Objetivo: Investigar a existência de associação entre a preocupação dos pais quanto ao desenvolvimento do filho com alterações no desenvolvimento da criança, fatores de risco familiares e condição socioeconômica.
Métodos: Estudo transversal, no qual os dados foram coletados nos centros de educação infantil de municípios do sul de Santa Catarina, Brasil, com responsáveis por crianças de quatro a 65 meses. Questões sobre preocupação dos pais, desenvolvimento da criança e fatores de risco familiares foram levantadas por meio do instrumento "Survey of Wellbeing of Young Children (SWYC-BR)". Visando obter informações sobre a situação socioeconômica, foi aplicada a "Classificação da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa". Para a análise de dados, realizou-se uma análise multivariável utilizando o software R. Adotou-se nível de significância de 0,05.
Resultados: Participaram do estudo 498 crianças com idade média de 41 meses. Encontrou-se, na análise multivariada, que os pais que expressaram preocupação com o desenvolvimento atual têm aproximadamente três vezes mais chances de os seus filhos apresentarem suspeita de atraso no desenvolvimento (razão de prevalência – RP 2,97; intervalo de confiança de 95% – IC95% 1.85–4.33). Além disso, o abuso de substâncias ilícitas apresentou associação significativa com a suspeita de atraso no desenvolvimento, enquanto as demais variáveis ambientais não foram associadas a este desfecho.
Conclusões: O estudo demonstrou que a preocupação dos pais com o desenvolvimento de seus filhos apresentou-se como um preditor de suspeita de atraso no desenvolvimento. Esse achado destaca a importância de considerar a preocupação dos pais como um fator na vigilância do desenvolvimento e nos programas de intervenção centrados na família.
Palavras-chave:
Desenvolvimento infantil; Cuidado da criança; Relações pais-filho; Fatores de risco