REFLETINDO SOBRE O NOVO
Planting seeds for the future: an examination of education of Speech-Language Pathology
Comentado por: Fernanda Dreux Miranda Fernandes
Professora Livre-Docente do Curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo FMUSP São Paulo (SP), Brasil
Este volume do jornal editado pela International Association of Logopedics and Phoniatrics (IALP) é inteiramente dedicado à formação do fonoaudiólogo em diversos lugares do mundo. A editora convidada, Lilly Cheng, chama a atenção para a importância de ampliar as iniciativas de difusão e compartilhamento de conhecimentos e experiências desenvolvidas em diferentes realidades, uma vez que o crescimento da população global aproxima cada vez mais as conseqüências de eventos únicos para populações de diferentes regiões.
No artigo a respeito da formação nos Estados Unidos, Dolores Battle informa que há hoje nesse país 234 programas de bacharelado em Fonoaudiologia, 244 programas de mestrado nas áreas de fala e linguagem e 60 na área de linguagem. Uma resolução da ASHA exigirá, a partir de 2012, o grau mínimo de doutor para audiologistas. A autora chama a atenção para as diferentes oportunidades oferecidas pelos diferentes programas pois as diretrizes educacionais permitem que diferentes modelos educacionais sejam adaptados às diferentes necessidades das instituições e dos estudantes. A formação específica no nível de mestrado é discutida por Jeri Logemann, que afirma que é nesse nível de formação, mínimo para o credenciamento pratico do fonoaudiólogo, que deve ocorrer a integração entre o trabalho acadêmico e a pratica clínica. Ainda sobre a realidade americana, Tanya Gallagher faz uma síntese sobre os planos a respeito dos programas de doutorado e sobre a necessidade de formar mais doutores.
No painel a respeito da formação do fonoaudiólogo no Brasil, Mara Behlau e Gisele Gasparini, as autoras, comentam que os desafios que se apresentam para a Fonoaudiologia brasileira envolvem a ampliação da qualidade do treinamento profissional obtido nos centros de excelência para todas as regiões do Brasil, a ampliação do número de programas de pós-graduação e o acesso de toda a população aos serviços de Fonoaudiologia.
Alison Ferguson descreve os padrões de competência profissional desenvolvidos na Austrália, que envolvem desde o conteúdo programático até a metodologia de ensino e a avaliação da aprendizagem. A autora comenta que o contexto político, a uniformidade de acesso da população aos serviços, a autonomia curricular e o consenso ideológico são os principais fatores que contribuíram para o desenvolvimento de um sistema baseado na competência.
A formação nas ilhas de Malta é oferecida apenas na Universidade de Malta, é o que relata Helen Grech. Segundo ela, o grau de bacharel é oferecido após um curso de quatro anos de duração, numa perspectiva teórico-pratica. A diversidade cultural e lingüística da população constitui um elemento diferencial em relação aos outros países da comunidade européia, mas a oportunidade de trocas internacionais proporcionada por essa comunidade tem contribuído para os avanços da área e o envolvimento em projetos de pesquisa conjunta.
Segundo Kyoko Iitaka, foram necessários 30 anos para que houvesse um consenso na definição do status do fonoaudiólogo e de sua formação no Japão, que foram legalmente definidos em 1997. Essas normas exigem treinamento em escolas médicas e há uma grande carência de supervisores para o treinamento prático. Os desafios que se apresentam no momento são: a adequação das normas legais às possibilidades educacionais existentes, o reconhecimento da atividade de supervisão e a reavaliação curricular.
A implementação de processos de aprendizagem baseada em problemas no Reino Unido é comentada por Leahy, Dodd, Walsh e Murphy, que descrevem uma pesquisa realizada com estudantes de Fonoaudiologia a respeito dessa estratégia. A combinação entre conhecimento consistente e pratica intensiva é descrita como a característica fundamental da formação profissional em Fonoaudiologia. A estratégia de aprendizagem baseada em problemas (PBL) envolve maior autonomia por parte dos estudantes e habilidades como trabalho em equipe, cooperação, colaboração, respeito à opinião de outros, avaliação crítica da literatura, uso de recursos diversos e habilidades de apresentação. Segundo os autores, a educação de fonoaudiólogos precisa se adaptar e aproveitar os avanços tecnológicos de forma a utilizá-los para uma formação continuada de longo prazo.
A experiência nos países escandinavos é sintetizada por Ewa Söderpalm, que afirma que a Islândia é o único desses países em que não há pelo menos um programa de treinamento de fonoaudiólogos. Essa formação é oferecida tanto em faculdades relacionadas a artes e humanidades quanto naquelas voltadas para Medicina e saúde. Há também programas de doutorado disponíveis em todos esses países, mas apenas na Finlândia e na Suécia há doutores em Logopedia.
Esse conjunto de dados a respeito da formação do fonoaudiólogo em realidades tão diferentes revela a diversidade num certo sentido esperada devido à grande diversidade de realidades envolvidas. O surpreendente, na verdade, são as semelhanças descritas: a carência de profissionais com maior titulação, a diversidade cultural como um fator significativo para as questões de comunicação, o impacto da tecnologia e a necessidade de sua absorção na formação de profissionais.
O maior conhecimento a respeito das soluções encontradas em outras realidades sem dúvida pode contribuir para a aproximação entre profissionais e a colaboração para o desenvolvimento da Fonoaudiologia.
