Open-access Perfil de ambulantes de alimentos e bebidas no entorno de escolas privadas do Brasil

RESUMO

OBJETIVO  Descrever o perfil socioeconômico e de atuação dos ambulantes, bem como o perfil de comercialização de alimentos, segundo o processamento industrial, no entorno de escolas privadas nas capitais brasileiras.

MÉTODOS  Estudo transversal com ambulantes no entorno imediato de uma amostra probabilística nacional de escolas privadas brasileiras. Foram incluídas escolas de ensino fundamental e/ou médio, participantes do Estudo Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras. Aplicou-se questionário previamente validado para caracterizar trabalhador, infraestrutura e disponibilidade de alimentos. Os alimentos foram classificados segundo o sistema NOVA. Comparações entre macrorregiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) e portes de ponto de venda (menor: 1–3 itens; intermediário: 4–13 itens; maior: ≥ 14 itens) foram avaliadas pelo teste de Kruskal–Wallis.

RESULTADOS  Foi mapeado o comércio informal de alimentos e bebidas no entorno imediato de 2.180 escolas privadas, totalizando 699 ambulantes. Predominaram homens (57,8%), pessoas negras (68,8%), com ensino médio completo (35,8%) e que subsistiam da informalidade (91,4%), em carrinhos e barracas, por falta de oportunidade no mercado formal (52,5%). A mediana de itens ultraprocessados superou em cerca de duas vezes a de alimentos in natura, minimamente processados ou processados e preparações baseadas neles (2,17; IC95% 1,90–2,45). Pontos comerciais de porte maior concentraram mais ultraprocessados em todas as regiões, exceto no Nordeste, onde essa predominância já ocorria no porte intermediário (3,32; IC95% 2,88–3,75). A menor razão de ultraprocessados foi observada no Sul (0,21; IC95% 0,05–0,37) e a maior, no Nordeste (3,32; IC95% 2,88–3,75).

CONCLUSÃO  O comércio ambulante no entorno de escolas privadas brasileiras reflete desigualdades estruturais e expande-se comercialmente na oferta de ultraprocessados para crianças e adolescentes. Recomenda-se sua inclusão como componente indissociável na avaliação do ambiente alimentar escolar, para subsidiar políticas que conciliam geração de renda e promoção da alimentação saudável.

DESCRITORES
Alimentos Ultraprocessados; Ambiente Alimentar; Escolas; Nutrição em Saúde Pública; Setor Informal

ABSTRACT

OBJECTIVE  To describe the socioeconomic profile and activity of street vendors, as well as the profile of food sales, according to industrial processing, in the vicinity of private schools in Brazilian state capitals.

METHODS  Cross-sectional study with street vendors in the immediate vicinity of a national probability sample of Brazilian private schools. Elementary and/or high schools participating in the Food Marketing in Brazilian Schools Study were included. A previously validated questionnaire was applied to characterize workers, infrastructure and food availability. Food was classified according to the NOVA system. Comparisons between macro-regions (North, Northeast, Central-West, Southeast, and South) and sizes of point of sale (smallest: 1–3 items; intermediate: 4–13 items; largest: ≥ 14 items) were evaluated using the Kruskal-Wallis test.

RESULTS  The informal food and beverage trade in the immediate vicinity of 2,180 private schools was mapped, totaling 699 street vendors. There was a predominance of men (57.8%), black people (68.8%), those with completed secondary education (35.8%), and those who worked informally (91.4%), in carts and stalls, due to a lack of opportunity in the formal market (52.5%). The median number of ultra-processed items was about twice that of in natura, minimally processed, or processed foods and preparations based on them (2.17; 95%CI 1.90–2.45). Larger outlets concentrated more ultra-processed foods in all regions, except in the Northeast, where this predominance already occurred in intermediate-sized outlets (3.32; 95%CI 2.88–3.75). The lowest ratio of ultra-processed foods was observed in the South (0.21; 95%CI 0.05–0.37) and the highest in the Northeast (3.32; 95%CI 2.88–3.75).

CONCLUSION  Street vending around Brazilian private schools reflects structural inequalities and expands commercially in the supply of ultra-processed foods to children and adolescents. We recommend its inclusion as an inseparable component in the evaluation of the school food environment, to support policies that reconcile income generation and the promotion of healthy eating.

DESCRIPTORS
Ultra-Processed Foods; Food Environment; Schools; Nutritional Sciences; Informal Sector

INTRODUÇÃO

O ambiente alimentar escolar é o cenário mediador entre os estudantes e as escolhas alimentares que ocorrem dentro e no entorno da escola1,2. Elementos como infraestrutura, disponibilidade de informações nutricionais e comerciais dos serviços de alimentação — formais e informais — influenciam diretamente essas escolhas e a autonomia alimentar dos estudantes1.

Dentre esses serviços, os vendedores informais (ambulantes) são responsáveis por comercializar 13%–40% dos alimentos consumidos diariamente por crianças em países de baixa e média renda3. No Brasil, os ambulantes integram o cotidiano escolar com comida pronta, acessível e frequentemente caseira4. No entanto, sua natureza itinerante5 dificulta a avaliação em pesquisas, apesar de estudos destacarem sua relevância para a compreensão dos ambientes alimentares2,5.

Embora estejam presentes com frequência semelhante à de lanchonetes e lojas de esquina no entorno escolar6, o comércio informal é, na maioria das vezes, negligenciado no estudo dos ambientes alimentares, sendo apontado como uma importante limitação metodológica2. Essa limitação é preocupante, considerando que a disponibilidade de alimentos no interior e no entorno escolar impacta a saúde e segurança alimentar e nutricional1. Evidências associam a presença massiva de ambulantes ao excesso de peso entre escolares6 e à maior acessibilidade de alimentos pouco nutritivos e mais baratos do que opções saudáveis7.

Conhecer as características do comércio informal de alimentos é, portanto, essencial para subsidiar medidas regulatórias que promovam ambientes escolares saudáveis. Além disso, é importante reconhecer que, em países de renda média e baixa, como o Brasil, a venda de comida de rua representa não apenas uma alimentação acessível nas grandes cidades, mas também uma estratégia de subsistência adotada por trabalhadores8. Contudo, a maioria dos estudos sobre o comércio informal tem se concentrado nas condições higienicossanitárias9,10, negligenciando aspectos sociodemográficos e da dinâmica de atuação que permitiriam uma visão mais abrangente e contextualizada deste componente do ambiente alimentar.

Diante dessas lacunas, o objetivo deste estudo foi descrever o perfil socioeconômico e de atuação dos ambulantes, bem como o perfil de comercialização de alimentos, segundo o processamento industrial, no entorno de escolas privadas nas capitais brasileiras.

MÉTODOS

Desenho e População

Estudo transversal realizado com ambulantes que comercializam alimentos no entorno imediato de escolas privadas de ensino fundamental e/ou médio das 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal. Essa análise faz parte do Estudo Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras (Caeb). Realizado de 2022 a 2024, o objetivo principal foi avaliar aspectos relacionados à comercialização de alimentos e bebidas em escolas privadas brasileiras, a partir de informações coletadas com gestores de cantinas escolares e ambulantes presentes no entorno imediato das escolas11.

O estudo seguiu as Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde, com aprovação dos comitês de éticas de referência nas localidades de execução conforme os pareceres 5.531.874; 5.913.835; 5.240.459; 6.942.713; 6.796.515; 5.709.474; 6.179.413; 5.427.066; 6.172.595; 6.002.739; 6.270.770; 4.506.207; 5.446.216; 5.060.837; 5.526.372; 5.959.036 e 6.188.500. Todos os participantes registraram o aceite no termo de consentimento.

Amostra e Amostragem

Diante da ausência de registros formais ou cadastro em órgão de regulação que permitissem estimar o universo de ambulantes no entorno de escolas no Brasil, adotou-se como referência o número de escolas elegíveis para o estudo Caeb, seguindo amostragem probabilística, por seleção aleatória simples com reposição inversa, detalhada em Canuto et al.11 Foram incluídos na pesquisa os ambulantes que comercializavam alimentos e bebidas prontos para consumo no entorno imediato das escolas localizados no momento da coleta de dados da cantina. O entorno imediato foi definido como a porta das escolas, todas as calçadas imediatamente adjacentes à entrada/saída e nas calçadas laterais das escolas, bem como no quarteirão imediato, desde que o ponto de venda estivesse voltado para a portaria de entrada/saída da escola.

Foram excluídos pontos de venda dentro de quatro paredes de alvenaria, de venda automática, venda de alimentos crus não prontos para o consumo, feiras organizadas (mercados de agricultores, feiras livres, camelódromo) e estruturas móveis vinculadas a comércios formais. Nas escolas onde havia mais de um ambulante, todos foram convidados a participar da pesquisa. As coletas ocorreram em dias letivos (7h–16h)11.

Variáveis

Características Socioeconômicas e de Atuação dos Ambulantes

Foram analisadas características socioeconômicas dos ambulantes (sexo, idade, raça/cor da pele, escolaridade, principal fonte de renda, tempo de comércio informal e a motivação para atuar na informalidade) e de atuação (localização, estrutura física — conforme apresentado no Quadro—, venda em outro local, turnos de trabalho, dias de trabalho, relação com a gestão escolar, cadastro em órgãos públicos e impedimento da atividade).

Quadro
Características para a identificação da estrutura física dos ambulantes no âmbito da coleta de dados da Pesquisa Nacional de Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras.

Alimentos e Bebidas Comercializados

Para caracterizar o perfil de comercialização dos ambulantes foram avaliadas três dimensões dos alimentos e bebidas: disponibilidade, variedade e qualidade. A disponibilidade foi registrada para 58 alimentos e bebidas11. A lista compreendeu: (a) Alimentos in natura, minimamente processados ou processados e preparações baseadas nestes alimentos (AIMPP): água mineral, água de coco, suco natural de fruta, suco 100% natural, café, chá natural, leite batido com fruta, fruta fresca, fruta seca ou desidratada, salada de fruta simples, açaí sem açúcar ou xarope, milho verde assado ou cozido, bolo de preparação culinária, doce a base de frutas ou legumes, biscoito preparação culinária, pão de queijo, tapioca sem recheio ultraprocessado, pizza sem recheio ultraprocessado, salgado assado sem recheio ultraprocessado, salgado frito sem recheio ultraprocessado, sanduíche sem recheio ultraprocessado, hambúrguer sem carne ultraprocessada, amendoim doce, churrasquinho/espetinho, pipoca feita com grão natural e preparações regionais; (b) Alimentos ultraprocessados e preparações baseadas nestes alimentos (AUPP): néctar de fruta, refresco, chá pronto para beber, bebida láctea, bebida à base de soja, refrigerante comum, refrigerante zero/light/diet, energético, isotônico, salada de fruta com toppings, açaí com açúcar ou xarope, açaí com toppings, barra de cereais, cereal matinal, bolo ultraprocessado, doce com ingrediente ultraprocessado, chocolate/bombom, guloseima, picolé ou sorvete, biscoito doce com ou sem recheio, salgadinho de pacote/chips/biscoito/bolacha salgada, pão de queijo congelado ou mistura pronta, tapioca com recheio ultraprocessado, pizza com recheio ultraprocessado, salgado assado com recheio ultraprocessado, salgado frito com recheio ultraprocessado, sanduíche com recheio ultraprocessado, hambúrguer com carne ultraprocessada, pipoca ultraprocessada, pipoca doce de pacote e churros; e (c) bebida alcoólica.

A variedade foi classificada de acordo com a soma das opções disponíveis no ponto de venda, considerando os distintos sabores, marcas e tamanhos para cada alimento ou bebida.

Para a qualidade, os alimentos e bebidas foram organizados segundo as características do processamento industrial (sistema NOVA): AIMPP e AUPP12. As bebidas alcoólicas foram indicadas como “sem classificação” e as comidas tradicionais, quando mencionadas, foram registradas como “preparações regionais” ou “outro alimento” com descrição detalhada11.

Foram utilizados dois indicadores de proporção relativa entre os grupos de alimentos. O percentual de alimentos foi calculado pela divisão do total de AIMPP ou AUPP disponíveis pela variedade total de itens comercializados (dos dois grupos), no ponto de venda. O resultado da divisão foi multiplicado por 100. A razão entre AUPP e AIMPP resultou da divisão do total de AUPP disponíveis pelo total de AIMPP disponíveis. A razão > 1 indica a vantagem relativa da disponibilidade de AUPP comparada à de AIMPP. Enquanto a razão < 1 indica a comercialização de AUPP menor do que a de AIMPP12.

Análise de Dados

Os dados foram processados no Microsoft 365 Excel e analisados no Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 21.0. As análises descritivas incluíram medidas de tendência central e dispersão, frequências e intervalos de confiança de 95%. Para comparar as diferenças entre grupos independentes — macrorregiões brasileiras (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) e portes de ponto de venda (menor, intermediário, maior) — utilizou-se o teste de Kruskal-Wallis devido à violação dos pressupostos de normalidade (p < 0,05 nos testes de Kolmogorov-Smirnov e Shapiro-Wilk).

Como o comércio ambulante não dispõe de indicadores gerenciais (faturamento anual, número de clientes, gestão de estoque), a estratificação do porte foi operacionalizada a partir da geração de tercis da variedade de alimentos e bebidas disponíveis. Foi considerado nível de significância de 5% para todas as análises de associação.

RESULTADOS

Foi mapeado o comércio informal no entorno das 2.180 escolas incluídas no estudo maior, totalizando 699 ambulantes participantes. Nenhum vendedor ambulante foi encontrado no momento da visita às escolas em Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Florianópolis (SC), Goiânia (GO) e Vitória (ES).

A maioria dos ambulantes era do sexo masculino, com idade entre 45 e 59 anos, negra e com ensino médio completo. Foram reveladas diferenças regionais, houve predominância do sexo feminino no Nordeste (52,6%), da faixa etária mais baixa nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, e apenas nas regiões Sul (50,0%) e Sudeste (50,3%) a maioria era branca, mas com elevado percentual de negros considerando a estrutura racial brasileira. Observa-se que o comércio informal era a principal fonte de renda destes trabalhadores (91,4%), com maior frequência no Nordeste (97,7%). O tempo de atuação informal referido com maior frequência foi de 2 a 5 anos (35,2%) e a falta de oportunidade no mercado formal (52,5%) foi apontada como o motivo predominante para a comercialização informal de alimentos e bebidas no Brasil (Tabela 1).

Tabela 1
Caracterização sociodemográfica dos ambulantes no entorno de escolas particulares do ensino fundamental e médio do Estudo de Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras, segundo a macrorregião brasileira. Brasil, 2022–2024.

Quanto às características de atuação, por macrorregião (Tabela 2), 59,8% dos ambulantes localizavam-se no quarteirão escolar; carrinhos foram a estrutura mais utilizada em todas as regiões, seguidos por barracas predominantes no Nordeste (36,5%). A maioria dos ambulantes atuava exclusivamente no entorno escolar, exceto no Sul (20,0%). Verificou-se que a informalidade caracteriza a maioria dos ambulantes, com 82,1% sem registro em órgãos públicos. A formalização foi mais frequente na região Sul (29,1%) e o Sudeste concentrou o maior relato de MEI/CNPJ (4,4%). Apesar disso, 89,7% nunca sofreram ações de impedimento e, quando ocorreram, foram conduzidas por agentes civis no Sul (16,4%) e por agentes públicos no Sudeste (9,3%), Norte (4,1%) e Nordeste (3,9%). As escolas, por sua vez, não interferiram na presença desses vendedores.

Tabela 2
Caracterização da atuação dos ambulantes no entorno de escolas particulares do ensino fundamental e médio do Estudo de Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras, segundo a macrorregião brasileira. Brasil, 2022 a 2024.

A Tabela 3 apresenta a frequência de alimentos e bebidas auditados por macrorregião. Entre os AIMPP mais comuns, no Brasil, destacaram-se: água mineral (55,2%), café (12,2%), bolo de preparação culinária (11,6%), salgado frito sem recheio ultraprocessado (10,6%) e pipoca com grão natural (10,2%). A água mineral foi majoritária em todas as regiões, seguida do bolo de preparação culinária que prevaleceu no Norte (29,6%), o café no Nordeste (18,4%), a fruta fresca no Centro-Oeste (12,0%) e a pipoca no Sudeste (19,9%) e Sul (8,2%). Os alimentos tradicionais, representativos da cultura regional, foram raramente encontrados no comércio ambulante brasileiro.

Tabela 3
Frequência de alimentos e bebidas comercializadas por ambulantes no entorno de escolas particulares do ensino fundamental e médio do Estudo de Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras, segundo a macrorregião brasileira. Brasil, 2022 a 2024.

Os AUPP mais frequentes foram: refrigerante comum (46,2%), guloseimas (29,6%), salgadinho de pacote (21,5%), pipoca industrializada (19,0%) e chocolate/bombom (17,2%). O refrigerante foi predominante em quatro regiões, exceto na Sul (3,6%), onde se destacaram as guloseimas (10,0%). O Nordeste apresentou a maior frequência de ambulantes comercializando bebidas alcoólicas no entorno escolar (7,5%) (Tabela 3).

Na Tabela 4, pode-se observar as médias da frequência de alimentos comercializados de acordo com o porte do comércio ambulante. Houve predominância de AIMPP em pontos de venda de menor porte (comercializam de um a três itens) e de AUPP em ambulantes de maior porte (comercializam 14 ou mais itens), exceto no Nordeste, onde os AUPP predominavam desde o porte intermediário (comercializam de quatro a treze itens). No Sul, não houve diferença significativa entre AIMPP e AUPP por porte. A análise da razão de AUPP/AIMPP revelou que os AUPP se sobressaíam quantitativamente aos AIMPP nos pontos de venda de porte intermediário e de maior porte, com exceção dos ambulantes de porte intermediário nas regiões Sudeste (0,64; IC95% 0,27–1,01; p < 0,001) e Sul (0,45; IC95% 0,07–0,84; p = 0,001). Em média, os ambulantes de porte intermediário vendiam o dobro de AUPP (2,07; IC95% 1,72–2,41; p < 0,001) em relação aos AIMPP, no ambulante de maior porte essa razão duplicava (4,09; IC95% 3,46–4,72; p < 0,001).

Tabela 4
Indicadores de alimentos e bebidas comercializadas por ambulantes no entorno de escolas particulares do ensino fundamental e médio do Estudo de Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras, segundo o porte do comércio ambulante e a macrorregião brasileira. Brasil, 2022 a 2024.

DISCUSSÃO

Este estudo, pioneiro na descrição do comércio informal de alimentos, a partir da auditoria no entorno de uma amostra representativa de escolas privadas brasileiras, revelou um perfil de homens negros de meia-idade e baixa escolaridade. Observou-se também a comercialização simultânea de AIMPP e AUPP, com variações regionais e por porte, nas quais os AUPP tendem a sobressair no maior porte.

O perfil difere do feminino tradicionalmente associado à venda de comida de rua, embora mantido predominantemente negro13. A expressiva proporção de ambulantes negros reflete a divisão racial do trabalho como uma das manifestações do racismo estrutural que limita o acesso, progresso e manutenção de negros no mercado formal16. Este fenômeno é particularmente evidente no Sul e Sudeste, onde a proporção de ambulantes negros superou significativamente sua representação no perfil étnico-racial da população (27,4% e 49,3%, respectivamente)17.

Os períodos mais citados de ingresso na informalidade coincidiram com marcos da crise econômica e social no país — a recessão iniciada em 2017 e a pandemia de covid-19 (2020–2022) —, marcados por recordes de demissões e a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários18,19. Esses achados se alinham à teoria do empreendedorismo de subsistência20, que caracteriza a informalidade como opção compulsória diante da escassez de oportunidades no mercado formal ou o não atendimento das necessidades básicas de sobrevivência. Estudos corroboram que o comércio informal constitui a principal fonte de renda dos ambulantes promovendo empoderamento econômico e redução da pobreza em populações marginalizadas devido à baixa exigência de qualificação e de capital inicial21.

Contudo, a produção acadêmica brasileira sobre comida de rua frequentemente negligencia discussões sobre raça/cor da pele e motivações socioeconômicas, limitando-se à abordagem sanitária22. Mesmo quando descrevem os trabalhadores, os estudos tendem a restringir-se às variáveis de sexo e escolaridade – esta última frequentemente associada à suposta falta de qualificação para as boas práticas de manipulação de alimentos, sem contextualizar desigualdades estruturais no acesso à educação ou considerar outros saberes e determinantes sociais22,23. A abordagem predominante limita a possibilidade de intervenções integradas, restringindo-as ao campo sanitário, e compromete o avanço do conhecimento necessário à gestão urbana e à formulação de políticas públicas inclusivas9,10.

Quanto à localização, a proximidade dos ambulantes às portarias escolares reforça sua relevância para estudos sobre o ambiente alimentar escolar1. Pesquisas internacionais indicam que adolescentes escolhem alimentos pela conveniência do mínimo deslocamento e preços baixos24 e que políticas públicas, em alguns países, limitam a atuação de ambulantes nas imediações escolares21. No Brasil, a ausência de menção explícita ao comércio informal nos marcos regulatórios do ambiente escolar representa uma lacuna normativa25.

Embora as estruturas predominantes (carrinhos e barracas) permitam mobilidade, observou-se um padrão consistente de localização diária. A literatura reconhece uma ampla tipologia de estruturas quanto à mobilidade, legalidade e apropriação de recursos e espaços urbanos14 como demonstrado por Ambikapathi et al.13, na Tanzânia, ao diferenciar vendedores semiformais (que mantinham a localização) e informais (a pé, de bicicleta ou carrinho). No Brasil, à semelhança de outros setores do comércio informal26, os ambulantes de alimentos enquadram-se predominantemente como semiformais, quanto à mobilidade, à margem da legalidade.

A maior proporção de ambulantes formalizados nas regiões Sul e Sudeste pode indicar uma apropriação do discurso neoliberal de empreendedorismo e o esforço individual, que, na prática, intensifica a precarização do trabalho deste grupo vulnerável8,16. Trata-se de um fenômeno que demanda monitoramento em estudos futuros sobre a comercialização de alimentos, visando analisar as repercussões no mercado de trabalho brasileiro.

Os nossos resultados diferem das produções científicas que associam a falta de licenciamento a episódios de repressão estatal14. Em Gana, 63,9% dos ambulantes estudados sequer solicitaram autorização de trabalho por medo de represálias como ameaças de despejo e ação legal15. No contexto brasileiro, sugere-se que a maior aceitação cultural da comida de rua possa explicar o cenário menos conflituoso encontrado. Ainda assim, mesmo com autorizações formais, persiste uma contínua negociação política para evitar remoções abruptas no cenário urbano26. Embora medidas de zoneamento em áreas com escassez de comércio formal sejam propostas20, políticas de reordenação espacial podem resultar na higienização dos espaços públicos e marginalização dos ambulantes por demanda de agentes civis que detêm poder social e econômico14, especialmente quando considerado seu perfil sociodemográfico. Este estudo fornece a primeira caracterização sistemática dessa população até então invisibilizada.

Observou-se aumento da comercialização de AUPP à medida que cresce o porte dos ambulantes, com variações regionais. Esse achado pode ser explicado, em parte, pela baixa complexidade operacional e pelo reduzido capital de giro exigidos para esse comércio, o que tende a favorecer a priorização desses produtos. Mas também pela metodologia utilizada para classificar o porte, uma vez que a maior diversidade de alimentos comercializados está relacionada à oferta de AUPP.

A adoção do sistema NOVA, neste estudo, pautou-se na sua indicação como padronização viável frente à maior divergência nos estudos que analisam o ambiente alimentar informal: o conceito de saudabilidade5. Segundo a avaliação do consumo de alimentos no Brasil (2008–2018), embora o consumo de ultraprocessados tenha aumentado, houve redução entre a população com maior renda27. Isso pode explicar, ao menos em parte, a menor oferta de AUPP entre ambulantes na região Sul, onde estão localizadas as capitais de maior renda per capita do país (Florianópolis e Porto Alegre)28.

O comércio ambulante no entorno de escolas privadas apresentou coexistência entre AIMPP e AUPP, padrão também observado em escolas públicas4. Nestas, identificou-se cuscuz, tapioca, sanduíche natural, salgadinhos à base de raízes e refrigerantes, mesmo quando os ambulantes eram classificados como saudáveis4. No presente estudo, embora a oferta de AUPP tenha predominado, alimentos tradicionais foram registrados nas regiões Nordeste (abará, acarajé, arroz doce, biscoitinho de goma, bolinho de estudante, canjica, cuscuz e mungunzá) e Norte (vatapá, tacacá e cascalho amazonense). Tais achados corroboram com Baker et al.29 sobre o potencial dos ambulantes na preservação da cultura alimentar, em países de menor renda. Por outro lado, a difusão global dos AUPP assume um papel comercial e de transição de valores como estratégia de apropriação pela substituição de alimentos tradicionais por lanches na dieta do brasileiro27. São necessárias políticas públicas que considerem os impactos dos AUPP tanto na saúde pública quanto na dissolução das tradições alimentares.

O comércio ambulante exerce dupla influência ao preservar a cultura e difundir AUPP, mas a coexistência de opções saudáveis e não saudáveis não tem sido suficiente para contrabalançar o impacto competitivo dos AUPP3,7. Estudos internacionais6 e nacionais4 revelaram que a proximidade com ambulantes aumenta a exposição de adolescentes a produtos não saudáveis, incluindo bebidas alcoólicas — ilegais para menores, mas comercializadas no entorno escolar nas regiões Nordeste, Norte e Sudeste. Evidencia-se a necessidade de regulação do comércio informal no entorno escolar, considerando sua dupla relevância como fonte de renda e alternativa alimentar de baixo custo para populações vulneráveis, principalmente no Norte e Nordeste, sendo contraindicadas medidas restritivas que agravam a insegurança alimentar dos ambulantes, seus familiares e clientes21.

A análise revelou que ambulantes de porte intermediário, no Nordeste, e de maior porte, em todas as macrorregiões, são difusores de AUPP no entorno escolar. Embora iniciem tipicamente pequenos devido à falta de capital investidor e proteção social20, a baixa exigência de investimento em AUPP favorece a expansão comercial — especialmente no Nordeste. Contudo, no Sudeste e Sul, como nos EUA30, ambulantes com maior escolaridade e renda alternativa adotam práticas mais saudáveis. Desse modo, ambulantes de todos os portes devem ser incluídos em ações para reduzir a exposição dos estudantes a alimentos não saudáveis.

Este estudo possui uma limitação inerente ao viés de informação, mitigado por treinamento padronizado para o território nacional, supervisão local e regional do trabalho de campo. Outra limitação está na vinculação da coleta dos ambulantes à coleta das cantinas, que eram realizadas conforme a disponibilidade dos donos das cantinas, o que pode ter subestimado a população de ambulantes dada a natureza itinerante da atividade comercial informal. Contudo, esse é o primeiro estudo do comércio informal com abrangência do território nacional, fornecendo um retrato importante dessa realidade. Apesar do foco no ambiente escolar, os resultados podem representar o comércio informal brasileiro, dada a baixa variação esperada da atividade informal de comercialização de alimentos em outros espaços urbanos. No contexto dinâmico do ambiente alimentar informal, a coleta de dados primários com ambulantes, ausentes em registros e cadastros, consolida a relevância do estudo.

Além disso, o uso da variedade de alimentos comercializados para definir o porte dos pontos de venda pode ser considerado uma inovação metodológica, principalmente em cenários de informalidade, onde informações gerenciais são escassas ou inexistentes. Porém, essa metodologia apresenta limitações para a interpretação dos nossos achados, uma vez que a maior diversidade de alimentos comercializados está fortemente associada à oferta de AUPP, pois esses possuem maior variedade de formas de apresentação, sabores e marcas, ampliando o sortimento disponível. Tal limitação deve ser considerada em futuros estudos que empregam essa metodologia. Por fim, este estudo contribui de forma inédita para a caracterização do comércio informal de alimentos no Brasil, evidenciando desigualdades estruturais, com raízes históricas nas dimensões étnico-racial e regional, e o domínio dos AUPP no entorno escolar. Os resultados reforçam a necessidade de incluir o comércio informal como componente indissociável na avaliação do ambiente alimentar escolar, dada sua relevância socioeconômica e cultural.

Pesquisas futuras devem aprofundar a compreensão do perfil e dinâmicas de atuação dos trabalhadores informais, reconhecendo o seu potencial como agentes de transformação dos sistemas alimentares. Do ponto de vista político, é fundamental que os governos incorporem o ambiente alimentar informal às estratégias de segurança alimentar e nutricional em países de baixa e média renda. As políticas públicas devem integrar os ambulantes, conciliando geração de renda e promoção da alimentação saudável, capacitando-os para promover a preservação cultural e o acesso a alimentos saudáveis na realidade do espaço público urbano.

Referências bibliográficas

  • 1 Food and Agriculture Organization. School food and nutrition framework. Rome: FAO; 2019 [cited 2025 Jul 16]. Available from: https://openknowledge.fao.org/items/679d1e4a-a5e0-4eba-9758-e76dd7cf376b
    » https://openknowledge.fao.org/items/679d1e4a-a5e0-4eba-9758-e76dd7cf376b
  • 2 Downs SM, Ahmed S, Fanzo J, Herforth A. Food environment typology: Advancing an expanded definition, framework, and methodological approach for improved characterization of wild, cultivated, and built food environments toward sustainable diets. Foods. 2020;9(4):532. https://doi.org/10.3390/foods9040532
    » https://doi.org/10.3390/foods9040532
  • 3 Steyn NP, Mchiza Z, Hill J, Davids YD, Venter I, Hinrichsen E, et al. Nutritional contribution of street foods to the diet of people in developing countries: a systematic review. Public Health Nutr. 2014;17(6):1363-1374. https://doi.org/10.1017/S1368980013001158
    » https://doi.org/10.1017/S1368980013001158
  • 4 França FCO, Zandonadi RP, Santana IAS, Silva ICR, Akutsu RCCA. Food and Consumers' Environment Inside and around Federal Public Schools in Bahia, Brazil. Nutrients. 2024;16(2):1-15. https://doi.org/10.3390/nu16020201
    » https://doi.org/10.3390/nu16020201
  • 5 Medina C, Piña-Pozas M, Aburto TC, Chavira J, López U, Moreno M, et al. Systematic literature review of instruments that measure the healthfulness of food and beverages sold in informal food outlets. Int J Behav Nutr Phys Act. 2022;19(89):1-14. https://doi.org/10.1186/s12966-022-01320-1
    » https://doi.org/10.1186/s12966-022-01320-1
  • 6 Barrera LH, Rothenberg SJ, Barquera S, Cifuentes E. The toxic food environment around elementary schools and childhood obesity in Mexican cities. Am J Prev Med. 2016;51(2):264-270. https://doi.org/10.1016/j.amepre.2016.02.021
    » https://doi.org/10.1016/j.amepre.2016.02.021
  • 7 Henriques P, Alvarenga CRT, Ferreira DM, Dias PC, Soares DSB, Barbosa RMS, et al. Food environment surrounding public and private schools: An opportunity or challenge for healthy eating? Cien Saude Colet. 2021;26(8):3135-3145. https://doi.org/10.1590/1413-81232021268.04672020
    » https://doi.org/10.1590/1413-81232021268.04672020
  • 8 Secco AC, Kovaleski DF. Do empreendedor de si mesmo à medicalização da performance: reflexões sobre a flexibilização no mundo do trabalho. Cien Saude Colet. 2022;27(5):1911-1918. https://doi.org/10.1590/1413-81232022275.09572021
    » https://doi.org/10.1590/1413-81232022275.09572021
  • 9 Bellia C, Bacarella S, Ingrassia M. Interactions between street food and food safety topics in the scientific literature: a bibliometric analysis with science mapping. Foods. 2022;11(6):789. https://doi.org/10.3390/foods11060789
    » https://doi.org/10.3390/foods11060789
  • 10 Contreras CPA, Cardoso RCV, Silva LNN, Cuello REG. Street food, food safety, and regulation: What is the Panorama in Colombia?: A review. J Food Prot. 2020;83(8):1345-1358. https://doi.org/10.4315/JFP-19-526
    » https://doi.org/10.4315/JFP-19-526
  • 11 Canuto R, Clark SGF, Borges LD, Castro Junior PCP, Tavares LF, Cardoso LO, et al. Aspectos metodológicos do estudo Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras. Cad Saude Publica. 2025;41(5):e00167624. https://doi.org/10.1590/0102-311XPT167624
    » https://doi.org/10.1590/0102-311XPT167624
  • 12 Tavares LF, Perez PMP, Passos MEA, Castro Junior PCP, Franco AS, Cardoso LO, Castro IRR. Development and application of healthiness indicators for commercial establishments that sell foods for immediate consumption. Foods. 2021;10(6):1434. https://doi.org/10.3390/foods10061434
    » https://doi.org/10.3390/foods10061434
  • 13 Ambikapathi R, Shively G, Leyna G, Mosha D, Mangara A, Patl CL, et al. Informal food environment is associated with household vegetable purchase patterns and dietary intake in the DECIDE study: Empirical evidence from food vendor mapping in peri-urban Dar es Salaam, Tanzania. Glob Food Sec. 2021;28:100474. https://doi.org/10.1016/j.gfs.2020.100474
    » https://doi.org/10.1016/j.gfs.2020.100474
  • 14 Peimani N, Kamalipour H. Informal street vending: a systematic review. Land (Basel). 2022;11(6):829. https://doi.org/10.3390/land11060829
    » https://doi.org/10.3390/land11060829
  • 15 Anaafo D, Nutsugbodo RY, Agyepong E, Anane GK, Mensah BA, Bata PD. Place making decisions among informal street food vendors in Sunyani, Ghana. Cities. 2024;154:105328. https://doi.org/10.1016/j.cities.2024.105328
    » https://doi.org/10.1016/j.cities.2024.105328
  • 16 Alves LD. A divisão racial do trabalho como um ordenamento do racismo estrutural. Rev Katálysis. 2022;25(2):212-21. https://doi.org/10.1590/1982-0259.2022.e84641
    » https://doi.org/10.1590/1982-0259.2022.e84641
  • 17 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico 2022: características da população e dos domicílios. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2025 [cited 2025 Jul 16]. Available from: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102192.pdf
    » https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102192.pdf
  • 18 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2022 [cited 2025 Jul 16]. Available from: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101979.pdf
    » https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101979.pdf
  • 19 Santos KOB, Fernandes RCP, Almeida MMC, Miranda SS, Mise YF, Lima MAG. Labor, health and vulnerability in the COVID-19 pandemic. Cad Saude Publica. 2021;36(12):e00178320. https://doi.org/10.1590/0102-311X00178320
    » https://doi.org/10.1590/0102-311X00178320
  • 20 Engidaw AE, Ning J, Kebad MA, Mulaw SG, MandefroTA, WondaTA, et al. Determining the push factors to involve in street vending activities and their challenges: in the case of Ethiopia. J Innov Entrep. 2024;13(42):1-21. https://doi.org/10.1186/s13731-024-00397-1
    » https://doi.org/10.1186/s13731-024-00397-1
  • 21 Chavez JBR, Bruening M, Ohri-Vachaspati P, Lee RE, Jehn M. Street food stand availability, density, and distribution across income levels in mexico city. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(8):1-17. https://doi.org/10.3390/ijerph18083953
    » https://doi.org/10.3390/ijerph18083953
  • 22 Cintra P, Góis EM, Brunharo MSM, Moreira DOS. Boas práticas de manipulação no comércio ambulante de alimentos em campus universitário da Grande Dourados, MS. Higi Aliment. 2017;31(266/267):27-30.
  • 23 Cortese RDM, Veiros MB, Feldman C, Cavalli SB. Food safety and hygiene practices of vendors during the chain of street food production in Florianopolis, Brazil: a cross-sectional study. Food Control. 2016;62:178-186. https://doi.org/10.1016/j.foodcont.2015.10.027
    » https://doi.org/10.1016/j.foodcont.2015.10.027
  • 24 Kelly C, Callaghan M, Gabhainn SN. 'It's hard to make good choices and it costs more': adolescents' perception of the external school food environment. Nutrients. 2021;13(4):1043. https://doi.org/10.3390/nu13041043
    » https://doi.org/10.3390/nu13041043
  • 25 Kurihayashi AY, Palombo CNT, Duarte LS, Fujimori E. Food commercialization in schools: analysis of the regulatory process in Brazil. Rev Nutr. 2022;35:e210094. https://doi.org/10.1590/1678-9865202235E210094
    » https://doi.org/10.1590/1678-9865202235E210094
  • 26 Cuvi J. The politics of field destruction and the survival of São Paulo's street vendors. Soc Probl. 2016;63(3):395-412. https://doi.org/10.1093/socpro/spw013
    » https://doi.org/10.1093/socpro/spw013
  • 27 Louzada MLC, Cruz GL, Silva KAAN, Grassi AGF, Andrade GC, Rauber F, et al. Consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil: distribuição e evolução temporal 2008-2018. Rev Saude Publica. 2023;57:12. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2023057004744
    » https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2023057004744
  • 28 Neri MC. Mapa da riqueza no Brasil. FGV Social; 2023 [cited 2025 Jul 16]. Available from: https://cps.fgv.br/riqueza
    » https://cps.fgv.br/riqueza
  • 29 Baker P, Machado P, Santos T, Sievert K, Backholer K, Hadjikakou M, et al. Ultra-processed foods and the nutrition transition: global, regional and national trends, food systems transformations and political economy drivers. Obes Rev. 2020;21(12):e13126. https://doi.org/10.1111/obr.13126
    » https://doi.org/10.1111/obr.13126
  • 30 Reznar MM, Brennecke K, Eathorne J, Gittelsohn J. A cross-sectional description of mobile food vendors and the foods they serve: potential partners in delivering healthier food-away-from-home choices. BMC Public Health. 2019;19(1):744. https://doi.org/10.1186/s12889-019-7075-8
    » https://doi.org/10.1186/s12889-019-7075-8
  • Disponibilidade de Dados:
    Os dados estão disponíveis mediante solicitação por meio do formulário de acesso aos dados do Estudo Caeb (link: https://forms.gle/MVZrLrnVNdbuP5Xu6).
  • Financiamento:
    Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes – código financeiro 001). Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq – processo 442851/2019-7). ACT Promoção da Saúde. Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Instituto Ibirapitanga.

Editado por

Disponibilidade de dados

Os dados estão disponíveis mediante solicitação por meio do formulário de acesso aos dados do Estudo Caeb (link: https://forms.gle/MVZrLrnVNdbuP5Xu6).

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    20 Mar 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    18 Jul 2025
  • Aceito
    11 Jan 2026
location_on
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Avenida Dr. Arnaldo, 715, 01246-904 São Paulo SP Brazil, Tel./Fax: +55 11 3061-7985 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revsp@usp.br
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro