Objetivo: Avaliar a associação entre ambientes de varejo alimentar e consumo de alimentos ultraprocessados em crianças.
Métodos: Estudo transversal com 206 crianças de 6 a 36 meses de idade acompanhadas na Atenção Primária à Saúde. O consumo de alimentos ultraprocessados foi investigado por meio do formulário de marcadores de ingestão. Desertos e pântanos alimentares foram identificados com base na metodologia brasileira proposta pela Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional; ainda, calculou-se a densidade de estabelecimentos de alimentos saudáveis e não saudáveis por 10 mil habitantes. As associações entre ambientes alimentares e consumo de alimentos ultraprocessados foram estimadas por meio de regressão logística binária, apresentando Odds Ratio (OR) e respectivos Intervalos de Confiança de 95% (IC95%), com base no modelo de equações de estimativa generalizadas.
Resultados: Alimentos ultraprocessados faziam parte da dieta de 60,18% das crianças, sendo as bebidas adoçadas as mais prevalentes (42,22%). Residir em setores classificados como pântanos alimentares associou-se positiva e independentemente ao consumo de macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote ou biscoitos salgados (OR 2,71; IC95% 1,19–6,16) e biscoito recheado, doces ou guloseimas (OR 2,50; IC95% 1,03–6,12).
Conclusões: As crianças que viviam em pântanos alimentares eram mais propensas a consumir alimentos ultraprocessados. Os resultados indicam a necessidade de promover ambientes que favoreçam escolhas alimentares saudáveis entre famílias e crianças, por meio de alimentação adequada, educação nutricional e políticas que regulem acesso e publicidade de alimentos não saudáveis.
Palavras-chave:
Espaço social alimentar; Alimentos ultraprocessados; Consumo alimentar; Obesidade pediátrica
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aadjusted for mother’s age and family income; badjusted for mother’s age, family income, parent’s education and work, and ultra-processed foods consumption by the caregiver on the previous day; cadjusted for mother’s age, colour or race, education and work of the caregiver, risk of food insecurity, and ultra-processed foods consumption by the caregiver on the previous day; dadjusted for mother’s age, colour or race, body mass index of the caregiver, family income, and ultra-processed foods consumption by the caregiver on the previous day. OR: odds ratio; 95%CI: 95% confidence interval.