Objetivo: Analisar a prevalência e os fatores associados à violência doméstica em gestantes atendidas na rede pública de Curitiba, a partir de dados do projeto Coorte de Saúde Materno-Infantil de Curitiba.
Métodos: Estudo observacional transversal, conduzido com gestantes usuárias do Sistema Único de Saúde de Curitiba entre 2018 e 2020. Foram analisadas variáveis demográficas, socioeconômicas, emocionais e obstétricas. A variável dependente foi a experiência de violência doméstica (física, psicológica ou sexual). Calcularam-se frequências absolutas e relativas e aplicou-se o teste do qui-quadrado com correção de Bonferroni para seleção de variáveis com p-valor<0,20. As associações independentes foram estimadas por regressão de Poisson com variância robusta, apresentando razões de prevalência (RP) e intervalos de confiança de 95% (IC95%).
Resultados: Foram analisadas 194 gestantes. A prevalência de violência doméstica foi de 27,5%, sendo 73,1% física e 75,0% psicológica. A violência esteve associada ao sentimento de tristeza (RP 2,83; IC95% 1,46; 5,48; p-valor 0,002), ao arranjo domiciliar (gestantes que moravam com o companheiro apresentaram menor prevalência de violência: RP 0,51; IC95% 0,29; 0,92; p-valor 0,025) e ao risco gestacional intermediário (RP 2,73; IC95% 1,54; 4,84; p-valor 0,011).
Conclusão: A violência doméstica foi frequente entre gestantes atendidas na rede pública de Curitiba e associou-se à vulnerabilidade emocional, à moradia sem companheiro e ao risco gestacional intermediário. Esses achados reforçam a necessidade de ações intersetoriais e de apoio psicológico e social durante o pré-natal para identificação e manejo da violência.
Palavras-chave:
Violência Doméstica; Gestantes; Violência de Gênero; Serviços de Saúde; Estudos Transversais.
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