Open-access O registro imaginário na escuta psicanalítica por videoconferência: um ensaio teórico

The imaginary record in psychoanalytic listening by videoconference: theoretical essay

L’enregistrement imaginaire de l’écoute psychanalytique par vidéoconférence: un essai théorique

El registro imaginario en la escucha psicoanalítica por videoconferencia: un ensayo teórico

Resumo

Este trabalho traz reflexões sobre um fenômeno de crescente frequência e relevância social: a escuta analítica por videoconferência e, mais especificamente, as características do registro imaginário em tal contexto. Para isso, o presente ensaio articula fragmentos de fala de analisantes com elementos teóricos. Foi possível observar que, na passagem da sessão tradicional para a online, há perda de informações visuais e que os novos fenômenos imaginários que se apresentam podem ser colocados a serviço do trabalho associativo. Na psicanálise por videoconferência, o manejo da satisfação em dar-se a ver e do olhar requer que o/a analista faça semblante de objeto a. Ainda que haja variações que vão além das típicas na clínica clássica, as condições para o tratamento se mantêm.

Palavras-chave:
Psicanálise; psicanálise online; psicanálise em ambiente virtual; imaginário


Abstract

This paper reflects on a phenomenon of increasing frequency and social relevance: analytic listening via videoconference and, more specifically, the characteristics of the imaginary record in such a context. To this end, this essay articulates fragments of speech by analysands with theoretical elements. It was possible to observe that, in the transition from traditional to online sessions, there is a loss of visual information and that the new imaginary phenomena that arise can be put to the service of associative work. In psychoanalytic work conducted via videoconference, managing the satisfaction associated with being seen and with the gaze requires the analyst to take on the semblance of the object a. While variations emerge that exceed those typical of classical clinical practice, the fundamental conditions of the treatment are nonetheless preserved.

Keywords:
Psychoanalysis; online psychoanalysis; psychoanalysis in a virtual environment; imaginary


Abstract

Cet article s’intéresse à un phénomène de plus en plus fréquent et pertinent socialement: l’écoute analytique par visioconférence et, plus spécifiquement, aux caractéristiques de l’enregistrement imaginaire dans un tel contexte. À cette fin, cet essai articule des fragments de discours d’analysants avec des éléments théoriques. Il a été observé que, lors du passage des séances traditionnelles aux séances en ligne, une perte d’information visuelle se produit et que les nouveaux phénomènes imaginaires qui surgissent peuvent être mis au service du travail associatif. Dans la psychanalyse par visioconférence, le maniement de la satisfaction d’être vu et du regard exige que l’analyste assume le semblant de l’objet a. On observe des variations qui vont au-delà de celles propres à la pratique clinique classique, mais les conditions du traitement sont maintenues.

Mots-clés:
Psychanalyse; psychanalyse en ligne; psychanalyse en environnement virtuel; imaginaire


Resumen

Este artículo reflexiona sobre un fenómeno de creciente frecuencia y relevancia social: la escucha analítica por videoconferencia y, más específicamente, sobre las características del registro imaginario en dicho contexto. Para ello, este ensayo articula fragmentos de discursos de analizantes con elementos teóricos. Se observó que, en la transición de las sesiones tradicionales a las virtuales, se produce una pérdida de información visual y que los nuevos fenómenos imaginarios que surgen pueden ponerse al servicio del trabajo asociativo. En el trabajo psicoanalítico realizado por videoconferencia, el manejo de la satisfacción ligada a ser visto y a la mirada exige que el analista encarne el semblante del objeto a. Si bien se observan variaciones que exceden las propias de la práctica clínica clásica, se mantienen las condiciones fundamentales del tratamiento.

Palabras clave:
Psicoanálisis; psicoanálisis online; psicoanálisis en entorno virtual; imaginario


Introdução

Que ele [o analista] conheça bem a espiral a que o arrasta

sua época na obra contínua de Babel, e que conheça sua função

de intérprete na discórdia das línguas.

(Lacan, 1998/1953, p. 322).

O advento das novas tecnologias de comunicação à distância ampliou e diversificou o acesso à psicanálise, tornando possível reduzir custos financeiros e ambientais do deslocamento, superar distâncias geográficas, evitar o estresse do trânsito nas grandes cidades, usufruir do bem-estar de não precisar sair do conforto do próprio lar, quando este ambiente é propício (nem sempre o é), e de se deslocar pelo mundo sem ter que mudar de analista ou abandonar a análise. Tempos de maior liberdade, comodidade e economia, cujos reflexos se verificam na prática analítica e na cultura.

Mas, se, por um lado, a sessão online torna a psicanálise mais acessível a pessoas que jamais teriam acesso a ela por limitações financeiras ou geográficas, por outro, crescem os riscos de abusos e charlatanismo decorrentes da escassa intermediação institucional entre o/a suposto/a psicanalista e o/a analisante (Capoulade & Pereira, 2020). As implicações éticas e políticas da escuta realizada por meio dos serviços de grandes empresas de informática, comunicação remota e provedores de internet também requerem análise. “Que tipo de confidencialidade está em jogo em um dispositivo clínico diretamente apoiado em ‘pequenos outros’ comerciais, jurídicos e políticos sobre os quais não se têm acesso ou controle?” (Capoulade & Pereira, 2020, p. 544). O modo de produção capitalista coloca novos embaraços para a psicanálise, uma vez que, enquanto discurso, ela situa-se como seu avesso.

Com a pandemia de COVID-19, houve um incremento da escuta psicanalítica por meio de plataformas digitais e o campo da psicanálise passou a se interrogar mais sistematicamente sobre a condução do tratamento no ciberespaço. A eficácia desta prática tem sido apontada, desde então, em diferentes estudos (Ribeiro, 2020; Prado, Anjos, & Estevão, 2021; Quinet, 2021; Fonseca, 2020; Braga, 2021; Mattuella, 2021; Nogueira, 2021; Bastos, 2021). No entanto, cabe interrogar as implicações das perdas que se registram na psicanálise por videoconferência, bem como analisar os novos fenômenos que se apresentam neste contexto.

O presente artigo tem o objetivo de analisar as especificidades do registro imaginário na escuta analítica por videoconferência. Trata-se de uma abordagem centrada na imagem e no imaginário, deixando em aberto articulações com o simbólico e o real. Entretanto, ela contém apontamentos sobre o olhar que interrogam as relações entre imagem e real. Este estudo é o resultado de uma pesquisa teórico-clínica, que adota a obra de Freud e a de Lacan como principais referências, ainda que estas não abordem o tema da clínica mediada por tecnologias digitais de informação e comunicação - TDIC.

Trata-se de um ensaio em psicanálise, compreendendo a distinção em/sobre psicanálise, tal como Freud a estabelece em “Deve-se ensinar a psicanálise nas universidades?” (2010/1919). Ali, ele indica que o texto em psicanálise é aquele orientado pela práxis de um analista, diferentemente de um texto sobre psicanálise que pode ser feito por qualquer pessoa interessada no tema ou em suas interfaces.

A questão que orienta esta pesquisa é: “quais as especificidades do registro imaginário na escuta psicanalítica por videoconferência?”. Na tentativa de respondê-la, elementos teóricos são articulados a fragmentos curtos de falas de pessoas que estiveram em análise. Não se trata, portanto, de apresentação de casos clínicos. O desenho metodológico deste estudo pode ser descrito, portanto, como um ensaio teórico-clínico1.

Ensaio, tal como Adorno o conceitua em “O ensaio como forma” (2003), é uma modalidade textual que busca “desencavar, com os conceitos, aquilo que não cabe em conceitos, ou aquilo que, através das contradições em que os conceitos se enredam, acaba revelando que a rede de objetividade desses conceitos é meramente um arranjo subjetivo” (p. 44). O autor compreende que um ensaio deve gerar condições para que o objeto investigado se torne visível de uma forma diferente de como é colocado pela teoria, pondo à prova e experimentando os pontos fracos do objeto. Seu conteúdo é regido por critérios lógicos, mas o mesmo não acontece com a sua forma. Neste gênero textual, há autonomia estética e uma pretensão à verdade sobre o transitório, desprovida de aparência.

Este ensaio parte de dois pressupostos. Primeiro, o tratamento psicanalítico se estrutura em torno do elemento voz, mas a fala em uma psicanálise não está livre das incidências do que acontece no campo do visível. Freud (1996), em 1913, esclareceu que a introdução do divã no dispositivo analítico visava impedir que suas expressões faciais, os movimentos de seu corpo interferissem no fluxo associativo do paciente. Ou seja, desde o nascimento da psicanálise, o enodamento entre imaginário e simbólico era notado.

O segundo é que o encontro entre analisante e analista ocorre em um lugar irredutível ao espaço euclidiano ou ao ciberespaço, essas modalidades espaciais nas quais imagens visuais e acústicas são trocadas, e em que as formações do inconsciente se apresentam (Bastos, 2021). De acordo com Mattuella (2021) e Quinet (2021), o encontro analítico ocorre em um espaço virtual de compartilhamento de sentidos, que não é determinado pela métrica, não é regido pelo tempo cronológico, mas pelo tempo lógico, e no qual se situam o gozo, o sentido, os sonhos, as fantasias, os traumas e as lembranças. A psicanálise por videoconferência é aqui tomada como práxis que se realiza na interseção entre essas três modalidades de espaço.

Este artigo conta com seis seções. A primeira, “Imagem visual”, apresenta esta modalidade de imagem sob a lente da psicanálise e situa o registro imaginário conforme Lacan. Na segunda, “Espelho”, é analisado o espelhamento da imagem do/da analisante na videoconferência. A terceira, “Quadro”, discute o ato do/da analisante de alterar a imagem projetada em tela de modo a não permitir que o seu corpo seja visto. Na quarta, “Recorte”, é problematizada a redução das informações visuais sobre o corpo do/da analisante. A quinta, “Imagem do/da analista”, analisa as implicações da projeção desta imagem e problematiza a construção das noções de distância e proximidade no ciberespaço. Por fim, na seção “Olhar”, este objeto pulsional é situado em relação à imagem visual. Ademais, as considerações finais fazem uma síntese reflexiva no final do artigo.

Imagem visual

Observações psicanalíticas sobre a imagem podem ser identificadas já nos primeiros textos freudianos. Em 1895, em “Projeto para uma psicologia científica”, Freud (1950[1895]) situa a percepção entre os processos psíquicos primários efetuados pelos sistemas de neurônios permeáveis e impermeáveis, afirmando que ela pode ser tomada como objeto do pensamento e do juízo, ou seja, de processos psíquicos secundários. O autor também distingue percepção, lembrança e ideia, salientando que a percepção pode evocar uma imagem mnêmica, com a qual coincide em parte. Em 1900, no livro A interpretação dos sonhos, Freud (1900/2013) descreve a participação do mecanismo de repressão na formação das imagens visuais que compõem os sonhos.

Partindo deste entendimento de que a imagem visual é o resultado de um “trabalho psíquico”, Didi-Huberman (1998) desenvolve o argumento de que a imagem é uma modalidade do visível que possui uma formação e uma apresentação. E, conforme o autor, na passagem da formação para a apresentação algo escapa, não se tornando visível, permanecendo em estado de latência. A imagem visual “nos entrega ao que ainda se esquiva” (Didi-Huberman, 2015, p. 240).

Em Diante do tempo: história da arte e anacronismo das imagens, Didi--Huberman (2015) articula o conceito de imagem e as noções de recordação, inconsciente, diferença e repetição. Ele então afirma que a imagem combina regressão, progressão e novidade, abrindo o tempo em várias frentes. Na imagem, todas as modalidades do tempo estão liberadas, “desde a experiência reminiscente (Erinnerung) até os foguetes do desejo (Wunsch), desde o salto da origem (Ursprung) até o declínio (Untergang) das coisas” (p. 130). Esta formulação remete aos modos como o tempo comparece nas formações do inconsciente.

O entendimento de que a imagem visual é resultado de um “trabalho psíquico”, no qual elementos escapam à apresentação, permanecendo no campo do invisível, e no qual a repetição, o novo e múltiplas modalidades do tempo se inscrevem, é o fio condutor deste ensaio.

Além disso, cabe destacar que a imagem visual, na psicanálise lacaniana, concerne ao registro imaginário. Em 1963, Lacan (2005) descreve três registros essenciais da realidade humana: real, simbólico e imaginário. O real é definido como a parte que escapa, estando fora da apreensão e alcance; o simbólico como aquilo da experiência analítica que se organiza na linguagem, por meio da articulação entre significante e significado; e o imaginário como aquilo que se satisfaz a partir de imagens.

Em 1974 e 1975, Lacan (n.d.) retoma esta nomenclatura conceitual no Seminário R.S.I, representando-os enodados de tal modo que se um deles se solta todos se desamarram, indicando assim sua indissociabilidade para a construção da dimensão subjetiva do ser humano. O registro imaginário, no qual se situa o engano e se realizam as identificações, permanece como indispensável para a formação do eu, com tudo o que comporta de alienação, desconhecimento, agressividade.

No contexto de uma sessão por videoconferência, o imaginário, registro que não se separa do simbólico e do real, estrutura-se com especificidades. Três diferenças podem ser destacadas. Primeiro, as imagens visuais não são tridimensionais, mas bidimensionais. Segundo, algumas das plataformas digitais apresentam em simultâneo a imagem espelhada do próprio sujeito durante a videochamada. Terceiro, a imagem do corpo, de modo geral, não é projetada em sua totalidade, sendo usualmente apresentados pedaços do corpo.

Espelho

Em 1949, no texto intitulado “O estágio do espelho como formador da função do eu”, Lacan (1949/1998) analisa o drama no qual a criança passa de uma imagem despedaçada do próprio corpo para a imagem de sua totalidade. Segundo o autor, esta precipitação da forma total do próprio corpo possibilita à criança uma identificação e uma transformação.

Cabem aqui duas observações. Primeiro, a imagem não é a coisa nem sua exata representação. Nas palavras de Didi-Huberman (2015), a imagem é “o intervalo tornado visível, a linha de fratura entre as coisas” (p. 126). Além disso, a imagem da totalidade do corpo é uma forma simetricamente invertida (Lacan, 1949/1998). Nela a esquerda vira direita e vice-versa. Trata-se de uma imagem enganosa, afirma Quinet (2004). Engano e desconhecimento de si são elementos concernentes à constituição do eu (Lacan, 1949/1998). No ciberespaço, a imagem corporal encontra-se também invertida.

Frequentemente, praticantes de psicanálise em modo online no Brasil relatam usar os serviços do WhatsApp, Zoom ou Google Meet para a operacionalização do encontro analítico. Nesses serviços, a imagem do usuário é projetada simultaneamente à imagem do seu interlocutor, sem a possibilidade de desativá-la. Desse modo, analista e analisante recebem suas próprias imagens, enquanto veem um ao outro.

“Hoje eu estou sem filtro. Cara de doida. Releve”, disse a analisante, enquanto olhava sua imagem projetada em tela no início da sessão. Fala que demarca um mal-estar relacionado à imagem do próprio corpo projetada no ciberespaço.

Em 1919, Freud (2006) observou que algo que deveria ter-se mantido oculto pode vir à luz junto com esta coisa tão familiar, e por vezes estranha, que é a imagem do próprio corpo. E acrescenta: “em certas circunstâncias o familiar pode tornar-se estranho” (p. 240). As apreensões imaginárias em duplo, segundo Lacan (1948/1998), têm como característica a estranheza. Isto porque a imagem espelhada é um elemento externo ao sujeito, comparecendo, deste modo, sempre como outro (Peixoto Souza & Stengel, 2022).

O sentimento de estranheza no duplo, no entanto, para Quinet (2004), não está relacionado ao eu, mas ao supereu. Segundo o autor, o que retorna como mal-estar junto com a imagem do próprio corpo concerne a essa instância psíquica de vigilância e crítica. A expressão “cara de doida”, em nossa cultura, comporta uma depreciação. A visão da imagem projetada na tela foi acompanhada por uma fala que expressa uma crítica superegoica.

Outro ponto a destacar é a polissemia da expressão “sem filtro”, que aqui pode designar tanto “não me apresento com a minha melhor aparência” - chiste alusivo à não utilização de filtro digital de edição de imagem - quanto “não estou pensando antes de falar”, e que constitui o cerne da associação livre. Ou seja, mesmo que o/a analisante esteja implicado no trabalho associativo, o que se apresenta no espelho pode promover uma interrupção. Entretanto, o/a analista pode apontar para o que irrompe, seja algo concernente ao eu ou ao supereu, e convocar o/a analisante a retomar a associação livre.

Quadro

A utilização de filtros que modificam e modelam determinadas características e expressões é um fenômeno que chama a atenção nas plataformas digitais. Peixoto Souza e Stengel (2022) sinalizam o caráter atrativo desses recursos que possibilitam retocar, alterar, reinventar a própria imagem no ciberespaço.

Em sua primeira experiência de teleconsulta, um adolescente utilizou, por quase toda a sessão, um filtro que projetava a imagem de um saco com batatas fritas. Este filtro não permitia que seu corpo fosse visto, ele apenas captava seus movimentos de cabeça e olhos. Após o atendimento, ele enviou, para o analista, um print da tela do seu aparelho celular no qual ele tem a aparência de um saco com batatas fritas e a seguinte mensagem: “KKKKKK”. Em um segundo atendimento, ele utilizou um filtro que projetava a imagem de um coelho. Esse filtro igualmente não permitia que fosse vista qualquer parte do seu corpo. Em dado momento, ele disse: “Você observou como o bichinho ficou? Eu estava bebendo água, aí o bichinho ficou movendo a cabeça muito rápido”. Efeitos imaginários, provenientes da tecnologia de comunicação, acrescentam-se ao imaginário do sujeito.

Lacan (1949/1998/1949) observa que quando a criança reconhece sua própria imagem no espelho, esse fato pode ser acompanhado por “uma série de gestos em que ela experimenta ludicamente a relação dos movimentos assumidos pela imagem com seu meio refletido, e desse complexo virtual com a realidade que ele reduplica” (pp. 96-97). Freud (1915/2017), em “As pulsões e seus destinos”, esclarece que a possibilidade de obter satisfação em fazer-se olhar inaugura-se para o bebê e nos acompanha vida afora. No cenário descrito acima, em que o analisante fez uso de filtro nos atendimentos online, ludicidade e satisfação estão presentes.

Mas por que cobrir completamente a própria imagem? Lacan (1964/1985), no Seminário 11, analisa o fenômeno do mimetismo, destacando, nele, o que se dá a ver, e que é algo distinto do fundo. O mimetismo opera uma camuflagem: “não se trata de se colocar em acordo com o fundo, mas sobre um fundo sarapintado, fazer-se pinta” (p. 98). Segundo Nogueira (2021), a camuflagem pode ser um recurso utilizado para se proteger do olhar do Outro, sendo oportuno lembrar que as apreensões imaginárias em duplo podem desencadear angústia, como sinaliza Lacan (1948/1998). O uso de filtros que apagam totalmente a imagem do corpo pode cumprir a função de barrar a angústia provocada pelo encontro com o Outro?

Ainda no Seminário 11, Lacan (1964/1985) afirma que o mimetismo está para os animais assim como a pintura está para os seres humanos, sendo que, na pintura, o/a artista pretende impor-se como sujeito, oferece o quadro como pastagem para o olho, em um movimento que “poderia resumir-se assim: Queres olhar? Pois bem, veja então isso!” (p. 99). Ante o apetite do olho, o adolescente se posicionou como sujeito, ao projetar-se em tela como um “quadro”, rompendo inclusive o espelhamento produzido compulsoriamente pela plataforma digital. Há aqui uma passagem da posição de dominado pelo olhar para a de quem o domina, cabendo destacar os elementos criatividade e ludicidade presentes.

Há, assim, uma diferença entre espelho e quadro. O espelho na videoconferência se impõe ao/à analisante, gerando engano e, ocasionalmente, angústia. O quadro é uma imposição do sujeito. “Enquanto o espelho implica a função do eu, narcísica, o quadro implica a função sujeito” (Quinet, 2004, p. 217).

Recorte

Outra modificação importante na escuta psicanalítica online é a perda da percepção visual do corpo em sua totalidade. A imagem do corpo, nos encontros por videoconferência, usualmente está colocada aos pedaços; são frestas de visão (Braga, 2021). A tela geralmente apresenta apenas a imagem do rosto e da parte superior do tronco. O choro, o arregalar os olhos, o coçar o nariz, o passar a mão na cabeça são vistos, porém se o/a analisante balança as pernas ou aperta as mãos, essas informações não chegam até o/a analista. Mas usualmente as expressões corporais são tomadas como material para análise?

Soler (2007), ao escrever sobre o tratamento oferecido por Marion Milner a uma esquizofrênica, declara que não há motivos para defender a estereotipia da técnica psicanalítica. Para ela, os desenhos produzidos pela paciente de Marion tornaram-se pretextos para a fala, colocando-se a serviço do trabalho associativo. Eles constituíram suporte para a produção significante.

As expressões corporais do/da analisante poderiam então ser tomadas como pré-textos para a fala? Segundo Fink (2017), os movimentos produzidos pelo corpo do/da analisante em si não dizem nada, mas podem ser apontados pelo/pela analista em um convite à fala.

Vale ressaltar que esta é uma modalidade de intervenção não standard e que não consiste em dizer o que os gestos do/da analisante significam. O que Fink (2017) propõe é uma intervenção que produza abertura e não fechamento, e que situe a produção significante do lado do/da analisante, não do/da analista. Segundo o autor, as observações das manifestações corporais poderão relançar o sujeito à fala, dando suporte à associação livre.

Imagem do/da analista

Na psicanálise por videoconferência, os corpos não compartilham as mesmas coordenadas geográficas, o contato físico é impossível e a sensação de proximidade entre os corpos está alterada. Com a finalidade de problematizar o papel da imagem corporal do/da analista na sessão online, analisaremos a seguir estas duas condições que limitam as possibilidades de intervenção.

No documentário intitulado Um encontro com Lacan, dirigido por Gerard Miller (2012), encontra-se um instigante depoimento de Suzanne Hommel. Nascida na Alemanha em 1938, ela viveu “os anos da guerra com todos os horrores” e teve Lacan como analista. Segue fragmento de seu relato:

Um dia, contei a Lacan um sonho que tive. Eu disse: “Acordo todo dia às 5h, e acrescentei: Era às 5h que a Gestapo vinha procurar os judeus em suas casas”. Nesse momento, Lacan se levantou como uma flecha de sua poltrona, veio na minha direção e me fez um carinho muito doce no rosto. Eu entendi: ‘geste à peau’, o gesto (...) Ele transformou a ‘Gestapo’ em um ‘geste à peau’. Em um gesto carinhoso. Um gesto extremamente carinhoso.

Um primeiro aspecto a observar é a inscrição de um significante a partir de uma intervenção tátil, visto que o significante, em Lacan, não se reduz aos componentes da língua2. Soler (2005) define significante como “todo elemento distinto, isolável, e combinável com outros elementos igualmente distintos e isoláveis, que seja passível de ganhar sentido” (p. 44). Um elemento somático ou mesmo um gesto pode ser um significante, desde que esteja inserido numa estrutura combinatória de representações, diz a autora. Outro exemplo é o da bofetada, como demonstrado por Lacan (1957/1998) em “A psicanálise e seu ensino”.

A expressão geste à peau pode ser traduzida do francês para o português como “gesto na pele”. Como a palavra gesto transmite a ideia de movimento corporal e a palavra “pele” aponta para superfície do corpo, trata-se de um significante que faz dupla referência à dimensão corporal. Além disso, podemos perceber que a intervenção joga com a semelhança fonética entre a palavra Gestapo e a expressão geste à peau. Uma expressão tátil, sem o acompanhamento de uma expressão verbal, produziu um deslizamento na cadeia significante, cuja implicação foi a passagem da expectativa terrificante de chegada da “polícia secreta nazista” para a doce visita de um “gesto carinhoso”.

As coordenadas espaço-temporais da intervenção também chamam a atenção: Lacan se aproximou rapidamente de Suzanne e a tocou com carinho; e o carinho é um movimento em baixa velocidade. Laznik (2009) sinaliza que Lacan, em suas intervenções, jogava com a alternância, a pulsação e o ritmo. Ela relata que houve momentos em sua análise pessoal em que se sentiu impedida de prosseguir com a associação livre. Nessas ocasiões, ela percebia que Lacan se aproximava, tornando-se possível ouvir o ritmo de sua respiração. Por efeito, o fluxo associativo era retomado. Mais um exemplo de intervenção sem fala, dando sustentação à livre associação.

No Seminário 16, Lacan (1968-69/2008) afirma que “a essência da teoria psicanalítica é um discurso sem palavras” (p. 11) e no Seminário 17 definiu o discurso como uma estrutura sem palavras (Lacan, 1969-70/1992). Em sua concepção, o discurso ultrapassa as palavras e pode subsistir sem elas, pois emerge do interior de relações estáveis instauradas pela linguagem como algo mais amplo e para além das enunciações efetivas (Lacan, 1969-70/1992).

Em suma, analistas, por meio do gesto e do toque físico, podem compartilhar sentidos e eventualmente prescindir de enunciações para que seu ato se inscreva no domínio de certos enunciados. Na sessão por videoconferência, o toque não é possível, mas o gesto do/da analista projetado em tela pode partilhar um sentido e aludir a algo do campo do tátil. Algo do imaginário talvez possa tocar o simbólico, contornando esse limite real.

Ademais, cabe destacar na cena descrita acima, o manejo da sensação de proximidade física e seus efeitos sobre o/a analisante. O que acontece com as noções de distância e proximidade espacial na videoconferência? Como o/a analista, no ciberespaço, está reduzido à projeção de sua imagem e de sua voz, esses sistemas se organizam apenas a partir dessas fontes. Ademais, o/a analisante tem a clara percepção de que o/a analista não está no mesmo espaço físico que ele/ela. A construção de uma resposta para esta questão requer o reconhecimento desses fatos.

O compartilhamento da imagem do/da analista durante a videoconferência tem sido objeto de amplo debate no campo psicanalítico. O que fazer com a câmera? Desligá-la para barrar o imaginário relacionado a reações corporais? Esta é uma alternativa que produz incômodo em algumas pessoas, podendo obstaculizar o tratamento. Além disso, deve-se considerar que alguns/algumas analisantes acompanham a imagem do/da analista em tela para verificar se ele/ela está presente ou se a conexão de internet foi interrompida.

Mantê-la ligada. Mas isso não produziria uma prevalência do imaginário? Segundo Quinet (2021), não. Entretanto, há pessoas - neuróticas ou psicóticas - que se sentem demasiadamente invadidas pelo olhar do/da analista. Desligá-la? O/a analista deve operar de acordo com a singularidade de cada caso, não podemos perder de vista este horizonte. A questão sobre a incidência da imagem do/da analista retorna com novas nuances na modalidade online.

Quanto aos sistemas de distância e proximidade, cabe ainda dizer que o/a analista pode se afastar e se aproximar da câmera, jogando com as diferenças do deslocamento do seu corpo no espaço físico. Seu ato pode interrogar o/a analisante de diferentes formas: por que ele/ela se aproximou da tela? Há um problema de conexão de internet? O que ele/ela pretende com isso?

Olhar

O olhar, na obra freudiana, situa-se entre os objetos da pulsão. O conceito de pulsão é apresentado por Freud (1915/2017), em “As pulsões e seus destinos”, como o “representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente, como uma medida da exigência no sentido de trabalhar em consequência de sua ligação com o corpo” (p. 73).

A pulsão é compreendida por Freud (1915/2017) como um conceito-limite [Grenzbegriff] entre o psíquico e o somático. Trata-se, portanto, de uma delimitação, apontada pela palavra Grenzbegriff, indicando, a nosso ver, que Trieb e Instinkt são conceitos e territórios diferentes. Ainda nesse trecho, vemos pulsão como “representante”, de alguma maneira traduzindo estímulos corporais para a instância psíquica. Já como “medida de exigência”, Freud se refere a processo dinâmico, trabalho. Por esse motivo, Lacan (1964/1985) considera, a partir do Seminário 11, a pulsão um dos quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Nesse seminário, o autor utiliza um outro termo de Freud que é Grundbegriff para se referir à pulsão, ou seja, conceito básico ou fundamental (Lacan, 1964/1985, p. 155).

A pulsão é composta por quatro elementos: fonte, pressão, meta e objeto (Freud, 1915/2017). Sua fonte é corpo e sua característica é ter caráter impelente. Trata-se de uma força constante, ativa, que exerce pressão e sempre tem a satisfação como meta. Como a pulsão está sempre buscando satisfação, ela não se extingue e é sempre parcial.

O objeto da pulsão pode ser qualquer objeto, sendo o seu componente mais variável (Freud, 1915/2017). Ele pode ser parte do próprio corpo, pode ser material ou não. Além disso, pode ser substituído inúmeras vezes e o mesmo objeto pode servir à satisfação de diferentes modalidades da pulsão. Ou seja, a pulsão é uma atividade psíquica em torno de um objeto que pode tomar diferentes caminhos na busca de satisfação.

A pulsão escópica é aquela que toma o olhar como objeto (Freud, 1915/2017). Ela passa por três fases de desenvolvimento que são posteriores ao momento inicial de autoerotismo. Na primeira fase, o olhar se direciona para um objeto alheio. Aqui, o bebê está em uma posição ativa de obtenção de prazer. Em outro tempo, a criança abandona o objeto e retorna o olhar para uma parte do próprio corpo com a meta de ser contemplado. Esta é uma posição reflexiva, olhar e ser olhado. Já, em outro momento, há a introdução de um terceiro, a quem o bebê se mostra com a intenção de ser visto, inaugurando a possibilidade do prazer em fazer-se olhar. Essas fases podem coexistir lado a lado, pois não definem uma cronologia, apenas demarcam distinções lógicas. Ademais, tais variações da meta da pulsão não alteram seu caráter de força ativa e constante.

Freud (1933/2010), na conferência “Ansiedade e vida pulsional”, declara que a teoria das pulsões é uma espécie de mitologia psicanalítica. Segundo o autor: “As pulsões são entidades míticas, magníficas em sua imprecisão. Em nosso trabalho, não podemos desprezá-las, nem por um só momento, de vez que nunca estamos seguros de as estarmos vendo claramente” (p. 98).

Lacan (1964/1985), no Seminário 11, retoma a teoria freudiana das pulsões, intensificando seu caráter mítico, isto é, uma ficção, situando-a no campo da linguística. Segundo o autor, o circuito da pulsão é circular. Ela parte da borda erógena do corpo e retorna a esta, após contornar o objeto a. A expressão ‘objeto a’, nesse seminário, designa o objeto de satisfação sempre faltante. Diferente do objeto descrito na teoria freudiana, ele não é um objeto do mundo sensível que se apresenta à percepção de um dado sujeito (Quinet, 2004). Ele não é empírico, não é fenomênico e não tem substância; é um objeto cuja consistência é lógica. O objeto a se situa no campo do real.

No Seminário 10, Lacan (1962-63/2005) afirma que “designar esse pequeno a pelo termo ‘objeto’ é fazer um uso metafórico desta palavra, uma vez que ela é tomada de empréstimo da relação sujeito-objeto, a partir da qual se constitui o termo ‘objeto’” (p. 99). Ou seja, convém tomar a pulsão como uma ficção e o objeto a como uma metáfora; dispositivos linguísticos que fazem operar a clínica de orientação lacaniana.

Já no Seminário 11, o autor declara: “o objeto a, no campo do visível, é o olhar” (Lacan, 1964/1985, p. 103). Deste modo, o olhar é definido como um operador lógico extraído do campo da visão - e que nesse processo se desvincula dela -, que designa a condição de ser olhado. Trata-se aqui do olhar que não guarda relação com olho, como a paranoia exemplifica. E, de acordo com o autor, o olhar atesta a “presença de outrem enquanto tal” (p. 84). Conforme Quinet (2004), o olhar é um elemento que parte do campo do Outro, tomando o sujeito como objeto e fazendo o Outro gozar.

O olhar, no campo lacaniano, é um objeto que prescinde da presença do olho. Em torno dele, registra-se um circuito pulsional. Ele é um elemento do campo escópico que escapa às imagens e às palavras, e que aponta para o gozo3 do Outro. Um objeto que delimita o intraduzível da experiência de ser visto.

Como o olhar se situa na escuta online? Segundo Quinet (2021),

(...) a presença do analista se dá através da manutenção ao vivo da circulação dos objetos olhar e voz. Eles presentificam o corpo libidinalmente, para além do Imaginário. Sabemos com Freud que o corpo não se limita ao que é o corpo como objeto empírico, como res extensa. O corpo tem uma emanação que Freud chama de libido, como uma pequena célula que emana pseudópodes para agarrar os corpos estranhos que são seus objetos libidinais. O corpo transcende nosso corpo físico porque é um corpo libidinal, daí poder manter sua presença no âmbito virtual. (p. 44)

Quinet (2021), Oliveira e Pena (2020) consideram que o uso das novas tecnologias de comunicação e informação não foraclui a dinâmica pulsional do corpo falante, e afirmam que, na sessão on-line, a pulsão parte do corpo do/da analisante, retornando para este, após contornar o/a analista que deve fazer semblante de objeto a.

Entretanto, há divergências quanto a este entendimento. Como as proposições em psicanálise não se situam, nem poderiam, no campo do universalismo em escala global, seguiremos analisando a posição adotada por esses autores.

Na sessão on-line, o/a analista está reduzido/reduzida aos objetos voz e olhar, mas não comparece como a voz durante toda a sessão: sua fala é episódica. Então, quando o/a analista silencia, o que indica que a conexão de internet não falhou e que a escuta se mantém? Resta a imagem, através da qual gestos e expressões faciais podem indicar a manutenção da escuta, e o objeto olhar.

Retornemos à proposição lacaniana “o olhar atesta a presença de outrem”, destacando a distinção entre as expressões “presença de outrem” e “presença do analista”. O olhar do/da analista torna seu corpo presente, mas não instaura o campo do ouvir e do escutar. O que torna possível a audição é o microfone. Se o/a analista está em uma videochamada e sua câmera está ligada, mas o microfone do/da analisante não funciona, seu corpo está presente, mas uma escuta não se realiza.

A presença do analista é compreendida por Lacan (1964/1985) como uma manifestação do inconsciente, por conseguinte, ela não se ancora na audição, ela se estrutura no simbólico. Ou seja, a imagem visual inscreve o corpo do/da analista na sessão on-line e a imagem acústica torna possível a sua presença. Em outras palavras, é o compartilhamento de significantes e significados em comunicação síncrona e a circulação da pulsão que garantem a presença do analista no ciberespaço (Quinet, 2021; Oliveira & Pena 2020).

Considerações finais

Na psicanálise por videoconferência, a imagem corporal é bidimensional, está recortada, usualmente espelhada, pode ser alterada ou mesmo reinventada. Na passagem do off-line para o online, registra-se perda de informações visuais e acréscimo de efeitos imaginários. O registro imaginário encontra-se reconfigurado.

Os novos fenômenos visuais que se apresentam podem ser colocados a serviço da produção significante e do trabalho associativo. Além disso, os efeitos acrescidos pelos recursos de modificação da imagem podem contribuir para que o/a analisante se posicione como sujeito diante do olhar do Outro.

O olhar é o objeto pulsional que pode comparecer durante a sessão, tornando o corpo do/da analista presente e situando um gozo. Entretanto, cabe ao/à analista esquivar-se do lugar de Outro gozador, fazendo operar o seu discurso como a.

No que tange à práxis psicanalítica, algumas questões se colocam: o que as imagens projetadas em tela ocultam, e o que nelas se abre? Convém barrar o imaginário associado às reações corporais do/da analista? Mas a imagem do seu corpo não poderia ocasionalmente sinalizar a manutenção da escuta, favorecendo a continuidade da fala? A ausência da imagem do/da analista em tela não angustiaria o/a analisante? O manejo da estranheza, da angústia, da satisfação em dar-se a ver e do olhar sobre o corpo do/da analista, não é estranho a uma análise, onde quer que ela se dê. Entretanto, é imprescindível analisar o modo singular como o imaginário incide no simbólico e toca o real na sessão online, inscrevendo um além das variações típicas na clínica clássica.As condições clássicas de uma análise estão rasuradas na psicanálise por videoconferência e este cenário abre possibilidades de recodificação da própria práxis analítica.

1

Compatível com o artigo 1°, parágrafo único, item VII da Resolução n. 510, de 07 de abril de 2016, do Conselho Nacional de Saúde, situa-se entre as pesquisas que “não serão registradas nem avaliadas pelo sistema CEP/CONEP”.

2

Língua, no campo lacaniano, é uma expressão que se distingue conceitualmente de linguagem. Em “Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise”, Lacan (1953/1998) define a linguagem como algo que se faz ouvir em todas as línguas humanas, como uma estrutura que se manifesta nas línguas. Posteriormente, em “A coisa freudiana” (Lacan, 1955/1998), ele afirma que “a linguagem é uma ordem constituída por leis” (p. 414) que regulam duas redes de relações: a do significante, que corresponde à estrutura do material da linguagem, e a do significado, que remete ao conjunto dos discursos concretamente proferidos.

3

A palavra gozo, neste estudo, designa a satisfação da pulsão situada no âmbito do além do princípio do prazer (Lacan, 1964/1985).

Financiamento/Funding:

O autores declaram não terem recebido financiamento ou apoio para a realização deste trabalho / The authors declare that no funding was received for this study.

Disponibilidade de Dados de Pesquisa:

Não se aplica.

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Editor do artigo/Editor:

Nelson da Silva Junior, Marcelo Ferretti

Conflito de interesses/Conflict of interest:

Os autores declaram que não há conflito de interesses / The authors declare that there is no conflict of interest.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Set 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    04 Jan 2026
  • Aceito
    06 Abr 2026
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