Tabla de contenido
Saúde e Sociedade, Volumen: 35, Numero: 4, Publicado: 2026Saúde e Sociedade, Volumen: 35, Numero: 4, Publicado: 2026
| Documents |
|---|
|
Dossiê - Saberes negros na Saúde e na Alimentação Geração, presença e aprendizados na cozinha Silva, Luis Pereira Resumen en Portugués: Resumo Neste artigo, discuto os processos de aprendizado culinário em uma perspectiva geracional e relacional, a partir de uma pesquisa etnográfica realizada em cozinhas coletivas e domésticas com pessoas negras residentes em São Paulo. Meu interesse é compreender como o conhecimento culinário é aprendido, desenvolvido e estendido nas relações entre aprendizes e mestres, dentro e fora de casa. Dialogando com as noções de geração e presença, problematizo a ênfase da literatura sobre habilidades culinárias centrada no indivíduo e proponho dois deslocamentos conceituais: o primeiro amplia a noção de habilidade culinária de competência técnica individual para prática relacional; o segundo propõe pensar o conceito de geração de bloco etário fixo para processo contínuo. Argumento que aprender a cozinhar é também desenvolver a habilidade de estar em presença atenta - com os alimentos, com o tempo dos processos, com o que acontece na cozinha e com as pessoas. Por fim, argumento que o conhecimento culinário não se transmite entre blocos de gerações, mas é continuamente estendido entre aprendizes e praticantes habilidosos que se encontram na prática compartilhada de cozinhar.Resumen en Inglés: Abstract In this article, I discuss processes of culinary learning from a generational and relational perspective, drawing on ethnographic research conducted in collective and domestic kitchens with Black residents of São Paulo. I aim to understand how culinary knowledge is learned, developed, and extended through relationships between apprentices and skilled practitioners, both within and beyond the home. Engaging with the notions of generation and presence, I question the emphasis in the culinary skills literature on the individual and propose two conceptual shifts: first, expanding the notion of culinary skill from an individual technical competence to a relational practice; second, rethinking generation not as a fixed age-based block but as an ongoing process. I argue that learning to cook also involves developing the ability to remain in attentive presence-with foods, with the temporalities of culinary processes, with what unfolds in the kitchen, and with other people. Finally, I suggest that culinary knowledge is not transmitted between generational blocks but is continuously extended among apprentices and skilled practitioners who meet in the shared practice of cooking. |
|
Ensaio Jurema Sagrada e Saúde Coletiva: Caminhos decoloniais na Estratégia de Saúde da Família Silva, Jonatan Willian Sobral Barros da Oliveira, Sydia Rosana de Araújo Resumen en Portugués: Resumo A decolonialidade desafia a ordem colonial/moderna e o modelo eurocêntrico hegemônico de conhecimento e cuidado em saúde, propondo novas formas de pensar a produção de saúde. A medicina tradicional da Jurema Sagrada, profundamente enraizada em saberes indígenas e afro-brasileiros e presente no Nordeste brasileiro, integra corpo, mente e espírito por meio de rituais, plantas medicinais e práticas holísticas de cura. Reconhecer a Jurema Sagrada na saúde coletiva significa dialogar entre diferentes epistemes e modos de cuidado, promovendo uma abordagem inclusiva e decolonizada. Este ensaio teórico percorre os conceitos centrais da decolonialidade na ciência e na saúde, os cuidados tradicionais da Jurema Sagrada e as possibilidades de integração desses saberes com o SUS e a Estratégia de Saúde da Família (ESF). Valorizar essas práticas ancestrais questiona a hegemonia do conhecimento biomédico e propõe um cuidado mais amplo, integrativo e culturalmente sensível. Destaca-se a necessidade de visibilizar os terreiros de Jurema como espaços produtores de saúde nos territórios, fortalecendo caminhos decoloniais de cuidado e ampliando a pluralidade de saberes no campo da Saúde Coletiva (SC).Resumen en Inglés: Abstract Decoloniality challenges the colonial/modern order and the hegemonic Eurocentric model of knowledge and healthcare, proposing new ways of thinking about health production. The traditional medicine of Jurema Sagrada, deeply rooted in Indigenous and Afro-Brazilian knowledge and present in Northeastern Brazil, integrates body, mind, and spirit through rituals, medicinal plants, and holistic healing practices. Recognizing Jurema Sagrada in public health entails a dialogue between different epistemologies and care approaches, promoting an inclusive and decolonized perspective. This theoretical essay explores key concepts of decoloniality in science and health, the traditional care practices of Jurema Sagrada, and the possibilities for integrating these knowledge systems into the Brazilian Unified Health System (SUS) and the Family Health Strategy (FHS). Valuing these ancestral practices challenges the hegemony of biomedical knowledge and proposes broader, integrative, and culturally sensitive care. Emphasis is placed on the need to make Jurema terreiros visible as health-producing spaces in communities, strengthening decolonial pathways of care and expanding the plurality of knowledge in the field of Public Health (PH). |
|
Ensaio Adição de álcool como estratégia de destruição da saúde mental do povo negro: da colonização aos dias atuais Ventura, Ana Carolina Moreira Oliveira Ferreira, Suiane Costa Brasil, Sandra Assis Resumen en Portugués: Resumo Este trabalho buscou identificar a relação entre a colonização, o racismo e a adição de álcool na comunidade negra sob uma perspectiva histórica, e suas repercussões na saúde mental na contemporaneidade. Trata-se de um ensaio. Os povos africanos sempre consumiram álcool, mas a colonização europeia os apresentou à bebida destilada, que foi utilizada para desestabilizar reinados, usurpar terras e comprar negros escravizados. Durante a escravidão no Brasil, o álcool também foi utilizado como ferramenta de controle. Os negros eram incentivados a beber cachaça em excesso a fim de controlar o risco de rebeliões. No pós-abolição, o negro usou o álcool como escape diante da exaustão, fome e ambiente hostil. O estigma do bêbado foi associado à pele negra, especialmente no momento em que se propagavam teorias psiquiátricas de deterioração da raça pelos exageros alcoólicos. Na contemporaneidade, a exposição persistente ao racismo segue produzindo intenso sofrimento mental, relacionado ao aumento do consumo de álcool. Na saúde mental, é necessário analisar as raízes históricas do consumo problemático de álcool na população negra, reconhecer o impacto do racismo enquanto determinante social de saúde e investir em políticas de saúde para combater a opressão que continua a marcar a vida dessa população no Brasil.Resumen en Inglés: Abstract This study sought to identify the relationship between colonization, racism, and alcohol addiction in the Black community from a historical perspective, and its repercussions on mental health in contemporary times. This is an essay. African peoples have always consumed alcohol, but European colonization introduced them to distilled spirits, which were used to destabilize kingdoms, usurp lands, and purchase enslaved Black people. During slavery in Brazil, alcohol was also used as a tool of control. Black people were encouraged to drink cachaça in excess in order to control the risk of rebellion. After abolition, Black people used alcohol as an escape from exhaustion, hunger, and a hostile environment. The stigma of drunkenness was associated with Black skin, especially at a time when psychiatric theories of racial deterioration due to alcohol abuse were spreading. In contemporary times, persistent exposure to racism continues to produce intense mental suffering, related to increased alcohol consumption. In mental health, it is necessary to analyze the historical roots of problematic alcohol consumption in the black population, recognize the impact of racism as a social determinant of health, and invest in health policies to combat the oppression that continues to mark the lives of this population in Brazil. |
Lea la Declaración de Acceso abierto
