Resumo
Objetivo: Contribuir para a expansão da eficiência de estratégias de crowdfunding, a partir da incorporação da perspectiva de uma rede colaborativa, no financiamento da operação de partida de startups. Nesse sentido, o foco do estudo residiu na investigação da propriedade da compreensão do processo de crowdfunding como uma rede com gestão e cultura colaborativa. Metodologia: inventário da literatura orientado para a identificação de convergências conceituais entre crowdfunding e redes colaborativas, avaliando-se a viabilidade de aperfeiçoamento potencial de estratégias de crowdfunding por meio da compreensão desse processo como uma rede colaborativa.
Relevância/originalidade: o artigo oferece uma abordagem inovadora e adicional para a estratégia de crowdfunding, colaborando conceitual e operacionalmente no seu design e gestão, quando considerada como uma rede de colaboração.
Resultados: o estudo oferece um cotejamento conceitual consistente entre dimensões associadas a crowdfunding e redes colaborativas, identificando o nível de convergência teórica entre essas e, desse modo, indicando a viabilidade de redes colaborativas como um aporte teórico relevante na construção e gerenciamento de crowdfundings.
Contribuições teórico-metodológicas: o trabalho fornece, como principais contribuições teóricas, (a) evidências consistentes de compatibilidade conceitual entre os construtos estudados e (b) proposição de uma agenda de pesquisa, sugerindo-se potenciais questões de pesquisa para futuros estudos, baseada nessa convergência entre crowdfunding de startups e redes colaborativas.
Palavras-chave:
Startup; Crowdfunding; Redes colaborativas.
Abstract
Objective: To contribute to the expansion of crowdfunding strategies' efficiency by incorporating the perspective of a collaborative network in financing the startup's initial operation. The study focused on investigating crowdfunding as a network with a collaborative culture and management. Methodology: A literature review was conducted to identify conceptual convergences between crowdfunding and collaborative networks. The aim was to assess the potential improvement of crowdfunding strategies by understanding the process as a collaborative network. Relevance/Originality: The article presents an innovative and additional approach to crowdfunding strategy by conceptualizing and operationally supporting its design and management as a collaborative network.
Results: The study provides a consistent conceptual comparison between crowdfunding and collaborative network dimensions, identifying the theoretical convergence between the two. As a result, it indicates the viability of collaborative networks as a relevant theoretical contribution to building and managing crowdfunding campaigns. Theoretical and Methodological Contributions: The research offers (a) consistent evidence of conceptual compatibility between the studied constructs and (b) proposes a research agenda with potential research questions for future studies based on the convergence between crowdfunding for startups and collaborative networks.
Keywords:
Startup; Crowdfunding; Collaborative networks.
INTRODUÇÃO
Historicamente, o desenvolvimento de tecnologias manifestou-se com intensidade em períodos diferentes, como, por exemplo, na revolução industrial britânica (1760 - 1850), quando houve êxodo rural e a força motriz humana foi substituída pela máquina a vapor; na segunda revolução industrial (1890 - 1930), marcada pela descoberta da eletricidade, uso de combustão interna e a utilização de produtos químicos na indústria e, na terceira revolução industrial, chamada de revolução da tecnologia da informação, com início em 1960 influenciada pelo período pós-guerra, caracterizada pelo surgimento e introdução de novas tecnologias (Harley & Crafts, 2000; Schwab, 2019). Durante o desenvolvimento da terceira revolução, pode-se identificar um marco na história: o surgimento da internet. A internet passou a ser uma fonte importante de informação, substituindo rotinas e transformando-se no cerne de interação social, política, acadêmica e de entretenimento em proporções globais (Castells, 1999). No curso dessas transformações, verificou-se a manifestação de uma forma diferenciada de operação, envolvendo o desenvolvimento de produtos, realização de negócios e constituição de organizações, conhecidas como startups. A etimologia da palavra startup apresenta o entendimento de iniciar e colocar algo em funcionamento (Santos, 2020). O termo foi difundido na transição do século XX para XXI e, desde o final da 1ª década deste último, entende-se startups como organizações que atuam em ambientes de elevada incerteza, possuem escalabilidade e facilidade para se replicar, com custos que não acompanham o crescimento (Blank & Dorf, 2014).
Na última década, as startups sofreram uma transformação no aspecto econômico, sendo possível a identificação de três tendências: (a) otimização dos custos, (b) alternativas mais viáveis na conquista de clientes e (c) melhores formas de monetização direta (Miller & Bound, 2011). Existem diferentes agentes financiadores de desenvolvimento de startups, como, por exemplo: (i) capital empreendedor, (2) investidor anjo, (3) crowdfunding, (4) startups labs e (5) corporate venture capital (Aranha, 2016). Em 2013, a corporate venture capital Aileen Lee passou a identificar algumas startups como unicórnios, por alcançarem realizações comparáveis a de encontrar o animal mítico. Startups com valor de mercado acima de US $ 1 bilhão são entendidas como unicórnios (Kanbach & Stubner, 2016). Essas contribuem para o entendimento do potencial das novas empresas com modelo reprodutível e escalável. No Brasil, startups com investimento inicial que suportam a sua operação em até 1 ano apresentam nível de descontinuação de 2 a 2,5 vezes superior àquelas que iniciam sua operação, tendo custos operacionais cobertos antecipadamente pelo período acima de 1 ano (Arruda et al., 2014). Portanto, pode-se reconhecer a partir dessa informação que o financiamento de médio prazo é um aspecto crucial na sobrevivência das startups. Uma das alternativas de financiamento externo para esse tipo de negócio é o crowdfunding.
Essa modalidade de captação de recursos para novos negócios emergentes, conhecida como crowdfunding (financiamento colaborativo), ocorre por meio de comunicação e busca de adesão em plataformas digitais, podendo ser considerada na atualidade como uma das mais importantes fontes de financiamento (Yuan et al., 2016). O crowdfunding possui aspectos singulares de democratização ao acesso a investimentos, anteriormente, inacessíveis para parte dos investidores. Essa estratégia de acesso a recursos de financiamento vem sendo praticada, principalmente, segundo quatro modelos: (a) doações, quando o financiador se solidariza com a causa sem esperar prêmios; (b) recompensas, quando há acordo de retorno financeiro ou de produtos; (c) investimentos, ações ou títulos, vinculados à conveniência da oferta inicial de valores mobiliários como contrapartida e; (d) empréstimos, quando investidores funcionam como financiadores, investindo a partir de uma taxa de compensação previamente acordada (Cumming & Hornuf, 2018).
O processo de desenvolvimento de estratégias de acesso ao crowdfunding está indissociavelmente relacionado à disposição de engajamento de agentes remotos presentes na web. Assim, coloca-se, como aspecto crucial, o condão da atração desses diferentes agentes de forma colaborativa e convergente (Paschen, 2017). Em outras palavras, esse movimento pode ser entendido como a construção de uma rede colaborativa de aporte de recursos para a startup. O conceito de redes colaborativas pressupõe a conjunção de diferentes atores com o propósito de parcerias, colaboração e benefícios coletivos (Camarinha-Matos et al., 2019; Ciesielska & Janowski, 2019; Durugbo, 2016).
A formação de redes colaborativas promove o compartilhamento do conhecimento, recursos, competências complementares e responsabilidades (Ciesielska & Janowski, 2019; Kivleniece & Quelin, 2012; Xing et al., 2018), bem como sua sustentabilidade (Yahia et al., 2021).
Reconhecendo-se a propriedade de uma pesquisa que aborde a relação entre redes colaborativas e crowdfunding, a investigação da funcionalidade de utilizar-se de conceitos relacionados à constituição de redes colaborativas potencialmente oferece uma perspectiva mais objetiva na captação de recursos por meio de crowdfunding dedicado ao financiamento de startups. Essa lógica conduziu a seguinte questão de pesquisa: a compreensão do crowdfunding, como um resultado da construção de redes colaborativas, fornece novas oportunidades de entendimento do processo de captação de recursos para startups? Assim, a presente pesquisa tem, como objetivo central, a investigação conceitual sobre a contribuição da teoria de redes colaborativas como aporte para o avanço de conhecimento sobre a estratégia de crowdfunding para startups.
REFERENCIAL TEÓRICO
A rotina das pessoas vem sendo impactada irreversivelmente pela expansão da conectividade propiciada pelo avanço da presença da internet no cotidiano dos indivíduos, favorecendo a interatividade e, sobretudo, as iniciativas de apoio a ideias, conceitos, produtos e, nesse sentido, negócios (Castells, 1999). Em meio às mudanças percebidas, as startups surgiram apresentando uma dinâmica diferenciada dos padrões organizacionais anteriormente praticados, destacando-se o modelo de liderança compartilhada, embora diferentes condicionantes têm sido elencados como potenciais influenciadores ou drivers para o sucesso de crowdfundings (Janků & Kučerová, 2018; Moleskis et al., 2019; Wang et al., 2020).
Startups e o desafio da sobrevivência no early stage
Os estudos comumente retratam startups bem-sucedidas, contudo deve-se reconhecer a presença significativa de startups que não conseguem sobreviver aos primeiros anos de vida. Uma das principais causas de falências nessas novas empresas é a insuficiência de capital para financiar suas operações no estágio inicial de operação (early stage), informação que pode ser constatada pelos índices de solvência dos resultados iniciais (Stigen & Solstad, 2020). O cenário brasileiro não é diferente, com um quarto das startups não sobrevivendo por um ano devido à falta de capital (Arruda et al., 2014).
Arruda et al. (2014) sugere que a propensão à continuidade de uma startup no Brasil, em seu 1º ano de operação, é o primeiro e decisivo desafio dessas organizações. A importância crucial da capacidade de financiamento e, particularmente, seu impacto nas chances de sobrevivência de startups, remete à necessidade de uma estratégia de captação de recursos robusta o suficiente enquanto meio de aumento da chance de consolidação e vitalidade do negócio. Em geral, startups de tecnologia não possuem receita durante o início de desenvolvimento dos seus produtos e, quando atingem resultados e acesso à receita, esta não é capaz de cobrir, na maioria das vezes, os custos fixos da empresa, como salários, instalações e suprimentos (Chammassian & Sabatier, 2020). Com isso, depreende-se a importância de captação realizada com excelência para fazer frente aos dispêndios incidentes nos primeiros ciclos de vida de startups.
De acordo com a revista McCarthy (2017), com base em um levantamento de dados feito pela CB Insights, notou-se que 70% das startups vão a falência. Sobretudo, referente àquelas financiadas por crowdfunding, o índice é ainda maior chegando a 97%. Dentre as principais razões de descontinuidade das novas empresas estão: (i) esgotamento de recursos com 29%; (ii) superação pela concorrência com 19% e; (iii) dificuldades com preço/ lucro com 18%. O artigo corrobora a condição de ausência de receita significativa de startups de tecnologia durante o início de desenvolvimento dos seus produtos.
Startups e crowdfunding
A evolução de startups, desde a concepção até o desenvolvimento na fase de consolidação e expansão, perpassa por importantes conexões para obter conhecimento e recursos na realização das atividades-chave, com propósito de ter transições bem-sucedidas entre as etapas de seu ciclo de vida da empresa (Passaro et al., 2020). Contudo, os estágios de uma startup não são delineados ou identificáveis de forma parametrizada ou, em outras palavras, não há consenso sobre métricas ou indicadores capazes de caracterização da fase de vida de uma startup. Assim, a seleção do tipo de crowdfunding, sugerida como vital para a sua sobrevivência, merece uma exploração mais focalizada, considerando-se a construção de fundo de reserva destinado aos estágios de operação e crescimento, baseados em captação segundo duas lógicas: empréstimos de terceiros (leading crowdfunding) e integralização de capital (equity crowdfunding) (Paschen, 2017). Esta autora sugere tipologias para o crowdfunding entre tangível e intangível com três características:
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(i) donations crowdfunding, no qual o financiador não recebe bem ou direito tangível em troca do aporte oferecido;
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(ii) leading crowdfunding, financiamento coletivo de empréstimos que simula um título de dívida por parte do emissor, configurando interesse tangível e;
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(iii) equity crowdfunding, financiamento coletivo de ações quando há investidores comprando parte da empresa, com interesses tangíveis.
Em Akron, Ohio, uma pesquisa sobre o impacto de crowdfunding na iniciativa pública, constatou um potencial aumento da prestação de serviços governamentais, levantando-se características dos projetos propensos a sucesso e insucesso. O civic crowdfunding, com propensão a sucesso, não deve conter polêmicas no projeto e apresentar apelo generalizado, induzindo a adesão de centenas ou milhares de participantes para garantir inequívoca representatividade populacional. Características, identificadas ao aumento de chance de insucesso, apresentadas pelo estudo, estão ligadas à ausência de identificação clara do papel dos participantes, minimização de governança em relação à equidade e representação, não conferir o mesmo nível de integridade nas etapas do processo e incorporar múltiplas abordagens e dissimilaridade dos atores da rede (Hajiheydari & Delgosha, 2023). Essas características apontam, como potencial caso geral, que o público é o agente mais importante na captação de recursos, via crowdfunding. Assim, olhar para a multidão e reconhecer diferenciais apontados pelo entendimento de como funcionam redes colaborativas, talvez, potencialize a estruturação e efetividade dessas condições.
Considerando o mercado de games, o crowdfunding tem se mostrado um mecanismo relevante para captação de recursos. De 2013 a 2016, mais de 290 mil projetos foram financiados, segundo apenas uma das plataformas que intermediam as transações; o financiamento coletivo apresentou características que superam o seu papel principal de arrecadação de fundos, como unificação dos canais de acesso a capital, conhecimento técnico e de mercado da multidão para o jogo (Nucciarelli et al., 2017). Essas perspectivas exploram diferentes características da relação entre crowdfunding e as startups, contudo, não se identificou, na literatura, abordagens orientadas para a construção de redes colaborativas como estratégia de engajamento de atores na multidão para captação de recursos das startups.
O processo de aprimoramento das condições para a utilização de estratégias de acesso ao crowdfunding pressupõe o desenvolvimento de interesse nos potenciais financiadores localizados no espaço digital, ou seja, a divulgação por meio da web abre oportunidade para negócios promissores buscarem lastro financeiro junto a terceiros, a partir da oferta de parceria a atores presentes na internet. Nesse sentido, o desafio encontra-se associado à capacidade de mobilização coletiva, isto é, a construção de redes colaborativas orientadas para captação de recursos (Paschen, 2017). Nessa perspectiva, a construção de redes colaborativas orientadas para o acesso aos recursos demandados remete à associação entre essa iniciativa e mecanismo de crowdfunding.
Redes colaborativas
O desenvolvimento de novas tecnologias impulsionou diversos campos de atuação na sociedade e, ao se observar a expansão de redes colaborativas, verificou-se a presença e o aumento de diferentes ferramentas que proporcionam novos formatos organizacionais (Camarinha-Matos et al., 2019). Com foco nos construtos redes e colaboração, inicialmente é oportuno uma distinção entre diferentes conceitos, não raro, associados aos primeiros, evitando-se enganos ou vieses de concepção desse tema (Himmelman, 2001). Assim, foram assumidas as seguintes definições operacionais:
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Redes: estruturas baseadas em conexões, envolvendo trocas e interação com benefício mútuo e aumento de valor para os atores participantes. A capacidade de agentes (indivíduos e/ou organizações) estabelecerem relacionamentos, como alianças e parcerias, tornou-se uma fonte crítica de competitividade (Brodie et al., 2019; Zaccarelli, 2000).
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Cooperação: ação de operar em conjunto com outros, contribuindo para a realização de um objetivo comum, termo frequentemente usado para se referir ao trabalho conjunto realizado por pessoas que compartilham um objetivo comum, em que o alinhamento de interesses seja central na qualificação do ato de trabalhar em conjunto (Salvato et al., 2017).
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Colaboração: ação de elaborar conjuntamente, referindo-se ao ato de contribuir com outros ou para o projeto comum de dois ou mais atores. O termo geralmente não traz nenhuma especificação adicional em relação ao objetivo e à eficácia do trabalho conjunto, mas não se confunde com operar conjuntamente, ou seja, cooperação (Castañer & Oliveira, 2020).
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Confiança: sentimento de segurança na relação com outrem, associado a expectativas positivas de comportamento ético, respeitoso e honesto, reduzindo custos de transação, particularmente os relacionados a incertezas e riscos de oportunismo, ampliando o capital social e favorecendo construção de soluções e inovação (Shazi et al., 2015).
Sob a perspectiva de compreender o processo de articulação de engajamento coletivo, redes colaborativas constituem uma abordagem competente para exploração da dinâmica de formação de sistemas colaborativos, integrando múltiplos agentes voluntários na construção de soluções focalizadas em seus objetivos compartilhados. O relacionamento das organizações em nível colaborativo implica, em geral, segundo Camarinha-Matos et al. (2019), a condições como:
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compartilhamento de riscos e recursos,
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ascensão a novos mercados,
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foco nas especialidades de cada membro, e
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manutenção de elevado padrão de agilidade e inovação
A presença das condições apresentadas conduz ao reconhecimento da operação coletiva dos atores como resultado de um sistema de nível superior, dotado de complexidade, autonomia, lógica própria e padrão evolucionário (Zaccarelli et al., 2008). Redes colaborativas remetem a elevados níveis de competitividade e novas atribuições para as organizações, entretanto, podem induzir desestímulo à concorrência setorial e perda de identidade (Mazzarol et al., 2013).
Esse tema não é novo, tampouco amplamente conhecido. A colaboração sempre foi, mesmo que de maneira remota ou não intencional, um dos pilares mais importantes para o funcionamento adequado de uma organização, sendo que, na ausência de competência para colaborar, é perceptível a dificuldade para crescer e inovar (Shuman & Twombly, 2010), como indica a Figura 1.
As redes colaborativas podem ser encontradas em diferentes setores como em finanças, pesquisa e desenvolvimento de pequenas empresas emergentes (por exemplo, startups) aceleradoras, investidores, universidades, órgãos públicos e órgãos financeiros (Granstrand & Holgersson, 2020; Wooldridge, 2015). Redes de colaboração podem ser observadas contribuindo para os processos de desenvolvimento, inovação e acesso a recursos (Prokop et al., 2019; Yahia et al., 2021). Em um sistema multinível e criativo (Granstrand & Holgersson, 2020), as redes colaborativas promovem a integração, propicia a captação de recursos e contribui para o desenvolvimento e a inovação de tecnologia (Ferasso et al., 2018; Jackson, 2011; Yahia et al., 2021).
Ademais, as parcerias em redes colaborativas tendem a influenciar nas estruturas com resultado de valor, devido às mudanças e desdobramentos dessas parcerias (Xing et al., 2018). Diante das pressões ambientais e problemas dos mais diversos, esses resultados, não seriam alcançados, ou facilmente alcançados por entidades individuais (Agranoff & McGuire, 2003; Ciesielska & Janowski, 2019; Durugbo, 2016). Logo, o mecanismo de governança e a confiança entres os pares, que integram uma rede colaborativa, correspondem às bases para sua sustentabilidade (Camarinha-Matos & Afsarmanesh, 2005; Ciesielska & Janowski, 2019; Xing et al., 2018; Yahia et al., 2021).
Crowdfunding e redes colaborativas: Convergência teóricas
Crowdfunding, entendido como financiamento coletivo, baseado em aporte de recursos financeiros por diferentes agentes, com distintas motivações, envolvendo desde a perspectiva de investimento convencional até o engajamento ativista, pode ser associado operacionalmente à disponibilidade de tecnologias de comunicação e informação, acessíveis nas últimas décadas (Paschen, 2017; Yuan et al., 2016). Entretanto, deve-se reconhecer que há diferentes modalidades de crowdfunding. Nesse sentido, admitiu-se os quatro modelos, tipificados por recompensa aos financiadores por Correia et al. (2024), a saber: (a) sem contrapartida (resultante de doações e ativismo), (b) compensação não financeira (livros, eventos etc.), (c) juros e resgate do principal (valor investido, entendido como empréstimo) e (d) ações e participação societária do negócio (valor investido, entendido como integralização de capital).
Em relação a essas diferentes modalidades de crowdfunding, baseadas no perfil de financiadores, diferentes dimensões influenciam no êxito da campanha. Financiamentos que ofereçam fundos superiores de partida, base para a ampliação da probabilidade de êxito de startups, tendem a ter menor probabilidade de sucesso (Koch & Siering, 2015, 2019). Adicionalmente, a extensão do período de captação reduz a confiança de investidores, com efeito sobre o alcance dos objetivos do crowdfunding (Mollick, 2014; Shneor & Flåten, 2020). Há que se considerar que a iniciativa pela proposição de um crowdfunding é condicionada de partida como a assimetria de informação (Belleflamme et al., 2014; Wang et al., 2021), demandando preocupações em aspectos potencialmente decisivos como comunicação e qualidade da divulgação (Barbi & Bigelli, 2017; Behl et al., 2023; Levesque et al., 2017; Pitschner & Pitschner-Finn, 2014). Outra condição associada ao êxito de crowdfunding, aventada na literatura, é a reputação e o relacionamento social dos propositores da campanha, que podem ser apreendidos por conexões e valores verificáveis (Agrawal et al., 2015; Borst et al., 2018; Hoos, 2022). Embora propositores com histórico de sucesso em empreendimentos anteriores seja um fator positivo (Zvilichovsky et al., 2013), descartou-se essa dimensão por não ser o caso modelo de startups.
Assim, configurou-se como dimensões potenciais de êxito no aporte de startups, os seguintes construtos: modulação de objetivos, definição de período de captação, assimetria de informação (Wang et al., 2021), reputação e relacionamento social (Behl et al., 2023) (Tabela 1).
Redes colaborativas (ou redes de colaboração), como arranjos integrativos baseados em cooperação de diferentes atores e dotados de uma dinâmica evolucionária própria de redes, propiciando processos de inovação e acesso a recursos, em geral (Yahia et al., 2021), sugere importante aproximação com o conceito de crowdfunding ou financiamento coletivo. Ao se considerar a capacidade de redes colaborativas potencializarem processos como adesão e engajamento de atores e interação entre esses, favorecendo o desenvolvimento de inovações e tecnologia (Ferasso et al., 2018; Jackson, 2011), depreende-se que o sistema, constituído por meio desse modelo, oferece perspectivas de construção de soluções diferencialmente eficientes em relação a modelos tradicionais de gestão. Assim, verifica-se a presença de atributos em comum, ensejando uma estratégia de cotejamento entre redes de colaboração e crowdfunding, como:
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Presença de um projeto coletivo como proposta;
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Cooperação de diferentes atores na consecução de um projeto;
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Decisão individual de atores no processo de adesão;
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Acesso a recursos de participantes com vista à compensação futura; e
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Resultado de sucesso ou fracasso compartilhado por atores da rede.
Assim, a caracterização dos fundamentos de constituição e operação de redes de colaboração proveem aspectos de interesse potencial no desenvolvimento de crowdfunding. Redes não raro, quando envolvem atores (indivíduos, organizações e instituições), são tratadas mais como sistemas do que como arranjos, em função de características como dinamismo, caráter evolucionário, respostas não lineares, capacidade de adaptação e inovação, entre outros (Shi et al., 2021). Esse tipo de rede, também entendida como virtual, permite flexibilidade e eficiência, em geral associada ao uso de tecnologia. Redes colaborativas apresentam um conjunto de dimensões distintivas (Wei et al., 2019): (a) Cooperação por tempo determinado, em função da constituição da rede ser temporária e dedicada à exploração de uma oportunidade de negócio (Wei et al., 2019); (b) Confiança entre parceiros, decorrente da necessidade de disposição para cooperar e colaborar (Camarinha-Matos et al., 2019); (c) Tecnologia, como recurso de base para ganhos de interação e eficiência nos processos cooperativos, envolvendo otimização de fluxos entre participantes (Gerber et al., 2012); e (d) Uso de melhores competências sob domínio de atores componentes da rede, constituindo um sistema com competências superiores às individuais dos participantes do arranjo (Durugbo, 2016; Najafi-Tavani et al., 2018) (Tabela 2).
A composição entre dimensões de êxito de crowdfunding de startups e dimensões distintivas de redes colaborativas teoricamente oferece opções de mapeamento de perspectivas para pesquisas, seja pela identificação de gaps (lacunas) teóricos ou a construção de estratégias puzzle (encaixe) de visões conceituais distintas sobre o mesmo fenômeno.
METODOLOGIA
Considerando o objetivo da investigação, qual seja, identificar similaridades, convergências e, sobretudo, potencial de ganho de efetividade da gestão de crowdfunding, segundo a perspectiva de redes colaborativas, adotou-se, como percurso metodológico, a prospecção de uma compreensão da estratégia de crowdfunding segundo as lentes teóricas de redes de colaboração. Nesse sentido, optou-se pelo cotejamento entre dimensões potenciais de êxito no aporte de startups (Agrawal et al., 2015; Barbi & Bigelli, 2017; Behl et al., 2023; Belleflamme et al., 2014; Borst et al., 2018; Hoos, 2022; Koch & Siering, 2019; Levesque et al., 2017; Mollick, 2014; Shneor & Flåten, 2020; Wang et al., 2021) e dimensões distintivas de redes colaborativas (Brodie et al., 2019; Camarinha-Matos et al., 2019; Castañer & Oliveira, 2020; Ferasso et al., 2018; Granstrand & Holgersson, 2020; Prokop et al., 2019; Shi et al., 2021; Xing et al., 2018; Yahia et al., 2021).
A perspectiva que se adotou foi orientada para verificação e estabelecimento de associações teóricas entre redes colaborativas e crowdfunding para startups. A motivação do estudo focalizava a relevância de construtos e variáveis presentes em estudos de colaboração em redes e, simultaneamente, como condicionantes, fatores e variáveis potenciais, entre outras categorias de intervenientes, na compreensão de crowdfunding para startups. Deste modo, operacionalmente, o conteúdo dos artigos foi examinado para ambos os temas, não se restringindo a palavras-chave, e verificando a incidência cruzada as dimensões de êxito de crowdfunding para startups e dimensões de sucesso de redes colaborativas.
Arbitrariamente, admitiu-se, como critério, o número de compartilhamentos (nC) presentes nas referências para efeito comparativo, considerando-se (i) IMPORTANTE para nC ≥ 3; (ii) PRESENTE para nC = 2; e POTENCIAL para nC = 1. Exemplificando-se, confiança entre parceiros (dimensão de sucesso de redes colaborativas) foi observada em 4 oportunidades relacionada a dimensões de êxito de crowdfunding para startups, portanto remetendo a uma oportunidade importante de pesquisa.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O cotejamento entre as bases teóricas que sustentam crowdfunding e redes colaborativas indica a presença de espaços de composição entre os dois fenômenos quando tratados conjugadamente. As modalidades de crowdfunding, por exemplo, doações, empréstimos a terceiros e integralização de capital (Paschen, 2017), envolvem necessariamente categorias sociais, como engajamento, que pressupõem fundamentalmente confiança, cooperação e/ou convicção de competências (Durugbo, 2016; Gerber et al., 2012; Najafi-Tavani et al., 2018; Wei et al., 2019). O relacionamento entre proponentes do crowdfunding e potenciais atores cooptáveis deve ser desenvolvido necessariamente tendo, como lastro, categorias sociais. Nesse sentido, desenvolveu-se, para cada dimensão de sucesso de crowdfunding, uma reflexão sobre compatibilidade ou propriedade da abordagem de redes colaborativas.
O alcance dos objetivos de um crowdfunding depende do interesse de financiadores, sendo as decisões de oferta inicial e extensão do prazo de captação, variáveis decisivas no sucesso do empreendimento (Koch & Siering, 2019). A definição de objetivos de uma proposta de crowdfunding deve considerar necessariamente aspectos como confiança e cooperação. Pesquisas sobre confiança e desempenho sugerem cada vez mais que os comportamentos relacionais inspirados na confiança melhoram o desempenho, reduzindo os custos de transação e aumentando o valor da transação (Wroldsen & Assadi, 2023). Assim, os objetivos adotados para uma estratégia de crowdfunding devem ser pautados e condicionados à capacidade de acesso a um universo de atores passíveis de engajamento em função de sua natureza (doações, investimentos e/ou integralização de capital.
A extensão de períodos de captação correlaciona-se negativamente com confiança (Mollick, 2014; Shneor & Flåten, 2020), remetendo a um processo de gestão orientado pelo controle da taxa de adesão e acompanhamento, por exemplo por meio de pesquisas qualitativas, de avaliação do risco percebido por atores participantes. O sucesso de um empreendimento evoluiu substancialmente e envolve cooperação ativa e alta qualidade de relacionamento (Zheng et al., 2018). Como resultado, a administração de crowdfundings deve enfrentar o desafio de não limitar a relação com atores componentes do financiamento a partir de uma perspectiva de transação pura, propondo interação continuada com os mesmos.
Comunicação e divulgação, como aspectos fundamentais na construção, gestão e maximização das chances de sucesso de crowdfundings (Barbi & Bigelli, 2017; Behl et al., 2023; Levesque et al., 2017), demandam competências no acesso e interação com redes, ou seja, dependem de domínio de tecnologia e compreensão de necessidades de potenciais integrantes do financiamento pretendido (Yuan et al., 2016). Sem essa perspectiva de base de troca, o valor percebido na oferta tende a não ser maximizado, como resultado de investimento e redução de risco. Comunicação e divulgação, mas particularmente a interação, entendida como comunicação em mão dupla, jogam papel decisivo que, entretanto, só podem ser bem-sucedidas de fato a partir do adequado entendimento sobre os atributos valorizados pelos possíveis interessados. A assimetria de informação presente nesse tipo de captação de recursos (Wang et al., 2021) pode ser associada à necessidade da interação entre proponentes e ofertantes de recursos em crowdfundings. O título do artigo citado, ‘Crowdfunding: tocando na multidão certa’, aponta para o entendimento do universo de atores sensíveis à proposta como plataforma de relacionamento e interação, ampliando a probabilidade de sucesso.
Entre as diferentes variáveis associadas ao sucesso de um financiamento, baseado na estratégia de crowdfunding, como qualidade e tecnologia do projeto, competência técnica e gerencial dos empreendedores e habilidade de comunicação e interação com potenciais interessados no investimento, a literatura indica a reputação de propositor e o relacionamento social (Agrawal et al., 2015; Borst et al., 2018; Hoos, 2022) como aspectos-chave nessa inciativa. Desse modo, a construção consistente de um histórico bem-sucedido dos propositores, referenciado por fontes com curadoria e, portanto, com credibilidade, operam como catalizadores do processo. Entretanto, o relacionamento social com presença e interação em redes orientadas para as multidões certas (Belleflamme et al., 2014; Wang et al., 2021) fornecem simultaneamente importância reconhecida, valor percebido, redução de risco e maior probabilidade de êxito. Redes colaborativas, nesse sentido, entendidas como associações entre atores com interesses em comum ou convergentes, apresentam-se como uma estratégia de orientação aparentemente competente para a construção de objetivos conjugados por diferentes atores (Huxham & Vangen, 2004; Shi et al., 2021; Wei et al., 2019), característico de processos de crowdfundings.
A partir da convergência conceitual de abordagens dos fenômenos crowdfunding e redes colaborativas, esboçou-se uma representação esquemática entre as dimensões consideradas para ambos, assinalando-se espaços de relação cruzada baseada nos argumentos desenvolvidos (Figura 2). Deve-se reconhecer que a Figura 2 não tem a pretensão de ser exaustiva, mas, antes, sugerir de forma pictórica as associações entre os construtos investigados.
A Figura 2 sugere espaços de convergência teórica entre redes colaborativas e estratégias de crowdfunding, oferecendo adicionalmente uma avaliação sobre a intensidade dessa relação (importante / presente / potencial), baseada na presença de conceitos compartilhados na literatura pelos dois construtos. Investigações de tais associações remetem a alternativas consistentes para construção do conhecimento, considerando que os fundamentos teóricos da perspectiva de redes colaborativas se mostram compatíveis e potencialmente compreensivos no planejamento e gestão de iniciativas como crowdfunding. Assim, esses potenciais gaps teóricos oferecem consistentemente a construção de questões de pesquisa e avanço no entendimento de conceitos, identificação de construtos e desenvolvimento de estratégias.
Quanto ao desenvolvimento dos estudos, recomenda-se pesquisas exploratórias qualitativas e, se possível, a utilização do método Delphi sobre os conceitos de redes colaborativas e crowdfunding com o objetivo de entender e confirmar a existência dessas associações. Após a confirmação dessas associações, poderão ser estabelecidas variáveis para estudos quantitativos que possam mensurar a interveniência e associação entre construtos derivados dessas métricas. Entre as oportunidades de investigação identificadas pela presente pesquisa, algumas, diretamente decorrentes da análise cruzada entre perspectivas de redes colaborativas e crowdfunding (Figura 2), são propostas como possíveis questões de pesquisa para estudos futuros (Tabela 3).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Redes de colaboração ou redes colaborativas, independentemente do mote sob os quais esses conceitos são utilizados, baseiam-se na construção de estrutura caracterizada por um processo de interação entre atores que a constituem, motivados pelo alcance de objetivos afins, convergentes e/ou correlacionados (Camarinha-Matos et al., 2019; Wei et al., 2019). Crowdfundings para desenvolvimento de startups é considerada uma estratégia relacionada à interatividade e à adesão de terceiros a uma dada causa (Borst et al., 2018; Hoos, 2022). As perspectivas de ambos os construtos são associadas à constituição de redes e à presença de categorias sociais (colaboração, confiança e cooperação, entre outras) entre agentes como fundamento de operação. Nesse sentido, o objetivo do presente estudo pode ser descrito como a identificação de novas oportunidades de compreensão da captação de recursos para startups, a partir da compreensão do crowdfunding como resultado da construção de redes colaborativas.
Os resultados da pesquisa, consubstanciados pela proposta de uma agenda de pesquisa, apontam consistentemente para a emergência de novas e distintas perspectivas de exploração teórica de construtos e variáveis presentes em estudos de colaboração em redes como condicionantes, fatores e variáveis potenciais, entre outras categorias de intervenientes, na compreensão de crowdfunding para startups. Outras possibilidades para condução de pesquisas ainda podem ser desdobradas desse estudo. Exemplos dessas alternativas promissoras de pesquisa poderiam ser construídos pela análise comparativa entre as estratégias de crowdfunding (donations, leading e equity) sob a perspectiva dos conceitos de redes colaborativas. Construtos como efetividade e eficiência de cada uma das estratégias no financiamento poderiam ser utilizados como base para a avaliação de performance de crowdfundings ou associação significante com a sobrevivência de startups.
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Item relacionado (hasTranslation): https://doi.org/10.14211/regepe.esbj.e2581
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Classificação JEL: M19, L10
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Como citar:Telles, R., Goes, W. M. de, Ferreira, G. G., Zenke, A. A., & Ferraro, R. (2024). Compreensão do crowdfunding como redes colaborativas para startups: Uma agenda de pesquisa. REGEPE Entrepreneurship and Small Business Journal, 13(3), e2416. https://doi.org/10.14211/regepe.esbj.e2416
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Editor Chefe1 ou Adjunto2:1 Dr. Edmundo Inácio Júnior https://orcid.org/0000-0003-0137-0778Univ. Estadual de Campinas, UNICAMP
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Editor Associado Responsável:Dra Liliane Oliveira Guimaraes https://orcid.org/0000-0002-3346-2207Pontif. Univ. Cat. de Minas Gerais, PUC Minas
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Editora Executiva1 ou Assistente2:2 M. Eng. Patrícia Trindade de Araújo2 Camille Guedes Melo
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Revisão Ortográfica e Gramatical:José Augusto Pereira da Silva



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