a diversidade de subprodutos que pode ser obtida via tecnologia SIG.
Finalizando a obra, no capítulo 6, Buzai estabelece o impacto da geotecnologia com a teoria da Geografia, desde seus aspectos conceituais e metodológicos até o surgimento de um novo paradigma ao qual ele denomina de Geotecnologia. De forma bastante didática, é possível que o leitor observe o impacto da Geoinformática sobre o espaço geográfico, de forma que sua compreensão a respeito da dinâmica do mesmo seja evidenciada.
Neste contexto, Buzai (2004, p. 188), expõe a seguinte idéia:
La Geotecnologia presenta una nueva forma de ver el mundo. Una nueva forma de ver la realidad que la Geografía le provee al resto de las disciplinas. Bajo estas consideraciones el Paradigma Geotecnológico tiene existencia, pero no como paradigma de la Geografía, sino como paradigma Geográfico de alcance interdisciplinario y al servicio total del hombre.
Fica evidente que o livro de Buzai nos elucida uma série de abordagens, conceitos, indagações e teorias presentes na ciência geográfica atual, principalmente frente às denominações diversas, a respeito dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG), Geotecnologias ou Geomática.
O autor trás, portanto, uma excelente contribuição às questões ligadas às técnicas de geoprocessamento entendendo-a como uma perspectiva inovadora na que diz respeito às novas tendências geotecnológicas e a realidade em que vivemos. A obra tem relevância, pois é, justamente neste momento, que estas questões vêm sendo discutidas e suscitado muitos debates internos permitindo, também, o avanço dos diálogos da ciência geográfica com outros ramos do conhecimento. Portanto, as novas abordagens permitem, cada vez mais, aprofundar a interpretação sobre o espaço geográfico principalmente o antropizado, possibilitando uma relação da sociedade com o meio na qual ela esta inserida.
