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Open-access Fatores demográficos e clínicos associados à distância percorrida por pessoas com câncer de boca: estudo transversal, regiões Norte e Nordeste, 2017-2023

Resumo

Objetivo  Analisar os fatores demográficos e clínicos associados à distância percorrida por pessoas com câncer de boca até o tratamento hospitalar, nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, entre 2017 e 2023.

Métodos  Estudo transversal realizado com dados do Registro Hospitalar de Câncer. Definiu-se como variável dependente a distância, em quilômetros, entre o município de residência e o local de internação hospitalar, mensurada pelo OpenStreetMap. As variáveis independentes incluíram o estadiamento do câncer de boca (I, II, III ou IV), a região (Norte ou Nordeste) e o ano de atendimento. A regressão gama com função de ligação logarítmica foi empregada para estimar a razão de média (RM) e o intervalo de confiança de 95% (IC95%).

Resultados  Foram incluídos 4.887 registros. A mediana da distância percorrida até o tratamento foi maior na região Norte (70,9 km). A análise multivariada revelou associação significativa entre o estadiamento IV e deslocamentos maiores (RM 1,05; IC95% 1,00; 1,11). Pessoas da região Norte (RM 1,38; IC95% 1,26; 1,51) percorreram maiores distâncias até o hospital. Observou-se aumento significativo em 2020 (RM 1,10; IC95% 1,01; 1,19) e 2022 (RM 1,11; IC95% 1,02; 1,20).

Conclusão  As maiores distâncias para o tratamento hospitalar do câncer de boca ocorreram entre pessoas em estágio avançado da doença, residentes da região Norte, o que evidenciou desigualdades no acesso ao cuidado oncológico.

Palavras-chave
Neoplasias Bucais; Acesso aos Serviços de Saúde; Disparidades em Saúde; Condições Sociais; Estudos Transversais

Abstract

Objective  To analyze the demographic and clinical factors associated with the distance traveled by people with oral cancer to get hospital treatment in the North and Northeast regions of Brazil, between 2017 and 2023.

Methods  This was a cross-sectional study conducted with data from the Hospital Cancer Registry. The dependent variable was defined as the distance, in kilometers, between the municipality of residence and the place of hospital admission, measured by OpenStreetMap. The independent variables included the staging of oral cancer (I, II, III or IV), the region (North or Northeast) and the year of treatment. Gamma regression with logarithmic link function was used to estimate ratios of means (RM) and 95% confidence intervals (95%CI).

Results  4,887 records were included. The median distance traveled to treatment was greater in the Northern region (70.9 km). Multivariate analysis revealed significant association between stage IV and greater travel distances (OR 1.05; 95%CI 1.00; 1.11). People from the Northern region (OR 1.38; 95%CI 1.26; 1.51) traveled greater distances to a hospital. A significant increase was observed in 2020 (OR 1.10; 95%CI 1.01; 1.19) and 2022 (OR 1.11; 95%CI 1.02; 1.20).

Conclusion  The greatest distances for hospital treatment of oral cancer occurred among people with advanced stages of the disease residing in the Northern region, highlighting inequalities in access to oncological care.

Keywords
Mouth Neoplasms; Access to Health Services; Health Inequities; Social Conditions; Cross-Sectional Studies

Resumen

Objetivo  Analizar los factores demográficos y clínicos asociados a la distancia recorrida por personas con cáncer oral para recibir tratamiento hospitalario en las regiones Norte y Noreste de Brasil, entre 2017 y 2023.

Métodos  Estudio transversal realizado con datos del Registro Hospitalario de Cáncer. La variable dependiente se definió como la distancia, en kilómetros, entre el municipio de residencia y el lugar de ingreso hospitalario, medida mediante OpenStreetMap. Las variables independientes incluyeron el estadio del cáncer oral (I, II, III o IV), la región (Norte o Noreste) y el año de tratamiento. Se utilizó regresión gamma con función de enlace logarítmica para estimar la razón de medias (RM) y el intervalo de confianza del 95% (IC95%).

Resultados  Se incluyeron 4.887 registros. La mediana de la distancia recorrida para recibir tratamiento fue mayor en la región Norte (70,9 km). El análisis multivariante reveló una asociación significativa entre el estadio IV y mayores distancias de viaje (OR 1,05; IC95% 1,00; 1,11). Las personas de la región norte (OR 1,38; IC95%: 1,26; 1,51) recorrieron mayores distancias para llegar al hospital. Se observó un aumento significativo en 2020 (OR 1,10; IC95%: 1,01; 1,19) y en 2022 (OR 1,11; IC95%: 1,02; 1,20).

Conclusión  Las mayores distancias para el tratamiento hospitalario del cáncer oral se observaron entre las personas con estadios avanzados de la enfermedad que residen en la región norte, lo que pone de manifiesto las desigualdades en el acceso a la atención oncológica.

Palabras clave
Neoplasias de la Boca; Acceso a los Servicios de Salud; Inequidades en Salud; Condiciones Sociales; Estudios Transversales

Aspectos éticos

Esta pesquisa utilizou bancos de dados de domínio público e anonimizados.

Introdução

O câncer de boca, em sua maioria representado pelo carcinoma espinocelular, configura expressivo problema de saúde pública mundial, relacionado a alta morbimortalidade e prejuízos significativos à qualidade de vida. Estimativas internacionais apontam cerca de 370 mil novos casos e 199 mil óbitos por câncer de lábio e cavidade oral em mais de 200 países em 2019, e aproximadamente 377 mil casos em 2020, com maior concentração em países asiáticos [1-3].

A incidência e a mortalidade variam de forma expressiva segundo sexo, faixa etária e nível socioeconômico, sendo mais elevadas em nações de baixo e médio índice de desenvolvimento humano [1,4]. Além do ônus clínico, o câncer impõe consequências financeiras substanciais para as pessoas acometidas por essa enfermidade e para as suas famílias, o que agrava desigualdades e compromete o acesso contínuo ao tratamento [5,6].

Estudos internacionais demonstraram que a distância até os centros de tratamento constitui uma barreira relevante, associada a diagnósticos tardios, piores desfechos clínicos e maior risco de abandono terapêutico, conforme observado nos Estados Unidos e na Índia, em 2024 [7,8]. Em norte-americanos com carcinoma verrucoso de cavidade oral, distâncias maiores percorridas até o hospital estiveram relacionadas à indicação de radioterapia pós-operatória, sem impacto positivo na sobrevida, sugerindo influência geográfica nas decisões clínicas [9].

No Brasil, o câncer de boca apresenta elevada carga de morbimortalidade, com estimativas de 15 mil novos casos no triênio 2023-2025, predominando entre os homens [10]. A mortalidade é desigualmente distribuída no território brasileiro, com maior concentração em áreas socialmente vulneráveis [11]. A maioria dos casos corresponde ao carcinoma espinocelular, que acomete principalmente lábio, língua e assoalho bucal [12,13].

Investigações conduzidas no país, incluindo estudo desenvolvido na Região Metropolitana do Rio de Janeiro entre 2021 e 2022, indicaram que determinantes sociais, como baixa escolaridade e condições socioeconômicas desfavoráveis, contribuem para o diagnóstico em estágios mais avançados. Isso reflete desigualdades persistentes no acesso oportuno ao diagnóstico e ao tratamento oncológico [14].

Mesmo com a ampliação do Sistema Único de Saúde (SUS), com a atenção primária e a rede de centros de especialidades odontológicos, ainda persistem barreiras de acesso em áreas de maior vulnerabilidade [15-17]. Entre essas barreiras, a distância geográfica até os centros de referência se destaca como desafio relevante, especialmente no contexto das desigualdades territoriais e das dificuldades enfrentadas em regiões rurais e remotas [18-20].

Na comparação entre os períodos 2009-2010 e 2017-2018, foi demonstrado que 49% e 61% dos usuários do SUS, respectivamente, realizaram o tratamento de câncer fora de seu município de residência, com maiores distâncias registradas nas regiões Norte e Centro-Oeste, variando entre 296 km e 870 km [19]. Esses achados reforçaram a necessidade de organização regional da rede oncológica, com vistas à redução das barreiras geográficas e à promoção da equidade territorial [19].

A influência da distância no acesso ao tratamento oncológico é fator a ser destacado: entre 2019 e 2020, a maioria das mulheres acometidas por câncer de mama iniciou a terapia após mais de 60 dias do diagnóstico, com intervalos ainda maiores entre aquelas que se deslocaram para fora do município, percorrendo médias próximas de 300 km [21]. Tais resultados reforçaram que tanto a distância quanto a localização dos serviços de saúde configuram obstáculos relevantes à oportunidade terapêutica. Isso converge com achados da análise de acessibilidade geográfica voltada ao conjunto de usuários oncológicos no país [19].

O perfil epidemiológico e a sobrevida de pessoas com tumores de cabeça e pescoço já foram descritos no Brasil [22]. No câncer de boca, entretanto, poucos estudos têm investigado os fatores territoriais e socioeconômicos associados ao acesso ao tratamento [19,21]. A mensuração da distância percorrida por pessoas com câncer de boca contribui para identificar desigualdades regionais de acesso ao tratamento no SUS.

Este estudo teve como objetivo analisar os fatores demográficos e clínicos associados à distância percorrida por usuários com câncer de boca até o tratamento hospitalar, nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, entre 2017 e 2023.

Métodos

Delineamento do estudo

Trata-se de estudo observacional e transversal.

Contexto

O estudo utilizou registros de usuários com câncer de boca residentes nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, atendidos em unidades hospitalares vinculadas ao SUS, no período 2017-2023. A análise da distância entre o município de residência e o local de tratamento teve como objetivo descrever padrões de deslocamento e comparar variações regionais na distribuição dos serviços oncológicos, com vistas a subsidiar o planejamento da rede assistencial.

Participantes

A população do estudo foi composta por registros de pessoas com diagnóstico confirmado de câncer de boca, correspondentes às localizações topográficas C00 a C06, segundo a 10ª revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10).

Inicialmente, foram identificados 6.816 registros referentes a neoplasias de boca nas duas regiões no período analisado. Não foram identificados registros duplicados. Foram excluídos 1.929 registros devido à ausência de informações essenciais, como município de residência, unidade hospitalar de tratamento ou estadiamento clínico. Após as exclusões, 4.887 registros permaneceram elegíveis e compuseram a base final utilizada nas análises estatísticas.

Variáveis

A variável dependente foi a distância percorrida (em quilômetros) entre o município de residência do usuário e o município da unidade hospitalar onde ocorreu o tratamento. Essa variável foi expressa como valor contínuo, e, para os casos em que as pessoas residiam no mesmo município do hospital, foi atribuído o valor de 1 km, conforme o pré-requisito do modelo estatístico.

As variáveis independentes foram: região geográfica (Norte e Nordeste), estadiamento clínico (I, II, III e IV) e ano do atendimento (2017 a 2023).

Fonte de dados

Os dados foram obtidos do Registro Hospitalar de Câncer, disponibilizado pelo Instituto Nacional de Câncer e acessado em 10 de setembro de 2024. Foram utilizadas as informações referentes ao município de residência, à unidade hospitalar de tratamento e ao estadiamento clínico.

A distância percorrida foi estimada entre os centros geográficos (centroides) dos municípios de residência e de tratamento. As coordenadas de origem e destino foram utilizadas em um serviço de roteamento viário (Open Source Routing Machine), acessado por meio da interface do OpenStreetMap, com perfil de deslocamento por automóvel, estimando-se a rota de menor distância (em quilômetros) ao longo da rede viária disponível. Dessa forma, a distância estimada não corresponde à distância euclidiana, mas ao percurso calculado na malha de transportes mapeada. Em regiões com menor conectividade rodoviária, como áreas da região Norte, a distância estimada refletiu a infraestrutura de transporte disponível na base cartográfica.

Viés

Por se tratar de dados provenientes dos Registros Hospitalares de Câncer, há possibilidade de cobertura incompleta, devido à não participação de alguns hospitais, e de exclusão de registros com informações faltantes. Para mitigar esses vieses, aplicaram-se critérios rigorosos de inclusão e procedeu-se à dupla checagem da extração e consistência dos dados. Além disso, a distância geográfica foi estimada a partir dos centros geográficos (centroides) dos municípios, o que pode não refletir com precisão o trajeto efetivamente percorrido pelos usuários, especialmente em áreas com menor conectividade de transporte. Nos casos em que o município de residência coincidiu com o do tratamento, atribuiu-se o valor mínimo de 1 km, procedimento adotado exclusivamente para viabilizar a modelagem estatística.

Tamanho da amostra

Foram incluídos todos os registros elegíveis de pessoas com diagnóstico confirmado de câncer de boca disponíveis no Registro Hospitalar de Câncer para o período analisado.

Métodos estatísticos

Os dados foram organizados em planilhas do Microsoft Excel 2019 e analisados no software Jamovi 2.6. A análise descritiva foi utilizada para caracterizar a população do estudo, com apresentação de frequências absolutas e relativas para variáveis categóricas e medidas de tendência central e dispersão para a variável contínua (distância percorrida em quilômetros). Na análise inferencial, aplicou-se o modelo de regressão gama com função de ligação logarítmica, apropriado para variáveis contínuas e positivas, como distância. Essa abordagem é recomendada para dados assimétricos por gerar estimativas consistentes [23].

Foram estimadas razões de médias (RM) e seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%), adotando-se nível de significância de 5%. Como pré-requisito do modelo, a distância percorrida por pessoas residentes no mesmo município da unidade hospitalar foi ajustada para o valor de 1 km.

Resultados

Foram analisados 4.887 registros de pessoas com câncer de boca nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, entre 2017 e 2023 (Tabela 1). A caracterização da amostra revelou predominância de pessoas oriundas do Nordeste (n=4.456; 91,2%) e residentes em municípios do interior (n=3.320; 68,0%). A maioria dos usuários foi diagnosticada em estágios avançados (IV: 57,0%), enquanto 43,0% encontravam-se nos estágios iniciais (I-III). A distribuição anual mostrou maior concentração de registros em 2017 (23,7%) e 2018 (22,0%) (Tabela 1).

Tabela 1
Análise descritiva da distância percorrida em quilômetros (km) por pessoas com câncer de boca, segundo estadiamento clínico, região, tipo de município e ano de atendimento. Regiões Norte e Nordeste, 2017-2023 (n=4.887)

A mediana da distância percorrida até o tratamento variou conforme as características clínicas e geográficas: 58,0 km nos estágios I-III e 63,3 km no estágio IV; 70,9 km entre residentes do Norte, superior aos 61,0 km observados no Nordeste. Moradores do interior percorreram mediana de 158,0 km, enquanto os das capitais deslocaram-se 1,0 km (valor mínimo adotado para viabilizar o modelo de regressão gama) (Tabela 2).

Tabela 2
Razões de médias (RM) e intervalos de confiança de 95% (IC95%) da regressão gama da distância percorrida (km) por pessoas com câncer de boca (C00-C06), segundo fatores clínicos, geográficos e temporais. Regiões Norte e Nordeste, 2017-2023 (n=4.887)

Nos resultados da regressão gama, com função de ligação logarítmica, o estadiamento clínico avançado (IV) dos usuários foi associado ao aumento de 5% na distância média percorrida, quando comparado aos estadiamentos I-III (RM 1,05; IC95% 1,00; 1,11; p-valor 0,047). Residentes do Norte precisaram percorrer distâncias 38,0% maiores que residentes do Nordeste (RM 1,38; IC95% 1,26; 1,51; p-valor<0,001). Entre os anos analisados, observaram-se aumentos significativos em 2020 e 2022.

Foi apresentada a variação da distância média (em quilômetros) percorrida por pessoas nas regiões Norte e Nordeste, estratificada por estadiamento clínico, entre 2017 e 2023 (Figura 1). No Nordeste, os valores variaram entre 12,0 km e 16,5 km, enquanto no Norte permaneceram entre 17,5 km e 22,5 km.

Figura 1
Distância percorrida (km) entre residência e tratamento, por estadiamento (I-III e IV) e ano: (A) Nordeste; (B) Norte. Regiões Nordeste e Norte, 2017-2023 (n=4.887)

Discussão

O estudo demonstrou que fatores como o estadiamento clínico avançado e a localização no Norte do Brasil se associaram a maiores distâncias percorridas até unidades hospitalares de referência. Esses achados indicaram que desigualdades territoriais e socioeconômicas ainda restringem o acesso oportuno ao cuidado oncológico, mesmo após avanços estruturais do SUS. A concentração de serviços especializados em centros urbanos de maior porte impõe deslocamentos mais longos para pessoas de áreas rurais e interioranas, o que pode repercutir em atraso diagnóstico e início do tratamento em condições clínicas mais graves.

Entre as limitações do estudo, destacaram-se a cobertura incompleta do Registro Hospitalar de Câncer, uma vez que nem todos os hospitais participam, e a exclusão de registros com informações faltantes. Houve também a possibilidade de viés de aferição, pois a distância foi calculada entre as sedes dos municípios, o que não representou o trajeto real dos usuários. Além disso, para viabilizar a regressão gama, atribuiu-se o valor de 1 km aos residentes no mesmo município do hospital, o que pode não refletir fielmente esses casos.

Outro possível viés foi o de severidade, já que usuários em estágio clínico IV tendem a ser encaminhados para centros de maior complexidade, geralmente mais distantes. Por fim, a ausência de variáveis socioeconômicas, como renda, limitou a possibilidade de ajustar completamente os confundidores. Apesar desses pontos, a abrangência geográfica e o tamanho da amostra conferiram consistência e relevância aos resultados.

A prevalência de usuários do Nordeste pode ser explicada pelo tamanho populacional da região e pela elevada carga proporcional de câncer de boca [19,13]. No Norte, as distâncias foram mais longas devido às dimensões continentais, à predominância do transporte fluvial e à escassez de unidades no interior, fatores que criam vazios assistenciais e obrigam deslocamentos maiores [19,24]. A centralização dos serviços nas capitais agrava esse quadro, já que a manutenção de centros oncológicos e a fixação de equipes multiprofissionais em áreas remotas são de alto custo e difícil execução [19].

As oscilações observadas nas distâncias percorridas ao longo dos anos, especialmente os aumentos em 2020 e 2022 identificados na análise de regressão, sugerem impactos estruturais na oferta e na busca por cuidados oncológicos. Esses padrões são compatíveis com a literatura que descreve desorganizações temporárias da rede durante a pandemia de covid-19 e a posterior retomada de atendimentos, frequentemente com pessoas em estágios mais avançados, o que pode demandar encaminhamento para centros mais distantes [25]. A maior distância percorrida por usuários em estadiamento IV e residentes do Norte reforça, ainda, que fatores clínicos e territoriais interagem na determinação das desigualdades de acesso, convergindo com achados prévios em países com grandes disparidades regionais [7,18].

Este estudo destacou que a distância geográfica constitui barreira significativa ao tratamento do câncer de boca nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, o que evidencia desigualdades territoriais que exigem planejamento regional e fortalecimento da rede oncológica.

  • Gestora de pareceristas
  • Pareceristas
    Renata Carneiro da Silva (https://orcid.org/0000-0002-6428-4327),
  • Ranna Carinny Gonçalves Ferreira (https://orcid.org/0000-0003-1888-8143)
  • Disponibilidade de dados
    Os dados utilizados neste estudo são de acesso público e foram obtidos do Registro Hospitalar de Câncer, disponibilizado pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, por meio da plataforma RHCNet (https://irhc.inca.gov.br/RHCNet/).
  • Uso de inteligência artificial generativa
    Este manuscrito foi revisado com o auxílio da inteligência artificial ChatGPT (OpenAI), utilizada exclusivamente para aprimorar a clareza e a organização textual. Todas as referências citadas foram conferidas em suas versões integrais.

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Editado por

Disponibilidade de dados

Os dados utilizados neste estudo são de acesso público e foram obtidos do Registro Hospitalar de Câncer, disponibilizado pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, por meio da plataforma RHCNet (https://irhc.inca.gov.br/RHCNet/).

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    19 Jun 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    21 Jul 2025
  • Aceito
    23 Mar 2026
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