O artigo aborda considerações emergentes de uma pesquisa-intervenção cujo objetivo foi conhecer os sentidos de viver e os desdobramentos político-afetivos da terapia antirretroviral (TARV) entre mulheres brasileiras que vivem com vírus da imunodeficiência humana (HIV). Adotando o Método Cartográfico (Deleuze; Guattari, 1995), utilizaram-se entrevistas e encontros de grupo como ferramentas, problematizando a tensão entre o macropolítico expresso nas políticas públicas e práticas de cuidado nas unidades de saúde e as micropolíticas empreendidas por cada uma das mulheres para viverem melhor. Como resultado, mulheres apontaram desafios que enfrentam nos âmbitos programático, social, familiar, amoroso, sexual, racial e de gênero, desenvolvendo um olhar crítico sobre os cuidados recebidos nos serviços de saúde e sublinhando a necessidade de que profissionais e políticas de saúde incorporem a dimensão do afeto como meio de promoção da saúde. Conclui-se que o cuidado integral às mulheres vivendo com HIV/Aids exige mudanças nas práticas profissionais que permitam a ressonância intensiva dos afetos compartilhados na construção do cuidado em saúde, criando territórios relacionais que reconheçam a tensão própria das diferenças subjetivas e que fortaleçam a concretização de Projetos Terapêuticos Singulares, incluindo famílias. Profissionais de saúde brasileiros da Atenção Primária e Especializada precisam viver processos de Educação Permanente em Saúde para ser possível.
Palavras-chave:
HIV; Cuidado em Saúde; Mulheres; Integralidade da Saúde; Terapia Antirretroviral.