Open-access Relação entre ecoansiedade, gravidade da síndrome pré-menstrual e qualidade de vida entre mulheres em idade reprodutiva*

Objetivo: o objetivo deste estudo foi determinar a relação entre a ecoansiedade, a gravidade da síndrome pré-menstrual e a qualidade de vida entre mulheres em idade reprodutiva, bem como identificar os fatores relacionados.

Método: este estudo transversal e correlacional incluiu mulheres em idade reprodutiva. A amostra foi composta por 614 participantes. Os dados foram coletados por meio de um formulário com informações descritivas, da Escala de Ecoansiedade, da Escala de Síndrome Pré-Menstrual e da Escala de Qualidade de Vida SF-12.

Resultados: foram encontradas uma correlação positiva entre as medidas das Escalas de Ecoansiedade e de Síndrome Pré-Menstrual e uma correlação negativa entre as medidas da Escala de Ecoansiedade e das subdimensões, física e mental, da Escala de Qualidade de Vida SF-12 (p<0,05). A Escala de Ecoansiedade, a Escala de Síndrome Pré-Menstrual e a Escala de Qualidade de Vida SF-12 apresentaram efeitos estatisticamente significativos nos escores correspondentes aos componentes físico e mental (p<0,05). Especificamente, um aumento de um ponto na Escala de Ecoansiedade resultou em um aumento de 1,11 ponto na Escala de Síndrome Pré-Menstrual; uma diminuição de 0,08 ponto no componente físico e uma diminuição de 0,13 ponto no componente mental da Escala de Qualidade de Vida.

Conclusão: à medida que a ecoansiedade se intensifica entre as mulheres, a gravidade dos sintomas da síndrome pré-menstrual aumenta e a qualidade de vida diminui. A ecoansiedade, a gravidade da síndrome pré-menstrual e a qualidade de vida estão relacionadas às características individuais da mulher.

Descritores:
Mudanças Climáticas; Mulheres; Síndrome Pré-Menstrual; Qualidade de Vida; Fertilidade; Ansiedade


Destaques:

(1) A ecoansiedade, os sintomas pré-menstruais e a qualidade de vida apresentaram níveis moderados. (2) A ecoansiedade, a gravidade da síndrome pré-menstrual e a qualidade de vida estão relacionadas. (3) A gravidade da síndrome pré-menstrual aumenta à medida que a ecoansiedade se intensifica. (4) Com o aumento da ecoansiedade nas mulheres, a qualidade de vida diminui.

Objective: this study aims to determine the relationship between climate change worry, premenstrual syndrome severity, and quality of life among women of reproductive age and related factors.

Method: this cross-sectional correlational study included women of reproductive age. The sample included 614 women. Data were collected using Descriptive Information Form, Climate Change Worry Scale, Premenstrual Syndrome Scale, SF-12 Quality of Life Scale.

Results: a positive correlation was found between the Climate Change Worry Scale and Premenstrual Syndrome Scale, whereas a negative correlation was discovered between the Climate Change Worry Scale and both the physical and mental sub-dimensions of SF-12 Quality of Life Scale (p<0.05). Climate Change Worry Scale, Premenstrual Syndrome Scale and SSF-12 Quality of Life Scale showed statistically significant effects on physical and mental dimension scores (p<0.05). Accordingly, a 1-unit increase in Climate Change Worry Scale score causes a 1.11-unit increase in Premenstrual Syndrome Scale score, a 0.08-unit decrease in physical component score of quality of life scale and a 0.13-unit decrease in mental component score.

Conclusion: as climate change worry among women intensifies, the severity of premenstrual syndrome symptoms increases, while their quality of life diminishes. Climate change anxiety, premenstrual syndrom severity, and quality of life were influenced by women’s identifying characteristics.

Descriptors:
Climate Change; Women; Premenstrual Syndrome; Quality of Life; Fertility; Anxiety


Highlights:

(1) Climate change anxiety, premenstrual symptoms, quality of life were at moderate level. (2) Climate change concerns, premenstrual syndrome severity, quality of life are related. (3) As climate change concerns increase, the severity of premenstrual syndrome increases. (4) As women’s climate change concerns increase, their quality of life decreases.

Objetivo: el propósito de este estudio es determinar la relación entre ecoansiedad, gravedad del síndrome premenstrual y calidad de vida entre mujeres en edad reproductiva y detectar factores relacionados.

Método: este estudio transversal y correlacional incluyó mujeres en edad reproductiva. La muestra estuvo compuesta por 614 participantes. Los datos se recolectaron por medio de un Formulario de información descriptiva, de la Escala de Ecoansiedad, de la Escala de Síndrome Premenstrual y de la Escala SF-12 de Calidad de Vida.

Resultados: se verificó una correlación positiva entre la Escala de Ecoansiedad y la Escala de Síndrome Premenstrual; en contrapartida, se detectó una correlación negativa entre la Escala de Ecoansiedad y las subdimensiones física y mental de la Escala SF-12 de Calidad de vida (p<0,05). Las escalas de Ecoansiedad, Síndrome Premenstrual y SF-12 de Calidad de Vida presentaron efectos con significancia estadística sobre las puntuaciones correspondientes a las dimensiones física y mental (p<0,05). Específicamente, un aumento de 1 unidad en la puntuación de la Escala de Ecoansiedad causa un incremento de 1,11 unidades en la de la Escala de Síndrome Premenstrual, una reducción de 0,08 unidades en la correspondiente a la dimensión física de la Escala de Calidad de vida y una disminución de 0,13 unidades en la puntuación de la dimensión mental.

Conclusión: a medida que se intensifica la ecoansiedad entre las mujeres, la gravedad de los síntomas del síndrome premenstrual aumenta y la calidad de vida se reduce. La ecoansiedad, la gravedad del síndrome premenstrual y la calidad de vida se vieron influenciadas por las características específicas de cada mujer.

Descriptores:
Cambio Climático; Mujeres; Síndrome Premenstrual; Calidad de Vida; Fertilidad; Ansiedad


Destacados:

(1) La ecoansiedad, los síntomas premenstruales y la calidad de vida presentaron niveles moderados. (2) La ecoansiedad, la gravedad del síndrome premenstrual y la calidad de vida están relacionadas. (3) La gravedad del síndrome premenstrual aumenta a medida que se intensifica la ecoansiedad. (4) A medida que aumenta la ecoansiedad de las mujeres, su calidad de vida se reduce.

Introdução

As alterações climáticas representam uma ameaça crítica à saúde humana(1). Os principais fatores que contribuem para as alterações climáticas incluem flutuações nos níveis de energia solar, alterações nos padrões orbitais e rotacionais da Terra, aumento das emissões de gases com efeito de estufa, atividade vulcânica e utilização de combustíveis fósseis antropogênicos(2). Como levam a aumentos progressivos nos níveis de poluição atmosférica e nas temperaturas da superfície (juntamente com eventos meteorológicos extremos mais frequentes), as alterações climáticas representam um risco crescente para a saúde da população mundial(1). Neste contexto, as alterações climáticas têm efeitos prejudiciais na saúde humana devido a problemas relacionados com a água, os alimentos e a saúde(2).

Diversos fatores ambientais relacionados ao clima, como a disponibilidade de água e alimentos, conflitos sociais, padrões climáticos extremos e a disseminação de doenças, têm inúmeros efeitos adversos sobre grupos populacionais vulneráveis, particularmente as mulheres. The American College of Obstetricians and Gynecologists afirma que os efeitos adversos das mudanças climáticas tornam as mulheres mais suscetíveis a doenças, à desnutrição, à violência sexual, à falta de controle reprodutivo, desfechos obstétricos adversos e à mortalidade(1). Além disso, a percepção das mulheres sobre as mudanças climáticas pode ser acompanhada por sintomas de saúde mental, como trauma, medo, ansiedade e depressão, reduzindo, assim, sua qualidade de vida(3). Os efeitos das mudanças climáticas constituem uma área de pesquisa relativamente recente. Portanto, é imprescindível conduzir pesquisas nos domínios físico, econômico, da saúde e social, além de aprofundar a literatura existente para identificar os efeitos das mudanças climáticas e subsidiar o desenvolvimento de medidas preventivas(1-3).

Um dos principais problemas de saúde pública que afeta mais da metade das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo é a Síndrome Pré-Menstrual (SPM)(4). A SPM se manifesta como um conjunto de sintomas físicos, comportamentais e emocionais que surgem aproximadamente uma semana antes do início da menstruação (coincidindo com o final da fase lútea) e geralmente desaparecem após o início do sangramento menstrual. A frequência e a intensidade dos sintomas da SPM variam de mulher para mulher. A SPM engloba sintomas físicos como aumento do apetite, inchaço e sensibilidade mamária, palpitações e dores de cabeça, bem como sintomas psicológicos, incluindo fadiga, irritabilidade, agressividade, depressão, ideação suicida, dificuldade de concentração, isolamento social e humor deprimido(5). Embora os sintomas físicos e mentais da SPM desapareçam em poucos dias, controlá-los pode ser um desafio. Consequentemente, a SPM afeta as atividades diárias das mulheres, o desempenho acadêmico, a qualidade de vida e a produtividade(4-5). A epidemiologia, a etiologia e a fisiopatologia da SPM ainda não são totalmente compreendidas, e sugere-se que diversos fatores ambientais desempenham um papel em sua manifestação(4). Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2030 priorizam o manejo seguro e digno dos sintomas menstruais. O objetivo de Saúde e Bem-Estar (Objetivo 3) enfatiza o acesso universal aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo a educação sobre o manejo menstrual, que abrange a SPM. A SPM também é fundamental para alcançar o objetivo de Educação de Qualidade (Objetivo 4), pois impacta negativamente a frequência escolar e laboral das mulheres, bem como seu desempenho acadêmico. Além disso, o manejo eficaz da SPM está intimamente ligado ao objetivo de Igualdade de Gênero (Objetivo 5), que visa alcançar a equidade e o empoderamento de gênero, abordando as barreiras relacionadas à saúde que dificultam a plena participação das mulheres na sociedade. Adicionalmente, a Ação Climática (Objetivo 13) exige medidas para combater os efeitos das mudanças climáticas. No entanto, a literatura sobre os impactos das mudanças climáticas na SPM e na saúde da mulher é insuficiente(6). A questão principal desta pesquisa é: “Existe alguma relação entre ecoansiedade, a intensidade da SPM e a qualidade de vida em mulheres em idade reprodutiva?” Nesse contexto, também são abordadas as seguintes questões: “Quais são os níveis de ecoansiedade vivenciados por mulheres em idade reprodutiva?” e “Qual a intensidade da SPM em mulheres em idade reprodutiva?” “Quais são os níveis de qualidade de vida de mulheres em idade reprodutiva?” e “As características individuais de cada mulher afetam os níveis de ecoansiedade, a gravidade da síndrome pré-menstrual e a qualidade de vida?” Em consonância com esses objetivos, o propósito deste estudo é determinar a relação entre ecoansiedade, gravidade da síndrome pré-menstrual e qualidade de vida em mulheres em idade reprodutiva.

Método

Delineamento do estudo

Estudos transversais são aqueles que envolvem a observação do estado de uma amostra em um ponto específico no tempo, com base em observações que lançam luz sobre um aspecto particular. Este trabalho de pesquisa também tem um delineamento transversal; isso permite que os dados sejam coletados apenas uma vez, mas abordando diferentes pessoas(7). Além disso, este estudo tem um delineamento correlacional, uma vez que examina as relações entre as variáveis(8).

População e amostra do estudo

A população do estudo consistiu em mulheres em idade reprodutiva residentes na Turquia. De acordo com dados de 2021, publicados pelo Instituto de Estatística da Turquia, existem 22 milhões de mulheres com idades entre 18 e 49 anos nesse país(9). O tamanho da amostra foi calculado em 385, utilizando um método de amostragem conhecido, com uma margem de erro de 5% e um intervalo de confiança de 95%, assumindo p = q = 0,5. O estudo foi realizado com 614 mulheres que atenderam aos critérios de inclusão, a saber: (1) ser do sexo feminino, (2) estar em idade reprodutiva (18-49 anos), (3) falar turco, (4) possuir um telefone Android, (5) ter acesso à internet, (6) ter ciclos menstruais, (7) não estar grávida, (8) não ter diagnóstico de menopausa e (9) não apresentar qualquer deficiência física ou mental.

Variáveis do estudo

Variáveis dependentes: Níveis correspondentes à gravidade da Síndrome Pré-menstrual e à Qualidade de Vida.

Variáveis independentes: Nível correspondente à Ecoansiedade.

Ferramentas utilizadas para a coleta de dados

Os dados foram coletados utilizando um formulário de informações descritivas, a Escala de Ecoansiedade, a Escala de Síndrome Pré-Menstrual e a Escala de Qualidade de Vida SF-12.

Formulário de informações descritivas

Criado pelos pesquisadores de acordo com a literatura relevante, o formulário tem 21 perguntas que incluem as características demográficas dos participantes: idade, nível de escolaridade, estado civil, ocupação, nível de renda e área de residência, entre outros(10-14).

Escala de Ecoansiedade (Climate Change Anxiety Scale, CCAS)

Desenvolvida por Stewart(3), a escala CCAS foi adaptada por Gezer e İlhan para o turco(15) e testada com mulheres em idade reprodutiva. A CCAS possui dez itens respondidos em uma escala Likert de cinco pontos [de Nunca (1) a Sempre (5)]. A adaptação turca da CCAS compreende duas subdimensões: Ansiedade e Impotência. Esta escala não contém itens com pontuação invertida. As pontuações mínima e máxima são 10 e 50, respectivamente. Pontuações mais altas indicam níveis mais elevados de ecoansiedade. Um coeficiente alfa de Cronbach de 0,91 foi relatado para a escala(15), enquanto neste estudo foi calculado em 0,94.

Escala de Síndrome Pré-Menstrual (Premenstrual Syndrome Scale, PMSS)

Desenvolvida por Gençdoğan(16) após testes com mulheres em idade reprodutiva para medir os sintomas pré-menstruais e determinar sua gravidade, a PMSS consiste em 44 itens e é respondida usando uma escala Likert de cinco pontos [de Nunca (1) a Continuamente (5)]. A PMSS compreende nove subdimensões: Afeto Deprimido, Ansiedade, Fadiga, Irritabilidade, Pensamentos Depressivos, Dor, Alterações no Apetite, Alterações no Sono e Inchaço. A pontuação total da PMSS é obtida pela soma das pontuações dessas subdimensões. As pontuações mínima e máxima são 44 e 220, respectivamente, com pontuações mais altas indicando maior gravidade dos sintomas pré-menstruais. Na interpretação dos resultados da PMSS, a presença ou ausência de SPM é determinada se a pontuação total ou das subescalas exceder 50% da pontuação máxima possível. O coeficiente alfa de Cronbach correspondente à PMSS foi relatado como 0,75(16), enquanto neste estudo foi calculado em 0,97.

Escala de Qualidade de Vida SF-12 (SF-12 QoLS)

Desenvolvida por Ware, et al. e adaptada para o turco por Soylu, et al.(17) para mulheres em idade reprodutiva, o SF-12 QoLS contém um total de 12 itens distribuídos em oito domínios: Funcionamento Físico, Desempenho Físico, Dor Corporal, Saúde Geral, Vitalidade, Funcionamento Social, Desempenho Emocional e Saúde Mental. Os itens relacionados aos papéis físicos e emocionais são respondidos com Sim ou Não, enquanto os demais itens são categorizados usando escalas Likert de três a seis pontos. O SF-12 QoLS é avaliado por meio de pontuações de dois componentes: o Componente Físico (CF) e o Componente Mental (CM). A pontuação do CF do SF-12 QoLS deriva de itens relacionados à saúde geral, funcionamento físico, desempenho físico e dor corporal, enquanto a pontuação do CM do SF-12 QoLS deriva de itens que avaliam o funcionamento social, desempenho físico, saúde mental e vitalidade. Os escores dos CF e CM do SF-12 QoLS são calculados de forma semelhante ao método utilizado para a Escala de Qualidade de Vida SF-36. O escore total varia de 0 a 100, sendo que escores mais altos indicam melhor qualidade de vida. Os coeficientes alfa de Cronbach para os escores PC e MC do SF-12 QoLS foram relatados como 0,73 e 0,72, respectivamente(17). Neste estudo, os valores dos alfas de Cronbach calculados para os CF e CM do SF-12 QoLS foram de 0,94 e 0,92, respectivamente.

Coleta de dados

Os dados foram coletados entre julho de 2023 e março de 2024 por meio de uma plataforma de pesquisa online (Google Forms), utilizando respostas autodeclaradas de mulheres residentes na Turquia, empregando o método de amostragem em bola de neve. Inicialmente, as participantes foram convidadas a partir das redes de contatos dos pesquisadores, que posteriormente estenderam o convite a seus contatos. O formulário da pesquisa foi distribuído três vezes por semana, em dias variados, por meio de plataformas de mídia social (WhatsApp, Instagram, Facebook). As mulheres responderam ao questionário online em uma média de 10 minutos. Para evitar respostas duplicadas, as participantes não podiam preencher o formulário mais de uma vez. Após a conclusão da pesquisa, o sistema enviava uma mensagem automática de agradecimento às mulheres.

Análise estatística

Os dados foram processados utilizando o IBM SPSS Statistics, versão 26.0. Estatísticas descritivas, como distribuições de frequência (contagens e percentagens), foram calculadas para variáveis categóricas, e médias, desvios-padrão e valores mínimo e máximo foram calculados para variáveis numéricas. O teste t de Student para amostras independentes foi utilizado para avaliar diferenças entre dois grupos, enquanto o one-way ANOVA foi utilizado para avaliar diferenças entre mais de dois grupos. Após o one-way ANOVA, o teste de Levene foi utilizado para avaliar a homogeneidade das variâncias. Diversos testes de comparação (Bonferroni ou T² de Tamhane) também foram utilizados para determinar os grupos específicos responsáveis por diferenças significativas. O teste de Bonferroni foi utilizado para variáveis com variâncias homogêneas, enquanto o teste T² de Tamhane foi aplicado quando as variâncias eram heterogêneas. A análise de correlação de Pearson foi utilizada para examinar as relações entre as medidas numéricas. Os coeficientes de correlação obtidos nas análises de correlação indicam a magnitude e a direção da relação entre as variáveis. Geralmente, correlações entre 0 e 0,30 indicam relações fracas; correlações entre 0,30 e 0,70 indicam relações moderadas; e correlações maiores que 0,70 indicam relações fortes(18). A análise de regressão linear foi realizada para avaliar os fatores que afetam os escores obtidos no CCAS. A confiabilidade das escalas foi avaliada utilizando o coeficiente alfa de Cronbach. A significância estatística foi definida em p < 0,05.

Considerações éticas

A aprovação ética para o estudo foi obtida junto ao Comitê de Ética em Ciências Sociais e Humanas da Universidade Bartın (Número de Protocolo: 2023-SBB-0410; Data de Aprovação: 7 de dezembro de 2023). As mulheres que responderam à pesquisa receberam informações completas sobre o estudo e seu consentimento livre e esclarecido foi obtido por meio da plataforma de pesquisa online. O estudo foi conduzido de acordo com os princípios descritos na Declaração de Helsinki.

Resultados

A Tabela 1 apresenta as características sociodemográficas das mulheres. Não foram observadas diferenças significativas entre essas características e os escores obtidos no CCAS. Uma diferença estatisticamente significativa foi encontrada entre os escores da SPM e o estado civil, nível de escolaridade, situação profissional, renda mensal e dismenorreia (p<0,05). Especificamente, os escores da SPM foram maiores em mulheres solteiras, com pós-graduação, desempregadas, com renda inferior às despesas e com dismenorreia. Diferenças estatisticamente significativas também foram observadas entre os escores do Componente Físico (CF) do SF-12 QoLS e o estado civil, a situação profissional do cônjuge, a dismenorreia, a presença de doenças crônicas ou psiquiátricas e o uso de medicamentos (p<0,05). Escores mais altos no Componente Físico foram encontrados em mulheres solteiras, sem doenças crônicas ou psiquiátricas e que não faziam uso de medicamentos. Diferenças significativas foram encontradas entre os escores do Componente Mental (CM) do SF-12 QoLS e o estado civil, nível de escolaridade, situação profissional e transtornos psiquiátricos (p<0,05). Em particular, pontuações mais altas no Componente Mental foram observadas entre mulheres casadas, aquelas com ensino médio completo ou menos, mulheres empregadas e aquelas sem quaisquer transtornos psiquiátricos (Tabela 1).

Tabela 1-
Estudo das diferenças entre as características descritivas das mulheres e as escalas CCAS*, PMSS e SF-12 QoLS (n§ = 614). Turquia, 2023-2024

A média de idade das participantes foi de 24,41 ± 8,08 anos, o número médio de gestações foi de 1,87 ± 1,29 e o Índice de Massa Corporal (IMC) médio foi de 22,71 ± 4,29. As pontuações médias obtidas no CCAS, PMSS e nos CF e CM do SF-12 QoLS foram de 28,29 ± 9,47, 134,96 ± 37,45, 45,67 ± 7,80 e 40,04 ± 9,18, respectivamente. A Tabela 2 apresenta as relações entre o CCAS, a PMSS, o SF-12 QoLS e as características demográficas das participantes. Foi identificada uma correlação positiva entre as pontuações do CCAS e da PMSS. Correlações negativas foram encontradas entre a idade, o IMC, as pontuações dos CF e CM do SF-12 QoLS e as pontuações da PMSS. Também foram observadas correlações negativas entre os escores do componente físico (CF) do SF-12 QoLS e o número de gestações, partos e escores da PMSS. Contrariamente, foram identificadas correlações positivas entre os escores do componente mental (CM) do SF-12 QoLS e a idade, o número de gestações, o número de partos e o número de filhos. Correlações negativas estatisticamente significativas foram detectadas entre o componente mental e os escores do CCAS e do PMSS (p<0,05) (Tabela 2).

Tabela 2-
Estudo da relação entre CCAS*, PMSS e SF-12 QoLS§ e as características descritivas de mulheres (n|| = 614). Turquia, 2023-2024

A Tabela 3 mostra o efeito dos escores do CCAS nos escores da PMSS e nos CF e CM do SF-12 QoLS. Os escores do CCAS apresentaram um efeito estatisticamente significativo nos escores da PMSS, bem como nos componentes físico e mental do SF-12 QoLS (p<0,05). Especificamente, um aumento de 1 unidade no escore do CCAS resultou em um aumento de 1,11 unidade no escore da PMSS, uma diminuição de 0,08 unidade no escore do CF do SF-12 QoLS e uma diminuição de 0,13 unidade no escore CM do SF-12 QoLS.

Tabela 3-
Estudo do efeito dos escores do CCAS* nos componentes físico e mental do PMSSe do SF-12 QoLS. Turquia, 2023-2024

Discussão

O objetivo deste estudo foi investigar a relação e os fatores que influenciam a ecoansiedade em mulheres em idade reprodutiva e a gravidade da síndrome pré-menstrual (SPM), bem como sua qualidade de vida. A literatura existente destaca que a SPM é influenciada por diversos fatores demográficos, fisiológicos, físicos, psicológicos, sociais e culturais(19-21). Este estudo constatou que a SPM foi mais intensa em mulheres solteiras, com ensino superior, no mínimo, participantes que não estavam trabalhando, aquelas cuja renda era inferior às suas despesas e aquelas que sofriam de dismenorreia. Em consonância com esses achados, outros estudos relataram associações entre a gravidade da SPM e o estado civil, o nível de escolaridade, a situação profissional e a dismenorreia(13,21-24). Consequentemente, intervenções abrangentes e centradas na mulher são consideradas mais eficazes na redução da gravidade da SPM.

A qualidade de vida é afetada por fatores de risco modificáveis e não modificáveis, avaliados por meio de diferentes dimensões do bem-estar físico e mental(25-26). Este estudo constatou que a qualidade de vida, em termos do Componente Físico, foi maior entre mulheres solteiras, aquelas sem doenças crônicas ou psiquiátricas e aquelas que não faziam uso de medicamentos; em contrapartida, a qualidade de vida, em termos do Componente Mental, foi maior entre as participantes casadas, aquelas com, no máximo, ensino médio completo, aquelas que estavam empregadas e aquelas sem qualquer doença psiquiátrica. Diversos estudos indicaram que fatores demográficos e socioculturais têm um efeito significativo na qualidade de vida das mulheres(26-27). Em consonância com nossos achados, a presença de doenças crônicas e psiquiátricas demonstrou reduzir a qualidade de vida(25). Para melhorar a qualidade de vida das mulheres, é necessário abordar todos os fatores que afetam sua saúde, identificando doenças em curso e implementando intervenções eficazes.

As mulheres incluídas neste estudo apresentaram níveis moderados de ecoansiedade e gravidade da SPM. Níveis moderados semelhantes de ecoansiedade foram observados em outros estudos realizados na Turquia(28-29). Embora nossos achados em relação à SPM sejam consistentes com pesquisas anteriores(12-13), a gravidade da SPM foi considerada menor(22). Da mesma forma, a qualidade de vida das mulheres que participaram deste estudo também foi moderada. Em consonância com a literatura, outros estudos indicaram que a qualidade de vida das mulheres tende a ser moderada e requer intervenções para melhorá-la(26,30).

O estudo constatou que, à medida que a ecoansiedade das mulheres se intensificava, também aumentava a gravidade da SPM e sua qualidade de vida se reduzia. No estudo, a preocupação das mulheres com as mudanças climáticas era diretamente proporcional à gravidade da SPM, e sua qualidade de vida era significativamente mais proporcional. Em consonância com as descobertas deste estudo, uma pesquisa realizada com mulheres jovens adultas na Espanha constatou que sua qualidade de vida diminuía à medida que a gravidade da SPM aumentava(5). As mudanças climáticas afetam os ciclos menstruais por meio de furacões, tornados, avalanches e outros eventos climáticos extremos mais frequentes, bem como pela alteração na disponibilidade e no consumo de alimentos(10). Altas temperaturas também foram relatadas como causadoras de anormalidades nos ciclos menstruais(14). Além disso, foi enfatizado que as mudanças climáticas aumentam os níveis de estresse em mulheres e intensificam os sintomas da SPM(31). Outro estudo realizado com mulheres em idade reprodutiva na Turquia determinou que aquelas que sofriam de SPM estavam mais preocupadas com a ecologia(29). Alterações nos ciclos menstruais como resultado das mudanças climáticas podem afetar negativamente a qualidade de vida física e mental, aumentando assim a carga de doenças(10). Em consonância com nossos achados, uma revisão sistemática indicou que a ecoansiedade tem efeitos negativos na saúde mental(11). Outro estudo destacou que a ecoansiedade intensifica o sofrimento mental em mulheres australianas e leva a perspectivas mais pessimistas sobre o futuro(32). Observou-se que a ecoansiedade exacerba tanto problemas mentais quanto físicos igualmente(33). Portanto, espera-se que, ao reduzir a ecoansiedade feminina, a gravidade da SPM também seja reduzida e a qualidade de vida melhorada.

Este estudo fornece evidências significativas e atuais da Turquia sobre a relação entre ecoansiedade, gravidade da SPM e qualidade de vida das mulheres, representando uma contribuição singular para a literatura. No entanto, algumas limitações devem ser consideradas. Primeiramente, o estudo se baseia em dados autorrelatados pelas participantes. Além disso, o número limitado de estudos que investigam os efeitos das mudanças climáticas na TPM pode ter limitado a discussão. Ademais, o uso da amostragem em bola de neve pode ter restringido a generalização dos resultados do estudo.

Conclusão

O estudo determinou que as mulheres apresentam níveis moderados de ecoansiedade, gravidade da SPM e qualidade de vida física e mental. À medida que a ecoansiedade das mulheres aumenta, também aumentam a gravidade da SPM e a qualidade de vida diminui. Os níveis de ecoansiedade, gravidade da SPM e qualidade de vida das mulheres são afetados por diversas características individuais. Com base nessas descobertas, é crucial implementar intervenções voltadas para a redução da ecoansiedade feminina, lideradas por enfermeiras de saúde pública, e para a redução da gravidade da SPM, lideradas por enfermeiras especializadas em saúde da mulher, por meio de campanhas de educação e conscientização. A disseminação de anúncios de serviço público e avisos informativos em plataformas como televisão ou mídias sociais pode ser útil para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Em particular, recomenda-se a realização de diversos estudos qualitativos e quantitativos para enriquecer a literatura sobre a minimização dos efeitos adversos das condições climáticas atuais.

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  • Declaração de Disponibilidade de Dados
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  • Como citar este artigo
    Ekrem EC, Akar A, Akar A. The relationship between climate change worry, premenstrual syndrome severity, and quality of life among women of reproductive age and related factors. Rev. Latino-Am. Enfermagem. [cited]. Available from: https://doi.org/10.1590/1518-8345.7793.4837

Editado por

  • Editora Associada:
    Rosana Aparecida Spadoti Dantas

Disponibilidade de dados

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Abr 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    02 Fev 2025
  • Aceito
    14 Out 2025
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