Open-access W.E.B. DU BOIS, ROBERT PARK E AS RAÍZES NEGRAS DA ETNOGRAFIA URBANA

W.E.B. DU BOIS, ROBERT PARK AND THE BLACK ROOTS OF URBAN ETHNOGRAPHY

Resumo

O artigo trata das trajetórias entrecruzadas de W.E.B. Du Bois e Robert Ezra Park e suas contribuições para a constituição dos estudos sociológicos e antropológicos em meio urbano. Os pontos em comum de ambas as trajetórias (Fisk, Berlim, Harvard, Tuskegee) apontam para influências possíveis e conflitos subjacentes em um complexo ambiente social que produziu a legitimidade da etnografia nas cidades dos Estados Unidos a partir da ecologia urbana proposta pela Escola de Chicago e em detrimento dos estudos sociais empreendidos pela Escola Sociológica de Atlanta. Os trabalhos pioneiros de Du Bois ganham especial significado quando cotejados com as experiências de Park no Instituto Tuskegee e na Associação Americana para a Reforma do Congo (ACRA), contemporâneas à primeira fase acadêmica de Du Bois e anteriores à chegada de Park em Chicago.

Palavras-chave:
Estudos Urbanos; Intelectuais Negros; Escola de Chicago; Escola Sociológica de Atlanta

Abstract

This article discusses the intertwined trajectories of W.E.B. Du Bois and Robert Ezra Park and their contributions to the establishment of sociological and anthropological studies in urban settings. The common points of both trajectories (Fisk, Berlin, Harvard, Tuskegee) indicate possible influences and underlying conflicts in a complex social environment, in which the legitimacy of ethnography in US cities based was based on the urban ecology proposed by the Chicago School and to the detriment of the Social Studies undertaken by the Atlanta School of Sociology. Du Bois’s pioneering work gains special significance when compared with Park’s experiences at the Tuskegee Institute and the American Congo Reform Association (ACRA), which were contemporary with Du Bois’s early academic years and predated Park’s arrival in Chicago.

Keywords:
Urban Studies; Black Intellectuals; Chicago School; Atlanta School of Sociology

Os trabalhos pioneiros de W.E.B. Du Bois vêm sendo resgatados e incluídos, com justiça, entre os clássicos das ciências sociais. Seguindo o argumento de Morris (2015), reiteramos que Du Bois não era desconhecido aos seus contemporâneos nos círculos acadêmicos fundadores da Antropologia ou Sociologia modernas, mas lhe foi progressivamente negada a participação no “clube” dos cientistas sociais que se estabeleceu nos Estados Unidos (EUA) na primeira metade do século XX. Seguindo também o argumento de Morris e do próprio Du Bois em seus escritos autobiográficos (1940, 1968), pretendemos demonstrar, neste artigo, o trabalho de encobrimento iniciado pela “máquina de Tuskegee” e suas consequências para a história da etnografia urbana. Tal demonstração será feita por meio de uma análise relacional em que pensaremos as trajetórias de Du Bois e Robert Park, este último um nome que se estabeleceu como ancestral incontornável dos estudos empíricos em meio urbano e nos estudos de relações raciais, com fortes influências nas ciências sociais feitas no Brasil.

Em livro autobiográfico, Du Bois escreveu acerca de sua controvérsia com Booker T. Washington, o líder negro mais proeminente nos EUA ao final do século XIX e início do século XX:

Surgiu uma controvérsia entre mim e Booker T. Washington, que se tornou mais pessoal e amarga do que eu jamais havia sonhado. Primeiro, houve a controvérsia ideológica. Eu acreditava na educação superior de um décimo talentoso que, por meio de seu conhecimento da cultura moderna, poderia guiar o Negro americano para uma civilização superior. Eu sabia que, sem essa liderança, o Negro teria que aceitar a liderança branca e que nem sempre se poderia confiar em tal liderança para guiar esse grupo para a autorrealização e para suas mais altas possibilidades culturais. O Sr. Washington, por outro lado, acreditava que o Negro, como um trabalhador eficiente, poderia ganhar riqueza e que, eventualmente, por meio de seu acúmulo de capital, ele seria capaz de alcançar um lugar reconhecido na cultura americana e, então, poderia educar seus filhos e desenvolver suas possibilidades. Por esse motivo, ele propôs dar ênfase ao treinamento na indústria e no trabalho comum.

Mas, além dessa diferença de ideal, havia outra controvérsia mais amarga. Isso começou com a ascensão no Instituto Tuskegee e, se concentrando ao redor de Booker T. Washington, daquilo que posso chamar da Máquina de Tuskegee. Fiquei muito transtornado naquela época, não porque eu fosse totalmente contra as coisas que o Sr. Washington estava defendendo, mas porque eu era fortemente a favor de uma agitação mais aberta contra as injustiças e, acima de tudo, eu me ressentia do que era praticamente a compra da imprensa negra e da sufocação até mesmo de uma oposição branda e razoável ao Sr. Washington, tanto na imprensa negra quanto na branca1.

A controvérsia entre Du Bois e Washington já foi amplamente documentada e analisada, sobretudo do ponto de vista ideológico descrito no trecho acima (Rabaka, 2022). Du Bois defendia, no início do século XX, a formação de uma elite intelectual negra para liderar a “raça”, o chamado “décimo talentoso”, uma “nata” dos dez por cento melhores, com ampla formação nas melhores instituições da civilização ocidental, tal qual a Universidade de Harvard ou a Universidade de Berlim, onde ele mesmo estudara letras clássicas, história, economia, filosofia, psicologia e sociologia. Washington, nascido no sul escravocrata, se tornara um líder cordato após a guerra civil e o conturbado período de reconstrução: liderava um instituto voltado ao treinamento de negros oriundos do meio rural para trabalhos agrícolas, domésticos e fabris, lhes proporcionando maiores oportunidades de empregos ainda que em posições subalternas e sob a custódia das elites brancas. Porém, como disse o próprio Du Bois, para além da querela ideológica, havia questões de ordem pessoal, institucional, política e econômica. A esse conjunto de questões, Du Bois deu o nome de Tuskegee Machine, uma engrenagem complexa cujos objetivos eram capturar todas as iniciativas de avanço do negro para o domínio daqueles que se alinhavam ao grupo encabeçado por Booker T. Washington.

Ao final do trecho citado, Du Bois menciona a “compra” da imprensa negra e o sufocamento das opiniões contrárias ao Sr. Washington, “tanto na imprensa negra quanto na branca”. É nesse ponto, veremos, que entra a atuação de Robert Park, que trabalhou durante quase uma década como assessor de imprensa e ghostwriter de Washington. Ao pensarmos relacionalmente as trajetórias de Park e Du Bois, veremos a imbricação entre a questão racial, a preocupação com a opinião pública e a constituição de um arcabouço teórico e metodológico para pesquisas em meio urbano que constituem importante base pioneira para a constituição do que podemos chamar hoje de uma socioantropologia urbana.

PERCURSOS BIOGRÁFICOS

Há diversas coincidências entre as trajetórias biográficas de Du Bois e Park. Ambos se doutoraram em Harvard, fizeram parte da formação sociológica na Alemanha e estiveram vinculados à Fisk University, uma instituição no Tenessee que compõe o conjunto de “universidades e faculdades historicamente negras” dos EUA. Ambos são apontados como figuras centrais da primeira escola de sociologia empírica dos EUA: Park em Chicago e Du Bois em Atlanta.

Robert Park teve forte influência nas pesquisas etnográficas realizadas em meio urbano no Brasil, onde esteve nos anos 1930 em função da pesquisa de seu orientando Donald Pierson. Park foi importante influência sobre os estudos de “relações raciais”, como atestam os trabalhos pioneiros de Pierson, Oracy Nogueira e Virgínia Bicudo e mesmo de Ruth Landes (Chor-Maio, 1999; Gomes, 2013; Frúgoli Jr, 2024). Seu plano de estudos etnográficos em meio urbano também teve forte influência sobre a antropologia urbana de Gilberto Velho e seus orientandos no Museu Nacional/UFRJ (Velho, 2005). W.E.B. Du Bois, por sua vez, apesar de conhecido por figuras iminentes como João Batista de Lacerda e Gilberto Freyre, teve mais influência por seus projetos da Enciclopédia Africana e do Panafricanismo, permanecendo praticamente desconhecido pelas pesquisas urbanas, os Estudos Sociais e mesmo o marxismo negro no qual investiu a partir da década de 1940 (Góes, 2022).

Robert Ezra Park (1864-1944) nasceu em Harveyville, uma pequena cidade na Pensilvânia. Formou-se bacharel em humanidades pela Universidade de Michigan aos vinte e três anos, em 1887, e trabalhou como jornalista em diferentes cidades industriais do norte dos EUA2 durante a década seguinte, até decidir fazer um doutorado em filosofia na prestigiosa Universidade de Harvard, a partir do qual teve a oportunidade de viajar à Alemanha e ter contato com a nascente disciplina da sociologia, onde o que mais lhe chamou a atenção foram as palestras de Georg Simmel. Estudou em Berlim, Estrasburgo e Heidelberg, onde defendeu uma tese de doutorado intitulada Mass und Publicum, acerca do papel da imprensa na formação da opinião pública, a qual ele descrevia como um estudo de psicologia coletiva. Nas palavras do próprio Park, “Com exceção das aulas de Simmel, nunca tive qualquer instrução sistemática em sociologia” (Park, 2018a: 31). Enquanto ainda cursava o doutorado, teve a oportunidade de trabalhar como professor assistente de filosofia em Harvard, entre 1903 e 1905, mas sem grande entusiasmo pela vida acadêmica. Em artigo autobiográfico, narra uma decepção por “qualquer ambição que eu tivesse de ser um reformador”, além de estar “completamente desestimulado com as perspectivas nos EUA de uma psicologia coletiva como eu imaginava” (Park, 2018a: 31). Diz que pensava em voltar a trabalhar como jornalista ou escritor de literatura quando concluiu seu contrato em Harvard, em 1905, já aos 41 anos.

Em 1905, W.E.B. Du Bois tinha 37 anos e já publicara três livros com resultados de pesquisas densas e extensas3, bem como dezenas de artigos em importantes periódicos acadêmicos, além dos relatórios de cada um dos congressos anuais organizados por seu laboratório sociológico na Universidade de Atlanta, os Atlanta Conferences. No ano seguinte, publicaria um importante artigo4 no periódico coordenado por Max Weber na Alemanha, o Archiv für Socialwissenschaften, artigo este que seria publicado ao lado de artigo de Georg Simmel.

William Edward Burghardt Du Bois (1868-1963) nascera em Great Barrington, uma pequena cidade no estado de Massachusetts. Criado pela mãe, que trabalhava com serviços domésticos em um ambiente social modesto e marcado por valores cristãos, democráticos e abolicionistas, Du Bois teve acesso a uma formação escolar semelhante à de seus colegas brancos, destacando-se nos estudos e recebendo auxílio financeiro da comunidade local (majoritariamente branca) para custear o ensino superior. Seu projeto, como estudante excepcional, era estudar na melhor universidade de seu estado natal e a mais prestigiosa no país: Harvard. Não obstante, sua candidatura foi recusada e o jovem promissor foi incentivado a ir para o sul do país estudar no Tennessee, na Universidade Fisk, especializada na formação de professores negros. Após se formar Bacharel em Humanidades, em 1888, conseguiu finalmente ser aceito em Harvard, onde obteve o segundo diploma de graduação dois anos depois. Du Bois continuou os estudos em Harvard, iniciando o doutorado no mesmo ano. Obteria o grau de PhD em 1895, após estágio “sanduíche” de um ano na Alemanha (1892).

Com o doutorado em mãos, Du Bois era certamente o homem negro com maior qualificação acadêmica nos EUA e, possivelmente, o filósofo/sociólogo com o mais consistente currículo, independente da sua identidade racial. Porém, ao contrário de Park, que seria rapidamente contratado como professor assistente em Harvard ao concluir o PhD, Du Bois teve grandes dificuldades em conseguir alguma posição profissional em seu estado e país de origem. Após uma grande quantidade de tentativas frustradas, ele obteve oferta para lecionar grego e latim em Wilberforce, uma pequena universidade negra confessional no estado de Ohio. Permaneceu em Wilberforce por um ano, quando recebeu o convite para realizar pesquisa entre os negros da cidade da Filadélfia, com vínculo com a Universidade da Pensilvânia, onde não lhe foi dada a oportunidade de ministrar aulas para os estudantes brancos (Patriota de Moura & Bernardino Costa, 2023). Ao concluir o estudo na Filadélfia, Du Bois recebe o convite para coordenar os congressos para estudo dos problemas negros, que eram realizados na Universidade de Atlanta, no estado sulista da Georgia. Assim como Fisk, no Tennessee, onde Du Bois se formara dez anos antes, a Universidade de Atlanta era uma instituição voltada para a formação de negros, em um contexto social segregado, em que vigorava o sistema jim crow, que Du Bois equiparava a um sistema de casta baseado em critérios de cor. A partir de Atlanta, coordenou ambicioso projeto de pesquisas e produziu uma série de Estudos Sociais, desenvolvidos a partir da metodologia inaugurada no estudo da Filadélfia (Patriota de Moura, 2024). Em Atlanta, Du Bois estabeleceu, entre 1898 e 1910, um laboratório de estudos sociológicos que é hoje identificado como constituindo a primeira escola de sociologia empírica dos EUA, a Escola de Atlanta (Morris, 2015; Wright II, 2018; Itzigsohn & Brown, 2020).

O Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade de Chicago fora fundado em 1892, porém o que ficou conhecido como Escola de Sociologia de Chicago se constitui principalmente a partir da chegada de Robert Park, em 1915 (Becker, 1996; Hannerz, 2015; Velho, 2005). William Thomas, que convidou Park para a Universidade de Chicago, conhecia bem os trabalhos de Du Bois, bem como o próprio Park, que ficaria conhecido no “cânone” sociológico como o principal articulador da ecologia urbana, dos estudos de comunidade com base etnográfica e dos estudos de relações raciais.

Ora, estudos empíricos de grande envergadura e profundidade em meio urbano já haviam sido realizados por Du Bois bem antes do survey de Pittsburgh5, que Park cita como sendo o primeiro grande estudo urbano nos EUA. Além disso, o problema da “linha de cor” nos EUA e da cidade como “ambiente social”, ambos desenvolvidos por Du Bois na primeira década do século XX, prefiguram em grande parte os temas das “relações raciais” e da “ecologia humana” desenvolvidos por Park. Morris (2016) chega a abordar em detalhe a dívida não reconhecida de Park para com Du Bois em sua mais conhecida contribuição teórica, a do “homem marginal” (Park, 2018) que, ainda que expressamente inspirada no “estrangeiro” de Simmel (2005) guarda importantes semelhanças com o conceito de “dupla consciência” proposto por Du Bois em 1903 (1999).

A “MÁQUINA DE TUSKEGEE” E O “GRANDE PRÓXIMO”

Vocês sabem que podemos ver o grande que está longe por meio do telescópio e o pequeno que está perto por meio do microscópio. Podemos ver o Grande Distante e o Pequeno Próximo mas não o Grande Próximo. [...] E esse problema eu resolvi com o megascópio (Du Bois, 2015).

Robert Park diz que, ao deixar a Universidade de Harvard em 1905, estava desiludido com o mundo acadêmico, frustrado com a impossibilidade de desenvolver uma “psicologia coletiva como eu imaginava” e desanimado com as poucas possibilidades de “reforma social”. Considerando voltar ao “jornalismo científico” que exercera entre 1887 e 1898, encontrou uma causa para “reforma”, sendo contratado como agente de publicidade e tornando-se o primeiro secretário da American Congo Reform Association (ACRA), uma associação voltada para a denúncia e repúdio às atrocidades perpetradas pelo regime colonial do rei belga Leopoldo II no país da África Central, mas também ligada a trabalhos de missionários estadunidenses no continente africano. Na condição de secretário da ACRA, conheceu Booker T. Washington, que o convidou para trabalhar com ele no Alabama:

Ele pensou que eu estaria interessado no tipo de escola que ele havia criado no Sul e sugeriu que, se eu estava indo estudar o problema do negro na África, podia ser vantajoso estudá-lo primeiro nos Estados Unidos. Assim fui para Tuskegee.

Fui para lá, pela primeira vez, mais ou menos em 1905 ou 1906, e fiquei por lá, no Sul, principalmente no inverno, durante sete anos. Booker T. Washington me deu uma oportunidade como ninguém jamais tinha tido, tenho certeza, de ter contato com a vida real e pessoal do negro no Sul. Viajei por toda aquela região; eu me metia em todos os cantos onde havia alguma coisa que parecia esclarecedora ou interessante. Tornei-me, para todos os efeitos, temporariamente um negro. [...]

Percebia agora, pela primeira vez, que minha vagabundagem intelectual tinha acabado. Ali estava algo idealista com que sempre sonhara e que de fato resolvia um problema. Meu emprego era de publicitário, mas fazia quase tudo que queria fazer. A propósito, tornei-me responsável pelo escritório de pesquisa, criado em Tuskegee, que deixei depois sob a reponsabilidade de Monroe N. Work6, o editor do Negro Yearbook (Park, 2018: 32).

É interessante contrastar as palavras de Park às narrativas autobiográficas de Du Bois, nos livros Souls of Black Folk (1903), Dusk of Dawn (1940) e no artigo “My evolving program for Negro Freedom” (1944). Este último artigo, publicado no mesmo ano do falecimento de Park, inicia com uma anedota em que Du Bois fala de seu espanto, quando jovem, ao conversar com um colega de 22 anos de idade em Harvard, branco e de família abastada, pouco tempo antes da formatura de ambos. Du Bois diz que se lembrava vagamente do colega, mas nunca esqueceria de sua “admissão um tanto queixosa de que não fazia ideia do que seria o trabalho de sua vida por que ‘Não há nada em que eu esteja particularmente interessado!’” (Du Bois, 1944: 1) Du Bois desenvolve o artigo explicando como sempre teve o projeto de compreender o “problema Negro”, apesar da formulação do problema - e de suas possíveis soluções - ter adquirido diferentes matizes ao longo de sua trajetória intelectual e política. Du Bois tinha então 78 anos e ainda viveria ativamente até os 95, trabalhando pela mesma causa!

Ao contrário de Park, portanto, Du Bois jamais tivera um período de “vagabundagem intelectual”, pois o “problema” sobre o qual se debruçaria a vida toda o encontrara ainda na infância, como narrado no primeiro capítulo de Souls. Sua formação humanística e, especificamente, na sociologia e nas técnicas da investigação empírica o habilitaram a formular métodos e conceitos intelectualmente refinados e produzir um importante corpo de pesquisas que se acumulou nas publicações de Harvard, da Universidade da Pensilvânia e da Universidade de Atlanta até o final da primeira década do século XX, quando Du Bois deixou o cargo estritamente acadêmico para assumir a redação do periódico The Crisis, principal meio de propaganda antirracista dos EUA durante décadas, vinculado à Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor7, a qual Du Bois ajudara a fundar.

Se Park foi da propaganda à pesquisa, Du Bois iria da pesquisa à propaganda, com sua mudança para Nova York em 1910, de onde investiria na ação política antirracista, no panafricanismo e na escrita para o grande público, incluindo diversas obras literárias, peças de teatro e até uma revista voltada para crianças negras (Silvério, 2021). Essa mudança de foco de Du Bois, no entanto, não se deu pela descoberta fortuita de um novo interesse, mas pela necessidade de continuar o projeto de vida que encontrou barreiras insuplantáveis no ambiente acadêmico estadunidense, seja por parte dos brancos que detinham as posições institucionais nas universidades de elite do Norte ou nos centros de ensino do Sul voltados para os negros, mas pressionados pelos interesses da “máquina de Tuskegee”, que atuaram para retirar oportunidades de publicação e financiamentos de pesquisa daqueles que se opunham ao projeto conciliatório de Washington.

O fato é que quando Park saiu de Tuskegee para assumir a vaga na Universidade de Chicago e iniciar um projeto de estudos urbanos e de relações raciais, Du Bois já havia coordenado dezenas de Estudos Sociais em meio urbano e publicado amplamente acerca da questão racial e do “problema da linha de cor” (Patriota de Moura, 2024). Mais que isso, os trabalhos de Du Bois eram amplamente conhecidos nos EUA e na Europa, pois ele havia publicado na principal revista de sociologia alemã e havia ganhado o primeiro prêmio na exposição universal de Paris com a curadoria de uma mostra acerca do Negro Americano (Du Bois, 2019). Du Bois publicara estudos de grande envergadura como o Negro da Filadélfia, e de notável profundidade etnográfica, como o capítulo sobre a Geórgia em As Almas do Povo Negro, onde teve “contato com a vida real e pessoal do negro do Sul” bem antes de Park. Mas Du Bois não era “para todos os efeitos, temporariamente um negro”, ele nascera “sob o véu” da atribuição racial em uma nação que se pensava como democrática e igualitária, mas se sustentava a partir da manutenção da linha de cor. Esse era o problema de sua vida, de seu país e de todo o globo no contexto do capitalismo racial colonialista.

O problema da linha de cor, bem como o capitalismo racial, era muito grande, mas estava tão próximo que passava despercebido pelos olhos das ciências sociais hegemônicas do século XX, situação que Du Bois descreveu em alegoria no conto jamais publicado cujo título original era “O Megascópio”. Nesse conto, havia um sociólogo negro com um laboratório no topo do edifício mais alto de Nova York que, além de guardar as publicações com a “grande crônica”, desenvolvera uma máquina que permitia ver o “grande próximo”.

Olhando retrospectivamente para as ciências sociais estadunidenses e suas repercussões ao sul do equador, podemos dizer também que o próprio Du Bois foi um “grande próximo” cuja presença foi apagada do cânone disciplinar, mas que hoje podemos vislumbrar para além do véu, e cuja presença espectral podemos reconhecer a partir da persistência das questões raciais. Se o estudo das “relações raciais”, tal qual proposto por Park e seus herdeiros, parece um campo de estudos tão datado quanto os estudos de “aculturação”, a luta antirracista e a crítica epistemológica contida nas análises de Du Bois nos interpelam de maneiras inesperadas a olhar para o que sempre esteve presente.

DOIS PROJETOS DE PESQUISA: “OS PROBLEMAS NEGROS” E “A CIDADE”

Du Bois foi contratado pela Universidade de Atlanta em 1897, ao concluir a pesquisa junto à Universidade da Pensilvânia acerca da população negra da Filadélfia. No momento de transição entre um emprego e outro, escreveu o artigo “The Study of the Negro Problems”, em que delineava um projeto de pesquisa de grande escopo, para ser executado a longo prazo. Naquele artigo, publicado nos Anais da Academia Americana de Ciência Política, Du Bois define um conceito historicamente situado de “problema social”, qual seja: “a falência de um grupo organizado em realizar seus ideais de grupo, por meio da inabilidade de adaptar uma certa linha de ação desejada a dadas condições de vida” (Du Bois, 1898: 2)

A partir da definição de “problema social”, Du Bois historiciza e identifica o “problema negro”8 como um entrave à realização dos ideais constitucionais dos EUA e traça um plano de ação “científico” para identificar os problemas enfrentados pelos negros nos EUA, em termos de temas como saúde, educação, participação política e econômica. O artigo é um plano de atividades a ser preenchido com projetos de pesquisa em diferentes áreas, com o objetivo de reunirem dados confiáveis que se contraponham às interpretações vigentes nos meios acadêmicos da época, pautados pelo assim chamado racismo “científico” que, nas palavras de Du Bois, seriam mais questões de fé do que de conhecimento. Seu programa de pesquisa multidisciplinar incluiria diferentes abordagens, conjugando “estudos históricos”, “investigações estatísticas”, “mensurações antropológicas” e “interpretações sociológicas”.

Du Bois argumentava no artigo que tal programa de estudos deveria ser implementado por agências governamentais e instituições universitárias, apontadas por ele como as únicas instâncias capazes de sustentar a iniciativa de maneira prolongada e coerente. A partir de tal projeto, ele conseguiu coordenar por mais de uma década o Laboratório Sociológico de Atlanta, com a colaboração de grandes nomes “brancos” das ciências sociais como Max Weber, Franz Boas e Jane Adams, reunindo ao seu redor iminentes pesquisadores negros formados em Atlanta e alhures, como Monroe Work, Richard Wright Jr. e Edmund Haynes (Morris, 2015, 2018; Deegan, 1988; Willis & Zumwalt, 2008).

Em 1914, dezessete anos após a chegada de Du Bois na Universidade de Atlanta, Robert Park foi convidado por William Thomas para ministrar um curso sobre a “mente do negro” no Departamento de Sociologia da Universidade de Chicago. A partir de tal convite Park foi contratado como professor por aquela universidade, de onde publicou poucos livros, sempre coletâneas em conjunto com outros docentes, mas que tiveram grande impacto na formação de novas gerações. Destacam-se os livros organizados com Ernest Burgess, o manual Introduction to the Science of Sociology (1921) e The City (1925).

Assim como Du Bois escrevera um artigo programático quando estava a caminho de Atlanta, Park escreveu o artigo “A Cidade: sugestões para a investigação do comportamento humano em meio urbano” ao assumir o posto na Universidade de Chicago. Tal artigo foi inicialmente publicado no Journal of American Sociology em 1915 e teve sua versão revista publicada como primeiro capítulo do livro escrito em conjunto com Burgess, The City (1925), em que ambos propunham uma abordagem da “ecologia humana” ao estudo das cidades. A partir do programa delineado em tal artigo, que propunha utilizar o método etnográfico para estudar as diferentes formas de vida na cidade, pensada como “um mosaico de mundos que se tocam mas não se interpenetram”, Park orientou uma série de pesquisas com grupos de migrantes, categorias profissionais e mapeou diversas “regiões morais”, propondo uma lógica de ocupação do espaço urbano semelhante ao “ciclo de relações raciais” que desenvolveria posteriormente, com etapas como competição, conflito, acomodação e assimilação (Hannerz, 2015). Chama atenção nesse artigo de Park a “naturalização” da ocupação de determinados espaços da cidade por grupos étnicos e raciais que se agrupariam por atração ou repulsa. Nesse sentido, Park difere acentuadamente de Du Bois (1899, 2023), que detalha as dificuldades dos negros de diferentes classes na Filadelfia para encontrarem empregos e moradias fora das áreas degradadas, insalubres e com aluguéis abusivos, em um prenúncio dos “guetos” negros que se consolidariam posteriormente nas grandes cidades estadunidenses. Chama mais atenção ainda, conforme analisado detalhadamente por Morris (2015), a ausência de referências aos estudos urbanos de Du Bois nos escritos de Park e nos trabalhos do próprio William Thomas, que citara The Philadelphia Negro amplamente em artigo de 1912 (Thomas, 1912) mas o deixou de fora da bibliografia de sua obra mais robusta9, publicada duas décadas depois da obra de Du Bois.

TEMAS E PAUTAS

Ao passo que Park deixou o Alabama para se estabelecer como sociólogo em Chicago (1914), Du Bois deixara sua cátedra em Atlanta para se estabelecer como diretor de pesquisador e editor da revista do NAACP (1910). Du Bois deixava um conjunto de publicações que, ainda que incompleto, era o maior corpo de estudos empíricos acerca de qualquer minoria existente à época. Ele tivera que abortar o projeto por conta do boicote que atribuiu à máquina de Tuskegee, especialmente com a diminuição de financiamentos para custear suas pesquisas e a própria realização dos congressos. Seu projeto inicial vislumbrava atividades que abrangeriam um século, com estudos temáticos que se repetiriam a cada dez anos. Ele conseguiu tocar o projeto de pesquisas empíricas por pouco mais de uma década, mas as questões políticas e existenciais urgiam que ele continuasse seu trabalho de outra forma, atuando na formação da opinião pública veiculada na imprensa negra e de outras formas artísticas de comunicação, por meio do que ele chamava de propaganda. As décadas seguintes veriam o desenrolar da primeira grande guerra, a pandemia da gripe “espanhola”, a revolução russa, o enrijecimento das leis racistas no Sul e uma verdadeira epidemia de linchamentos de negros e tumultos (riots) raciais nos EUA como um todo, culminando na crise da “grande depressão” econômica dos anos 1930. Ao longo dessas décadas, Du Bois perderia a fé no “conhecimento científico” como solução para os problemas sociais e se tornaria cada vez mais cético quanto à possibilidade de superação do problema da linha de cor em um contexto em que os interesses econômicos do grande capital se beneficiavam da exploração da mão de obra “de cor” em diferentes partes do mundo. É nesse contexto que desenvolve sua teoria do capitalismo racializado, em diálogo crítico com as teorias marxistas (Brown e Izigsohn, 2020; Robinson, 2023). Livros como Black Reconstruction (1935), Black Folk Then and Now (1939), Color and Democracy (1945) e The World and Africa (1947) desenvolvem as ideias e proposições revolucionárias de Du Bois.

Se Park diz ter abandonado a busca por “reforma” em nome de uma agenda estritamente “científica”, Du Bois faz o movimento inverso, abandonando uma agenda estritamente “científica” para tentar diferentes meios de “reforma” até chegar à conclusão que não é possível chegar à solução para o problema da linha de cor sem diferentes formas de “revolução”.

Em 1934, ambos voltam a residir no sul dos EUA. Du Bois deixa o cargo do NAACP em Nova York e retorna à Universidade de Atlanta, enquanto Park se aposenta da Universidade e Chicago e se estabelece no Departamento de Sociologia da Universidade de Fisk (onde Du Bois fizera seu primeiro curso de graduação) para se dedicar ao estudo de relações raciais. Park ficou no Tennessee até seu falecimento, aos 80 anos, em 1944. No mesmo ano, Du Bois seria aposentado, contra sua vontade, da Universidade de Atlanta, enquanto investia em um novo periódico acadêmico, o Phylon, e organizava novas conferências com uma rede de universidades negras para continuar os Estudos Sociais iniciados na primeira década do século.

Du Bois ainda viveria mais duas décadas, nas quais testemunharia o final da segunda guerra mundial, o estabelecimento do bloco soviético, da República Popular da China, a guerra fria, o início da descolonização no continente africano e a perseguição política do macartismo nos EUA. Nesse processo, cada vez mais descrente na possibilidade de mudança a partir do sistema da democracia “meritocrática” dos EUA, Du Bois se aproxima cada vez mais de uma agenda comunista transnacional, mas sempre em defesa daqueles que foram colocados do outro lado da linha de cor criada pelo capitalismo racializado que estabeleceu a Europa e os brancos estadunidenses como detentores do poder.

RETOMANDO PARA CONCLUIR: RAÍZES NEGRAS DA ANTROPOLOGIA URBANA?

O livro de Ulf Hannerz, Explorando a Cidade (2015) é ainda o pincipal “manual” do que se convencionou chamar Antropologia Urbana. Publicada pela primeira vez em 1980, em língua inglesa, a obra busca estabelecer as bases teóricas e metodológicas de uma Antropologia que contribua para os estudos urbanos e que tenha a cidade como locus e foco de estudos. Hannerz debate com historiadores, geógrafos, sociólogos e antropólogos e chega à conclusão de que o enfoque relacional seria a principal contribuição da antropologia aos estudos urbanos. São duas as principais bases sobre as quais se apoia a Antropologia Urbana delineada por Hannerz: a Escola de Chicago e a Escola de Manchester. Hannerz resenha diversos trabalhos produzidos nos anos 1920 e 1930 pelos “etnógrafos de Chicago” sob o comando de Robert Park e seu projeto de transformar a cidade em um grande “laboratório da vida social”. A ecologia humana, os estudos de comunidades, de tipos profissionais e de grupos migrantes se materializaram em estudos de grande riqueza etnográfica que dialogaram com as teorias acerca de regiões morais e sucessivas formas de territorialização de grupos pensados como “assimiláveis” a uma vida urbana que teria a classe média burguesa como seu “tipo ideal” desejável para a composição da nova sociedade moderna industrial, ainda que a cidade enquanto “organismo vivo” fosse pensada como em constante estado de crise e “equilíbrio instável” (Park, 1925).

O que chama a atenção no livro de Hannerz e nos livros e artigos que buscam traçar as origens da antropologia urbana em outras partes do mundo fora do eixo EUA-Império Britânico, seja na literatura em língua espanhola (Delgado, 2008; Giner, 2004) ou em obras de antropólogos brasileiros (Velho, 2005; Magnani, 2012; Eckert e Rocha, 2013), é a total ausência de referências a The Philadelphia Negro. A Social Study (Du Bois, 1899), uma obra seminal de etnografia urbana e seus desdobramentos, voltada para muitas das questões caras aos etnógrafos de Chicago e da Rodésia/Manchester: industrialização, migração rural-urbano, relações trabalhistas, religião, vida doméstica e familiar e desigualdades de raça e classe.

O programa de Estudos Sociais Du Bois se “escolariza” nas primeiras décadas do século XX na Universidade de Atlanta mas tem seu desenvolvimento tolhido por uma série de vicissitudes históricas. Parte dessas vicissitudes está vinculada à trajetória de Robert Park, por meio de seu primeiro grande patrocinador acadêmico: o líder negro estadunidense Booker T. Washington.

Em texto acerca da Escola de Chicago, Gilberto Velho chamou atenção à complexidade da biografia de Robert Ezra Park, mencionando sua carreira como jornalista e o fato de ter sido “ghost writer e principal assessor de Booker Tagliaferro Washington”. Velho, inadvertidamente, continua a frase dizendo que Washington era “o Martin Luther King da época, ligado ao movimento negro” (Velho, 2005: 56). Robert Park trabalhou, entre 1905 e 1914, como assessor de Booker T. Washington em seu Instituto Tuskegee, no Alabama. Há, de fato, evidências de que tenha escrito diversos textos assinados pelo líder negro e também de que tenha sido autor quase exclusivo de livro assinado pelos dois e publicado originalmente em 1912 (Washington & Park, 1985). A comparação de Booker T. Washington com Martin Luther King, no entanto, exige maior escrutínio e complexificação, bem como sua vinculação a um “movimento negro” nos EUA da virada do século XIX para o século XX. O Instituto liderado por Washington foi importante instituição educacional na época cujas oportunidades de qualificação para a população negra eram extremamente reduzidas, sobretudo nos estados em que o regime escravagista fora banido a contragosto após a derrocada dos confederados na Guerra Civil. Washington liderou o Instituto até sua morte em 1915, tendo conseguido vultuosas doações de membros da elite branca e estabelecido importantes relações com políticos e empresários de envergadura nacional. O custo das boas relações, no entanto, vinha com sua garantia de que não treinaria os negros para posições que competissem com os brancos por empregos e posições de poder, como evidenciado em seu famoso e controverso discurso proferido em Atlanta em 1895, conhecido como o Compromisso de Atlanta (Alridge, 2020). Washington é hoje conhecido como um líder negro conservador e que em certa medida contribuiu para a consolidação da segregação racial no sul dos EUA ao longo do século XX, justamente o alvo da luta política travada posteriormente por Martin Luther King nos anos 1960.

As trajetórias de Park e Du Bois, como vimos, apresentam algumas coincidências, pontos em comum, convergências e divergências, em um complexo emaranhado cheio de ambiguidades, principalmente no que se refere às posições de Robert Park ao longo da vida. Park é o “clássico” citado em todas as historiografias da institucionalização da sociologia nos EUA e, de maneira mais específica, aparece como fundador tanto da sociologia urbana quanto da antropologia urbana. Já Du Bois, para efeitos da história da Antropologia Urbana, permanece em larga medida desconhecido, apesar de sua importantíssima trajetória institucional na formação de pesquisadores negros e, mais que isso, a atuação política notória e decisiva ao longo de grande parte do século XX. O livro The Philadelphia Negro, bem como os relatórios das Atlanta Conferences, apesar se haverem tido forte repercussão momentânea, foram abafados tanto pelo próprio processo de institucionalização das ciências sociais permeadas pela branquidade institucional quanto pela institucionalização da educação negra como aquela oferecida por Booker T. Washington e seus colaboradores, comprometida com a manutenção das hierarquias de origem escravocrata, ainda que preocupada com o bem-estar mínimo de uma população apartada (Magubane, 2016; Morris, 2015).

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  • 1
    No original: There came a controversy between myself and Booker T. Washington, which became more personal and bitter than I had ever dreamed. There was first of all the ideological controversy. I believed in the higher education of a talented tenth who through their knowledge of modern culture could guide the American Negro into a higher civilization. I knew that without this leadership the Negro would have to accept white leadership, and that such leadership could not always be trusted to guide this group into self realization and to its highest cultural possibilities. Mr. Washington, on the other hand, believed that the Negro as an efficient worker could gain wealth and that eventually through his ownership of capital he would be able to achieve a recognized place in American culture and then might educate his children and develop his possibilities. For this reason, he proposed to put the emphasis upon training in industry and common labor”. “But beyond this difference of ideal lay another and more bitter controversy. This started with the rise at Tuskegee Institute, and centering around Booker T. Washington, of what I may call the Tuskegee Machine. I was greatly disturbed at this time, not because I was in absolute opposition to the things that Mr. Washington was advocating, but because I was strongly in favor of more open agitation against wrongs and above all, I resented the practical buying up of the Negro press and choking off even mild and reasonable opposition to Mr. Washington in both the Negro press and the white”.
  • 2
    Minneapolis, Detroit, Denver, Nova York e Chicago.
  • 3
    The Suppression of the African Slave Trade to the United States of America (1894), The Philadelphia Negro (1899) e Souls of Black Folk (1903).
  • 4
    No original: “Die Negerfrage in den Vereinegen Staten” (Du Bois, 1906).
  • 5
    Estudo coletivo realizado na cidade de Pittsburgh com mais de 70 pesquisadores, sob a direção de Paul Kellog, publicado entre 1907 e 1908.
  • 6
    Monroe Work (1866-1945), primeiro sociólogo negro a concluir o mestrado em Chicago no ano de 1903, também fizera parte do grupo de Du Bois em Atlanta (Morris, 2016 e 2018). Apesar de ter participado do movimento Niagara, que era contra o projeto de Washington, aceitou o convite para trabalhar em Tuskegee a partir de 1908. Nos registros biográficos, Work consta como fundador do escritório de pesquisa citado por Park.
  • 7
    National Association for the Advancement of Colored People - NAACP.
  • 8
    Para uma análise do significado do termo “problema negro”, ver a introdução à publicação brasileira de O Negro da Filadélfia, (Patriota de Moura & Bernardino Costa, 2023). O termo era de uso comum na imprensa e meios acadêmicos e muitas vezes estava vinculado à ideia de que “o negro” seria “o problema” das cidades e dos Estados Unidos como um todo. Du Bois demonstra empiricamente, com relatos históricos documentados e estatísticas comparadas, que a linha de cor era o maior problema da sociedade estadunidense e que os negros de diferentes partes dos EUA enfrentavam uma amplitude de problemas nos ambientes sociais em que viviam.
  • 9
    The Polish Peasant in Europe and America (1920), escrito em colaboração com Znaniecki.
  • Editor responsável:
    Andre Bittencourt.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    25 Abr 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    14 Out 2024
  • Aceito
    13 Dez 2024
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