Resumo
Foram encontradas seis espécies pertencentes a quatro gêneros de Cucurbitaceae nas formações de canga da Serra dos Carajás (Pará, Brasil): Cayaponia tayuya, Gurania bignoniacea, G. sinuata, G. subumbellata, Helmontia cardiophylla e Melothria pendula. São apresentadas descrições detalhadas, comentários e ilustrações das espécies.
Palavras-chave:
FLONA Carajás; taxonomia; trepadeiras
Abstract
Six species belonging to four genera of Cucurbitaceae were found in the canga formations of the Serra dos Carajás (Pará state, Brazil): Cayaponia tayuya, Gurania bignoniacea, G. sinuata, G. subumbellata, Helmontia cardiophylla e Melothria pendula. Detailed descriptions, comments, and illustrations of the species are presented.
Key words:
FLONA Carajás; taxonomy; climbers
Cucurbitaceae
Cucurbitaceae Juss. apresenta 95 gêneros e 942-975 espécies, distribuídas principalmente nas regiões tropicais e subtropicais do mundo (Schaefer & Renner 2011a). A família é constituída principalmente por plantas prostradas ou trepadeiras, monoicas ou dioicas; geralmente com gavinhas; folhas alternas, frequentemente palminérvias; flores unissexuadas, actinomorfas, diclamídeas, com hipanto em flores de ambos os sexos; sépalas e pétalas (3-)5(-6); estames 3-5; ovário ínfero; fruto geralmente bacoide ou peponídeo (adaptado de Stevens 2001; Schaefer & Renner 2011b). No Brasil ocorrem 30 gêneros e aproximadamente 160 espécies (BFG 2015). Foram encontrados seis gêneros de Cucurbitaceae na Serra de Carajás, sendo quatro ocorrentes nas formações de canga.
- Chave de identificação dos gêneros de Cucurbitaceae das cangas da Serra dos Carajás
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1. Gavinhas ramificadas; anteras sigmoides; sementes dispostas verticalmente....................1. Cayaponia
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1'. Gavinhas simples; anteras oblongas, obovadas ou orbiculares; sementes dispostas horizontalmente.
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2. Inflorescências estaminadas em racemos corimbiformes ou umbeliformes; flores com hipanto urceolado; sépalas de comprimento maior ou igual que o das pétalas (5-7,5 mm); anteras apendiculadas no ápice....................................................................................................2. Gurania
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2'. Inflorescências estaminadas em racemos típicos (não corimbiformes ou umbeliformes); flores com hipanto infundibuliforme, campanulado ou tubuloso; sépalas reduzidas, de comprimento menor que o das pétalas (0,5-1 mm); anteras não apendiculadas.
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3. Lâminas foliares inteiras, margem esparsamente denticulada; flores estaminadas com pétalas alvas de listras longitudinais verdes....................................................................3. Helmontia
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3'. Lâminas foliares 5-anguladas a levemente 5-lobadas, margem denteada; flores estaminadas com pétalas amarelas...........................................................................................4. Melothria
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1. Cayaponia Silva Manso
Cayaponia é constituído geralmente por plantas trepadeiras, monoicas ou raramente dioicas, com folhas simples ou 3-5-folioladas, normalmente com presença de glândulas na lâmina ou pecíolo; gavinhas ramificadas, raramente simples; flores heteroclamídeas, 5-meras; flores estaminadas com 3 estames de anteras conatas (uma 1-teca e duas 2-tecas), sigmoides; flores pistiladas com 3 estigmas, estaminódios 2-3; frutos bacoides, geralmente com poucas sementes, dispostas verticalmente (adaptado de Gomes-Klein 2000). Cayaponia possui aproximadamente 60 espécies distribuídas do sul dos Estados Unidos à Argentina, além de uma espécie africana (Kearns 1998; Tropicos 2016). No Brasil, ocorrem aproximadamente 50 espécies, distribuídas por todo o país, exceto no estado de Sergipe (BFG 2015).
1.1. Cayaponia tayuya (Vell.) Cogn., Monogr. Phan. 3: 772. 1881.
Bryonia tayuya Vell., Fl. Flumin. 10, t. 89. 1825.
a-c. Cayaponia tayuya - a. ramo; b. botão da flor estaminada; c. anteras. d-g. Helmontia cardiophylla - d. ramo; e. flor estaminada; f. antera (2-teca); g. antera (1-teca). h-k. Melothria pendula - h. ramo; i. flor estaminada; j. antera (2-teca); k. antera (1-teca) (a-c. J.P. Silva 764; d-g. A. Gil 555; h-k. A.J. Arruda 1252; Ilustração: João Silveira).
Figure 1
a-c. Cayaponia tayuya - a. branch; b. staminate flower bud; c. anthers. d-g. Helmontia cardiophylla - d. branch; e. staminate flower; f. anther (2-theca); g. anther (1-theca). h-k. Melothria pendula - h. branch; i. staminate flower; j. anther (2-theca); k. anther (1-theca) (a-c. J.P. Silva 764; d-g. A. Gil 555; h-k. A.J. Arruda 1252; Illustration: João Silveira).
a-c. Gurania bignoniacea - a. ramo; b. botão da flor estaminada; c. antera. d-g. Gurania sinuata - d. ramo; e. caule; f. flor estaminada; g. antera. h-j. Gurania subumbellata - h. ramo; i. flor estaminada; j. antera (a-c. U.N. Maciel 786; d-f. L.V. Vasconcelos 923; g-i. R.M. Harley 57396; Ilustração: João Silveira).
Figure 2
a-c. Gurania bignoniacea - a. branch; b. staminate flower bud; c. anther. d-g. Gurania sinuata - d. branch; e. stem; f. staminate flower; g. anther. h-j. Gurania subumbellata - h. branch; i. staminate flower; j. anther (a-c. U.N. Maciel 786; d-f. L.V. Vasconcelos 923; g-i. R.M. Harley 57396; Illustration: João Silveira).
a. Cayaponia tayuya - detalhe da inflorescência. b. Gurania bignoniacea - inflorescência estaminada. c-d. Gurania sinuata - c. inflorescência estaminada; d. flor estaminada. e. Gurania subumbellata - inflorescência estaminada. f. Helmontia cardiophylla - flor estaminada. g-h. Melothria pendula - g. flor estaminada; h. flor pistilada (Fotos: a. V.L. Gomes-Klein; b, e. R.M. Harley; c, d, f-h. C.F. Hall).
Figure 3
a. Cayaponia tayuya - inflorescence detail. b. Gurania bignoniacea - staminate inflorescence. c-d. Gurania sinuata - c. staminate inflorescence; d. staminate flower. e. Gurania subumbellata - staminate inflorescence. f. Helmontia cardiophylla - staminate flower. g-h. Melothria pendula - g. staminate flower; h. pistilate flower (Fotos: a. V.L. Gomes-Klein; b, e. R.M. Harley; c, d, f-h. C.F. Hall).
Trepadeiras lenhosas. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas simples; lâmina 3-lobada a 3-partida, margem esparsamente denticulada, ca. 8,2 × 7,8 cm, escabrosa, decorrente, com vários pares de glândulas na base; pecíolo ca. 4 cm comp. Gavinhas ramificadas. Inflorescência em panícula; pedúnculo ca. 12,6 cm comp.; raque ca. 23,8 cm comp. Flores estaminadas ca. 7 mm comp., pedicelo 1-1,5 mm comp.; hipanto verde, campanulado a infundibuliforme; sépalas creme-esverdeadas, ca. 1 × 1 mm, triangulares, escabrosas; pétalas creme-esverdeadas, ca. 2-3 × 2 mm, lanceoladas, papilosas; estames 3, filetes curtos; anteras conatas, sigmoides, uma 1-teca e duas 2-tecas; pistilódio trilobado. Flores pistiladas ca. 9 mm comp.; pedicelo 4-5 mm comp.; hipanto verde, constrito na porção mediana, tubuloso na porção superior; sépalas creme-esverdeadas, ca. 1-1,5 × 1,5 mm, triangulares, glabras; pétalas creme-esverdeadas, ca. 6 × 1,5-2 mm, oblongas, papilosas; ovário ca. 4-5 × 1 mm, fusiforme; estigmas 3, inteiros; estaminódios 2-3, laminares. Frutos não observados.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra da Bocaina, 6°17'14''S, 49°59'04''W, 650 m. 11.III.2012, fl. ♂ e ♀, N.F.O. Mota 2606 (BHCB); Parauapebas, Serra dos Carajás, área da mina de N4, próximo à Gruta do Gavião. 19.III.1990, fl. ♂ e ♀, J.P. Silva 764 (HCJS).
Cayaponia tayuya apresenta ampla plasticidade (principalmente com relação a morfologia das lâminas foliares e tamanho dos frutos), estando incluída em um complexo de espécies, juntamente com C. racemosa (Mill.) Cogn. e C. diversifolia (Cogn.) Cogn. Porém, C. tayuya pode ser diferenciada das demais espécies do complexo, pelo pistilódio trilobado, pedicelo glabro e hipanto da flor feminina constrito na porção mediana (Gomes-Klein 2000). Dentre as espécies de Cucurbitaceae de Carajás, C. tayuya se destaca pelas folhas de lâmina decorrente com glândulas na base; inflorescência em panícula laxa, com ambas flores estaminadas e pistiladas; e sépalas e pétalas creme-esverdeadas.
Espécie sul-americana, distribuída na Bolívia, Brasil e Equador (Tropicos 2016). No Brasil, é registrada em quase todos os estados, exceto o Acre, Amapá, Santa Catarina e Sergipe (BFG 2015). Na Serra dos Carajás ocorre na Serra Norte (N4) e Serra da Bocaina. Espécie encontrada na área de estudo em flor entre março e julho, em cangas e florestas ombrófilas.
2. Gurania (Schltdl.) Cogn.
Gurania é constituído por plantas trepadeiras lenhosas; com folhas simples ou compostas, com lâminas inteiras a partidas ou 3-folioladas; flores 5-meras, hipanto geralmente urceolado, sépalas de comprimento maior ou igual ao das pétalas; flores estaminadas com dois estames livres, anteras 2-tecas, apendiculadas no ápice; flores pistiladas dispostas em ramos pêndulos, geralmente estigmas 2; frutos peponídeos, com numerosas sementes dispostas horizontalmente (adaptado de Wunderlin 1978; Kearns 1998). Guraniapossui aproximadamente 35 espécies distribuídas do sul do México ao Brasil (Kearns 1998; Tropicos 2016). No Brasil, ocorrem 29 espécies, distribuídas por todos os estados do Brasil, exceto o Tocantins, Piauí e a Região Sul (BFG 2015). Na Serra dos Carajás foram encontradas quatro espécies do gênero, sendo três ocorrentes em canga.
- Chave de identificação das espécies de Gurania das cangas da Serra dos Carajás
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1. Folhas compostas, 3-folioladas; inflorescência estaminada em racemo corimbiforme; anteras replicadas na base.............................................................................................................1.1. Gurania bignoniacea
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1'. Folhas simples, inteiras, lobadas a partidas; inflorescência estaminada em racemo umbeliforme; anteras não replicadas na base.
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2. Ramos angulosos; folhas 3-5-partidas; sépalas alaranjadas, sub-eretas; pétalas amarelas......................................................................................................................................1.2. Gurania sinuata
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2'. Ramos cilíndricos; folhas 3-5-lobadas; sépalas amarelo-esverdeadas, reflexas; pétalas verde-amareladas.............................................................................................1.3. Gurania subumbellata
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2.1. Gurania bignoniacea (Poepp. & Endl.) C.Jeffrey, Kew Bull. 33(2): 354. 1978.
Anguria bignoniacea Poepp. & Endl., Nov. Gen. Sp. Pl. 2: 53. 1838. Figs. 2a-c; 3b
Trepadeiras lenhosas. Ramos cilíndricos, vilosos. Folhas compostas, 3-folioladas; folíolos vilosos, margens esparsamente denticuladas; folíolo central obovado, 7-16 × 3-6,3 cm; folíolos laterais oblongos, assimétricos; 8,2-15 × 4-5,6 cm; pecíolo 2,5-4,5 cm comp. Gavinhas simples. Inflorescência estaminada em racemo corimbiforme; pedúnculo 14-21 cm comp.; raque 0,5-1 cm comp.; flores 7-10 mm comp., pedicelo 3-10 mm comp.; hipanto alaranjado, urceolado; sépalas alaranjadas, ca. 5 × 1-1,5 mm, triangulares, vilosas; pétalas amarelas, ca. 4-5 × 1 mm, lanceoladas, papilosas; estames 2, sésseis; anteras livres, oblongas, 2-tecas; pistilódio ausente. Inflorescência pistilada não observada. Frutos não observados.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul, Corpo D, Juquira, 6°23'27''S, 50°21'03''W, 700 m, 27.IX.2009, fl. ♂, V.T. Giorni & F. Marino 290 (BHCB); Marabá, Carajás, Serra norte, estrada do N1, 29 km do acampamento, 07.VIII.1982, fl. ♂, U.N. Maciel et al. 786 (MG); Parauapebas, FLONA Carajás, Serra dos Carajás, Serra Norte, N3, 6°03'69" S, 50°12'37", 22.VI.2015, fl. ♂, J.R. Trindade et al. 230 (MG).
Gurania bignoniacea apresenta uma flor típica do gênero, com hipanto urceolado, alaranjado e pétalas amarelas. Porém, se distingue das demais espécies de Gurania na área em estudo, principalmente por apresentar folhas compostas, 3-folioladas, e flores estaminadas com sépalas sub-eretas e anteras replicadas na base.
Espécie sul-americana, distribuída na Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela (Tropicos 2016). No Brasil, é registrada nos estados do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima e Sergipe (BFG 2015). Na Serra dos Carajás ocorre na Serra Norte: N1 e N3; Serra Sul: S11D. Espécie encontrada na área de estudo em flor de junho a setembro, em matas baixas sobre canga e matas de terra firme.
2.2. Gurania sinuata (Benth.) Cogn., Diagn. Cucurb. Nouv 1: 16. 1876.
Anguria sinuata Benth., Hooker's J. Bot. Kew Gard. Misc. 2: 242. 1850. Figs. 2d-f; 3c-d
Trepadeiras lenhosas. Ramos angulosos, glabros a vilosos. Folhas simples; lâmina 3-5-partida, margem esparsamente denticulada, 14-18,5 × 9-15 cm, glabrescente; pecíolo 2-13 cm comp. Gavinhas simples. Inflorescência estaminada em racemo umbeliforme; pedúnculo 5-11 cm comp.; raque 0,5-2 cm comp.; flores 12-13 mm comp., pedicelo 2-3 mm comp.; hipanto alaranjado, urceolado; sépalas alaranjadas, 5-7 × 1,5-2,5 mm, lanceoladas, pubescentes; pétalas amarelas, 2,5-3 × 1-1,5 mm, lanceoladas, papilosas; estames 2, sésseis; anteras livres, oblongas, 2-tecas; pistilódio cupuliforme. Inflorescência pistilada em racemo umbeliforme; pedúnculo ca. 32 cm comp.; raque ca. 5 cm comp.; flores ca. 32 mm comp.; pedicelo ca. 30 mm comp.; hipanto alaranjado, constrito na porção mediana, tubuloso na porção superior; sépalas alaranjadas, ca. 6 × 2-2,5 mm, lanceoladas, estrigosas; pétalas amarelas, ca. 3 × 1,5 mm, lanceoladas, papilosas; ovário ca. 14 × 3 mm, fusiforme; estigmas 2, 2-lobados. Frutos não observados.
Material selecionado: Serra dos Carajás, 6 km leste do AMZA acampamento N1, 6°03'S, 50°16'W, 650 m, 20.VI.1982, fl. ♀, C.R. Sperling et al. 6250 (MG); Canaã dos Carajás, Serra do Tarzan, 14.X.2008, fl. ♂, L.V. Costa 643 (MG); Serra Sul-S/SW do corpo A, 6°19'51,29''S, 50°27'48,36''W, 15.II.2010, fl. ♂, F.D. Gontijo 73 (BHCB); Parauapebas, FLONA Carajás, Platô N2, 6°03'28"S, 50°15'09"W, 670 m, 31.VIII.2015, fl. ♂, P. L. Viana et al. 5771 (MG); N6, estrada para o N6, 06°07'22"S, 50°10'53"W, 714 m, 13.VIII.2016, fl. ♂, L. V. Vasconcelos 923 (MG).
Gurania sinuata apresenta ampla plasticidade (principalmente nas lâminas foliares quanto a forma e margem; e nas inflorescências estaminadas quanto ao tamanho do pedúnculo e da raque, além do indumento e número de flores), posicionando-se em um complexo de espécies, juntamente com G. brevipedunculata Cogn., G. eriantha (Poepp. & Endl.) Cogn. e G. insolita Cogn. G. sinuata é caracterizada por ser planta trepadeira lenhosa com ramos angulosos, e apresentar inflorescências estaminadas em racemos umbeliformes, com flores de sépalas sub-eretas alaranjadas e pétalas amarelas, porém ambas enegrecidas quando passadas.
Espécie sul-americana, distribuída na Bolívia e Brasil (Tropicos 2016). No Brasil, é registrada nos estados do Acre, Amapá, Amazonas e Pará (BFG 2015). Na Serra dos Carajás ocorre na Serra Norte: N1, N2 e N6; Serra Sul: S11A; e Serra do Tarzan. Espécie encontrada na área de estudo em flor de fevereiro a outubro, em matas sobre canga.
2.3. Gurania subumbellata (Miq.) Cogn., Diagn. Cucurb. Nouv. 1: 17. 1876.
Anguria subumbellata Miq., Stirp. Surinam. Select.103. 1850 [1851]. Figs. 2g-i; 3e
Trepadeiras lenhosas. Ramos cilíndricos, glabrescentes. Folhas simples; lâmina 3-5-lobada, margem esparsamente denticulada, 15-22 × 16-24 cm, vilosa; pecíolo 4-7 cm comp. Gavinhas simples. Inflorescência estaminada em racemo umbeliforme; pedúnculo 15-16 cm comp.; raque 4-7 cm comp.; flores ca. 7 mm comp., pedicelo 2-7 mm comp.; hipanto amarelo-esverdeado, urceolado; sépalas amarelo-esverdeadas, 7-7,5 × 1,5-2 mm, lanceoladas, estrigosas; pétalas verde-amareladas, ca. 2 × 1 mm, lanceoladas, papilosas; estames 2, sésseis; anteras livres, oblongas, eretas, 2-tecas; pistilódio cupuliforme. Inflorescência pistilada em panícula; pedúnculo ca. 7 cm comp.; raque 15-18 cm comp.; flores ca. 37 mm comp.; pedicelo 7-8 mm comp.; hipanto amarelo-esverdeado, fusiforme; sépalas amarelo-esverdeadas, ca. 8 × 2 mm, lanceoladas, papilosas; pétalas verde-amareladas, ca. 3-4 × 2,5 mm, lanceoladas, papilosas; ovário ca. 2,5 × 0,5 mm, elipsoide; estigmas 2, 2-lobados. Frutos ca. 3,5-4 × 1,5-2 cm.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, FLONA de Carajás, Serra dos Carajás, Serra do Tarzan, 6°23'53"S, 50°06'12"W, 226 m, 25.II.2016, fl. ♀ e ♂ e fr., R.M. Harley et al. 57396 (MG).
Gurania subumbellata pode ser diferenciada das demais espécies do gênero ocorrentes na Serra dos Carajás principalmente pela inflorescência estaminada em racemo umbeliforme; inflorescência pistilada em panícula; flores de sépalas amarelo-esverdeadas, reflexas e pétalas verde-amareladas.
Espécie sul-americana, distribuída no Brasil, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Suriname e Venezuela (Tropicos 2016). No Brasil, é registrada nos estados do Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, São Paulo e Sergipe (BFG 2015). Na Serra dos Carajás ocorre na Serra do Tarzan. Espécie encontrada na área de estudo em flor e fruto no mês de fevereiro, em florestas e bordas de mata sobre canga.
3. Helmontia Cogn.
Helmontia é constituído por plantas trepadeiras lenhosas; com folhas simples ou compostas, com lâminas inteiras a lobadas ou 3-folioladas; flores 5-meras; flores estaminadas com hipanto tubuloso a infundibuliforme, estames 2-3, anteras coerentes; fruto peponídeo, com sementes numerosas dispostas horizontalmente (adaptado de Kearns 1998; Nee 2007). Helmontia possui cerca de quatro espécies distribuídas no Brasil, Guiana, Guiana Francesa, Suriname e Venezuela (Tropicos 2016). No Brasil, ocorrem cerca de duas espécies distribuídas nos estados do Acre, Amazonas, Amapá e Pará (BFG 2015).
3.1. Helmontia cardiophylla Harms., Notizbl. Bot. Gart. Berlin-Dahlem 11: 772. 1933.
Trepadeiras lenhosas. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas simples; lâmina inteira, cordiforme, margem esparsamente denticulada, 9,6-10,5 × 5,4-6,3 cm, escabrosa; pecíolo 2,7-3 cm comp. Gavinhas simples. Inflorescência estaminada em racemo; pedúnculo 3-7 cm comp.; raque 3,5-6 cm comp.; flores 6-10 mm comp., pedicelo 1-2 mm comp.; hipanto verde, tubuloso a infundibuliforme; sépalas verdes, 0,5-1 × 0,5-1 mm, triangulares, escabrosas; pétalas alvas com listras longitudinais verdes, ca. 2 × 2 mm, ovadas, densamente papilosas; estames 3, filetes curtos; anteras coerentes, orbiculares, uma 1-teca e duas 2-tecas; pistilódio globoso. Inflorescência pistilada em panícula; pedúnculo ca. 45 cm comp.; raque ca. 21 cm comp.; flores ca. 16 mm comp., cor não observada; pedicelo ca. 1 mm comp.; hipanto, constrito na porção mediana, infundibuliforme na porção superior; sépalas ca. 1 × 1 mm, triangulares, escabrosas; pétalas ca. 2-2,5 × 2 mm, ovadas, densamente papilosas; ovário 4-5 mm, oblongo; estigmas 3, 2-lobados. Frutos ca. 1,2 × 1 cm.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra do Tarzan, 6°20'15"S, 50°09'06"W, 700 m, 14.III.2009, fl. ♀ e fr., P.L. Viana et al. 4058 (BHCB); Parauapebas, FLONA de Carajás, Serra dos Carajás, Serra Norte, estrada de acesso ao morro 1, N5, 6°03'09"S, 50°04'58"W, 710 m, 21.IV.2016, fl. ♂, A. Gil et al. 555 (MG); Serra Sul, Corpo B, 6°21'23"S, 50°23'22"W, 700 m, 19.III.2009, fl. ♂, P.L. Viana et al. 4158 (BHCB).
Helmontia cardiophylla pode ser diferenciada das outras espécies do gênero, principalmente, por apresentar lâminas foliares inteiras, cordiformes. Dentre as espécies de Cucurbitaceae de Carajás, a espécie se destaca pela inflorescência estaminada em racemo, com flores numerosas (50-90), com corola infundibuliforme, alva com listras longitudinais verdes, e três estames (um 1-teca e dois 2-tecas). As descrições da inflorescência e flor pistilada de H. cardiophylla são ainda muito obscuras ou incompletas, sendo a do presente trabalho, provavelmente a mais detalhada já publicada.
Espécie sul-americana, distribuída no Brasil e Guiana Francesa (BFG 2015; Tropicos 2016). No Brasil, é registrada nos estados do Acre e Amazonas (BFG 2015). Na Serra dos Carajás ocorre na Serra Norte: N5; Serra Sul: corpo B. Espécie encontrada na área de estudo em floração de março a abril, em matas baixas sobre canga.
4. Melothria L.
Melothria é constituído por plantas trepadeiras ou prostradas, geralmente herbáceas; com folhas simples, anguladas ou lobadas; gavinhas simples ou ausentes; flores 5-meras; flores estaminadas com hipanto campanulado, estames 3, livres, conectivos geralmente ciliados, anteras uma 1-teca e duas 2-tecas; flores pistiladas isoladas, estigmas 3; fruto peponídeo com numerosas sementes dispostas horizontalmente (adaptado de Gomes-Klein 1996; Lima 2010). Melothria possui aproximadamente 12 espécies distribuídas do Canadá à Argentina (Kearns 1998). No Brasil, ocorrem nove espécies distribuídas por todos os estados do País (Lima 2010; BFG 2015).
4.1. Melothria pendula L., Sp. Pl. 1: 35. 1753.
Trepadeiras herbáceas. Ramos cilíndricos, esparsamente vilosos. Folhas simples; lâmina 5-angulada a levemente 5-lobada, margem denteada, 3-5,5 × 3-4,5 cm, escabrosa; pecíolo 1-2 cm comp. Gavinhas simples. Inflorescência estaminada em racemo; pedúnculo 1,5-3,3 cm comp.; raque 0,1-0,25 cm comp.; flores ca. 4 mm comp., pedicelo 1-5 mm comp.; hipanto verde, campanulado a tubuloso; sépalas verdes, ca. 0,5-1 × 0,5 mm, triangulares, pilosas; pétalas amarelas, ca. 1,5-2 × 1,5, largo-oblongas, glabrescentes; estames 3, filetes curtos; anteras livres, orbiculares, uma 1-teca e duas 2-tecas; pistilódio cupuliforme; flores pistiladas 9-10 mm comp., isoladas, pedúnculo 2,5-4 cm comp.; hipanto verde, fusiforme com constrição na porção superior; sépalas verdes, ca. 1 × 0,5 mm, lanceoladas, glabrescentes; pétalas amarelas, 1,5-2 × 1,5-2 mm, largo-oblongas, papilosas; ovário ca. 0,5 × 0,25 mm, fusiforme; estigmas 2, 2-lobados. Frutos ca. 1,5 × 1,3 cm.
Material selecionado: Parauapebas, FLONA Carajás, Serra Norte, N1, 6°04'S, 50°17'W, 25.VII.2012, fl. ♂ e ♀ e fr., A.J. Arruda et al. 1252 (BHCB, MG).
Melothria pendula é uma planta trepadeira herbácea de ampla distribuição, caracterizada principalmente pelas inflorescências estaminadas e pistiladas localizadas em axilas próximas nos ramos; flores com cálice verde e corola amarela; flores estaminadas pequenas com aproximadamente 4 mm, dispostas em racemos de até 10 flores, com estames de conectivos ciliados; flores pistiladas isoladas, axilares e longo-pedunculadas; frutos verdes, com pontuações claras quando jovens e escuros quando maduros.
Espécie distribuída nas Américas, do Canadá até a Argentina (Kearns 1998; Tropicos 2016). No Brasil é registrada em todos os estados (BFG 2015). Na Serra dos Carajás ocorre na Serra Norte: N1. Espécie encontrada na área de estudo em flor e fruto no mês de julho, em campos brejosos alagados sobre canga.
Lista de exsicatas
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Arruda, J. 1252 (4.1); Costa, L.V. 643 (2.2); Gil, A. 555 (3.1); Giorni, V.T. 290 (2.1); Gontijo, F.D. 73 (2.2); Harley, R.M. 57396 (2.3); Maciel, U.N. 786 (2.1); Mota, N.F.O. 2606 (1.1); Silva, J.P. 764 (1.1); Sperling, C.R. 6250 (2.2); Trindade, J.R. 230 (2.1); Vasconcelos, L.V. 923 (2.1); Viana, P. L. 5771 (2.2), 4158 (3.1).
Agradecimentos
Agradecemos ao Museu Paraense Emílio Goeldi e ao Instituto Tecnológico Vale, a estrutura e o apoio. Ao CNPq, as bolsas do Programa de Capacitação Institucional (MPEG/MCTI) concedidas ao primeiro e segundo autores do artigo. Aos curadores dos herbários BHCB, IAN, HCJS e MG, a disponibilização de material para a análise. Ao Dr. Pedro Viana e à Dra. Ana Maria Giulietti, coordenadores do projeto "Flora de Carajás", o convite. Ao projeto objeto do convênio MPEG/ITV/FADESP (01205.000250/2014-10) e ao projeto aprovado pelo CNPq (processo 455505/2014-4), o financiamento. Ao ICMBio, especialmente ao Frederico Drumond Martins, a licença de coleta concedida e suporte nos trabalhos de campo. Ao Me. João Silveira, a confecção das ilustrações.
Referências
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- Gomes-Klein, V.L. 1996. Cucurbitaceae do estado do Rio de Janeiro: subtribo Melothriinae E.G.O. Muell et F. Pax. Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro 34: 93-172.
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- Kearns, D.M. 1998. Cucurbitaceae. In: Berry, P.E.; Holst, B.K. & Yatskievych, K. (eds.). Flora of the Venezuelan Guayana. Vol. 4. Caesalpiniaceae-Ericaceae. Missouri Botanical Garden Press, Saint Louis. Pp. 431-461
- Lima, L.F.P. 2010. Estudos taxonômicos e morfopolínicos em Cucurbitaceae brasileiras. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 232p.
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