RESUMO
OBJETIVO Descrever as características do ambiente construído em microescala e verificar diferenças conforme a região de moradia e variáveis sociais e demográficas entre adultos em São Paulo, Brasil.
MÉTODOS Trata-se de uma análise transversal com 1.434 adultos da coorte ISA–Atividade Física e Ambiente. As características do ambiente foram avaliadas pelo método Microscale Audit of Pedestrian Streetscapes (MAPS Global) a partir de imagens do Google Earth em rotas de 400m–700m dos endereços georreferenciados dos participantes. Para análise, foram aplicados testes U de Mann-Whitney para dois grupos independentes e Kruskal-Wallis para três ou mais grupos, seguido do pós-teste de Dunn, para verificar diferenças nos escores médios do ambiente segundo coordenadorias de saúde, sexo, idade, escolaridade e cor da pele.
RESULTADOS O entorno das residências na região Centro-Oeste apresentou os maiores escores gerais (p < 0,001). Indivíduos com maior escolaridade, autodeclarados brancos ou amarelos e com 60 anos ou mais residiam em áreas com melhores escores de estética, aspectos sociais, presença de árvores, coberturas aéreas, calçadas, cruzamentos e escore geral do ambiente (p < 0,001). Em contrapartida, pessoas com menor escolaridade e autodeclaradas pretas ou pardas viviam em áreas com piores condições de calçadas (p < 0,001).
CONCLUSÃO Conclui-se que as condições de microescala foram melhores no entorno das residências em regiões centrais e para indivíduos com maior escolaridade, pele branca ou amarela e mais velhos, ressaltando a necessidade de políticas públicas para um planejamento urbano mais equitativo e inclusivo.
DESCRITORES:
Ambiente Construído; Atividade Física; Iniquidades
ABSTRACT
OBJECTIVE To describe the characteristics of the built environment at the micro-scale and to examine differences according to residential area and social and demographic variables among adults in São Paulo, Brazil.
METHODS This is a cross-sectional study involving 1,434 adults from the ISA–Physical Activity and Environment cohort. Environmental characteristics were assessed using the Microscale Audit of Pedestrian Streetscapes (MAPS Global) method based on Google Earth images along 400–700-meter routes centered on the participants’ georeferenced addresses. For the analysis, Mann-Whitney U tests were used for two independent groups and Kruskal-Wallis tests for three or more groups, followed by Dunn’s post-hoc test, to assess differences in mean scores by health coordination unit, sex, age, educational level, and skin color.
RESULTS The surroundings of residences in the Central-West region had the highest overall scores (p < 0.001). Individuals with higher education levels, who self-identified as White or Asian, and those aged 60 years or older resided in areas with better scores for aesthetics, social aspects, presence of trees, canopy cover, sidewalks, intersections, and overall environmental score (p < 0.001). In contrast, people with lower educational attainment and those who self-identified as Black or Brown lived in areas with poorer sidewalk conditions (p < 0.001).
CONCLUSION It is concluded that micro-scale conditions were better in the vicinity of residences in central regions and for individuals with higher education, White or Asian skin color, and older age, highlighting the need for public policies aimed at more equitable and inclusive urban planning.
DESCRIPTORS:
Built Environment; Physical Activity; Inequities
INTRODUÇÃO
O ambiente urbano e o planejamento das cidades influenciam a saúde da população, afetando fatores como sedentarismo, baixos níveis de atividade física, poluição do ar e sonora, violência e isolamento social1. Em países com menor disponibilidade histórica de infraestrutura urbana adequada, essas relações tendem a ser mais evidentes, especialmente diante do rápido crescimento populacional nos centros urbanos e de processos de urbanização marcados por planejamento insuficiente ao longo de décadas2. No contexto brasileiro, país classificado como de renda média-alta segundo o Banco Mundial, estima-se que, em 2023, cerca de 85% da população vivia em áreas urbanas3, e projeta-se que, até 2050, aproximadamente 70% da população mundial residirá nessas áreas⁴. Essa rápida urbanização configura-se como um desafio global, uma vez que as cidades se tornam cenários centrais na produção de iniquidades em saúde⁵, reforçando a importância do planejamento urbano orientado à promoção de cidades mais saudáveis.
Estudos sobre atividade física destacam disparidades em saúde, com evidências de que sexo6, renda7, escolaridade8 e raça/etnia9 influenciam estas práticas, principalmente no lazer e como forma de deslocamento. Embora fatores individuais sejam relevantes, a interação com o ambiente é crucial. A vizinhança, moradia e bairros impactam a saúde10, ressaltando a importância do planejamento urbano para a saúde pública. Evidências de países de alta renda como Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, de acordo com a classificação do Banco Mundial11, indicam que o espaço urbano tende a ser desigual para grupos mais vulneráveis12. Apesar das diferenças socioeconômicas e culturais, No Brasil, estudo em Curitiba mostrou menor presença de árvores e elementos estéticos nas periferias, refletindo desigualdades semelhantes13.
Espaços públicos acessíveis, calçadas de qualidade, conectividade viária e segurança no trânsito são essenciais para promover atividades físicas, especialmente em países de baixa e média renda14. São Paulo foi marcada por um planejamento urbano desordenado, impulsionado pela industrialização acelerada e por processos migratórios e imigratórios desordenados. Por exemplo, entre 1950 e os anos 2000, a população subiu de dois milhões para mais de dez milhões de habitantes15. A falta de planejamento provocou problemas como desigualdade espacial, acesso a transportes públicos, mobilidade urbana, saneamento básico, impermeabilização do solo, poluição do ar e sonora, enchentes, iniquidades nas áreas verdes, déficit habitacional e habitações precárias.
No entanto, a partir de 2010, foram implementadas políticas importantes para a redução das iniquidades ambientais16. Entre 2015 e 2020, houve aumento na infraestrutura para atividade física, como academias ao ar livre, praças, parques e ciclovias, impulsionado principalmente pelo Novo Plano Diretor e pelo Plano de Mobilidade Urbana. Porém, essas melhorias ainda são mais comuns em áreas de maior nível socioeconômico. Por exemplo, Teixeira et al.17 demonstraram que, apesar do crescimento de estruturas que favorecem a prática de atividades físicas, como as ciclovias, ainda há predominância em áreas de maior nível socioeconômico na cidade. Variáveis do microambiente ou em microescala, como presença e qualidade de calçadas, controladores de tráfego, como semáforos, lombadas, aspectos estéticos e coberturas verdes, como a presença de árvores, são muito importantes para a promoção da atividade física.
No entanto, a literatura ainda apresenta uma lacuna significativa no que diz respeito a investigações sobre o microambiente para a atividade física, especialmente em países de baixa e média renda como o Brasil, e em cidades marcadas por profundas desigualdades, como São Paulo. A capital paulista enfrenta problemas complexos como alta densidade populacional, tráfego desordenado e desigualdade de renda, que podem impactar na saúde pública. Portanto, faz-se importante investigar o microambiente para as práticas de atividades físicas no lazer e como deslocamento de forma aprofundada em cidades como São Paulo, Brasil, que representam bem as características de megalópolis do Sul Global, onde ainda existem muitas desigualdades sociais e ambientais. Este estudo poderá subsidiar políticas públicas de habitação, infraestrutura urbana, mobilidade urbana, vigilância em saúde e promoção de ambientes saudáveis. Diante do exposto, o presente estudo tem como objetivo descrever as características da microescala do ambiente para prática de atividade física e verificar possíveis diferenças segundo regiões de moradia, níveis de escolaridade e cor da pele de adultos da cidade de São Paulo, Brasil.
MÉTODOS
Cenário da Pesquisa
São Paulo é a cidade mais populosa do Brasil e da América Latina, com uma população estimada de 11.451.999 milhões de habitantes, com área de 1.521,110 km2 e densidade populacional de 7.528,26 habitantes por km17. A cidade é dividida em 96 distritos, 31 subprefeituras, seis áreas de saúde e no ano de 2022 tinha 27.301 setores censitários. São Paulo concentra cerca de 11% do produto interno bruto do país e tem índice Gini de 0,539, que a coloca como uma das cidades com maior desigualdade de renda, que pode refletir no acesso à saúde, à habitação e ao transporte3,18.
Tipo de Estudo
Este estudo é do tipo transversal e utiliza dados da coorte “Inquérito de Saúde de São Paulo (ISA): Atividade Física e Ambiente”, que tem como objetivo primário investigar se o ambiente construído está associado práticas de atividades físicas no lazer e como forma de deslocamento, além de objetivos secundários como o estudo do comportamento sedentário, obesidade, doenças cardiovasculares e doenças mentais entre adultos residentes da cidade de São Paulo. Maiores detalhes do ISA–Atividade Física e Ambiente, podem ser obtidos no estudo de Florindo et al.19
Amostra
A amostra deste estudo incluiu 1.434 pessoas que foram entrevistadas na segunda onda (2020/2021), que são residentes nas seis áreas administrativas de saúde (Leste, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Sul) na cidade de São Paulo. Maiores detalhes sobre a amostragem do ISA-Atividade Física e Ambiente podem ser obtidos em artigo publicado por Florindo et al.20 que descreve o perfil da coorte.
Questionários
O estudo ISA–Atividade Física e Ambiente utilizou questionário estruturado para ser aplicado via entrevistas telefônicas na segunda onda (2020/2021), devido à pandemia de covid-19. A coleta ocorreu utilizando a metodologia Computer Assisted Telephone Interviewing, similar à empregada no Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico do Ministério da Saúde.
O questionário da segunda onda consistiu em 70 questões, organizadas em 11 blocos temáticos: identificação das pessoas (seis questões), atividade física (30 questões), mobilidade (quatro questões), avaliação do sono (três questões), peso e altura (duas questões), percepção de saúde (uma questão), doenças (oito questões), tabagismo (uma questão), comportamento na pandemia (três questões), características socioeconômicas (duas questões) e características da família e do domicílio (dez questões).
Avaliação do Microambiente para a Prática de Atividades Físicas
O microambiente para a prática de atividade física, também compreendido como o nível de avaliação em microescala, refere-se ao ambiente de pequena escala ao redor das pessoas, cujas condições e características podem influenciar de forma significativa a decisão de praticar atividade física no tempo de lazer ou como forma de deslocamento10. Em geral, o microambiente envolve avaliações de ruas, segmentos e cruzamentos e verifica a presença e qualidade de calçadas, presença e qualidade de espaços como ciclovias, parques e praças, segurança no trânsito, avaliando a presença de controladores de tráfego de veículos, aspectos estéticos como paisagismo e pichações, presente de estruturas de iluminação, cobertura vegetal, a presença e o tamanho de prédios e a presença de serviços comerciais, instituições de ensino e religiosas, instalações públicas e privadas.
A avaliação do microambiente realizada por meio do Microscale Audit of Pedestrian Streetscapes-Global (MAPS-Global)21. Foram considerados 1.434 adultos avaliados na segunda onda do estudo (2020/2021), cujos 1.205 endereços residenciais foram georreferenciados para a construção das rotas. A auditagem ocorreu online, com imagens do Google Earth, em rotas de 400 e 725 metros, distância que corresponde, aproximadamente, ao deslocamento realizado por uma pessoa em até dez minutos de caminhada. Esse intervalo está de acordo com o padrão adotado pelo manual do instrumento MAPS Global. O Google Street View foi utilizado para percorrê-las. A partir dos endereços, identificou-se o centro comercial como o setor censitário com maior concentração de registros no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), obtidos via Imposto Predial e Territorial Urbano de São Paulo. Os 794.968 registros de CNPJ foram georreferenciados, e cada setor censitário recebeu uma marcação espacial indicando seu centro comercial.
Para aumentar a cobertura da avaliação, optou-se por analisar os dois lados das ruas (direito e esquerdo). A avaliação do ambiente ocorreu entre dezembro de 2020 e setembro de 2022. Ao todo, foram analisadas 1.205 rotas, 11.276 segmentos e 11.222 cruzamentos, com um tempo médio de 25,8 minutos por rota (dp = 17,4 minutos). As imagens utilizadas no Google Street View dataram de janeiro de 2010 (mais antiga) a maio de 2022 (mais recente).
A auditoria foi realizada por uma equipe composta por sete avaliadores previamente treinados, dos quais três também atuaram como supervisores durante o processo de coleta de dados. Os supervisores receberam treinamento específico ministrado pelo grupo coordenador do MAPS no Brasil e, posteriormente, foram responsáveis por capacitar os demais avaliadores envolvidos no estudo. Como parte do processo de padronização e controle de qualidade, todos os auditores passaram por testes de confiabilidade interavaliadores, conforme preconizado pelo método MAPS. Apenas os avaliadores que atingiram o nível mínimo de concordância de 90% exigido pelo instrumento participaram da coleta de dados. Todos os processos metodológicos estão descritos detalhadamente no estudo de Oliveira et al.22
Os itens avaliados pelo MAPS Global utilizam diferentes formatos de resposta (dicotômicas, categóricas e contínuas), exceto as questões de uso misto do solo, que variam de 0 a 5. Para calcular os escores, as respostas dicotômicas (não/sim) são pontuadas como 0 ou 1. Itens individuais e subescalas são pontuados, gerando subescalas de valências positivas (associadas com mais chances de realizar atividades físicas) e negativas (associadas com menos chances de realizar atividades físicas). As escalas e subescalas geram os escores de cada seção (rotas, segmentos e cruzamentos). Para análises e cálculos, seguiu–se a padronização e sistematização de pontuações adotadas pela metodologia do instrumento.
Variáveis de Estudo
Variáveis do microambiente
Para gerar os escores do ambiente construído foram consideradas três seções do instrumento: rotas, segmentos e cruzamentos, totalizando 148 itens organizados em escalas e escores principais do MAPS Global. A seção de rotas analisa a diversidade de infraestrutura urbana, incluindo uso do solo residencial e comercial, disponibilidade de serviços, mobilidade e qualidade estética do ambiente. A seção de segmentos examina detalhadamente os trechos entre cruzamentos, considerando infraestrutura para pedestres e ciclistas, características das calçadas, presença de sombras, vendedores ambulantes e elementos que impactam a segurança e a experiência do pedestre. Já a seção de cruzamentos avalia a acessibilidade e segurança para travessias, verificando sinalização, largura das vias, semáforos, rampas e faixas de pedestres.
Para a análise, foram consideradas as escalas: uso misto do solo, uso das ruas, estética e ambiente social, infraestrutura para pedestres, árvores e coberturas aéreas, calçadas, características negativas das calçadas, facilidades para pedestres e acessibilidade. Também foram analisados os escores principais, rotas, segmentos, cruzamentos e o escore geral do instrumento. Os segmentos e cruzamentos foram apresentados como médias por rota, evitando discrepâncias individuais. Inicialmente, as variáveis desses elementos foram somadas e, depois, calculadas as médias dos atributos, antes da soma das pontuações gerais de cada subescala, escala e escore geral. Na análise das rotas, não foi necessário calcular médias, pois cada indivíduo possuía apenas uma rota.
Variáveis Demográficas, Sociais e Regiões de Residência
Foram incluídos dados de pessoas com 18 anos ou mais (n = 1.434, residentes em 1.205 domicílios) avaliadas até a segunda onda do estudo (2020/2021). As variáveis consideradas foram: sexo (homens e mulheres) e cor da pele (brancos e amarelos; pretos, pardos e indígenas), ambas coletadas na linha de base e utilizadas como padrão em toda a coorte; escolaridade (nível 1: até o 5° ano do ensino fundamental; nível 2: até a 2° série do ensino médio; nível 3: ensino médio completo; e nível 4: ensino superior incompleto ou mais), e idade (18 a 39 anos; 40 a 59 anos; e 60 anos ou mais), ambas coletadas na segunda onda.
Foram utilizadas as regiões de moradia dos participantes classificadas pelas Coordenadorias de Saúde que estavam vigentes na linha de base do estudo em 2014/2015 (Norte, Sul, Leste, Sudeste e Centro-Oeste), devido à seleção da amostra e para possíveis comparações do microambiente no entorno dos domicílios onde as pessoas viviam.
Análises dos Dados
Foram realizados testes de Kolmogorov-Smirnov para identificar se as variáveis possuíam aderência à distribuição normal, mostrando que todas as variáveis do ambiente construído tinham distribuição não paramétrica. Para as análises descritivas, foram calculadas as medianas, os intervalos interquartis, os valores mínimos e máximos, além do percentual de ausência dos atributos agregados em escalas e nas seções de rotas, segmentos e cruzamentos.
As diferenças entre os escores médios do ambiente construído, foram analisadas com base nas diferentes regiões de moradia, níveis de escolaridade, cor da pele e grupos etários. Em seguida, foram realizados testes U de Mann-Whitney para dois grupos independentes e teste de Kruskal-Wallis para três ou mais grupos, seguido do pós-teste de Dunn para identificar os grupos significativos estatisticamente.
Todos os dados foram analisados utilizando o SPSS versão 24.0 (SPSS, Inc., Chicago, IL). Para todos os testes, considerou-se significância estatística para p < 0,05.
Questões Éticas
O estudo foi aprovado pelos Comitês de Ética da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (10396919.0.0000.5390) e da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (10396919.0.3001).
RESULTADOS
A maioria da amostra era do sexo feminino, com idade até 59 anos, com escolaridade com ensino médio ou superior, se autodeclararam de cor de pele branca ou amarela e residiam nas coordenadorias de saúde sul e sudeste (Tabela 1).
Verificou–se que atributos como uso misto do solo, árvores e coberturas aéreas e calçadas estão presentes na maioria das rotas. No entanto, elementos como infraestrutura e acessibilidade para pedestres são características ausentes em metade ou mais das rotas (Tabela 2).
O entorno das residências das pessoas que viviam na região Centro-Oeste, obteve os maiores escores nas escalas de estética, árvores e coberturas aéreas, acessibilidade, rotas, segmentos, cruzamentos e escore geral de ambiente quando comparado ao entorno das outras regiões. A região Centro-Oeste apresentou também o menor escore de características negativas das calçadas. Em contrapartida, a região Sul apresentou menores valores para estética e facilidade para pedestres (Tabela 3).
Quando se comparou o entorno das residências de acordo com os níveis de escolaridade das pessoas (Tabela 4), indivíduos com nível superior possuíam valores superiores nas escalas positivas de estética e ambiente social, árvores e coberturas aéreas, facilidade para pedestres, acessibilidade, escores de rotas, segmentos, cruzamentos e escore geral de ambiente, além de menores escores de características negativas das calçadas.
Verificou–se que pessoas com 60 anos ou mais apresentaram os maiores valores nas escalas positivas de estética, presença de árvores e coberturas aéreas, bem como o escore de segmentos. Além disso, esse grupo teve menores escores em características negativas das calçadas (Tabela 5).
Em relação à cor da pele, indivíduos autodeclarados brancos e amarelos apresentaram maiores escores de infraestrutura para pedestres, acessibilidade, estética, presença de árvores e coberturas aéreas, segmentos, cruzamentos e no escore geral do ambiente. Por outro lado, os maiores escores de uso misto do solo e de características negativas das calçadas, foram observados entre indivíduos autodeclarados pretos e pardos (Tabela 5).
DISCUSSÃO
Este estudo teve como objetivo descrever as características do microambiente construído entre adultos e idosos participantes da coorte ISA-Atividade Física e Ambiente e verificar diferenças segundo as regiões de residência e características demográficas e sociais. Pessoas que residiam em regiões centrais, de maior escolaridade e de cor de pele branca ou amarela tiveram maiores escores de ambientes para as práticas de atividades físicas de lazer e como deslocamento.
Quanto aos resultados por região de residência, sabe-se que, em São Paulo, SP, as áreas centrais concentram pessoas de maior nível socioeconômico. Além disso, estudos demonstram que estruturas que favorecem a prática de atividades físicas no lazer e no deslocamento ativo, como estações de trem e metrô, ciclovias e praças, estão mais presentes nessas regiões centrais da cidade⁸. Esses achados evidenciam a existência de desigualdades territoriais na distribuição de atributos do ambiente construído associados à prática de atividade física.
Embora ainda sejam escassos, os estudos que avaliam o microambiente para a prática de atividade física no Brasil e em países da América Latina, especialmente aqueles que utilizam instrumentos padronizados de auditoria ambiental, como o MAPS, as evidências disponíveis apontam para um padrão consistente de desigualdade espacial. Estudo desenvolvido em Curitiba13, Brasil, utilizando o MAPS, reforça esse cenário ao avaliar o microambiente no entorno de 30 escolas públicas, demonstrou que a qualidade do ambiente construído diminui à medida que se afasta do centro urbano, com escores mais elevados nas áreas centrais e piores condições nas regiões periféricas. Em um segundo momento, o estudo também evidenciou que essas áreas periféricas, majoritariamente ocupadas por grupos de menor renda, apresentam menor acesso a serviços urbanos e a elementos estéticos e de conforto, como arborização e arte urbana.
Já um estudo realizado no município de Cambé23, no estado do Paraná, que utilizou análises de clusters, para examinar os agrupamentos formados a partir da relação entre a caminhabilidade em microescala, a renda por setor censitário e os níveis de caminhada, estes últimos obtidos a partir do Plano de Mobilidade de Cambé (PR). Evidenciou que as regiões de maior renda e aquelas com maior movimentação de pedestres apresentaram as maiores médias de pontuação geral de caminhabilidade em seus respectivos trechos. Esses achados reforçam a existência de uma associação positiva entre melhores condições do ambiente construído em microescala e a prática da caminhada, ao mesmo tempo em que revelam desigualdades socioespaciais na distribuição de infraestruturas urbanas favoráveis à mobilidade ativa.
As discrepâncias na qualidade do ambiente urbano no Brasil resultam de fatores históricos, legais e da desigualdade social, refletindo processos de urbanização desordenada e ocupação irregular, como observado em São Paulo, onde persistem grandes contrastes de infraestrutura e condições de vida24. Dados do Censo Demográfico 202225 reforçam que essas desigualdades estão fortemente associadas aos locais de moradia, evidenciando que moradores de favelas e comunidades urbanas convivem com infraestrutura significativamente mais precária, especialmente em atributos centrais da microescala pedestre, como calçadas, acessibilidade, arborização e pavimentação, o que limita as oportunidades de mobilidade ativa e prática de atividade física no cotidiano.
Para além da região de residência, características sociodemográficas, como escolaridade e cor da pele, também se associaram de forma consistente à qualidade do microambiente para a prática de atividades físicas no lazer e como forma de deslocamento. No presente estudo, pessoas com maior escolaridade e de cor da pele branca ou amarela apresentaram maiores escores de ambiente favorável à atividade física. Achados semelhantes foram observados na cidade de Los Angeles, Estados Unidos26. Estudos identificaram iniquidades significativas em populações minoritárias, a partir de critérios relacionados à renda, escolaridade, raça e mobilidade, nas quais minorias raciais consideradas como afro-americanos e hispânicos eram expostos a condições urbanas desfavoráveis.
As rotas de acesso a parques em áreas ocupadas por esses grupos apresentavam maior tráfego de veículos e piores condições de caminhada. Bairros com alta presença de minorias, também exibiam maior deterioração urbana e menos características estéticas positivas. Assim como observado em países de alta renda, em países de renda média-alta, como o Brasil, a escolaridade e a cor da pele também configuram marcadores sociais centrais das iniquidades ambientais. Evidências nacionais reforçam esse cenário: dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a população preta e parda apresenta desvantagens persistentes e historicamente construídas em dimensões como renda, educação, condições de moradia e acesso a bens e serviços, fatores diretamente relacionados à qualidade do ambiente urbano e às oportunidades de adoção de comportamentos ativos27.
Por exemplo, no caso das calçadas, que são atributos essenciais que influenciam as experiências dos pedestres, estimulam o deslocamento urbano, especialmente para quem depende do transporte público ou se desloca a pé. Em linha com os achados do presente estudo, um levantamento feito em 2019 pelo Centro de Estudos da Metrópole demonstrou que pessoas de classes sociais mais baixas e de cor da pele preta viviam em áreas com piores condições de calçadas. Ressalta-se que a Pesquisa Origem e Destino28, realizada pelo Metrô de São Paulo, ouviu pessoas de 32 mil domicílios em 39 municípios da região metropolitana de São Paulo e mostrou que 46% das viagens na Grande São Paulo são realizadas a pé, evidenciando a necessidade de garantir uma infraestrutura adequada para esses deslocamentos.
Ainda quanto à cor da pele, observou-se que áreas com maior presença de pessoas pretas e pardas apresentam maiores escores de uso misto do solo, possivelmente devido a padrões históricos de ocupação urbana e à necessidade de acesso a serviços básicos próximos. Além disso, a segregação racial e as desigualdades estruturais podem ter moldado esses territórios, resultando em maior diversidade de comércios, serviços e residências. A adaptação a essas condições socioeconômicas e históricas levou essas comunidades a desenvolverem um ambiente construído que facilita a mobilidade e o acesso a recursos essenciais29.
Portanto, discutir disparidades a partir da ótica da escolaridade e cor da pele, envolve reconhecer que essas características se cruzam de maneira interseccional5. Cor da pele e escolaridade podem predizem e explicar cenários complexos de desigualdade, em que indivíduos de grupos raciais minoritários e com menor renda frequentemente enfrentam barreiras cumulativas no acesso a oportunidades e recursos, incluindo a qualidade do ambiente urbano27.
Com relação às diferentes faixas etárias, as pessoas idosas apresentaram os maiores escores em calçadas, estética e cobertura de árvores. Acredita-se que este resultado também possa estar relacionado a fatores socioeconômicos. Do ponto de vista social, pode ser que pessoas mais velhas, especialmente aquelas com maior estabilidade financeira e escolaridade, estejam vivendo em regiões mais estruturadas30 .
Intervenções ambientais, a partir de políticas como o Plano Diretor Estratégico de 2014, tiveram como principal objetivo reduzir as iniquidades ambientais em São Paulo. No entanto, a partir deste estudo, ressalta-se que o microambiente para as práticas de atividades físicas no lazer e como forma de deslocamento ainda permanece desigual em São Paulo. Novas políticas, ações e programas devem priorizar locais de menor nível socioeconômico para que se possa aumentar o acesso a ambientes melhores e, assim sendo, oferecer maiores oportunidades de escolha para as pessoas serem ativas fisicamente. Também se devem desenvolver ações educacionais para que a população esteja ciente de que os ambientes onde elas vivem são determinantes para a saúde e para os comportamentos.
Este é o primeiro estudo sobre microambiente para atividades físicas no lazer e deslocamento em São Paulo, uma das dez cidades mais populosas do mundo. Um ponto forte foi a inclusão de ambos os lados das ruas, ampliando as características avaliadas. Outro ponto forte é o uso de medidas ambientais em microescala, em diferentes regiões de uma megalópole com muitas iniquidades como São Paulo, onde as análises de diferentes regiões pode fomentar políticas públicas de melhora do ambiente. Além disso, por ser um estudo inovador, estes dados vão permitir comparações internacionais.
Entre as limitações, a amostra, embora distribuída por toda a cidade, não representa todos os residentes. O método MAPS Global pode não refletir plenamente as experiências dos participantes, pois a rota analisada (425m–725m até um centro comercial) pode diferir dos deslocamentos reais. A dependência de imagens do Google Street View, especialmente em áreas periféricas com atualizações esparsas, pode comprometer a precisão da análise.
CONCLUSÃO
O ambiente em microescala no entorno das residências de pessoas que viviam em regiões centrais da cidade de São Paulo apresentou escores mais elevados. Pessoas com maior escolaridade, de cor de pele branca ou amarela e com 60 anos ou mais, tiveram maiores escores de microambiente no entorno das suas residências.
Os achados reforçam a necessidade de formulação de políticas públicas urbanas e ações em áreas como as regiões Leste e Sul de São Paulo, e para pessoas em contexto de maior vulnerabilidade social, como os pretos e pardos e de baixa escolaridade, que em geral vivem em regiões de menor nível socioeconômico na cidade. Estas ações podem contribuir para a justiça espacial e para maior oportunidade de as pessoas escolherem e adotarem comportamentos saudáveis como as práticas de atividades físicas no lazer e como forma de deslocamento.
Referências bibliográficas
-
1 Giles-Corti B, Vernez-Moudon A, Reis R, Turrell G, Dannenberg AL, Badland H et al. City planning and population health: a global challenge. Lancet. 2016 Dec 10;388(10062):2912-24. https://doi.org/10.1016/S0140-6736 (16)30066-6
» https://doi.org/10.1016/S0140-6736 (16)30066-6 - 2 Stephens C, Brown D. Global issues: urban health in low- and middle-income countries. In: Quah S, editor. International encyclopedia of public health. 3a ed. Amsterdam: Elsevier; 2025. p. 581-90.
- 3 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua (PNAD Contínua). Rio de Janeiro: IBGE; 2023.
-
4 World Health Organization. Hidden cities: unmasking and overcoming health inequities in urban settings. Geneva: WHO; 2010 [cited 2026 Mar 24]. Available from: https://www.who.int/publications/i/item/9789241548038
» https://www.who.int/publications/i/item/9789241548038 -
5 United Nations Human Settlements Programme. Envisaging the future of cities. Nairobi: UN-Habitat; 2022 [cited 2026 Mar 24]. Available from: https://unhabitat.org/envisaging-the-future-of-cities
» https://unhabitat.org/envisaging-the-future-of-cities -
6 Althoff T, Sosic R, Hicks JL, King AC, Delp SL, Leskovec J. Large-scale physical activity data reveal worldwide activity inequality. Nature. 2017 Jul 20;547(7663):336-9. https://doi.org/10.1038/nature23018
» https://doi.org/10.1038/nature23018 -
7 Salvo D, Sarmiento OL, Reis RS, Hino AAF, Bolivar MA, Lemoine PD et al. Where Latin Americans are physically active, and why does it matter? Findings from the IPEN-adult study in Bogota, Colombia; Cuernavaca, Mexico; and Curitiba, Brazil. Prev Med. 2017 Oct;103S:S27-S33. https://doi.org/10.1016/j.ypmed.2016.09.007
» https://doi.org/10.1016/j.ypmed.2016.09.007 -
8 Florindo AA, Goulardins GS, Teixeira IP. Ciclovias, atividade física no lazer e hipertensão arterial: um estudo longitudinal. Estud Av. 2023 Sep;37(109):105-24. https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2023.37109.008
» https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2023.37109.008 -
9 Botelho VH, Wendt A, Pinheiro ES, Silva IC. Desigualdades na prática esportiva e de atividade física nas macrorregiões do Brasil: PNAD, 2015. Rev Bras Ativ Fis Saude. 2021 Jun 29;26:e0186. https://doi.org/10.12820/rbafs.26e0206
» https://doi.org/10.12820/rbafs.26e0206 -
10 Sallis JF, Floyd MF, Rodríguez DA, Saelens BE. Role of built environments in physical activity, obesity, and cardiovascular disease. Circulation. 2012 Feb 7;125(5):729-37. https://doi.org/10.1161/CIRCULATIONAHA.110.969022
» https://doi.org/10.1161/CIRCULATIONAHA.110.969022 -
11 World Bank Group. World Bank country and lending groups. Washington: World Bank Data Help Desk; 2026 [cited 2026 Mar 24]. Available from: https://datahelpdesk.worldbank.org/knowledgebase/articles/906519-world-bank-country-and-lending-groups
» https://datahelpdesk.worldbank.org/knowledgebase/articles/906519-world-bank-country-and-lending-groups - 12 Brisbois B, O'Campo P, Kamalanathan J. Inequities in cities and in urban health. In: Vlahov D, Boufford JI, Pearson CE, Norris L, editors. Urban health. New York: Oxford University Press; 2019. p. 76-84.
-
13 Santos DS, Hino AAF, Höfelmann DA. Iniquidades do ambiente construído relacionado à atividade física no entorno de escolas públicas de Curitiba, Paraná, Brasil. Cad Saúde Pública. 2019;35(5):e00110218. https://doi.org/10.1590/0102-311X00110218
» https://doi.org/10.1590/0102-311X00110218 -
14 Hino AAF, Reis RS, Florindo AA. Ambiente construído e atividade física: uma breve revisão dos métodos de avaliação. Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum. 2010;12(5):387-94. https://doi.org/10.5007/1980-0037.2010V12N5P387
» https://doi.org/10.5007/1980-0037.2010V12N5P387 -
15 São Paulo. Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento. Histórico demográfico: tabelas do município de São Paulo. São Paulo: SMUL; 2025 [cited 2026 Mar 24]. Available from: http://smul.prefeitura.sp.gov.br/historico_demografico/tabelas.php
» http://smul.prefeitura.sp.gov.br/historico_demografico/tabelas.php -
16 Lowe M, Adlakha D, Sallis JF, Salvo D, Cerin E, Moudon AV et al. City planning policies to support health and sustainability: an international comparison of policy indicators for 25 cities. Lancet Glob Health. 2022 Jun;10(6):e882-94. https://doi.org/10.1016/S2214-109X (22)00069-9
» https://doi.org/10.1016/S2214-109X (22)00069-9 -
17 Teixeira IP, Barbosa JPAS, Barrozo LV, Hino AAF, Nakamura PM, Andrade DR et al. Built environments for physical activity: a longitudinal descriptive analysis of Sao Paulo city, Brazil. Cities Health. 2023 Jan 2;7(1):137-47. https://doi.org/10.1080/23748834.2022.2127173
» https://doi.org/10.1080/23748834.2022.2127173 - 18 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico 2022: resultados preliminares. Rio de Janeiro: IBGE; 2023.
-
19 Florindo AA, Teixeira IP, Barrozo LV, Sarti FM, Fisberg RM, Andrade DR et al. Study protocol: health survey of Sao Paulo: ISA-Physical Activity and Environment. BMC Public Health. 2021 Feb 4;21(1):283. https://doi.org/10.1186/s12889-021-10262-5
» https://doi.org/10.1186/s12889-021-10262-5 -
20 Florindo AA, Onita BM, Teixeira IP, Miranda AM, Hallal PC. Hallal PC. The Health Survey of São Paulo: ISA-Physical Activity and Environment Longitudinal Study. BMJ Open. 2025 Nov 28;15(11):e107842. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2025-107842
» https://doi.org/10.1136/bmjopen-2025-107842 -
21 Cain KL, Geremia CM, Conway TL, Frank LD, Chapman JE, Fox EH et al. Development and reliability of a streetscape observation instrument for international use: MAPS-global. Int J Behav Nutr Phys Act. 2018 Feb 26;15(1):19. https://doi.org/10.1186/s12966-018-0650-z
» https://doi.org/10.1186/s12966-018-0650-z -
22 Oliveira ES, Paula ÍVF, Silva AAP, Hino AAF, Teixeira IP, Prado RCR et al. Metodologia de utilização do Microscale Audit of Pedestrian Streetscapes-MAPS na cidade de São Paulo. Rev Bras Ativ Fis Saude. 2023 out 5;28:1-7. https://doi.org/10.12820/rbafs.28e0307
» https://doi.org/10.12820/rbafs.28e0307 -
23 Moreira LSCM, Leão ALF, Urbano MR, Kanashiro M. Microescala, movimento de pedestres e níveis socioeconômicos: um estudo empírico. Arquit Rev. 2021;17(1):17-29. https://doi.org/10.4013/arq.2021.171.02
» https://doi.org/10.4013/arq.2021.171.02 - 24 Sampaio A. A geografia da desigualdade na cidade de São Paulo. Rev Parlam Soc. 2018;6(10):63-76.
-
25 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Características urbanísticas do entorno dos domicílios no Brasil segundo o Censo Demográfico 2022. Rio de Janeiro: IBGE; 2025 [cited 2025 Dec 5]. Available from: https://www.ibge.gov.br
» https://www.ibge.gov.br -
26 Thornton CM, Conway TL, Cain KL, Gavand KA, Saelens BE, Frank LD et al. Disparities in pedestrian streetscape environments by income and race/ethnicity. SSM Popul Health. 2016 Dec;2:206-16. https://doi.org/10.1016/j.ssmph.2016.03.004
» https://doi.org/10.1016/j.ssmph.2016.03.004 -
27 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE; 2019 [cited 2026 Mar 24]. Available from: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101681_informativo.pdf
» https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101681_informativo.pdf -
28 Companhia do Metropolitano de São Paulo. Pesquisa origem e destino 2023: resultados. São Paulo: Companhia do Metropolitano de São Paulo; 2025 [cited 2025 Dec 5]. Available from: https://transparencia.metrosp.com.br/sites/default/files/MetroSP_OD2023_Ebook_Resultados_0.pdf
» https://transparencia.metrosp.com.br/sites/default/files/MetroSP_OD2023_Ebook_Resultados_0.pdf -
29 Fuentes L, Truffello R, Flores M. Impact of land use diversity on daytime social segregation patterns in Santiago de Chile. Buildings. 2022 Jan 31;12(2):149. https://doi.org/10.3390/buildings12020149
» https://doi.org/10.3390/buildings12020149 -
30 Geib LTC. Determinantes sociais da saúde do idoso. Cienc Saúde Colet. 2012 jan;17(1):123-33. https://doi.org/10.1590/S1413-81232012000100015
» https://doi.org/10.1590/S1413-81232012000100015
-
Disponibilidade de Dados:
O conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo não está disponível publicamente.
-
Financiamento:
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp – Processo 2017/17049-3). Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (Capes). Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq - Processo 309301/2020-3, bolsa de produtividade em pesquisa para AAF).
Editado por
-
Editor Associado:
Kelly Samara da Silva. https://orcid.org/0000-0002-7356-1680
O conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo não está disponível publicamente.
